segunda-feira, 3 de agosto de 2026

03 de Agosto de 2026
CARPINEJAR

O vento aqui é uma pessoa

Ficamos preocupados se a janela está aberta, se a porta está encostada, se há algum parente na rua no momento do torvelinho.

Decidimos se vamos caminhar ou pedalar de acordo com sua intensidade. Palpitamos com naturalidade: "O vento virou", "o vento não veio", "o vento não dá trégua". Chegamos ao preciosismo de medir sua velocidade como se fosse um carro na Freeway, pego por um radar.

Se, no restante do país, a meteorologia se concentra em saber se o tempo será aberto ou fechado, seco ou chuvoso, azul ou violáceo com pancadas de água, no Sul demonstramos mais interesse em opinar e perguntar a respeito da força da corrente de ar.

Somos filhos do vento. Na tragédia e na graça. Há a mania de identificar quem está entre nós: o Minuano, o Nordestão, o Vento Sul, o Vento Norte. Cléo Kuhn, nosso galo da temperatura, explica a genealogia de cada um:

? O Minuano é conhecido como o vento da limpeza. Quando surge, parece que varre o excesso de umidade. É proveniente do Centro da Argentina, que tem estiagem no inverno. Costuma aumentar rapidamente por aqui, com um frio seco que permanece de 3 a 5 dias.

? O Nordestão é o vento quente, chato, insistente, famoso no Litoral. Recebe a culpa por nos deixar inquietos, irritados ou com enxaqueca. Ocorre a formação de nuvens entre o mar e a serra, que depois de três dias se converte em chuva.

? O Vento Sul, o Pampeano, traz a umidade da bacia do Prata para boa parte do RS, com a proliferação de nuvens acumuladas de 4 a 5 dias. É o aviso da hora de recolher. ? O Vento Norte, entre o Planalto, o Centro e a Campanha, é sinal de estufa, de abafamento, de excesso de umidade, da iminência de borrascas duradouras. Põe a todos em alerta.

Talvez o hábito de vasculhar os ventos, muito presente na vida urbana, tenha começado nas estâncias do Pampa, já que a sua aparição determinava o trabalho no campo e a lida com o rebanho.

Até o nosso figurino tradicional - o poncho, o lenço e o chapéu - é uma armadura contra as frentes frias, contra as imprevisíveis rajadas que balançam as figueiras e desenham ondas na grama do descampado.

Não é coincidência que o nosso grande clássico seja O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo. O vento, no romance, indica o nosso lugar de origem e também expressa a resiliência e a continuidade da luta, mesmo após o declínio da família Terra-Cambará. Erico usou os elementos da natureza para descrever a nossa geografia, tanto física quanto emocional e psicológica.

Na própria trama, o comentário de Ana Terra se eternizou: "Noite de vento, noite dos mortos". Nas superstições, o vento ruidoso batia nas frestas das casas de madeira e sussurrava o nome dos que iam morrer ou dos antepassados.

Realmente, o nosso vento é uma pessoa. Chora, geme, ri, grita, derruba, levanta, bagunça os papéis, embaralha as roupas no varal. No imaginário dos antigos tropeiros, quando se agitava o capim das coxilhas durante a noite, dizia-se que era o Negrinho do Pastoreio cruzando o campo a galope, conduzindo a sua tropilha invisível.

Na nossa galeria histórica, existe uma cena de cinema: na Revolução Farroupilha, Giuseppe Garibaldi liderou a épica travessia dos lanchões Seival e Farroupilha por terra. Para burlar o bloqueio naval imperial na Lagoa dos Patos, os barcos foram colocados sobre imensas carretas com rodas de 3,5 m, e puxados por cem juntas de bois por cerca de 80 km.

Somos como navegadores no seco. Seguimos por onde o vento sopra. 

CARPINEJAR

03 de Agosto de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Nós e as máquinas

Parece que não se fala de outra coisa - mas o que se sabe, com certeza lavrada em cartório, não recheia uma empada. IA: duas letrinhas cercadas de dúvidas por todos os lados. Para que mares nunca dantes navegados estamos nos dirigindo? Vai ter lugar para todos nesse transatlântico mecatrônico ou vamos precisar disputar a tapa uma vaguinha nos botes infláveis da terceira classe?

Os entusiastas (ou "boomers") estão convencidos de que o futuro será tão espetacular que gostariam de estar nascendo agora, em agosto de 2026, para aproveitar todas as delícias desse Shangri-la sem doenças, sem miséria e sem trabalho chato que a nova revolução tecnológica promete. Já os fatalistas ("doomers") chegam a duvidar que as crianças de hoje vão ter tempo de chegar à idade adulta antes do cataclismo final.

Se você está com a sensação de que a tecnologia anda mais rápido do que a sua capacidade de assimilar novas angústias, bem-vindo ao clube. A boa notícia é que o gênero "IA para leigos" vai de vento em popa. Deixo aqui duas sugestões para quem quer mergulhar no assunto da maneira menos árida possível.

A primeira é o documentário The AI Doc: Or how I became an apocaloptimist, de Charlie Tyrell e Daniel Roher, que estreou este ano no Sundance. O mérito do filme é colocar um sujeito que entende pouco ou nada de tecnologia para conversar com "boomers", como Sam Altman (OpenAI) e Dario Amodei (Anthropic), e "doomers", como o historiador Yuval Harari e Tristan Harris (ex-Google), entre outros, fazendo as mesmas perguntas tolas e urgentes que a gente faria, se pudesse.

A segunda sugestão é o livro A máquina e nós (Todavia), de Tatiana Roque. Professora titular do Instituto de Matemática da UFRJ, a autora começa explicando como a IA funciona e a situa na grande história da relação dos homens com as máquinas. O livro prossegue discutindo temas como o impacto da IA no ambiente e no mercado de trabalho e os desafios que o Brasil vai ter que enfrentar para não comer mosca. Tudo isso sem perder a graça e o estilo, com referências que vão de Machado de Assis e Clarice Lispector a Mad Men e Scooby-Doo.

Sobre a nossa inteligência em relação à das máquinas, olha o que ela nos diz: "Todas as palavras podem ser aprendidas pelas máquinas um dia, com treinamento adequado, desde que registradas, transformadas em números e incorporadas num espaço matemático. O que o aprendizado artificial não capta é a infinita capacidade humana de seguir inventando coisas novas, cujos nomes e significados remetem a experiências singulares".

Para os "apocaloptimistas", o jogo ainda não está perdido. _

CLÁUDIA LAITANO

03 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Ampliação de acordos comerciais é salutar

Entrou em vigor no sábado o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e Singapura. Apesar de o país ter uma população pequena em números absolutos, de cerca de 6 milhões de habitantes, é uma cidade-Estado densamente povoada e um importante centro financeiro, logístico e industrial do Sudeste Asiático, uma das regiões de crescimento mais acelerado do mundo. Em meio à onda protecionista global puxada pelos EUA, a implementação de um novo tratado que vai na direção contrária do isolacionismo merece ser saudada. Mostra que permanece o interesse entre nações e blocos por maior integração econômica.

O Brasil, um dos principais alvos da investida tarifária da Casa Branca, tem especial interesse em ampliar mercados. No ano passado, exportou US$ 7,4 bilhões para Singapura. Óleos combustíveis, máquinas, equipamentos e carnes são os principais itens embarcados. No caso do Rio Grande do Sul, foram US$ 349 milhões, montante que tende a ser incrementado com a facilitação do comércio não só de bens, mas de serviços também.

É salutar que o Mercosul amplie parcerias. Em setembro do ano passado, começou a valer o acordo de livre-comércio com a Efta, associação formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Em maio, mesmo que de forma precária, foi a vez de dar a largada ao tratado com a União Europeia (UE), após 25 anos de negociações. Assim, em menos de um ano, o percentual da corrente de comércio do Brasil sob tarifas reduzidas passou de 12% para 31%, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

São ainda promissoras as sinalizações de novas negociações, em diversos estágios. Em junho, foi anunciado o início das tratativas para um acordo de parceria econômica entre o bloco e o Japão. Na semana passada, durante visita ao Brasil, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, tratou com o governo federal da aceleração das conversas para um tratado com o Mercosul. Há a mesma intenção com a China, reforçada em ligação recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o homólogo chinês, Xi Jinping. Faz sentido o olhar especial para a Ásia, continente que mais cresce economicamente, tem a maior população e quase metade do PIB global. Há conversas em curso com outros países, como os Emirados Árabes Unidos e o Canadá.

Ao Brasil e ao Mercosul convém ser pragmáticos e manter diálogos nesse sentido com qualquer nação ou bloco que tenha o mesmo objetivo. Isso não significa abrir mão de continuar a tentar que os EUA aliviem o tarifaço contra o Brasil, que carece de lógica econômica. É preciso seguir na mesa de negociações.

Acordos do gênero, por serem vias de mão dupla, incluem adquirir mais bens e serviços do Exterior também. A maior abertura é benéfica ainda por forçar a busca pela competitividade no Brasil. Conforme o Banco Mundial, enquanto na média global a corrente comercial é equivalente a 56% do PIB, no Brasil a soma das importações e das exportações corresponde a somente 35,5% da geração de riquezas, uma das menores. Mesmo mantendo cuidado com setores sensíveis, como faz qualquer nação, o Brasil tarda em deixar de ser uma das economias mais fechadas do mundo. 

A busca por cargos mais altos redesenha o mapa político estadual. Siglas como MDB, PT, PSD, PP, Novo e Republicanos precisarão substituir políticos que estavam entre seus principais puxadores de votos. O desafio é evitar perdas de representação

Dez deputados estaduais do RS abrem espaço para novos nomes em 2026

O Rio Grande do Sul terá ao menos 10 novos deputados estaduais em 2027. A renovação se dará porque parlamentares de seis partidos não irão concorrer à reeleição, em busca de cargos mais altos em outubro.

Entre eles estão o campeão de votos para a Assembleia Legislativa em 2022, Gustavo Victorino (Republicanos), além dos mais votados de algumas das maiores bancadas, como Silvana Covatti (PP), Valdeci de Oliveira (PT) e Juvir Costella (MDB).

Completam o grupo Ernani Polo e Frederico Antunes, ambos do PSD, Felipe Camozzato (Novo), Laura Sito (PT), bem como Patrícia Alba e Vilmar Zanchin, do MDB. Juntos, estes 10 deputados obtiveram 602.488 votos em 2022.

Sete disputam uma cadeira na Câmara dos Deputados (veja no quadro). Silvana e Polo concorrem a vice-governador nas chapas de Luciano Zucco (PL) e Gabriel Souza (MDB), respectivamente. Já Antunes, o mais experiente de todos, com sete mandatos sucessivos na Assembleia, é candidato ao Senado.

O MDB é o partido com mais postulantes a outros cargos. Para suprir as vagas de Costella, Patrícia e Zanchin, equivalente à metade da bancada, o partido aposta no ex-deputado Marco Alba, na presidente do MDB Mulher, Cris Lohmann, na ex- prefeita de Dois Irmãos Tânia Terezinha da Silva e nos suplentes que assumiram o mandato nesta legislatura: Carlos Búrigo, Rafael Braga e Tiago Simon.

No PSD, o desafio é manter as oito cadeiras. A legenda elegeu apenas um deputado em 2022, mas foi a que mais se beneficiou na janela partidária deste ano, recebendo quatro deputados do PSDB, dois do PP, um do União Brasil e um do PSB. Sem Polo e Antunes na próxima legislatura, confia no potencial do ex-prefeito de Santa Maria Jorge Pozzobom, e das ex-prefeitas de Pelotas Paula Mascarenhas, e de Santana do Livramento Ana Tarouco, além do ex-suplente Dimas Costa.

Compensar ausência

Maior bancada da Assembleia, com 11 deputados, o PT enfrenta uma situação inédita. Pela primeira vez desde sua fundação, não terá candidato ao governo do Estado. Para compensar a ausência do 13 na urna, o partido vai concentrar forças na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os nomes considerados mais competitivos, estão o ex-prefeito de Taquari Maneco Hassem e os vereadores Alexandre Bublitz e Natasha Ferreira, de Porto Alegre, e Lelinho Lopes, de Bagé.

Novos nomes

Com três desfalques em relação aos eleitos em 2022 - Silvana, que concorre à majoritária, e Ernani e Antunes, que migraram para o PSD -, o PP trabalha para manter as sete cadeiras. No comando do partido, a família Covatti lança dois novos nomes: Sandro Covatti, irmão de Silvana, e Nicole Weber, esposa do presidente estadual, Covatti Filho. Os ex-prefeitos de Dom Pedrito (Mário Augusto Gonçalves) e Uruguaiana (Ronnie Mello), além da influencer rural Ronize Damassini, também são apostas.

Com seis deputados, o Republicanos tenta manter os 112 mil votos que fizeram de Victorino o mais votado em 2022. A expectativa é que grande parte desse espólio fique com os candidatos à reeleição, mas a legenda também espera eleger o ex-deputado federal João Derly, além dos políticos pelotenses Fernando Estima e Adriana Rodrigues.

No PL, a candidatura de Zucco ao Piratini é considerada um trunfo para ampliar a atual bancada de seis parlamentares. Nomes como o da vereadora Comandante Nádia, do ex-prefeito de Farroupilha Fabiano Feltrin, da advogada Ali Klemt e da presidente do PL Mulher, Adriana Cherini, são tidos como os mais fortes.

A situação é semelhante no PDT, cuja candidatura de Juliana Brizola ao governo espera alavancar a representação na Assembleia. Os ex-suplentes Airton Artus e Tiago Cadó são prioridade.

Entre as bancadas com dois deputados, o PSOL aposta em três vereadoras: Karen Santos, segunda mais votada na Capital; Fernanda Miranda, de Pelotas, e Alice Carvalho, de Santa Maria, campeãs de votos em 2024. Já o Podemos tem confiança na eleição do radialista Gugu Streit, do vereador Giovanni Byl, de Porto Alegre, e da empresária Deise Maranata, mulher do candidato do PSDB ao governo, Marcelo Maranata.

Menores bancadas

Nos partidos com apenas um parlamentar, o PSDB trabalha pelo presidente estadual da sigla, o vereador Moisés Barboza. O Novo aposta no vereador Ramiro Rosário e no ex-deputado Giuseppe Riesgo, e o União Brasil crê na eleição do vereador Eric Douglas, mais votado na história de Canoas, e da ex-suplente Bárbara Penna. No PSB, os principais nomes são João Pedro Grill, de Camaquã, e o vereador Cesinha Brisolara, de Pelotas. 

Entenda o cenário

Quem não concorre à reeleição para a ALRS

Disputam vaga na Câmara dos Deputados

Juvir Costella (MDB) 66.971 votos em 2022

Patrícia Alba (MDB) 44.871 votos em 2022

Vilmar Zanchin (MDB) 44.367 votos em 2022

Felipe Camozzato (Novo) 39.517 votos em 2022

Laura Sito (PT) 36.705 votos em 2022

Valdeci Oliveira (PT) 70.580 votos em 2022

Gustavo Victorino (Republicanos) 112.920 votos em 2022

Disputam vaga no Senado

Frederico Antunes (PSD) 36.325 votos em 2022

Concorrem como vice-governador(a)

Silvana Covatti (PP) 82.717 votos em 2022

Ernani Polo (PSD) 67.515 votos em 2022

Quem concorre à reeleição

Beto Fantinel (MDB)

Edivilson Brum (MDB)

Luciano Silveira (MDB)

Eduardo Loureiro (PDT)

Gerson Burmann (PDT)

Gilmar Sossella (PDT)

Luiz Marenco (PDT)

Thiago Duarte (PDT)

Adriana Lara (PL)

Claudio Branchieri (PL)

Cláudio Tatsch (PL)

Kelly Moraes (PL)

Paparico Bacchi (PL)

Kaká D?Ávila (Podemos)

Ronaldo Santini (Podemos)

Adolfo Brito (PP)

Gaúcho da Geral (PP)

Guilherme Pasin (PP)

Joel Wilhelm (PP)

Marcus Vinícius (PP)

Rodrigo Lorenzoni (PP)

Aloísio Classmann (PSD)

Elton Weber (PSD)

Nadine Anflor (PSD)

Neri, O Carteiro (PSD)

Pedro Pereira (PSD)

Valdir Bonatto (PSD)

Bruna Rodrigues (PSB)

Luciana Genro (PSOL)

Matheus Gomes (PSOL)

Adão Pretto Filho (PT)

Halley Lino (PT)

Jeferson Fernandes (PT)

Leonel Radde (PT)

Miguel Rossetto (PT)

Pepe Vargas (PT)

Sofia Cavedon (PT)

Stela Farias (PT)

Zé Nunes (PT)

Capitão Martim (Republicanos)

Eliana Bayer (Republicanos)

Elizandro Sabino (Republicanos)

Rodrigo Zucco (Republicanos)

Sérgio Peres (Republicanos)

Dirceu Franciscon (União Brasil) 


Alerta para a resposta ao HIV

Embora as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à AIDS tenham atingido os menores níveis dos últimos 30 anos no mundo, a resposta global à epidemia está fragilizada e corre o risco de retroceder. O alerta está no relatório anual divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids).

O documento aponta que, apesar da tendência de queda, o cenário não é homogêneo entre as diferentes regiões do mundo. Segundo o oficial de Igualdade e Direitos do Unaids Brasil, Gustavo Passos, outro ponto de atenção é a desaceleração do progresso rumo às metas globais de enfrentamento ao HIV - a estratégia do Unaids tem como objetivo acabar com a epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, com foco na ampliação do diagnóstico, do tratamento, da supressão viral e na redução das desigualdades.

- Se você olhar os gráficos, você percebe que, de fato, está caindo, mas a queda não está chegando próximo à meta que gostaríamos. Então, pode ser que alcancemos essa meta, mas vai demorar mais. E, nesse meio tempo, novas infecções por HIV serão registradas e casos de mortalidade relacionados à AIDS também.

Outro ponto de atenção é a redução do financiamento internacional e os cortes em programas de prevenção e serviços. Embora alguns países consigam sustentar seus programas com recursos próprios, outros dependem de organismos externos.

Brasil combina avanços e desafios

Apesar de estar entre os países que registraram crescimento de novas infecções, o Brasil é apontado como uma referência em diversos aspectos da resposta ao HIV. O SUS financia integralmente ações de prevenção, diagnóstico e tratamento.

- O Brasil alcançou duas das metas: a de diagnóstico e a de supressão viral. O tratamento ainda é um desafio, porque fala muito sobre a vinculação dessas pessoas ao serviço. Essa parte é fortemente atravessada por questões de estigma e discriminação.

O relatório também mostra avanços. O Brasil registrou um aumento de 41% no número de pessoas que utilizaram a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV pelo menos uma vez no último ano. O medicamento é distribuído pelo SUS, atuando na prevenção. Passos destaca que o país já ultrapassou um dos indicadores considerados favoráveis para reduzir a transmissão do vírus. _

Monumento de líder farroupilha será restaurado

O Monumento Bento Gonçalves, obra do escultor Antonio Caringi localizada entre as avenidas João Pessoa e Azenha, em Porto Alegre, será revitalizado. O restauro será de responsabilidade do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do RS (Sinduscon-RS), da Associação Sul-Riograndense da Construção Civil, da Secretaria da Cultura do RS e da prefeitura de Porto Alegre.

A iniciativa integra o Projeto Construção Cultural - Resgate do Patrimônio Histórico. O lançamento oficial do projeto ocorre hoje no Paço Municipal. _

Entrevista - Marcio Pimenta - 
Explorador

"Darwin hoje ficaria maravilhado com as descobertas"

Depois de fotografar a Patagônia, em um trabalho que percorreu a rota feita por Charles Darwin, entre 1831 e 1836, o explorador Marcio Pimenta lançou o livro Encontrando Darwin - Uma expedição pelos confins do mundo (Solisluna). A obra trata da viagem, feita em 2023 em uma expedição para a National Geographic Society.

Por que decidiu escrever este livro agora, depois da série de fotografias?

Percebi que as fotografias não eram suficientes para narrar a história. A foto tem uma limitação na contação de histórias, e somente a escrita poderia se sobrepor. O que me encorajou foi que, em maio de 2025, perdi meu pai. Ele dizia que eu escrevia melhor do que fotografava. Eu me senti na obrigação de escrevê-lo.

No início do projeto não era uma ideia?

Não. Fiz as anotações de viagem, como estou fazendo aqui, na Patagônia. Reuni todas essas notas para, finalmente, desenvolver o livro. Também precisei de um período de amadurecimento em relação ao que eu, de fato, tinha vivido na viagem.

Por que a Patagônia e a história do Darwin na região?

Sempre gostei muito de ler sobre os exploradores, e, no Brasil, sempre existiu uma carência muito grande de livros desse gênero, com narrativas de viagens. Durante a pandemia, fui buscando o que existia, e encontrei os diários de Darwin. Comecei a ler de forma despretensiosa e me dei conta de que grande parte de sua volta ao mundo, de cinco anos, ele passou na Patagônia. Escrevi para o maior biógrafo de Darwin, e ele me disse que, sem dúvidas, as maiores descobertas de Darwin haviam sido lá. Ela foi a escola de Darwin.

Como foi planejar a viagem? Era possível conectar os diários com o roteiro atual? Dava para visitar todos os locais. Eu fui colocando no Google Maps e destacando os pontos principais da narrativa. Percebi que todos eram visitáveis, fui percorrendo e percebendo que, entre um ponto e outro, existiam histórias, inclusive que Darwin adoraria ter conhecido, e que não teve oportunidade.

Por exemplo?

O dinossauro de Trelew (Patagotitan mayorum), o maior dinossauro já descoberto na Terra. Atualmente, os maiores dinossauros descobertos estão no RS e na Patagônia. Nem passava pela cabeça dele que existiam esses dinossauros. O Mylodon darwinii, em Punta Alta, a sudeste de Buenos Aires, foi a maior descoberta do Darwin, porque esse fóssil tinha 11 mil anos. E a Igreja dizia que a Terra tinha sido criada há 6 mil anos. Foi o primeiro choque dele.

Você dá um upgrade a Darwin, apontando coisas que ele não descobriu na época e que hoje a ciência permitiu que conhecêssemos. Darwin hoje ficaria maravilhado com as descobertas, que seguimos em frente. Ele abriu os caminhos, e, hoje, o que fazemos não é nada mais do que seguir os caminhos que ele trilhou.

No livro, você adota um tom contemplativo, de calma e reflexão. Fazer essa expedição exige reduzir a marcha? O olhar do explorador precisa de calma e, principalmente, de tempo, senão ele se torna um turista. Essa é a diferença entre o explorador e o turista. Um turista passa pelo caminho. No caso do explorador, o caminho passa por ele.

Quais os aprendizados ao fechar um ciclo de cinco anos estudando a Patagônia?

É sobre a nossa relação com o tempo e sobre como nos desenvolvemos como sociedade. Conheci os grupos étnicos da Patagônia, que tem todos os direitos garantidos, mas também tenho visto muito autoritarismo, que não provoca um diálogo. Hoje, temos criado barreiras. Graças ao tempo que Darwin viveu, ele teve mais tempo para desenvolver suas ideias. Ele leva 20 anos para escrever a teoria. Para isso, teve de superar diversos preconceitos que ele próprio tinha. O maior aprendizado é que só evoluímos com o benefício da dúvida, do tempo, ao permitir às pessoas que alcancem sua própria evolução no tempo de que elas precisam. _

INFORME ESPECIAL 

sábado, 1 de agosto de 2026

01 de Agosto de 2026
DRAUZIO VARELLA - Médico, cientista e escritor

A síndrome do coração partido

Existente desde a Grécia Antiga, metáfora literária só encontrou em 1990 amparo na fisiologia humana

Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O marido, coronel nordestino à moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados da fazenda, ficava na miúda nas querelas com esposa.

A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal, chegou a ir às vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho. Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto o último não voltasse para casa.

Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Francisquinho, um dos mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de Medicina, na capital, então, a dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: "Socorro! Meu filho que é quase médico está se afogando".

Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema, da faculdade. Em uma briga de trânsito, Francisquinho fora baleado.

O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro. Eram tantas as flores que foi preciso uma caminhonete para acomodá-las.

Dona Cândida guardou luto em silêncio sepulcral, até a missa de sétimo dia. Sentada no banco em frente ao altar, queixou-se de tontura. Levada às pressas, faleceu no caminho do hospital. Na cidade, não houve quem não atribuísse o desfecho à perda do filho.

Histórias de alguém que caiu morto ao receber uma notícia terrível como essa povoam a literatura e o teatro desde os gregos.

O que talvez você não saiba é que somente em 1990 essa metáfora literária encontrou amparo na fisiologia humana. Aconteceu quando o médico japonês Hikaru Sato descreveu o quadro que ficaria conhecido como "síndrome do coração partido".

Trata-se de uma miocardiopatia induzida pelo estresse intenso, também chamada de síndrome de Takotsubo, nome dado pela semelhança entre o formato que o ventrículo esquerdo adquire na sístole, e um takotsubo, armadilha que os pescadores japoneses usam para capturar polvos.

Mais frequente em mulheres

A síndrome do coração partido costuma ocorrer em pessoas que, sem evidência de obstrução coronariana, quadro infeccioso ou outra agressão cardiológica que a justifique, sofrem uma perda seguida de descontrole, desespero e colapso emocional. Ela mostra que emoções intensas disparam uma cascata de mediadores que podem afetar o funcionamento do coração, a ponto de levá-lo à parada. Em oposição à morte súbita dos dramas teatrais, no entanto, o óbito ocorre dias ou semanas depois do acontecimento que o desencadeou.

Está longe de ser a condição benigna e transitória que se imaginava no passado. Ocorre com maior frequência em mulheres mais velhas que apresentam comorbidades, enlutadas pelo desaparecimento de um ente querido. O quadro evolui com insuficiência cardíaca e redução da contratilidade do ápice do ventrículo esquerdo que, muitas vezes, simula infarto do miocárdio.

Um estudo dinamarquês publicado na revista Frontiers, em 2025, avaliou 1,7 mil pessoas que viveram situações de luto. Sintomas intensos por meses persistiram em 6% delas; a demanda por visitas aos serviços de saúde cresceu; o uso de antidepressivos e de sedativos foi 5,6 vezes superior ao daqueles com sintomas leves; e o de ansiolíticos, 2,6 vezes maior. O risco de morte aumentou 88%, especialmente nas primeiras fases do luto, época em que a carga de estresse costuma ser mais elevada.

O papel do cérebro

A mortalidade a médio e longo prazo é semelhante à dos infartos do miocárdio.

A descrição da síndrome deu origem a diversos estudos sobre os mecanismos envolvidos nas conexões entre circuitos cerebrais e o funcionamento cardíaco: o eixo cérebro-coração.

Estresses emocionais intensos são capazes de ativar circuitos de neurônios envolvidos na regulação da resposta às emoções e no funcionamento do sistema nervoso simpático, com liberação de catecolaminas, entre as quais a adrenalina. Como consequência, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, acompanhadas de alterações dos marcadores inflamatórios em circulação e da resposta imunológica.

Exames de neuroimagem revelam desarranjo funcional na conectividade dos circuitos autonômicos/emocionais. A origem da síndrome não está no coração, mas no cérebro. _

DRAUZIO VARELLA

J.J. Camargo é cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Academia Nacional de Medicina

Existe alguém do lado de lá

Ao formular certa pergunta, o médico não está apenas interrogando o paciente: está auditando a própria consciência

"Quando o outro sofre, a última coisa de que ele precisa é uma explicação teórica para a sua dor. Ele precisa de uma presença que suporte o mistério do seu sofrimento."

(Viktor Frankl)

No consultório ou no hospital, sob o brilho frio do monitor e a exatidão dos exames, priorizamos com todo o rigor a técnica, porque disso dependerá o controle daquela doença que nos trouxe o paciente em busca de uma solução. Tudo o que for tecnicamente insuficiente implicará em perda para quem apostou na nossa competência. Ali, com toda precisão medimos a função pulmonar, reconstruímos imagens em 3D, calculamos volumes e nos socorremos da ajuda da tecnologia que nossos antecessores não dispuseram.

Talvez por isso tendemos a acreditar que somos os protagonistas absolutos daquele enredo. Uma pena que precisamos demorar um tempo para entender que há um outro lado, atento e angustiado, que será exposto com uma pergunta simples que desestabiliza essa pompa: "O que, dessa experiência sofrida, o senhor considerará inesquecível?".

Ao formulá-la, o médico não está apenas interrogando o paciente; está, no fundo, promovendo uma auditoria na própria consciência. E o choque que se segue, a descoberta de que o inesquecível para quem sofre habita uma sombra que a clínica não enxergou, é a prova cabal de que a medicina acontece em dois planos paralelos.

Para quem opera, o "inesquecível" é o sucesso da manobra ousada, o milagre da fisiologia restabelecida, a complexidade vencida na solidão do bloco cirúrgico. Para o paciente, o inesquecível é quase sempre algo ínfimo, invisível ao olhar puramente técnico: a mão que hesitou antes de tocar o ombro, aquela travada antes de responder uma pergunta, o tom com que uma notícia foi dada ou, dolorosamente, como ela foi omitida.

O paciente não habita o mesmo mapa que nós. Enquanto mapeamos a patologia, ele mapeia o medo, o desespero, a ameaça da morte tornada real. A autovigilância do cuidado médico é a expressão mais alta da Medicina da Pessoa: o reconhecimento de que, embora a técnica trate a doença, é a humanidade - essa coisa fugidia que só floresce no detalhe - que acolhe o espírito. O uso dessa estratégia manterá o médico alerta. Mas mesmo assim muitas vezes ele se surpreenderá ao descobrir que nem tinha percebido o que o paciente valorizou tanto a ponto de considerar inesquecível.

Impossível esquecer a lição de um paciente que, ao receber alta depois de um transplante fantástico que tinha sido contraindicado por alto risco, em outro centro, respondeu que inesquecível tinha sido o carinho da menina da portaria que, no meio da madrugada, foi capaz de perceber o seu medo e a sua solidão e que, depois de ajudá-lo com o carrinho do oxigênio até o elevador, lhe deu um beijo e prometeu rezar por ele.

Paradoxalmente, esse choque de percepção é a melhor notícia que um médico pode receber. Significa que ele não se tornou um autômato. Significa que, entre a tomografia e o bisturi, entre o protocolo e o transplante, existe um homem que entende que a competência técnica é apenas o palco; a peça real, aquela que ficará gravada na memória de quem sofre, é o encontro.

Se um dia formos esquecidos por tudo o que curamos, por todas as mortes que evitamos, seremos lembrados por aquilo que, sem notar, oferecemos sem medir: o olhar que viu, além do pulmão, a biografia de quem respira. Validar essa vivência é a maior lição de Medicina Narrativa que se pode dar a um médico jovem. É dizer ao paciente, sem palavras, que a dor dele tem o mesmo peso que a nossa ciência. 

J.J. CAMARGO 

01 de Agosto de 2026
MARTHA MEDEIROS

Caos calmo

Quando li o título Caos Calmo destacado na capa, logo entendi que não era apenas o nome de mais um livro brilhante de Sandro Veronesi, e sim a definição de uma era.

Até uma matéria de jornal sobre a final da Copa ganhou a manchete "Caos x Calma". Pegou. Reflexo do jogo que estamos todos jogando, desde a primeira hora da manhã até a noite, inclusive dormindo. A paz do sono tenta neutralizar a bagunça da mente, mas pergunte aos insones quem está vencendo.

Viramos administradores do caos. Tentamos não entrar em desespero diante do evidente descontrole climático, que tem potencial para nos enlouquecer. Morrer de causa natural, agora, significa morrer de ventania, de alagamento. Além disso, governos continuam a confirmar seu poder através de guerras. Afetam a economia mundial e desconsideram a perda de vidas humanas, o que influencia nossas perspectivas.

As pessoas estão escolhendo sexo em cardápios virtuais, encontros rápidos para alívio da tensão. Quase ninguém quer investir tempo na construção de uma relação. Os desejos mudaram: em vez de amor e felicidade para sempre, dinheiro para gastar hoje ainda. O futuro já não entusiasma. Das coisas mais tristes que li outro dia: depois da eficiente campanha antitabagista, jovens estão voltando a fumar. E o motivo dói na alma: a longevidade começa a deixar de ser atrativa. Olha a profundidade disso.

Se tudo será destruído - cidades, amores, sonhos, florestas - o quanto importa viver?

O próprio luto perdeu significado. Difícil honrar um sofrimento pessoal em um mundo onde a dor passou a ser uma banalidade. Nosso cotidiano está tão embrutecido e trepidante que, curiosamente, o lugar onde menos encontramos turbulência é dentro de aviões.

Seria importante conversarmos sobre essas questões durante o jantar, não estivéssemos com os olhos e ouvidos ocupados com nossos celulares. A tecnologia raptou a humanidade. Viramos dependentes do que desconhecidos ostentam, vendem e ensinam em tutoriais e podcasts. Todos têm algo definitivo a dizer, uma dica imperdível de filme, livro, padaria. Todos sabem tudo: psicanalistas, escritores, cozinheiros, deputados. Tagarelas sortidos. Lá estou eu, lá está você, nós e nossas boas intenções, dentro do mesmo caldeirão de opiniões, imagens falsas, violências verbais, tentando manter a cabeça fora d´água com medicamento, meditação ou optando por uma saída mais radical: se mudar para o mato, fugir dessa loucura para manter nossa autenticidade, nosso "eu" original. Mas está sabendo, né? Ser quem você é se tornou obsoleto.

Costumo ser mais calma do que caótica, você me conhece. Mas não sei o que me deu. Precisando viajar. De avião. Algumas horas sem turbulência, paquerando o céu. _

MARTHA MEDEIROS

01 de Agosto de 2026
SARA BODOWSKI

Costa Doce - Uma história de sabores em Pelotas

O Bistrô Pelotense já é tradicional em Pelotas: são 27 anos de história e sabores na Costa Doce gaúcha. O ambiente te acolhe já na chegada, com muita arte e objetos que criam uma identidade visual única. E a cozinha do chef Márcio Ávila parte da tradição gaúcha para renovar a gastronomia local, usando quase todos os insumos da região.

Se você for no almoço, se prepare para um buffet incrível. À noite, um à la carte delicioso te espera. E dois pratos, pelo menos, me conquistaram: o filé alto e o mil-folhas de matambre - que são camadas de matambre assadas de forma lenta, com carne da região. E a dica: os vinhos são todos rótulos gaúchos, escolhidos direto na estante do restaurante. Dá até pra comprar e levar pra casa. São todos de ótima qualidade.

O Bistrô Pelotense fica na Rua Rafael Pinto Bandeira, 2.120, e funciona de segunda a sábado, das 11h30min às 14h e das 19h às 23h. Contato pelo (53) 3229-2029 e no Instagram @BistroPelotense. No @RoteirodaSara tem um vídeo da minha visita há duas semanas! _

Familiar - Café rural em Estância Velha

A Sabores do Rancho é uma daquelas agroindústrias familiares que são exemplos da rica produção gaúcha de laticínios. Já visitei a propriedade, que fica em Estância Velha, e gostei muito dos queijos, dos iogurtes e dos sorvetes. Tudo é feito de forma artesanal, com o leite das vacas Jersey criadas ali mesmo. O trabalho da família já rendeu prêmios, como o bronze no Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, e é presença garantida há anos na Expointer. Eles inclusive estão no vídeo fixado no meu Instagram @SaraBodowsky, onde estão três queijarias gaúchas para conhecer.

E, agora, vem a novidade: a partir do dia 8, um café rural passa a ser servido todos os sábados, das 15h às 18h. A mesa é farta, com pães, cucas, bolos, tortas, pastéis, pão de queijo, linguiça fervida, tábua de frios, além dos queijos, iogurtes e sorvetes da casa, acompanhados de café, leite, chá e suco natural. Tudo por R$ 60 por pessoa, sempre com reserva pelo WhatsApp (51) 99696-1066.

A Sabores do Rancho fica no Rincão da Saudade, em Estância Velha. Mais informações no Instagram @saboresdorancho_laticinio. _

Gastronomia - Jantar harmonizado no Catherine

O Catherine é, sem dúvida, um dos meus restaurantes preferidos em Gramado. A começar pelo fondue, um dos atrativos tradicionais da região, que é diferente, fora da curva. O à la carte é ótimo e o ambiente acolhe como uma tradicional casa de família - que era o prédio, originalmente.

E no dia 6 de agosto o restaurante recebe a Zanotto Vinhos e Espumantes, marca do Grupo Vinícola Campestre, com vinhos muito interessantes produzidos nos Campos de Cima da Serra, para uma noite especial de gastronomia e vinhos.

A partir das 18h, o chef residente Nícolas Heckel apresenta um menu harmonizado em cinco etapas (R$ 400 por pessoa), criado para valorizar ingredientes regionais. A viagem começa com um amuse bouche acompanhado de Brut Branco e passa por pratos como a polenta taragna com queijo serrano e tutano, harmonizada com Sauvignon Blanc, e a carne de sol com arroz cateto e pinhões, combinada com Malbec. Para encerrar, tartelette de pequenos frutos com Brut Rosé Champenoise. Quem preferir, também pode pedir o cardápio regular da casa na mesma noite.

O Catherine fica na Rua Emílio Sorgetz, 200, no Centro de Gramado, em frente à Praça das Rosas. Reservas pelo (54) 2136-5252 e mais informações no Instagram @catherinegramado. _

SARA BODOWSKI

01 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

A eleição e o nosso jornalismo

A cobertura de eleições é um dos momentos mais desafiadores e nobres do jornalismo. Os princípios fundadores do ofício estão a cada instante colocados à prova. Como esse período está prestes a começar de forma mais intensa, o Grupo RBS reafirma ao público os compromissos do nosso jornalismo, voltado a oferecer a melhor e mais transparente informação possível aos gaúchos.

O aspecto desafiador da cobertura se deve aos cuidados redobrados dos profissionais. Os nervos estão à flor da pele e os pilares da atividade, como a imparcialidade e o equilíbrio, são ainda mais necessários e objeto de atenção do público, das candidaturas e da Justiça Eleitoral. Mas é dever da imprensa informar os acontecimentos e, não raro, os fatos desagradam um ou outro lado. Exercer o jornalismo em dias de ânimos tão exacerbados exige firmeza e reflexão constante para cumprir a missão de relatar com objetividade e independência.

O caráter nobre da cobertura passa pela relevância da decisão a ser tomada pelos eleitores. Está em jogo o destino do Estado e do país. Trata-se de uma escolha que precisa ser consciente e livre. O jornalismo presta um serviço essencial à sociedade e à democracia, por oferecer o insumo basilar para que cada leitor, ouvinte e telespectador possa decidir o voto a partir de informações apuradas e checadas com rigor. Isso inclui dedicação para desmentir inverdades e distorções com potencial de prejudicar o juízo dos eleitores. A disseminação de ferramentas de inteligência artificial (IA) realça a importância dessa tarefa.

Ciente das suas responsabilidades com os gaúchos, o Grupo RBS dá publicidade às diretrizes para a cobertura das eleições gerais de 2026. São orientações que guiam o trabalho de repórteres, editores e comunicadores, e situam o público e os atores políticos sobre o que esperar da conduta ética de profissionais e veículos. O nosso jornalismo terá como eixo contribuir para um voto lúcido, embasado em informações publicadas de maneira criteriosa.

A prioridade é abrir espaços para a apresentação e a discussão de planos de governo, propostas legislativas e o confronto de ideias. O Estado e o país têm uma série de problemas a enfrentar, das finanças públicas à educação, e o que a população espera é saber como essas questões podem ser solucionadas, de forma factível. A eleição para o Congresso exigirá ainda mais atenção do eleitor neste ano. A percepção da sociedade é a de que deputados e senadores se dedicam mais a temas de interesse próprio do que do país.

Os postulantes ao Piratini terão na quinta-feira, no debate promovido pela Rádio Gaúcha, a primeira grande oportunidade de expor seus planos de governo. Uma plateia formada por ouvintes e representantes de entidades relevantes para o Estado ajudará a sabatinar os candidatos.

A transparência é outro alicerce da nossa cobertura eleitoral. Isso inclui demonstrar como se dão os processos de apuração e de checagem de uma informação. Um exemplo é o projeto da RBS TV de levar telespectadores para acompanhar os bastidores da produção e da veiculação de notícias pela emissora, da reunião de pauta à exibição das reportagens. Rádio Gaúcha e GZH também terão iniciativas para o público conhecer a rotina dos profissionais. Mostrar como se faz reforça a confiança e a credibilidade do compromisso do nosso jornalismo de prestar um serviço de interesse público que, neste momento, tem o propósito de colaborar para o aprimoramento da democracia. _

As diretrizes que norteiam a cobertura eleitoral do Grupo RBS

1 | A cobertura do Grupo RBS prioriza propostas de governo, comparação de biografias e prestação de serviços, com foco no eleitor.

2 | A RBS tem compromisso com o combate à desinformação e acompanha de perto o uso da inteligência artificial na disseminação de notícias falsas.

3 | O Grupo RBS estimula a transparência ao explicar critérios editoriais durante a cobertura para que o público conheça ainda mais os processos do jornalismo profissional.

4 | Os veículos da RBS tratam partidos e candidatos de maneira equilibrada e independente.

5 | O espaço dedicado a cada candidato na cobertura segue critérios claros e objetivos, que consideram a representação parlamentar e o desempenho nas pesquisas eleitorais.

6 | Durante o período eleitoral, os veículos da RBS se abstêm de publicar artigos, de candidatos ou de terceiros, que possam afetar o equilíbrio entre as candidaturas.

7 | As pesquisas eleitorais são tratadas como complemento da cobertura, não como assunto principal.

8 | O Grupo RBS não realiza pesquisas eleitorais. Contrata e divulga apenas pesquisas de institutos reconhecidos.

9 | Os veículos da RBS não divulgam resultados de pesquisas contratadas por partidos, candidatos ou governos.

10 | Durante o período eleitoral, a RBS não divulga publicidade com resultados de pesquisas de intenção de voto.

11 | A RBS não cede ou comercializa material de arquivo para campanhas eleitorais e desautoriza que material produzido e divulgado por seus veículos seja usado na propaganda eleitoral.

12 | As despesas da cobertura eleitoral são pagas exclusivamente pelo Grupo RBS. Profissionais da empresa não podem aceitar cortesias de candidatos, partidos, coligações ou federações.

13 | É vedada a distribuição de propaganda política e a exposição ou o uso de material eleitoral nas dependências do Grupo RBS.

14 | Colaboradores da RBS que decidirem concorrer a cargos eletivos ou participar de propaganda eleitoral precisam se afastar de suas funções durante o período previsto.

15 | Comunicadores e jornalistas do Grupo RBS devem considerar aplicativos de mensagens e redes sociais como comunicação pública, na qual prevalece o regramento ético esperado na sua atuação profissional.

OPINIÃO RBS

01 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

Rosane de Oliveira

01 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

No primeiro semestre de 2026, RS teve 734 ocorrências com morte, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As três principais rodovias federais do Estado, BR-116, BR-386 e BR-290, lideram os registros

Número de acidentes de trânsito fatais registra queda

O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do Detran- RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 753 acidentes. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas (759). Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023 (730). As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul que lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026 são a BR-116, a BR-386 e a BR-290.

Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da Unisinos Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.

- São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si - explica.

Atenção

A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.

No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. _

Perigos que exigem atenção

Principais fatores de risco

Excesso de velocidade

Uso de celular ao volante

Consumo de álcool

Falta do cinto de segurança

Cansaço

Fonte: Detran

Rodovias federais do RS que lideram ranking de acidentes fatais*

BR-116 - 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025

BR-386 - 24 em 2026; 25 em 2025

BR-290 - 24 em 2026; 21 em 2025

* Primeiro semestre de 2026

Condições do tempo podem explicar pico de acidentes em maio

Na comparação mensal, maio foi o mês com o maior número de acidentes fatais no trânsito do RS em 2026. Foram 155 ocorrências, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. O tempo chuvoso pode ter contribuído para esse cenário, segundo a PRF.

- O que nos preocupa é que esses acidentes são quase sempre ao amanhecer ou anoitecer. Observamos que a pessoa está cansada e ainda enfrenta uma luminosidade desfavorável, seja pelo sol nos olhos ou pela neblina - acrescenta o chefe da Comunicação Social da PRF no Rio Grande do Sul, Alessandro Castro.

Além do clima, características de alguns trechos podem explicar o aumento das ocorrências. A BR-285 passou de 16 para 26 acidentes com morte no primeiro semestre deste ano. No trecho entre Muitos Capões e Saldanha Marinho, no norte do Estado, a combinação de baixa visibilidade e desatenção dos motoristas preocupa a polícia.

Como a iluminação pública nas rodovias está concentrada, em geral, apenas nos trechos urbanos, a recomendação é evitar viagens sob chuva intensa ou neblina e interromper o deslocamento em um local seguro sempre que as condições forem desfavoráveis. _

As rodovias estaduais que registram mais acidentes fatais

Entre as rodovias estaduais, a RS-324 e a RS-239 registraram o maior número de acidentes com morte no primeiro semestre, com 20 ocorrências cada. A primeira cruza as regiões Norte e Serra, enquanto a segunda liga o Vale do Sinos ao Litoral Norte. Na comparação com 2025, a RS-287 teve alta de 10 para 18 acidentes fatais, e a RS-453 passou de 12 para 16. Já a RS-122, que liga a Região Metropolitana e o Vale do Caí à Serra Gaúcha, apresentou uma das maiores reduções, de 23 para 13 casos.

Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas dos acidentes.

A corporação afirma que reforça a fiscalização em trechos com aumento de acidentes, especialmente nos horários de maior ocorrência, entre 7h e 8h e entre 17h e 19h. Alguns locais também passarão a ser monitorados com drones. _

Soluções

passam por infraestrutura, fiscalização e comportamento

A forma como as rodovias são projetadas, sinalizadas e fiscalizadas é tão importante para a segurança quanto o comportamento de quem está ao volante, avaliam especialistas.

- Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública. Quando um desses elementos falha, aumenta significativamente a probabilidade de acidentes - explica o professor Carlos Félix.

Essa visão está alinhada ao conceito de Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e que o sistema deve ser preparado para reduzir suas consequências. Na prática, isso significa investir em dispositivos de segurança e soluções de engenharia que tornem as vias mais seguras.