terça-feira, 8 de setembro de 2026

08 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

O cheiro da mãe

Mãe é uma ligação atemporal, inexplicável.

Dos milhares de perfumes que um ser humano pode colecionar ao longo da sua trajetória, há um apenas que ele jamais erra em identificar: o cheiro da sua mãe. Quando abraçamos a nossa mãe, refazemos a mágica da fragrância fundadora. Pois entramos no mundo em contato com a sua pele.

Tanto que, após o parto, nas primeiras semanas depois do nascimento, costuma-se recomendar que a mãe evite o uso de perfume. Para não confundir o filho. Para facilitar que ele a reconheça.

O primeiro mapa das nossas vivências não é visual, e sim aromático. Antes de detectar um rosto, procuramos o abrigo do colo. O cheiro do corpo materno será um dos maiores elos para aceitar o mundo. Reduz o estresse, diminui o choro e ajuda a regular a frequência cardíaca. Inclusive, tem efeito analgésico, em especial durante procedimentos incômodos, como a picada no calcanhar.

Tanto que o bebê costuma se aquietar no peito da mãe, pois reconhecerá imediatamente a epiderme da proteção. Experimentará o conforto de voltar mentalmente ao ventre.

Entre dois e seis dias de vida, bebês já distinguem a camiseta usada pela genitora. A visão ainda é limitada (cerca de 20 a 30 cm e de forma desfocada), enquanto o sistema olfativo já se encontra desenvolvido.

Não compreendemos direito por que amamos alguém. A senha não está naquilo que os olhos enxergam. Definitivamente, é pela respiração que nos sentimos admirados, antes das palavras, antes dos gestos. Será que o beijo de quem você ama não é inesquecível pelo gosto respirado em torno da boca?

O recém-nascido sabe quem é quem pelo suor, pela química dos poros, numa conexão primitiva, de animal com a sua toca.

Quando ele inspira o cheiro da pele da mãe, estabelece um endereço de cuidado. Talvez represente o momento oficial de seu nascimento: ele liga o Wi-Fi da personalidade. Todo perigo se apresentará fora daquela presença, daqueles quadrantes, daquela bússola.

É o que vai impregnar o cueiro, a manta, a coberta, o travesseiro, espalhando resquícios do tempo em que atravessava o interior da gestação.

Suas memórias afetivas incipientes passam pelo faro, seu canal de comunicação com o universo de sua chegada. Apresentam conexões diretas com estruturas cerebrais ligadas à emoção e à memória, como a amígdala e o hipocampo.

Um aroma nos desperta para as saudades mais arrebatadoras. Ficamos desprotegidos e vulneráveis diante de sua absorção involuntária.

Numa visita em minha casa, a mãe esqueceu seu xale preto na poltrona da sala. Instintivamente, botei o pano em meu nariz, nebulizei com vontade, como se recuperasse meu nascimento. Chorei. Devo ter chorado outra vez da alegria do parto, da sorte de ter vindo dela. _

CARPINEJAR

08 de Setembro de 2026
NILSON SOUZA

O mapa corrigido

Adoro mapas. Devo ter sido infectado por algum bicho geográfico quando andava de pés descalços nos campinhos de futebol do bairro Sarandi, onde passei a infância. Não peguei doença de pele, mas fiquei com uma certa desorientação cognitiva. Se mudo o trajeto rotineiro, me perco. Sempre que me aventuro por território desconhecido, faço um desenho prévio do trajeto ou busco algum outro recurso gráfico. Bendito seja o gênio da lâmpada que inventou o GPS!

Mas meu gosto pela cartografia vai muito além do trânsito. Sou fascinado pelo mapa-múndi, em todas as suas dimensões. Às vezes fico olhando para o globinho do meu escritório e viajo de um polo a outro. Outro dia fiquei imaginando se seria possível ir a pé de Torres à Namíbia quando os continentes estavam unidos na Pangeia, 300 milhões de anos atrás.

Pois vem da África a mais recente alteração na representação plana da nossa Terra geoide. Por iniciativa da República do Togo, a Assembleia Geral da ONU aprovou na semana passada a substituição do tradicional mapa-múndi de Mercator por um desenho atualizado, que corrige distorções no tamanho e na proporção das massas de terra. 

A iniciativa batizada de "Corrija o Mapa" foi aprovada por 164 países, com um único voto contrário, o dos Estados Unidos. Não podia ser diferente: Trump, como se sabe, tem o seu próprio mapa planetário, com seu umbigo em primeiro plano, Nova York como capital do império Maga e pequenas repúblicas bananeiras no restante.

Pois o Brasil ficou mais comprido no novo mapa-múndi. Fica-se com a impressão de que agora vai levar mais tempo para ir do Oiapoque ao Chuí, que nem é a maior distância no território nacional, pois tem um pontinho em Roraima ainda mais longe do Extremo Sul. Brincadeira, claro, a mudança gráfica não altera a realidade. 

Mas mexe com a autoestima dos habitantes. No mapa antigo, a África era quase do mesmo tamanho da Groenlândia. Agora é 14 vezes maior. Na parte que nos toca, a América do Sul também espichou e o Brasil foi junto. Antes, era do tamanho do Alasca. Agora é cinco vezes maior.

Mas não se iludam, é apenas uma representação gráfica. Cuidado com o umbigo! _ A mudança gráfica não altera a realidade, mas mexe com a autoestima dos habitantes

NILSON SOUZA

08 de Setembro de 2026
OPINIÃO DA RBS

O futuro governo e o desafio climático

O próximo governo a se instalar no Palácio Piratini será o primeiro a ter de se dedicar de maneira prioritária, desde o dia inaugural da gestão, à pauta climática e ambiental. A enchente de 2024, devastadora e mortal, fez o Estado despertar de forma definitiva, do pior modo possível, para a nova realidade. O desenvolvimento do Rio Grande do Sul e o bem-estar dos gaúchos dependerão cada vez mais da prevenção e da adaptação a eventos extremos, na forma de chuvas violentas e excessivas ou de estiagens.

É por essa razão que o tema abre, nesta terça-feira, a série de reportagens (leia mais nas páginas 4, 5 e 6 desta edição), que será veiculada até as vésperas da eleição nas diferentes plataformas do Grupo RBS, sobre os desafios que pedem maior atenção do governo a ser ungido pelas urnas em outubro. As matérias analisam questões cruciais para o futuro do Estado. Os temas foram apontados como primordiais por contribuições de diversos setores da sociedade ao longo de ouvidorias organizadas pelo Conselho Editorial da RBS neste ano.

Não há mais dúvida sobre a gravidade das mudanças climáticas e seus efeitos. O alerta da ciência sobre a tendência de esses fenômenos da natureza se tornarem mais intensos e frequentes faz com que o Estado precise conciliar agilidade e planejamento robusto para enfrentar toda sorte de intempéries. Há ações que pedem celeridade. E projetos que exigem estruturação criteriosa pela complexidade e pelo alto investimento, como os sistemas anticheias da Região Metropolitana.

Para os gaúchos, as consequências do clima hostil não são uma cogitação abstrata. Os custos em vidas e em perdas materiais apenas do passado recente falam por si. Na última década, foram 281 mortes e R$ 116,8 bilhões em prejuízos, conforme a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Em outro levantamento, com metodologia diversa, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) estima R$ 126,3 bilhões em danos entre 2020 e 2025 nas lavouras. Como reflexo, o PIB gaúcho perdeu R$ 319 bilhões. Omitir-se agora é correr o risco de ver descalabros semelhantes se repetirem.

Espera-se do futuro governo compromisso e perseverança para tornar o Rio Grande do Sul resiliente aos reflexos do aquecimento global. O Plano Rio Grande, transformado em lei, indica o caminho e tem projetos de grande relevância em diversos estágios. É importante tê-lo como norte.

Não é aceitável que os gaúchos sofram novamente indefesos com a invasão da água pelas cidades, que a infraestrutura seja outra vez destruída e que milhares de cidadãos, sempre os mais humildes, sigam perdendo casas e pertences. Também não é concebível que secas e estiagens recorrentes continuem indefinidamente a impingir perdas econômicas severas, legando crescimento abaixo do potencial e endividamento no campo. Uma das grandes questões sem resposta adequada diz respeito a uma política capaz de elevar de maneira significativa a área irrigada.

Apesar das muitas tarefas árduas à frente, a maior parte do mapa de ação para o RS harmonizar proteção ambiental e progresso está traçada. Resta o desafio de implementar os projetos destinados a forjar um Estado mais adaptado ao novo contexto. Cabe ao próximo governo liderar os gaúchos nessa jornada. 


08 de Setembro de 2026
REPORTAGEM - Marcelo Gonzatto

Construir um legado contra o impacto climático

Série de oito reportagens aborda os principais desafios que o RS precisa enfrentar para avançar. A primeira trata do ambiente. Especialistas apontam necessidade de aprimorar sistemas de prevenção e melhorar a gestão dos recursos naturais.

Nos últimos anos, o ambiente se tornou um tópico prioritário nas discussões sobre o futuro do Rio Grande do Sul. A sucessão de enchentes e estiagens, pontuada por vendavais, deslizamentos de terra e quedas de granizo, evidencia o impacto das mudanças climáticas no dia a dia da população e transforma o investimento em resiliência em uma obrigação para os atuais e futuros representantes dos eleitores.

O Atlas Digital de Desastres no Brasil, mantido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, contabiliza 281 óbitos e R$ 116,8 bilhões em prejuízos públicos e privados provocados no Estado por essas ocorrências na última década.

Esta é a primeira de uma série de oito reportagens sobre os principais desafios que o RS precisa enfrentar para avançar. Zero Hora selecionou, a partir de ouvidorias realizadas pelo Conselho Editorial da RBS e da consulta a fontes independentes, questões que merecem a atenção dos representantes do eleitor gaúcho.

Na área ambiental, isso inclui projetos de contenção de enchentes, preparação para enfrentar eventos climáticos extremos e a gestão inteligente dos recursos hídricos.

O RS está mais exposto a fenômenos extremos por uma combinação de fatores. O território gaúcho sempre foi suscetível a ocorrências de tempestades severas por estar localizado em uma zona de choque entre massas de ar frio e quente. As mudanças climáticas em curso, que aumentam o nível de energia na atmosfera, potencializam esses episódios. A ocupação urbana de zonas de risco ampliou, ao longo de décadas, a fragilidade dos municípios frente às intempéries.

A probabilidade de novas tragédias é multiplicada em épocas de El Niño - como em 2026, quando é esperado um evento muito forte no último trimestre.

- As previsões são de que o El Niño atingirá esse nível muito forte a partir de setembro, com impacto muito grande em outubro, novembro, dezembro e janeiro. Então, tem de estar muito preparado para todos esses meses - alerta o climatologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Nobre.

O custo de permanecer sujeito às variações bruscas do humor do clima é muito elevado. As cheias de 2024 e do ano passado afetaram diretamente mais de 1 milhão de gaúchos, conforme levantamento do governo estadual.

- Existe um risco não desprezível de acontecer um evento muito extremo, como o de 2024, dentro da próxima década ou nas próximas duas décadas. É necessário deixar um legado para esse futuro próximo - afirma o pesquisador e doutor em Hidrologia do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS Rodrigo Paiva. _

1| Para lidar com enchentes

Uma série de iniciativas envolvendo prefeituras, Estado e a gestão federal segue em curso para melhorar as barreiras de proteção contra enchentes no Estado. Esse trabalho começou após a cheia de 2024 e ainda não terminou. Os novos sistemas de proteção são obras e projetos complementares aos sistemas que já existem, coordenados pelo governo do Estado, com investimento de R$ 6,5 bilhões da União.

A ação mais avançada é a implementação do sistema de contenção de Eldorado do Sul, na Bacia do Jacuí, com investimento previsto de R$ 1,1 bilhão. As obras ainda não começaram: até agora, o anteprojeto que prevê a construção de um sistema de diques foi atualizado e concluído. Segundo a Secretaria da Reconstrução Gaúcha, as próximas etapas incluem a elaboração do projeto executivo e a ordem de início dos trabalhos.

No caso do Sistema de Porto Alegre e Alvorada (Arroio Feijó), está em fase final do processo licitatório para contratar a atualização do anteprojeto. O investimento é estimado em R$ 2,5 bilhões. E nos casos dos demais sistemas, estão em fase complementar ao processo licitatório para atualizar os anteprojetos e estudos ambientais, como as bacias do Gravataí (R$ 450 milhões, com edital de atualização de projeto publicado em 14 de agosto), do Sinos (R$ 1,9 bilhão, com previsão de publicação de edital para atualização do anteprojeto em setembro) e do Caí (R$ 14,5 milhões, com edital para realização de anteprojeto em 30 de junho).

A previsão para conclusão das obras dos novos sistemas é em 2031, e exige comprometimento dos novos governantes para se confirmar.

Os sistemas de contenção já existentes, como diques, casas de bombas e comportas, são de responsabilidade dos municípios. As prefeituras contam com auxílio do Estado para as obras de qualificação via programa Fundo a Fundo da Reconstrução, que aprovou liberações de cerca de R$ 700 milhões até o momento.

Planos de prevenção

Outras ações de prevenção aos efeitos de fenômenos climáticos avançaram nos últimos anos. Conforme o auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Everton do Amaral Padilha, levantamento divulgado no ano passado mostrou que 87 cidades não tinham planos de contingência (que definem como evitar, enfrentar e reduzir impactos em casos de desastre), e em 215 estavam desatualizados. Conforme a Defesa Civil Estadual, hoje todas as 497 prefeituras contam com planos próprios.

- É positivo, mas esses planos de contingência têm de ser revisados e amadurecidos constantemente. Em alguns municípios, acabam sendo pouco detalhados - observa Rodrigo Paiva, do IPH da UFRGS.

Sete municípios do Vale do Taquari estão revendo seus planos diretores para evitar a ocupação de áreas de risco, em uma iniciativa conjunta com o Piratini e a Universidade do Vale do Taquari (Univates).

- Os planos diretores foram elaborados, a parte técnica está pronta. Mas os momentos dos municípios são bem diferentes, porque cada prefeitura tem o seu cronograma, as suas instâncias de discussão - afirma a arquiteta Izabele Colusso, que participou da elaboração dos documentos pela Univates e é professora da Unisinos.

A Secretaria da Reconstrução Gaúcha sustenta que o Plano Rio Grande, elaborado para recuperar os danos provocados pelas enchentes e reduzir a vulnerabilidade a fenômenos extremos, prevê R$ 15 bilhões para custear cerca de 270 ações. _

2| Danos das estiagens

Embora as recentes cheias tenham deixado estragos e traumas profundos no Estado, as secas e estiagens têm se mostrado um problema ambiental ainda mais frequente e danoso. Dos últimos seis anos, apenas em 2024 não houve registro de grandes prejuízos provocados pela falta de chuva - justamente quando foi o excesso de água que castigou os gaúchos.

Estimativas da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) indicam perdas da ordem de R$ 126,3 bilhões nas culturas de arroz, milho, soja e trigo entre 2020 e o ano passado (o dado difere dos cálculos do Atlas de Desastres porque é feito com base em outra metodologia). O impacto indireto das quebras de safra sobre a economia resultou ainda em um recuo calculado em R$ 319 bilhões no PIB nesse intervalo (equivalente a 49% de toda a riqueza gerada no Estado em 2023, por exemplo).

Um mapeamento realizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mostra que, depois da Região Nordeste, o Rio Grande do Sul é um dos Estados com maior média de registros de estiagens (falta de chuva por períodos mais breves) e secas (déficit hídrico prolongado) no país. As áreas mais afetadas coincidem com as que apresentam baixos índices anuais de crescimento populacional - chegando a registrar percentuais negativos ou próximos de zero. As perdas econômicas agravadas pela irregularidade das precipitações ajudam a explicar, ainda, as dificuldades de desenvolvimento no Estado nas últimas décadas.

Os gaúchos apresentaram o menor crescimento econômico do país entre 2002 e 2023, com média de 1,4% contra uma média nacional de 2,2% de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). _

3| Gestão do recurso hídrico

Outra frente de ação fundamental em um cenário de variações climáticas bruscas, também marcado por estiagens e secas, é uma gestão hídrica mais inteligente e eficaz. Isso envolve medidas como ampliar áreas de irrigação rural, reduzir perdas na distribuição de água, melhorar a coleta e o tratamento de esgoto e regular a captação e o lançamento de efluentes em mananciais.

- Temos uma lei estadual das águas, de 1994, que inclusive serviu de base para a política nacional de recursos hídricos. Mas, nestes 30 e poucos anos, não vimos intenção dos governos de implementar esses instrumentos de gestão das águas - analisa a presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, Viviane Feijó Machado.

Entre os exemplos de medidas que ainda aguardam implementação, Viviane cita a criação de uma agência estadual de bacias, a exigência de outorga para lançamento de efluentes e a cobrança pelo uso da água (em metros cúbicos) e a elaboração de planos de manejo para todas as bacias.

O governo estadual apresentou recentemente proposta de criação de uma "autoridade das águas", e um projeto semelhante tramita na Assembleia Legislativa, mas ainda não há previsão para a medida ser concretizada. Conforme a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), a medida "aguarda decisão do governador quanto a seu encaminhamento".

A Sema informa, ainda, que existem hoje 25 bacias hidrográficas em solo gaúcho. Parte segue sem a documentação destinada a permitir ações de planejamento mais adequadas: 12 têm planos de bacia concluídos, sete têm documentos parcialmente elaborados e seis ainda não têm planos.

A Sema comunica que "está desenvolvendo uma contratação integrada destinada à conclusão dos planos pendentes, à atualização dos planos existentes e à revisão do Plano Estadual de Recursos Hídricos". A secretaria sustenta que a cobrança pelo lançamento de efluentes está "em processo de implementação", mas a taxa pelo uso de água está em discussão na Justiça.

Viviane aponta ainda a necessidade de elevar o nível de tratamento de esgoto no Rio Grande do Sul e reduzir as perdas na distribuição de água - que chegam a 39% do que é produzido. Já a coleta de esgoto abrange 34,7% da população gaúcha, contra uma média nacional de 56,7%. _

Adaptação da casa aos riscos de enchente

Morador de Eldorado do Sul, o motorista Luciano Almiron, 49 anos, resolveu adaptar sua casa às ameaças de enchente enquanto aguarda por soluções definitivas. Como vive às margens do Guaíba, fez armário e bancada de pedra na cozinha (para resistir às ondas e à umidade), mantém apenas os móveis necessários no andar térreo da moradia e, caso precise, consegue subi-los rapidamente para o segundo piso. Conta ainda com um barco para ajudar a si e aos vizinhos a escapar de eventual nova inundação.

- Não sei se vai ser possível segurar o rio aqui. O ideal seria ter uma solução que atendesse a toda a região. Como não sei quando isso vai ocorrer, me preparei para conviver com as cheias - afirma Almiron. _

Soluções envolvem uma combinação entre obras e ações preventivas

Especialistas consultados por ZH afirmam que a saída para os desafios ambientais e climáticos do RS exige uma receita que combine investimentos em obras de proteção e resiliência, ações de prevenção e o uso inteligente dos recursos naturais.

Entre as ações necessárias, estão obras estruturais que seguem em andamento, como a implantação de diques na Região Metropolitana. O desafio é tirar essas intervenções do papel e garantir sua conclusão nos prazos previstos.

- É preciso trabalhar fortemente para finalizar as reformas dos sistemas de proteção contra cheias que estão em andamento. Isso tem um tempo, é difícil fazer muito rápido porque envolve estudos e um grande volume de recursos - avalia o professor do IPH Rodrigo Paiva.

Isso evitaria que o atual prazo de conclusão das melhorias em sistemas de contenção da Região Metropolitana e arredores, previsto para 2031, venha a sofrer atrasos. Paiva também destaca a importância das ações não estruturais, como o mapeamento de riscos, o monitoramento das condições climáticas e hidrológicas, o fortalecimento da cultura de prevenção e a integração entre diferentes órgãos de governo.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) serve como exemplo de integração entre diferentes esferas de gestão. O órgão federal realizou, até o momento, o mapeamento das zonas de risco de 134 municípios gaúchos. Isso permite identificar os locais mais propensos a inundações, deslizamentos de terra e outros desastres e formular planos diretores e de contingência mais eficazes. O avanço desse trabalho, por meio de novas parcerias, aumentaria o nível de segurança de mais cidades.

Em relação ao uso inteligente da água, uma das medidas fundamentais é encaminhar a criação de um órgão estadual de gerenciamento.

- Essa agência de bacia, ou autoridade das águas, poderia inclusive ser responsável, por exemplo, pelos sistemas de proteção contra cheias. Porque daí tu vês as bacias por meio de um órgão estadual, evitando que ações em um município interfiram em outro, vai ter uma visão realmente regional - argumenta a presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Sinos, Viviane Feijó Machado.

Ampliação da irrigação

A Sema sustenta que o Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento concluiu a tramitação interna da proposta de modernização da lei que institui a Política Estadual de Recursos Hídricos e organiza o Sistema Estadual de Recursos Hídricos.

O assunto está em "fase final de tramitação" e prevê, entre outras medidas, a criação da Autoridade das Águas do Estado. Isso permitiria implementar e gerir com mais facilidade outras medidas defendidas por especialistas, como a cobrança pelo lançamento de efluentes em mananciais.

Já as ações de combate às secas e estiagens envolvem a ampliação da irrigação. Hoje, cerca de 12% da área plantada no Estado é irrigada, mas a infraestrutura está concentrada em áreas de plantio de arroz. Nas culturas de sequeiro (soja e milho), altamente afetadas pela falta de chuva, o índice cai para menos de 5%. O Estado conta com política de estímulo a esse tipo de iniciativa, o Irriga+RS, pelo qual subsidia parte do investimento dos produtores.

Um outro plano, mais ambicioso, prevê usar recursos de uma nova suspensão do pagamento da dívida com a União para financiar projetos de irrigação. Se a União concordar, poderiam ser levantados até R$ 60 bilhões para custear a ampliação dos sistemas de proteção contra secas. Ainda não há confirmação se a medida poderá ser concretizada. 

08 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Um desfile de 7 de Setembro para Trump ver

O 7 de Setembro deste ano teve como foco um espectador a quase 7 mil quilômetros da Esplanada dos Ministérios, em Brasília: Donald Trump, sentado em sua Resolute Desk, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Sob o lema "Soberania - A força que une o Brasil", o presidente Lula transformou o tradicional Desfile da Independência em uma demonstração calculada de força política, institucional e militar. 

Em meio às disputas com os Estados Unidos - da crise tarifária às falas políticas que o Planalto entende como interferência externa -, a mensagem foi de que o Brasil quer mostrar que decide seu próprio destino.

As duas horas de duração estavam previstas na programação, e a passagem de tropas, blindados e aeronaves faz parte da tradição da cerimônia. Mas houve nuances: durante anos, a esquerda brasileira manteve uma relação mais distante com a simbologia militar, enquanto o bolsonarismo apropriou-se politicamente das Forças Armadas, da bandeira e das cores nacionais. Lula agora tenta recuperar esses símbolos e associá-los à defesa do país diante de pressões externas.

Há dinheiro acompanhando o discurso. No projeto de Orçamento de 2027, o governo abriu espaço extraordinário para projetos estratégicos da Defesa. Destinou R$ 12,7 bilhões para investimentos, superando a área da Saúde, que recebeu R$ 11,4 bilhões. 

O valor também é maior do que os destinados à Educação (R$ 6,8 bilhões), à Segurança Pública (R$ 3 bilhões) e ao Saneamento Básico (R$ 1,3 bilhão). Em primeiro lugar, aparece Transporte, com R$ 13,8 bilhões, e envolve investimentos em rodovias e ferrovias, por exemplo. Duas semanas atrás, Lula acenou aos militares, ao dizer que "Defesa não é para quando sobrar dinheiro":

- Temos de preparar o país não para a guerra, mas para a paz, e defender nosso território, nossas riquezas e nosso povo.

Míssil tático

Vem mais por aí: recentemente, a Avibras, indústria bélica brasileira com sede em Jacareí (SP), avançou na certificação de um míssil capaz de atingir 300 quilômetros de distância. O MTC (míssil tático de cruzeiro) foi testado pelo Exército e pela empresa na Restinga de Marambaia, no Rio. O armamento integra o sistema de artilharia Astros.

Para o público interno, ontem, entretanto, a imagem mais importante estava na tribuna. Lula trabalhou pessoalmente para ter ao seu lado Edson Fachin, Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Em meio à grave crise que atinge o STF, o presidente conseguiu reunir os chefes dos três poderes, algo que não ocorreu no desfile do ano passado, e tentou projetar uma imagem de normalidade e coesão institucional.

A fotografia de união ocorre justamente quando as instituições estão fraturadas. Os ministros do Supremo Alexandre de Moraes e André Mendonça, protagonistas do escândalo da vez, não compareceram. Fachin foi o único magistrado do STF presente.

Outros elementos do desfile ajudaram a ampliar essa narrativa. O governo colocou entre os três eixos oficiais o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, incorporando à celebração militar uma agenda social e feminina. A primeira turma feminina do Exército inaugurou os trabalhos em março de 2026.

No fim, o 7 de Setembro serviu a Lula em três frentes ao mesmo tempo. Para dentro, tentou recuperar símbolos nacionais. Diante da crise institucional, exibiu os chefes dos poderes lado a lado. E, para fora, colocou soldados, equipamentos e autoridades sob uma única palavra: soberania. _

Canal 156 vai ter auxílio de IA

A partir deste mês, de forma escalonada, o canal 156, da prefeitura de Porto Alegre, vai adotar inteligência artificial (IA) para atendimento aos cidadãos.

Todas as demandas que dizem respeito ao município devem ser feitas por meio desse número, tanto por telefone tradicional quanto por Whats­App: água e esgoto (falta de água ou vazamentos), limpeza urbana e recolhimento de lixo, zeladoria urbana (tapa-buracos e poda de árvores), denúncias de poluição sonora e fiscalizações, informações sobre transporte, saúde e impostos.

A ideia é automatizar atendimentos mais simples, agilizar respostas e auxiliar os funcionários em consultas e encaminhamentos.

Importante: o serviço não vai substituir o atendimento humano, que segue responsável pelos casos que exigem análise ou decisão especializada.

Na prática, o cidadão poderá, por exemplo, explicar pelo telefone o que precisa em linguagem natural, sem necessariamente seguir uma sequência de opções (em números).

No WhatsApp, a IA responderá dúvidas, consultará protocolos, realizará agendamentos e executará outros serviços que possam ser automatizados.

Quando for necessária análise especializada, o atendimento será encaminhado para um atendente humano.

Outro avanço: a solução também terá um Copiloto de Atendimento, que auxiliará os profissionais do 156 na busca de informações e na elaboração de respostas, utilizando a base oficial de conhecimento da prefeitura e indicando as fontes consultadas. A expectativa é de que seja reduzido o tempo de consulta dos atendentes e ampliada a padronização das respostas dadas ao cidadão.

Segundo ponto de vantagem: a previsão de um Mapa Inteligente da Cidade, que utilizará os dados dos atendimentos para identificar padrões, recorrências e concentrações das demandas por região, produzindo informações que poderão apoiar a gestão municipal. A ferramenta permitirá transformar reclamações individuais em um retrato mais amplo das necessidades da cidade.

A iniciativa acompanha o crescimento da Central, que já registrou mais de 6 milhões de interações em pouco mais de dois anos e meio, com aproximadamente 77% realizadas pelos canais digitais. O investimento é de R$ 1,9 milhão. _

Facilito, o mascote

No momento em que celebra o novo serviço 156, com uso de IA, a secretária de Transparência e Controladoria de Porto Alegre, Mônica Leal, apresenta o Facilito, o mascote oficial da Central do Cidadão da Capital.

- É um orgulho entregar mais um projeto à frente da secretaria e de uma equipe comprometida com quem vive em Porto Alegre - celebra Mônica. _

A Alemanha se arma

Em meio às tensões com a Rússia e ao distanciamento americano, países europeus correm para adquirir armas de longo alcance. A Alemanha, por exemplo, não dispõe, em seu arsenal, de mísseis balísticos, que voam a velocidades muito superiores às dos mísseis de cruzeiro. Entretanto, nos últimos dias, testou com sucesso um Lora, fabricado pela Israel Aerospace Industries, no Atlântico Norte. _

Recursos para educação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou operação de R$ 54,8 milhões, com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para investimentos em iniciativas para expansão e melhoria da qualidade das redes e dos serviços de telecomunicações em cerca de 60 municípios gaúchos. Uma das iniciativas deve beneficiar cerca de 30 mil alunos de 105 escolas de 34 municípios. Os recursos serão usados para instalar redes internas nesses estabelecimentos.

Outra iniciativa deve conectar oito dessas escolas ainda não atendidas, segundo o Painel Anatel. Localizada em oito municípios, a conexão será possível pela construção de rede de fibra óptica com 184,4 quilômetros. Está prevista, ainda, a manutenção da conectividade por, no mínimo, 24 meses. _

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

07 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

A finitude dos pais

Você luta contra a finitude dos pais. Mesmo sabendo que será derrotado. Quer somente ganhar mais um dia.

Passa a criar motivações para que eles continuem tendo gosto de viver. Para que se identifiquem ativos, compreendidos, admirados, não distanciados do auge de suas carreiras.

Eu busco atuar pelas frestas da saúde emocional, para que não se vejam resolvidos ou com a trajetória encerrada. Evoco constantemente a sua relevância social, a sabedoria que carregam, o que já aprendi com eles, o que os torna insubstituíveis.

Não me desvio da missão de influenciar os seus humores. É oferecer um telefonema longo, uma visita, um almoço, um jantar, um café da tarde, um presentinho inesperado.

Perguntar se estão precisando de algo, solucionar algum problema, lidar com um conserto de casa, solicitar uma receita antiga, simular que você não se lembra do nome de uma cidade, aceitar as manias da velhice, respeitar o quanto são difíceis as tarefas mais banais, o quanto é desafiadora cada pequena variação de hábitos.

Mostrar-se suficientemente perto para ouvir o gemido e o sussurro doce da confidência, e diferenciá-los.

Permitir que participem de suas decisões. Pedir um conselho sobre uma questão de seu cotidiano. Assim se apresentarão úteis e necessários. Não esquecerão que alguém depende do discernimento deles. É o maior incentivo à longevidade: encontrar uma razão para que sigam ocupando o lugar de sempre em nossa existência, com futuro dentro de nossos anseios.

Há quem se apague porque o filho não divide mais a luz de seus dilemas. Não compartilha mais o que anda fazendo. Descarta-se a função primordial da paternidade e da maternidade de orientar.

O filho não dá mais notícias de si. Como se os pais já estivessem mortos há muito tempo. E eles vão morrendo realmente de inanição de importância. Quem tem mais de 40 anos, com pais que ultrapassaram os 70, entenderá o que eu digo.

Recordo que, na minha infância, os meus pais contavam histórias e se dispunham a jogar memória ou damas no momento em que chovia. Era final de semana. Não podíamos sair. Eles me mantinham absorto com truques da imaginação, com o poder acolhedor das fantasias.

É dessa forma que eu me sinto. Só que sou eu que assumo agora a responsabilidade de entreter. Eles são as minhas crianças no quarto fechado, com uma tempestade varrendo as vidraças. Procuro distraí-los com brincadeiras para enganar o espaço apertado, a brevidade. Que não se alertem para a imensa fragilidade humana, sem hora para ser levados.

Faço piadas, cantorias, palhaçadas, roubo risos, com uma alegria exagerada que até contrabalança o meu enorme medo de perdê-los. Pareço forte, mas não sou. Eu finjo imunidade. Eu minto que não vem acontecendo nada de grave, que não há adeus próximo, que não devem temer os relâmpagos.

As mentiras são tudo o que eu tenho. As mentiras são a verdade de meu amor por eles. Enquanto acreditarem em mim, ainda estarão acreditando neles. Eles me mantinham absorto com truques da imaginação, com o poder acolhedor das fantasias

CARPINEJAR

 

07 de Setembro de 2026
CLAUDIA LAITANO

História sem fim

Em setembro de 1997, a Veja publicou uma reportagem que escancarava o óbvio: todo mundo conhece alguém que já fez - ou ainda vai fazer - um aborto. Talvez você ainda lembre da manchete, "Eu fiz aborto", e das imagens de mulheres famosas (Hebe Camargo, Marília Gabriela e Cássia Kiss, entre outras) admitindo terem interrompido gestações não desejadas. Atrizes, cantoras e intelectuais, mas também operárias, domésticas, donas de casa e mães de família narravam à revista suas experiências pessoais, cada uma com sua dose particular de sofrimento, vergonha e alívio.

A reportagem que inspirou a histórica capa da Veja havia sido publicada 25 anos antes, em 1972, na revista Ms., criada e dirigida pela escritora e ativista norte-americana Gloria Steinem. Menos de um ano depois da publicação, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 7 votos a 2, que a Constituição protegia o direito à privacidade, o que incluía a decisão de abortar. Gloria Steinem morreu na semana passada, aos 92 anos, tendo vivido o suficiente para assistir à insólita volta da pasta de dentes para dentro do tubo: em 2022, a mesma Suprema Corte revogou a decisão de 1973.

A causa da liberdade reprodutiva era especialmente cara para Gloria Steinem, uma das figuras mais reconhecidas - e ativas - do feminismo mundial. Em 1969, cobrindo um evento sobre aborto, Steinem experimentou o que ela mesma chamou de "grande estalo" feminista. Ali estavam mulheres que se sentiam envergonhadas por não quererem, ou não poderem, levar uma gravidez adiante. Alguma coisa estava muito errada. 

Ela mesma havia feito um aborto, em 1957, aos 22 anos. O médico que a atendeu pediu duas coisas: que ela não revelasse seu nome e que fizesse o que bem entendesse com sua vida a partir daquele dia. Anos depois, Steinem dedicaria seu livro de memórias, Minha Vida na Estrada (2016), a esse médico sensível e corajoso, acrescentando: "Fiz o melhor que pude".

Não deixa de ser tristemente irônico que Gloria Steinem tenha morrido na semana em que estourou a maior crise da história do STF, a instância que tem atuado como o principal canal de garantia dos direitos reprodutivos assegurados pela Constituição brasileira. Enquanto o Congresso paralisa o debate ou propõe o endurecimento da legislação, o STF tem fundamentado suas decisões em preceitos constitucionais como dignidade humana, laicidade do Estado e direito à saúde.

No Brasil, como nos Estados Unidos, essa história ainda está sendo escrita - por homens e mulheres. Mas sem uma Suprema Corte forte e independente para zelar pela Constituição fica tudo muito mais difícil. 

CLAUDIA LAITANO

07 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Estratégias a um mês do primeiro turno

A campanha eleitoral já ingressou no último mês antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Embora as atividades nas ruas e a propaganda em rádio e televisão tenham iniciado há alguns dias, as equipes dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul já preparam a reta final de uma cruzada que teve início ainda em 2025.

Quem mais corre contra o relógio é Gabriel Souza (MDB). Apesar de ter a máquina pública ao seu lado, com realizações do governo Eduardo Leite sendo enaltecidas nas propagandas, Gabriel luta contra o desconhecimento e não consegue decolar nas pesquisas - levantamento AtlasIntel divulgado no dia 3 coloca o vice-governador com 10,4% das intenções de voto, frente a 44,3% de Luciano Zucco (PL) e 37,5% de Juliana Brizola (PDT).

Mesmo assim, a equipe de Gabriel confia no trabalho que está sendo feito e manterá a estratégia adotada, com foco em mostrar que o emedebista é o candidato mais preparado para enfrentar as dificuldades do Estado e manter as realizações.

Dividindo a liderança de praticamente todas as pesquisas até aqui, Zucco e Juliana têm situação mais confortável e apostam em uma nova fase da campanha. A equipe do candidato do PL avalia que deram certo as investidas para apresentar Zucco como um político afastado do radicalismo, apesar da ligação com a família Bolsonaro. A partir de agora, a exposição de propostas será intensificada, com foco total em crescimento econômico.

Pelo lado de Juliana, o entendimento é de que a campanha está no caminho certo, já que, com metade do tempo de Zucco na propaganda eleitoral, os dois continuam muito próximos nas pesquisas. Assim como o adversário, a pedetista dá início a uma etapa de exposição dos programas e ações que planeja executar a partir de janeiro, e a chapa aposta em um maior acirramento e mobilizações de rua intensificadas a partir de 20 de setembro.

Aposta no crescimento

Mesmo com menos tempo de comerciais e recursos, Marcelo Maranata (PSDB) tem feito uma campanha focada no contato com as pessoas. Apesar de ter pontuado 2,3% na AtlasIntel, a equipe tucana relata que tem observado maior reconhecimento do público, e segue a aposta em aparecer em comerciais, debates e painéis para cativar o eleitor. _

Vereador reivindica vaga na Assembleia

O vereador de Porto Alegre Jessé Sangalli (PL) reivindica na Justiça a cadeira que pertencia a Valdir Bonatto (PSD) na Assembleia Legislativa.

Com a perda do mandato de Bonatto, o TRE-RS determinou que Zilá Breitenbach (PSDB), segunda suplente, assumisse o cargo, por entender que a cadeira pertence à federação e não poderia ser repassada para outra legenda.

Jessé concorreu pelo Cidadania e ficou com a primeira suplência, mas migrou para o PL, partido pelo qual foi eleito vereador. _

A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.783 pessoas pela internet, entre 27 de agosto e 1º de setembro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi contratado pelo próprio instituto, sob o registro no TSE: RS-00652/2026.

Caiado aproveita visita à Expointer para fazer compras

O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, não saiu de mãos abanando da Expointer. Criador de cavalo crioulo, aproveitou a visita à feira no sábado para comprar direto de um artesão um conjunto de montaria completo, incluindo testeira, freio, rédea, buçal e peiteira.

Assim como Flávio Bolsonaro (PL), Caiado também recebeu o afago de líderes do agro durante almoço promovido pela Farsul com entidades regionais.

Acompanhado de Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD), que integram a chapa governista ao Piratini, Caiado caminhou pela feira e visitou o pavilhão da agricultura familiar, onde provou de tudo um pouco e ganhou uma chimia de presente de Gabriel.

Questionado pela imprensa sobre o caso do Banco Master, defendeu a quebra dos sigilos de "todos os escândalos". Manuela e Pimenta denunciam vandalismo em windbanners

Os candidatos ao Senado Manuela D?Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) denunciaram que seus windbanners foram vandalizados. Nas redes sociais, expuseram fotos dos materiais de campanha cortados ao meio - as peças de outros candidatos posicionadas ao lado não apresentavam avarias.

As campanhas anunciaram que vão solicitar acesso às câmeras de segurança da prefeitura de Porto Alegre do entorno das regiões onde ocorreram os casos de depredação para identificar quem foram os responsáveis.

Ontem pela manhã, voluntários dos dois candidatos se reuniram na Redenção para um mutirão de costura dos materiais danificados, que continuarão nas ruas após o reparo. 

POLÍTICA E PODER

07 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

As contradições da extrema direita

A Saxonia-Anhalt, terra de Martinho Lutero, centro do Bauhaus e das bruxas de Hartz, tornou-se, ontem, um Estado conhecido, mundialmente, pela possibilidade de vitória de um candidato de extrema direita, quase um século depois da ascensão do nazismo. Ulrich Siegmund, da Alternativa para Alemanha (AfD), partido que já é a segunda maior força política do país, pode chegar ao poder, embora a maioria no parlamento local ainda seja incerta. 

Sem comícios gigantescos, apenas a bordo de uma motocicleta Samsun, o candidato defende a deportação em massa de imigrantes ilegais, serviço de saúde livre de estrangeiros e a descrição de família como apenas formada por "homens e mulheres".

Saxônia-Anhalt explica muito sobre memória seletiva. Do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, à reunificação alemã (1990), Saxônia-Anhalt pertencia à antiga Alemanha Oriental (sob governo da URSS). Siegmund fez campanha resgatando essa identidade, por meio de símbolos, memórias afetivas e características associadas à antiga RDA.

Mas ora... esse país de volta seria a Alemanha Oriental? O comunismo? Como isso pode estar associado a uma ideologia de extrema direta?

Daí a contradição. A AfD não está defendendo o marxismo, a economia planificada ou a propriedade estatal dos meios de produção. Ela é fortemente anticomunista. Mas o que interessa é a imagem idealizada de ordem, segurança, comunidade, identidade local e proteção em relação ao mundo exterior. 

O regime comunista que desapareceu com a unificação alemã abriu espaço para a desindustrialização e transformações econômicas e demográficas nas regiões da antiga Alemanha Oriental. O sentimento, em parte, é de que as decisões passaram a ser tomadas pelas elites. No país, por Berlim. Na União Europeia, por Bruxelas.

Daí, a ideologia de prateleira. A AfD retira da memória aquilo que lhe interessa e pega aquilo que é compatível com seu interesse: o Estado forte, fronteiras controladas e até relação histórica com a Rússia. Estou falando da Alemanha, mas poderia ser de qualquer região do Ocidente, entre Washington e Brasília. _

Entrevista

Irmão Peter Carroll

Superior-geral dos Irmãos Maristas

"Educação não é um luxo em que se possa investir após todos os problemas"

A educação não é um luxo em que as sociedades possam investir depois de resolvidos todos os demais problemas. Ela é uma das formas mais importantes de enfrentar esses mesmos problemas. Educação de qualidade contribui para o desenvolvimento humano, a coesão social, a saúde pública, as oportunidades econômicas e a cidadania ativa. Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer as realidades difíceis enfrentadas por muitos países e comunidades. 

Governos, famílias e instituições com frequência precisam tomar decisões muito difíceis a respeito de recursos limitados. Como rede educacional internacional, nós, maristas, temos constatado que, mesmo em contextos de pobreza e desigualdade, o investimento em educação pode ter um efeito transformador, sobretudo quando dirigido aos mais vulneráveis.

A IA apresenta oportunidades notáveis e desafios significativos. Como qualquer tecnologia, seu valor depende do modo como é usada e das finalidades humanas a que serve. Da perspectiva marista, a IA deve apoiar a educação, e não substituir as relações humanas essenciais que estão em seu centro. Educar é mais do que transmitir informação. 

Envolve acompanhamento, pensamento crítico, formação ética, desenvolvimento emocional e cultivo de virtudes e valores. Essas continuam sendo tarefas humanas. Por isso, estamos incentivando nossas comunidades educativas a se relacionarem de forma cautelosa com a IA, ajudando os estudantes a aprender a usar essas ferramentas com responsabilidade, ética e senso crítico.

Os desafios impostos pela distração digital estão sendo vividos por escolas do mundo inteiro. Sei que o governo brasileiro aprovou leis restringindo o uso de celulares pelos estudantes nas escolas. Contudo, outras questões sobre políticas de uso de celular são mais bem decididas por quem está mais próximo da realidade educacional, ou seja, os gestores escolares locais, as autoridades educacionais, os professores e as famílias. 

Eu não pretenderia julgar o que é mais apropriado para cada contexto. De todo modo, em meu próprio país, a Austrália, alguns governos estaduais também proibiram o uso de celulares pelos estudantes nas escolas. Nosso governo nacional foi também o primeiro, creio eu, a impor restrições de acesso às redes sociais para menores de 16 anos. Ao que tudo indica, os pais apoiam essas medidas. O que parece claro, no entanto, é que os estudantes precisam de ambientes que favoreçam a concentração, a reflexão, o diálogo e uma aprendizagem significativa. Se determinadas medidas ajudam a criar essas condições, elas merecem consideração cuidadosa. 

Ao mesmo tempo, a educação também deve ajudar os jovens a aprender a usar a tecnologia com responsabilidade, já que as ferramentas digitais continuarão sendo parte importante de suas vidas. O objetivo final não é simplesmente restringir a tecnologia, mas ajudar os jovens a desenvolver a maturidade e a autodisciplina para usá-la com sabedoria.

Estou nessa função há menos de um ano, de modo que meu principal objetivo era encontrar pessoas, escutar e aprender. É também expressar minha gratidão às lideranças do instituto, pelo trabalho notável que a missão marista vem realizando. Visitas como essa me permitem encontrar irmãos, leigos maristas, educadores, estudantes, dirigentes universitários e tantos outros que contribuem para a vida e a missão do instituto. 

Fiquei especialmente animado com o compromisso com a qualidade educacional, a responsabilidade social e a inovação que observei em diversas instituições maristas. Também me impressionou a forte integração dos valores maristas às iniciativas educacionais e sociais. Como líder internacional, hesito em colocar uma região acima de outra. Cada região do Brasil contribui de modo importante para a vida e o desenvolvimento do país. 

Não há dúvida, porém, de que o RS tem uma história distinta, instituições educacionais fortes e uma contribuição cultural e econômica significativa para o país. Dentro do mundo marista, a região também desempenhou papel importante no desenvolvimento de iniciativas educacionais, sociais e universitárias cuja influência ultrapassou largamente suas fronteiras. _

TJRS e artistas contra o feminicídio

INFORME ESPECIAL

domingo, 6 de setembro de 2026

05 de Setembro de 2026
CARPINEJAR

Danúbio Azul

Vivo incentivando a torcida como um louco. Mas tudo tem um teto, meu emocional está destruído. A valsa na Arena doeu mais do que a eliminação para o Vitória, para o Mazembe, para o Globo.

É impossível torcer para o Inter não cair com Pezzolano. Ele se supera em decisões equivocadas. Com seu fiasco diante do Grêmio, sua dispensa é obrigatória.

Ou Pezzolano cai, ou o Inter cai. Não adianta esperar mais um confronto. A direção vem cometendo o suicídio do clube. O presidente Alessandro Barcellos quer "reaglutinar" o quê? O medo da dispensa é covardia incompetente.

Pezzolano terminou humilhado pelo contestado Luís Castro. O que revela em qual patamar se encontra.

Pezzolano despejou R$ 9 milhões pelo ralo, a premiação para a semifinal da Copa do Brasil, num período de sérias dificuldades financeiras - e o Inter despejou pelo ralo quase o mesmo valor com o salário de Pezzolano em seus nove meses de inatividade.

Pezzolano já dançou mentalmente há tempo, e nos fez dançar o Danúbio Azul na Arena. Pezzolano estragou a marca de nunca termos sido desclassificados num mata-mata pelo maior rival.

Pezzolano levou duas vezes 3 gols do Grêmio. Pezzolano sacrificou o Gauchão. Pezzolano, quanto mais tempo arranja para treinar, mais desastroso é o seu resultado. Uma competição a menos não melhora em nada o entrosamento.

Pezzolano não desfruta de liderança moral. Ele sabota o plantel, e ainda usa a desculpa da sua limitação para permanecer no cargo.

Pezzolano chega ao absurdo de alegar que a tática que havia armado se desmanchou com o primeiro gol no Gre-Nal, sendo que ele sofreu um gol aos 14 e outro aos 22. Aos 25, não restava esperança.

Pezzolano não arrumou a defesa nem acertou o ataque.

Pezzolano justificou sua escalação para o clássico: "é burrice jogar com cinco atrás quando o rival tem três atacantes". E como foi com o Bahia?

Pezzolano não explica coisa com coisa, mais sonso do que cachorro em dia de mudança.

Pezzolano é um dos piores mandantes do campeonato. Pezzolano não ganha em casa no Brasileiro desde 16 de maio. Pezzolano é um dos piores visitantes do campeonato. Pezzolano não ganha fora de casa no Brasileiro desde 5 de abril.

Pezzolano conseguiu a proeza de jogar recuado no Beira-Rio contra o Grêmio, e com a posse de bola na Arena, numa inversão incompreensível. "Imposible creer en un entrenador que no gana."

Pezzolano possui um aproveitamento raquítico de 33,33% no Brasileiro. Não se diferencia de Ramírez e Medina. Chafurda abaixo de Ramón Díaz em desempenho.

Pezzolano ocupa a 18ª colocação com apenas 25 pontos somados em 25 rodadas. Seguindo com a média de um ponto por rodada, ele alcançará no máximo 38 pontos. Pezzolano é monótono no perde-empata. Jamais apresentou progresso.

Pezzolano cultiva a mania de relegar ao banco quem se destaca. Não existe titularidade ou esquema definido. Não existe reconhecimento dos méritos. Alan Patrick, Carbonero e Vitinho amargaram banco. Quem presta fica na reserva.

Pezzolano é perito em criar descontentamento, forçando seus atletas a atuarem deslocados de posição quando não se mostram seguros nem em suas posições de origem. É evidente o desespero do grupo. Sequer Bernabei sabe quem é.

Pezzolano pretende surpreender o adversário e surpreende o próprio time. Brinca de agente duplo. Pezzolano aceitou continuar sem goleiro e atacante.

Pezzolano não deu certo na Inglaterra (Watford), na Espanha (Real Valladolid) e no México (Pachuca), por que daria certo aqui? Pezzolano só se sagrou campeão da Série B. Talvez Barcellos esteja enxergando longe: já busca garantir o treinador para a segunda divisão.

Não me custa avisar. Depois será complicado voltar para a Série A: o regulamento da B passou por alterações, agora unicamente os dois primeiros sobem direto.

Isso que sou um torcedor otimista. 

CARPINEJAR

Devido processo legal não é amnésia

Existe um consolo perverso em semanas desgraçadas como esta: a biblioteca.

Nada do que o STF produziu nesta semana é novo. Está descrito e publicado, às vezes há séculos. A novidade é o Brasil transformando bibliografia em plantão de notícias.

Raymundo Faoro abre a fila. Em Os Donos do Poder, descreveu o estamento que se apossa do Estado e o administra como patrimônio próprio, sem deixar de se apresentar como serviço público. Faltava o capítulo do contrato de R$ 131 milhões entre um banco e o escritório da mulher de um ministro, alterado por um perfil com o nome dele.

Sérgio Buarque de Holanda desenhou o homem cordial, incapaz de operar a instituição sem convertê-la em intimidade. "Estou na torcida por vocês" e "já estou com saudade de você", atribuídos ao procurador-geral da República e chegando ao celular de um banqueiro prestes a ser preso, são o homem cordial com data e horário.

Edward Coke, em 1610, ajudou a consagrar a ideia de que ninguém deve ser juiz em causa própria. Quatrocentos e dezesseis anos depois, um procurador-geral citado num relatório pede a nulidade dele, e um ministro atingido pelo caso usa inquérito sob sua relatoria para investigar o colega que o investiga.

Kant escreveu que é injusta a ação cuja máxima não suporta ser tornada pública. Serve para uma semana de votos mapeados de antemão e print de bloco de notas em visualização única.

E. P. Thompson protege tudo isso da acusação de formalismo. Marxista, passou Senhores e Caçadores inteiro mostrando como a lei serviu aos poderosos, e terminou defendendo o império da lei como bem humano incondicional. Fica difícil chamar o devido processo de preciosismo.

Mas o devido processo legal não é amnésia.

O país inteiro já leu as mensagens e conheceu conversas que não deveriam interessar só aos autos. A lei existe para impedir condenações arbitrárias, não para obrigar a sociedade a fingir que não viu o que viu.

Ninguém está dispensado de prova, defesa e julgamento. Mas o sigilo judicial não dá a ninguém o direito de apagar da vida pública o que já é incontornável. É preciso abrir tudo o que puder ser aberto. Antes de decidir quem merece cadeia, o Brasil terá de decidir quem merece voto. E para isso o eleitor não precisa de tutela, precisa de luz.

Maquiavel estaria sentado, confortável, tomando notas. O placar contado antes de existir pedido e a mistura entre relação pessoal e poder institucional dariam uma nova edição comentada de O Príncipe.

Só que ele também escreveu, nos Discursos, que a república incapaz de conter seus poderosos não dura.

Nem o cínico deixa a semana sair ilesa. _

Esta coluna contém informação e opinião

Eugênio Esber

eugenioesber@novotexto.net

131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de "bomba atômica", referindo-se ao escândalo provocado no Brasil pelas ligações "entre um juiz e um banqueiro preso", está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. 

Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da Suprema Corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.

Na noite desta quinta-feira, o ministro, que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de Corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa - uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. 

O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. 

Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar - sim, fugir - do Brasil. Isso tem nome. É obstrução da Justiça.

Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,

Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil. 

OPINIÃO ZH 

05 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Crise sem precedentes expõe as entranhas do STF

No fundo do poço em que está o Supremo Tribunal Federal, existia um alçapão, revelado agora na crise que expôs as entranhas de uma Corte movida a interesses e vaidades. Não são todos, é preciso frisar, mas a guerra entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acaba atraindo tanta atenção que os outros submergem como se fossem espectadores na arena em que se digladiam os briguentos.

A reação do ministro Alexandre de Moraes à divulgação de suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro foi partir para o ataque a Mendonça, acusando-o de atropelar os ritos previstos na Constituição Federal.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, deu cinco dias úteis para os briguentos se explicarem. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são parte do problema e terão de participar da solução.

Não há até agora equivalência entre os delitos de Moraes e de Mendonça, mas tudo tem de ser investigado. Ninguém está acima da lei. O silêncio barulhento de Moraes soa como confissão de que suas conversas com Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões da esposa, Viviane Barci de Moraes, não têm explicação republicana.

Do alto de sua condição de decano, o ministro Gilmar Mendes propôs a saída de agentes da Polícia Federal dos gabinetes de ministros. Moraes e Mendonça têm os seus, e isso desagrada a direção da PF, porque mina a própria instituição.

A perda de credibilidade das instituições cria o cenário ideal para os oportunistas, ainda mais quando se está a um mês da eleição que vai definir dois terços do Senado, o presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais de todo o país. _

INSS anuncia redução nas filas

Depois de anos de reclamações de segurados pela demora no atendimento, o INSS anuncia que atingiu a meta de reduzir as filas em todo o Brasil, tanto para as aposentadorias quanto para as perícias médicas. No Rio Grande do Sul, de acordo com os números divulgados na sexta-feira, a redução foi de 56%. Traduzindo o percentual em números, a pilha diminuiu de 140.413 processos em janeiro deste ano para 60.459 em agosto.

O tempo médio de decisão para os segurados é de 23 dias, número inferior ao do Brasil, que está em 34 dias. O tempo de espera por uma perícia médica, que era de 28 dias em agosto de 2023, caiu para 15 dias em agosto deste ano. É importante registrar que esses números são referentes à média. _

Juliana Brizola leva campanha para a região central do Estado

Depois de uma semana focada na Região Metropolitana, com agendas na Capital, na Expointer e em Eldorado do Sul, a candidata ao governo do RS pelo PDT, Juliana Brizola, encerrou o período com um roteiro pela região central do Estado.

Juliana passou a sexta-feira em Santa Maria, onde gravou materiais de campanha, acompanhada de Paulo Pimenta, santa-mariense que concorre ao Senado pelo PT. Depois de rápida passagem por São Martinho da Serra, onde visitou uma propriedade rural, caminhou pela Praça Saldanha Marinho até o Calçadão de Santa Maria, onde manteve contato com comerciantes e moradores.

A agenda terminou em ato do presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, que tenta vaga na Câmara dos Deputados.

Neste sábado, Juliana passa por Venâncio Aires e retorna a Porto Alegre no domingo. _

Divisão do fundo eleitoral do PP mostra repasses desiguais no RS

A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os concorrentes, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão.

Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, que disputa o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.

Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti - esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que a metade da nominata, que obteve repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.

À coluna, Covattinho explicou que os candidatos a federal informaram à direção nacional com quais postulantes a estadual fariam dobradinha e quanto destinariam da sua parte para a campanha conjunta. _

POLÍTICA E PODER