sexta-feira, 16 de agosto de 2019



16 DE AGOSTO DE 2019
DAVID COIMBRA

Salvem as árvores de Porto Alegre!

Os seres vivos mais extraordinários do planeta Terra são as árvores. Nada que respira e cresce, nem os felinos mais ferozes, nem os peixes das profundezas mais misteriosas, nem homens e mulheres falantes, nada é mais majestoso do que uma árvore. Não precisa sequer ser uma rainha, como a sequoia General Sherman, que há 40 séculos contempla a Califórnia de cima de seus 84 metros de altura. Não. Pode ser uma dessas pequenas árvores de canteiro. Pare e observe qualquer uma, em qualquer avenida ruidosa da cidade. Você verá que um mundo sobrevive em torno dela e graças a ela: insetos a frequentam, passarinhos dormem sob suas folhas e o solo é alimentado pelos frutos que caem em volta da sua raiz.

Sou um admirador das árvores. Se disser que tenho uma ligação com elas, você pensará que estou endoidando, mas a verdade é que tenho. O que não significa que elas tenham comigo. Infelizmente, nenhuma árvore jamais moveu uma única folha por mim. Elas não me dão bola. Tudo bem, as humanas já me acostumaram à indiferença.

Porto Alegre é uma cidade amplamente arborizada, e há um homem responsável por isso: Guilherme Socias Villela, prefeito nos anos 1970, abriu centenas de praças e parques e mandou plantar? atenção para o número: mandou plantar 1.150.000 árvores na cidade. Eu escrevi: um milhão cento e cinquenta mil árvores!

Não quero, na minha cidade, o aço da Torre Eiffel. Não quero o concreto do Empire State. Quero o verde de 1 milhão de árvores.

Pois bem. O Paulo Germano contou, em sua coluna, que 20% das árvores da cidade, cerca de 260 mil delas, estão infestadas com erva-de-passarinho, que lhes perfura o tronco e suga-lhes os nutrientes, enfraquecendo-as e podendo levá-las à morte. É grave. É uma ameaça à essência do que é Porto Alegre.

Estamos perenemente sob ameaças, nós, porto-alegrenses. Olhe para a rua mais bonita do mundo, a Gonçalo de Carvalho. Ele é bonita justamente por causa de suas árvores, que são mais de cem, tocando-se no céu, formando um túnel de remanso e mansidão. Tempos atrás, quando foi construído o Shopping Total, engenheiros insensíveis planejaram derrubar parte das árvores da rua para dar saída ao estacionamento do prédio. A comunidade se mobilizou e impediu o crime. Ufa.

Mas agora nós estamos mais empobrecidos e, por isso, mais frágeis, mais suscetíveis à força da grana. E começam a surgir as propostas indecentes. Um espigão que se levanta em uma região de casario histórico, um projeto de prédios de apartamentos que privatizaria a vista do rio, coisinhas assim, que parecem irrelevantes agora, mas que nos roubarão a graça depois. Enquanto isso, as árvores, tomadas por parasitas, morrem lentamente, sem que ninguém faça nada para ajudá-las. Vamos ajudar nossas árvores, irmãos porto-alegrenses. Vamos salvá-las! Assim, salvaremos a própria alma da cidade. E a nossa também.

DAVID COIMBRA

16 DE AGOSTO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

ATROPELO PRESIDENCIAL

Em mais uma confusão conceitual traduzida em atos concretos, o presidente Jair Bolsonaro suspendeu o uso de radares móveis pela Polícia Rodoviária Federal. A medida é esdrúxula e atropela, ao mesmo tempo, o bom senso e a razão. O trânsito no Brasil mata mais do que qualquer guerra mundo afora, em grande parte pela imprudência dos motoristas, consequência também da fiscalização deficiente e das más condições das nossas ruas e estradas no que tange à engenharia e à sinalização.

Ao proibir o uso de radares, o presidente passa um recado torto à nação. Banalizou-se a ideia de que as polícias e os agentes de trânsito têm o papel prioritário de educar. O argumento até faz sentido, mas não da forma como vem sendo apresentado. É legítimo partir do pressuposto de que um cidadão só poderia portar uma carteira nacional de habilitação se fosse educado, anteriormente, para tal. É por isso que existe toda uma estrutura de cursos e provas, tanto teóricas quanto práticas.

Quando é autorizado oficialmente a conduzir um veículo, o motorista deve, obrigatoriamente, conhecer as leis e comprovar aptidão motora e psíquica para essa atividade tão complexa. A partir daí, muda o enfoque do que se convencionou chamar de "função pedagógica do Estado". No caso, punir com o máximo rigor as eventuais infrações é a única forma aceitável de educar. Pode-se até discutir se isso resulta em mais ou menos arrecadação para o Estado. Mesmo assim, não se deve jamais tirar da perspectiva do debate que multas leves são comprovadamente ineficientes quando se busca a supressão de comportamentos inadequados e perigosos ao volante.

Não se trata de defender qualquer furor arrecadatório em um país onde empresas e cidadãos já são esmagados pelo peso das taxas e dos impostos. Até porque, no caso das multas, não há incidência compulsória. Só são atingidos por elas aqueles que ultrapassam os limites da legislação.

A convivência em sociedade, onde o compartilhamento de espaços públicos traz tantos benefícios, exige a compreensão de que uns são responsáveis pelos outros. O trânsito é um território no qual esse exercício é imprescindível.

Na contramão do óbvio, vivemos, mais uma vez, as contradições de um governo que tem acertos, especialmente na área econômica, mas que parece haver esquecido que se elegeu pregando o fim da impunidade.

Se analisados com profundidade e seriedade, os acidentes de trânsito que mutilam e matam milhares, todos os anos, no Brasil, deveriam ser qualificados de outra forma. Não são acidentes. São resultado de uma cultura violenta e a expressão de uma agressividade que se apresenta na sociedade como um todo. Por isso, cabe ao presidente e ao Estado, em vez de se deixarem guiar pela demagogia, pensar, em primeiro lugar, nas vidas que a proibição do uso de radares poderá ceifar. Multar nunca foi e nunca será um gesto simpático. Mas é, infelizmente, necessário.

OPINIÃO DA RBS

16 DE AGOSTO DE 2019
GOLPE DOS NUDES

Criminosos usam nome de policial em estelionatos


Há pouco mais de um ano, o policial civil Roberto, 36 anos, foi obrigado a trocar de lado do balcão na delegacia: de investigador de crimes violentos, tornou-se alvo de estelionatários Brasil afora.

Criminosos falsificaram sua identidade funcional e passaram a usá-la para dar legitimidade a golpes. Já há confirmação de casos com seu documento em cinco Estados além do Rio Grande do Sul. Segundo o policial, que pediu para ter o sobrenome preservado, tornou-se rotina atender de duas a três ligações por dia de colegas da polícia avisando sobre o documento dele ter sido usado em golpe. Também o procuram vítimas que conseguiram seu número e ligam para verificar a veracidade da história. Em outros casos, há quem ligue cobrando, por acreditar que o policial está envolvido nas trapaças.

- É horrível. Jamais imaginava que passaria por isso. Esse documento falso circulando pode me atrapalhar até em uma investigação - reclama o agente.

Depois de ver o documento pipocando em grupos de WhatsApp, fez investigação preliminar. Descobriu pelo menos 50 casos espalhados pelo Rio Grande do Sul, fora os registrados em outros Estados.

Investigação

Usando o documento falso, os estelionatários já conseguiram valores das vítimas. Em Cachoeirinha, um empresário casado se envolveu no golpe dos nudes. Para ter sua imagem preservada pelos golpistas, pagou R$ 18 mil. Em outro caso investigado - o golpe do falso depósito - os criminosos conseguiram videogame, celulares e até uma banheira de hidromassagem. Esses seriam os estelionatos aplicados com o nome do policial.

O agente identificou que, os criminosos que aplicam o golpe dos nudes, estão no sistema prisional. Eles contariam com ajuda de familiares e pessoas próximas para praticar os crimes. A polícia chegou a pedir mandados para a Justiça, mas não obteve retorno. Outra delegacia assumiu a apuração e agora tenta identificar quem usa a imagem e aplica os golpes.

VITOR ROSA

16 DE AGOSTO DE 2019
+ ECONOMIA

Risco de recessão global é real

Desde o final de julho os mercados financeiros operam como montanha-russa, por medo de recessão global. Em um dia as bolsas desandam, no seguinte se recuperam. É a turbulência que costuma preceder perdas pesadas.

Ontem, no Brasil a bolsa caiu 1,2% enquanto o dólar recuou 1,24%, por esforço do Banco Central (BC), que passou a vender cédulas. Foi um dia calmo perto da véspera, quando o recuo de 0,1% no PIB da Alemanha no segundo trimestre, a desaceleração da produção industrial na China ao nível mais baixo em 17 anos e o comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos reforçaram o temor de um "mini 2008", referência à Grande Recessão causada pela crise da hipotecas nos EUA.

- Ainda não resolvemos os grandes problemas que causaram a crise do subprime em 2008 - diagnostica Antonio Corrêa de Lacerda.

Especialista em economia internacional, ele pondera que a escassez de demanda global deu impulso às medidas protecionistas e populistas de Donald Trump:

- É a reação de governos locais tentando preservar seu espaço. O que acaba ocorrendo é quadro de guerra comercial e cambial.

Para Lacerda, uma nova recessão global não é inevitável. Vai depender de que medidas serão tomadas por governos da reação dos mercados. Admite que o arsenal está mais restrito, mas não foi desmontado:

- Os juros já estão muito baixos, então o instrumento de política monetária é limitado. Restariam os fiscais, que também têm pouco espaço. Não quer dizer que não se possa fazer nada.

Por isso, embora a intervenção do BC brasileiro (leia mais abaixo) tenha antecipado a aplicação do pacote anticrise, Lacerda aprova a medida:

- O risco de recessão é péssimo para o Brasil, porque criamos nossa própria recessão, e agora o quadro internacional vai jogar contra. Mas o BC fez o óbvio. Diante do risco, interveio e entrou no mercado à vista. O discurso liberal é retórica. Na hora em que precisa, é o Estado que vai intervir.

MARTA SFREDO

16 DE AGOSTO DE 2019

EDUARDO BUENO

Woodstock


Pode ter certeza de que hoje é dia de festa: neste 16 de agosto, completam-se os 103 anos do Festival de Woodstock. Julgo que é o caso de sacudirmos as cabeleiras, arrancarmos as roupas e, apesar do frio, mergulhar numa cachoeira para saudar o amor livre, a boa música, a vida em comunidade em comunhão com a natureza e, é claro, a derrocada dos caretas.

E, se você acha que pirei - e ingeri um dos famigerados "brown acids" que o mestre de cerimônias Chip Monck alertava o pessoal para não tomar em 1969 - e que agora troco as bolas e as datas, te digo: é você que está caindo num dos tantos engodos de Woodstock. E lamento informar que está indo para o festival errado, no lugar errado. Na data errada também.

Woodstock era um dos bem guardados segredos da comunidade artística e boêmia dos EUA. Vilarejo encantado, incrustado nas lindíssimas Catskill Mountains, a 150 quilômetros de Nova York, foi "descoberto" em 1825 pelo pintor Thomas Cole. Embora o notável Washington Irving tivesse escrito o célebre conto Rip Van Winkle, ambientado na região, em 1819, foi a chamada Hudson Valley School, criada por Cole, que atraiu grandes pintores para a montanha mágica. Na esteira deles, surgiria, em 1902, a lendária (nas internas) Byrdcliffe Art Colony, uma comuna anarcossindicalista de artesãos, de vasta influência e importância na história da vida alternativa nos EUA e no mundo. A seguir, em 1906, estabeleceu-se ali a "escola de verão" da Liga de Estudantes de Arte de Nova York.

Como se não bastasse, em 1915 o filósofo utópico, livre-pensador, escritor, artista gráfico e carpinteiro Hervey White (1866-1944) fundou, num lindo naco de floresta virgem, recortado por riachos murmurantes, a comunidade batizada de Maverick. E em 16 de agosto de 1916 organizou ali o primeiro Maverick Music Festival, o mais longevo festival de música dos EUA, pois há mais de cem anos é realizado no histórico Maverick Concert Hall, um celeiro com telhado de duas águas, obra-prima de madeira feita pelo próprio Hervey e onde o genial John Cage se apresentou em agosto de 1952.

Portanto, rapazes, lamento informar que aquele bando de cabeludos que há exatos 50 anos aterrissou em Woodstock, para ver e ouvir Hendrix e os outros, chegou lá com meio século de atraso. E ainda bem que Bob Dylan - por causa do qual o festival de 1969 foi feito - não deu as caras na parada. Aposto que ele estava dormindo, como Rip Van Winkle.

EDUARDO BUENO

quinta-feira, 15 de agosto de 2019



15 DE AGOSTO DE 2019
DAVID COIMBRA

E há uma rua encantada

Ontem passei pela rua mais bonita do mundo. A Gonçalo de Carvalho. Sei que se trata de título polêmico, conquistado em eleição pela internet, mas ela é bonita mesmo, com suas dezenas de árvores perfiladas em ambas as margens, tocando-se no céu. É delas, das árvores, que pretendo falar, mas, antes, deixe que lhe diga que já vi outras ruas bem bonitas.

Por exemplo: em Edimburgo, na Escócia, eles dizem que se encontra a SEGUNDA rua mais bonita do mundo, a Princes Street. É uma bela rua, de fato, muito antiga, ladeada por um imponente castelo medieval. Mas a primeira, a número 1, para os escoceses, não é a Gonçalo de Carvalho, por incrível que pareça; é a Champs-Élysées, de Paris.

Talvez a Champs-Élysées seja mesmo a rua mais bonita da Europa, mas ela é uma avenida imponente, onde moraram Napoleão e Josefina e onde você pode gastar milhares de euros em lojas requintadas. Agora, houve outra rua que vi, certa feita, e da qual não lembro nem o nome, mas, juro, achei-a mais bonita do que a Champs-Élysées, do que a Princes Street e, não fique chocado, do que a Gonçalo de Carvalho: é uma rua da cidade de Lucerna, na Suíça, que é linda, linda. 

Caminhei por essa rua depois de desfrutar um jantar delicioso, servido por uma leitora brasileira que mora em Lucerna. Era uma noite de temperatura amena, e eu passeando por aquela cidade de sonhos, naquela rua encantadora, sentia-me como se fosse protagonista de um filme ou de um romance. Então, aprendi que uma paisagem especial pode fazer com que a gente se sinta especial.

Quando tinha sete anos de idade, escrevi várias páginas sobre uma rua, a Dona Margarida, nos Navegantes. Meu avô e minha avó moravam lá, no número 355, e eu adorava aquela casa. Então, escrevi o que, na época, disse ser um jornal a respeito da Dona Margarida. Minha mãe não guardou essa minha primeira reportagem, mas, por Deus, ainda lembro de trechos. Contei acerca dos vizinhos: no lado esquerdo havia a casa da dona Matilde, que era corcunda. 

Meu avô advertia para não ficar reparando na corcunda da dona Matilde, mas como um guri de sete anos de idade conseguiria se conter? Quando ninguém estava prestando atenção, eu espiava a corcunda dela e me fascinava. Na minha reportagem, fiz várias especulações a respeito: se passar a mão no calombo da corcunda dava sorte mesmo, o que havia lá dentro, essas coisas.

Na frente da casa da dona Matilde estava plantado um sobrado de madeira cheio de mistérios. Lá vivia uma família muito discreta, que viera de algum país do Leste Europeu. À noite, gritos horríveis de mulher saíam daquela casa. Às vezes, o vulto de uma moça de cabelos loiros era visto no andar de cima, espreitando por uma das janelas. 

Eu e meus irmãos planejávamos invadir a casa, num dia em que a família tivesse saído, para investigar o que se passava no seu interior. Claro que nunca tivemos coragem nem para chegar perto do jardim da frente. Escrevi sobre essa casa também. E sobre outros tantos personagens da rua, que se tornou mítica na minha imaginação e com a qual ainda sonho, de vez em quando. Assim, posso dizer que a Dona Margarida, que hoje virou uma rua até feinha, é uma rua bonita, para mim.

Mas vou dizer qual é a rua mais formosa do planeta. Sei qual é: a Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. Os prédios antigos de um lado, a calçada ampla no meio e do outro lado o mar de Copacabana. Não existe nada igual.

Falei tanto da beleza das ruas que não consegui entrar no assunto que me motivava: as árvores. Vai ter que ficar para amanhã. Aguarde. Mas, por enquanto, me diga: que rua mora no seu coração, empedernido leitor?

DAVID COIMBRA



15 DE AGOSTO DE 2019
PERDEU R 18 MIL EM CACHOEIRINHA

Homem é vítima de golpe dos nudes

Trocar fotos íntimas pela internet virou campo fértil para estelionatários. Nos últimos meses, homens procuraram a Polícia Civil para contar que foram vítimas do "golpe dos nudes", em Torres (dois casos), Cachoeirinha (um) e Portão (cinco crimes).

Conforme a Polícia Civil, todos os golpes seguiram o mesmo roteiro. O perfil de uma mulher jovem faz convite de amizade em rede social. O homem aceita e as pessoas começam a trocar mensagens. Com o andamento da conversa, ambos enviam fotografias íntimas - os chamados "nudes".

Logo depois, o perfil falso afirma que a mulher é uma adolescente, de 15 anos. Quase que simultaneamente, outro criminoso aparece se dizendo pai da menina e faz uma revelação: afirma ser policial civil e promete denunciar o homem às autoridades, a não ser que receba para ficar em silêncio.

No caso mais recente, no início de agosto, em Torres, o falso agente solicitou o valor de R$ 11,6 mil para não denunciar o caso à polícia. A vítima procurou um advogado e, juntos, foram até a delegacia.

Já em Cachoeirinha, no mês passado, o crime deu certo para os estelionatários. Um homem casado envolveu-se em troca de mensagens com o golpista, primeiro pelo Facebook, depois no WhatsApp.

Depósitos

O homem chegou a enviar uma foto despido, usada pelo criminoso para chantageá-lo. Ele fez três depósitos, somando cerca de R$ 18 mil, nas contas dos criminosos. Após ser vítima, o homem, acompanhado de um advogado, procurou a Polícia Civil de Cachoeirinha. O delegado Leonel Baldasso, afirmou que encontrou a verdadeira responsável pelas mensagens: uma mulher, sem antecedentes, de aproximadamente 30 anos. Ela está cadastrada como visitante de uma pessoa que está presa. O fato reforça a suspeita da polícia de que a organização para o crime parte de casas prisionais.

- A maioria das vítimas é pessoa casada. O criminoso que ligou sabia detalhes sobre a vida da vítima por meio de análise de engenharia social. Adicionam ou seguem várias pessoas próximas do alvo. Chegaram a perguntar sobre aniversário da sobrinha desse caso em específico. A vítima casada, com medo de arruinar sua vida, preferiu pagar e alimentar os bandidos - declarou Baldasso.

A investigação em Cachoeirinha ainda depende de autorização de pedidos feitos à Justiça.

O delegado Juliano Aguiar, responsável pela apuração de Torres, informou que há um outro caso na cidade e mais relatos em outros municípios do Estado.

- Os crimes têm o mesmo modus operandi e, aparentemente, foram feitos pelo mesmo grupo - alerta o policial.

VITOR ROSA

15 DE AGOSTO DE 2019
+ ECONOMIA

Macri intervém e crise se agrava


As medidas econômicas, anunciadas ontem pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri, derrubaram seu projeto liberal. O recado foi de que, se o eleitor quer populismo, ele mesmo pode entregar. Anunciou aumento do salário mínimo, redução de imposto, moratória para pequenas e microempresas e congelamento do preço da gasolina.

O pacote estratégico foi apresentado como um alívio para os efeitos da alta do dólar, que na Argentina contagia os preços de forma quase instantânea, diferentemente do Brasil, porque a economia local é muito mais indexada à moeda americana. Até eletrodomésticos têm preços em dólar expostos nas lojas.

Os jornais locais relatam aumentos entre 15% e 20% em fraldas, óleo de cozinha e farinha, e entre 20% e 30% em vestuário. Para tentar frear a saída de capitais e segurar a alta de preços, já no "lunes negro" o banco central argentino havia elevado o juro básico em 10 pontos percentuais, de 64% para 74% ao ano. O mercado reagiu mal. O dólar voltou a subir, para 62 pesos argentinos, e o risco país disparou para 2,6 mil pontos - antes do resultado eleitoral, estava abaixo de mil. Conforme o sistema que avalia o risco de o país dar calote, a probabilidade agora seria de 44%.

Mais do que tentar frear uma crise econômica, as medidas são uma tentativa de reduzir a vantagem, nas eleições de outubro, do adversário Alberto Fernández, que tem como vice na chapa a ex-presidente Cristina Fernández de Kircher. Macri quer ao menos a possibilidade de disputar o segundo turno.

O caos argentino contribuiu para que o dólar voltasse a fechar acima de R$ 4 pela primeira vez desde 20 de maio, quando havia sido cotado a R$ 4,10. A bolsa teve queda de 2,94%. E o que fez todo o mundo tremer, ontem, foram novos sinais de recessão global.

MARTA SFREDO


15 DE AGOSTO DE 2019
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Turbulência na Argentina eleva preocupação com dependência

País vizinho é o principal destino de produtos industriais. Empresários cobram avanço de reformas e buscam novos mercados
A crise econômica vivida pela Argentina, que ganhou novos contornos durante a corrida presidencial à Casa Rosada, preocupa segmentos exportadores do Rio Grande do Sul. Diante da situação, empresários gaúchos avaliam que o Estado, assim como o restante do Brasil, precisa se tornar mais competitivo no cenário externo, em busca de novos mercados e até de diminuição no grau de dependência da nação banhada pelo Rio da Prata - o principal destino das vendas manufaturadas.

Para isso, cobram o avanço da agenda de reformas. Hoje, os argentinos representam o terceiro principal destino das exportações brasileiras, atrás de EUA e China.

- A crise na Argentina gera grande preocupação. Temos de avançar na agenda de reformas estruturais. Se ficarmos mais competitivos, poderemos alcançar outros mercados, sem tanta dependência da Argentina. Não devemos abrir mão do país vizinho, mas é importante aumentar a capacidade do Brasil no cenário internacional - diz o coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Cezar Luiz Müller.

Pressionado pela derrota nas eleições primárias de domingo para o candidato de oposição Alberto Fernández, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou ontem pacote de medidas na área econômica (leia mais ao lado). Soma-se a essa situação o cenário externo, agravado pelo temor de recessão global no próximo ano (confira quadro abaixo).

A turbulência enfrentada pelos argentinos nos últimos meses respingou nas exportações brasileiras. De janeiro a julho, os embarques ao país vizinho caíram 40% frente a igual período de 2018, para US$ 5,9 bilhões. Nos primeiros sete meses deste ano, os principais produtos enviados para a Argentina foram automóveis, cujas vendas despencaram 50%, para US$ 1,3 bilhão. Depois, peças para veículos, com redução de 28,6%, para US$ 469,3 milhões. No Rio Grande do Sul, os números se refletem em indústrias da Serra, considerada polo metalmecânico.

- A Argentina é grande parceira das empresas da região. Boa parte das exportações do polo metalmecânico e automotivo tem o país vizinho como destino. Os efeitos da crise vêm sendo sentidos nos últimos meses - diz a economista Maria Carolina Gullo, diretora de Economia, Finanças e Estatística da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul.

Calçados

Outro setor atingido pelas dificuldades argentinas é o calçadista. De janeiro a julho, as exportações brasileiras do segmento para esse mercado caíram 28,5%, em pares, e 37,8%, em receita. No Rio Grande do Sul, as vendas também ficaram no vermelho, com baixas de 17,4% e de 37,3%, respectivamente, no período, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

- O setor vem sofrendo os impactos da crise desde o início do ano. No curto prazo, não vemos sinais de melhora na situação da Argentina - menciona o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

LEONARDO VIECELI

15 DE AGOSTO DE 2019
L.F.VERISSIMO

Andrew

Desde os rumores de que Jack o Estripador era um membro da família real inglesa, que circularam no fim do século 19 e ainda circulam em especulações modernas sobre a identidade do assassino, que nunca foi preso, ninguém daquela augusta linhagem foi citado em crimes. Pelo menos não em crimes sérios, o que exclui os chapéus da rainha. 

Agora se sabe que o príncipe Andrew, duque de York, segundo filho de Elizabeth e Philip, oitavo na linha de sucessão ao trono da Inglaterra, durante anos foi amigão do bilionário americano Jeffrey Epstein, frequentando suas muitas mansões, andando no seu belo iate, viajando no seu avião particular e sendo apresentado às meninas, quase todas da chamada menor idade, que Jeffrey cultivava para o seu próprio uso e para suprir os amigões. 

Entre estes, o ex-presidente Bill Clinton e o atual presidente Donald Trump - que numa entrevista publicada há alguns anos elogiou Jeffrey e comentou que ele gostava de mulheres bonitas, "como eu, de preferência as mais novas", uma sugestão pública de gosto pela pedofilia que prefaciou todas as barbaridades que Trump viria a dizer na presidência, depois.

Jeffrey Epstein se suicidou na prisão, onde aguardava indiciamento. Ou foi suicidado. Como, ainda não está claro. Os presos não podem usar cintos ou cordões de sapatos nas celas. Ele teria se estrangulado ou sido estrangulado com um lençol? Difícil. Já tinha tentado se suicidar antes, deveria estar sob observação constante, mas os dois guardas encarregados de cuidar dele não estavam em serviço, por diferentes razões, na noite em que Jeffrey morreu. As teorias conspiratórias se multiplicam. 

A quem interessaria a morte de Jeffrey antes que ele começasse a "cantar", dar nomes e incriminar meio mundo no seu esquema de favores? A julgar pela quantidade de gente importante e ligações poderosas no caderninho do bilionário, "incriminar meio mundo" não é exagero. Meio mundo deve ter respirado aliviado com a notícia da sua morte.

Andrew não tem com o que se preocupar. Dormir com menininhas não é, assim, como eviscerar mulheres. Ele talvez passe por um período de ostracismo na corte, mas isto passa. E ele continuará com sua simpática cara de zonzo, própria dos príncipes desocupados.

L.F. VERISSIMO

quarta-feira, 14 de agosto de 2019



14 DE AGOSTO DE 2019
DAVID COIMBRA

O dia em que o mundo quase acabou

Ontem eu deveria ter contado a história do dia em que o mundo quase acabou, mas não deu tempo. Então, conto agora, preciso contar. Porque nossa extinção, afinal, é coisa importante.

Ocorre que, exatamente na madrugada de 12 para 13 de agosto de 1961, foi erguido, de forma abrupta, o Muro de Berlim. Os soviéticos decidiram levantar essa barreira porque, desde que Berlim fora dividida entre comunistas e capitalistas, no final da Segunda Guerra, cerca de 5 milhões de alemães usaram a cidade como um corredor para se homiziar na Alemanha Ocidental.

Dispostos a estancar o derrame de gente, os soviéticos planejaram com critério a construção do muro. Aos poucos, milhares de quilômetros de arame farpado foram sendo levados com discrição para a cidade e estocados em local secreto.

A situação da Berlim daquele tempo é difícil de ser imaginada hoje. A cidade não estava na fronteira, estava DENTRO da Alemanha comunista. Metade do território, porém, era controlada pelos Estados Unidos - uma ilha de democracia capitalista rodeada de ditadura comunista por todos os lados.

Naquela madrugada, tanques e soldados comunistas se postaram ao longo da linha que dividia a cidade. Rolos de arame farpado foram sendo abertos e instalados nas ruas, bem como precárias torres de vigia, onde se acomodaram atiradores de elite. Quando os berlinenses acordaram, viram-se separados de familiares e vizinhos da maneira definitiva e irrecorrível.

Tente ver uma cerca subindo do Rio Guaíba até a Ipiranga, seguindo o fio da Carlos Gomes, dividindo Porto Alegre em duas e afastando o IAPI dos bárbaros: Berlim era mais ou menos assim.

Mas havia um ponto do muro em que oficiais ocidentais podiam passar para o lado oriental sem se submeter ao controle dos agentes comunistas. Era o Checkpoint Charlie, que ainda existe, só que transformado em um dos pontos turísticos mais importantes da cidade. Se você já foi a Berlim, certamente esteve lá. Está sempre cheio de gente ruidosa e de vendedores de bugigangas, como todos os pontos turísticos, mas, ainda assim, vale a pena dar uma olhada no lugar. Porque foi no Checkpoint Charlie que o mundo quase começou a acabar.

Deu-se que, dois meses após a construção do muro, um oficial americano quis entrar no lado oriental. Há quem diga que ele tinha uma namorada linda e loira na parte comunista da cidade e que, naquela sexta-feira, ela o esperava para uma noite de luxúria internacional. É provável, porém, que o oficial pretendesse apenas assistir à ópera que seria apresentada do lado de lá da fronteira. Seja qual for o motivo, o fato é que os soldados comunistas não permitiram sua entrada nem sua volta a Berlim Ocidental. Em pouco tempo, os soldados do lado capitalista ficaram sabendo da detenção e se mobilizaram. O que causou a mobilização dos soldados do lado comunista. Assim, antes que o oficial americano pudesse dizer Ich möchte meine deutsche Freundin sehen, 30 tanques americanos M48 Patton e 30 T-54 soviéticos se postaram dos dois lados do Checkpoint Charlie, prontos para o combate.

Era um cenário funesto: os tanques frente a frente, os soldados se encarando de dentes rilhados e músculos retesados. Se alguém disparasse, a terceira guerra mundial seria detonada. Assustados, Kennedy, em Washington, e Kruschev, em Moscou, determinaram que seus soldados não atacassem, mas reagissem com vigor se o inimigo tomasse a iniciativa. E agora? E se algum imprudente disparasse um tiro? O horror, o horror.

Foi então que, pela primeira vez, foi acionado o telefone vermelho. Kennedy e Kruschev conversaram por meio de sua linha privada. Kennedy prometeu que, se os soviéticos recuassem um pouco os seus tanques, ele também mandaria recuar os dele. Kruschev topou. Minutos depois, o mundo inteiro assistiu, tenso, aos tanques soviéticos se afastarem 10 metros. Depois disso, os americanos recuaram outros 10. Não era muito, mas era um sinal. A guerra não aconteceria. O mundo estava salvo. Quase se perdeu, quase que a humanidade se extinguiu, tudo por causa de uma ópera. Ou, talvez, por causa de certa loira alemã.

DAVID COIMBRA


14 DE AGOSTO DE 2019
OPORTUNIDADE

Casal cria curso de inglês gratuito em Alvorada

Por enquanto, o bate-papo ainda é em português. Mas, logo, os novos alunos da escola de línguas Change, do bairro Bela Vista, em Alvorada, estarão conversando em outro idioma: o inglês. Desde sábado passado, 30 estudantes fazem parte do corpo de alunos da instituição - alguns ainda estão sendo encaixados nas turmas. Todos são bolsistas selecionados pelo casal de professores Eduardo Fortes Santos, 49 anos, e Miriam Fortes Santos, 42, que mantém a instituição desde 2013.

Os alunos selecionados procuraram a escola depois de uma reportagem publicada no dia 1º de agosto pelo jornal Diário Gaúcho. Eduardo e Miriam revelaram que a instituição forneceria 30 bolsas de estudos para jovens com idade entre 15 e 20 anos, estudantes de escolas públicas e moradores de Alvorada. O casal surpreendeu-se com a repercussão da iniciativa. Mais de 70 candidatos foram pessoalmente participar do processo seletivo, que ocorreu no dia 2 de agosto. Pelas redes sociais, mais de 200 pessoas procuraram a escola para pedir informações.

Para os dois professores, envolvidos com o ensino de outras línguas desde os anos 1990, o essencial para a seleção era a condição financeira e vontade do aluno.

- Conhecemos dezenas de histórias incríveis. Pessoas que vão se deslocar de outras partes da cidade de ônibus, dormir na casa de amigos, trabalhar de dia e estudar aqui à noite. Enfim, são muitas histórias de superação. E esperamos que o idioma ajude o mudar o futuro destes que foram selecionados - torce Eduardo.

A escola de idiomas tem ex-alunos que conseguiram estudar no Exterior, participando de intercâmbios na Itália e na Alemanha, graças ao aprendizado de uma segunda língua. Neste ano, quatro estudantes de países europeus estão em Alvorada aprendendo português na escola criada por Eduardo e Miriam. Eles ficarão um ano na cidade e, em breve, devem trabalhar como voluntários em organizações sociais do município e também em Porto Alegre.

- Vai ser um período de muito aprendizado para os brasileiros e para esses alunos que vieram fazer intercâmbio - diz Miriam.

Ilimitado. Os alunos selecionados para a bolsa de estudos na Change não têm tempo de permanência limitado na escola. A ideia é que eles dominem o inglês, mas depois, ainda podem aprender os outros idiomas disponíveis.

- A gente brinca que a bolsa é para a vida toda - conta Eduardo.

Na tarde de segunda-feira, a reportagem conversou com alguns dos bolsistas que foram selecionados para o projeto. Para Maísa Machado, 17 anos, estudante do curso técnico de Audiovisual do campus Alvorada do Instituto Federal (IFRS), a bolsa na Change é uma chance de ampliar suas chances no mercado de trabalho. Muito animada com a oportunidade, conta que deseja estudar até conseguir fazer um intercâmbio:

- Uma professora do IFRS compartilhou a reportagem. Viemos juntos tentar a bolsa.

No caso de Emilly Matias, 16 anos, foi a mãe quem viu a reportagem. Emilly leu o texto e decidiu ir à escola no dia da inscrição. A moradora do bairro Umbu também foi uma das selecionadas:

- Gostei muito do ambiente. Não teria condições de pagar um curso completo de inglês. Por isso, estou muito feliz com a oportunidade.

ALBERI NETO

14 DE AGOSTO DE 2019
PERIMETRAL

A nova noite da Capital


Eram dois públicos bem diferentes, o da Cidade Baixa e o do Moinhos de Vento: o primeiro, mais alternativo e descolado, não se misturava com o segundo, mais arrumadinho e requintado.

Assim foi a divisão, nas últimas duas décadas, da vida noturna em Porto Alegre - havia, claro, ramificações no Bom Fim e no Centro Histórico, mas o grosso da esbórnia sempre palpitava naqueles dois bairros. Só que algo mudou de uns meses para cá.

O público descolado e o grupo mais refinado - antes habitués de bares que pareciam concebidos exclusivamente para recebê-los - agora se encontram em uma espécie de zona híbrida, onde um certo charme moderninho garante o fascínio sobre tribos que mal conviviam.

São pubs, restaurantes e casas noturnas que apostaram na renovação do antigo cinturão industrial da cidade. Se por um lado aquele mundaréu de fábricas - a maioria caindo aos pedaços - confere um clima meio bruto à região, por outro são elas que fazem do 4º Distrito a novidade mais encantadora da noite porto-alegrense.

Além do aspecto tosco das fachadas, a autenticidade de bares como Fuga, Agulha, 4beer e Distrito Brewpub - todos instalados em velhos pavilhões - está justamente no ambiente industrial que se vê do lado de dentro. E é essa informalidade, digamos, calculada (com um investimento evidente na arquitetura interna), que faz a aura alternativa da Cidade Baixa encontrar o requinte do Moinhos de Vento.

- O aluguel aqui é mais barato. Claro que isso nos atraiu, mas o motivo principal está na ascensão desta zona: é a única área central para onde a cidade ainda pode crescer - diz Cláudio Lima Nery, 32 anos, um dos sócios do Fuga, inaugurado em abril.

Há vários empreendimentos também diurnos no 4º Distrito, mas já dá para dizer que a noite de Porto Alegre ganhou lá uma nova vida.

PAULO GERMANO


14 DE AGOSTO DE 2019
RODOVIAS FEDERAIS

Em trechos sem radar fixo, sem multa

O fim do uso de radares móveis em rodovias federais, prometido pelo presidente Jair Bolsonaro em visita ao Rio Grande do Sul na segunda-feira, deve impedir multas por excesso de velocidade em locais que não contam com medidores fixos. Ao justificar a medida, o chefe do Executivo disse que a suspensão do serviço não seria problema, pois agentes poderiam parar e multar o infrator que excedesse a velocidade limite permitida em determinada via.

- Aquele que se excede, a polícia pode pará-lo, sim, e aplicar a multa que merece. Mas não ficar usando como caça-níquel - afirmou o presidente.

No entanto, o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estipula que a multa por velocidade superior à máxima permitida para o local terá de ser "medida por instrumento ou equipamento hábil, em rodovias, vias de trânsito rápido, vias arteriais e demais vias". O advogado Cristiano Machado, especialista em Direito de trânsito, destaca que esse tipo de ferramenta precisa cumprir série de requisitos para a medição ser validada como prova da infração:

- Isso é impossível pela mera verificação do agente. Quando tem o aparelho e o mesmo não está devidamente homologado pelo Inmetro ou apresenta algum problema no envio da notificação, já é anulado. O que dizer de uma palavra do agente? Isso seria completamente impossível para esse tipo de infração.

Anulações

Esse é o mesmo entendimento da advogada Andréia Scheffer, presidente da Comissão Especial de Direito do Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul. A profissional destaca que o policial rodoviário poderá autuar o motorista por outras irregularidades constatadas na abordagem. Mas a violação do limite de velocidade sem o uso de equipamento que comprove o excedente não é possível.

- Esse motorista pode ser autuado por outros fatores. Daqui a pouco, ele vai estar realizando uma ultrapassagem indevida, estar sem o cinto de segurança. Enfim, ele pode ser abordado e autuado por outro fator, mas o artigo 218, que é excesso de velocidade, prevê que é imprescindível o uso do equipamento, porque não tem como detectar no olho humano que aquele veículo ultrapassou a velocidade permitida na via ou não - explicou Andréia.

Segundo a advogada, a autuação sem o uso de equipamento pode gerar aumento nos gastos públicos, pois os condutores multados sem o uso desse tipo de ferramenta ganhariam na Justiça ações movidas contra os órgãos de fiscalização de trânsito:

- Se isso começar a ser feito, vai ocorrer enxurrada de anulações de infrações no Judiciário, porque ela é sem prova. Todo o regramento de trânsito para esse tipo de infração exige a prova. Se você não prova que o motorista estava acima da velocidade, essa infração será anulada. Então, vai acarretar em um gasto público e pode até gerar lá na frente possíveis indenizações.

ANDERSON AIRES


14 DE AGOSTO DE 2019
RESULTADO SEMESTRAL

Lucro do Banrisul cresce 29%

Com inadimplência em queda e maior rigor nas despesas administrativas, o Banrisul encerrou o primeiro semestre do ano alcançando lucro líquido de R$ 655,3 milhões, o que representa alta de 29,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação do segundo trimestre com os primeiros três meses deste ano, o resultado foi mais modesto, mas ainda positivo: crescimento de 4,8%, somando R$ 335,4 milhões.

Para aproveitar esse resultado favorável diante do cenário de corte de juro que o Banco Central está promovendo, o Banrisul também se prepara para reduzir as taxas a serem repassadas aos clientes. Na apresentação do balanço, ontem, o presidente da instituição, Cláudio Coutinho, considerou "positiva" a diminuição no juro, que permite aumentar o volume de empréstimos porque reduz o custo do financiamento e possibilita diminuir ainda mais a inadimplência, que na comparação semestral caiu de 3,37% para 2,2%, considerando os atrasos acima de 90 dias.

- Os encargos dos clientes ficam menores, o ambiente econômico melhora e, em consequência, a tomada de crédito deve crescer - afirmou Coutinho.

Embora tenha uma avaliação positiva sobre o movimento de redução nas taxas, a direção do Banrisul sabe que, para manter os resultados em alta, será preciso fazer um esforço extra daqui para diante. No primeiro semestre, houve avanço das operações de crédito, mas ainda discreto, de 7% em relação ao mesmo período de 2018.

Ações

Um dos planos para o banco ampliar sua carteira de empréstimos, adiantou Coutinho, é reforçar a parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não apenas como agente repassador, mas também com atuação conjunta para financiar "grandes projetos" que venham a tentar se instalar no Estado. A participação do Banrisul no mercado de crédito do Rio Grande do Sul, destacou o presidente, chega a quase 50%.

- Temos de devolver a confiança do povo gaúcho, que vê no Banrisul um porto seguro, sob a forma de mais crédito - disse Coutinho.

Além do desempenho financeiro, o banco estatal apresentou fato relevante dizendo que está suspendendo a divulgação do guidance, que são as projeções de desempenho futuro. O motivo, segundo o documento, é a possibilidade de oferta de venda de ações pelo governo do Estado, que é o acionista controlador.

O dirigente evitou comentar a venda de ações do Banrisul que representem mais do que o necessário para manter o banco com controle público, prevista para o próximo mês. Segundo Coutinho, quem trata do assunto é o acionista majoritário, ou seja, o governo do Estado. Em evento realizado na segunda-feira em São Paulo, o governador Eduardo Leite voltou a dizer que o Banrisul seguirá público. A oferta dos papéis está suspensa pela Justiça. Com previsão de arrecadar R$ 2,5 bilhão, a venda tem o objetivo de colocar em dia a folha de pagamento do funcionalismo.



14 DE AGOSTO DE 2019
LEVANTAMENTO NACIONAL

RS perde mais uma posição em qualidade de vida

Com piora nas áreas de educação e segurança, Rio Grande do Sul passa o ocupar a sexta colocação em indicador. Dados são referentes a 2017
Pela segunda vez consecutiva, os gaúchos amargaram perda de posição em ranking que mede a qualidade de vida nos Estados brasileiros. Em 2017, o Rio Grande do Sul foi ultrapassado por Minas Gerais e caiu do quinto para o sexto lugar na lista de 27 unidades da federação. A baixa reflete a piora em variáveis das áreas de educação e segurança.

As conclusões integram a sexta edição do Índice de Desenvolvimento Estadual - Rio Grande do Sul (iRS). Fruto de parceria entre Zero Hora e PUCRS, o estudo avalia o desempenho das unidades da federação e do país em três dimensões: padrão de vida, educação e, reunidas, segurança e longevidade. Cada um dos grupos é composto por três variáveis. Os dados são os mais recentes à disposição em bases públicas - neste caso, de 2017.

Pela primeira vez na série histórica, que contempla estatísticas desde 2007, o Rio Grande do Sul não figura entre os primeiros cinco colocados do índice. De acordo com o levantamento, o Estado perdeu posições em duas das três dimensões observadas.

Em educação, área em que está mais distante do topo, o Rio Grande do Sul caiu do 11º para o 14º lugar, com média inferior à nacional. Em segurança e longevidade, passou do quinto para o sétimo posto.

- Era esperado que perdesse mais uma posição no ranking geral devido à tendência das dimensões acompanhadas pelo levantamento. Nas últimas edições da pesquisa, educação e segurança e longevidade vêm puxando para baixo o desempenho gaúcho. Houve nova piora nessas áreas - pontua o coordenador do estudo, Ely José de Mattos, economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS.

Em padrão de vida, o Rio Grande do Sul manteve-se no quinto lugar. Os gaúchos ocupam esse posto desde 2010. O iRS varia entre zero e um, assim como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Quanto maior o índice, melhor o desempenho.

Em 2017, o indicador geral do Estado até subiu, mas em ritmo menor do que o verificado em locais como Minas Gerais. Na comparação com 2016, o índice do Rio Grande do Sul avançou de 0,630 para 0,638. No mesmo período, o mineiro pulou de 0,619 para 0,642.

- Mais do que olhar apenas o resultado gaúcho, é preciso analisar os movimentos dos demais Estados. O índice do Rio Grande do Sul subiu, mas com taxa menor. Por isso, perdeu posição para Minas Gerais - aponta Ely.

A liderança do ranking seguiu com o Distrito Federal, onde o indicador alcançou 0,760. São Paulo permaneceu no segundo lugar, com a marca de 0,754. Santa Catarina (0,704) preencheu o pódio, com Paraná (0,667) na sequência. Ou seja, o desempenho gaúcho é o menor da Região Sul.

Embora tenha recuado no ranking, o Estado continuou com média acima da brasileira no índice geral. Na passagem de 2016 para 2017, o desempenho nacional subiu de 0,590 para 0,604.

A ponta de baixo da lista das unidades da federação é ocupada por representantes das regiões Norte e Nordeste. Pelo segundo ano consecutivo, o Pará ficou na 27ª posição, com o menor índice (0,322). O 26º lugar foi preenchido por Alagoas (0,329).

No próximo dia 21, as conclusões do iRS serão debatidas em fórum na PUCRS, em Porto Alegre. O evento será aberto ao público, a partir das 9h30min.

Perguntas & respostas

Por que criar um indicador?

Não havia um índice reconhecido no país especificamente para avaliar os Estados. O iRS é o primeiro com proposta de atualização anual.

Por que as variáveis?

Para refletir qualidade de vida e desenvolvimento humano, a definição da metodologia do iRS leva em conta indicadores que vão além dos estritamente econômicos. Foram escolhidos os mais abrangentes, que impactam maior quantidade de pessoas.

O que o diferencia?

• Transparência: todos os dados são oficiais e de fácil acesso. Significa que qualquer pessoa pode conferi-los e que os números têm fontes confiáveis.

• Foco na vida real: a meta é traduzir a realidade de quem vive no Estado. A exemplo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o foco é nas pessoas, e não nas instituições ou no poder público.

• Fácil compreensão: alguns índices utilizam tantas variáveis que fica difícil entendê-los. O iRS apresenta fórmula simples e foi feito para ser compreendido intuitivamente.

Qual é a escala?

Para obter um resultado comparável entre todos os Estados, foi criada uma escala de zero a um, baseada em patamares mínimos aceitáveis e metas de desenvolvimento. Quanto mais perto de um, mais próximo da meta. Quanto mais perto de zero, mais distante dela.

Por que os dados são de 2017?

O iRS avança até o ano dos dados mais recentes disponíveis para todas as variáveis. O atraso das estatísticas é um problema comum devido ao tempo de coleta, ao processamento e à divulgação das informações. O iRS busca utilizar as opções mais rápidas para reduzir ao máximo esse tempo.

Educação gaúcha vai para o segundo pelotão

Os gaúchos desceram ao segundo pelotão nacional na área de educação. De 2016 para 2017, o Estado caiu do 11º para o 14º lugar na lista do iRS que mede o desempenho nas salas de aula das 27 unidades da federação. Ou seja, está na segunda metade do ranking.

No período, o índice do Rio Grande do Sul teve redução de 0,592 para 0,588. A marca, inferior à média brasileira (0,614), é a menor desde 2011. À época, o indicador gaúcho estava em 0,589. O Estado chegou a ter o quarto melhor resultado do país nessa dimensão, em 2007, o primeiro ano da série histórica calculada.

O resultado em educação pode ser explicado pelo desempenho de variáveis como a Prova Brasil. A avaliação é aplicada a cada dois anos para medir o aprendizado de estudantes em português e matemática. Em 2017, a nota gaúcha consolidada para os anos iniciais do Ensino Fundamental subiu de 6,13 para 6,29, mas ainda está distante da registrada por Estados como Paraná e São Paulo, ambos com 6,78.

Outra variável que influenciou o resultado foi a taxa de distorção idade-série no Ensino Médio. O indicador subiu pelo segundo ano seguido, de 30,6% para 33,3%. Isso quer dizer que, de cada cem alunos, 33 tinham pelo menos dois anos de atraso escolar no Estado.

As dificuldades na economia explicam, em parte, o crescimento da taxa, diz o coordenador do iRS, Ely José de Mattos, economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS.

- A crise pode fazer com que o aluno deixe a escola para ajudar a família com algum trabalho. Depois, se voltar, retorna atrasado aos estudos - afirma.

Terceira variável analisada pela pesquisa, a taxa bruta de matrícula no Ensino Médio ficou estável no Rio Grande do Sul. Em educação, a liderança é ocupada por São Paulo desde o início da série histórica. Nessa dimensão, os paulistas tiveram índice de 0,710 em 2017. Minas Gerais, que estava no quarto lugar em 2016, subiu para a vice- liderança, com marca de 0,662.

Assim como o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina perderam posições. Mas seguem entre os cinco melhores colocados do país em educação. O Paraná (0,655) ocupou o terceiro lugar, e Santa Catarina (0,641), o quinto.

LEONARDO VIECELI

terça-feira, 13 de agosto de 2019


13 DE AGOSTO DE 2019
LUÍS AUGUSTO FISCHER

Entre a realidade e a ficção


1719, Londres: saía a primeira edição de um romance que todo mundo conhece, mesmo sem ter lido - Robinson Crusoé. Seu autor, Daniel Defoe, postulou a existência de um sujeito com esse nome, que teria vivido isolado da civilização ocidental por mais de 20 anos. E o tal sujeito relata ele mesmo suas histórias. Consta que seus leitores naquele momento ficaram de orelha em pé por um motivo agora banal: afinal, existira mesmo um cara chamado Robinson, que fez o que o livro conta?

Não, não tinha existido esse cara; mas é como se ele tivesse mesmo respirado o ar que qualquer leitor respira. Segundo uma reflexão inteligente, estava ali sendo criado, ou consolidado, o conceito moderno de ficção. Até então, claro que já havia histórias inventadas, mas elas ocorriam com deuses ou com gente inacessível ao comum dos mortais - Robinson, ao contrário, era gente como a gente, cruzava as mesmas ruas, embarcava no mesmo cais, só que não existia.

1819, Nova York: nascia Herman Melville, que aos 32 anos de idade daria ao mundo outra maravilha, esta muito mais difícil, o romance Moby Dick. Nesta altura, o leitor não perguntava mais se a história era real ou não, se tinha mesmo existido aquele Ishmael que relata a história da caça ao cachalote branco por parte de um monomaníaco capitão, Ahab. Era um demente no comando, subjugando toda a tripulação e expondo-a à morte por capricho.

O romance traz em si tanta realidade empírica que era difícil até mesmo formular a pergunta - em suas páginas há tratados de caça às baleias, descrições precisas sobre o uso do óleo delas na vida cotidiana da época, assim como notícias sobre os afazeres triviais a bordo. Em outra parte, porque os leitores já estavam acostumados a compreender o papel das histórias de aspecto real que o romance oferecia, nos mesmos jornais que traziam as novidades da vida empírica.

2019, Terra: nosso tempo embaralha perversamente as duas dimensões, a real e a ficcional, e conhece muitos Ahab pelo mundo afora. Um antídoto brasileiro está no site aosfatos.org, que compilou e analisou 240 declarações falsas ou distorcidas do presidente, em 218 dias de governo. Tudo real.

LUÍS AUGUSTO FISCHER


13 DE AGOSTO DE 2019
DAVID COIMBRA

Minha tática na reunião dançante

É verdade que não existe mais reunião dançante? O Potter disse isso outro dia. Não estou atualizado no assunto, fiquei em dúvida. Não existe mesmo?

Seria uma pena. Já me dei bem em reuniões dançantes. Por quê? A resposta está em uma única palavra: pla-ne-ja-men-to. Eu tinha método, entende? Um sistema. Em primeiro lugar, fazia uma prospecção da lista de convidados. Sabedor das meninas que iriam, escolhia o meu, digamos, público-alvo e me concentrava nele.

Foco. Foco é fundamental.

A segunda etapa era o convescote propriamente dito. Em geral, esses encontros começam com a formação clássica: gurias de um lado, guris de outro. Na primeira música, ficam todos se olhando, mas ninguém se move. Eu, não. Eu era arrojado. Eu abria a festa. E, é claro, tirava para dançar a moça que já havia adrede escolhido. A partir daí, tudo dependia do meu talento.

Dependia também, é forçoso admitir, do DJ. Porque minha especialidade eram as lentas. Nas lentas é que a ação acontecia.

É assim: você a enlaça pela cintura suavemente, nada de agressividade nos movimentos preliminares. No entanto, é preciso segurá-la com alguma firmeza, sem a desprezível mão mole. Quer dizer: firme e suave como se estivesse empunhando uma taça de cristal tcheco com uma dose de Petrus dentro. Se ela espalmar as mãos no seu peito, como que o afastando, péssimo sinal. Ela quer manter distância. Mas, se ela cruzar as mãos atrás de sua nuca, ah, eis um indício alvissareiro.

Johnny Rivers está convidando:

"Do you wanna dance and hold my hand?

Tell me that I?m your man

Baby, do you wanna dance?".

E você ondulando com a mulher da sua vida daquele dia, sentindo o odor inebriante do perfume que ela borrifou no pescoço comprido de garça branca das nascentes do Reno. Então, você sente que a pele dos dedos dela encostou na pele da sua nuca. Gol do Brasil. É hora de avançar mais um pouco. Libere os laterais para o ataque. Você faz com que sua mão direita suba até o meio das costas dela e exerce leve pressão. A mão esquerda continua na cintura, cautelosamente.

Johnny agora está perguntando se ela quer dançar sob a luz do luar e ela roçou o rosto no seu rosto. Isto é: está indo tudo bem, você pode, definitivamente, colar sua face esquerda na face esquerda dela. Oh, toda aquela maciez fará seu coração bater mais forte, meu velho, eu sei bem disso, mas nada de se emocionar antes da hora. Concentre-se!

Johnny Rivers repete: você quer dançar, você quer dançar, você quer dançar? E então? Ah, e então ela acaricia sua nuca com aqueles dedinhos finos e quebradiços de palitinhos de queijo. Esse é o grande momento! Recue um pouco a cabeça, faça com que a comissura de seus lábios encostem na comissura dos lábios dela. Se ela não entesar e fincar as mãos no seu peito, vá em frente: beije-a, my friend! Você é o cara.

Mas tudo só deu certo graças ao planejamento. Pla-ne-ja-men-to. Que faz as obras públicas terminarem no prazo certo e constrói os mais envolventes relacionamentos amorosos.

Você pode usar as minhas táticas, querido leitor. Vá em frente, bote Johnny Rivers para rodar, seja feliz. Se ainda houver reunião dançante.

DAVID COIMBRA


13 DE AGOSTO DE 2019
MUDANÇA DE ESTRATÉGIA

Marcas Big e Nacional devem retornar com força no Estado

A marca Walmart deixará de ser usada no Brasil e a empresa passará a se chamar Grupo Big. A decisão, comunicada ontem aos funcionários, foi tomada pelo Advent, fundo de investimentos que comprou a operação brasileira da rede norte-americana há pouco mais de um ano e é dono da Quero-Quero, varejista gaúcha de materiais de construção. A medida foi anunciada após a realização de pesquisas.

No Rio Grande do Sul, o Walmart era dono de bandeiras como Big e Nacional e estava no meio de processo de transformação. Lojas estavam sendo reformadas e mudando para o conceito e marca usados nos Estados Unidos. Após a compra pelo Advent, já haviam sido modificadas sete unidades.

Agora, as marcas Big e Nacional voltarão com força e, provavelmente, irão se espalhar pelo país. Nos próximos 18 meses, o grupo pretende investir R$ 1,2 bilhão na modernização e ampliação de lojas. Os hipermercados serão transformados primeiro. Mudanças em supermercados ficarão para 2020. A holding Grupo Big terá as marcas Big e Big Bompreço, que substituirão os nomes atuais, se estiverem com outras identificações. Em 12 de setembro, serão lançados 11 hipermercados no Rio Grande do Sul.

Os supermercados terão só duas bandeiras. Nacional no Sul e no Sudeste e Super Bompreço, no restante do país. A transformação dessas operações será a partir de 2020.

Diretor-executivo de Hipermercados do Grupo Big, Jorge Herzog conversou com o programa Acerto de Contas da Rádio Gaúcha:

- Não é só mudança de marca. Mexeremos no layout das lojas e aumentaremos o número de produtos, com foco em itens regionais. Em especial, alteramos a política de preços. Sai o preço baixo todo dia e entra o de promoção.

Herzog lembra que a política do Walmart era de preços estáveis, mas o Advent entende que o brasileiro é focado em promoção. Ele disse ainda que lojas que deveriam ser fechadas já tiveram atividades encerradas. Portanto, estaria finalizada a redução a que a rede deu início. As bandeiras Maxxi, Sam´s Club e TodoDia serão mantidas no Estado, segundo o dirigente.

Detalhes

ESTRUTURA ATUAL

Presente no país desde 1995, o Grupo Big, ex-Walmart Brasil, opera hoje com cerca de 550 unidades e 50 mil funcionários em 18 Estados, além do Distrito Federal. São sete bandeiras entre hipermercados (Big e Big Bompreço), supermercados (Super Bompreço e Nacional), atacado (Maxxi), clube de compras (Sam’s Club) e lojas de vizinhança (TodoDia), além de postos de combustíveis e farmácias. O Grupo é o terceiro maior conglomerado de varejo alimentar do Brasil. Em julho de 2018, a Advent International anunciou a aquisição de 80% da operação Walmart Brasil. O Walmart Inc. mantém participação de 20% na empresa.

ONLINE

Em maio, o Walmart anunciou a interrupção do seu serviço de vendas online no Brasil. A companhia deixou de operar pelo e-commerce, que desde 2017 funcionava como marketplace, canal de venda de mercadorias de outros varejistas. Em nota, a companhia afirmou que focaria em atacado, clube de compras e varejo físico.

GIANE GUERRA