terça-feira, 7 de abril de 2026

Preços dos combustíveis estabilizam no RS

Média do litro do diesel ficou em R$ 7,41 e da gasolina em R$ 6,63

Média do litro do diesel ficou em R$ 7,41 e da gasolina em R$ 6,63

BRENO BAUER/JC
Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
Depois de várias altas seguidas, após o início do conflito no Oriente Médio, os preços da gasolina e do óleo diesel ficaram estáveis no período compreendido entre 29 de março e 4 de abril, em relação à semana de 22 a 28 de março. O último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que o mais recente preço médio da gasolina comum no Estado é de R$ 6,63 e do óleo diesel é de R$ 7,41. Na semana anterior, esses valores eram, respectivamente, R$ 6,66 e R$ 7,41.
Já quanto à gasolina aditivada e ao diesel S10 (menor teor de enxofre), entre 29 de março e 4 de abril, o litro desses combustíveis era cobrado nos postos gaúchos, em média, a R$ 6,83 e R$ 7,53. Entre 22 e 28 de março, esses valores eram de R$ 6,85 e R$ 7,52.
Especificamente em Porto Alegre, no intervalo de 29 de março a 4 de abril, o litro do óleo diesel era precificado em R$ 7,18 e a gasolina comum em R$ 6,61. Na semana anterior, o custo do diesel na Capital era de R$ 7,37 e da gasolina comum de R$ 6,64. Quanto à gasolina aditivada, o levantamento indica um custo médio de R$ 6,78 e o S10 de R$ 7,34. Na pesquisa anterior, os preços eram de R$ 6,81 e o S10 de R$ 7,52.
No Brasil, entre 29 de março e 4 de abril, a gasolina comum custava, em média, R$ 6,78 e o diesel R$ 7,45. E, conforme a ANP, entre 22 e 28 de março, os valores eram os mesmos. Por sua vez, a gasolina aditivada estava a R$ 6,97, na média do País, e R$ 7,58 o S10, no último levantamento. Já na pesquisa anterior, esses custos eram de R$ 6,98 e R$ 7,57.

 Em processo de renovação de licença, Candiota 3 mantém operação

Usina na região da Campanha Gaúcha utiliza carvão como combustível

Usina na região da Campanha Gaúcha utiliza carvão como combustível

cgt eletrosul/DIVULGAÇÃO/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterApesar de a vigência da licença ambiental da termelétrica Candiota 3 ter expirado nesta semana, a usina gaúcha a carvão não será impedida de manter sua operação. Conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o pedido de renovação da licença de operação do empreendimento cumpriu o prazo previsto na Resolução Conama 237/97, garantindo sua validade até a aprovação da licença.
Ainda segundo o órgão ambiental, o processo de renovação do licenciamento segue em análise e o Ibama aguarda o envio das informações complementares solicitadas à empresa (a Âmbar Energia, responsável pela administração da unidade). A termelétrica, localizada na cidade de Candiota, tem uma capacidade instalada de 350 MW, o que poderia atender a cerca de 1 milhão de pessoas.
Para o presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, não deve haver dificuldade quanto à manutenção da operação da usina. “Não tem mistério nenhum de renovar a licença de Candiota 3”, afirma o dirigente.
Ele frisa que, estando em processo de renovação de licença, não faria sentido interromper a operação da térmica, mesmo tendo expirado o prazo do licenciamento anterior. De acordo com o representante da ABCS, nenhum órgão ambiental irá parar um empreendimento, a não ser que o complexo esteja infringindo pontos que obriguem essa paralisação. Zancan ressalta que é importante a continuidade da usina gaúcha, que implica vários reflexos quanto à segurança energética no País.
Já o gerente de Transição Energética do Instituto Internacional Arayara, John Fernando de Farias Wurdig, considera que os relatórios apresentados pelos administradores da usina ao Ibama são superficiais e com várias lacunas. O ambientalista enfatiza que Candiota 3 acumula um histórico de infrações ambientais, multas (acima de R$ 120 milhões) e violações nos padrões de emissões.
“Não é um processo simples de renovação, tem muitas variáveis”, ressalta Wurdig. Ele adianta que, se confirmada a renovação da licença da termelétrica, provavelmente o Arayara entrará com uma ação judicial questionando a decisão.
Recentemente, o Arayara, em parceria com o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea), publicou um estudo indicando os reflexos do aproveitamento do carvão, em Candiota, na área da saúde. Entre outros pontos, o trabalho “Carvão em Candiota - Impactos à saúde causados pelo polo de mineração e geração de energia a carvão no Rio Grande do Sul, Brasil”, estimou 430 mortes prematuras e R$ 5,1 bilhões em danos econômicos relacionados à saúde decorrentes do uso de carvão no município gaúcho, no período de 2017 a 2025.

Rodovia BR-470 entre Bento Gonçalves e Veranópolis é gargalo na Serra Gaúcha

Em vários trechos das obras de recuperação da rovodia BR-470, apenas uma pista está liberada, como neste trecho junto ao Rio das Antas

Em vários trechos das obras de recuperação da rovodia BR-470, apenas uma pista está liberada, como neste trecho junto ao Rio das Antas

TÂNIA MEINERZ/JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterA rodovia BR-470, na Serra Gaúcha, passa por obras de recuperação no trecho entre os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis. O objetivo é melhorar as condições da estrada, fortemente afetada nas enchentes de 2024. A estrada é uma importante ligação entre a Serra Gaúcha e a Região Metropolitana de Porto Alegre, sendo estratégica para o escoamento da produção.
Enquanto a empreitada acontece, o trajeto no local é difícil e demorado, com sistema de "pare e siga", tornando-se um gargalo logístico para a Serra. Em alguns casos, para evitar ficar parado na rodovia, motoristas preferem fazer um desvio pelo município de Cotiporã.
A estrada concentra hoje 40 frentes de trabalho simultâneas, 472 trabalhadores e 192 equipamentos atuando em 39 pontos de contenção, nos 25 quilômetros de obras, além da reabilitação da ponte. O sistema de controle de tráfego, que vai liberando veículos alternadamente em cada sentido, por comboios, seguirá pelo menos até o fim do primeiro semestre de 2026.
"Temos um volume muito intenso de obras. São 40 frentes ativas ao longo da rodovia", observa o chefe da unidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Passo Fundo, engenheiro Adalberto Jurach, que acompanha a obra. Segundo ele, o modelo de comboio foi adotado para organizar o fluxo diante da quantidade de intervenções simultâneas e permitir a travessia em horários definidos.
Na prática, porém, o impacto no deslocamento ainda é significativo. Em passagem pelo trecho, na volta da Serra Gaúcha em 1º de abril, a reportagem do Jornal do Comércio levou uma hora para percorrer o segmento em obras, em um momento em que ainda não havia operação de "pare e siga".
 
Sistema "pare e siga" é mantido ao longo do trecho de obras rodovia BR-470, na Serra Gaúcha | EVANDRO OLIVEIRA/JC
Sistema "pare e siga" é mantido ao longo do trecho de obras rodovia BR-470, na Serra GaúchaEVANDRO OLIVEIRA/JC
 
Atualmente, o tráfego ocorre em horários alternados: pares no sentido Bento Gonçalves–Veranópolis e ímpares no sentido inverso. A expectativa é de reavaliação no segundo semestre, conforme o avanço das obras, mas a liberação total da rodovia deve ocorrer apenas no fim do ano.
 

Impacto da enchente na Serra das Antas ainda é visível

Na passagem pela Serra das Antas, chama atenção o impacto ainda visível das enchentes de 2024 sobre o ambiente natural. Em diversos pontos da rodovia BR-470, as encostas seguem expostas, com marcas profundas de deslizamentos que redesenharam a paisagem da Serra.
 
Região da Serra das Antas foi uma das mais afetadas por deslizamentos em 2024; obras buscam recuperar estrutura da BR-470 | TÂNIA MEINERZ/JC
Região da Serra das Antas foi uma das mais afetadas por deslizamentos em 2024; obras buscam recuperar estrutura da BR-470TÂNIA MEINERZ/JC
 
Há áreas com vegetação suprimida e solo ainda instável, contrastando com pontos onde já se observa regeneração gradual. Ao longo do trajeto, também chama atenção a quantidade de trabalhadores espalhados pelas frentes de obra, além das estruturas provisórias montadas às margens da rodovia, como contêineres e módulos usados como apoio, descanso e operação das equipes.
As obras avançam em meio a esse cenário, com intervenções diretas nos taludes e margens da rodovia, evidenciando o desafio de conciliar a recuperação da infraestrutura com a recomposição ambiental de uma região marcada pela presença de mata nativa e relevo sensível.
Os eventos climáticos de maio de 2024 provocaram 102 pontos de deslizamento — alguns com até um quilômetro de extensão — e destruíram completamente oito segmentos da rodovia. O volume de investimentos deve se aproximar de R$ 800 milhões, sendo cerca de R$ 500 milhões já aplicados.
Entre as principais obras estão o reforço estrutural da ponte Ernesto Dornelles, a construção de dois viadutos e a execução de estruturas de contenção, como cortinas atirantadas, muros de gabião e barreiras dinâmicas. Até agora, cerca de 70 pontos críticos já foram concluídos.
Mesmo com as restrições, o Dnit avalia que o trecho opera com segurança. Desde a retomada do tráfego, cerca de 60 dias após a interrupção total em 2024, não houve ocorrências graves. O monitoramento é feito 24 horas por dia, com acompanhamento das condições climáticas, o que pode levar a bloqueios preventivos em caso de risco.
Segundo o engenheiro Adalberto Jurach, do Dnit, o modelo atual tem reduzido impactos logísticos. "Para quem se programa, praticamente não há perda de tempo no trecho", diz. Além das obras emergenciais, o Dnit prevê melhorias permanentes, como faixas adicionais — uma já concluída — e a retomada do projeto de duplicação e ampliação de capacidade.
 
Rodovia BR-470 deverá seguir em obras até o fim de 2026 | EVANDRO OLIVEIRA/JC
Rodovia BR-470 deverá seguir em obras até o fim de 2026EVANDRO OLIVEIRA/JC
 Um novo edital para os estudos deve ser lançado após a primeira tentativa não atrair interessados.
Para os próximos meses, a expectativa é de avanço contínuo das obras, com redução gradual das interferências, embora a rodovia deva seguir em obras ao longo de 2026.