quinta-feira, 9 de julho de 2026

09 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Excessivamente humano

Os argentinos são tão metidos quanto nós, tão vaidosos quanto nós, tão confiantes quanto nós, tão megalomaníacos quanto nós. Mas, diferentemente de nós, jamais se rendem a um fracasso. Veja o que fizeram com o Egito, revertendo um placar de 2 a 0 nos 20 minutos derradeiros, com uma adoração à garra, com uma entrega incondicional, com um nacionalismo passional, com uma loucura contagiosa.

Tivemos os mesmos 20 minutos para mudar o resultado contra a Noruega e não suamos sangue como eles. Acolhemos o golpe e nos despedimos com antecedência. Costumamos desistir antes do apito final. O improvável nos convence rapidamente. Somos servis à realidade adversa.

Se Pelé era de outra galáxia, Messi nos comove por uma genialidade profundamente humana, à imagem e semelhança de seus conterrâneos. Um general que se destaca sendo soldado na linha de frente, oferecendo o exemplo de sacrifício.

Ele é o ídolo da superação. Luta contra o seu corpo de 39 anos, contra o cansaço, contra o desânimo dos seus colegas, contra o rival. Duela com unhas e dentes contra o fim, o adeus, a aposentadoria simbolizados na desclassificação. Ao negar a morte, revela-se um sujeito comum.

Não é um extraterrestre. Jamais perde a conexão com o nosso mundo, privilegiado por um hiperfoco. Dá a volta por cima. Junta o fôlego para se recuperar dos tropeços e transformá-los em redenção. O que leva o torcedor a explodir de um sentimento de justiça, regurgitando em pesados decibéis o grito engasgado.

É mortal no revés e na glória. É aquele que erra um pênalti, mostrando que qualquer um está propenso a um lapso, e se vinga com um golaço, mostrando que qualquer um pode se redimir. Messi aparenta estar alheio ao comportamento dominante de desaparecer pelo desperdício de uma penalidade. Já falhou em quatro das oito cobranças nas suas participações no Mundial, num retrospecto risível de 50% de aproveitamento.

Ele cresce no ocaso, encontra o auge mental no esgotamento físico. Ao festejar a reação, desferiu um emblemático soco no ar, à moda de nosso Rei do Futebol. Foi um salto sobre si próprio: a euforia de ter ido novamente além de seus limites.

Ele atinge a plenitude de sua técnica pelo esforço mundano. Marcou em todas as partidas da Copa de 2026. Tanto que é o recordista da história da competição com 21 gols - experimentando sucessivas quebras de expectativas.

Esconde a bola como um prestidigitador em sua canhota, e a bola ressurge de repente dentro das redes, para espanto do arqueiro. É a mágica derivada da aplicação tática, da dedicação geoespacial, um trunfo da mortalidade vivida ao extremo.

Gera uma inveja planetária a todos que não são argentinos. Uma inveja que culmina numa admiração contrariada. É impossível não amar Messi, por mais que o odiemos, cheios de raiva e rancor porque ele não farda as cores de nossa bandeira.

Pelé e Garrincha são incomparáveis, Messi e Maradona são igualmente de cepas distintas. Os dois duetos são capazes de conquistar Copas: exércitos de um homem só. É possível alegar que o Egito acabou desfavorecido: o que valia para a Seleção Argentina não valia para ele. Entretanto, não há como não reverenciar a busca dos hermanos pela ressurreição até o último minuto. São campeões e se portam como campeões.

É quase inútil secá-los. Eu comemorei a derrota deles antecipadamente e me frustrei, e apaguei as mensagens enviadas aos amigos. Conclamo meus compatriotas a empregar um novo método: torcer pela Argentina contra a Suíça. Vá que a secação reversa funcione. 

CARPINEJAR

09 de Julho de 2026
ROGER LERINA

O plebiscito de todos os dias

Uma cidade não é representada somente por desenvolvimento urbanístico, obras viárias grandiosas, shoppings imponentes, edifícios que desafiam o Plano Diretor e muitas, muitas farmácias. A alma de uma comunidade está escrita também e sobretudo em suas muitas histórias, preservadas na memória e no relato das pessoas que convivem naquele lugar.

Nesta quinta-feira, chega gratuitamente ao YouTube o documentário Sereno Canto - Contos dos Cantos da Cidade, nova etapa de um projeto idealizado pelo músico e psicólogo Thiago Ramil. Criada em 2012 em parceria com o também psicólogo Raul Jung, a iniciativa começou com atividades em casas de acolhimento, a fim de contribuir com o sono de crianças atendidas nesses locais, virou podcast, contação de histórias e canções, deu origem em 2023 a um álbum visual e em 2024 ao belo livro Sereno Canto Histórias e Canções. Neste atual desdobramento, o acalanto artístico quer envolver não apenas os pequenos, mas Porto Alegre inteira.

O excelente filme idealizado por Thiago e dirigido por Lucas Moraes recolhe os depoimentos de um grupo de personagens cuja trajetória conecta-se com a capital gaúcha: Iracema Gãh Té, indígena Kaingang; Mestre Paraquedas, figura histórica do samba e do Carnaval locais; Nina Fola, artista, socióloga e ativista cultural negra; Loua Pacôm Oulaï, imigrante marfinense, artista e contador de histórias; e Eva Schul, bailarina e coreógrafa que é referência nacional em dança contemporânea. 

Cinco perspectivas singulares da memória urbana, um punhado de narrativas que mostram as múltiplas formas como Porto Alegre é vivida e contada. Esse mergulho no nosso patrimônio imaterial por meio de vozes que costumam ficar à margem dos discursos oficiais é ilustrado por preciosas imagens de arquivo mostrando as mudanças na paisagem da cidade ao longo do tempo.

O historiador e filósofo Ernest Renan (1823 - 1892) celebrizou o conceito de nação como fruto de um pacto diário. Segundo o pensador francês, o desejo de viver junto e a valorização da herança recebida estreita os laços das sociedades - uma liga, porém, que precisa ser constantemente renovada: "A existência de uma nação é um plebiscito de todos os dias". Esse princípio universal pode ser adaptado para o quintal aqui de casa: nosso lugar no mundo não é apenas um porto físico, mas um "cais de encontros", como define Thiago Ramil, cujas histórias devem ser sempre contadas - mesmo na voz baixa de um acalanto. 

ROGER LERINA

09 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

À espera de uma saída equilibrada

A decisão do governador Eduardo Leite desta semana de vetar o fim da taxa de licenciamento para veículos no Estado, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa em junho, abriu uma frente de atrito entre o Piratini e o parlamento. A oposição se articula para derrubar o veto do Executivo. A própria base governista, afinal, cerrou fileiras a favor da extinção do pagamento de R$ 114,09 por motoristas proprietários pela emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV).

Há boas razões para justificar as posições em cada lado da contenda. Faz sentido a alegação do autor da proposta, o deputado Rodrigo Lorenzoni (PP), de que com a digitalização do documento não existem mais os gastos com papel-moeda para a produção do documento e com o envio do certificado físico pelos correios. 

Uma das vantagens dos serviços digitais é a redução de custos, o que no caso do setor estatal deveria se refletir em menor oneração aos contribuintes. Eliminam-se, afinal, desembolsos com papel, impressão, manuseio, expedição postal e espaço para acondicionamento. E os cidadãos brasileiros já são sobrecarregados de impostos, taxas e contribuições que pagam sem uma contrapartida adequada por parte do poder público.

O Palácio Piratini, de outra parte, também exibe argumentos razoáveis. Mesmo a emissão digital tem custos, ainda que menores. Conforme o governador Eduardo Leite, o fim da taxa faria com que o Estado perdesse de forma abrupta uma receita de R$ 750 milhões a partir de 2027, sendo que parte desse valor, R$ 250 milhões, irriga o Fundo Estadual de Segurança Pública. Pode-se questionar a conformidade desse uso, mas não há dúvida de que o devido aparelhamento das polícias é uma política necessária para o combate à criminalidade. Esses recursos perdidos teriam de ser cobertos com o remanejamento de verbas, ou então os investimentos na área cairiam.

Convém pontuar ainda que o Estado, mesmo tendo deixado no passado o período de finanças caóticas, com atraso de salários e de pagamento de fornecedores, continua a enfrentar um quadro orçamentário desafiador. O próximo ano será particularmente adverso. 

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 apresentado pelo Piratini estima um déficit de R$ 4,8 bilhões. O Estado será pressionado pela volta do pagamento da dívida com a União, pelas contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e pelos acordos com o Ministério Público para o cumprimento dos gastos mínimos constitucionais com saúde e educação.

É natural que, nesse contexto, o Executivo se oponha a uma perda de arrecadação repentina. Em Santa Catarina, Estado que vive uma situação financeira mais saudável, com argumentos parecidos o governador Jorginho Mello (PL) também vetou em fevereiro uma lei semelhante aprovada pela Assembleia local.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, na terça-feira, Eduardo Leite se disse disposto a "conversar, dialogar, construir alternativas". É com esse espírito que o Executivo e a Assembleia podem encontrar uma solução sensata e responsável para o impasse, assegurando algum alívio para os proprietários de veículos, sem criar embaraços maiores para a saúde ainda frágil das finanças gaúchas. 

09 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Pré-candidatos aquecem para a campanha

Os pré-candidatos ao governo do Estado devem aproveitar os últimos dias antes do início oficial da campanha para compromissos no Interior, encaminhar planos de governo e dar início à captação de materiais para divulgação das candidaturas. O período de convenções partidárias vai de 20 de julho a 5 de agosto, 10 dias antes do início efetivo do período eleitoral.

Gabriel Souza (MDB) tem uma das agendas mais intensas, pois tem de conciliar os compromissos de vice-governador com as demandas da pré-candidatura. Além dos encontros partidários, as participações em debates e painéis ocupam boa parte do tempo do emedebista.

Afeito aos estudos, Gabriel não se furta de reservar tempo para se preparar para os assuntos que serão abordados em cada evento. Até a convenção do MDB, marcada para 1º de agosto, o vice-governador vai participar dos últimos encontros do movimento Vozes do Rio Grande - a partir do qual está sendo elaborado o plano de governo, já em fase final - e seguirá com a gravação de conteúdos focados para as redes sociais.

À esquerda, Juliana Brizola (PDT) mantém o ritmo de agendas pelo Interior, apresentando o movimento Coração Gaúcho em diversas regiões. Com mais tempo disponível por não ocupar cargo eletivo, a pedetista tem mantido agendas mais individuais com empresários e representantes de setores estratégicos do Estado.

A partir da próxima semana, Juliana vai intensificar as reuniões dedicadas a estudar o plano de governo, que vem sendo elaborado para a chapa da esquerda, e planeja fazer imersões temáticas sobre as propostas com a equipe de comunicação, com quem vai alinhar estratégias de divulgação da candidatura e fará gravação de materiais para a campanha. A convenção do PDT está marcada para o dia 25 de julho.

Também com mandato ativo, o deputado Luciano Zucco (PL) tem dividido as semanas entre idas a Brasília, onde participa de sessões na Câmara e articula a votação de pautas prioritárias, e as viagens pelo Interior para se apresentar como alternativa ao Palácio Piratini. O caso mais emblemático foi a ausência no debate promovido pela Federasul, em que Zucco optou por articular a aprovação da renegociação das dívidas dos agricultores no Senado.

O PL fará convenção em 22 de julho. Até lá, o pré-candidato focará em agendas internas da campanha, como a organização do comitê. Zucco também planeja fazer imersões no plano de governo e, ainda esta semana, deve fazer as fotos oficiais da campanha.

Mesmo em desvantagem nas pesquisas, Marcelo Maranata (PSDB) segue motivado pelo histórico do Estado de eleger "zebras". Nos próximos dias, os compromissos vão se concentrar em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

O tucano lança no domingo sua "Maranatona", primeira mobilização digital da campanha, enquanto sua equipe finaliza os últimos detalhes do plano de governo. A convenção será no dia 30 de julho. _

Melo vistoria novas comportas

do sistema de proteção da Capital

Desde que a cheia do Guaíba em 2024 rompeu barreiras de proteção de Porto Alegre e expôs os problemas do sistema de contenção de enchentes, o prefeito Sebastião Melo garantiu que uma das ações emergenciais seria o fechamento definitivo ou reforma das comportas.

Ontem, Melo fez questão de acompanhar o teste das novas estruturas no dique da Avenida Castelo Branco, que marcou a conclusão das obras de modernização das passagens móveis.

Foram mais de R$ 11 milhões investidos. Das 14 comportas, oito foram definitivamente fechadas, substituídas por estruturas de concreto armado. Além das duas entregues agora, outras quatro foram reformadas e modernizadas. _

Caiado tenta reforçar palanque no RS com agenda no Interior

Pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) virá ao Rio Grande do Sul na próxima semana para a segunda edição do evento O Brasil do Futuro, em Passo Fundo. Promovido pela Atitus Educação, o evento reunirá integrantes do Comitê de Entidades Empresariais para ouvir ideias e propostas do presidenciável.

A primeira edição foi em abril, com a presença de Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo.

Caiado deverá estar acompanhado do vice-governador e pré-candidato a governador, Gabriel Souza (MDB). Além de Passo Fundo, estão sendo negociadas agendas de Caiado em Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana. _

Fiergs questiona postulantes sobre 6x1, ICMS e alianças

Nos encontros a portas fechadas com a direção da Fiergs na terça-feira, os pré-candidatos a governador Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) responderam a questões elaboradas por líderes do setor. A primeira pergunta, endereçada aos três, foi se apoiam a criação do Fundo Constitucional do Sul e Sudeste. Todos responderam "sim".

A Fiergs também preparou uma questão específica para cada um. Para Zucco, por exemplo, o tema foi o fim da escala 6x1. Ele alegou que votou favorável à PEC na Câmara na expectativa de que outra proposta, que institui o regime de trabalho baseado em horas trabalhadas, também avançasse.

Para Juliana, a questão envolveu o comando de um eventual governo dela e a gestão dos partidos aliados de esquerda. Na resposta, ela se disse de centro­esquerda e que um eventual governo será comandado pelo PDT.

Para Gabriel, a pergunta remeteu à tentativa de aumento de ICMS no governo Eduardo Leite e à perspectiva tributária para a próxima gestão. O emedebista se comprometeu a não aumentar impostos e argumentou que a medida apresentada por Leite visava ampliar os recursos para o Estado diante das regras de transição da reforma tributária. _

O União Brasil estuda lançar o vice-prefeito de Canoas, Rodrigo Busato, a deputado estadual. Sem representante do terceiro maior município do Rio Grande do Sul há 12 anos na Assembleia, aliados querem fortalecer a articulação por recursos e projetos do governo estadual.

Tudo igual na disputa nacional

A divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-­RJ) teve pouco impacto sobre o cenário da disputa presidencial, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem.

Na simulação de segundo turno entre Flávio e o presidente Lula (PT), o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio, uma oscilação em relação ao fim de maio (46,5% a 41,4%). _

POLÍTICA E PODER
09/07/2026
 INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O cessar-fogo, na prática, nunca existiu

O acordo entre Estados Unidos e Irã acabou, diz Donald Trump. Na verdade, tal acordo, na prática, nunca existiu.

Trump diz que o acordo acabou, mas um acordo pressupõe que os principais pontos de divergência tenham sido resolvidos. No caso do Oriente Médio, eles apenas foram adiados.

O principal problema do acerto é que nunca ficou definido o que seria feito com a questão nuclear, motivo pelo qual foram deflagradas duas guerras - a de 12 dias, no ano passado, e a iniciada em 28 de fevereiro de 2026.

O cessar-fogo interrompeu os bombardeios por algumas semanas, mas nunca ficou definido se o Irã poderia continuar enriquecendo urânio, qual seria o limite permitido, quem fiscalizaria, quais sanções seriam suspensas e qual seria o cronograma.

O acordo nem sequer criou mecanismos de implementação. Era falho também por isso. Não havia calendário, verificação, arbitragem e o estabelecimento de consequências para o caso de violações.

Havia ainda dois pontos em aberto: a questão libanesa, tema que a coluna vem destacando como fundamental para o fim de qualquer hostilidade. Mesmo após o anúncio do cessar-fogo, Israel continuou realizando operações no Líbano. Mantém uma franja da fronteira ocupada, sob alegação de que o Hezbollah segue atacando a partir dali, e, de fato, o grupo extremista o faz. Havia dúvida até sobre se o Líbano fazia parte do entendimento.

Campo de experimento

O Líbano, como já destaquei, é campo de experimento das maldades de todos os lados: do Irã, que mantém ali seu mais poderoso braço terrorista, de Israel e dos Estados Unidos.

Aliás, sobre os proxies iranianos: as organizações terroristas continuaram existindo - e nada disso apareceu no acerto. Hezbollah, Hamas e Houthis seguem capazes de atacar Israel e alvos americanos.

Outros dois pontos me parecem fundamentais: se não foi resolvida a questão nuclear, os EUA, por sua vez, nunca retiraram as sanções econômicas, seu principal instrumento de pressão. Na prática, a Casa Branca manteve a capacidade de elevar ou reduzir a pressão.

Do lado iraniano, o principal instrumento de pressão é o Estreito de Ormuz, que também nunca voltou à normalidade. Foi aberto, mas, na prática, não houve desminagem e havia ataques frequentes a navios ocidentais. O principal gargalo estratégico do Golfo continuava militarizado. As fragilidades do documento acabam por nos trazer aos dias atuais. Era uma tragédia anunciada. _

Contradições de Trump

A depender de Donald Trump, tudo é possível. A declaração do início da manhã de ontem em relação à retomada dos bombardeios ao Irã era a seguinte:

- Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite.

E por que tudo é possível? Porque, logo após a reunião de cúpula da Otan, na Turquia, no início da tarde, ele afirmou:

- Acho que não vai começar uma nova guerra, vai acabar rapidamente. Eles atingiram alguns navios, nós atingimos com muito mais força, 10 vezes mais forte. Não vai durar muito tempo. Qualquer coisa que aconteça, vai acabar rapidamente. Não estamos pensando em nada de longo prazo.

Basicamente, a ideia de Trump se resume a: "Vou atacar, mas não quero". E, se atacar, não irá durar muito tempo.

Essa contradição de Trump leva a desconfiar de sua capacidade cognitiva. Volta e meia, ele foge de explicações, é incoerente e apresenta falas desconexas. _

Cláudia Coutinho toma posse na ARI

A jornalista Cláudia Coutinho tomou posse, ontem, como presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Ela assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. Cláudia é a primeira mulher a liderar a organização em seus mais de 90 anos de história.

- Assumir a presidência da ARI é um compromisso que carrego com muita honra e responsabilidade. Nossa casa, que tanto lutou pela liberdade e pela ética, precisa ser o farol que guia o futuro do jornalismo no Rio Grande do Sul - disse, na cerimônia de posse.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos: 2021-2023 e 2023-2026.

Em seu discurso, ela defendeu a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional:

- Quando defendemos a obrigatoriedade do diploma, não estamos apenas defendendo uma exigência acadêmica. Estamos defendendo a sociedade. _

Itamaraty terá de se explicar

Após o Itamaraty admitir temer uma ação militar territorial dos EUA no Brasil - em decorrência da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos americanos -, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (Creden) aprovou ontem a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre o assunto.

Mauro Vieira deverá comparecer ao colegiado para explicar o posicionamento do governo brasileiro e o conteúdo do documento encaminhado pela pasta à Câmara. Ainda não há data para a reunião. _

Investimentos na saúde de Ijuí

O Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) inaugurou a ampliação da unidade de terapia intensiva (UTI) Adulto e a modernização do seu Centro Cirúrgico. As obras contaram com aporte de R$ 10,2 milhões do governo do Estado, viabilizados por meio do programa Avançar Mais na Saúde.

Com um aporte de cerca de R$ 4 milhões, a UTI Adulto passou a contar com 10 novos leitos, que se somam aos 20 já existentes.

A expansão visa atender à demanda por média e alta complexidade no Interior.

Já o Centro Cirúrgico foi ampliado e modernizado com recursos de R$ 6,2 milhões. O espaço agora conta com oito salas cirúrgicas, 19 leitos de recuperação pós-anestésica e área exclusiva para o atendimento de gestantes. _

Começa a se confirmar a viagem do papa Leão XIV à América Latina neste ano. Conforme informou à coluna uma fonte no Vaticano, a visita deve ocorrer até novembro. O Pontífice deve visitar três países: Peru, Argentina e Uruguai.

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa manchada

A Copa do Mundo de 2026 ficou manchada com a retirada da suspensão de Folarin Balogun, pelo Comitê Disciplinar da Fifa, permitindo que o atacante dos Estados Unidos que recebeu cartão vermelho no jogo com a Bósnia participasse das oitavas de final contra a Bélgica. O regulamento foi para a lata de lixo, abrindo perigosos precedentes.

Ainda mais com os rumores da interferência externa do presidente americano Donald Trump, que fez a solicitação e depois agradeceu a entidade por ter corrigido o que chamou de "grande injustiça". Criou-se um constrangimento para o brasileiro Raphael Claus, que puniu o jogador ao rever a jogada no VAR. A decisão extracampo o desautorizou e violou regra tácita e consensual.

Embora a Fifa tenha alegado que a revogação seguia o artigo 27 do seu Código Disciplinar, que determina que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar", soa como uma exceção arbitrária a serviço de interesses espúrios, uma vez que Balogun se sobressaía como artilheiro da Seleção dos EUA, com três gols no Mundial.

O futebol se mostrou acima da politicagem. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, derrubando a anfitriã com requintes de humilhação e calando 80 mil torcedores em Seattle, na segunda-feira. Sequer o desfalque reagrupado indevidamente conseguiu conter o vexame. Após o triunfo que garantiu o confronto com a Espanha, a Bélgica postou nas redes sociais uma foto da comemoração de Lukaku, com a mão no ouvido, provocando o mandatário intruso: "Reverte isso".

Nem tudo é um mar de rosas no desenrolar da competição. Testemunhamos situações estranhas e atípicas de pressões de regimes no maior evento esportivo do mundo, que insinuam manipulações de resultados. Na Copa de 1978, atuando em casa, a Argentina precisava tirar uma diferença de saldo de gols com o Brasil para se classificar - uma vitória por no mínimo quatro gols no Peru. Sob a coerção da ditadura sangrenta do general Jorge Rafael Videla, contrariando o histórico das duas seleções no torneio, a Argentina varreu os peruanos por 6 a 0. O goleiro do Peru era Ramón Quiroga, argentino naturalizado peruano, duramente criticado por suas falhas imprevisíveis no duelo.

A atitude intervencionista de Trump deve ser colocada no mesmo patamar da adulteração de placar do fascismo de Benito Mussolini, que queria porque queria provar a sua supremacia ideológica no certame de 1934, na Itália.

O primeiro-ministro, com poderes incondicionais no período, transformou a arena numa vitrine de propaganda do Partido Nacional Fascista. Para alcançar o título, houve fortes indícios de cooptação da arbitragem, coação de atletas e censura na imprensa. O árbitro sueco Ivan Eklind, por exemplo, que apitou a semifinal e a final, reuniu-se com Mussolini antes das partidas e validou gols e lances controversos a favor da Itália.

Para se ter ideia de como a armação se evidenciou descarada, nas quartas de final, o goleiro espanhol Zamora saiu de cena fraturado e sete titulares de sua equipe acabaram lesionados. Tratou-se de um massacre sem precedentes. Parecia obra dos Camisas Negras (Camicie Nere), braço paramilitar do Duce. Na disputa de desempate, o juiz René Mercet acatou um gol polêmico de Giuseppe Meazza e anulou dois gols legítimos da Espanha.

Já na semifinal, com a Áustria, o juiz Ivan Eklind, egresso de um banquete com Mussolini na véspera, deu o gol da vantagem italiana (1 a 0) a partir de um empurrão do centroavante Enrique Guaita no goleiro austríaco para dentro da rede com a bola. Não tem como não compreender como uma falta abusiva em qualquer época.

A democracia futebolística, se existe, corre sérios riscos com o retrocesso. Fraudes nascem de despretensiosos lobbies e vão acuando a arte das chuteiras para a extinção da igualdade. _

CARPINEJAR 

 

08 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

Qual o pior vício?

Meu avô gostava de repetir uma pergunta que ele mesmo respondia. Qual seria o pior vício, o cigarro, a bebida ou o jogo? Era o jogo, pois, segundo ele, quem joga, também fuma e bebe.

Lembrei da advertência do meu avô ao ler sobre mais um suicídio vinculado a dívidas com bets. Desde que os jogos on-line chegaram ao Brasil, estão ligados a um variado cardápio de desgraças.

Os jogos a que meu avô se referia eram jogos de carta dentro de clubes, ou no fundo de algum bar. Não era difícil encontrar o jogo, mas não era tão fácil como agora. Basta abrir o celular, a qualquer hora do dia, e começar a falir.

Por que o jogo vicia? Do ponto de vista neurológico é simples, a tensão entre ganhar ou perder libera dopamina. Erroneamente ligada apenas ao prazer, a dopamina traz a sensação de que está ocorrendo algo muito importante, decisivo, é preciso estar alerta. É um neurotransmissor que sublinha, que dá intensidade ao que está sendo vivido. Essa explicação pouco ajuda, todos temos esse modo de funcionamento. Por que uns viciam e outros não é a grande pergunta.

Qualquer vício é indício de uma vida vazia e sem propósito. Quem tem lastro afetivo, vínculos fortes não se deixa destruir por ele. O vício leva quem busca um atalho para se sentir atado à vida.

Existe outra pergunta: deveríamos proteger as pessoas delas mesmas? É o que fazemos quando proibimos as drogas e a publicidade de produtos viciantes. A propaganda de cigarros foi abolida em 2011. A propaganda de bebidas é proibida acima de 13% de teor alcoólico. Fica liberada a de cerveja mas com restrições: não pode estar associada a êxitos esportivos, profissionais e sexuais.

Sabemos que o jogo vicia tanto quanto o cigarro e o álcool. Então, por que permitimos que anúncios de bets patrocinem campeonatos, estampem uniformes e invadam as redes sociais com a promessa de dinheiro fácil?

Meu avô não conheceu os algoritmos, mas intuiu a armadilha: o jogo é o vício que abre a porta para outras compulsões. Hoje, com um cassino no bolso e a solidão como plateia, a aposta não é mais só financeira, é existencial. E quando a vida perde o valor, o próximo lance pode ser o último. _

MÁRIO CORSO

08 de Julho de 2026
OPINIÃO DA RBS

A responsabilidade dos vencidos

A saúde das democracias depende em grande medida da postura dos derrotados nos processos eleitorais. Quando vencidos se negam a reconhecer resultados amplamente chancelados também por observadores internacionais, estimula-se a desconfiança de parte da sociedade nas suas instituições. As divisões sociais se aprofundam e a disputa política se radicaliza.

Não faltam exemplos recentes no continente americano a demonstrar os efeitos nocivos da irresignação com o veredito soberano das urnas, que agora atingem a Colômbia e o Peru. Em 2020, alegando fraudes inexistentes, Donald Trump não aceitou a derrota para Joe Biden. A recalcitrância do republicano em reconhecer que perdeu e as insistentes afirmações sem evidência plausível de irregularidades na eleição tiveram como corolário a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu roteiro parecido. O desfecho, semelhante ao dos EUA, foi a intentona de 8 de janeiro de 2023. A diferença é que Bolsonaro acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.

Após a insurgência contra a vontade dos eleitores surgir à direita, agora é a vez da esquerda abraçar uma postura antidemocrática na Colômbia e no Peru. O presidente colombiano, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer a vitória do candidato da ultradireita, Abelardo de la Espriella. Permanece afirmando que apresentará provas de fraudes e vem convocando manifestações contra o resultado. 

O governista derrotado, o senador de esquerda Iván Cepeda, prega "desobediência civil". A transição de poder foi paralisada. Isso enquanto observadores internacionais, como os da União Europeia, atestam que o segundo turno, no dia 21 de junho, transcorreu "transparente e bem organizado". O Centro Carter, organização independente reconhecida no acompanhamento de votações ao redor do mundo, da mesma forma certificou a regularidade do pleito vencido por Espriella com margem inferior a 1 ponto percentual.

No Peru, onde a diferença foi ainda menor, o deputado de esquerda Roberto Sánchez convocou e liderou protestos contra o resultado. De forma dúbia, disse na segunda-feira aceitar o anúncio do Júri Nacional de Eleições (JNE) que confirmou a vitória da direitista Keiko Fujimori, mas manteve as acusações de irregularidades, sem apresentar evidências. Novamente, observadores internacionais, como os da Organização dos Estados Americanos (OEA), chancelaram a lisura do processo. É prenúncio de mais instabilidade no Peru, que teve nove presidentes nos últimos 10 anos.

Cumpre ressaltar que eleições de fachada e sem o escrutínio internacional, que ocorrem em autocracias, onde o líder ou o grupo no poder esmaga a oposição, não se enquadram nesses casos em que a contestação é um sintoma ruim. Um exemplo é o último pleito na Venezuela, em 2024, quando a autoproclamada vitória de Nicolás Maduro não foi reconhecida sequer pelo governo Lula, que agora parabenizou os opostos ideológicos Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori.

Em democracias hígidas, os derrotados aceitam o resultado, lambem as feridas, se reorganizam, fazem oposição firme, mas responsável, e esperam a eleição seguinte. Negar a legitimidade da vitória do oponente é trilhar o caminho perigoso da relativização das regras do jogo no qual a vontade popular é soberana. 

08 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Oposição se articula para derrubar veto de Leite

Pegou mal entre deputados da oposição à direita o veto do governador Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado. Como foi aprovada por unanimidade, os parlamentares esperavam que Leite sancionasse a medida ou pelo menos silenciasse a respeito, deixando a decisão para o presidente da Assembleia, Sergio Peres (Republicanos).

Leite anunciou o veto em vídeo divulgado na noite de segunda-feira, justificando a decisão com o equilíbrio das contas do Estado. Segundo o governador, a taxa garante arrecadação de R$ 750 milhões, da qual Leite disse que o Estado "não pode abrir mão", pois representa um terço da receita do Detran:

- Ninguém quer pagar o preço político de ir contra isso. O impacto fiscal da perda dessa arrecadação é para os futuros governos do Estado, não é para mim. Seria muito conveniente dizer "olha, já que a Assembleia aprovou por unanimidade, então tá, sanciono e toca, e o Estado que se resolva depois".

Quando o projeto foi aprovado, deputados de MDB e PSD, que integram a base governista, foram favoráveis ao fim da taxa. Agora, em minoria e às vésperas da eleição, Leite buscará convencê-los a mudar de ideia.

Entre os opositores, tanto deputados de direita quanto de esquerda já se manifestaram favoráveis à derrubada do veto. Autor do projeto, Rodrigo Lorenzoni (PP) criticou a decisão de Leite, argumentando que o fim da taxa de licenciamento não oferece nenhum prejuízo aos cofres do Estado.

- O Detran é uma autarquia superavitária em R$ 1,1 bilhão por ano. A taxa de licenciamento arrecada R$ 750 milhões por ano. Com o fim da taxa, o Detran segue sendo superavitário em R$ 400 milhões. Mesmo que ele repasse para o Fundo Especial de Segurança Pública R$ 200 milhões, o Detran seguiria com superávit de R$ 200 milhões - calculou.

PT apoiará derrubada

Líder da bancada do PT, o deputado Miguel Rossetto já antecipou que é a favor de extinguir a taxa de licenciamento no Estado. O petista ressalta que, caso Leite entenda necessário fazer recomposição de receitas, ele pode encaminhar uma proposta para ser avaliada pelos deputados.

- Não é razoável manter a cobrança de uma taxa pela emissão do documento físico que deixou de ser impresso e foi substituído por meio digital - concordou. _

Para rebater a crítica de que o projeto é "irresponsável", Lorenzoni resgatou texto protocolado pela bancada do MDB em 2020 que diz ser "exatamente igual" ao seu - assinado, inclusive, pelo atual vice-governador, Gabriel Souza.

Direita boicota reunião e adia o início da discussão da LDO

Insatisfeitos com o veto de Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado, integrantes do bloco de oposição à direita boicotaram a reu­nião de líderes ontem, e não houve quórum para definir a pauta de votação da sessão ordinária. Os líderes das bancadas de PP (Marcus Vinícius), Novo (Felipe Camozzato), Republicanos (Gustavo Victorino) e PL (Adriana Lara) não compareceram ao encontro.

Para que consigam fechar acordos para alterar a ordem do dia, é preciso que os líderes presentes respondam por, no mínimo, dois terços do plenário - ou seja, 37 parlamentares. Sem os quatro partidos da direita, 36 deputados estavam representados.

Com isso, não foi possível incluir na pauta a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que já estava articulada para ser discutida ontem.

Alvo de críticas

A proposta enviada por Leite à Assembleia, que prevê déficit de R$ 4,8 bilhões do governo do Estado no final de 2027, também é alvo de críticas da direita. Além da previsão de alta nas despesas, uma emenda popular conhecida como Descongela é um dos pontos nevrálgicos para as bancadas do bloco político.

A proposta feita por sindicatos que representam servidores do Judiciário, da antiga Caixa Econômica Estadual e da Polícia Civil prevê o pagamento retroativo de vantagens funcionais vinculadas ao tempo, como anuênios, triênios, quinquênios ou licenças-prêmio, que ficaram congeladas durante a pandemia.

Os valores são referentes ao período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021, e os sindicatos têm acordo com o governo e com as bancadas de esquerda para que a medida seja aprovada. _

Como não havia quórum na reunião da CCJ de ontem, o debate sobre a PEC que estabelece data-base para reajuste salarial dos servidores de acordo com a inflação só será retomado pelos deputados em agosto, após o recesso.

"Salvação do Rio Grande"

A Fiergs apresentou ontem 10 demandas prioritárias aos candidatos a governador e outras 10 que serão levadas aos presidenciáveis. O único item que se repete, no topo das duas listas, é a criação do Fundo Constitucional das Regiões Sul e Sudeste.

- Esse fundo constitucional é a grande salvação do Rio Grande e dos outros Estados - afirmou Claudio Bier, presidente da Fiergs.

Dentre as demandas relacionadas às eleições nacionais, o terceiro item dos industriais é a contrariedade ao projeto que acaba com a escala 6x1. _

Plano de irrigação

Na pauta levada aos candidatos a governador, também está a cobrança por um plano estadual de irrigação que reduza os impactos das estiagens para o setor industrial.

As demandas foram entregues aos três candidatos mais bem colocados na maior parte das pesquisas: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). _

POLÍTICA E PODER

08 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Cada um por si

Não se engane: não há interesse público. Cada um tem o seu interesse pessoal, eleitoreiro. O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro esteve ontem na audiência pública do USTR (Escritório de Comércio dos EUA), em Washington, que investiga o Brasil por supostas práticas desleais com base na Seção 301. Disse que a imposição de tarifas ajudaria Lula e que agora seria o "pior momento" para adotá-las. Lula, também candidato à reeleição, por sua vez, tem reforçado o discurso de defesa da soberania para questionar as tarifas que podem ser impostas ao Brasil.

Em ano eleitoral, integrantes da oposição e do governo transformam o USTR em picadeiro externo. Mas a decisão do governo Donald Trump não passa pelo que disserem Flávio ou Lula. Como já se viu, caberá à Casa Branca trumpiana, e essa decisão é ideológica.

Flávio tenta limpar a barra do irmão, Eduardo Bolsonaro, que fizera lobby, no primeiro round, a favor do tarifaço, mas que hoje adota uma lógica próxima. Move-se quase sozinho. Audiências públicas, nesse caso, são inócuas.

Quem irá decidir um eventual recuo de Donald Trump não serão atores políticos, como os pré-candidatos, nem, infelizmente, a diplomacia profissional do Itamaraty, a quem caberia exclusivamente negociar em alto nível. Será o mercado. Aliás, o único recuo do governo americano até agora ocorreu por conta da pressão das empresas, sob o risco de os produtos brasileiros ficarem mais caros e, por tabela, a inflação subir. Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens estão na lista de empresas que pediram que os Estados Unidos não implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

É possível, já que Trump só ouve seus pares do mercado. Mas é pouco provável. Se o cálculo da Casa Branca for evitar a inflação, a quatro meses da eleição em que tentará salvar a maioria republicana no Capitólio - e, por consequência, o mandato -, o presidente recua. A esta altura, acho difícil. É jogo jogado. O novo tarifaço virá. A salvação, inclusive para o Rio Grande do Sul, está nas exceções. _

Primeira mulher na presidência da ARI

Em mais de 90 anos, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), finalmente, terá uma mulher como presidente. Hoje, a jornalista Cláudia Coutinho assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. A cerimônia de posse será às 10h, no Salão Nobre da ARI, na Avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos, 2021-2023 e 2023-2026. A eleição ocorreu no dia 2 de julho, sendo escolhida em chapa única em votação.

A jornalista terá como primeiro vice-presidente o jornalista Leandro Olegário, e como segundo vice Fabio Berti. A nominata completa da nova Executiva é composta por 24 profissionais distribuídos em 12 departamentos, além da superintendente executiva Thamara da Costa Pereira e dos quatro assessores da presidência: Alexandra Zanela, Cristiane Finger, Flávio Dutra e Nilson Souza.

Cláudia é jornalista formada pela PUCRS, tem especialização em Marketing, pela PUCRS; e MBA em Gestão, Marketing e Direito no Esporte, pela Fundação Getulio Vargas e pela Fifa. Trabalhou no jornal Zero Hora e na Revista Amanhã. Atuou na Comunicação e Marketing Esportivo, na Comunicação Pública e na Comunicação Corporativa. Desde 2018, é sócia-diretora da Capítulo 1 - Conteúdo e Design Editoriais. Há seis anos integra o conselho e a diretoria executiva da ARI. _

Maduro e Macron entre os mais "estilosos"

O jornal americano The New York Times divulgou a sua tradicional lista das pessoas mais estilosas de 2026 até o momento. O grupo, formado por 39 nomes, chama a atenção por reunir políticos, como Nicolás Maduro e Emmanuel Macron; estrelas do mundo da música, como Bad Bunny, Rosalía e Blue Ivy Carter; e ícones do cinema, como Meryl Streep.

O jornal explica que a seleção "não é apenas uma apreciação de roupas realmente incríveis. É também um retrato da cultura pop, de momentos virais e de figuras que atraíram a atenção do público (e se vestiram à altura)". O periódico cita que o grupo inclui desde personalidades que inflaram discussões e discórdias até indivíduos que usaram a moda para manifestar sua identidade.

O artista mais ouvido nas plataformas em 2025, Bad Bunny, apareceu na lista por sua apresentação no Super Bowl. Segundo o jornal, "o visual todo creme de Bad Bunny sugeria uma postura altiva, uma imagem orquestrada para rebater as críticas".

No cenário político, o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro aparece pelo conjunto da Nike que utilizou no momento de sua captura. Segundo o jornal, o fato de ter se tornado "instantaneamente um meme demonstra a rapidez com que a internet transforma momentos históricos em efemeridades culturais irônicas".

Outro político lembrado é o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele integra o grupo por um detalhe singular: os óculos de sol estilo aviador espelhado que utilizou durante um discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano. O objetivo do acessório era cobrir uma inflamação ocular.

A premiada atriz Meryl Streep aparece na lista principalmente por fundir sua imagem à de sua icônica personagem Miranda Priestly durante a turnê de O Diabo Veste Prada 2. _

Candidata com tornozeleira eletrônica

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, confirmou ontem que concorrerá às eleições presidenciais da França em 2027. O anúncio ocorreu após um tribunal de apelação manter sua condenação, mas reduzir o período de inelegibilidade, abrindo caminho para a disputa. Um detalhe na sentença, contudo, chama a atenção: ela terá de cumprir parte da pena sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Le Pen é acusada de desvio de recursos públicos por utilizar fundos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido. A política foi condenada a três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos; o ano restante de prisão efetiva deverá ser cumprido em regime domiciliar com vigilância eletrônica. Ela também recebeu uma pena de 45 meses de inelegibilidade, mas com 30 meses suspensos. Na prática, restam 15 meses de restrição, o que viabiliza sua candidatura em 2027.

Sobre o uso do dispositivo de segurança, a líder francesa declarou a intenção de recorrer ao Tribunal de Cassação (equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil), recurso que, segundo ela, suspenderia a execução imediata da sanção. _

Até sábado, arrecadação de agasalhos na Capital

Até o próximo sábado, os porto- alegrenses poderão contribuir para a campanha da comunidade judaica, doando roupas, cobertores, calçados e alimentos. Os caminhões passam pelos pontos cadastrados no domingo.

Iom Mitzvah 2026 está com novo formato, com pontos de coleta espalhados pela cidade e a participação de embaixadores, que mobilizam seus condomínios, amigos, familiares e comunidades para ampliar a arrecadação. 

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 7 de julho de 2026

07 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Ressaca moral

Não me lembrava do quanto doía a queda de uma Copa. Como ocorre de quatro em quatro anos, havia esquecido. Por mais que eu não acreditasse no hexa - e o único hexa que completamos foi o consecutivo das eliminações-, por mais que estivesse vacinado pela idade, por mais que enxergasse as limitações de um plantel sem um centroavante de ofício, sem um armador incontestável, sem laterais, por mais que considerasse um fracasso anunciado, a esperança residia infantil e sorrateira no fundo de mim.

Apenas a percebi com o apito final da derrota para a Noruega, no domingo. Assistia ao jogo num bar, com amigos. Não me despedi. Fui extremamente mal-educado. Abandonei o local às pressas, com medo de chorar em público. Veio um sentimento de constrangimento atávico, selvagem, incontrolável.

Não consegui conversar com mais ninguém. Demorei a dormir, pensando em hipóteses: se Endrick tivesse começado, talvez demonstrasse mais confiança para fintar o goleiro; se Neymar tivesse entrado antes, não desperdiçaria o pênalti de Bruno Guimarães, mas o time seria mais lento; se Casemiro passasse para o lado na cara do gol, encontraria dois atacantes livres para finalizar. 

Por que não fizemos marcação alta, uma vez que os noruegueses não têm rotatividade para o contra-ataque? Não achava fundo nem forro para os questionamentos. Revisava cada lance com a lupa de uma realidade paralela. Não era possível interromper o fluxo.

Acordei com a ressaca moral, como se tivesse sofrido um acidente e não me recordasse de onde estava e do que havia acontecido. Senti falta de algo, de um sopro de vida, de uma motivação, da ternura de um otimismo inocente.

Busquei consolo e me coloquei no lugar dos tetracampeões italianos que sequer se classificaram para o Mundial, ou dos tetracampeões alemães que caíram fora nos 16 avos, só que imaginar que poderia ser pior não me confortou.

Nem me valeu o recurso de adiantar o relógio e raciocinar que 2030 é logo ali. Já estarei próximo dos sessenta, com meu filho caçula quase trintão. A espera é longa. É que fazia tempo que eu não torcia escandalosamente por meu país, vestindo a camisa amarela, procurando as cornetas e o manto no quartinho da bagunça, escrevendo "Brasil" na cabeça com o que sobrava de meus cabelos.

É muito diferente de vibrar com seu clube, suportando a tensão e se defendendo da flauta e da rivalidade. É quando todos são iguais pelo mesmo objetivo, conhecendo o esporte ou não, e não existe um melhor do que o outro. Minha mãe, que não se interessa por futebol, ralhava junto. Virou sua segunda missa. É um torneio que converte não praticantes, levando-os a adoecer de preocupação e berrar para a televisão. Minha esposa, meramente simpatizante, dava ordens aos atacantes: "Vai! Vai! Vai!".

Compreendi que não cresci para algumas coisas, como a Copa do Mundo. Há feridas ancestrais que sangram e não avisam. Não recrimino quem deixará de ver os mata-matas finais. É o equivalente a ser vizinho de uma festa animada, com som ligado no máximo. A inveja grita.

Acompanharei agora a última quinzena da competição, mas não com hipnose e comprometimento, não secando a França e a Argentina como anteriormente, não as julgando oponentes diretas para a taça. Será de sangue doce, ou, mais de acordo com o desencanto, amargo.

Eu ainda sou o menino de antigamente debaixo da feição barbada, padecendo desilusões coletivas com a gravidade de um infortúnio pessoal. Surgirão espinhas imprevisíveis.

Volto a ser aquele que decorava as bandeiras das nações participantes no álbum de figurinhas, que dizia o nome e a seleção de todos os atletas de cor, que memorizava as escalações, que aguardava a partida com uma alegria cheia de véspera, contando os minutos para explodir de pertencimento e sair um pouquinho da solidão do coração. 

CARPINEJAR

07 de Julho de 2026
NÍLSON SOUZA

Por um fio de cabelo

Sou defensor do uso da tecnologia no futebol, mesmo quando um gol é invalidado por impedimento definido pela unha do pé ou por um fio de cabelo, como já aconteceu na atual Copa do Mundo. Claro que compreendo a frustração e a indignação dos jogadores e dos torcedores das equipes sancionadas por detalhes invisíveis ao olhar humano - mas, enquanto não mudarem o regulamento, essa é a regra do jogo. 

E todos os participantes concordaram previamente com ela. Não há como ignorá-la apenas porque o gol foi bonito, porque a jogada foi espetacular ou por desconsiderar o esforço heroico de uma equipe mais fraca.

Regra é regra - o resto é jeitinho, como se viu recentemente no VAR dos penduricalhos nacionais. E jeitinho é sinônimo de desonestidade. Assim como o verbo "flexibilizar" é apenas um eufemismo para o famigerado jeitinho que, infelizmente, costuma ser associado ao adjetivo "brasileiro".

O principal argumento dos críticos da tecnologia no futebol é o da perda da essência humana e, consequentemente, da emoção. Está virando ciência exata, reclamam os saudosistas do erro de arbitragem.

Até aceito que a revisão tecnológica da decisão de campo, na maioria das vezes, lança água fria na comemoração instantânea do torcedor. Mas continuo achando que a justiça deve prevalecer sobre a paixão.

Cabe lembrar, na defesa da minha tese, que a tecnologia também se tornou decisiva em outros esportes. No vôlei, só se percebe o toque da bola no dedinho do bloqueador com a ajuda do vídeo. No tênis, só a câmera lenta ou a animação em 3D comprovam se a bolinha tocou ou não na linha demarcatória. São reconhecimentos inequívocos da superioridade tecnológica sobre os nossos sentidos - ainda que a tecnologia, até por ser uma criação humana, também esteja sujeita a falhas.

Torço para que a Copa do Mundo seja decidida por gols bonitos e inquestionáveis, que sequer precisem de revisão. Mas se o gol do título depender daquele bizarro eletrocardiograma da trajetória da bola, farei o maior esforço para aceitar o resultado - mesmo que sinta vontade de amaldiçoar a tecnologia, como é próprio de nossa natureza humana. 

NÍLSON SOUZA

07 de Julho de 2026
RESSACA DA ELIMINAÇÃO

Ressaca da eliminação

E agora? Procura-se um protagonista

Ao cair nas oitavas de final e entrar no maior período sem título mundial desde que foi campeã pela primeira vez, a Seleção busca novas referências para o ciclo da Copa de 2030. O artilheiro do time em 2026 surge como principal candidato a esse papel, mas a torcida brasileira espera que outros nomes encorpem essa lista

Rafael Diverio

Já foi o Brasil do Romário, o Brasil do Ronaldo, o do Pelé. Foi também o Brasil do Zico e, até, por que não?, o Brasil do Neymar. A Seleção que sempre teve uma referência busca um protagonista para sair da fila que completará 28 anos em 2030. O país espera que seja Vinícius Júnior.

Artilheiro do time na edição de 2026, com quatro gols, ele estará em sua terceira Copa, já consolidado no Real Madrid e com o título de melhor do mundo, entregue pela Fifa em 2024. Pode ser que consiga, até lá, arrebatar mais algum prêmio individual. No próximo Mundial, o atacante terá 29 anos e deverá seguir como principal nome da Seleção.

O próprio camisa 7, na última entrevista nos EUA, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega que eliminou o Brasil nas oitavas de final, se candidatou a ser o líder. Perguntado sobre seu papel no próximo ciclo, respondeu de uma forma tão genérica que mostra que a liderança, ao menos por ora, não é uma de suas maiores virtudes:

- Meu papel é o de sempre, estar pronto para representar meu país.

A declaração refletiu o tom da sexta eliminação seguida da Seleção para europeus em Mundiais. Que não foi nem surpresa, sem aquele clima de terra arrasada de 2018 e 2022 (sem contar, óbvio, o 7 a 1 de 2014).

Além de Vini Jr., o Brasil também apostou em Raphinha. Mas o craque do Barcelona não repete com a camisa da Seleção o sucesso que faz na Catalunha. E na próxima Copa terá 33 anos. Os demais jogadores da safra não chegam a ser referências.

- Temos bons jogadores jovens e alguns veteranos que podem ajudar no ciclo - disse Ancelotti.

Assim, a aposta de protagonismo recai sobre Estevão. Terá 23 anos na próxima Copa. Só não foi titular nessa edição porque teve lesão muscular que impossibilitou sua convocação. Figura importante no Chelsea, pode crescer e se consolidar no ciclo de Ancelotti. O guri revelado pelo Palmeiras fechou 2025 com cinco gols com a Seleção - foi o artilheiro no início do trabalho do treinador italiano.

Os demais jovens são Rayan, João Pedro e Endrick. Eles têm quatro anos para se consolidar. E enfrentar a França de Mbappé, a Espanha de Lamine Yamal. Os dois serão as grandes referências após o fim da Argentina de Messi e Portugal de Cristiano Ronaldo.

Tranquilidade x pressão

O novo ciclo de Copa começa, de fato, nas datas-Fifa de 25 e 29 de setembro, quando a Seleção fará dois jogos contra a Austrália, um em Townsville, outro em Brisbane. Ancelotti, enfim, poderá iniciar e encaminhar um projeto seu com a calma que tanto marca sua personalidade.

- Uma derrota pode ser o começo de uma nova aventura, de uma nova temporada. Temos de seguir trabalhando, melhorando e encontrando novas ideias. Não é o fim. É o princípio de um novo ciclo - disse o técnico italiano.

O treinador não perdeu a serenidade após a eliminação no MetLife Stadium, no domingo. A Seleção aposta nesse jeito dele para ter a clareza que faltou desde a queda para a Croácia em 2022, com quatro treinadores se revezando no comando após a saída de Tite.

- Precisamos ter um ciclo dentro de uma normalidade, com mais calma. O trabalho vai seguir até a Copa de 2030 e com os ajustes necessários. Espero que tenhamos o mínimo de tranquilidade para preparar a próxima Copa - disse um abatido Rodrigo Caetano, diretor de seleções masculinas da CBF.

Mas tranquilidade, sabemos, não é garantia alguma no futebol brasileiro. A pressão é enorme. É tempo demais sem ser campeão. _

Quem perde e quem ganha espaço no ciclo da Copa de 2030

Rodrigo Oliveira

Após a eliminação do Brasil nas oitavas de final, o técnico Carlo Ancelotti já projeta o ciclo da Copa do Mundo de 2030. Parte do grupo de 2026, por conta da idade, se despedirá da Seleção, como o goleiro Alisson, o zagueiro Marquinhos, os laterais Danilo e Douglas Santos, o volante Casemiro e o atacante Neymar. Outros atletas saíram fortalecidos, apesar da derrota para a Noruega, e devem liderar o processo de transição.

São os casos, por exemplo, do zagueiro Gabriel Magalhães e do volante Bruno Guimarães, que terão 32 anos no próximo Mundial, e principalmente, Vinícius Júnior (leia na página 18).

Já os meia-atacantes Matheus Cunha e Raphinha terão, respectivamente, 31 e 33 anos em 2030 e dependerão do desempenho ao longo do ciclo para seguirem na Seleção. Vale o mesmo para os atacantes Gabriel Martinelli e Igor Thiago, que têm hoje 25 anos e não são titulares afirmados da equipe de Ancelotti.

O italiano terá no próximo ciclo cinco atletas que disputariam a titularidade em 2026, mas ficaram fora da Copa por lesão: o zagueiro Eder Militão, 28 anos, os laterais Wesley, 22, e Vanderson, 25, e os atacantes Estêvão, 19, e Rodrygo, 25. Já o volante Danilo Santos, que foi coadjuvante nesta Copa, tem 25 anos e potencial para virar protagonista do meio-campo na próxima.

Alternativas

Credenciam-se ainda o volante Andrey Santos, 22 anos, e o centroavante João Pedro, 24 anos, ambos do Chelsea, que estavam cotados para o Mundial 2026, mas foram deixados fora da lista de convocados na última hora pelo italiano.

Por fim, há ainda jogadores que foram chamados por Ancelotti na reta final do ciclo e têm idade para jogar a próxima Copa, como o zagueiro Vitor Reis, 20 anos, do Girona - mas que pertence ao Manchester City -, e os atacantes Savinho, 22, do Manchester City, e Vitor Roque, 21, do Palmeiras, entre outros.

E, claro, os novos talentos que ainda não foram chamados por Ancelotti ou que ainda não despontaram. Talentos que o futebol brasileiro precisa (mais do que nunca) formar. _

Despedem-se da Seleção

Alisson, 33 anos (goleiro do Liverpool)

Ederson, 32 anos (goleiro do Fenerbahçe)

Weverton, 38 anos (goleiro do Grêmio)

Marquinhos, 32 anos (zagueiro do Paris Saint-Germain)

Leo Pereira, 30 anos (zagueiro do Flamengo)

Danilo, 34 anos (lateral-direito/zagueiro do Flamengo)

Douglas Santos, 32 anos (lateral do Zenit)

Alex Sandro, 35 anos (lateral-esquerdo do Flamengo)

Casemiro, 34 anos (volante do Inter Miami)

Fabinho, 32 anos (volante do Al-Ittihad)

Neymar, 34 anos (atacante do Santos)

Líderes para o próximo ciclo

Gabriel Magalhães, 28 anos (zagueiro do Arsenal)

Bruno Guimarães, 28 anos (volante do Newcastle)

Vinícius Júnior, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Saem em alta e podem ganhar protagonismo

Danilo Santos, 25 anos (volante do Botafogo)

Endrick, 19 anos (atacante do Real Madrid)

Rayan, 19 anos (atacante do Bournemouth)

Têm idade para jogar mais uma Copa, mas dependerão do rendimento no ciclo

Bremer, 29 anos (zagueiro da Juventus)

Ibañez, 27 anos (zagueiro do Al-Ahli)

Éderson, 27 anos (volante da Atalanta)

Lucas Paquetá, 28 anos (meia do Flamengo)

Luiz Henrique, 25 anos (atacante do Zenit)

Raphinha, 29 anos (meia-atacante do Barcelona)

Matheus Cunha, 27 anos (meia-atacante do Manchester United)

Gabriel Martinelli, 25 anos (atacante do Arsenal)

Igor Thiago, 25 anos (atacante do Brentford)

Ficaram de fora da Copa de 2026 por lesão e estarão no próximo ciclo

Eder Militão, 28 anos (zagueiro do Real Madrid)

Wesley, 22 anos (lateral da Roma)

Vanderson, 25 anos (lateral do Monaco)

Rodrygo, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Estêvão, 19 anos (atacante do Chelsea)

Preteridos de 2026 que podem ganhar novas chances

Andrey Santos, 22 anos (volante do Chelsea)

João Pedro, 24 anos (atacante do Chelsea)

Vitor Reis, 20 anos (zagueiro do Girona)

Beraldo, 22 (zagueiro do PSG)

Murillo, 24 anos (zagueiro do Nottingham Forest)

Kaiki Bruno, 23 anos (lateral do Como)

André, 24 anos (volante do Wolverhampton)

João Gomes, 25 anos (volante do Wolverhampton)

Savinho, 22 anos (atacante do Manchester City)

Vitor Roque, 21 anos (atacante do Palmeiras)