FBV soma R$ 83 milhões em negócios, alta de 56% : "Recorde total", diz SindilojasPOA
Patrícia Comunello"Recorde total. Superou todas as expectativa", declarou efusivamente o presidente do SindilojasPOA, Arcione Piva, logo que os números da 12ª Feira Brasileira dos Varejo (FBV) 2026 foram liberados. O sorriso largo do dirigente da entidade que, ao lado do Sebrae-RS, organiza a FBV, não foi à tona. O volume de negócios (rodadas com fornecedores e compradores e marcas na parte de exposição) foi 50% maior que o de 2025.
"Foram mais de R$ 83 milhões", informou o presidente do SindilojasPOA. Na edição passada, haviam sido R$ 53 milhões. O público superou 11,7 mil pessoas nos três dias, encerrados nesta sexta-feira (22), no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. Em 2027, a feira já tem data, que será desta vez em junho (em vez de maio), dos dias 23 a 25.
A organização almejava 12 mil, mas a avaliação de Piva observou a qualidade e engajamento de quem foi ao palco da FBV, que se consolida como o maior evento do setor (pela abrangência) do País, foram superiores e mostraram a evolução da iniciativa.
O presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e do Conselho Deliberativo do Sebrae-RS, Luiz Carlos Bohn, aponta impactos da feira para o desenvolvimento econômico e empresarial. "É um evento que aproxima inovação, empreendedorismo e conhecimento, fortalecendo empresas de todos os portes e estimulando um ambiente cada vez mais competitivo e preparado para o futuro”, resume Bohn, em nota.

Mais de 300 pequenos empreendedores buscaram novos clientes entre 150 empresasPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
"Foram mais de 80 horas de conteúdos, mais de 150 expositores, mais de 1,2 mil rodadas de negócios e mais de 100 palestrantes. O humano pautou os temas, à frente da tecnologia", valorizou também Piva.
Mas a tecnologia não ficou em segundo plano na FBV. Um robozinho de cerca de 50 centímetros de altura foi a atração foram dos palcos de conferências e negócios. A máquina, de fabricação chinesa, segue modelo que pelo mundo se dissemina, inclusive nas ruas, com os robôs cada vez vez interagindo mais com pessoas. Na Fiergs, a máquina virou símbolo da inovação que contamina o varejo.
Soluções para aplicar se consagram como marcas da feira. "São diferenciais da FBV frente a eventos do setor pelo mundo: fornecemos ferramentas para o lojista voltar para casa e aplicar", assinala o presidente do SindilojasPOA. O dirigente citou a diversidade de temas, que combinaram inovação, como uso de inteligência artificial (IA) e como gerou pessoas e muitos de ferramentas e ações em marketing.
As rodadas de negócios, que ocorreram em uma área da feira, já tem fila de espera para 2027. Elas são organizadas pelo Sebrae. O foco é unir fornecedores e empreendedores que buscam soluções.
Carlos Eduardo de Oliveira Bueno, coordenador das rodadas, diz que foram conexões com segmentos de construção, moda, expositores da feira, influenciadores digitais (inédito), startups e alimentos e bebidas. Foram mais de 150 compradores, entre grandes e médias empresas, diz Bueno, e mais de 300 pequenas empresas ofertando produtos e serviços.
"Teve empresa que fechou mais de dez negócios. Sucesso total", conclui o coordenador.
Lebes faz shows para reagir ao avanço das plataformas de e-commerce
"Tem Shopee, Mercado Livre e outras. O que eles fazem não consigo. Tenho de fazer algo diferente e como? Resolvi fazer encontros junto a comunidades", detalhou o presidente a varejista Lebes, Otelmo Drebes, que indicou que 70 shows em cidades do interior em 2026.
O receituário foi apresentado durante painel com outras lideranças de operações que abordou os desafios das empresas hoje. Para Drebes, a saída é se aproximar dos clientes: "Precisamos trabalhar com gente e tratar gente como gente", receitou o empresário.
No mesmo painel, o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, lembrou que o banco "deve ser a maior varejista do Estado". "São mais de 500 lojas (agências)", citou Lemos, que seguiu na linha de Drebes e deu ênfase para a relação humana como caminho para as empresas. "A tecnologia afastou as pessoas. Agora elas querem-se reencontrar", detectou Lemos.
Palco de ideias: Jesper Rhode e Facundo Guerra
“Cerca de 69% querem que as marcas aprendam seus hábitos de compra, enquanto 66% não se preocupam com a privacidade. Como fazer as duas coisas juntas? É preciso ter proporcionalidade entre dados que coletam e sua aplicação, além de ser transparente com os dados que usa. É preciso construir uma intimidade balanceada e sempre pedir permissão para usar os dados do cliente. A automação resolve problemas de eficiência, a empatia resolve problemas de relacionamento.” Jesper Rhode, fundador da Casa Dinamarca e da Tr4nsform

"O que eu posso oferecer é o toque humano. Busco vender pedaços de memória"FBV/DIVULGAÇÃO/JC
“Quando estou desenvolvendo um negócio, eu estou construindo ele pra mim. A partir do momento em que eu entendi que a pessoa não está procurando um produto ou serviço, eu entendo que ela quer uma jornada, uma experiência. Em um mundo digitalizado, o que eu posso oferecer é o toque humano. Eu busco vender pedaços de memória.” Facundo Guerra, CEO do Grupo Vegas
Lojistas da imersão na NRF mostram impactos nos negócios
"Nova York trouxe a ideia de ter orgulho da marca, de valorizar a comunidade que compra da gente, que gosta e quer ir à nossa loja", resumiu um dos lojistas que fizeram parte da missão à NRF e roteiro por varejos na cidade em janeiro. Lições como esta e outras, que impulsionaram mudanças decisivas nos negócios das marcas, foram apresentadas nesta quinta-feira (21) em encontro em meio à Feira Brasileira do Varejo (FBV), em Porto Alegre.
A rodada com os participantes, que conheceram mais detalhes de como foi a experiência e as inovações, já é um clássico na FBV. A missão de 10 dias, que teve cobertura da coluna Minuto Varejo, é uma das mais importantes do Sebrae-RS e tem parceria com Fecomércio-RS, Federação Varejista do RS, CDL e Sindilojas Porto Alegre. Fabi Nunes, da Briza, de joias de segunda mão, citou que criou um agente de IA para poder conversar com clientes.
"Minhas vendas cresceram quase 40% após as melhorias e novas aplicações", citou ela. Fabiano Zortéa, do Sebrae, curador da missão, destacou que os empreendedores mostraram que é possível estreitar o caminho entre o que é mais emergente em Nova York e o Estado. "Eles mostraram como não há mais distâncias".






