sexta-feira, 29 de maio de 2026

Lula pede análise sobre impacto econômico de decisão dos EUA sobre PCC e CV

Expectativa é que Lula reforce a soberania nacional durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta (29)

Expectativa é que Lula reforce a soberania nacional durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta (29)

Ricardo Stuckert/PR/Divulgação/JC

Agências
O presidente Lula (PT) pediu a auxiliares um levantamento minucioso sobre o impacto econômico da decisão dos Estados Unidos de classificarem as facções criminosas CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (28) pelo governo de Donald Trump.
Segundo apurou a Folha, o presidente deve usar o episódio para reforçar o discurso em defesa da soberania nacional que tenta emplacar desde a imposição de sanções por Trump contra o Brasil. A expectativa é que ele reforce esse mote durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta (29).
Lula despachava do Planalto com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, quando foi informado pelo secretário de Imprensa da Presidência, Láercio Portela, e por Audo Faleiro, número 2 do conselheiro Celso Amorim, sobre o anúncio dos americanos.
O presidente demonstrou irritação e reclamou que uma medida desse porte tenha sido adotada com fins eleitoreiros, já que houve apoio e articulação do campo político bolsonarista, incluindo do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, na avaliação de auxiliares de Lula, ficou implícita uma ameaça de intervenção americana nas eleições, uma vez que o anúncio dá fôlego ao pré-candidato do PL.
A possível designação dos grupos criminosos como terroristas era uma possibilidade que pairava no governo brasileiro há meses, mas havia uma expectativa de uma trégua depois do encontro de Lula com Trump, na Casa Branca, no início do mês. O presidente brasileiro sabia que o risco do anúncio pelos EUA existia e, desde o ano passado, quando começaram as sanções americanas, o governo se debruça sobre isso.
Mas houve surpresa por Trump ter adotado a medida em um momento em que veio à tona a relação de Flávio com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e depois de Lula se mostrar aberto a uma cooperação para combate ao crime organizado. Segundo relatos, Lula acha que emplacar as facções brasileiras como organizações terroristas era a intenção de Flávio quando o senador viajou para os EUA nesta semana para se encontrar com Trump.
Agora, Lula quer primeiro entender a dimensão da medida tomada pelo governo de Trump antes de se posicionar politicamente. Foram pedidos subsídios para encaminhamentos aos ministérios da Fazenda, de Dario Durigan, e da Justiça, chefiado por Wellington César Lima e Silva, além da AGU (Advocacia-Geral da União), de Jorge Messias.
O Ministério das Relações Exteriores, que tem à frente o chanceler Mauro Vieira, também deve apresentar uma resposta diplomática ao tema. O governo brasileiro considera que os efeitos da classificação podem atingir desde investimentos estrangeiros no país até o turismo nacional. Interlocutores do presidente também avaliam que o desafio com a classificação de CV e PCC como terroristas é mostrar que esse é mais um capítulo das investidas do clã Bolsonaro para impor sanções ao Brasil. 
O anúncio de Washington ocorreu após visita de Flávio a Trump na terça (26) e a outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA, na quarta (27).

Federasul critica PEC de 40 horas e vê pauta com viés eleitoral

"A proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma equivocada", destaca Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federasul

"A proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma equivocada", destaca Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federasul

FEDERASUL/DIVULGAÇÃO/JC
Osni Machado
Osni MachadoColunista
A aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1 provocou forte reação do setor empresarial gaúcho. Para Rafael Goelzer, vice-presidente de Integração da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), a proposta está sendo conduzida pelo governo federal de forma “equivocada” e com foco eleitoral, sem estudos aprofundados sobre os impactos econômicos da medida. Goelzer afirmou que o verdadeiro problema enfrentado pelos trabalhadores brasileiros não é apenas a jornada de trabalho, mas a elevada carga tributária e os encargos que reduzem o salário líquido recebido pelos empregados.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (27), com 472 votos favoráveis e 22 contrários. O texto prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além de dois dias de folga semanais e um período de transição de até 14 meses após a promulgação. A proposta ainda precisa ser votada em segundo turno antes de seguir para análise do Senado Federal.
Em entrevista ao Jornal do Comércio, Goelzer criticou o que chamou de “pauta eleitoreira” em torno do debate. “A discussão sobre a escala 6x1 está sendo conduzida de forma equivocada pelo governo federal, sendo utilizada como uma pauta eleitoreira sem o devido estudo de seus impactos”, afirmou. Segundo ele, o governo busca se posicionar como defensor dos trabalhadores, mas ignora fatores que, na avaliação da entidade, afetam diretamente o poder de compra da população, como juros elevados, endividamento e aumento de impostos.
O vice-presidente de Integração da Federasul também chamou atenção para a diferença entre o custo de contratação para as empresas e o valor efetivamente recebido pelos trabalhadores. “É inaceitável que uma empresa desembolse R$ 3.900 por um funcionário e este receba menos de R$ 2 mil líquido”, declarou. Conforme o dirigente, os encargos trabalhistas, tributos e contribuições obrigatórias representam uma “mordida” do Estado sobre a renda do trabalhador e impedem que o dinheiro chegue diretamente ao bolso de quem produz.
Outro ponto destacado por Goelzer foi a defesa da flexibilização das jornadas de trabalho. Para ele, diferentes formatos deveriam ser permitidos conforme a realidade econômica e a necessidade de cada trabalhador. “É preciso garantir segurança jurídica e liberdade de escolha, permitindo diferentes jornadas, de 20, 36, 40 ou 44 horas, conforme a necessidade do trabalhador”, argumentou.
Ele também rebateu a ideia de que os brasileiros desejam trabalhar menos. Segundo Goelzer, muitos profissionais que atuam na informalidade, como motoristas de aplicativo, diaristas e ambulantes, buscam autonomia e maior renda, tentando escapar da elevada carga tributária e burocrática do País. Na avaliação da Federasul, o debate deveria estar centrado em mecanismos que ampliem a renda líquida dos trabalhadores e reduzam o peso do Estado sobre a atividade produtiva.
Agora, com o avanço da proposta para o Senado Federal, a entidade empresarial defende que os senadores promovam alterações no texto. Entre as sugestões estão medidas que reduzam encargos trabalhistas e transfiram parte desses valores diretamente para os salários. “O verdadeiro debate não é apenas sobre a escala de trabalho, mas sobre garantir que o trabalhador ganhe mais, tenha autonomia e dependa menos de um Estado que sustenta privilégios em Brasília com o dinheiro de quem produz”, concluiu Goelzer.

Diretor da Kepler Weber defende retenção de talentos durante Mapa Econômico do RS

Schneider acredita que o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada

Schneider acredita que o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada

Tânia Meinerz/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO Rio Grande do Sul deverá começar a perder população em 2027, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário está mais acelerado em algumas partes do Estado do que em outras. E é diante disso que o diretor industrial e de produto da Kepler Weber, Fabiano Schneider, defende a necessidade de investimentos na retenção de talentos na Macrorregião Norte do RS
O dirigente da Kepler Weber foi painelista do evento Mapa Econômico do RS nesta quinta-feira, 28 de maio, na Associação Comercial e Industrial de Ijuí. Na ocasião, foram destacados os desafios e as oportunidades de desenvolvimento para a metade norte do Estado. Durante sua participação, Schneider destacou a necessidade de investimentos em infraestrutura logística, qualificação profissional e retenção de jovens como pilares fundamentais para o crescimento regional.
Segundo ele, o avanço tecnológico no setor agroindustrial cria novas oportunidades, mas também amplia a demanda por mão de obra qualificada. “A gente tem uma região muito pujante de indústrias, de comércio, de várias atividades que vão demandar mão de obra. Por mais que a gente trabalhe muito forte em automação e inteligência artificial, sempre vai haver necessidade de pessoas qualificadas”, afirmou.
Nesse sentido, foi enfatizado pelo dirigente industrial a necessidade de criar condições para que os jovens permaneçam na região. Para ele, além de emprego e formação profissional, é preciso investir em qualidade de vida. “As indústrias estão cada vez mais tecnológicas, com mais automação e inteligência artificial. Precisamos preparar essa juventude para essa realidade e também oferecer qualidade de vida para que ela queira ficar aqui”, disse.
Ao falar sobre o agronegócio, Schneider enfatizou o protagonismo regional na produção agrícola e no setor de armazenagem. Segundo ele, o avanço da industrialização do agronegócio e da digitalização do pós-colheita abre novas perspectivas econômicas para o Estado. O diretor citou o déficit nacional de armazenagem de grãos, estimado em cerca de 135 milhões de toneladas, como uma das grandes oportunidades para expansão do setor, a partir do investimento na verticalização e no processamento da produção primária.
O dirigente também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Kepler Weber na área de tecnologia. Entre elas, destacou a digitalização de unidades armazenadoras, permitindo o monitoramento remoto de silos e secadores em tempo real. “Hoje conseguimos ter todos os dados de uma unidade armazenadora na mão, no tablet ou no celular”, explicou durante o painel do qual fez parte.
Entretanto, ele enxerga a logística como um grande desafio. “A gente precisa trabalhar e melhorar a nossa infraestrutura de estradas. A BR-285 é um desafio. É uma rodovia transcontinental e está muito carregada”, afirmou.
É essa a via utilizada pela Kepler Weber para transportar diariamente suas cargas de produtos e insumos. Nesse sentido, Schneider considerou que a deficiência logística impacta diretamente na competitividade das empresas da região. O dirigente acredita ser necessário o investimento também em outros modais, como a malha ferroviária, para melhorar o setor logístico. 
“A Kepler exporta para 53 países. Então, a gente tem tecnologia, tem qualidade aqui, só que a gente precisa ter pessoas qualificadas. Precisa ter uma infraestrutura boa para que essas empresas sigam aqui. Quando ela pensar em se desenvolver, em crescer, que ela queira crescer aqui, para que ela não precise buscar isso em outro lugar, porque aqui talvez não tenha o mínimo necessário de infraestrutura”, finalizou Schneider.