terça-feira, 21 de abril de 2026

Empresas buscam resiliência em meio ao caos tecnológico, aponta Suse

Margaret diz que CIOs e CTOs expressam a sensação de estarem presos à infraestrutura

Margaret diz que CIOs e CTOs expressam a sensação de estarem presos à infraestrutura

Suse/Divulgação/JC

Patricia Knebel
Patricia KnebelPatricia Knebel, de Praga
Como gerenciar o caos de tecnologias que precisam ser implantadas, de fornecedores diversos e que, muitas vezes, não conversam entre si? Essa tem sido uma das maiores dores de cabeça das empresas ao redor do mundo.
“Os CIOs e CTOs com quem conversamos cada vez mais expressam a sensação de estarem presos. Eles precisam sair dessa armadilha, se livrar das caixas pretas", sugere a Chief Marketing Officer (CMO) da Suse, Margaret Dawson, no primeiro dia do Susecon 2026, evento realizado pela companhia alemã, player global em soluções corporativas de código aberto, em Praga, na República Tcheca.
Gerenciar a pressão e reduzir a complexidade da infraestrutura para, assim, potencializar o resultado de projetos de Inteligência Artificial, soberania e computação de borda é um dos temas do encontro, que tem como headline esse ano ‘Shape your resilient future’
A lógica é, justamente, abrir diálogo com os líderes que vivem tempos desafiadores. Precisam implementar IA, mas também reduzir custos; aumentar a segurança cibernética, cada vez mais necessária nesse cenário complexo, e ao mesmo tempo trabalhar com a infraestrutura legada. 
Quais são as suas prioridades, seus desafios e onde estão alocando seu orçamento? Essa foi uma das perguntas que a Suse fez aos seus clientes nos últimos meses. Ao analisar as prioridades, não há surpresa que segurança e IA surgiram como temas recorrentes, além de temas como virtualização, migração e redução de custos.
Independentemente de o foco dos clientes estar em reduzir custos, implementar IA ou alcançar maior soberania digital, a executiva conta que um tema se repetiu: a ideia de resiliência. “É preciso ter certeza de que minha infraestrutura, meus aplicativos e minha TI sejam estáveis, seguros e confiáveis", relata Margaret Dawson. 
visão é compartilhada com o Chief Technology and Product Officer da Suse e doutor em Ciência da Computação pela Universidade de Genebra, na Suíça, Thomas Di Giacomo
“A maioria das empresas tem muitas tecnologias para gerenciar. Somos a única empresa no mundo que entrega seu próprio Kubernetes e gerencia qualquer Kubernetes", diz. 
Segundo ele, para conseguir ser essa orquestradora, a Suse se manteve fiel à sua base de soluçõesabertura, escolha e confiabilidade para empresas. “Sou um dos mais antigos da empresa, e posso dizer que esses três pilares estavam presentes há 30 anos e continuam presentes hoje. Expandimos nossa atuação e nosso portfólio", reforça. 
Liberdade dos clientes escolherem as soluções que desejam adotar, sem ficar presos a sistemas de um único fornecedor, e a colaboração, são teses de defesa da atuação da Suse no mercado. Entre os parceiros da empresa presentes no Susecon 2026 estão Nvidia, Dell, AWS, HPE, entre outros.
Di Giacomo acredita que um dos segredos é o fato de a Suse ser uma companhia que prioriza os parceiros de tecnologia, de serviços e de mercado. “Se não fizermos isso, será difícil ajudar os clientes a reduzirem a complexidade", diz. 

O que é o Kubernetes?

Desenvolvido no Google e lançado como código aberto em 2014, o Kubernetes é um software de gerenciamento que se tornou o padrão de fato para implantar e operar aplicativos em contêiner. O sistema oferece uma orquestração automatizada, melhorando a confiabilidade e reduzindo o tempo e os recursos atribuídos às operações diárias.

O que é Kubernetes?


Desenvolvido no Google e lançado como código aberto em 2014, o Kubernetes é um software de gerenciamento que se tornou o padrão de fato para implantar e operar aplicativos em contêiner. O sistema oferece uma orquestração automatizada, melhorando a confiabilidade e reduzindo o tempo e os recursos atribuídos às operações diárias.

Dia das Mães: Comércio de Porto Alegre deve vender quase R$ 290 milhões, 10% acima de 2025

Vestuário, cosméticos e perfumaria e calçados devem liderar a lista de compras

Vestuário, cosméticos e perfumaria e calçados devem liderar a lista de compras

EVANDRO OLIVEIRA/JC

Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloO Dia das Mães, que será em 10 de maio, deve movimentar R$ 287 milhões no comércio de Porto Alegre. Pesquisa do SindilojasPOA, a partir de percepções de consumidores e lojistas, indica que o faturamento deve ser 10% superior a 2025. Entre comerciantes ouvidos, 57% esperam vender mais. "Já 60% das empresas reforçaram estoques e mais de um terço realizou contratações temporárias", diz a entidade, em nota.
O comportamento das pessoas na data, segunda no calendário do ano, também foi traçado em outros levantamentos: da Fecomércio-RS e da CDL Porto Alegre
A pesquisa do sindicato mostrou que 83,9% das pessoas devem gastar o mesmo ou mais em presentes este ano. Já 12,7% vão gastar menos. O tíquete médio deve ser 3,2% maior que a correção da inflação. "Os consumidores devem distribuir o orçamento em um número maior de presentes, sugerindo que as mães receberão mais lembrancinhas", opina o sindicato, em nota.
Vestuário, cosméticos e perfumaria e calçados devem liderar a lista de compras. Promoções e facilidades de pagamento estão na agenda dos lojistas.
"As pesquisas indicam um consumidor ainda pressionado, mas que não abre mão da data, reorganizando o orçamento para conseguir presentear. Este alinhamento entre expectativa e intenção de compra reforça o potencial do Dia das Mães, mesmo em contexto de 85% das famílias gaúchas endividadas”, analisa o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, na nota.

El Niño e aquecimento global pressionam adaptação no agro gaúcho

Chuvas intensas em 2024 alagaram lavouras inteiras em algumas áreas, como em Camaquã

Chuvas intensas em 2024 alagaram lavouras inteiras em algumas áreas, como em Camaquã

FARSUL/DIVULGAÇÃO/JC
Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterA possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026 acende um alerta para a produção agrícola no Rio Grande do Sul. Com maior risco de chuvas intensas, doenças e eventos extremos, o cenário reforça a necessidade de adaptação no campo — movimento que já começa a ganhar corpo entre produtores e instituições.
A avaliação é compartilhada por técnicos da Secretaria da Agricultura e da assistência técnica oficial. Segundo o meteorologista Flavio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), os modelos indicam alta probabilidade de um evento forte, com impactos especialmente a partir do final do inverno e ao longo da primavera.
As culturas de inverno, como o trigo, devem ser afetadas principalmente na fase final do ciclo. O aumento de temperatura e umidade cria um ambiente favorável à incidência de doenças fúngicas e pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.
Além disso, o excesso de chuva pode reduzir a janela operacional no campo.
O aumento de temperatura e umidade no final do ciclo prejudica o desenvolvimento e pode dificultar a colheita”, explicou Varone.
Para a safra de verão, o principal risco está na fase inicial. A tendência de chuvas acima da média na primavera pode atrasar o plantio de culturas como soja e milho, deslocando o calendário produtivo.
A tendência é de mais chuva durante a primavera, o que deve atrasar o início do plantio e estender a safra para dentro de 2027”, disse o climatologista.
Esse atraso pode comprometer o zoneamento agroclimático e afetar o desenvolvimento das lavouras, além de aumentar o risco de perdas por encharcamento e degradação do solo.
Diante desse cenário, o planejamento agrícola baseado em dados climáticos deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica para a produção. Segundo o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, a orientação técnica já incorpora essa lógica como eixo central.
Planejamento agrícola baseado em dados climáticos é um mantra”, afirmou.
Ele ressalta que, mesmo com incertezas sobre a intensidade do fenômeno, não é mais possível estruturar uma safra sem considerar os riscos climáticos.
“É inevitável que possamos nos mover estrategicamente na agricultura sem colocar isso no horizonte”, disse.
Mais do que decisões pontuais, a adaptação passa por mudanças estruturais no sistema produtivo, com destaque para o manejo do solo. A orientação técnica enfatiza a construção de sistemas mais resilientes tanto ao excesso quanto à falta de água.
Um solo bem estruturado precisa ter capacidade de reservar água quando falta e absorver quando há excesso”, explicou Baldissera.
Práticas como plantio direto, conservação do solo e sistemas integrados ganham protagonismo nesse contexto. A manutenção da palhada sobre o solo, por exemplo, contribui para reduzir o escoamento superficial em períodos de chuva intensa e aumentar a capacidade de retenção de água, favorecendo o desenvolvimento das plantas tanto em cenários de excesso quanto de escassez hídrica. Programas como o Terra Forte, conduzido pelo Estado, buscam justamente difundir essas estratégias, acrescentou.
Além da resposta agronômica, o nível de manejo também passa a ter impacto direto sobre o acesso a crédito e instrumentos de proteção. Segundo Baldissera, propriedades com melhor estrutura produtiva e adoção de práticas conservacionistas tendem a apresentar menor risco, o que influencia condições de financiamento, seguro rural e enquadramento em programas como o Proagro.

Do diagnóstico à mudança de comportamento

A percepção sobre o risco climático também evolui entre os produtores. Segundo Baldissera, o tema sempre esteve presente, mas ganhou intensidade e maior embasamento técnico nos últimos anos.
As informações hoje vêm com muito mais profundidade, e o produtor está mais atento e mais preparado para tomar decisões”, afirmou.
Esse movimento envolve tanto produtores quanto técnicos, com maior uso de dados, análises e ferramentas de monitoramento.
O cenário local se conecta a um contexto global de aquecimento, que tende a aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos. Na prática, isso significa maior alternância entre estiagens severas e períodos de chuvas intensas — ambos com potencial de causar prejuízos relevantes.
A tendência é de eventos mais severos e mais frequentes no Rio Grande do Sul”, alertou Varone.
Diante desse quadro, especialistas apontam que o modelo produtivo deve passar por ajustes nos próximos anos.
Entre as principais mudanças esperadas estão:
  • adoção de cultivares mais resistentes a estresses climáticos
  • maior rigor no manejo e conservação do solo
  • uso mais intensivo de dados e previsões climáticas
  • integração de sistemas produtivos
Além disso, ferramentas como zoneamento agrícola e monitoramento de doenças tendem a ganhar ainda mais relevância na tomada de decisão.
Apesar dos avanços, a disseminação de informação de qualidade ainda é desigual, especialmente entre pequenos e médios produtores. Baldissera destaca que ampliar esse acesso é um dos principais desafios.
O acesso à informação está melhorando, com mais dados e mais precisão, o que permite decisões mais assertivas, especialmente de precaução”, afirmou.
A Emater também aposta na formação de jovens rurais como estratégia de médio prazo para acelerar a adoção dessas práticas.
O que está em jogo no campo gaúcho
Culturas de inverno:
  • Maior risco de doenças fúngicas
  • Perda de qualidade dos grãos
  • Dificuldades na colheita
Safra de verão:
  • Atraso no plantio
  • Comprometimento do ciclo produtivo
  • Risco de encharcamento e degradação do solo
Estratégias de adaptação:
  • Manejo e conservação do solo
  • Uso de cultivares mais resistentes
  • Planejamento baseado em dados climáticos
  • Monitoramento constante