sábado, 26 de setembro de 2026

Grande sertão: veredas, os primeiros 70 anos

Jaime Cimenti

Italo Calvino escreveu um livro intitulado Por que ler os clássicos e ensinou: por que eles nunca terminam, deixam marcas profundas na memória e se tornam inesquecíveis, são livros de descoberta e autoconhecimento, dão prazer e saber e funcionam como bússolas . Tudo isso e mais se aplica a Grande sertão: veredas , setentão lépido e faceiro, de 1956, de João Guimarães Rosa(1908-67) que foi publicado em edição especial da Companhia das Letras (544 p., R$ 209), com novo projeto gráfico , entrevista do autor e ensaio de Érico Melo sobre os rascunhos e a forma final do romance .

Clássico definitivo, recriador da língua portuguesa mesclando fala de jagunços com erudição latina e grega , pleno de imaginação poética sem limites, com oralidade sintética, universalidade no regional e poesia em prosa inigualável, a narrativa contínua traz Riobaldo, Diadorim (Reinaldo) , Hermógenes, Joca Ramiro , Zé Bebeto, Medeiro Vaz, Otacília, e Nhorinhá envoltos no bem e no mal, liberdade e destino, violência e vida, amor, identidade e a transformação do indivíduo e o sertão, que “é dentro da gente” .

Romance de aventura, história de amor, narrativa de formação e grande reflexão sobre bem, mal, destino e liberdade,tudo isso e mais o infinito que os leitores imaginarem , criarem, sentirem, duvidarem e filosofarem estão no livrão, no sertão, nas veredas , nas árvores, animais, pessoas, luzes, sombras, silêncios e sons , revelações e mistérios de ontem, hoje e sempre.

Depoimentos inéditos dos leitores ilustres Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Gianetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloísa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior estão nesta edição de um dos maiores romances brasileiros e mundiais.

O homem que colocou o Brasil no divã

Eu o conheci como professor da memória e prometi guardar o cara que nunca deixou a admiração ceder à inveja É rápido e você não perde nada importante.

Zuenir Ventura morreu aos 95 anos, no Rio de Janeiro, após décadas dedicadas ao jornalismo e à literatura brasileira.

Acusamos o golpe da ausência de Luis Fernando Verissimo há um ano. Agora Zuenir Ventura, um dos maiores jornalistas de nossa história, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, acaba de nos dar adeus, aos 95 anos. Encontrava-se em sua residência, no Rio de Janeiro, e não resistiu a uma pneumonia na terça-feira (22).

Verissimo se encarregará de receber seu amigo no paraíso das enciclopédias. Eles passam a ser encantados, como vaticinava Guimarães Rosa, e afetivamente eternos para sua legião de leitores.

Corajoso, resoluto, convicto de reportagens empáticas, com o arco grisalho das sobrancelhas protegendo seus olhos fundos, Zuenir mexia nos vespeiros. Escancarou a exploração da Amazônia, com sua cobertura do caso Chico Mendes, na década de 1980, e os meandros da violência em Vigário Geral com o livro Cidade Partida, nos meses que se seguiram à chacina de 29 de agosto de 1993.

Não abdicou da simplicidade de sua caligrafia desenhada no papel. Filho de um pintor de paredes e de uma dona de casa, mais do que criar sua biblioteca do nada, tornou-se a própria biblioteca. Foi office boy, faxineiro e balconista antes de conseguir cursar Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, numa graduação que contava com Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima entre seus docentes.

Nunca parou de escrever sua coluna, tendo a encomenda como musa inspiradora. Nunca deixou de engraxar as unhas na tinta do impresso e nos conceder a luz do entendimento, numa longevidade sábia. Colaborou com a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, O Globo e as revistas O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão, Veja e IstoÉ.

O jornalismo e a literatura entrelaçavam as mãos como irmãos gêmeos da verdade. Apesar dos temas difíceis que abordava, o mestre Zu era um otimista incorrigível. Seu riso mineiro discreto melhorava o silêncio em qualquer ambiente.

Os autores que cruzavam seu caminho se transformavam em personagens, num feitiço às avessas. Na obra Minhas Histórias dos Outros, ele celebra a saudade, resgatando fatos, anedotas e curiosidades sobre personalidades com as quais conviveu, como Glauber Rocha e Carlos Drummond de Andrade.

Zuenir psicanalisou o Brasil, colocou o país no divã para encarar suas contradições. Sua tarefa se centrou em nos ajudar a perdoar, mas sem apagar o pior.

No clássico 1968: O Ano que Não Terminou, sobre a ditadura militar, ele afirma que o nosso passado não deveria nos servir de exemplo, e sim de lição. Para não mais repeti-lo. Ele, inclusive, teve a sua solar liberdade confiscada pelas trevas do AI-5, permanecendo preso durante três meses.

Em Mal Secreto: Inveja, põe-se a desentocar nossa síndrome de caranguejo, de puxar para baixo quem faz sucesso: “A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”. 

Eu chamei Zuenir para ser professor da graduação de Formação de Escritores da Unisinos. Ficou responsável pela disciplina de memória. Suas lembranças cintilavam como testemunhos. Ele havia vivido o século XX por dentro dos principais acontecimentos culturais, da Bossa Nova ao Cinema Novo.

Ao se despedir de mim, ele costumava soltar um paradoxo: “Não esqueça de lembrar de mim”. Eu prometo que jamais o esquecerei. Zuenir: quando a inveja perdeu para a admiração.

26 de Setembro de 2026
MARCELO RECH

Cobiça sem fim

É bom ter um pé atrás sempre que se ouve que determinada categoria ou função precisa ser bem remunerada para evitar que o ocupante do cargo se corrompa. O argumento soa como ofensa a quem não desfruta de contracheques rechonchudos - a bem da verdade, a imensa maioria dos brasileiros, que, segundo essa falácia, estaria fadada à corrupção porque ganha mal.

Se há alguma coisa a aprender do escândalo do Master, é que corrupção não distingue contas bancárias. O propinoduto de Daniel Vorcaro foi pródigo em abastecer membros de algumas das categorias de servidores mais bem pagas do Brasil - de políticos a funcionários do Banco Central - e de representantes da elite econômica e social, como gestores financeiros e familiares de ministros do STF.

Vida modesta não é dobradiça para os encantos de um banqueiro armado com Pix sem limites nas cifras e na ética. A cobiça infinita é que é. Alexandre de Moraes, por exemplo, tinha muito mais que qualquer mortal poderia sonhar: um gabinete do tamanho de um apartamento, estabilidade no bom emprego, um séquito de assessores a servir-lhe, prestígio entre os pares, poder que não acaba mais e uma conta bancária já alentada por direitos autorais de livros de direito. De que mais precisava, levando-se em conta que há muito já não viajava em classe econômica e nem se hospedava em hotéis três estrelas?

A cobiça desmesurada atrai favores suspeitos porque ela diz para o servidor que ele sempre pode ter mais. Não basta voar pelo mundo em classe executiva. O sujeito passa a evitar filas em aeroportos e, como Moraes e Flávio Bolsonaro, viajar no jatinho de amigos complicados. Não acaba nunca. Um relógio que mostra as horas não é suficiente. O ministro precisa ostentar um de grife avaliado em R$ 720 mil. Para que e por quê? Uma festa com Wesley Safadão, bancado por uma advogada com interesses no STF, no aniversário da filha de Kassio Nunes Marques não dispara o desconfiômetro?

Quando a fortuna é obtida dentro da lei, bom proveito. O problema é quando um funcionário público quer usufruir de um mundo que não é dele, como ocorreu com tantos seduzidos por Daniel Vorcaro, que torrou biografias públicas com a assustadora facilidade de quem serve um Macallan 25 anos.

Para acabar com a corrupção em larga escala, é preciso prevenção e punição, mas sobretudo consciência individual sobre o certo e o errado. Há incontáveis casos diários de servidores humildes e empreendedores que, mesmo diante de uma oportunidade de ganho fácil, não se deixam levar pelo canto da sereia. Eles colocam a formação familiar, os valores espirituais, a ética e, não menos importante, a paz de dormir sem sobressaltos acima de tudo. E isso não tem Master que pague. _

MARCELO RECH

26 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

O que resta dizer ao eleitor

A pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira sobre a eleição para o Palácio Piratini indica que o percentual de indecisos ainda é alto. Mesmo quando são estimulados a apontar um nome diante da lista de candidatos, um quarto dos entrevistados ainda não sabe em quem votará no primeiro turno, no domingo, dia 4 de outubro. É um contingente significativo, à espera de ser convencido sobre qual postulante ao governo gaúcho merece a sua confiança para liderar o Rio Grande do Sul pelos próximos quatro anos.

É natural que, com a aproximação do pleito, os eleitores prestem mais atenção ao que as candidaturas propõem para os temas que os afligem. Ganham maior peso os debates na reta final da campanha, como o realizado na sexta-feira pela Rádio Gaúcha. O encontro reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), postulantes cujos partidos têm representantes no Congresso. Debates são a oportunidade para que os candidatos exponham suas ideias e promovam o embate direto de propostas, para que os votantes possam compará-las e decidir o número a ser apertado na urna.

Uma das formas de o Grupo RBS contribuir para uma escolha consciente dos gaúchos é abrir amplos espaços para a discussão e a apresentação de projetos. A RBS TV realiza debate na terça-feira, às 22h50min, e entre segunda-feira e quinta, os quatro aspirantes ao Piratini serão sabatinados na Rádio Gaúcha, no espaço do Atualidade, das 9h às 10h.

O debate de sexta-feira, com maior aprofundamento dos temas em relação ao realizado no dia 6 de agosto, também pela Gaúcha, deve ser enaltecido pela civilidade, a despeito de momentos de confrontação mais incisiva, o que é próprio de uma democracia vibrante. É usual que os candidatos critiquem adversários e apontem contradições dos oponentes. O embate eleitoral, em toda a campanha até aqui, manteve-se em regra em bom nível. A troca de farpas permaneceu centrada no eixo político, sem acusações de cunho pessoal ou de desvios éticos. É bem diferente, diga-se, do que se nota na corrida ao Planalto. Os dois principais concorrentes à Presidência, aliás, nem sequer se dignaram a comparecer a debates, um desrespeito aos eleitores.

O reconhecimento ao tom respeitoso, no entanto, não pode encobrir uma preocupação central. Ainda faltam respostas factíveis e didáticas dos candidatos sobre como enfrentar os principais desafios do Estado, como a situação das finanças gaúchas a partir de 2027. O debate de sexta-feira priorizou assuntos como quadro fiscal, saúde, infraestrutura, concessões e feminicídios. Parte considerável das respostas tangenciou as questões, foi pelo caminho das generalidades, das ideias inexequíveis e de objetivos meritórios, mas que soam como promessas vagas demais.

Depositar esperanças excessivas em recursos federais é temerário. O próximo presidente também será forçado a um ajuste duro nas contas. O orçamento da União será alvo de disputa renhida. É relevante ter capacidade de articulação com Brasília, mas o que os eleitores querem saber é o que o futuro governador ou governadora fará com a força da sua caneta. Aguarda-se que os concorrentes ao Piratini aproveitem melhor as oportunidades que terão - como no debate da RBS TV e nas sabatinas da Gaúcha - para serem mais claros com os gaúchos. 

26 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER

Medidas para acabar com as bets chegam na hora errada

Nasceu prematura a medida provisória em que o presidente Lula tenta acabar com as bets no Brasil. É preciso dizer que a providência é eleitoreira, apesar de necessária. Por trás da precipitação está a proximidade de uma eleição em que os candidatos precisam conquistar o voto das mulheres. São elas que clamam por uma barreira aos jogos que sugam parte importante do orçamento familiar.

Lula identificou nas bets o inimigo que precisa ser combatido a qualquer custo, até porque se tornou um dos principais temas da campanha. O custo deveria ter sido levado em conta antes de qualquer medida drástica.

Não há dúvida de que os jogos na palma da mão estão na raiz do endividamento das famílias. Causam dependência, depressão, empobrecimento. O problema é que, quando regulamentou as bets, o governo exigiu que as empresas se enquadrassem para operar e agora prepara um corte radical, que coloca no mesmo balaio as legalizadas e as ilegais.

Organização do setor

O governo regulamentou os jogos com o argumento de que as pessoas apostavam de qualquer jeito em plataformas instaladas fora do país, que não pagavam impostos. A preocupação era organizar um setor que havia sido liberado no final do governo Michel Temer. Pesou na decisão do governo Lula a necessidade de aumentar a receita, mas o Congresso afrouxou as medidas mais duras, a começar pelo imposto, que seria de 18% e os parlamentares reduziram para 12%.

Há meses os comerciantes, os bancos e uma parcela significativa da população alertam para a epidemia de vício em jogos, mas só agora, às vésperas da eleição, Lula resolveu agir.

Como as empresas pagaram valores significativos ao governo a título de outorga para se legalizar, a devolução desse dinheiro será cobrada. De onde sairá? Dos cofres públicos. Pode-se dizer que o custo da existência das bets é maior, mas resta uma dúvida. Será possível acabar com o jogo ilegal, num país que nunca conseguiu impedir o jogo do bicho? _

A proposta de orçamento de 2027 terá de ser reescrita para retirar a previsão de receita do imposto sobre os jogos. O mercado de bets movimentou R$ 410,85 bilhões no primeiro semestre de 2026 e arrecadou R$ 8,75 bilhões em impostos federais até julho.

Flávio tenta atribuir a Lula a liberação das apostas

Se o presidente Lula (PT) assinou a medida provisória para acabar com as bets no Brasil de olho na eleição, cujo primeiro turno será realizado em nove dias, a campanha do oponente Flávio Bolsonaro (PL) também aproveita a situação para tentar atrair pontos eleitorais. Minutos antes do anúncio do governo, o senador divulgou vídeo nas redes sociais em que chama a medida de "eleitoreira" e Lula de "oportunista".

No vídeo e também em peças da campanha em rádio e televisão, o candidato do PL tenta atribuir ao presidente a autoria da liberação das bets no Brasil, dizendo que "Lula é o pai do tigrinho".

- Podemos dizer que Lula é o pai do tigrinho - disse Flávio, no vídeo que antecedeu o anúncio da medida provisória.

Foi Michel Temer, entretanto, quem sancionou a lei 13.756/2018 que criou o sistema de apostas de quota fixa (quando o apostador já sabe quanto vai receber se acertar o palpite) no Brasil, nos últimos dias de mandato, permitindo a operação das casas de apostas esportivas. A legislação estabeleceu prazo de dois anos, prorrogável por mais dois, para que o Ministério da Fazenda regulamentasse a atividade das empresas, o que não foi feito por Jair Bolsonaro durante o seu governo.

Até a regulamentação, em dezembro de 2023, as bets operaram no Brasil sem fiscalização e sem pagar impostos. A partir de então, as casas de apostas online passaram a operar em um mercado registrado, com diretrizes e regras de tributação, mediante autorização do Ministério da Fazenda com pagamento de outorga ao governo. _

Debate expõe excesso de dependência de recursos federais

Depois de duas horas de debate na Rádio Gaúcha, restou a impressão de que as promessas dos candidatos só serão cumpridas se o governo federal aportar mais dinheiro no Estado. Afora a incerta prorrogação do Funrigs, que significa suspensão do pagamento da dívida por mais um ano, a ideia de criação de um fundo constitucional para o desenvolvimento do Sul e do Sudeste é uma miragem.

Nada disso se resolve automaticamente com diálogo e articulação em Brasília, com o Congresso ou com outros governadores. Quem for eleito terá de governar tendo como referência um orçamento apertado e deficitário.

É preciso levar em conta que o presidente que se eleger neste ano terá de promover um ajuste fiscal rigoroso, sob pena de não conseguir reduzir os juros, questão que impacta toda a sociedade, especialmente no setor produtivo.

Como todos os candidatos se comprometem a não aumentar impostos, resta aumentar a receita pelo crescimento econômico, sonho de consumo de qualquer cidadão. Só que isso não depende da vontade do governo. Ou pode ser freado por falta de investimentos em infraestrutura. Como crescer sem ter estradas de qualidade, ferrovias e hidrovias?

Aqui entra outro tema que os candidatos abordam de forma superficial ou demagógica: as concessões de rodovias. Sem dinheiro no orçamento para conservar as rodovias estaduais e muito menos para fazer as obras necessárias, a opção seria recorrer às concessões, defendidas por Gabriel Souza na condição de candidato do governo. Luciano Zucco e Juliana Brizola são a favor, mas não apresentam um modelo viável.

Fila do SUS

Outra promessa mal explicada é a de zerar a fila do SUS. Funciona aos ouvidos dos eleitores, mas falta explicar como. O dinheiro disponível não é suficiente e boa parte da solução vem do Ministério da Saúde, que já tem programas em andamento, mas não dá conta da demanda. Corrigir a tabela do SUS também depende do governo federal e está atrelada às dificuldades orçamentárias da União. _

O que foi mais repetido pelos candidatos ao Piratini

Assim como no primeiro debate da Rádio Gaúcha, a saúde foi tema central dos candidatos ao governo do Estado no segundo enfrentamento, na sexta-feira. Os discursos estão alinhados, em parte, com um dos principais temores dos gaúchos, segundo revelado pela última pesquisa Quaest: 25% dos eleitores gaúchos veem a saúde como o principal problema do RS. Outros 25% entendem que são as enchentes - tema que passou longe dos quatro concorrentes.

Termos como "hospitais", "fila", "SUS gaúcho" e "saúde" foram repetidos pelos quatro candidatos entre as 12.865 palavras proferidas ao longo de uma hora e meia do debate. Com auxílio de inteligência artificial, sob revisão de jornalistas, a coluna elencou as expressões mais ditas pelos postulantes.

Gabriel Souza (MDB), por exemplo, falou "Estado" 35 vezes, expressão que também aparece no topo das listas de Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Juliana e Maranata focaram o discurso nas "pessoas". Como no primeiro debate, Maranata falou diversas vezes sobre a trajetória como "prefeito" e em ser o único com experiência de Executivo municipal.

Zucco falou oito vezes a palavra "concessão", além de sete citações a "bloco", quatro vezes "ferrovia" e quatro vezes "apontamento", referindo-se aos questionamentos do TCE à proposta do bloco 2, cuja gestão o governo de Eduardo Leite tentou entregar à iniciativa privada. _

POLÍTICA E PODER

Temas fundamentais foram ignorados

Nos dias que antecederam o segundo debate da Rádio Gaúcha neste primeiro turno, o RS chegou a seis mortes em decorrência dos temporais. A chuvarada elevou o nível dos rios, provocou alertas da Defesa Civil e obrigou 170 pessoas a deixarem suas casas diante do risco de rompimento de barragem em São Marcos. Estamos às vésperas de um El Niño vitaminado e, pouco mais de dois anos atrás, vivemos a maior tragédia climática da história do Estado.

Ainda assim, ambiente, adaptação climática e contenção de cheias praticamente não apareceram no duelo de sexta-feira.

Também não faltavam razões para falar dos desafios do agronegócio.Nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos em razão de intempéries, sobretudo estiagens. Segundo levantamento da Farsul, R$ 126,3 bilhões deixaram de ser gerados diretamente.

O produtor rural está endividado e precisa conviver com uma atividade cada vez mais vulnerável aos extremos climáticos. Mesmo assim, o agronegócio não mereceu, por parte dos candidatos, atenção no duelo da Gaúcha.

Essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, a educação também foi ignorada. Ampliar vagas na educação infantil, melhorar os indicadores de alfabetização, aumentar o acesso ao ensino em tempo integral e fortalecer o ensino profissionalizante são desafios que estarão sobre a mesa de quem assumir o Piratini em janeiro.

Nada disso apareceu.

Segurança pública também não foi discutida de forma abrangente - exceção à resposta provocada pela colega Kelly Matos sobre violência contra a mulher.

E pouco se falou sobre indústria, setor que enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, segundo pesquisa da Fiergs. A escassez já restringe a capacidade de ampliar a produção. É um problema que conecta educação, produtividade, crescimento econômico e retenção de talentos.

Inovação, outro caminho fundamental para aumentar a competitividade do Estado, também passou ao largo.

Não há desenvolvimento econômico sem infraestrutura, outro grande tema ausente. O sucateamento da malha ferroviária gaúcha dificulta e encarece o escoamento da produção, como mostrou reportagem de Mathias Boni na série do Grupo RBS sobre os desafios do Estado. Falou-se de rodovias, mas nada sobre ferrovias, portos, aeroportos, logística e infraestrutura, que deveriam estar no centro de qualquer projeto que pretenda discutir o Rio Grande do Sul das próximas décadas.

E, novamente, a exemplo do primeiro debate da Gaúcha, nada sobre cultura.

O encontro acabou concentrado principalmente em três grandes assuntos: saúde, sobretudo as filas de espera do SUS; concessões de serviços básicos e infraestrutura concedida, como energia e pedágios; e contas públicas, com destaque para a dívida do Estado. Mas é lamentável que temas fundamentais para o desenvolvimento tenham passado ao largo de quase duas horas de programa.

A saudar, foi um encontro um pouco mais profundo do que o primeiro, com mais propostas, em um ambiente de relativa cordialidade. _

Advocacia pública

Ao comemorar os 60 anos, a Associação dos Procuradores do Estado do RS (Apergs) está lançando um livro que resgata a história da instituição.

A publicação reúne fatos, personagens e bastidores que marcaram a consolidação da advocacia pública no RS. Intitulada Apergs - Memória, História e Inovação, traz documentos, fotografias e depoimentos. Entre os fatos, está a consolidação da carreira e da própria Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

- A advocacia pública hoje tem um papel que vai muito além da representação judicial: está na construção de soluções jurídicas, na segurança dos investimentos, na proteção do patrimônio público e na viabilização de políticas que impactam diretamente a vida dos gaúchos - destaca a presidente Patrícia Bernardi Dall?Acqua. _

Quem irá ocupar o cargo na ONU

Dos sete candidatos para substituir António Guterres na Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quatro são mulheres. Aliás, há grande chance de o cargo ser ocupado por uma mulher pela primeira vez. A terceira votação secreta informal realizada pelo Conselho de Segurança apontou duas candidatas preferidas: Rebeca Grynspan e Carolyn Rodrigues Birkett. _

O Sul é a região com os maiores índices de consumo frequente de álcool e cigarro, além de liderar a ingestão de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. As informações fazem parte de uma pesquisa recente do A.C.Camargo Cancer Center com o instituto Nexus.

INFORME ESPECIAL 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

25 de Setembro de 2026
EDITORIAL

EDITORIAL

Quando chega a primavera

Chegamos à primavera, a estação mais florida, leve e refrescante do ano. Com ela, voltam com ainda mais frequência os encontros ao ar livre, as conversas sem fim e a mesa farta de pratos para compartilhar. É nesse espaço que a refeição cumpre seu papel mais bonito: o de abraçar, confortar e celebrar.

Inspirados por esse clima - e embalados pelas comemorações do Dia do Sorvete, celebrado quarta, nesta mesma semana -, preparamos este caderno. Afinal, poucas coisas combinam tanto com o calor e a alegria da estação quanto essa indulgência gelada, capaz de arrancar sorrisos de crianças e adultos.

Nas próximas páginas, você poderá passear pela nossa própria versão de primavera, com direito a um mergulho na horta comestível cultivada por Carlos Kristensen. O chef e sócio-proprietário do Um Bar&Cozinha nos conduz por uma imersão ao redor de ingredientes tão regionais e, ao mesmo tempo, tão universais. Prepare-se para conhecer o menu exclusivo desenvolvido para a temporada e descobrir mais sobre a trajetória de um dos pioneiros da alta gastronomia no Rio Grande do Sul.

Para completar este passeio que conecta as nossas raízes, na coluna Abobrinhas, da colunista Mariana Weckerle, desvendamos as diferenças entre sorvete, gelato e nicecream e reunimos receitas práticas para fazer em casa. Ainda preparamos uma hotlist imperdível com alguns lugares para saborear essas sobremesas na Capital e na região metropolitana. 

Brunna Oliveira - Analista de Conteúdo

25 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

Nunes Marques é outro que deve explicações

Depois dos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que até hoje não deram explicações convincentes sobre negócios ligados ao Banco Master e relações com Daniel Vorcaro, chega a vez de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques ser cobrado a prestar esclarecimentos plausíveis. Não é apropriado que, sobre um membro da mais alta Corte brasileira, seu filho e pessoas próximas, pairem tantas dúvidas acerca de vínculos com o ex-banqueiro e seus interesses no Judiciário. Várias mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) formam um acervo de episódios obscuros que aguardam elucidação.

A mais recente revelação mostra um contrato de advocacia com a "Turma do KN". Conforme a PF, as iniciais são uma referência a Kassio Nunes. A "turma" seriam Camila Ramos, sócia do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, e seu marido, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Previa o pagamento de R$ 427 milhões à banca em caso de êxito em ações sobre pagamentos de precatórios do setor sucroalcooleiro adquiridos pelo Master, que totalizavam R$ 8,5 bilhões. Ontem, o gabinete de Ramos foi alvo de uma operação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ramos é amigo e foi juiz auxiliar de Nunes Marques quando o hoje ministro foi vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020. Seis meses antes de o contrato ser firmado, Ramos votou a favor do Master em dois casos sobre precatórios do setor. Em 2024, na 2ª Turma do STF, Nunes Marques desempatou um processo que interessava à tese do Master. Votou após mudar de ideia, depois de declarar-se impedido. O resultado foi comemorado por Vorcaro, mostram mensagens de celular.

Há mais referências constrangedoras. Em uma delas, surge um pedido para o então banqueiro autorizar uma estadia com tarifa promocional para o ministro em um hotel. Em outra, há sugestão de pagamento de um possível encontro íntimo de Nunes Marques com uma mulher.

O jovem advogado Kevin Marques, filho do ministro, também aparece nas trocas de mensagens em situações mal explicadas. Em um diálogo com Vorcaro, um colaborador pergunta, sobre Kevin: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém?". O filho de Nunes Marques parece ser um prodígio na profissão. Tem apenas 26 anos e foi aprovado no exame da OAB em 2024. Mesmo assim, em pouco tempo acumulou clientela de peso e patrimônio vultoso. Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que, em 2025, iniciou o ano com R$ 5 milhões aplicados em fundos e, no segundo semestre, fez aporte de R$ 22 milhões.

No final de 2025, após a primeira prisão de Vorcaro, a defesa do Master tentou uma manobra para que o caso ficasse com Nunes Marques. Em favor do ministro, cumpre lembrar que, na 2ª Turma, neste ano, votou pela manutenção da prisão do ex-banqueiro.

É ingenuidade não vincular as revelações que embaraçam Nunes Marques à guerra de vazamentos entre alas do STF. Há interesse de Moraes e de seus aliados para o ministro seguir pressionado. Coagido, continuaria a declarar-se impedido de votar em casos como o que envolve Moraes e Vorcaro. Um acordo tácito pela garantia de que os enrolados com o Master não precisem dar satisfações nem ser investigados desonra ainda mais a Corte. O interesse do país é o de que toda conduta suspeita seja apurada. 

25 de Setembro de 2026
ECONOMIA

ECONOMIA

Reajuste no Bolsa Família impacta outras áreas - Economia

O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou uma redução na projeção de recursos para Previdência Social, remuneração de servidores, Benefício de Prestação Continuada (BPC), subsídios e outras despesas para acomodar o reajuste do Bolsa Família.

O presidente Lula anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso passará de R$ 600 para R$ 691, e a média, de R$ 675 para R$ 777, a partir de outubro. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

Para bancar o aumento do benefício, o governo anunciou uma economia com outros recursos. Ontem, o Executivo apresentou o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre do ano.

O congelamento de despesas para cumprir as regras fiscais diminuiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões em 2026. A contenção é resultado de um bloqueio de R$ 2,4 bilhões e de um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Até o momento, o governo havia bloqueado R$ 17,9 bilhões em despesas e não havia nenhum contingenciamento.

Benefícios previdenciários

Segundo o governo, em 2026 haverá uma economia de R$ 11,5 bilhões com benefícios previdenciários, R$ 4,1 bilhões com despesas de pessoal e encargos sociais, R$ 1,8 bilhão com BPC, R$ 1,1 bilhão com subsídios, subvenções e Proagro e R$ 100 milhões com outros gastos. Com isso, será possível acomodar o reajuste do Bolsa Família neste ano. Para 2027, o Executivo encaminhará mudanças no Orçamento ao Congresso Nacional.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a redução de despesas não é um corte na Previdência Social, mas é uma estimativa de economia que vai reduzir o crescimento do gasto. 

25 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Tudo é possível na disputa pelo Senado

Pouca coisa mudou na pesquisa Quaest para o Senado entre o levantamento de 24 de agosto e o divulgado nesta quinta-feira, a 10 dias da eleição. Manuela D?Ávila (PSOL) é a única entre os candidatos ao Senado em situação relativamente confortável, pela combinação entre primeiro e segundo votos. Mas nem ela pode ser considerada eleita, dada a proximidade entre os cinco primeiros candidatos e o elevado número de indecisos e de eleitores dispostos a votar branco ou nulo ou até não votar.

Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Manuela é o primeiro voto de 18% dos entrevistados e o segundo de 9%. Como são duas vagas, essa combinação de números expressa melhor a intenção de voto do que o percentual de 14%, resultado da soma dos dois votos, divididos por dois, para chegar a 100%.

Marcel van Hattem (Novo) tem 16% como primeiro voto e 6% como segundo, o que lhe dá uma média de 11%, tecnicamente empatado com Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL), ambos com 10%. Germano Rigotto (MDB) tem 9% e está no jogo.

Indecisos e desencantados podem virar o jogo

O elevado percentual de indecisos, somado ao dos que pretendem votar branco ou nulo, ou não estão pensando em votar, torna impossível fazer qualquer previsão segura de resultado. Historicamente, quando há duas cadeiras em disputa, os eleitores deixam para definir o segundo voto nos últimos dias. Boa parte chega diante da urna sem saber que precisa escolher dois nomes e acaba anulando a segunda opção.

Na Quaest, 25% dos entrevistados ainda não escolheram o candidato para a primeira vaga e 36% não definiram o segundo voto. O ponto de interrogação supera todos os candidatos. Há ainda 8% que pensam em não ir às urnas ou votar nulo ou branco na primeira vaga. Na segunda, esse índice sobe para 13%.

Somando-se as duas vagas, os indecisos representam 30% dos eleitores e os desencantados, 11%, mesmo com a campanha nas ruas, nas redes, no rádio e TV. Em agosto, eram 37%, mais 14% que a todos rejeitam. _

Na corrida presidencial, Flávio e Lula estão empatados na margem de erro

Na simulação de primeiro turno no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 35% das intenções de voto no primeiro turno e o presidente Lula (PT), 31%. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, a situação se configura como de empate técnico. Flávio teria entre 32% e 38%. Lula, entre 28% e 34%.

Todos os demais candidatos juntos somam 10%, menos que os indecisos (16%) e pouco mais do que os 8% dispostos a votar nulo, branco ou não comparecer à sessão no dia 4.

No segundo turno, a vantagem de Flávio se amplia. Ele herda os votos de quase todos os candidatos e sobe para 46%, enquanto Lula passa de 31% para 35%.

Os indecisos no segundo turno são 7% e os que não pretendem votar ou pensam em anular ou digitar "branco" somam 12%. _

Leite é bem avaliado

A campanha de Gabriel Souza ajudou a melhorar a avaliação do governador Eduardo Leite. O índice de aprovação subiu de 42% para 52% em um mês e o de reprovação caiu de 45% para 38%. Já a aprovação do presidente Lula subiu de 38% para 40% e a desaprovação caiu de 55% para 54%. _

Indecisos embaralham eleição para governador

A pesquisa Quaest detectou um fenômeno incomum na eleição para governador do Rio Grande do Sul. Um quarto dos 900 entrevistados (25%) declarou ainda não saber em quem votar. Dos que já escolheram, 29% optaram por Luciano Zucco (PL) e 23% por Juliana Brizola (PDT). Gabriel Souza (MDB) foi mencionado por 10%. Há ainda 8% que não se empolgam com nenhum dos candidatos.

É curioso que, apesar da campanha intensa dos últimos 30 dias, todas as mudanças tenham ocorrido dentro da margem de erro de três pontos. Zucco subiu de 26% para 29%, Juliana se manteve em 23%, Gabriel passou de 9% para 10% e Marcelo Maranata (PSDB) passou de 2% para 3%.

No segundo turno, Zucco está à frente, mas 40% contra 34% de Juliana significa "empate no limite da margem de erro". No confronto direto com Gabriel, Zucco faz 42% e o vice-governador, 26%. Na disputa entre Juliana e Gabriel, ela tem 34% e ele, 27%.

A favor de Zucco pesa a baixa rejeição: 23% dos entrevistados disseram que conhecem o candidato do PL e não votariam nele. Já a rejeição de Juliana é de 35%, um ponto a menos do que os que a conhecem e votariam nela. Gabriel tem 20% de rejeição, ante 21% que o conhecem e votariam nele. _

Amizade com advogado pode ser pior do que voo no jatinho

Se não fossem os laços e os cifrões que unem Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, seria possível acreditar que ele não tivesse a mais remota ideia de que o Legacy no qual viajou com a família, de Fort Lauderdale para Brasília em janeiro de 2025, era compartilhado pelo "amigo legítimo" Willer Tomaz com outros dois sócios. E que o dono de um terço do jatinho era ninguém menos que Vorcaro.

É verdade que o mundo dos muito ricos - aqueles que podem comprar ou dividir um jatinho - é muito pequeno. E que se o avião está no nome de uma pessoa jurídica, como saber que o dono da empresa seja justamente aquele banqueiro para quem você ali adiante vai pedir dinheiro para financiar um filme sobre a vida de seu pai?

É possível que ter viajado no mesmo avião que oito meses depois levaria o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa para um compromisso no Rio de Janeiro seja um problema menor do que o álibi apresentado por Flávio para se defender.

Ocorre que Willer é investigado no escândalo do INSS por ligações com o senador Weverton Rocha, que aparece em fotos com ele e Flávio no mesmo safári. O advogado, que diz não conhecer Vorcaro, comprou do cunhado dele, Fabiano Zettel, um apartamento de luxo em uma das áreas mais nobres de São Paulo por R$ 2 milhões a menos do que pagara. Isso poucos dias antes de Zettel ser preso. _

POLÍTICA E PODER

A corrida da inteligência artificial

Há requintes de Guerra Fria na corrida de Estados Unidos e China pelo desenvolvimento da inteligência artificial.

Tanto que, diante das recomendações para colocar freios nas pesquisas após o incidente envolvendo um modelo experimental da OpenAI que invadiu os sistemas da Hugging Face, surgiu um dilema de uma corrida armamentista: nenhum dos lados parece disposto a desacelerar se o outro continuar avançando. Como na disputa entre americanos e soviéticos, entre 1945 e 1991, se um acelerava a fabricação de mísseis balísticos e ogivas nucleares, o outro dobrava a aposta.

Mas digo "requintes" porque, por mais tentador que seja comparar o comportamento dos dois titãs econômicos globais com a antiga rivalidade entre EUA e URSS, é importante colocar os dois pés na realidade: o mundo hoje não está dividido em duas esferas de poder. Mesmo depois de anos de guerra comercial, tarifas e restrições tecnológicas, Estados Unidos e China continuam profundamente conectados.

Americanos e soviéticos eram adversários praticamente sem vínculos econômicos. EUA e China são competidores estratégicos cujas economias estão conectadas. Competem por semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, mas também vendem centenas de bilhões de dólares um ao outro.

Poucas cenas sintetizam tão bem essa relação quanto a de Donald Trump ao pé da escada do avião de Xi Jinping na Base Aérea de Andrews. Normalmente, o anfitrião espera o visitante na Casa Branca. A deferência ajuda a dimensionar a importância que Washington atribui à relação com Pequim.

Nesse cenário

Na inteligência artificial, essa mistura de competição e dependência é evidente. Empresas e pesquisadores passaram a defender algum tipo de desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados depois dos recentes incidentes de segurança. Mas a competição entre as duas potências torna um freio unilateral difícil. Se um desacelerar, entregará ao adversário uma vantagem estratégica.

Os dois lados minimizaram o alarmismo. O Ministério das Relações Exteriores da China criticou o que chamou de disseminação do medo, defendendo uma IA "para o bem". Trump falou em evitar "a forças do mal". Ontem, Xi afirmou que China e Estados Unidos têm a responsabilidade de desenvolver e gerir a tecnologia para que permaneça sob controle humano.

Ao mesmo tempo, os dois governos concordaram em estabelecer um canal para comunicar incidentes de segurança. É muito mais do que um "telefone vermelho", a Hotline Washington-Moscow pós-Crise dos Mísseis. Hoje, no fundo, as decisões estratégicas e militares estão muito mais subordinadas aos negócios. _

Parceria entre UFRGS e Moscou

A UFRGS assinou um termo de cooperação com a Universidade de Moscou - Lomonosov (MSU) para incremento de pesquisas polares.

A instituição russa é uma das mais antigas e renomadas do país. A concretização do acerto foi feito durante visita da reitora da UFRGS, Marcia Barbosa, a Moscou, recentemente.

Para o professor Jefferson Cardia Simões, o acordo abre para o Centro Polar e Climático (na verdade para UFRGS como um todo) a possibilidade de que sejam realizadas pesquisas de campo no Ártico russo e no arquipélago de Svalbard, que tem soberania norueguesa mas permite que países tenham estação científica na área.

- Os russos têm uma estação, Barentsburg, e poderemos trabalhar lá. Nós, da UFRGS, temos interesses em alguns tópicos quentes, relacionados as mudanças do clima do Ártico - explica.

Entre os temas, foram abordados: o impacto do derretimento do gelo marinho no Oceano Ártico nas rotas de transporte oceânicas; a exploração de recursos naturais e novas estratégias militares com a abertura do oceano; o impacto do aquecimento do Ártico no clima dos trópicos; e o impacto do derretimento de calotas de gelo e do manto de gelo da Groenlândia no nível dos oceanos. _

MP reduz pegada de carbono

O MP-RS reduziu em 67,18 toneladas as emissões de gases de efeito estufa entre junho de 2025 e agosto de 2026. O feito foi possível graças à ampliação do uso de etanol em veículos da instituição. A medida resultou em uma redução de 25% das emissões em comparação com um cenário de utilização exclusiva de gasolina. Veja a que equivale a economia no ecossistema. _

Dimensão

Absorção florestal - O trabalho de cerca de 480 árvores adultas crescendo e absorvendo carbono ao longo de 10 anos.

Quilometragem percorrida - A emissão do escapamento de um carro de passeio a gasolina rodando 270 mil quilômetros, o equivalente a dar quase sete voltas completas ao redor do planeta Terra pela linha do Equador.

Consumo de combustível - A não queima direta de cerca de 29 mil litros de gasolina.

Energia residencial - A pegada de carbono do consumo anual de eletricidade e gás de aproximadamente 28 famílias brasileiras.

Semana do Clima de NY

A CoalizãoRS, iniciativa que reúne poderes públicos e privados, academia e organizações da sociedade civil, está participando da New York Climate Week, um dos principais encontros globais sobre mudanças climáticas.

O diretor-executivo da entidade, Tarso Oliveira, participou do painel Building Resilience Together - Construindo Resiliência Juntos: uma nova parceria para financiamento e governança climática no Rio Grande do Sul, ao lado da professora Eugenie L. Birch, da University of Pennsylvania, e de Isa Carla Osterkamp, secretária do Meio Ambiente do Estado.

Tarso também participou do painel From Reconstruction to Resilience - A New Public-Private Investment Moden in Rio Grande do Sul, Brazil, ao lado do diretor de Inovação e Mercados do Badesul, Elias Rigon, da coordenadora da assessoria técnica da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, Cecília Hoff, e do presidente do Dmae, Vicente Perrone. A mediação foi de Delfina Vildosola, do Penn IUR.

O que foi discutido

O encontro discutiu novos modelos de financiamento e governança capazes de acelerar a transição da recuperação de desastres para a resiliência de longo prazo; e o Programa Catalítico Resiliência RS, parceria entre governo do Estado, Badesul e CoalizãoRS voltada à estruturação e qualificação técnica de projetos de reconstrução e adaptação climática, com foco em transformar demandas prioritárias dos municípios em iniciativas aptas à execução e à captação de recursos públicos e privados. _

INFORME ESPECIAL 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

24 de Setembro de 2026 
CARPINEJAR

A intuição só sussurra

Quando um avião ou um helicóptero some do radar por longo período, imagina-se o pior. Apesar das rezas coletivas e da fé no impossível, a realidade costuma confirmar novas vítimas e derramar luto e condolências ao redor. É raro resistir a uma queda ou a uma colisão.

Acidentes aéreos vêm esvaziando os nossos palcos com perdas precoces e irreparáveis. Foram os Mamonas Assassinas, em 1996; Gabriel Diniz, em 2019; Marília Mendonça, em 2021.

As tragédias são apressadas pela necessidade de se deslocar com rapidez de uma apresentação a outra, de uma cidade a outra, para eventos no mesmo dia, e pela tentativa de dispensar a burocracia dos aeroportos.

Quem dormiu na expectativa do salvamento do cantor sertanejo Rick Sollo, 59 anos, desaparecido desde segunda-feira, viu-se consternado com a localização da aeronave pelo Corpo de Bombeiros na serra catarinense. Dos cinco ocupantes do Bell 430, não houve sobreviventes. Também morreram o palestrante mineiro Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

De acordo com informações preliminares, o helicóptero teria enfrentado mau tempo e chuvas fortes no trajeto de Porto Belo a São Joaquim, em Santa Catarina.

Rick, nome artístico de Geraldo Antônio de Carvalho, natural de Porto Nacional (TO), liderou o sertanejo romântico nas paradas de sucesso. Famoso pela parceria com Renner, vendeu mais de 10 milhões de discos em vinte e cinco anos de parceria. Entre os seus hits, o mais lembrado é Ela É Demais, lançado em 1998.

Ele ampliou o seu alcance como compositor de destaque em gravações de colegas do meio, como Página de Amigos, de Chitãozinho & Xororó; Só Dá Você na Minha Vida, de João Paulo & Daniel; Agenda Rabiscada, de Cleiton & Camargo; e Bebo pa Carai, de Gino & Geno.

Radicado nos Estados Unidos, Rick cumpria roteiro de shows na região centro-oeste do Brasil com a sua dupla. A sensação de impotência aumenta porque testemunhamos, pelas redes sociais, detalhes do embarque do músico ao lado do empresário Bruno Avelar e de sua comitiva.

Avelar, especialista em networking, responsável pelo projeto O Poder do Network e conselheiro na campanha presidencial de Augusto Cury, era o anfitrião da viagem. Rick brinca com a carona: - Você não tem que ser rico. Tem que ter amigo rico. Não havia como supor que se tratava de uma despedida. Os sorrisos, as piadas e os abraços disfarçavam o adeus.

A derradeira postagem de Paulo Soares, que documentava a viagem, resumiu-se a um registro no interior do helicóptero com a legenda: "Acho que nasci para isso".

Não emergiram palavras premonitórias. É isso que assusta. Ninguém sabe quando será a última vez, talvez apenas por dentro, sem revelar os medos mais fundos. O sexto sentido adormece, não se arrisca a declarar o impensável. A intuição só sussurra, jamais grita. 

CARPINEJAR

24 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

A saúde em um RS mais grisalho

A saúde é um dos três serviços essenciais, ao lado da educação e da segurança, que o poder público tem o dever de prestar à sociedade. O envelhecimento da população, fenômeno demográfico que, no Brasil, ocorre de forma mais acelerada no Rio Grande do Sul, vai impor uma transformação no perfil do atendimento e exigir maior atenção orçamentária para essa área. 

Conforme o IBGE, em 2000 o percentual de gaúchos com 60 anos ou mais era de 10,6%. Em 2023, chegou a 20%. A proporção vai continuar a crescer. Os gaúchos serão mais grisalhos a cada ano e um número cada vez maior de pessoas alcançará idades bastante avançadas.

A saúde é a sexta pauta da série do Grupo RBS sobre os grandes desafios do Rio Grande do Sul à frente (leia nas páginas 6 e 7). São temas que o próximo governo gaúcho deverá olhar com especial atenção. A longevidade não pode ser um peso. O passar dos anos costuma ser acompanhado por uma prevalência maior de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e menor autonomia. É preciso assegurar que os gaúchos envelheçam com saúde física e mental e com dignidade.

A transformação demográfica exigirá que áreas como geriatria, cardiologia, oncologia, medicina interna e medicina de família, entre outras, tenham mais profissionais e oferta de serviços, especialmente na rede pública, pelo SUS. 

Mas é essencial, desde já, trabalhar pontos ligados à prevenção de adoecimentos, para que se chegue a uma população idosa mais saudável. Alimentação adequada, atividades físicas e convívio social são aspectos importantes para a longevidade com qualidade de vida. Também ganha relevância, nesse contexto, contar com uma rede de atenção primária bem dimensionada e preparada para essa nova realidade.

Mas as demandas da população na área da saúde são mais amplas. Uma das questões ainda sem resposta adequada é como descentralizar o atendimento, levando mais médicos para o Interior e criando, nas várias regiões do Estado, condições para a oferta de um maior número de serviços e especialidades. É basilar para diminuir a ambulancioterapia, problema que o Estado debate há décadas e que congestiona a rede da Capital.

Conforme o Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), são 11,81 médicos para cada mil habitantes em Porto Alegre, mas a proporção cai drasticamente, para 2,27, no Interior. Além da remuneração, a existência de estrutura satisfatória é fator essencial para fixar mais profissionais em outras regiões do Estado. 

O desafio é encontrar formas de fazer essa desconcentração dos serviços de média e alta complexidade caber nas limitações orçamentárias. A tecnologia, ao mesmo tempo, deve ser uma aliada, com a qualificação da oferta da telemedicina, capaz de atender alguns tipos de consultas e evitar deslocamentos.

Por força de um acordo com o Ministério Público (MP), firmado no ano passado, o Piratini passou a elevar gradualmente os recursos para a saúde, a fim de atingir os 12% da sua receita líquida, previstos na Constituição, até 2030. Serão cerca de R$ 6,7 bilhões a mais neste período. Também cabe ao próximo governo, com visão de Estado, contribuir para moldar a rede pública de que o RS precisará à frente desta década. 

24 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Divisão do fundo eleitoral no RS revela aposta em mulheres

Seja por estratégia política ou para cumprir as cotas de gênero, a maioria dos partidos no Rio Grande do Sul aposta suas fichas em candidaturas femininas para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Na distribuição do dinheiro do fundo eleitoral, os partidos precisam respeitar as ações afirmativas obrigatórias por lei e por entendimentos dos tribunais superiores. Por isso, têm de destinar no mínimo 30% do total dos recursos obtidos do fundo para financiar as candidaturas femininas (ou uma porcentagem maior, caso o número de candidatas do partido supere os 30%).

Na repartição dos recursos pagos até agora pelos diretórios estaduais e nacionais, 12 das 19 siglas que enviaram recursos ao Estado têm uma mulher no topo da lista com maior parte do recurso repassado. São 15 mulheres que lideram o recebimento de recursos dos seus partidos. Dessas, sete já têm mandato e disputam a reeleição. Outras cinco são apostas para conquistar vaga na Assembleia: Cris Lohmann (MDB), Deisi Maranata (Podemos), Nicole Weber Covatti (PP), Delegada Ana Tarouco e Paula Mascarenhas, ambas do PSD.

PSTU, Rede e UP têm mulheres no topo da lista - Patrícia Peixe, Professora Claudia Brum e Samara Garcia -, mas estão todas empatadas com candidatos homens, já que os três partidos repartiram a verba apenas entre dois postulantes: um homem e uma mulher. As candidaturas femininas receberam até agora R$ 35,27 milhões do fundo eleitoral, o que representa 44,77% do total destinado no Estado. Em maior número, as candidaturas masculinas ficam com R$ 43,5 milhões. O levantamento dos valores arrecadados para a realização das campanhas eleitorais foi feito pela coluna a partir de dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, atualizados em 21 de setembro.

Nove partidos destinaram 50% ou mais da fatia que receberam do fundão eleitoral para as mulheres. O PSDB lidera o ranking proporcional e inverte a lógica: enquanto a cota exige que 30% do fundo eleitoral seja destinado às candidaturas femininas, os tucanos pagaram 68,31% dos recursos para as mulheres que concorrem pelo partido. Dos R$ 1.499.004,46 que o PSDB destinou para os seus candidatos a deputado estadual, R$ 1.024.004,46 foram enviados às 12 mulheres que estão concorrendo. Mas é um candidato homem - o presidente estadual do partido, Moisés Barboza - quem mais recebeu recursos: R$ 250 mil. Os outros R$ 225 mil são repartidos entre 24 candidatos homens.

Numericamente, o partido que mais destinou verbas às candidaturas femininas foi o PL, com R$ 7.340.000,00 pagos até agora para suas 17 candidatas, mas o valor representa 42,66% do total distribuído pelos liberais no Rio Grande do Sul. O PSD é o segundo da lista, com R$ 5.323.569,10 repassados às 14 mulheres concorrendo, montante que equivale a 61,56% do total do partido do governador Eduardo Leite. Em terceiro vem o PT, com R$ 4.984.067,54 às 15 candidaturas femininas. Até agora, quatro partidos não atingiram a cota de 30% para as mulheres: Novo (27,86%), PP (25,07%), PDT (24,24%) e PCdoB (17,59%). _

Gabriel Souza em contato direto com moradores de Porto Alegre

O vice-governador do RS e candidato ao Piratini, Gabriel Souza, dedicou a agenda de ontem a caminhadas no bairro Menino Deus e na Zona Norte, onde percorreu trecho da Avenida Assis Brasil. O contato direto com eleitores é a estratégia dos emedebistas para alavancar a candidatura na reta final da campanha.

Gabriel estava acompanhado da vereadora Cláudia Araújo (PSD), que concorre a deputada estadual, e da esposa, Talise Tiecher. No Menino Deus, Gabriel foi parado pela senhora Dalila, de 90 anos, que relatou sempre acompanhar o candidato do MDB em debates e entrevistas.

- O mais importante é conversar com as pessoas - disse o candidato, que encerrou a agenda com mobilização em Guaíba. _

Lula e Flávio empatam até nas receitas de campanha

Não é só nas intenções de voto e na rejeição que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados. Nas receitas de campanha também. O balanço parcial das receitas e despesas, no site do TSE, registra números semelhantes de arrecadação de recursos, a maior parte com origem no fundo eleitoral.

Até agora, a campanha de Lula contabiliza receita de R$ 56.859.606,91. A de Flávio, R$ 56.729.605,35. O PT repassou R$ 55,1 milhões do fundo eleitoral para a campanha da reeleição de Lula. O PL destinou R$ 53,5 milhões dos fundos eleitoral e partidário. Ambos ainda estão longe do limite legal de gastos no primeiro turno, que é de R$ 88.944.030,80. Até na maior doação de pessoa física os dois estão empatados, com R$ 500 mil cada um do empresário gaúcho Erasmo Battistella. _

André Machado bate recorde de permanência no Demhab

Em 2020, quando Sebastião Melo se elegeu prefeito e começou a montar a equipe, o jornalista André Machado era cotado para ser secretário de Comunicação. Foi uma surpresa geral quando Melo anunciou Flávio Dutra na Comunicação e André no Departamento Municipal de Habitação, com status de secretaria.

O próprio jornalista acreditava que não duraria no cargo, por falta de familiaridade com a área. Errou: nesta semana ele bateu o recorde de permanência que era de Artur Zanella (cinco anos) e completou 62 meses à frente do Demhab. O primeiro desafio foi negociar a desocupação das vilas que impediam a ampliação da pista do Aeroporto Salgado Filho pela Fraport.

A disciplina, a vontade de aprender e a capacidade de dialogar explicam longevidade no cargo. Ele transita de vila em vila, chama os líderes comunitários pelo nome, sabe quantas unidades habitacionais estão em construção em cada projeto do Minha Casa, Minha Vida e dialoga com os responsáveis pela área de habitação dos governos estadual e federal sem ranço ideológico, mesmo sendo filiado ao Progressistas (PP). _

Câmara não tem como afastar Giovane Byl da Mesa Diretora

Sem um pedido do vereador Giovane Byl (Podemos) para se afastar da Mesa Diretora da Câmara de Porto Alegre, o presidente Moisés Barboza (PSDB) não tem como convocar uma eleição para escolher o 1o vice-presidente. O regimento da Câmara prevê nova eleição apenas em caso de morte ou renúncia ao cargo. Byl está preso desde sexta-feira, no contexto da Operação Cinesia do Ministério Público, que investiga desvios de emendas para a saúde.

Moisés pediu à bancada do Podemos que tente se comunicar com o vereador para saber o que ele pretende fazer, já que não tem como frequentar as sessões. _

POLÍTICA E PODER

24 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Faltam (só) 10 dias para a eleição

A 10 dias do primeiro turno, o RS vive uma eleição que ainda não parece... uma eleição. À exceção dos chamados wind banners, que enfeiam os canteiros das cidades e atrapalham a visão dos motoristas nos cruzamentos, a campanha não "pegou" nas ruas.

O mau tempo deste início de primavera tem prejudicado as ações dos candidatos. Houve caminhadas e atividades externas, mas parte relevante das agendas tem sido dedicada à gravação de programas eleitorais. É preciso reconhecer que o próprio modus operandi das campanhas mudou. Bandeiraços, adesivaços, carreatas e comícios já não monopolizam a comunicação política. Parte importante da disputa acontece individualmente, na tela do celular.

Os próprios candidatos contribuíram para esse cenário ao priorizar redes sociais e cortes de vídeos e, em alguns casos, ao se ausentarem dos debates. Esse fenômeno se repete na eleição nacional: os confrontos diretos perderam espaço para podcasts, videocasts e entrevistas, ambientes mais controláveis, mas que não necessariamente alcançam a massa do eleitorado.

Questões estruturais

Na esfera pública, não faltam questões estruturais a serem debatidas, como vem mostrando a série de reportagens do Grupo RBS sobre os desafios do futuro governador: ambiente, educação, contas públicas, infraestrutura, agronegócio, saúde, segurança e desenvolvimento econômico.

Mas as propostas aparecem de forma fragmentada ou superficial. Mesmo o risco de enchentes - que voltou ao centro das preocupações com a chuvarada dos últimos dias, as mortes, a destruição e a elevação dos rios - foi pouco explorado pelos candidatos. Ao lado da saúde, o tema ambiental empata entre as principais preocupações dos gaúchos.

A crise no Supremo Tribunal Federal em torno do escândalo do Banco Master engolfou a agenda estadual. Mas, acima de tudo, o vazio do debate público reflete a apatia do eleitorado e uma perigosa descrença na política. _

Interesse americano no Brasil

O quanto de verdade e o quanto há de teoria da conspiração por trás do suposto interesse dos EUA em interferir no processo eleitoral brasileiro? No programa Conversas Cruzadas, de GZH, na terça-feira, a professora de Relações Internacionais da UFRGS Tatiana Vargas-Maia afirmou:

- Não é imaginação. Há evidências suficientes que demonstram interesse pontual: as questões relacionadas à não renovação do visto da embaixadora brasileira (Maria Luiza) Viotti; o fato de Donald Trump estar recebendo parte dos candidatos, como Flávio Bolsonaro, na Casa Branca, afirmações de que o governo brasileiro perseguiria conservadores. São ações que, tomadas em conjunto, criam uma pressão sobre a atuação internacional do Brasil, mas também no contexto doméstico. _

Reconhecimento do resultado

Trump pode não reconhecer o resultado, em caso de vitória de Lula por uma margem apertada? A professora Tatiana Vargas- Maia, da UFRGS, prossegue:

- Seria uma ruptura bastante drástica para as relações entre Brasil e EUA, mas não descarto essa possibilidade. Não sei o quanto uma vitória de Lula atingiria a imagem que Trump faz de si mesmo e o levaria a querer responder de alguma maneira. É um cenário de acirramento que nos levaria a um contexto ainda mais drástico.

Em tempo: em 2022, os EUA, sob o governo Joe Biden, foram o primeiro país do mundo a reconhecer o resultado da eleição brasileira. _

Por onde o Papa vai passar

O Vaticano divulgou o roteiro da viagem do papa Leão XIV para Uruguai, Argentina e Peru, em novembro.

Sexta-feira (6) - Deixa Roma e vai ao Uruguai. Recepção e encontro com o presidente Yamandú Orsi em Montevidéu. Celebração das Vésperas na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição e dos Santos Filipe e Tiago.

Sábado (7) - Paysandú: missa no Parque París Londres. Em Montevidéu, agendas na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na Universidade Católica do Uruguai e uma vigília de Oração no Estádio Centenário.

Domingo (8) - Missa na praça da Catedral Basílica de Florida. Segue para Buenos Aires, onde visita o Monumento ao General San Martín e aos Exércitos da Independência, na Plaza San Martín; passa pela Casa Rosada, onde deve se encontrar com o presidente Javier Milei; e realiza um encontro com autoridades no Palácio Libertad.

Segunda-feira (9) - Visita ao Pequeño Cottolengo Don Orione, em Claypole; missa no Monumento aos Espanhóis; reunião na Universidade Católica Argentina; encontro ecumênico e inter-religioso no Palácio San Martín; e celebração das Vésperas na Catedral Metropolitana da Santíssima Trindade.

Terça-feira (10) - Em Córdoba, haverá missa na esplanada da Escola de Aviação Militar. Depois, encontro com religiosos na Catedral de Nossa Senhora da Assunção. De volta a Buenos Aires, vigília com os jovens no Monumento aos Espanhóis.

Quarta-feira (11) - Visita o Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires e missa na praça da Basílica de Nossa Senhora de Luján. Depois, parte para o Peru. Em Lima, encontro no Palácio do Governo com a presidente Keiko Fujimori.

Quinta-feira (12) - Encontro com religiosos no Palácio Arquiepiscopal de Lima; celebração da Hora do Meio-Dia na Basílica de São João Apóstolo e Evangelista; encontro com a população em frente à Catedral. À noite, vigília no Estádio Monumental.

Sexta-feira (13) - Vai a Chiclayo, onde celebra missa na planície de Pampas de Pimentel; faz uma visita à Capela de San Óscar A. Romero; encontro com religiosos no Santuário de Nossa Senhora da Paz, na Universidade Católica Santo Toribio de Mogrovejo e no Colégio Santo Toribio de Mogrovejo.

Sábado (14) - Rito de Coroação da Imaculada Virgem na Catedral de Santa Maria. Depois, viaja para Santa Cruz de Succhabamba. De volta a Chiclayo, oração no encerramento do Ano Jubilar de Santo Toribio de Mogrovejo.

Domingo (15) - Viaja a Cusco, onde terá encontro com fiéis no Parque Arqueológico Nacional de Saqsaywaman. A oração do Angelus será na praça em frente à Catedral Basílica da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Segue para Pucallpa, onde se encontra com povos da Amazônia no Malecón Puerto Callao. Missa na Villa Deportiva Regional Ucayali e depois retorna para Lima.

Segunda-feira (16) - Visita a casa de recepção Hermanitas de los Ancianos Desamparados. Missa na Base Aérea de Las Palmas. Depois, volta a Roma.

Novos ônibus na Capital

A Carris terá 14 novos ônibus a partir de 2027. A previsão é de que a nova frota chegue a Porto Alegre no primeiro semestre do ano.

Os novos ônibus terão capacidade para 85 passageiros - oito a mais do que os modelos anteriores. Segundo a empresa, a decisão de compra do modelo ocorreu com base em estudo referente à condição operacional da linha T4 - rota que conecta a Zona Sul à Zona Norte da cidade. Essa é a linha que mais transporta passageiros de todo o sistema de transporte público da Capital.

Entre as principais melhorias para os passageiros está o sistema de climatização, com capacidade de refrigeração superior à dos veículos antigos. Os ônibus também serão equipados com entradas USB para carregamento de dispositivos móveis, elevador de acessibilidade e câmeras de videomonitoramento.

Além disso, os veículos contarão com sistemas de telemetria, permitindo que a empresa monitore informações sobre desempenho, consumo e condições de manutenção. _

O Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (Ilades) e a Salt ESG firmaram parceria para mensurar a pegada de carbono do 7º Fórum Internacional de Mudanças Climáticas, no dia 29 de outubro, no Teatro da Unisinos, na Capital.

INFORME ESPECIAL