terça-feira, 9 de junho de 2026

Rede Kuchak investe R$ 40 milhões em novo supermercado e projeta 250 empregos em Ijuí

Nova unidade, que funcionará como atacarejo, será a maior da rede

Nova unidade, que funcionará como atacarejo, será a maior da rede

TÂNIA MEINERZ/JC

Gabriel Margonar
Gabriel Margonar Uma das principais marcas do varejo gaúcho, a Rede Kuchak está investindo mais de R$ 40 milhões na construção de um novo supermercado em Ijuí, no Noroeste do Estado. Localizado na avenida das Nações, na Linha 3 Oeste, o empreendimento terá cerca de 17 mil metros quadrados de área construída e deverá gerar aproximadamente 250 empregos diretos quando entrar em operação.
A nova unidade, que funcionará como atacarejo, será a maior da rede e contará com estrutura voltada tanto para atendimento ao público quanto para operações administrativas. O projeto prevê cerca de 6 mil metros quadrados dedicados exclusivamente ao setor de compras, além de salas para reuniões e escritórios no piso superior.
O complexo também terá estacionamento com 240 vagas no subsolo e outras 40 na parte frontal do prédio. As obras começaram no início de 2025 e seguem em andamento. Embora ainda não haja uma data definida para inauguração, a expectativa da empresa é concluir o empreendimento nos próximos meses.
A expansão ocorre em um momento de crescimento da empresa, que já opera quatro supermercados em Ijuí e recentemente incorporou uma antiga unidade do supermercado Nacional, fechada pelo Carrefour em 2023. Segundo o diretor da rede, Juarez Kuchak, o planejamento inclui ainda a abertura de uma nova loja em São Luiz Gonzaga, na região das Missões, em 2027.
“Temos uma área lá já sendo preparada. Provavelmente será um projeto para o ano que vem. Aqui em Ijuí o investimento passa de R$ 40 milhões. Em São Luiz Gonzaga, ainda não temos o orçamento fechado, mas acredito que passe de R$ 15 milhões. O mercado continua apresentando potencial e estamos apostando nisso”, afirma.
Fundada na década de 1960 pelo pai de Juarez, a empresa mantém forte identificação com o município. O empresário assumiu a gestão do negócio em 1989 e atribui parte do crescimento à relação construída ao longo das décadas com os consumidores locais.
“Nós somos de Ijuí. Temos uma tradição de pai para filho. Nossa venda é bastante movimentada e sempre tivemos uma relação muito próxima com os clientes”, destaca.
Apesar do cenário econômico marcado por incertezas nacionais e internacionais, o empresário avalia que o consumo segue aquecido no segmento supermercadista. “Supermercado e farmácia são atividades essenciais. O consumo sempre existe. Claro que é preciso trabalhar para conquistar o cliente todos os dias, mas não sentimos retração nas vendas”, observa.
Mas, se por um lado a demanda permanece estável, por outro a falta de trabalhadores preocupa o empresário. Atualmente, a rede emprega cerca de 500 pessoas, número que deverá crescer significativamente com a abertura da nova unidade.
“Esse é o principal problema que enxergamos hoje. Não é uma dificuldade apenas dos supermercados. Todos os setores estão enfrentando problemas para encontrar mão de obra. E uma loja desse porte exige muita gente para funcionar”, conclui.

 Associados da Piá aprovam pré-acordo com a Tirol

Segundo a Tirol, "a negociação ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação"

Segundo a Tirol, "a negociação ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação"

COOPERATIVA PIÁ/DIVULGAÇÃO/JC

Maria Amélia Vargas
Maria Amélia VargasEditora-AssistenteOs associados da Piá aprovaram, na semana passada, o início do processo de liquidação da cooperativa com continuidade do negócio. Nesta segunda-feira (8), a Lacticínios Tirol, de Santa Catarina, emitiu nota comunicando que a cooperativa gaúcha havia aprovado um pré-acordo com a empresa catarinense. As informações são das assessorias de imprensa das partes envolvidas.
Para a Tirol, a aprovação "representa uma etapa importante dentro do processo de negociação, que ainda depende do cumprimento de fases e condições necessárias para a conclusão definitiva da operação".
O texto afirma ainda que "a negociação está alinhada à sua estratégia de crescimento sustentável, sempre com respeito à tradição, à qualidade e à relevância regional da marca Piá". A empresa reforça que a operação "está sendo conduzida com responsabilidade, transparência e observância às etapas legais e negociais aplicáveis, permanecendo comprometida com a segurança jurídica do processo e com a continuidade das tratativas até sua conclusão".

Durante a assembleia da Piá, foi nomeado como liquidante o atual presidente, Jorge Dinnebier, e Ari Boelther como suplente de liquidante. Também foi definido o novo Conselho Fiscal, composto por Roberto Wazlawick, Ismael Becker e Antônio Faoro.

Com a aprovação da liquidação, o atual conselho de administração foi dissolvido, e a cooperativa passará a adotar, junto à sua razão social, a expressão “em liquidação”. A partir de agora, o liquidante deverá prestar contas aos associados, em assembleia, a cada seis meses, conforme determina a legislação.
Segundo Dinnebier, a medida legal é necessária para reorganizar a cooperativa em um momento desafiador. A partir dela, o grupo pretende "criar condições mais seguras para renegociar dívidas, obtendo ampliação nos prazos, redução nas taxas de juros, descontos para poder reequilibrar a operação".

Aeroporto de Ijuí busca ampliar capacidade para atrair voos comerciais

 Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul

Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul

Prefeitura de Ijuí/Divulgação/JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterO Aeroporto Municipal João Batista Bos Filho, em Ijuí, opera atualmente com estrutura considerada uma das mais qualificadas entre os aeródromos regionais do Rio Grande do Sul. Com funcionamento 24 horas, pista asfaltada e balizamento noturno, o terminal atende diariamente operações da aviação executiva, aeromédica, militar, de instrução e agrícola, sustentando um papel logístico relevante no Noroeste do Estado.
Apesar da operação consolidada na aviação geral, a expansão para voos comerciais regulares ainda depende de investimentos estruturais. Com 1.280 metros de comprimento e 23 metros de largura, a pista de pouso e decolagem deverá ser ampliada em 500 metros, além de receber reforço na compactação.
Segundo o gestor do aeroporto, Carlos Schulz, a intervenção permitirá a operação de aeronaves de maior porte. O plano também inclui a implantação de novos sistemas de comunicação por rádio, estrutura para abastecimento e a modernização do terminal de passageiros.
Gestor do Aeroporto de Ijuí, Carlos Schulz diz que prioridade é ampliar a pista em 500 metros | TÂNIA MEINERZ/JC
Gestor do Aeroporto de Ijuí, Carlos Schulz diz que prioridade é ampliar a pista em 500 metrosTÂNIA MEINERZ/JC
Os atuais gargalos incluem justamente as limitações físicas da pista e a necessidade de qualificação do terminal, somados à concorrência com outros aeroportos regionais. Desde 2021, a administração municipal mantém tratativas com companhias aéreas para viabilizar ao menos uma rota regular conectando Ijuí a grandes centros, mas a consolidação depende do avanço desses investimentos.
No campo econômico, a operação aeromédica é um dos pilares, funcionando como elo para o transporte de pacientes de alta complexidade até hospitais de referência. Além disso, a estrutura favorece o deslocamento ágil de executivos e investidores, reduzindo o tempo de viagem em comparação ao modal rodoviário.
A estratégia de desenvolvimento inclui ainda a transformação do aeroporto em um terminal de carga. Projetos em andamento buscam adequar a infraestrutura para aeronaves maiores, o que pode impulsionar cadeias de importação e exportação de indústrias locais.
Paralelamente, o município trabalha na criação de marcos legais para estimular a instalação de empresas no entorno, como hangares, oficinas de manutenção e operadores do setor agrícola.
Há articulação com o governo do Estado para viabilizar recursos destinados à modernização do complexo. A avaliação da gestão é de que aeroportos regionais são peças-chave para reduzir a dependência do transporte rodoviário no Rio Grande do Sul, ampliando a conectividade e descentralizando a logística.
Schulz destaca ainda o papel estratégico desempenhado pelo aeródromo em situações de crise, como eventos climáticos extremos recentes, quando serviu como rota essencial para abastecimento, deslocamento e integração regional diante da interrupção de corredores terrestres e limitações operacionais na capital.
Com a aviação regional respondendo por mais de um terço do tráfego aéreo na Região Sul do Brasil, a perspectiva é de que aeroportos como o de Ijuí ganhem protagonismo nos próximos anos, desde que avancem em infraestrutura e capacidade operacional.

Ijuí mantém formação de pilotos, mas custo limita avanço do setor

Um dos ativos estratégicos vinculados ao aeroporto é o CIAC - Centro de Instrução de Aviação Civil, responsável pela formação de pilotos e pela manutenção de uma cultura aeronáutica consolidada no município desde 1940.
Integrado às operações do terminal, o aeroclube conta atualmente com dois hangares e uma frota de 34 aeronaves, entre aviões, planadores e motoplanadores, além de quatro instrutores e um checador de pilotos.
"A estrutura permite a formação de cerca de sete a dez alunos por ano, com cursos práticos de piloto privado de avião e de planadores, ambos homologados pela Anac", afirma o gestor do aeroporto, Carlos Schulz.
Segundo ele, o tempo médio de formação varia entre quatro e cinco meses, dependendo da disponibilidade do aluno e das condições climáticas. Atualmente, cinco alunos estão em formação, número que se mantém estável nos últimos anos.
Apesar da demanda crescente por pilotos, especialmente impulsionada pelo déficit global de profissionais na aviação, a formação ainda esbarra em barreiras significativas. "O custo é o principal entrave. A formação completa pode variar de R$ 45 mil a R$ 250 mil, e o valor da hora de voo gira entre R$ 700 e R$ 1,5 mil", destaca Schulz.
Além do fator financeiro, limitações de infraestrutura também impactam o ritmo de formação. "A manutenção das aeronaves tem custo elevado, com peças dolarizadas, e há escassez de escolas homologadas em diversas regiões, o que faz muitos alunos migrarem para outros centros", explica. Ele também aponta que a ausência de simuladores homologados reduz a eficiência da formação e eleva os custos operacionais.
Mesmo diante desses desafios, o aeroclube projeta expansão. "Os próximos passos incluem a construção de um novo hangar, aquisição de simulador de voo e a criação de cursos de piloto comercial e de instrutor de voo", afirma Schulz. A iniciativa busca acompanhar o crescimento da aviação regional e ampliar a capacidade de formação local.