terça-feira, 5 de maio de 2026

Com campanha, medalha e projeto de ensino, Fiergs inicia agenda do Mês da Indústria

 Presidente do Conselho de Administração do Grupo Panvel, Julio Mottin, recebeu reconhecimento pela atuação empresarial

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Panvel, Julio Mottin, recebeu reconhecimento pela atuação empresarial

Dani Barcellos/JC

Cássio Fonseca
Cássio FonsecaRepórterDando a largada nas atividades que marcam a celebração do Mês da Indústria, o Sistema Fiergs reuniu convidados em sua sede nesta terça-feira (5). Na pauta, a entrega da medalha da Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao presidente do Conselho de Administração do Grupo Panvel, Julio Mottin, reconhecido como personalidade importante para o desenvolvimento econômico do País pelo Laboratório Lifar, que supre a rede de farmácias e outros clientes.

Além disso, o lançamento de uma campanha institucional “A Indústria é Tri”, voltada ao fortalecimento da imagem da indústria gaúcha como geradora de desenvolvimento e prosperidade que impactam a vida da população. E também um projeto de educação do Sesi-RS voltado à formação de mão de obra.

O presidente do Sistema Fiergs, Cláudio Bier, celebrou a data e salientou a premiação a Mottin. “Foi um homem que começou com a barriga no balcão e fez seus negócios crescerem. Hoje ele está sendo homenageado aqui não por ser comerciante, mas pelo trabalho industrial, por ser um dos fundadores e diretores do laboratório farmacêutico”, afirma.

Já Mottin agradeceu a distinção e reforçou a importância de investir na indústria gaúcha. “Estamos com nosso laboratório, que hoje já é um dos maiores de cosmético do Rio Grande do Sul e faz toda a marca própria da Panvel”, apontou o empresário, que se diz bodegueiro de origem, mas que também se tornou industrialista.

Conforme Mottin, a Lifar fatura cerca de R$ 600 milhões por ano. Ele reforçou o sentimento de orgulho no trabalho com 12 mil funcionários no Grupo Panvel, e completou reafirmando a crença de que os avanços da medicina e dos remédios acessíveis à população são os principais fatores para que as pessoas vivam mais.

“Eu por exemplo fiz 80 anos há pouco tempo e me sinto um guri. E estou aqui todo ao lado do presidente Bier, e estamos os dois super bem”, brincou Mottin.

Sobre o ensino, o Sesi-RS entrevistou 1,5 mil jovens estudantes de instituições públicas de ensino e relatou que há, hoje, um temor diante do mercado de trabalho. A gerente de educação da entidade, Sônia Bier, destaca a necessidade de valorizar o aprendizado e o conhecimento técnico, e que há sim interesse dos jovens no trabalho industrial, mas que eles relatam não saber a fundo como ela funciona, e que é preciso, portanto, aprimorar a comunicação.

“Não falta vontade para trabalhar. Falta conexão com as escolas e oportunidades para que esse cruzamento seja feito”, afirma. Ela completa que é preciso levar a indústria às escolas. “Precisamos estar dentro para conseguir identificar e manter esses talentos”.

Na prática, o programa irá reunir 10 clubes de robótica com 1,8 mil alunos contemplados e 180 professores formados, com duração de maio a setembro, antes da disputa de torneios regionais. O intuito é aproximar os jovens e ensinar também aos professores o trabalho com uma tecnologia avançada para que, depois, eles repassem esse conhecimento em sala de aula.

Sobre a campanha “A Indústria é Tri”, a Fiergs reforça que a ideia do jargão é reafirmar a importância do setor através de uma expressão popular dos gaúchos e que ela será reforçada e veiculada ao longo do mês de maio.

Município do Sul do Estado será plataforma para exportação de bois vivos

Fazenda chegará à capacidade de 110 mil animais confinados por ano

Fazenda chegará à capacidade de 110 mil animais confinados por ano

Grupo Sentinela/Divulgação/JC

Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterO município de Cerrito, na região Sul do Estado, com aproximadamente seis mil habitantes, que não registrou exportações nos últimos anos, está prestes a entrar no cenário das negociações de gado com o Exterior. O grupo Sentinela European Breeds já teve o licenciamento garantido pela Fepam e agora aguarda a visita dos agentes do Ministério da Agricultura e Pecuária para dar início à operação de confinamento e exportação de bois vivos a partir de uma nova propriedade, às margens da BR-293, em Cerrito.
A empresa investe até R$ 27 milhões no projeto que, neste primeiro momento, terá capacidade para receber até quatro mil cabeças de bovinos a cada ciclo de 60 dias. A intenção da Sentinela é avançar a capacidade operacional da unidade gradualmente. Na segunda fase, prevista já para o final de maio, serão 10 mil animais por ciclo, na terceira, no final de agosto, 16 mil animais, e a última fase prevista para o primeiro bimestre de 2027, 22 mil animais por ciclo. Ao todo, em seu pico de produção a Fazenda Sentinela terá operação com 110 mil animais por ano.
O destino do gado finalizado nesta propriedade é, prioritariamente, a venda externa de bois vivos, que tem em mercados como o da Turquia alta remuneração neste momento de alta das proteínas animais no mundo. Mas a empresa aponta que também já negocia com frigoríficos do Sul do Estado para também negociar bovinos ao abate.
O grupo já opera na região, na Fazenda Astúrias, que presta serviços para a Sentinela em Capão do Leão. Não à toa, o município, no primeiro trimestre do ano, foi o 12º que mais exportou no Rio Grande do Sul. De acordo com o Grupo Sentinela, a intenção é manter as duas fazendas de confinamento em operação. Em Capão do Leão, também às margens da BR-293, a capacidade atual é de 48 mil cabeças de gado confinadas por ano.
Na nova área, com 157,8 hectares, dos quais 45 destinados ao confinamento, a empresa aposta em uma ampla estrutura voltada à sustentabilidade ambiental e financeira da propriedade. Serão seis lagoas de tratamento de resíduos com 11,6 mil metros quadrados.
Haverá geração de energia a partir de biodigestor, movimentado pelos resíduos do gado, que também vão gerar o fertilizante a ser usado na pastagem da propriedade. Uma usina fotovoltaica também está sendo projetada para o local.
O sistema hidráulico essencial para a hidratação dos animais será movido 100% por energia sustentável e diferença de queda d’água. A energia solar será usada para levar a água até o ponto mais alto da fazenda, onde a distribuição acontecerá por gravidade. Serão quatro mil metros de canos distribuídos entre os módulos onde ficarão os animais.
FICHA TECNICA
Investimento: R$ 27 milhões
Estágio: Em execução até 2027
Empresa: Sentinela European Breeds
Cidade: Cerrito
Área: Varejo/Serviços

Após obras, Melo afirma que Porto Alegre está mais segura para enfrentar as chuvas

Prefeito afirma que cidade está muito mais protegida e destaca a realização de obras emergenciais

Prefeito afirma que cidade está muito mais protegida e destaca a realização de obras emergenciais

TÂNIA MEINERZ/JC

Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórterApós a tragédia climática de maio de 2024, que deixou Porto Alegre isolada do restante do Estado, o prefeito Sebastião Melo afirmou que a cidade está mais segura para enfrentar as chuvas que vão chegar este ano. "A cidade está muito mais protegida e as obras imediatas que estamos fazendo de emergência tornam Porto Alegre mais segura", ressalta. Segundo Melo, a operação Tripartite, que envolve os governos federal, estadual e municipal, opera com R$ 6 bilhões em recursos, destinados para a drenagem urbana e a proteção de cheias.
A cidade de mais de 1,3 milhão de habitantes terá duas obras emergenciais para contenção de cheias nas Zonas Norte e Sul. Com um investimento previsto de R$ 30 milhões, os trabalhos na região do Aeroporto Internacional Salgado Filho serão realizados ainda este ano. A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2026. Na Zona Sul, o projeto consiste na instalação de uma proteção móvel com cerca de 300 metros de extensão, preenchida com areia na região do Arroio Guarujá - o custo está estimado em R$ 540 mil.
Segundo o prefeito, estão previstos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e do Fundo de Reconstrução para a realização de obras. "Esse esforço tripartite das três esferas de governo faz com que Porto Alegre tenha um conjunto de investimentos que nunca teve nesta área ao longo da sua história", comenta.
As obras e os investimentos no sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre foram apresentados no final do mês de abril pelo prefeito Sebastião Melo, no Centro de Monitoramento e Contingência Climática. 
Cerca de R$ 2,3 bilhões serão destinados à proteção contra cheias e drenagem urbana, provenientes de recursos próprios, financiamentos nacionais e internacionais e repasses de fundos criados após a enchente. Desse total:
  • R$ 1,1 bilhão será destinado à ampliação e construção de novas casas de bombas;
  • R$ 600 milhões à qualificação de arroios e galerias;
  • R$ 624 milhões serão aplicados em melhorias nas estruturas de proteção contra cheias.
"Vamos entregar uma cidade mais segura e melhor para todos os porto-alegrenses", acrescenta Melo.
No detalhamento das obras e investimentos no sistema de proteção de Porto Alegre, o prefeito destacou as ações do Município para reforçar a segurança contra cheias após os eventos climáticos de 2024. "São obras complexas em áreas urbanas consolidadas. E por tudo isso queremos a colaboração do Exército em contratos emergenciais para acelerar as intervenções", comenta. Além disso, o prefeito aborda o combate ao retorno irregular de famílias a áreas de risco e defende a necessidade de adaptação da cidade ao "novo normal" em razão do clima por meio de planejamento técnico rigoroso.
Melo defende que a prefeitura prioriza a proteção de todas as regiões da cidade, do Extremo Sul ao Norte. "Toda a cidade requer atenção. A Zona Norte, o Centro Histórico, o 4º Distrito, o Humaitá, o Guarujá, a Ponta Grossa e o Lami. Ou seja, toda a cidade. O prefeito tem que olhar para os 93 bairros de Porto Alegre e olhar para proteção de cheia em toda a cidade", acrescenta.
Recursos no valor de R$ 6 bilhões estão focados na recuperação de diques, casas de bomba e dragagem de arroios | EVANDRO OLIVEIRA/ARQUIVO/JC
Recursos no valor de R$ 6 bilhões estão focados na recuperação de diques, casas de bomba e dragagem de arroiosEVANDRO OLIVEIRA/ARQUIVO/JC
Dmae propõe solução imediata para pôlderes 7 e 8 na Zona Norte
Com a proposta de reformular o sistema de proteção contra enchentes na região da Zona Norte, o Dmae propõe a realização imediata de obras nos pôlderes 7 e 8, localizados na Zona Norte. A região - planejada como uma área alagável na concepção original do sistema, na década de 1960 - foi um dos pontos de fragilidade em relação ao Rio Gravataí durante a enchente de 2024. O investimento na solução está avaliado em R$ 30 milhões. O diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone destaca que a discussão sobre a proteção dos pôlderes 7 e 8 está em andamento, desde a década passada, no âmbito estadual - tendo em vista que a região integra, também, a proteção de cidades da Região Metropolitana, vizinhas a Porto Alegre. O departamento estuda o assunto desde 2024, com o objetivo de acelerar as ações necessárias na Capital.
A solução imediata tem como primeiro passo o fechamento das galerias que levam a água da chuva da bacia do Arroio Areia ao Rio Gravataí. A ideia é construir um dique, com 100 metros de extensão, para repetir este feito no Arroio Passo das Pedras. O volume dos cursos d’água será retido na área alagável e retirado, por meio de bombas flutuantes, em direção ao rio. "As estruturas serão executadas nos próximos meses. Elas serão aproveitadas no decorrer das obras definitivas, que ainda dependem do consenso entre as gestões municipal, estadual e federal. Desta forma, garantiremos a proteção integral da região - que inclui, entre outras estruturas, o Aeroporto Salgado Filho", comenta Perrone.
O projeto apresentado pelo Dmae para os pôlderes 7 e 8 inclui a construção de uma bacia de amortecimento permanente, para a retenção da água da chuva que escoa nos arroios Areia e Passo das Pedras. Duas novas casas de bombas serão responsáveis por retirar a água da estrutura em direção ao rio. Não haverá necessidade de acolhimento imediato das famílias que vivem na área. 
Sistema de Proteção - Pôlderes 7 e 8 - proposta do Dmae
Arroio Areia
Fechamento das galerias que levam a água da chuva para o Rio Gravataí. Volume é represado na área alagável.
Arroio Passo das Pedras
Construção de dique, com 100 metros. de extensão, entre o curso d’água e o Rio Gravataí.
Bombeamento
Bombas submersíveis retiram a água da área alagável para fora do dique, em direção ao Rio Gravataí.
Bacia de amortecimento
Estrutura permanente é criada para reter a água da chuva acumulada nas bacias dos arroios. Drenagem Urbana
Duas novas casas de bombas retiram a água acumulada na bacia de amortecimento em direção ao Rio Gravataí.

Sistema de Proteção até maio de 2024
- Diques: 43 quilômetros: 23 externos e 20 internos
Comportas: 14 passagens
Casas de bombas (drenagem urbana): 23 Estações de Bombeamento de Águas Pluviais
Obras de bacias com impacto na Capital
Bacia Arroio Feijó - R$ 2,5 bilhões
Dique com cota de coroamento superior a 7,7m; Sete pôlderes; 21 casas de bombas; 19 pontes de acessos; 8,5 km de novas estradas e 27,7 km de canais de macrodrenagem.
Bacia do Gravataí - R$ 450 milhões
Reconstrução dos diques de Porto Alegre (Vila Dique e Sarandi); Novo dique em Cachoeirinha; Novo dique e casa de bombas em Gravataí.