Compreendo perfeitamente pessoas mal humoradas...
É necessário αbrir os olhos e perceber que αs coisαs boαs estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisαm de motivos nem os desejos de rαzão. O importαnte é αproveitαr o momento, pois α vidα estα nos olhos de quem sαbe ver. Tento me lembrαr, de tudo que vivi, o que tem por dentro, ninguém pode roubαr. Pois os diαs ruins, todo mundo tem já jurei prα mim, não desαnimαr, não ter mαis pressα , eu sei que o mundo vαi girar . . .Eu espero α minhα vez.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Se eu demorar, me espera. Se eu te enrolar, me empurra.
Se eu
te entregar, aceita. Se eu sussurrar, escuta.
Se eu balançar, segura. Se eu
gaguejar, me entende.
Se eu duvidar, me jura. Se eu for só tua, me
tenha.
Se eu me mostrar, me veja. Se eu te amar, me sente.
Se eu te tocar,
se assanha. Se eu te olhar, sorria.
Se eu te perder, me ganha. Se eu te pedi,
me dá.
Se eu chorar, me anima, mas se eu sorrir.. é por você.

By Keyla
Beijinhos a todos,no ♥
SÃO TANTAS EMOÇÕES!
AGRADEÇO À DEUS FILHOS MESTRES PELAS BELEZAS
VIVIDAS,
EM ESPECIAL VOCÊ DE UM SONHO QUIETINHO COMEÇAMOS
UMA AMIZADE DESCONTRAÍDA SIMPLES COMO TUDO NA
VIDA
A TENDÊNCIA É DIMINUIR OU CRESCER. . . A NOSSA
CRESCEU.
TANTO QUE VIROU UM CASO DE AMOR QUANDO SAIO VOLTO
CORRENDO PARA VER QUEM ESTÁ ME ESPERANDO.
GENTE É UMA LOUCURA LOUCA DE BOA!!!
TER VOCÊ AQUI COMIGO É COISA DA PLIM PLIM. . .
NUNCA MAIS VI NOVELA TENHO AQUI NA VIDA REAL.
ME DIVIRTO SINTO SAUDADES ME
PREOCUPO PASSO RECADOS
RESOLVO DIFERENÇAS QUANDO ME INCOMODO BRIGO. . .
rs.
ME RETIRO ESCLAREÇO DUVIDAS
ME APAIXONO SOFRO LUTO E. . .
DOU MUITAS RISADAS SOU A SOL
DAQUI DE LÁ E ACOLÁ. . .
SOU SUPER FELIZ EM LÁGRIMAS
SAUDADES E PRAZER.
E EXPLODE CORAÇÃO. . .
AMO
VOCÊ AMIZADE DO CORAÇÃO.
__SOL
HOLME__
31
de outubro de 2012 | N° 17239
MARTHA
MEDEIROS
Poesia e cerveja
Inspirada
pelos ares que sopram da Praça da Alfândega, lembrei de um e-mail que recebi. Um
rapaz contou que estava num churrasco com amigos quando acabou a cerveja. Foi
escalado para ir ao supermercado buscar mais. Meia hora depois, retornou sem
nenhuma latinha, mas com um livro de poemas meu. “Fui quase linchado.” Pô, trocar
cerveja por poesia, até eu lhe daria uns beliscões.
Mas
não posso negar que fiquei toda boba por meus versos terem seduzido um garoto
de 20 anos em plena sexta à noite num corredor do Zaffari. Na verdade, não sei
se ele tinha 20 anos, se era uma sexta e se foi no Zaffari, mas não resisti em
formatar aqui um cenário mais completo. A cena é boa demais para ficar sem
detalhes.
Aproveitando
a Feira, uma dica: abrace os poetas. A começar pelo nosso patrono, Luiz
Coronel, e mais Ferreira Gullar, Alice Ruiz, Antonio Cícero, Fabrício
Carpinejar, Adélia Prado, Armindo Trevisan, Celso Gutfreind, Elisa Lucinda,
Affonso Romano de Sant’Ana, Thiago de Mello, Viviane Mosé, todos em atividade. Não,
Stella Artois não é uma poeta. Querendo prestigiar um talento novo, anote: Gatos
Bravos Morrem pelo Chute, do gaúcho Tiago Ferrari.
Afora
a poesia, selecionei 11 títulos entre os muitos que li este ano, entre
romances, crônicas e ensaios:
Por
Favor, Cuide da Mamãe, de Kyung-Sook Chin. Os segredos e sentimentos de uma família
sul-coreana, numa história universal e belamente escrita.
O
Caderno de Maya, de Isabel Allende. A autora escreveu uma história contemporânea
e impressionante, inspirada na barra-pesada vivida por seus enteados.
A
Borra do Café, de Mario Benedetti. Relançamento de uma de suas obras mais
tocantes. O autor uruguaio mescla memória e invenção ao narrar sua infância em
Montevidéu.
Resposta
Certa, de David Nicholls. Diálogos ótimos, do mesmo autor de Um Dia. O título
poderia ser Diversão Certa.
Tempo
é Dinheiro, de Lionel Shriver. Suicídio, câncer terminal, mortalidade, humor
negro. Só mesmo a autora de Precisamos Falar sobre Kevin para transitar sobre
esses assuntos sem nenhuma condescendência e arrebatar o leitor.
A
Vida Gritando nos Cantos, de Caio Fernando Abreu. Crônicas publicadas no jornal
O Estado de S. Paulo entre 1986 e 1996. O mesmo texto charmoso e provocativo
que deixa saudade até hoje.
A
Queda, de Diogo Mainardi. Impossível ficar indiferente. A secura convivendo com
a docilidade de uma forma única e emocionante.
Como
Ficar Sozinho, de Jonathan Franzen. Do mesmo autor do aclamado Liberdade. Ensaios
sobre a solidão, a nicotina, a literatura, a invasão de privacidade e outros
temas que ganham uma nova perspectiva sob o olhar astuto desse mestre da prosa.
Alta
Ajuda, de Francisco Bosco. Ensaios de um jovem filósofo que tem o talento no
DNA. Filho do músico João Bosco, é articulista do jornal O Globo, no qual
escreve sobre cinema, futebol, amizade, sexo, política.
Pequenos
Contos para Começar o Dia, de Leonardo Sakamoto. Breve e belo, até parece livro
de poesia – olha ela, de novo. Uma palhinha: “Os professores de matemática
dizem que a menor distância entre dois pontos é uma reta. Menos pro meu avô: ‘Besteira!
A menor distância é aquela em que a gente se diverte mais’”.
31
de outubro de 2012 | N° 17239
INTERNET
EM RITMO mais lento
ESTUDO
REDUZ ESTIMATIVA DE AUMENTO DO NÚMERO DE USUÁRIOSDE REDES SOCIAIS NA AMÉRICA
LATINA
A
empresa de consultoria eMarketer revisou para baixo o número de usuários de
redes sociais na América Latina em razão do menor acesso dos internautas
brasileiros. A empresa estima que 175 milhões de internautas da região farão
uso de redes sociais este ano, ante uma expectativa anterior de 191 milhões.
A
previsão do número de usuários das redes sociais no Brasil foi reduzida pela
companhia em cerca de 12 milhões de pessoas. Estima-se que 63 milhões de
internautas usarão as redes sociais no país em 2012. A eMarketer também prevê crescimento
da base de usuários do Brasil mais lenta do que anteriormente, passando de um
ganho de 14,4% neste ano para 13,5%.
De
acordo com o estudo, uma proporção de mais de dois em cada três usuários de internet
na América Latina terá acessado as redes sociais neste ano. No caso específico
do Facebook, a companhia também afirma que o crescimento tem sido menor do que
o esperado na região, também por conta da influência do Brasil.
A
eMarketer projeta uma base de 41,5 milhões de usuários da rede de Zuckerberg no
país em 2012, ante 45,4 milhões na estimativa anterior. Os motivos da expansão
menor do Facebook no país, porém, não foram apontadas pela consultoria.
A
pesquisa afirma, porém, que o Facebook continuará a ser uma rede social forte
nos próximos anos e que, em 2014, uma pessoa em cada três na América Latina
estará conectada à rede social.
31
de outubro de 2012 | N° 17239
JOSÉ
PEDRO GOULART
Orgasmo no vácuo
Sasha
Grey é linda, culta, dada a ter ideias; e escolheu o caminho asséptico das
sombras. Você leu o que eu escrevi? Vou repetir: caminho asséptico das sombras.
Sombra porque fazer sexo de todas as formas explícitas diante das câmeras pode
muito bem ser tratado como algo obscuro, e asséptico, porque a indústria
americana de filmes pornográficos é cheia de regras sobre conduta e saúde dos
participantes.
Pois
bem, recentemente o imponente The Guardian fez uma matéria com Sasha: ela conta
que se aposentou do sexo atuado e passou para a música cantada. Porém, encontrou
uma cena bem parecida com a da pornografia, algo como terra de ninguém, um
verdadeiro oeste selvagem, cujos bandidos são os orçamentos micados e,
principalmente, a pirataria. De modo que a linda Sasha não sabe se dança ou
segura a criança.
Pornografia
e música, protagonistas da internet, duas poderosas indústrias se esvaindo à mercê
do descontrole total e absoluto. Na web, tudo jaz, cinema, literatura,
jornalismo. Por mais que a indústria do entretenimento esperneie, tente criar
barreiras, o fato é que cada vez mais parece entregue, nocauteada, um bicho
sangrando em cima de um formigueiro.
Bom,
mas isso nós, as formigas, já sabíamos, não precisávamos da Sasha para nos
contar. O que a gente quer aqui é fazer um exercício da futurologia. Aonde isso
vai dar? No caso dos filmes XXX, o pessoal está tendo que largar o bastão (desculpe).
Há tanta pornografia disponível na internet que a gente ia precisar de umas 50
adolescências só para cruzar a fase anal.
Então,
chegamos no grande busilis, ei-lo: ao que parece, excetuando eventuais
documentos ainda não revelados pelo Wikileaks, tudo, absolutamente tudo, está catalogado,
escaneado e disponível. Há não muitos anos (ok, algumas centenas), um sujeito
podia olhar para o mar do outro lado do mundo e “imaginar” o que será que havia
do lado de cá – se a Terra acabava numa valeta, essas coisas.
Ou
algo mais prosaico: se ia chover, se ia ter trânsito na ida para praia, ou se
aquilo que gente via numa revista sueca era realmente possível. É um problema
um mundo conhecido, sem mistérios, a vida civilizada necessita de ilusão. Imaginar
descobertas é ter esperança num sentido.
E
ainda por cima, sabemos o tempo inteiro o que cada um está fazendo, onde está,
com quem; ou pior, pensando. Há um quê de pornografia nisso, sendo a
pornografia um jorro no vazio, orgasmo no vácuo. Ao que parece, essas partículas
bilionésimas de seres, todos os dias procurando e emitindo dados e contra-dados,
funcionam como um grande reator a produzir energia para... nada.
31
de outubro de 2012 | N° 17239
PAULO
SANT’ANA
A morte de um jornal
Circula
hoje pela última vez, creio que por falência múltipla dos órgãos, um dos
melhores jornais brasileiros de todos os tempos: o Jornal da Tarde, com sede em
São Paulo.
A
maior manchete que li entre todas as famosas manchetes do Jornal da Tarde deu-se
quando tomava posse no Chile o presidente comunista Salvador Allende.
Travou-se
um dilema entre o presidente eleito e o protocolo para a cerimônia de posse: ele
se recusava a usar casaca para o ato e também, como comunista convicto, não
queria que se rezasse missa, o que sempre foi ritual de todas as posses
presidenciais.
Houve
uma negociação entre Allende e o protocolo e chegaram a um meio-termo: ele não
usaria casaca mas seria rezada a missa.
O
Jornal da Tarde, na véspera da posse, estampou a seguinte manchete: “Amanhã,
depois da missa, o comunismo no Chile”.
Outro
título célebre do Jornal da Tarde aconteceu quando em uma partida noturna
disputada pelo Santos no interior paulista, pelo campeonato estadual, o time de
Pelé venceu por 8 a 0, os oitos gols de autoria de Pelé.
O
Jornal da Tarde lascou o seguinte e genial título: “Noite negra de Pelé”.
O
Jornal da Tarde foi uma universidade do jornalismo, seus textos eram apurados,
foram levados para trabalhar lá grandes repórteres e, acima de tudo, algumas
das pessoas que melhor escreviam no país.
Meu
amigo Marcos Faerman foi um dos melhores jornalistas que trabalharam no Jornal
da Tarde e obteve reportagens espetaculares.
O
Jornal da Tarde foi criado durante a ditadura militar e eu me lembro que não
deixava de lê-lo por um só dia.
Um
jornal, quando é extinto, significa a tristeza do pensamento, a desolação das
ideias. Desejo que este jornal em que escrevo, a Zero Hora, que tem 48 anos de
existência e na qual trabalho há 41 anos sem tirar férias, nunca seja extinto.
O
que eu mais desejaria é que daqui a 52 anos, quando Zero Hora completar o seu
centenário, em algum canto da edição comemorativa fossem lembrados para os pósteros
alguns pensamentos que esculpi nas mais de 17 mil colunas que já escrevi neste jornal.
E
que fossem lembrados todos que passaram por Zero Hora e construíram este periódico
glorioso em que a História do Brasil se confundiu num êxtase de informação e
opinião que tornaram nosso jornal forte como um rochedo.
É muito
triste que tenha morrido o Jornal da Tarde.
Jornais
não deveriam morrer assim como as espécies. Eles tinham de ser tombados para a
eternidade.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
30
de outubro de 2012 | N° 17238
FABRÍCIO
CARPINEJAR
Quanto mais ..............
pior
Meu
amigo Daniel superou 40 dias de luto da separação, aguentou no osso o divórcio,
chorou horrores e debulhou suas lágrimas em copos de bourbon, parou de atender
ao telefone e se trancou no quarto.
No
41º dia, ele ressuscitou. E voltou a sair e se divertir. Já estava esquecendo o
quanto amava sua ex. Já estava esquecendo que foi amado pela ex.
Um
homem somente apaga um amor no momento em que encontra outro. Daniel se
enamorou por uma bancária. Badalou vários finais de semana com Heloísa, ria com
a franqueza de um adolescente.
Apaixonado?
Sim, mas seria o último a saber. Todo apaixonado é o último a saber que está
apaixonado. O mundo inteiro sabe, menos o próprio apaixonado. Não adiantava
contar a Daniel que ele estava apaixonado, ele jamais me escutaria. O
apaixonado é surdo também.
Para
comemorar a nova fase de sua vida, Daniel convidou Heloísa para almoço em
restaurante francês nos fundos de um casarão.
Ele
pediu cordeiro com purê de beterraba; ela, filé mignon com acompanhamentos
silvestres.
Ele
pediu um vinho chileno; ela avisou que não poderia beber (pois ainda iria trabalhar),
e se contentou com uma Coca-Cola.
–
Coca-Cola light?
–
Não, senhora, só temos Zero – avisou o garçom.
–
Ok, não vou me desesperar por um detalhe – replicou.
O
casal soltou os braços sobre a toalha para diminuir a distância das cadeiras,
ambos se olhavam firme e forte numa hipnose infindável, hipnose à moda antiga,
de relógio de bolso balançando.
A
mesa estava sobrando entre os dois. Ele se debruçava no prato para arrancar um
beijo, ela se levantava para acariciar sua testa. Nada poderia estragar aquele
bem-estar. Quase nada.
Mas
quando a Coca pousou na mesa, Heloísa gelou, derrubou o arranjo de flores e
fugiu para o banheiro soluçando a seco.
Ele
olhou a Coca com calma: Será que tinha uma barata?
Não
achou coisa alguma, até que leu um nome. A marca decidiu homenagear seus
consumidores nas latinhas.
Era
o nome de sua abominável ex: Carolina.
“Quanto
mais CAROLINA melhor”
Heloísa
não aguentou a provocação, ardia de ciúme do passado dele.
Quando
um refrigerante faz uma campanha dessas, não cogita de que existem desafetos no
mundo, ódio familiar, revolta interior, tristeza reprimida, viuvez, gente que
levou o fora ou foi corneado ou enganado. Imagina apenas que todos se gostam e
que todos vão adorar ver seu nome ou de sua namorada na embalagem.
Daniel
amaldiçoou o azar, criou teorias da conspiração, não duvidou da perseguição da
megera, cogitou a hipótese de ela subornar o garçom para trazer aquele
refrigerante.
–
Como, entre milhares de opções, surge em minha mesa logo o nome daquela
vagabunda?
Não
poderia responder. Heloísa recusou carona e seguiu sozinha para o emprego. Não
havia mais felicidade para ser dividida.
Do
copo dela, só ficou o limão.
30
de outubro de 2012 | N° 17238
CLÁUDIO
MORENO
O sol e a
sombra
Dentre
as inúmeras histórias, verdadeiras ou inventadas, que a Antiguidade nos legou,
talvez nenhuma seja tão conhecida quanto a visita que Alexandre Magno fez a
Diógenes, o filósofo maltrapilho, no ano de 336 antes de Cristo.
Nunca
teremos um relato definitivo deste encontro notável, já que nem um, nem outro
deixaram qualquer registro das palavras que trocaram naquele dia. Foi a partir
do depoimento de algumas testemunhas que escritores, pintores e historiadores
construíram, ao longo dos séculos, uma verdadeira teia de versões, que diferem
no detalhe mas concordam no principal.
A
divergência entre os vários relatos não conseguiu diminuir a importância da
cena, pois ali se encontraram, frente a frente, um grande filósofo e um grande
guerreiro. Nada podia ser mais simbólico: de um lado, um dos maiores sábios de
toda a Grécia, que passou a vida demonstrando sua aversão por qualquer espécie
de poder; do outro, o jovem macedônio, que seria conhecido e respeitado por
todo o Mundo Antigo como o maior chefe militar de todos os tempos.
É
Plutarco quem conta: tendo conquistado a Grécia, Alexandre, que já conhecia o
renome de Diógenes, foi a Corinto para vê-lo. Os políticos locais receberam-no
com honras de chefe de Estado, assim como os filósofos – menos Diógenes, que
parecia não dar a mínima para sua presença na cidade.
Alexandre,
magnânimo, não se importou em inverter o protocolo, indo ele mesmo, com uma
pequena comitiva, procurar o filósofo, que tomava sol no meio da rua, num
subúrbio da cidade. Ao ver o grupo que se aproximava, Diógenes soergueu-se
sobre os cotovelos e fitou serenamente o rei, que o saudou polidamente e
perguntou se poderia fazer alguma coisa por ele.
“Sim”,
respondeu Diógenes, “sai da minha frente, que estás fazendo sombra para mim”.
Alexandre ficou tão impressionado com aquele despojamento e aquela corajosa
altivez que, no caminho de volta, teria confessado aos companheiros, que riam
da excentricidade do filósofo: “Pois eu, se não fosse Alexandre, juro que
gostaria de ser Diógenes”.
Lições
como esta sempre deixaram bem claro que, para os antigos, a sabedoria na vida
não significa necessariamente profundos conhecimentos teóricos, mas antes um
inconfundível espírito soberano, capaz de resistir serenamente às sereias do
poder e da ambição, que sempre atraem os incautos para os recifes da incerteza.
Alexandre,
que, antes de ser soldado, tinha sido discípulo dileto de Aristóteles, deve ter
compreendido perfeitamente o que Diógenes, à sua maneira, acabara de lembrar: o
conhecimento é um sol que nos aquece; o poder, este, sempre será uma sombra.
30
de outubro de 2012 | N° 17238
PAULO
SANT’ANA
Eu sou um
imbecil
Resolvi
parar um pouco para pensar.
Será
que não estou com a razão?
Acontece
que recebi cerca de 40 mensagens de leitores que afirmam categoricamente que
aprovam que os presidiários gaúchos morram de doenças ou enforcados por seus
colegas.
Não
são poucas nem eventuais as mensagens, elas se posicionam de modo enérgico a
favor do morticínio nos presídios.
Muitas
dessas mensagens dizem taxativamente que “são poucos os presos que morrem nos
presídios do RS” (120 por ano, segundo ZH).
Declaram
que tinha de morrer muito mais pelos crimes que cometem contra a população.
Não
há nenhum equívoco, elas querem que os presos sejam maltratados, que morram por
doenças e sejam enforcados (a maioria dos que morrem assassinados pelos outros
presos dentro da prisão é pela via do enforcamento).
Eu
preciso realizar uma profunda reflexão. Certamente, essas pessoas que me
escrevem desse jeito são gente de bem, trabalhadora, têm família etc.
Então
eu penso: será que não sou eu que estou errado? Será que os governantes e as
autoridades penitenciárias estão com razão ao permitir esse holocausto?
Sinceramente,
estou duvidando dos meus princípios e de que eles não são de humanidade.
Eu
devo estar errado. Essa gente toda que me escreve é que está certa, preso tem
de ser escorraçado e tem de morrer.
É
muita gente escrevendo com este ponto de vista. A maioria, já que escrevi que
não durmo direito com essas milhares de mortes em 10 anos, respondeu-me dizendo
que eu não tenho de dormir direito por causa das pessoas assaltadas e
assassinadas pelos presos.
Nem
sei quem são os presos que morrem nas prisões, não sei que crime cometeram,
podem ter sido delitos leves.
Mas
os que escrevem aprovando o genocídio não querem nem saber que crimes cometeram
os presos mortos ou assassinados. Eles não só querem que eles continuem a
morrer por doenças e assassinatos como também acham que são poucos, que muitos
mais deveriam morrer por essas razões.
Dou-me
finalmente por vencido. Eu é que estou errado e os que me escrevem estão
certos.
Porque
chega uma hora em que a gente, que pensa de um jeito, tem de refletir que está
errado e certos são os que querem os presos torturados, doentes de morte e
assassinados.
Esta
gente é respeitável e sou obrigado a acatar a sua opinião.
Não
adianta mandar contra a maré. Se isso é o que pensa a sociedade, é assim que
tem de ser feito. Deve-se respeitar a maioria. E a maioria prega a desgraça dos
presos. Eu já tinha de ter desconfiado disso quando só encontrei indiferença
entre os gaúchos, durante 41 anos, quando eu defendi bons tratos para os
presos, o que não queria dizer absolutamente que não tinham de pagar por seus
delitos.
Ou
eu fui educado erradamente, ou, então, eu estou pensando errado, o meu
raciocínio não está batendo certo. Afinal, chega um dia em que a gente tem de
fazer um exame de consciência e ter a humildade de considerar que se está
errado.
Está
bem, vocês venceram, os presos têm de passar fome, têm de morar em esgotos, têm
de ser maltratados, têm de não ser atendidos em suas doenças e têm de ser
assassinados.
E eu
me declaro solenemente um imbecil.
30
de outubro de 2012 | N° 17238
DAVID
COIMBRA
Um urubu na
sacada
Um
amigo meu tomava café da manhã, dia desses, quando viu um urubu olhando para
ele. Um urubu, por Deus. Estava empoleirado na sacada do apartamento, com olhar
atento, como atento é o olhar das aves, porém sereno, quase imóvel. Você já viu
um urubu de perto? É um bicho de aparência ameaçadora – grande e muito feio.
Não tem a fama que tem à toa. Só a torcida do Flamengo gosta de urubu.
Então,
lá estava aquele urubu observando o meu amigo. O apartamento dele fica ali na
Bela Vista. É novíssimo, meu amigo comprou não faz muito tempo. Ele é um homem
bem postado na vida, é um ser urbano, não está acostumado com animais que não
sejam convictamente domésticos, sobretudo se forem aves de rapina de bom porte.
O que fazer com aquele urubu?
Se
tentasse enxotá-lo, como ele reagiria? Um urubu, em situação de estresse,
torna-se agressivo? Como enfrentar um urubu em fúria? O urubu o debicaria e lhe
meteria as garras? Meu amigo não tinha arma em casa... Por via das dúvidas,
optou pela segurança máxima. Escorregou até a porta da sacada e a fechou
cuidadosamente, torcendo para que o urubu se transferisse para outra sacada ou
galho de árvore, o que aconteceu mais tarde.
Mas
nos dias seguintes o urubu, ou algum amigo ou parente dele muito parecido,
voltou. Meu amigou tomou-se de aflição. Ele não sabia que a cidade era
frequentada por urubus. Saiu pelo prédio a investigar o que estava ocorrendo.
Por que um apreciador de carniça rondava seu prédio? Haveria alguma vaca morta
nas vizinhanças?
Acabou
descobrindo. Ocorre que aquele é um prédio realmente novo. Muitos dos
proprietários demoraram meses a se mudar. Foi num desses apartamentos vazios
que uma jovem família de urubus fez seu ninho. Quando o dono humano do
apartamento chegou, deparou com aquele ninho de urubus instalado na sacada.
Desagradável.
Muito
consciencioso, o ser humano decidiu que não iria simplesmente retirar o ninho e
atirá-lo no lixo, como faria um homem que não respeitasse a Natureza e os
animais e a vida, toda aquela coisa. Chamou a Secretaria do Meio Ambiente para
que fosse adotado o procedimento correto. Decerto as autoridades saberiam o que
fazer com um ninho de urubu construído em uma sacada de apartamento.
Resultado:
a secretaria o notificou. Por algum motivo, os urubus são animais protegidos
pela lei ambiental. Remover seus ninhos é crime. O dono humano do apartamento
terá de conviver com os urubus até que os filhotinhos cresçam, se desenvolvam,
ganhem independência e se mudem de lá por vontade própria, processo que a
secretaria calcula que se dará em três ou quatro meses. Seria menos grave dar
um tiro no fiscal da secretaria do que remover a família de urubus da sua casa.
É
justo isso com o dono do apartamento? É correta tamanha atenção com urubus?
Eles, os urubus, merecem toda essa consideração? Precisam ser preservados,
afinal? E o investimento do ser humano no apartamento e a sua tranquilidade e o
seu dia a dia e, afinal, a sua paz, isso tudo também não deve ser preservado?
Como
são delicadas essas questões legais...
No
caso do gol com a mão de Barcos que a arbitragem anulou com auxílio da TV, o
que vale mais: o Direito ou a Justiça? O que é legal? Ou o que é certo?
A
anulação do gol foi incorreta do ponto de vista técnico, mas pelo menos serviu
para corrigir uma injustiça. Talvez seja ruim para a lei do futebol, mas foi
bom para o futebol.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
29
de outubro de 2012 | N° 17237
ENTREVISTA
Uma escola para inglês admirar
Com
base no Design Thinking, moderno conceito aplicado em empresas, escola
municipal gaúcha que adota práticas inovadoras recebe hoje visita de um dos
grandes defensores do método, o professor britânico Andy Hargreaves, que está na
Capital para disseminar conhecimentos sobre uma das grandes tendências da educação
Na
escola Gilberto Jorge da Silva, na Capital, os alunos são protagonistas da própria
educação, nem sempre há provas, mas métodos personalizados de avaliação. Essa
descrição, segundo o inglês Andy Hargreaves – um dos mais importantes
estudiosos da área –, é o exemplo do que seria uma escola inovadora.
A
adoção de princípios de autonomia, a realização de assembleias escolares e a
adoção de práticas inclusivas são outras estratégias da escola inovadora
apontadas pelo especialista no livro The Global Forth Way (ainda sem previsão
de lançamento no Brasil), escrito em parceria com Dennis Shirley – outro
renomado professor de Educação, também da Lynch School of Education, da Boston
College, assim como Hargreaves – em 2009. Baseadas no método do design
thinking, as pesquisas atuais de Andy estão ligadas a estratégias bem sucedidas
de mudança educacional em escolas de alta performance.
Convidado
para dirigir organizações internacionais como o Banco Mundial, a Unesco e a União
Europeia, Hargreaves já palestrou sobre desenvolvimento pessoal em 37 estados
americanos, em 42 países e em todos os estados australianos e províncias
canadenses.
Um
dos grandes desafios do ensino brasileiro, segundo ele, é manter os alunos na
escola e qualificar os professores. Envolver a comunidade e os próprios alunos
no processo educacional não seria uma estratégia, mas uma necessidade. O outro
objetivo seria qualificar e melhorar a remuneração dos professores.
– Todos
os lugares têm desafios de desenvolvimento. Educação é apostar na próxima geração.
O primeiro passo é ver a educação não como custo, mas como um investimento.
lara.ely@zerohora.com.br
29
de outubro de 2012 | N° 17237
KLEDIR
RAMIL
Volta Schmidt!
Querido
Schmidt, eu confesso: não sei viver sem você. Estes dias de estrada, cumprindo
a agenda de shows sem a tua companhia, têm sido desastrosos. Sim, eu sei que
você pegou gripe A, passou por vários hospitais e precisa descansar. E que não
dá pra descansar num assento de avião, num banco de van, num quarto de hotel na
fronteira com a Bolívia. Portanto, fica bom logo. Bora pra estrada, agitar um
pouco. As viagens sem você são um porre. Isso aqui tá um tédio.
Outro
dia passamos perto de Farroupilha, e eu levei todo o pessoal – músicos e equipe
técnica – para fazermos uma prece no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. Cheguei
até fazer uma promessa: se você ficasse bom logo, todos nós iríamos parar de
fumar. Todos toparam, menos o Gazzaneo. Casualmente, o único que fuma do grupo.
Não
quero fazer intriga, mas não custava nada ele fazer um esforço. Com um amigo
desses, ninguém precisa de inimigo. Desde aquele episódio da parada gay, ele
anda meio depressivo, passa os dias fazendo palavras cruzadas. Temos que ter
uma conversa com ele.
Na
tua ausência, tenho procurado me comportar direito, mas, sinceramente, essa
estagiária que veio pra te substituir é péssima. Na primeira viagem, se
aborreceu porque não gostei do lugar no avião. Você sabe que só viajo no
corredor. Chegando no hotel, tive que trocar de quarto. Claro, tinham me
colocado de frente pra uma avenida barulhenta, fora dos padrões de 80 decibéis
estabelecido pela NBR. Aí fomos jantar e, acredite se quiser, tive que pagar
minha própria conta! Nunca vi uma coisa dessas. Eu sou um artista, não ando com
carteira no bolso.
Tudo
bem. Na viagem seguinte, a empresária resolveu ir junto. Essa, você sabe como é,
está sempre no celular fechando altos negócios e não tem tempo pra cuidar do básico,
como o camarim dos artistas. Resultado, a água mineral estava gelada. E você sabe
que eu me recuso a cantar se a água não estiver na temperatura correta. Não vou
nem comentar os outros detalhes fundamentais para a realização de um espetáculo,
como as toalhas brancas, o ar-condicionado desligado e o Gatorade de bergamota.
Conclusão, tive que cancelar o espetáculo.
E o
pior é que, no dia seguinte, na hora de descer do quarto pra ir pro aeroporto,
a estagiária pediu pra eu bater no meu irmão. Aí, bati e deu a maior confusão. Como
é que eu ia saber que era pra bater na porta?
Portanto, Schmidt, volta logo! The show must go on!!! Não
dá pra viver sem você.
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