quarta-feira, 20 de maio de 2026

 Projeto bilionário de data center no RS sofre revés na Aneel

Resolução da agência cobra apresentação de garantias do empreendimento para sua conexão na rede

Resolução da agência cobra apresentação de garantias do empreendimento para sua conexão na rede

ANEEL/Divulgação/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterA construção de um campus de data centers na cidade de Eldorado do Sul, iniciativa liderada pela empresa Scala Data Centers, prevê já na sua primeira fase um aporte de cerca de R$ 3 bilhões. No entanto, para empreendimentos dessa natureza saírem do papel é necessária a disponibilidade de um enorme volume de energia e uma decisão tomada nesta terça-feira (19) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tornou mais complexo e, possivelmente, mais oneroso o prosseguimento do projeto no Rio Grande do Sul.
O órgão regulador indeferiu os pedidos de medida cautelar da Scala que solicitavam a suspensão da aplicabilidade do artigo 4º da Resolução Normativa Aneel nº 1.122/2025 para a unidade da empresa em Eldorado do Sul (chamada de Scala Al City) e também para outro complexo semelhante que a companhia pretende desenvolver em Jundiaí (SP). A norma em questão prevê que o Operador Nacional do Sistema (ONS) Elétrico deve aplicar requisitos referentes à apresentação de garantias para solicitação de acesso à Rede Básica do Sistema de Transmissão.
A advogada Ana Carolina Calil, que representou a Scala Data Centers na manifestação da empresa durante reunião da diretoria da Aneel, detalha que com a regra, na prática, passou-se a exigir da companhia garantias na ordem de R$ 50 milhões para o campus Jundiaí e de R$ 77 milhões para o empreendimento em Eldorado do Sul, como condição para firmar os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUSTs). Ana adverte que a contratação dessas garantias apresenta desafios para os projetos.
Ela alertou também que, com a cautelar não sendo deferida, a Scala poderá perder o direito de celebrar os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão e a prioridade associada às margens de potência (capacidade disponível nas redes de transmissão de energia) avaliadas pelo ONS.  De acordo com a advogada, quando o mérito da questão vier a ser apreciado, a posição regulatória construída em quase dois anos (de desenvolvimento do projeto) poderá já não existir. “O risco aqui é concreto, imediato e de difícil reversão”, enfatiza.
A companhia, ressalta Ana, iniciou os processos de acesso à rede básica em setembro de 2024, ou seja, antes da Resolução Normativa Aneel nº 1.122/2025 e da instituição da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast). Ela frisa ainda que foram observadas as etapas regulatórias aplicáveis e se obteve as portarias ministeriais de reconhecimento da viabilidade dos acessos, assim como se avançou nos procedimentos dentro do ONS.
“No curso desse processo, contudo, houve uma alteração regulatória de grande impacto, aplicada de forma imediata e sem regra de transição para agentes que já possuíam procedimentos em andamento”, ressalta a advogada. Ela sustenta que não se trata de projetos especulativos, mas sim de complexos de infraestrutura de grande porte, com implantação gradual, investimentos escalonados e de maturação de longo prazo.
Por sua vez, a diretora da Aneel Agnes Maria de Aragão da Costa, em seu voto indeferindo o pedido de medida cautelar da Scala, argumentou que o início da discussão de provimento de garantias financeiras no âmbito do processo de acesso à Rede Básica remete ao marco da Consulta Pública nº 23 de 2024, iniciada em 2 de outubro daquele ano. Com isso, a referência é anterior à portaria do Ministério de Minas e Energia (SNTEP/MME nº 2.942) do ano passado, que possibilitaria ao projeto da Scala em Eldorado do Sul conectar-se com as subestações de energia Guaíba 3 e Nova Santa Rita, e aos pareceres de acesso dados pelo ONS.
Já o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, recorda que essa não é a primeira discussão envolvendo empreendedores que possuem um parecer de acesso à rede, mas que não têm um contrato assinado. “Portanto, não há nenhum compromisso jurídico firmado com a Aneel e com o setor, vamos dizer assim”, assinala Feitosa.
Ele explica que o CUST assinado é um compromisso para o pagamento dos custos com o acesso e também para o uso do sistema de transmissão. “Nesse caso específico (da Scala), nós temos apenas pareceres de acesso”, reitera o diretor-geral da Aneel. Dentro desse contexto, ele salienta que não há um compromisso firmado do pagamento do uso da rede.

Empreendedor esperava mais celeridade na questão da conexão

Uma solenidade no Palácio Piratini em 11 de setembro de 2024, com a presença do governador Eduardo Leite, formalizou a assinatura do protocolo de intenções entre governo do Estado e a Scala Data Centers para que a empresa desse sequência à sua meta de implantar um complexo de data centers em Eldorado do Sul. Na ocasião, o CEO da companhia, Marcos Peigo, calculava que a partir do licenciamento ambiental e da autorização da conexão na rede elétrica, o que ele estimava ser possível resolver em seis a nove meses, começariam as obras de construção e seriam necessários mais 12 a 18 meses para que a primeira etapa do projeto fosse concluída.
A unidade de medida do porte dos data centers são as suas demandas de energia, no caso estipuladas em Megawatts (MW). Na ocasião do protocolo de intenções, foi informado que a primeira fase do projeto gaúcho previa o funcionamento de uma planta de 54 MW e que o complexo seria voltado para atuar nos segmentos de nuvem e Inteligência Artificial.
Futuramente, em um espaço de 10 a 20 anos, há a expectativa de que esse complexo de data centers possa atingir o tamanho de 4,75 mil MW (suficiente para atender a toda atual demanda média de energia do Rio Grande do Sul), o que implicaria um investimento estimado pelo empreendedor em cerca de R$ 500 bilhões.
Contudo, para ir adiante, o projeto precisa solucionar a questão de acesso à energia, que está em debate na Aneel. Já quanto às licenças ambientais, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) informa que, até o momento, não há processo de licenciamento formalizado referente ao empreendimento de data centers da Scala, em Eldorado do Sul.
Segundo o órgão ambiental, foi realizado um pedido inicial junto à fundação, porém o processo ainda não foi gerado, pois a documentação técnica necessária não foi concluída e apresentada pelo empreendedor. Ainda conforme a Fepam, a abertura efetiva do processo ocorre somente após o encaminhamento completo da documentação exigida para análise técnica.

Reajuste de 5,35% do salário-mínimo gaúcho é aprovado na Assembleia

Projeto recebeu 41 votos favoráveis e 2 contrários

Projeto recebeu 41 votos favoráveis e 2 contrários

Raul Pereira/ALRS/Divulgação/JC

Bolívar Cavalar
Bolívar CavalarRepórterApós uma confusão na Assembleia Legislativa gaúcha que levou à derrubada do quórum da sessão ordinária, os deputados estaduais abriram extraordinária e aprovaram nesta terça-feira (19) a proposta do governo do Rio Grande do Sul de reajuste de 5,35% do piso regional do Estado. O projeto recebeu 41 votos favoráveis e 2 contrários e segue para a sanção do governador Eduardo Leite (PSD).
• LEIA TAMBÉM: Deputados firmam acordo para votar reajuste do salário-mínimo gaúcho na próxima semana

A matéria divide o salário-mínimo em cinco faixas de categorias de trabalho. A primeira, mais baixa, será reajustada dos atuais R$ 1.789,04 para R$ 1.884,75. Já a última, mais alta, vai de R$ 2.267,21 para R$ 2.388,50. Conforme o texto, a legislação entra em vigor na data de sua publicação.

Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, o cálculo adotado pelo Piratini para chegar ao índice de 5,35% foi o mesmo que o governo federal utiliza no reajuste anual do salário-mínimo nacional. A metodologia é baseada na inflação (INPC) acumulada em 12 meses até abril com acréscimo da variação do PIB gaúcho consolidado de 2023, que cresceu 1,3% naquele ano.

A bancada de oposição à esquerda do governo, porém, contestou a afirmação de Ranolfo de que a metodologia seja a mesma que é utilizada pela gestão federal do presidente Lula (PT). Na avaliação destes parlamentares, o Executivo deveria ter como base o crescimento do PIB gaúcho de 2024 (4,9%) ao invés do de 2023 (1,3%), somado ao INPC dos últimos 12 meses até abril.

Diante disso, a bancada protocolou uma emenda que mudava o cálculo do reajuste, estabelecendo aumento de 9,21% no salário-mínimo gaúcho.
Outra emenda protocolada garantia a retroatividade do reajuste em 1º de maio. Apesar disso, o secretário-chefe da Casa Civil já confirmou que, em caso de publicação do texto neste mês de maio, o aumento do piso já será retroativo ao primeiro dia do mês. O líder da oposição na Assembleia, deputado Miguel Rossetto (PT), afirmou que a emenda propunha assegurar esta retroatividade. 
"Nós gostaríamos de ter uma definição mais clara na lei, por isso a emenda. Muitos têm esta mesma compreensão (da Casa Civil), mas nós gostaríamos deixar mais claro", argumentou o parlamentar.
Apesar das tentativas dos deputados de esquerda, nenhuma emenda foi apreciada, em razão da aprovação de um requerimento de preferência para votação do texto original do Executivo.A sessão desta terça começou com uma confusão que levou à derrubada do quórum da ordinária em razão de apenas 25 parlamentares terem registrado presença, sendo que é necessário o comparecimento mínimo de 28 deputados para abertura da ordem do dia das votações. Alguns deputados alegaram ter registrado presença, mas seus nomes não foram confirmados no painel do plenário. Com isso, os líderes de bancadas firmaram acordo para abrir sessão extraordinária que apreciou apenas a matéria de reajuste do piso.

Votaram contra o reajuste os deputados Felipe Camozzato (Novo) e Guilherme Pasin (PP).

Confira salários-mínimos do projeto em cada uma das cinco faixas:

Faixa 1: R$ 1.884,75

na agricultura e na pecuária;
nas indústrias extrativas;
em empresas de capturação do pescado (pesqueira);
empregados domésticos;
em turismo e hospitalidade;
nas indústrias da construção civil;
nas indústrias de instrumentos musicais e de brinquedos;
em estabelecimentos hípicos;
empregados motociclistas no transporte de documentos e de pequenos volumes - "motoboy";
empregados em garagens e estacionamentos.
Faixa 2: R$ 1.928,15

nas indústrias do vestuário e do calçado;
nas indústrias de fiação e de tecelagem;
nas indústrias de artefatos de couro;
nas indústrias do papel, papelão e cortiça;
em empresas distribuidoras e vendedoras de jornais e revistas e empregados em bancas, vendedores ambulantes de jornais e revistas;
empregados da administração das empresas proprietárias de jornais e revistas;
empregados em estabelecimentos de serviços de saúde;
empregados em serviços de asseio, conservação e limpeza;
nas empresas de telecomunicações, teleoperador (call centers), telemarketing, call centers, operadores de voip (voz sobre identificação e protocolo), TV a cabo e similares;
empregados em hotéis, restaurantes, bares e similares.
Faixa 3: R$ 1.971,89

nas indústrias do mobiliário;
nas indústrias químicas e farmacêuticas;
nas indústrias cinematográficas;
nas indústrias da alimentação;
empregados no comércio em geral;
empregados de agentes autônomos do comércio;
empregados em exibidoras e distribuidoras cinematográficas;
movimentadores de mercadorias em geral;
no comércio armazenador;
auxiliares de administração de armazéns gerais.
Faixa 4: R$ 2.049,76

nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico;
nas indústrias gráficas;
nas indústrias de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louça e porcelana;
nas indústrias de artefatos de borracha;
em empresas de seguros privados e capitalização e de agentes autônomos de seguros privados e de crédito;
em edifícios e condomínios residenciais, comerciais e similares;
nas indústrias de joalheria e lapidação de pedras preciosas;
auxiliares em administração escolar (empregados de estabelecimentos de ensino);
empregados em entidades culturais, recreativas, de assistência social, de orientação e formação profissional;
marinheiros fluviais de convés, marinheiros fluviais de máquinas, cozinheiros fluviais, taifeiros fluviais, empregados em escritórios de agências de navegação, empregados em terminais de contêineres e mestres e encarregados em estaleiros;
vigilantes;
marítimos do primeiro grupo de aquaviários que laboram nas seções de convés, máquinas, câmara e saúde, em todos os níveis (I, II, III, IV, V, VI, VII e superiores).
Faixa 5: R$ 2.388,50

Para os trabalhadores técnicos de nível médio, tanto em cursos integrados, quanto subsequentes ou concomitantes.

Varejo Experience dá exemplos de como inovar nas lojas e dá largada na FBV 2026

Loja Tela, no Praia de Belas, é modelo inovador para venda de marcas autorais

Loja Tela, no Praia de Belas, é modelo inovador para venda de marcas autorais

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloQual é o melhor jeito de captar inovações para quem lida com consumidores? A resposta é entrar e sair de operações físicas, de preferência de diferentes segmentos de comércio e serviços. Esta é a lição número 1 do Varejo Experience, que teve a primeira rodada nesta terça-feira (19), num esquenta da Feira Brasileira do Varejo (FBV), que começa nesta quarta-feira (20) no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.
Na 12ª edição, a FBV, que vai até sexta-feira (22), terá outros giros como o desta terça-feira, atraindo varejistas da Capital, do interior e outras regiões do Brasil. Os organizadores da feira, SindilojasPOA e Sebrae-RS, esperam mais de 12 mil visitantes no evento, que vai combinar palcos temáticos, com mais de 160 conferencistas, entre nomes nacionais e internacionais, soluções práticas para empreendedores, rodadas de negócios para compra e venda e exposição de marcas.
O Varejo Experience da estreia percorreu cinco estabelecimentos: Loja Tela (marcas autorais e modelo inédito no País), Casa de Alessa (mobiliário brasileiro com design), Eat Kitchen (restaurante), Farmatec (farmácia de manipulação) e Stilo Elevato (materiais de construção). "É totalmente diferente (roteiro e perfil de operações) da área em que atuo. Cada ambiente nos traz sugestões de funcionamento e de melhorias", comenta Tatiana Seger, dona da Investte Uniformes e EPIs. Sobre o efeito das visitas? "Já estou com várias ideias de mudanças", adianta Tatiana.   
"Para o varejo, é importante visitar a Tela para conhecer novos processos de criação para espaços de ativações, além de homenagear as marcas gaúchas", valoriza Tati Alves, diretora da Compassing e curadora da loja, que foi criada pelo Sebrae-RS e fica no Praia de Belas Shopping. "É um laboratório de experiências para pequenos empreendedores, que podem estar no varejo de forma segura, orientada e em um grande shopping", lista Diego Rassier, gerente de marketing do Praia. "É um jeito de a gente respirar uma novidade, já que não é uma loja tradicional", opina Márcia Galli, uma das donas da La Tienda, que atua com moda.
Na Casa de Alessa, o grupo teve uma aula entre mudança de modelo de negócio, como atuar em nicho, "Quase quebramos. Quando a gente se assusta assim, ou se fecha ou muda o negócio", contou uma das sócias, Claudete Tavares. A loja abriu em março a nova operação, na esquina da avenida Carlos Gomes com a rua Anita Garibaldi, erguida sob medida para abrigar a diversidade de peças e combinações. Claudete destacou a curadoria, buscando produtos autorais e exclusivos, destacou que show room é espaço para ter os itens mais valiosos e citou a parceria com a Livraria Paisagem, que levou publicações edições importadas sobre arte, design, moda e fotografia para dentro dos três pisos da Casa de Alessa.
Nico Ventre, um dos três irmãos que fundaram o Eat, destacou a evolução da marca, hoje com quatro unidades, três em Porto Alegre e uma, a mais recente, aberta em janeiro, em Jurerê Internacional, em Florianópolis. "A gente está aos poucos querendo aumentar o alcance, mas focado em gestão consciente e de forma estruturada", sinalizou o empreendedor, que indicou o que mais buscam: "Melhorar a qualidade de vida das pessoas, com comida de verdade, e ótimo atendimento e fomentando bons hábitos", alinhou Ventre.
"A Farmatec é uma farmácia de manipulação, mas que foca muito em inovação, tanto científica como em tecnologia, como uso da IA para tornar nosso trabalho extremamente seguro e com alta performance", descreve a fundadora, Christine Prato. Ao mostrar toda a estrutura, entre show room e retaguarda de e-commerce, logística e laboratórios, Christine apontou o desafio de gerir estoques de 5 mil insumos e onde é o lugar da Farmatec. "Personalização é o mercado da farmácia de manipulação", aposta ela.
Na Stilo Elevato, flagship da rede de varejo de materiais de construção, conhecimento de produto e aplicações e relacionamento com clientes foram ressaltados como trunfos para o grupo do Varejo Experience. A marca, com mais de 20 lojas e que acaba de comprar pontos de uma rede de Santa Catarina, une equipes especializadas em materiais e soluções e foca na abordagem e atendimento de demandas como valores. Mais de 80% dos consumidores são de profissionais, entre arquitetos, decorados e construtores.  

A Feira

> Quando: 20, 21 e 22 de maio
> Onde: Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre
> Ingressos: R$ 399,00 diário e R$ 899,00 para três dias (feira e congresso)
> Inscrições e programação: feirabrasileiradovarejo.com.br
> Atrações: Loja Tendência (aplicações de inovações e uso de tecnologias), rodadas de negócios (compradores e vendedores) e palcos Negócios, MKT e Vendas, Mão na Massa e Pequenos Gigantes.