sábado, 25 de julho de 2026

25 de Julho de 2026
CARPINEJAR

O sagrado resto

Adorava quando meus pais voltavam da feira com aquelas redinhas coloridas que acondicionavam limões, laranjas, melões, tangerinas, batatas. Recolhia teias para confeccionar a fantasia de Homem-Aranha.

Com restos de pano, minha irmã costurava um enxoval para suas bonecas. Com sacos de Pastelina, estourávamos bolhas de ar, assustando os que se mostravam distraídos. Com os papéis das balas, assoviávamos longe.

Com o embrulho do pão, criávamos rabiolas para pipas. Preparávamos telefone sem fio com copos de iogurte. Simulávamos a montaria de cavalo com cabos de vassoura.

Construíamos pontes em maquetes com palitos de picolé. Dobrávamos jornais velhos para formar chapéus e cantar: "Marcha soldado, cabeça de papel".

Empregávamos latas de Nescau como casinhas no jogo de taco. Rolos de papel higiênico viravam binóculos ou lunetas. Tampinhas de garrafa originavam peças de dama. Espigas de milho secas se transformavam em pequenos espantalhos.

Lençóis esgarçados, presos entre cadeiras, erguiam cabanas no meio da sala. Pregadores de roupa assumiam olhos e boca. Carretéis de linha cumpriam a função de rodas em carrinhos improvisados. Caixinhas de remédio e de pasta de dente constituíam prédios e arranha-céus nas cidades em miniatura.

Embalagens de ovos se convertiam em paletas de tinta nas aulas de artes. Os trastes, os refugos da civilização, os materiais abandonados nos davam conforto e ideias.

Quem da minha geração não patenteou uma televisão com caixa de papelão? Recortava-se nela uma janela, como se fosse a tela, que logo ganhava uma folha de papel celofane (azul, vermelho, amarelo ou verde). Entre dois rolinhos, passava uma tira de figuras destacadas de revistas. Bastava girá-los pelas laterais para dar a impressão de um filme ou noticiário. Intimávamos a família a acompanhar a programação caseira, em sessão particular com venda de ingressos.

A engenharia das inutilidades, a fábrica do faz de conta, alcançava ainda mais visibilidade com o programa de Daniel Azulay, que permaneceu à frente da TV Criança e da Turma do Lambe-Lambe. Ele nos ensinava a desenhar, a observar a simetria por trás do traço, a realizar trabalhos manuais com argila, a elaborar origamis perfeitos, a descobrir diversão com sucata.

Produzíamos pioneira reciclagem com a nossa poderosa imaginação. A criatividade começava quando a serventia do objeto terminava. Os adultos nos concediam, sem perceber, farta matéria-prima de graça.

Só entendi o quanto fui feliz - inventando a minha felicidade, e não a recebendo pronta - ao ler Manoel de Barros: "As coisas jogadas fora têm grande importância".

Assim não joguei fora a minha infância. 

CARPINEJAR

25 de Julho de 2026
PAULO GERMANO

O futuro, normalmente, é o território dos sonhos, certo? Digo sonhos no sentido de projetos: o crescimento dos filhos, a casa quitada, as férias de verão, uma velhice tranquila. Aqui não. Para o gaúcho, o futuro virou o lugar da próxima enchente. O futuro é uma ameaça, o futuro dá medo, o futuro é o El Niño chegando em setembro.

O que ocorreu nesta semana, nos vales do Caí e do Taquari, com famílias novamente empacotando a dignidade em sacos de lixo, não teve o gigantismo apocalíptico de 2024. Mas teve algo igualmente insuportável - não só para os desabrigados, mas para qualquer cidadão do Rio Grande do Sul: a sensação de ver tudo outra vez. Parece um fantasma que entrou debaixo da nossa cama e se recusa a ir embora.

E os números mostram esse pavor. Dois em cada três gaúchos, segundo uma pesquisa do IBGE divulgada no início do mês, admitem estar mentalmente abalados, até hoje, por conta das enchentes de dois anos atrás. E como não estariam? O psicanalista Donald Winnicott dizia que a sanidade depende, antes de tudo, de um ambiente minimamente confiável. Ele chamava isso de holding - a capacidade que o mundo à nossa volta tem de nos sustentar, de oferecer alguma segurança para a gente poder existir.

Por exemplo: você dorme porque acredita que a sua casa vai protegê-lo; sai para trabalhar porque supõe que conseguirá voltar; compra um sofá grande porque nunca vai precisar içá-lo até o telhado. É essa confiança banal, quase invisível, que nos permite gastar energia vivendo, e não pensando o tempo todo em estratégias para escapar do horror. Foi essa confiança que a água levou. Centenas de milhares de gaúchos passaram a experimentar uma modalidade perversa de tortura psicológica: sofrer por um luto que ainda não aconteceu, mas que parece inevitável.

A pessoa olha para os móveis que recém comprou e imagina a lama. Olha para o carro e pensa onde poderá deixá-lo. Olha para o cachorro e calcula como vai retirá-lo. Olha para o pai idoso e teme não conseguir carregá-lo. A vida virou um ensaio para catástrofe, um plano permanente de evacuação. Não há quem aguente uma existência assim.

Por isso, é quase um insulto continuar chamando essa gente de "guerreira" ou "resiliente". Ninguém quer esse troféu da resistência eterna. Ninguém quer a obrigação de reconstruir indefinidamente. O que as pessoas querem é o direito de baixar a guarda - e só vão tê-lo quando o ambiente se provar confiável na prática. Quando o sistema de contenção segurar a enxurrada. Quando a casa de bombas funcionar na inundação. Quando o alerta chegar a tempo e o cidadão sentir, com segurança, que não está jogado à própria sorte.

Só então o futuro voltará a ser um lugar onde vale a pena morar. _

Paulo Germano

25 de Julho de 2026
MARCELO RECH

Por sua história, não se pode dizer que Lula já tenha ameaçado a democracia. Nunca planejou golpe, não questionou a lisura das urnas eletrônicas e não foi alcoviteiro de quartéis. Reconhecida sua trajetória, é de espantar a omissão de Lula quanto aos ímpetos antidemocráticos de movimentos de esquerda em países latino-americanos que buscam solapar eleições legítimas de candidatos da direita.

A última onda de silêncio começou pela Bolívia, onde partidários de Evo Morales bloquearam estradas e estrangularam a economia boliviana para exigir a deposição do centro-direitista Rodrigo Paz Pereira, assim como tentaram fazer no Brasil caminhoneiros inconformados com a eleição de Lula. Em um gesto humanitário, Lula despachou para a Bolívia um avião da FAB com alimentos, mas do brasileiro não se ouviu condenação veemente à tentativa de destituição de um governante eleito democraticamente.

A tradição brasileira é de não interferência, justificarão fiéis soldados de Lula. É, pode ser. Mas em junho de 2024 Lula foi às redes sociais para se solidarizar com o esquerdista Luís Roberto Arce (herdeiro político de Evo Morales, com quem romperia durante o governo), ameaçado de derrubada por militares. "A posição do Brasil é clara. Sou um amante da democracia e quero que ela prevaleça em toda a América Latina. Condenamos qualquer forma de golpe de Estado na Bolívia", proclamou Lula.

Seria bom que a posição também fosse clara quando esquerdistas inconformados com a vitória da direita, seja na Bolívia, na Colômbia ou no Peru, se recusam a aceitar a vitória dos adversários. Pode ser que a voz de Lula não tenha lá tanto eco no Oriente Médio, na África ou na Ásia. Mas nos trópicos latino-americanos a postura do presidente do Brasil ajudaria a fazer a diferença entre legitimar ou não tentações antidemocráticas.

Num gesto de descortesia à la Javier Milei, Lula não dará o ar da graça nas posses de Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia, assim como já tinha se ausentado na do também direitista José Antonio Kast, no Chile. A seletividade política de suas relações contribui para a estratégia da Casa Branca de isolar ainda mais o governo de Lula - e, consequentemente, o Brasil - na América do Sul. Ao agir conforme a cartilha trumpista de dividir o mundo entre amigos e inimigos, Lula cai numa armadilha ideológica que só empurra ainda mais os vizinhos à direita para os braços dos EUA. Quem sai perdendo com essa postura? 

Marcelo Rech

Não há brasileiro com posse de um telefone celular que não perceba, talvez diariamente, tentativas de golpes de toda ordem. Chegam por ligações de números desconhecidos, mensagens em aplicativos de conversas, SMS e redes sociais. Os estelionatos, impulsionados pela digitalização financeira e das atividades cotidianas, tornaram-se uma praga. Seguem a crescer, mesmo com a maior conscientização da população. O país tarda em encontrar estratégias mais eficientes de contenção desse delito, que se tornou o principal crime patrimonial no Brasil. Mesmo sem violência física, também deixa traumas e grandes perdas materiais.

As informações compiladas no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira, demonstram a gravidade da situação. Não apenas pelas estatísticas. As conclusões demonstram a maior organização dos golpistas. Os registros de estelionatos cresceram 429,8% de 2018 a 2025. No ano passado, foram 2.261.055 queixas formalizadas, alta de 3% sobre 2024. É o equivalente a 258 casos por hora. Mas o próprio Anuário, de responsabilidade do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSB), atesta uma brutal subnotificação.

O crescimento dos golpes ocorre em sentido inverso de outros crimes, como furtos e roubos, em queda. A tendência segue a mudança de hábitos da população. Os delinquentes adaptaram-se rapidamente. Preocupa ainda mais a constatação de que a epidemia de fraudes não é fruto de ações de criminosos dispersos. O FBSP mostra evidências de organizações que se estruturam de forma sofisticada, com divisões de tarefas, metas de faturamento e uso de infraestrutura tecnológica que permite dar escala às tentativas de golpe.

O quadro se agrava com a constatação de que as grandes facções cada vez mais investem neste segmento criminoso, que garante arrecadação alta, sem o perigo de se envolverem em confronto com a polícia enquanto agem, ao contrário do que ocorre com roubos e tráfico. A relação entre o risco e o benefício torna os golpes atraentes. Enquanto mais de 2,2 milhões de casos foram registrados no país no ano passado, os Ministérios Públicos estaduais instauraram apenas 63,7 mil ações penais e só 4,8 mil pessoas foram presas.

Trata-se de um crime que não se resolve com polícia nas ruas ou aquisição de viaturas e armas. O combate passa por aperfeiçoamentos legislativos e por uma maior capacidade investigativa, o que depende de instrumentos tecnológicos e capacitação.

Há experiências internacionais com resultados promissores. O Brasil poderia olhar para esses exemplos. Segundo o FBSP, Singapura foi o primeiro país a encontrar uma fórmula que levou à queda de casos. Foi criado um centro operacional onde atuam policiais e representantes de bancos e de plataformas digitais, que agem com rapidez a cada denúncia, bloqueando a consumação do golpe. A parte que falha é responsabilizada. A Austrália é outro modelo. Além de uma estrutura integrada, concebeu um marco legal que elevou os deveres das redes sociais e buscadores. A mensagem é clara. É preciso responsabilizar quem se omite e permite ser meio para os golpes chegarem até as potenciais vítimas. _

OPINIÃO RBS

25 de Julho de 2026
EM FOCO - Marcelo Gonzatto

Prevenção

O que falhou e o que pode ser melhorado na previsão de cheias

Horas após avaliações indicarem cenário sem maiores riscos nos rios gaúchos depois de chuva intensa, cidades viram a água avançar. O episódio levou especialistas a discutir ajustes e formas de comunicar incertezas à população

Na última terça-feira, ainda traumatizados pela enchente de 2024, os gaúchos respiraram mais aliviados quando o governo gaúcho divulgou que, até aquele momento, não havia previsão de os rios subirem, apesar da chuva registrada desde o final da semana anterior. O cenário mudou rapidamente nas horas seguintes, e a água de cursos como o Taquari ultrapassou a cota de inundação em diferentes municípios.

A dificuldade de antever as cheias foi provocada por uma combinação entre incertezas na previsão do tempo ampliadas pelo El Niño, limitações do sistema utilizado pelos órgãos oficiais para projetar a subida dos rios e deficiências no modo de informar a população sobre os possíveis cenários.

O episódio deixa lições que deverão ser incorporadas por entidades como a Defesa Civil estadual e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), de âmbito federal.

Zero Hora conversou com oito servidores da Defesa Civil, dois do SGB, um do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para avaliar as imperfeições da estrutura de alerta e o que deve ser melhorado para o futuro.

O monitoramento e a previsão da Defesa Civil se baseiam no chamado Modelo de Grandes Bacias (MGB), que processa três variáveis fundamentais: previsão de chuva para um horizonte de até 15 dias, chuva já observada e vazão atual dos rios obtida por meio de estações de medição.

Esses dados são integrados para gerar tendências de vazão que, para 60 municípios prioritários, alimentam um modelo hidrodinâmico capaz de desenhar as prováveis manchas de inundação e permitir a visualização de quais áreas serão atingidas.

Previsão regional

- Isso deverá ser incorporado em breve. É que a plataforma da Defesa Civil foi inicialmente implantada com o objetivo de ter um horizonte de previsão mais longo, de 15 dias, dos modelos globais, enquanto o regional tem um horizonte de 72 horas. Mas, realmente, precisaremos colocar a previsão regional - diz a hidróloga do Centro de Monitoramento da Defesa Civil Vanderleia Schmitz.

Sistema recente Diretora do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil, a tenente-coronel Ana Maria Hermes argumenta que esse sistema ainda é recente, tendo começado a operar no início deste ano, e garante que a experiência dos últimos dias será utilizada para aprimoramentos.

- Esse foi o primeiro evento (severo) que a gente enfrentou com esse sistema. Tudo na área de desastre vai estar em permanente melhoria, em permanente qualificação - afirma Ana Maria.

Nem todas as possíveis melhorias no sistema da Defesa Civil poderão ser executadas em pouco tempo. O governo gaúcho está concluindo a implantação da última de 130 novas estações que monitoram bacias hidrográficas e fornecem dados que subsidiam previsões. Porém, essa rede robusta ainda não é utilizada para alimentar os prognósticos.

- Contratamos 130 estações que hoje nos permitem o nowcasting (previsão de curtíssimo prazo) hidrológico. Só que essas estações ainda não conseguem alimentar esses modelos, e elas ficam em locais-chave. Para serem incluídas, precisamos ter uma série de dados histórica, e isso só pode ser obtido com tempo - argumenta a hidróloga Vanderleia.

Responsável pela operação do MGB, Stefano Boeira afirma que serão necessários cerca de quatro anos para formar esses bancos de dados e incorporar a nova rede de estações aos cálculos de resposta das bacias. _

Efeito de deslizamentos de terra será analisado

Há uma avaliação interna na Defesa Civil gaúcha de que os milhares de deslizamentos em morros de locais como o Vale do Taquari durante a tragédia de 2024 podem ter alterado a dinâmica dos rios. Estudos indicam que as "cicatrizes" deixadas no solo pela derrubada da vegetação e pela movimentação da terra podem atuar como "córregos" que concentram a água da chuva e a escoam para os rios vizinhos em velocidade superior à de um terreno preservado.

- Um levantamento da UFRGS mapeou cerca de 17 mil movimentos de massa no Estado. Só na bacia do Taquari-Antas temos 8,9 mil, e cerca de 50% dessas cicatrizes estão conectadas a corpos hídricos. Isso pode alterar a dinâmica da bacia, podendo diminuir o tempo de resposta dos rios (à chuva) e aumentar a velocidade com que a água chega até eles - afirma o geólogo da Defesa Civil Marcelo Ávila.

Na prática, isso pode fazer com que os rios subam mais rapidamente. Deverá ser realizado um estudo para verificar se essas alterações na geografia regional modificaram o comportamento dos mananciais em períodos de tempo severo. _

SGB deve rever terminologia de boletim

Como o SGB não faz previsão de tempo, utiliza as análises de órgãos internacionais e nacionais, a exemplo do Inmet. Essa é uma inovação implantada após a cheia de 2024. Até então, a entidade federal lançava apenas avisos de mais curto prazo, com menos tempo para prevenção, mas mais certeiros.

- Acredito que o termo "previsão" utilizado nesse tipo de boletim, que é mais de cenário, deverá ser trocado por outro daqui para frente. É um boletim inicial que apresenta possíveis cenários, mas ainda traz muita incerteza. O problema é quando isso é tomado como uma situação definitiva - argumenta a chefe do Departamento de Hidrologia do SGB, Andréa Germano.

À meia-noite, o órgão emitiu novo comunicado - já com caráter de alerta - prevendo que às 6h o Taquari já teria ultrapassado a cota de inundação (o que ocorreu). Esse segundo aviso já considerava a precipitação registrada de fato nas cabeceiras.

- Conseguimos fazer prognóstico, de fato, com no máximo 12 horas de antecedência para as partes mais baixas do Taquari, e de quatro a seis horas nas mais altas, porque é um rio de resposta rápida. Na bacia do Amazonas, boletins são divulgados com até 75 dias de antecedência - compara o chefe da Divisão de Hidrologia Aplicada do SGB, Emanuel Duarte.

Prudência nos prognósticos Procurado por ZH, o Inmet argumenta que emitiu 18 "avisos de tempo severo relacionados à chuva" entre os dias 17 e 21. Esses alertas previam possibilidade de precipitação "acima de cem milímetros ao dia" e possível "transbordamento de rios". Conforme o SGB, porém, houve pontos muito localizados onde a chuva oscilou ao redor de 200mm ao longo de um dia.

Em bacias de resposta rápida, pequenas diferenças na localização ou no volume da chuva sobre as cabeceiras podem alterar significativamente a projeção do nível dos rios poucas horas depois.

Para o professor do IPH Rodrigo Paiva, o episódio também deve servir de lição sobre como interpretar e divulgar as informações sobre possíveis cheias:

- Acho que uma das principais dificuldades foi fazer uma previsão dando a entender que existia uma certa certeza de que não aconteceria inundação antes de esperar o evento de chuva terminar. Nesses casos de bacias que respondem mais rapidamente, deve-se fazer uma interpretação mais prudente dos dados ou esperar mais. _

Sábado tem sol, mas temporais voltam ao longo da semana

Mas o fim de semana começa com um sábado ainda agradável, de sol entre nuvens na maior parte do Estado. As temperaturas mínimas variam entre 7°C e 14°C, e as máximas oscilam entre 16°C e 25°C.

Na Região Metropolitana, nos Vales e no Litoral, o tempo permanece estável e sem expectativa de chuva significativa. No entanto, o avanço gradual de instabilidades pelo Oeste, Missões, Noroeste e trechos do Sul provocará aumento da nebulosidade, com alguma precipitação ocasional entre a tarde e a noite. Apesar do tempo seco na Capital e na Região Metropolitana no sábado, a água que escoa das bacias do Interior - Taquari, Caí e Jacuí - continua chegando ao Guaíba.

Avanço nas Ilhas

A elevação, que começou de forma gradual na sexta-feira, já provocou avanços na Região das Ilhas. A projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS) indica que o nível do Guaíba na medição do Cais Mauá deve atingir 2m70cm até este sábado. Com isso, supera a cota de alerta (2m50cm) e se aproxima da cota de inundação (3m).

Prefeitura da Capital constrói dique provisório na Zona Sul

Leonardo Martins

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) construiu, nesta sexta-feira, dique provisório na orla do Guaíba, no bairro Guarujá, na zona sul de Porto Alegre. Com retroescavadeiras, a prefeitura ergueu barreira de terra em frente ao rio para conter eventual cheia.

A obra dá sequência a uma medida iniciada na última quinta-feira, na vizinha Praça Zeno Simon. No local, o Dmae instalou sacos de areia para bloquear o canal que liga a Rua Jacipuia ao Guaíba e posicionou uma bomba móvel, que retira a água da chuva acumulada e a devolve ao rio. O objetivo é impedir que o Guaíba avance pelo sistema de drenagem e provoque alagamentos nas ruas do entorno.

O Guarujá é um dos bairros da Zona Sul que ainda não conta com sistema de proteção contra cheias. Sem diques e comportas, a drenagem da chuva depende da diferença de nível entre a rede pluvial e o Guaíba. Quando o rio sobe, a água pode fazer o caminho inverso, voltar pelos canos e provocar alagamentos.

Alerta até segunda

O trabalho de sexta-feira dá continuidade à ação da véspera. À tarde, as equipes atuaram na construção de um pequeno dique para proteger o canal, de modo a manter o nível da água mais baixo do que o do Guaíba. As estruturas devem permanecer no local ao menos enquanto durar o alerta de cheia para as regiões ribeirinhas das Ilhas, do Guarujá e do extremo sul da Capital. O aviso da Defesa Civil vale até segunda-feira.

A projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) indica que a cota de alerta na região, de 2m50cm (nível a partir do qual o monitoramento se intensifica), deve ser superada, com o Guaíba chegando a 2m70cm até sábado.

Na madrugada de sexta-feira, o rio subiu de forma gradual e começou a avançar na Região das Ilhas. A elevação ocorre por causa do escoamento das águas das bacias dos rios Taquari, Caí e Jacuí, que deságuam no Guaíba.

Solução definitiva

A alternativa definitiva para proteger o Guarujá ainda está em fase de estudos. Entre as opções analisadas pelo Dmae estão a construção de um muro de proteção, a elevação da Avenida Guaíba ou da própria Praça Zeno Simon. Os estudos de viabilidade técnica devem ficar prontos até o fim do ano, e a estimativa é de que a obra custe cerca de R$ 300 milhões. O projeto ainda exigiria o reassentamento de famílias, além de desapropriações e indenizações. 

25 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Falhas na rede do Inmet continuam

Os problemas na rede de estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Rio Grande do Sul não se limitam aos dias mais críticos que antecederam as tempestades desta semana no Estado. As discrepâncias continuam, segundo aponta o meteorologista Gabriel Cassol, um dos autores do estudo que demonstrou falhas nos equipamentos entre os dias 17 e 21 de julho, período crítico das tempestades recentes no Estado. O Inmet é um órgão do governo federal.

Nesta sexta-feira, por exemplo, a estação de Uruguaiana trazia dados irreais de temperatura, falha de dados e não apresentava estatísticas sobre medição de chuva. Enquanto todos os sensores mostravam temperatura que variava entre 16°C e 16,5°C, a estação do Inmet registrava 22,9°C, uma diferença de pelo menos 6,9°C. A estação de Lavras do Sul não tinha dados sobre umidade e ponto de orvalho. Também registrava dados irreais de temperatura, com uma discrepância de pelo menos 8°C.

A estação de São Lourenço do Sul mostrava a velocidade do vento de 80,3 km/h, enquanto equipamentos na região indicavam entre 43,5 km/h e 45,9 km/h. A estação de Palmeira das Missões também continua registrando valores absurdos de rajadas de vento. O equipamento registrou 88,9 km/h sendo que não havia nenhuma tempestade ou algum sistema meteorológico atuando no Rio Grande do Sul capaz de produzir essas rajadas. Outros equipamentos na área indicavam ao meio-dia rajadas de 25,7 km/h.

Em Porto Alegre, a principal estação da Capital, localizada no Jardim Botânico, seguia apresentando três problemas: nenhum registro de ventos (velocidade, rajadas e direção), em vários horários ela não apresentava dados e sensores registrando temperaturas fora do normal.

- Isso é problema de equipamento de baixa qualidade, a única solução para corrigir esse problema é fazer a troca dos equipamentos e colocar sensores de qualidade - avalia o meteorologista.

Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária, responsável pelo Inmet, as estações meteorológicas "estão passando por manutenção preventiva e corretiva, que inclui a atualização do programa utilizado em sua operação". O órgão diz ainda: "os serviços são executados periodicamente e a previsão de conclusão, para o RS, é no mês de agosto". _

Conforme a Defesa Civil do RS, as 129 estações de monitoramento hidrometeorológico compradas pelo governo do Estado operam normalmente. O órgão pondera que, apesar de todas as unidades funcionarem, os sensores ainda estão no processo de calibragem, etapa que serve para garantir a qualidade da informação.

Entrevista - Gabriel Cassol
Meteorologista

"Ocorre uma degradação da previsão do tempo"

O meteorologista Gabriel Cassol assina, junto com o professor da Unisinos Artur Jacobus, o levantamento que mostrou que apenas 16 das 98 estações meteorológicas do Inmet estavam plenamente funcionando entre 17 e 21 de julho, dias críticos para os temporais no Estado. Mestre pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o especialista está radicado em Santa Catarina, onde é proprietário da Sigma Meteorologia. Ele conversou com a coluna.

Em que momento vocês se deram conta de que havia discrepâncias?

Logo após a instalação das estações, entre março e abril, começamos, aos poucos, a observar esses problemas. Inclusive, a estação do Jardim Botânico, em Porto Alegre, já apresentava, nas primeiras semanas, algumas falhas, principalmente na medição do vento. Posteriormente, esses detalhes foram sendo corrigidos e ajustados, mas, à medida que as estações foram instaladas nas demais regiões do Estado, elas também começaram a apresentar problemas.

Quais são os erros mais comuns?

Há estações com problemas na medição do vento. Elas estão registrando, por várias horas consecutivas, rajadas muito fortes, o que não se justifica, porque não há nenhum sistema meteorológico capaz de provocar essas rajadas de vento por tantas horas seguidas. É um erro de medição do equipamento que não acontece somente em uma estação, mas em várias outras pelo Estado. Além disso, também observamos erros na medição da temperatura. 

Em algumas estações, já identificamos picos de temperatura muito altos entre uma hora e outra de medição. Poucas semanas atrás, tivemos uma tarde bastante gelada em toda a Campanha, com temperaturas em torno de 10°C. Na hora seguinte, a estação do Inmet de Santana do Livramento registrou uma temperatura de 40°C. Isso não faz o menor sentido. Na hora seguinte, a estação voltou a registrar 10°C. Observamos esse mesmo comportamento em outras estações.

Qual é o impacto desses erros?

Os países têm Centros Nacionais de Meteorologia. No caso do Brasil, esse órgão é o Inmet. Os dados gerados pelo instituto são oficiais, têm certificação e uma numeração da OMM. Esses dados são enviados diariamente para centros meteorológicos do mundo inteiro, a fim de inicializar os modelos de previsão do tempo. O modelo americano, por exemplo, é inicializado e mantido pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Já o modelo europeu é mantido pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o ECMWF. 

Todos os dias, o próprio Inmet envia esses dados para esses centros, para que as informações abasteçam os modelos de previsão do tempo. A partir delas, é possível prever o comportamento da atmosfera para os próximos dias. A partir do momento em que se tem uma informação errada ou faltante no modelo, ocorre uma degradação da previsão. Esse impacto geralmente é maior nas primeiras 12 a 24 horas, podendo chegar, no máximo, a 36 horas. Depois disso, vai se reduzindo aos poucos. 

Se tivéssemos dados mais precisos do Inmet, poderíamos ter previsões mais assertivas, inclusive para o último evento ocorrido no Rio Grande do Sul. Houve erros nos modelos naquele primeiro cenário, em que se projetava muita chuva para a região de Santa Maria. A previsão acabou não se confirmando, e a chuva ficou mais deslocada para a região norte do Estado. A partir do momento em que se informa uma condição errada da atmosfera, esse erro vai se propagando nas horas seguintes de previsão dos modelos.

Há outros impactos?

O Rio Grande do Sul é a porta de entrada dessas frentes frias. Se já temos dados errados aqui, à medida que essas frentes avançam para as demais regiões do país, o erro também vai se propagando. Sempre prezamos pela excelente qualidade desses dados, principalmente porque são informações oficiais e alimentam os modelos de previsão. 

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Rotina e amigos

Como é a rotina no teu trabalho? A resposta para essa pergunta é única. Mesmo profissionais que exercem exatamente a mesma função vivem dias completamente diferentes. Tudo depende do jeito de ser, das prioridades, das pequenas manias de organização e até da forma como cada um enxerga os desafios da profissão.

São muitas variáveis que ajudam a criar ambientes de trabalho distintos dentro de uma mesma equipe. E essa é uma das coisas mais interessantes de trabalhar em grupo. Não existem duas pessoas iguais. Cada colega carrega uma história, uma bagagem e uma maneira própria de encarar a vida.

Passar pelo menos um terço do dia no trabalho é tempo mais do que suficiente para estreitar relações. A gente conversa sobre pautas, metas e compromissos, mas também fala sobre a família, sobre os sonhos, as preocupações e os planos para o futuro. Compartilha alegrias, conquistas e, muitas vezes, momentos difíceis. Depois de anos dividindo a mesma rotina, é quase impossível não criar intimidade.

Quem nunca teve um colega que acabou se transformando em confidente? Aquela pessoa que sabe reconhecer pelo olhar quando alguma coisa não está bem. Ou que percebe na hora quando existe um motivo para comemorar. São vínculos que surgem de forma espontânea, construídos aos poucos, entre um café e outro.

Há alguns anos se fala muito sobre diversidade nos ambientes profissionais. Eu acredito profundamente nessa mistura como uma ferramenta para gerar resultados melhores. Mas não apenas resultados. Acho que ela também nos torna pessoas melhores.

No nosso time do Jornal do Almoço temos gente de todas as idades, experiências de vida diferentes, vivências únicas e personalidades bem contrastantes. Tem quem fale muito e quem observe mais. Tem quem seja extremamente organizado e quem funcione melhor no improviso. Tem quem esteja começando a carreira e quem já tenha décadas de experiência acumulada. E eu amo isso.

A afinidade nem sempre nasce de gostos em comum ou de opiniões parecidas. Muitas vezes ela surge justamente das diferenças. A convivência diária nos ensina a admirar características que não temos e a enxergar o mundo por perspectivas que talvez nunca conheceríamos sozinhos.

Nesta semana, no dia 20, celebramos o Dia do Amigo. E essa data me fez pensar em como a vida adulta muda a forma de construir amizades. Quando a escola e a faculdade ficam para trás, o trabalho passa a ser o principal lugar para conhecer gente nova. E, por consequência, para fazer novos amigos.

Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da rotina profissional. No meio das obrigações, dos prazos e das responsabilidades, surgem laços que ultrapassam o expediente. Porque algumas das pessoas que chegam até nós como colegas acabam ficando para sempre como amigos. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

24 de Julho de 2026
Opinião RBS

O teste da nova enchente

O evento extremo que atingiu o Estado nos últimos dias pode ser uma amostra do que está por vir, em especial na primavera, estação que já é mais chuvosa no Rio Grande do Sul. Os prognósticos climáticos apontam para a formação de um El Niño de magnitude histórica, com efeitos espalhados entre este ano e 2027.

Diante dos alertas de tempo severo, era importante observar, como ressaltou este espaço na quinta-feira da semana passada, o quanto se evoluiu desde a grande cheia de 2024 em preparação e adaptação para tempestades, chuvas volumosas e possíveis enchentes. É preciso reconhecer os avanços. De forma geral, Estado, prefeituras e concessionárias de serviços públicos mostraram-se prontos para agir. Mas é dever registrar que há pontos importantes a serem revistos e aprimorados.

Em relação aos aspectos que precisam de melhor exame, sobressai o caso da previsão equivocada, na noite de terça-feira, de inexistência de risco de o Rio Taquari ultrapassar as cotas de inundação. As informações passadas pela Defesa Civil do Estado e pelo Serviço Geológico do Brasil descartavam essa possibilidade. A mensagem foi divulgada pelo próprio governador Eduardo Leite. Mas, já na madrugada de quarta, poucas horas depois, o cenário foi revisto e as prefeituras da região, instadas a acionar os planos de contingência. Deflagrar durante a madrugada uma mobilização que poderia ser iniciada antes cria dificuldades adicionais.

De forma transparente, o coordenador da Defesa Civil estadual, Luciano Boeira, admitiu que o volume de chuva que caiu nas cabeceiras do Taquari foi acima das previsões meteorológicas com que o órgão trabalhava. Referiu ainda que "os modelos hidrológicos subestimaram a resposta dos rios". Ou seja, não foi possível antecipar com acurácia o comportamento da bacia hidrográfica do Taquari. Ocorreu o mesmo com o Rio Caí. Aqui estão, portanto, dois pontos que devem ser analisados pelas instituições estaduais e federais envolvidas. A politização do tema é natural em um período pré-eleitoral, mas não traz nenhuma solução efetiva.

A região do Vale do Taquari é a mais traumatizada pelas enchentes de 2023 e 2024. É natural que a população e as autoridades locais esperassem previsões mais precisas e tempestivas, até pelos investimentos anunciados em sensores e estações para acompanhar o volume de chuva e o comportamento de mananciais. A antecipação é essencial para agilizar as decisões, como evacuar áreas de risco com maior rapidez e salvar pertences. A despeito dos sobressaltos, foi possível remover a tempo os moradores.

Até ontem à tarde, a Defesa Civil registrava 1.675 pessoas fora de suas casas. Quase 200 municípios contabilizaram estragos pelos temporais e pela chuva. O Guaíba deve chegar à cota de alerta, mas sem possibilidade de extravasamento na região central da Capital, embora a população das ilhas deva sofrer com inundações. Não deve ser subestimado o sofrimento de nenhuma pessoa atingida, até porque muitos já padeceram com cheias anteriores.

A enchente em curso é bem menos grave do que as de poucos anos atrás, mas serviu de teste. Resta diagnosticar as causas das falhas e corrigi-las. É parte do aprendizado de um Estado que não tem outro caminho senão o de reforçar a sua resiliência climática. 

OPINIÃO RBS

24 de Julho de 2026
EM FOCO

Temor

Atenção ao nível do Guaíba e dos rios

Apesar do retorno do sol ontem, alguns mananciais gaúchos seguem acima da cota de inundação. Com solo saturado, lago que banha a Capital deve atingir a cota de alerta amanhã. Além disso, novos temporais são aguardados na próxima semana

A quinta-feira foi marcada por chuva moderada no Rio Grande do Sul, mas de forte apreensão e novos alagamentos, especialmente no Vale do Jacuí. Embora a previsão para hoje indique a volta do sol e a melhora do tempo na maior parte do Estado, a atenção permanece totalmente voltada para a elevação dos rios e do Guaíba. O cenário exige cautela, pois a chuva deve retornar com força no final de domingo e se estender pelo início da próxima semana.

Os rios Caí, dos Sinos, Jacuí, Taquari e Uruguai seguem acima da cota de inundação em diversos municípios gaúchos em razão dos altos volumes acumulados desde o dia 17, há exatamente uma semana.

Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil na noite de ontem, o número de cidades que registraram estragos subiu para 204 - contra 169 no levantamento do dia anterior. Às 19h havia 1.315 pessoas desabrigadas, mais de três quartos delas (76,5%) no Vale do Taquari. O município com mais desabrigados era Lajeado, com 540 pessoas abrigadas sobretudo no Parque do Imigrante.

Ontem, diante do grande volume de troncos de árvores, madeiras e entulhos no Guaíba, a CastSul suspendeu a travessia do catamarã, evitando a navegação à noite. O retorno da operação dependerá das condições do Guaíba, informou a empresa.

Trajetória ascendente

A projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) indica que o nível do Guaíba manterá a trajetória de subida até amanhã, quando deverá atingir 2m70cm na medição do Cais Mauá, alcançando a cota de alerta. O nível de transbordamento no local é de 3m.

A elevação no Guaíba decorre principalmente do escoamento das águas que descem das bacias dos rios Taquari, Caí e Jacuí, e não tanto da precipitação direta sobre a Capital. Na madrugada de ontem, o manancial atingiu 1m92cm às 3h e permaneceu em 1m90cm ao longo da manhã, dentro da cota de atenção. Ao longo do dia, não foi registrado vento vindo do quadrante sul - fator que, quando presente, dificulta o escoamento para a Lagoa dos Patos. Ainda na tarde de quinta, a operação do Catamarã no Guaíba foi suspensa por precaução. Às 18h30min, a medição no Cais Mauá indicava declínio temporário, marcando 1m27cm.

Abrigos

A Defesa Civil estadual emitiu alerta de risco alto para inundação nas Ilhas de Porto Alegre, válido até as 17h30min de hoje. A Defesa Civil municipal informou que não há necessidade de remoção imediata de moradores, mas já estruturou dois abrigos emergenciais e pontos avançados de atendimento no bairro Guarujá, na Região das Ilhas e no extremo sul da Capital.

Na Ilha da Pintada, a água avançou sobre vias públicas como a Rua Nossa Senhora da Boa Viagem. Moradores precisaram erguer móveis ou transferi-los para os andares superiores das residências. Relatos da comunidade indicam que a população da Ilha da Pintada encolheu drasticamente desde a enchente de 2024: de cerca de 6 mil para 1,2 mil habitantes, aproximadamente, reflexo das cheias e da adesão a programas como o Compra Assistida, do governo federal, voltados a realocar famílias que viviam em regiões de risco.

No município de São Jerônimo, na Região Carbonífera, o Rio Jacuí atingiu a cota de inundação no final da noite de quarta-feira e chegou a 5m78cm às 11h de ontem - mais de um metro acima do limite crítico de transbordamento, que é de 4m64cm.

A Defesa Civil municipal removeu 16 pessoas (sete famílias) nos bairros Centro, Beira-Rio e Cidade Baixa. Outros moradores optaram pela desocupação preventiva por conta própria. Também foram registrados bloqueios em vias de acesso nas áreas ribeirinhas. O RS já contava com abrigos ativos em 13 cidades: Arroio do Meio, Arroio dos Ratos, Bom Retiro do Sul, Colinas, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Lajeado, Montenegro, Muçum, Roca Sales, Santa Cruz do Sul e São Sebastião do Caí. Os locais estão distribuídos em escolas, ginásios municipais, parques e salões. _

Participaram Airton Lemos, Caroline Batista, Leticia Mendes, Heloisa Gamero, Júlia Ozório e Paulo Rocha

Precipitações acima de 100mm semana que vem

Meteorologistas projetam volumes expressivos de chuva na próxima semana em diferentes regiões do RS. Os acumulados podem superar 100 milímetros entre segunda-feira e sábado. O primeiro seria entre segunda e quarta-feira, com volumes mais elevados principalmente na segunda e na terça. Após uma trégua na quinta-feira, a instabilidade deve retornar entre sexta-feira e sábado.

Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Marcelo Schneider afirma que a chuva mais intensa deve atingir uma faixa que atravessa a Região Central e a Região Metropolitana, além de áreas do Sul, do Planalto Médio e da Serra.

- O problema maior dos próximos dias será de segunda a quarta-feira, principalmente segunda e terça, quando as expectativas são de acumulados de chuva mais elevados em grande parte do Estado, principalmente na faixa central, de Santa Maria até Porto Alegre. Pode atingir também áreas do Sul, do Planalto Médio e da Serra - explica.

O meteorologista acrescenta que a instabilidade será provocada por uma frente fria estacionária. O contraste entre o calor e a umidade no Norte e o ar frio represado no sul do Estado deve favorecer a formação de chuva.

- Ao norte do Estado vai fazer muito calor e haverá umidade. Ao sul, o ar frio vai ficar represado. Por isso, entre segunda e o início da quarta-feira, há previsão de pancadas de chuva, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo - afirma Schneider. _

"As pessoas estão cansadas de perder tudo"

No início da manhã de ontem, quando empurrou o portão em frente à casa na Rua Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Pintada, o soldador aposentado Daniel Portilla, 64 anos, viu uma cena a qual está habituado. A água do Rio Jacuí avançando sobre a via.

Criado na Região das Ilhas, Portilla viu inúmeras vezes as águas tomarem as ruas. Na enchente de 2024, precisou deixar o segundo andar da casa pela rua dos fundos. Na da frente, a água já havia ultrapassado o portão.

- Já perdi muita coisa aqui. Sempre que começa a chuva lá para cima, a gente já começa a se preocupar. Levanta os móveis. Guarda o que pode no segundo andar - relata.

A Rua Nossa Senhora da Boa Viagem, onde ele mora, é uma das primeiras a ser tomada pelas águas. A reportagem conversou com moradores e eles relataram que muitas pessoas já deixaram a área de forma preventiva.

O padre Rudimar DalAsta, uma liderança na comunidade da Pintada, relata que muitos moradores já deixaram as casas como forma de prevenção. Outros, como Portilla, optaram por erguer os móveis.

- As pessoas estão cansadas de perder tudo. É uma cena que vimos se repetir muitas vezes - diz.

Pelas ruas da Ilha da Pintada, é possível encontrar muitas casas demolidas. A maior parte são moradores que deixaram o local após a última enchente.

- Muitos saíram, aderiram ao Compra Assistida (programa do governo federal). A população da ilha diminuiu muito. Antes eram mais de 6 mil, agora são cerca de 1,2 mil - relata o padre. _

Segundo o professor Fernando Dornelles, do IPH/UFRGS, na ausência de novas chuvas, o nível do Guaíba leva cerca de três dias para apresentar queda significativa. No entanto, o solo saturado pela umidade reduz a capacidade de absorção, o que faz com que novas precipitações em curto intervalo provoquem repiques mais acentuados nos rios.

Hoje

O avanço de uma massa de ar seco garante tempo firme na Campanha, Fronteira Oeste, Centro, Sul, Serra e Região Metropolitana. Há chance de chuva rápida e isolada apenas no Norte e Noroeste, próximo à divisa com Santa Catarina. As mínimas oscilam entre 8ºC e 9ºC no Oeste, Campanha e Campos de Cima da Serra; as máximas podem atingir 21°C na Grande Porto Alegre e 24°C no Noroeste.

Amanhã

O tempo firme predomina na maior parte do Estado, com presença de muitas nuvens e períodos de sol. Chuvas fracas ficam restritas ao Oeste. O amanhecer será frio, com marcas mais baixas na Campanha, Serra e áreas elevadas, mas as temperaturas sobem gradualmente à tarde.

Domingo

A partir do domingo, uma nova mudança no cenário traz instabilidade para todo o território gaúcho, com risco de temporais no Norte, Oeste, Missões, Centro, Campanha e Vales. A previsão indica continuidade da chuva na segunda e na terça-feira.

Travessia do Rio Uruguai foi interrompida

A elevação do Rio Uruguai provocada pelo alto volume de chuva registrado nos últimos dias interrompeu as principais travessias por balsa entre o Brasil e a Argentina ontem. Uma das situações mais preocupantes foi registrada entre Tiradentes do Sul e El Soberbio, onde o rio atingiu 11m72cm durante a manhã, conforme informações da Defesa Civil.

Em Porto Mauá e Alba Posse, a elevação chegou a 9m39cm. Por medida de segurança, famílias ribeirinhas precisaram deixar suas residências em áreas consideradas vulneráveis ao avanço das águas.

As operações entre Porto Vera Cruz e Panambi e entre Porto Xavier e San Javier foram suspensas após o rio ultrapassar a marca de 6m . A paralisação impactou moradores, trabalhadores e o transporte de mercadorias que utilizam diariamente as balsas para cruzar a fronteira.

A operação da barca Aliança, responsável pela travessia entre Barra do Guarita e Itapiranga (SC), também precisou ser interrompida. 

24 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Alerta para estações do Inmet no RS

Apenas uma em cada seis estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estavam plenamente operacionais no Rio Grande do Sul entre os dias 17 e 21 de julho de 2026, período crítico para o acompanhamento de temporais que atingiram recentemente o Estado. Do total de 98 estações, só 16 estavam funcionando completamente. As outras 82 estações (83,7%) apresentavam pelo menos um tipo de falha.

O levantamento, assinado pelo meteorologista Gabriel Cassol e pelo professor da Unisinos Artur Jacobus, foi feito com base em dados públicos da rede do Inmet, disponíveis na internet.

Das 82 estações que apresentavam algum problema, 20 estavam inativas e outras 23 passaram a maior parte do tempo sem funcionar ou tiveram interrupções frequentes e prolongadas. Seis estações concentraram três ou quatro tipos de problema: Casca, Ibirubá, Lavras do Sul, Mostardas - Bacupari, São Luiz Gonzaga e Uruguaiana.

Em Porto Alegre, a Estação do Jardim Botânico, por exemplo, apresentou falha recorrente de duas a quatro variáveis e interrupções frequentes e prolongadas. O mesmo ocorreu com a estação de Santa Maria, na região central do Estado. Na Serra, as estações do Aeroporto de Caxias do Sul e no distrito de Criúva estavam inativas. Em Passo Fundo, a estação também estava sem funcionar.

- Isso nos preocupa porque sabemos que a rede de estações do Inmet é extremamente importante como geradora de informação, seja para os modelos de previsão meteorológica, seja para Defesa Civil, seja para os estudos de clima. E o fato de não estarem funcionando ou estarem gerando dados incompletos faz com que tenhamos problemas na previsão e nos alertas da Defesa Civil - diz Jacobus.

À coluna, o Inmet, órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, informou: "As estações meteorológicas localizadas no Rio Grande do Sul estão passando por manutenção preventiva e corretiva, que inclui a atualização do programa utilizado em sua operação. Os serviços são executados periodicamente e a previsão de conclusão, para o RS, é no mês de agosto. Durante esse período, poderão ocorrer indisponibilidades no funcionamento das estações, em razão das intervenções técnicas necessárias." 

Faixas na Orla chamam a atenção para pauta ambiental

A Anistia Internacional Brasil, o Greenpeace Brasil e a ActionAid Brasil realizaram ontem uma ação de conscientização na Orla do Guaíba. As entidades estenderam três faixas em um local próximo ao Shopping Pontal.

As faixas traziam as frases: "El Niño é ameaça. Negligência é escolha"; "Adaptar é direito, não concessão"; e "Reconstrução com justiça".

Conforme a Anistia, a ação teve como objetivo reforçar o alerta para a situação de vulnerabilidade das pessoas diante de eventos climáticos extremos cada vez mais intensos.

A mobilização ocorreu no contexto da Semana de Ação Climática de Porto Alegre. _

A celebração dos 90 anos de Fernando Ernesto Corrêa

Poucos personagens ajudaram tanto a moldar a comunicação gaúcha quanto Fernando Ernesto Corrêa. Aos 90 anos, o advogado, jornalista e empresário recebe, na página ao lado, nesta edição de Zero Hora, uma homenagem por sua trajetória que permeia empresas, governos e a consolidação da liberdade de imprensa no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Nenê, para os colegas do Colégio Nossa Senhora das Dores e parceiros do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, o "Bacharel", como era chamado pelo grande amigo Maurício Sirotsky Sobrinho, ou simplesmente o "Lobista", como se autodefiniu em sua biografia, Fernando Ernesto construiu uma trajetória que transitou pelo jornalismo, pela política e pelos negócios.

Filho da dona de casa Maria Isabel e do jornalista e economista Ernesto Corrêa, lendário diretor do Diário de Notícias, ele cresceu respirando imprensa. Formou-se em Direito e Administração, destacou-se como advogado e, desde cedo, aproximou-se de entidades representativas do setor de comunicação. Mas nunca deixou de se orgulhar de ter sido repórter - profissão que considera a essência de tudo o que viria depois.

Sua trajetória faz parte da história da RBS. Fernando Ernesto ingressou na empresa nos anos 1960. Foi comentarista esportivo da Rádio Gaúcha e da TV Gaúcha.

Mais tarde, passou a atuar como advogado das emissoras e participou da interiorização da comunicação do Rio Grande do Sul com a criação da rede regional de televisão da RBS. Já como sócio da empresa, ele assumiu papéis decisivos na articulação institucional, aproximando o grupo de entidades representativas do setor. Presidiu a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) e foi vice-presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

Defesa do Jornalismo

A Assembleia Nacional Constituinte, no final dos anos 1980, foi terreno fértil para suas bandeiras. Em Brasília, onde permaneceu por cerca de dois anos, Fernando Ernesto participou das articulações que ajudaram a moldar o capítulo da Comunicação Social da Constituição de 1988.

O debate era intenso. Havia setores que defendiam a presença maior do Estado sobre emissoras e mecanismos de controle dos veículos. As divergências foram tão profundas que parte do texto acabou sendo decidida em plenário.

Foi uma das maiores vitórias da liberdade de expressão no país, sobretudo pela consagração constitucional da proibição de qualquer forma de censura.

Negociador nato, o aniversariante deste 24 de julho sempre preferiu construir pontes a ampliar conflitos. Fernando Ernesto fez parte da direção da RBS como diretor-superintendente, ao lado de Maurício Sirotsky Sobrinho, que era o presidente, e de Jayme Sirotsky, vice-presidente.

Fernando Ernesto contribuiu para construir as bases que tornam possível uma imprensa livre e regionalmente forte. Aos 90 anos, é integrante do Conselho de Acionistas do Grupo RBS e seu filho Geraldo Corrêa faz parte do Conselho de Gestão. O empresário constrói um legado que ultrapassa fronteiras entre empresas, cargos ou negociações.

Está presente na defesa permanente da liberdade de expressão, na consolidação da comunicação privada no país e na crença de que uma democracia saudável depende de jornalismo forte, plural, profissional e independente. 

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 23 de julho de 2026

 

Tempo acelerado

Será que, por dentro, sabemos que vamos morrer?

Há uma intuição adormecida do nosso fim? Guardamos uma duração estimada do nosso tempo por aqui? Talvez não a hora exata, porém uma baliza capaz de revelar que não falta tanto, que devemos acelerar as memórias?

Será que o inconsciente possui um cronômetro, que faz com que certas pessoas sejam mais intensas e passionais, com que sintam mais urgência, sede, gula de viver?

Porque uns caminham, outros correm, e alguns poucos voam. Porque uns têm paciência, outros prudência, e alguns poucos uma voracidade enigmática.

É o que me peguei pensando ao assistir ao documentário Eu Não Ando Só, que acabou de estrear na Globoplay.

Preta Gil foi um vulcão, um escândalo de espontaneidade.

Despediu-se jovem, aos 50 anos, em julho de 2025. No entanto, a sensação é a de que atravessou séculos entre nós.

Começou a cantar publicamente só aos 30 anos, nem por isso adotou uma postura medrosa. Misturou balada, samba, funk, afoxé e MPB. Extrapolou seu berço famoso com um estilo próprio, com a autoridade de quem não levava desaforo para casa. Sua leveza e seu humor tornavam qualquer show irrepetível.

Pretinha acumulou encarnações e várias biografias simultaneamente. Atuou como atriz e empresária, defendeu o corpo livre e o empoderamento feminino com o álbum Prêt-à-Porter, desafiou convenções, calou o racismo e a gordofobia, arrastou 1 milhão de foliões em um único desfile na capital fluminense com seu bloco de Carnaval, dominou rádios e plataformas de streaming com os hits Sinais de Fogo, Só o Amor e Decote.

No especial, a amiga Ivete Sangalo destacou sua soberania de existir. Dava sempre o melhor de si. Não se economizava. Apesar de presa a uma cama, debilitada, não abria mão do capricho de escolher o pijama ideal para uma noite: de coração, de sorvete ou de gato.

Tudo em sua passagem parece se encaixar. Como num filme roteirizado antes de seu nascimento. Sua última apresentação, suportando dores lancinantes de um câncer terminal, aconteceu ao lado do pai, Gilberto Gil, interpretando Drão, a música dedicada a sua mãe, Sandra. Criou um adeus a sua voz com os protagonistas de seu parto. Não é arrepiante, mágico, estranhamente perfeito?

Ela queria viver mais. Dizia que ainda viveria muito a cada volta por cima, a cada cirurgia, a cada tratamento, a cada nova tentativa médica. Nunca deixou de viver, mesmo quando sobrevivia. Nunca deixou de despertar emoções nos mais próximos.

Como se não pudesse esperar. Como se o amanhã fosse logo embora. Como se carregasse uma clarividência escondida.

Suas cinzas estão espalhadas em pingentes distribuídos entre 12 leais amigos, seus apóstolos da alegria. Já seu fogo jamais se apaga. Somos testemunhas de seu calor humano inextinguível. _

CARPINEJAR

23 de Julho de 2026
GRÊMIO -Marco Souza

Na altitude

Chance para o futebol aparecer

Tricolor joga hoje em La Paz, cidade situada 3,6 mil metros acima do nível do mar, contra o Bolívar, pelos playoffs da Sul-Americana. Equipe terá um meio-campo mais defensivo, com Leonel Pérez, Villasanti e Dodi e a saída de Gabriel Mec. Rival da equipe gaúcha contratou quatro reforços durante a pausa para a Copa

O Grêmio subiu a montanha em busca de soluções. A ida até La Paz, cidade situada a 3,6 mil metros de altitude, terá uma versão diferente do time. Uma estratégia pensada para fazer frente ao Bolívar, na partida de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana, e tentar trazer um bom resultado a Porto Alegre antes do retorno dos jogos do Brasileirão e da decisão contra o Mirassol na Copa do Brasil.

A busca por soluções terá a ausência de Luís Castro na beira do campo. O clube anunciou que o técnico passou por avaliações médicas e a decisão foi por sua permanência em Porto Alegre. Por conta de problemas respiratórios de outros anos, Castro teve a recomendação de não viajar para locais com altitude. Mesmo assim, com Vitor Severino na casamata, a equipe foi montada e preparada pelo treinador no CT Luiz Carvalho.

A principal mudança pensada é a troca no meio-campo. Gabriel Mec deixa os titulares para o retorno da estrutura de três volantes no setor. A escolha por Dodi e Villasanti, com Leonel Pérez na proteção, é parte da estratégia para conseguir um bom resultado na Bolívia.

Além da questão tática, a equipe terá outra mudança importante. Carlos Vinícius cumpre o primeiro dos dois jogos de suspensão na Copa Sul-Americana. O centroavante recebeu a punição pela expulsão contra o Montevideo City Torque. Uma porta aberta para o retorno de Braithwaite ao time titular.

Para aumentar a velocidade no setor defensivo, Luis Eduardo e Wagner Leonardo jogarão juntos na defesa. A tendência é de que Pavon e Pedro Gabriel atuem nas laterais, com o ataque composto por Enamorado, Tetê e o centroavante dinamarquês.

Adversário

O experiente goleiro Carlos Lampe, 39 anos, acredita que o Bolívar tem chance de eliminar o Grêmio. A crença do jogador, que é titular da seleção nacional, se baseia nos confrontos recentes que o clube viveu em competições continentais. No último deles, em abril, venceu o Fluminense por 2 a 0, em La Paz, pela fase de grupos da Libertadores.

- O Bolívar é um dos poucos que podem eliminar um time brasileiro. Sabemos do poderio econômico que eles têm. Somos uma equipe que compete, que tem claro o que tem de fazer e agora, contra o Grêmio, não vai ser exceção - disse Lampe.

Mesmo com a vitória sobre os cariocas, o Bolívar foi eliminado da Libertadores. Pela queda, o clube demitiu o antigo treinador, o argentino Flavio Robatto. E encarou as duas rodadas finais com o interino Vladimir Soria. Para o segundo semestre, chegou o colombiano Alejandro Restrepo, de passagens por Atlético Nacional e Independiente Medellin, da Colômbia, e Alianza Lima, do Peru.

O jogo de volta pelos playoffs da Copa Sul-Americana está marcado para o dia 30 de julho, na Arena. _

Copa Sul-Americana

Playoff (ida) - 23/7/2026

Bolívar x Grêmio

Lampe; Jesús Sagreso, Echavarría, Arreaga e José Sagredo; Justiniano, Robson Matheus e Melgar; Romero, Patito Rodríguez e Cauteruccio

Técnico: Alejandro Restrepo

Weverton; Pavon, Luis Eduardo, Wagner Leonardo e Pedro Gabriel (Caio Paulista); Leonel Pérez, Dodi e Villasanti; Enamorado, Tetê e Braithwaite

Técnico: Vitor Severino (interino)

HORÁRIO: 19h

LOCAL: Estádio Hernando Siles, em La Paz

ARBITRAGEM: Roberto Perez, auxiliado por Jesus Sanchez e Stephen Atoche

VAR: Diego Haro (todos do Peru)

O JOGO NO AR: a Rádio Gaúcha abre a jornada às 18h15min. Paramount+ anuncia transmissão. Siga a narração torcedora e acompanhe também a Jornada Digital em GZH