sábado, 21 de março de 2026

Debates no Guaíba Summit apontam caminhos e entraves para o crescimento econômico do RS

Debates sobre planejamento urbano permearem diversos painéis do evento

Debates sobre planejamento urbano permearem diversos painéis do evento

FABIOLA CORREA/JC
Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterO Guaíba Regeneration Summit 2026 encerrou nesta sexta-feira (20), em Guaíba, com debates voltados a urbanismo, descarbonização, tecnologia e desenvolvimento econômico. Realizado no Mercado Público do município, o encontro reuniu especialistas, empresas e representantes de diferentes setores para discutir perspectivas de crescimento e os desafios estruturais da região.
Entre os destaques do segundo dia esteve o debate sobre a construção de uma agenda econômica para o Rio Grande do Sul, com foco no papel de Guaíba nesse cenário. Durante o painel, foram apontados fatores como a localização estratégica, o potencial hidrográfico e a qualificação da mão de obra como elementos favoráveis ao desenvolvimento. Ao mesmo tempo, entraves logísticos também foram mencionados. Representando a Aeromot, a COO Cristiane Cunha afirmou que “as rodovias federais do Rio Grande do Sul não são como as dos demais estados brasileiros, e podem requerer determinada manutenção ou ajuste”.
A discussão sobre planejamento urbano apareceu em diferentes momentos da programação. Na palestra sobre cidades como plataformas vivas, especialistas destacaram a importância de atualização de dados para orientar políticas públicas e projetos futuros. A urbanista Laura Krebs apontou a necessidade de revisão do plano diretor de Guaíba com base em informações mais recentes, enquanto o engenheiro cartógrafo Fernando Oliveira ressaltou que “uma cidade precisa de diagnóstico e raio-x”, destacando que o município iniciou em 2025 um novo processo de mapeamento, substituindo dados anteriores, de 2012.
O tema da descarbonização também esteve presente na programação, com abordagens sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa e a adaptação de empresas a novas exigências ambientais. Durante o painel, foi discutido o uso de créditos de carbono e medidas adotadas por instituições para incentivar práticas mais sustentáveis no setor produtivo.
No campo tecnológico, empresas apresentaram soluções já aplicadas ao mercado. A TK Elevator destacou o desenvolvimento de sistemas conectados e ferramentas de manutenção preditiva. Segundo o coordenador de engenharia Fábio Lisboa, “todas as tecnologias são desenvolvidas aqui e já colocadas nos nossos produtos”, acrescentando que “a manutenção preditiva já é totalmente uma realidade do nosso mercado”.
Do ponto de vista financeiro, o acesso ao crédito foi citado como um dos fatores que influenciam a viabilidade de projetos. Representando o Sicredi Gerações, o gerente Ilo Tassinari Jr. afirmou que a procura por financiamento é ampla: “neste momento praticamente todas as pessoas estão demandando crédito”. Segundo ele, após as enchentes, houve aumento na busca por recursos voltados à recuperação de negócios. 
Em relação às expectativas geradas por eventos como o Summit, ele avaliou que a tendência é de apoio à continuidade dos negócios e à regeneração econômica local. “A enchente não se resolve em um ano ou dois anos, ela vai levar um tempo muito maior”, disse.
O evento também contou com programação voltada ao empreendedorismo e ao ambiente digital, com palestras sobre estratégias de vendas, presença online e uso de dados. As discussões abordaram desde a construção de marca em redes sociais até a adoção de ferramentas para melhorar o desempenho comercial e a gestão interna das empresas.

Resort francês Club Med deverá ser inaugurado em 2027 em Gramado

Obras já estão em andamento, e primeira etapa do complexo Sirena Gramado deverá ser concluída até julho do ano que vem

Obras já estão em andamento, e primeira etapa do complexo Sirena Gramado deverá ser concluída até julho do ano que vem

Ana Stobbe/Especial/JC
Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter* De Gramado
As obras do complexo turístico e residencial Sirena Gramado já iniciaram. Até o momento, foi realizada a terraplanagem do espaço que receberá a primeira etapa do empreendimento e as fundações começam a ser construídas. A expectativa é de que, conforme contrato firmado com a construtora responsável, a inauguração da primeira fase das obras – que incluem unidade da rede francesa Club Med, um centro de eventos e um espaço para casamentos – seja realizada no dia 1º de julho de 2027.

As informações foram compartilhadas durante evento simbólico de lançamento da pedra fundamental das obras, realizado nesta sexta-feira, 20 de março. O empreendimento é uma realização conjunta da rede francesa de resorts all inclusive, em uma parceria com o Grupo Sirena e a DC Set Group.

Até o momento, já foram investidos cerca de R$ 30 milhões no projeto, conforme o empresário Jaime Sirena, CEO da Star Ópera Incorporadora, responsável pela gestão do empreendimento. Entretanto, novos aportes são esperados: apenas nessa etapa serão outros R$ 420 milhões. O complexo como um todo está orçado em R$ 1,2 bilhão, que deverá ser desembolsado gradualmente nos próximos anos.

Em um primeiro momento, estão sendo utilizados recursos próprios e do Fundo de Desenvolvimento do Turismo. Entretanto, há previsão do contrato de financiamentos com o Banrisul, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Badesul, que deverão responder por cerca de 50% do montante voltado ao hotel. É esperado que essas verbas já comecem a ser utilizadas neste ano.

O Club Med que estará situado no complexo será um resort all inclusive da principal categoria da grife hoteleira: exclusive collection. A certificação é utilizada para apenas cinco das 60 hospedagens do grupo francês ao redor mundo.

Com 450 acomodações, o hotel terá 20 villas em conexão com a natureza. Além disso, contará com uma pista de esqui que poderá ser utilizada em todas as estações – que o CEO do Club Med para a América Latina, Janyck Daudet, garante que será a maior pista de esqui artificial do mundo. No âmbito gastronômico, emerge uma parceria com a marca uruguaia Narbona.

primeira etapa do empreendimento ocupará uma área de 40 hectares, mas é esperado que o projeto inteiro ocupe 200 hectares. Entretanto, a definição do cronograma das próximas fases e a sua implementação ainda dependem de licenças ambientais, com a execução completa da iniciativa sendo estimada em um período de 10 a 15 anos.
Evento simbólico de lançamento da pedra fundamental do Sirena Gramado reuniu autoridades como o governador gaúcho Eduardo Leite e empresários responsáveis pelo projeto | Ana Stobbe/Especial/JC
Evento simbólico de lançamento da pedra fundamental do Sirena Gramado reuniu autoridades como o governador gaúcho Eduardo Leite e empresários responsáveis pelo projetoAna Stobbe/Especial/JC


Deverão ser gerados, até o fim do prazo, mil empregos diretos no resort. Só na primeira fase de implantação serão 600 profissionais contratados.

O empreendimento está sendo articulado em uma área elevada da cidade, com vista para vales preservados, no bairro Mato Queimado. O local tem sido a aposta da prefeitura de Gramado para a formação de um segundo centro da cidade, buscando desafogar o fluxo de pessoas e o trânsito da atual área central.

Proposta pretende atrair turistas internacionais para Região das Hortênsias

Gramado já se consolidou como um dos principais destinos turísticos do Brasil, recebendo entre 8 e 10 milhões de turistas todos os anos. Agora, a expectativa é que esse número possa crescer ainda mais – algo estratégico para o próprio município, visto que a distribuição do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será implantado com a reforma tributária, será realizada com base no destino, ou seja, no consumo.

Para o CEO global do Club Med, Stéphane Maquaire, Gramado deverá ser colocada em um novo patamar, sendo um destino apresentado ao mundo. Em comparação com uma cidade turística próxima ao Rio Grande do Sul, Daudet acrescentou ao colega que poderá ser tão conhecida quanto a uruguaia Punta del Este.

O tema também foi abordado pelo governador gaúcho, Eduardo Leite, que acompanhou a cerimônia. "Posiciona o Rio Grande do Sul em uma rede de hotéis internacionais e auxilia a levar o Estado a um outro patamar na atração de turistas. Gramado já se consolidou como um destino para visitantes estrangeiros. Mas, agora, tem um upgrade", afirmou.

Nessa perspectiva, dois projetos devem ser estratégicos para alavancar a cidade como um destino atrativo aos turistas. Um deles, o Aeroporto Vila Oliva, em Caxias do Sul, que deverá ficar pronto em três anos. Outro, o de um trem que deverá ligar a Capital à cidade da Região das Hortênsias que, segundo os estudos de viabilidade técnica, poderá estar operando em 2033.

Minha Casa, Minha Vida atrai mais incorporadoras que antes ficavam só no alto padrão

cada vez mais incorporadoras de médio e alto padrão entram no segmento

cada vez mais incorporadoras de médio e alto padrão entram no segmento

Ricardo Stuckert/PR/JC
Agências
Com o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) batendo recordes de contratações no País, um número cada vez maior de incorporadoras tradicionais nos mercados de médio e alto padrão está se voltando para o segmento popular. Outro fator de atração está relacionado aos benefícios fiscais que serão introduzidos pela reforma tributária para este mercado.
No Rio Grande do Sul, a Melnick está avançando no setor. Tradicional no médio e alto padrão em Porto Alegre, a incorporadora criou a marca Open para atuar no segmento econômico. As operações começaram no ano passado, com três projetos e mais de 700 apartamentos. Atualmente, tem quatro terrenos, com capacidade para lançar 2,1 mil unidades nos próximos trimestres. 
A Eztec é um dos exemplos mais recentes de quem foi "fisgado" por esses atrativos. A incorporadora de São Paulo vai retomar neste ano os lançamentos dentro do programa habitacional. "O Minha Casa Minha Vida é um mercado pujante, e uma companhia do nosso tamanho não pode ficar de fora", declarou o presidente executivo da Eztec, Silvio Zarzur, durante teleconferência com investidores e analistas.
Anos atrás, a Eztec lançou a marca Fitcasa para atuar no MCMV, mas deixou o segmento mais tarde por causa das margens de lucro apertadas. Já no ano passado, voltou ao setor investindo em novos projetos em parcerias com empresas especialistas no programa, como a Cury. 
Cyrela Brazil Realty também está crescendo no programa, onde tem uma marca própria, a Vivaz. O segmento representava 10% dos lançamentos do grupo em 2023, que subiram para 29% em 2025.
Em 2026, esse patamar tende a crescer, com a empresa enxergando potencial para aproveitar os novos ajustes no programa, como ampliação dos tetos de preços e faixas de renda, que serão votados no dia 24 de março. "Os ajustes, se confirmados, serão algo muito positivo. Eles vão aumentar o poder de compra da população e o tamanho do mercado", afirmou o diretor financeiro, Miguel Mickelberg.
Mas os exemplos não param aí. Nos últimos anos, companhias como Trisul, Lavvi e Tecnisa também decidiram criar braços para o Minha Casa, e agora os lançamentos estão ganhando tração. Em São Paulo, a Even se consolidou no mercado de luxo, mas também avalia oportunidades de investir em projetos dentro do programa federal encabeçados por empresas especialistas no ramo.
"As empresas veem que o Minha Casa Minha Vida está crescendo e passam a mirar esse mercado", observou o analista de construção civil do Itaú BBA, Elvis Credendio.
Ele lembrou que a entrada neste segmento também funciona como uma alternativa de negócios para as empresas que têm feito poucos lançamentos para o público de classe média - com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão. Isso acontece porque as linhas de financiamento para esse público estão com juros muito altos, esfriando as vendas. Já no Minha Casa, os empréstimos têm juros mais baixos graças a subsídios oriundos do FGTS, o que mantém as vendas aquecidas.
"Para essas empresas, a mudança faz muito sentido. É um movimento cíclico contra o juro alto dos financiamentos para os projetos de classe média", acrescentou a analista de construção do Santander, Fanny Oreng. "E também é uma estratégia para aproveitar os ganhos com a reforma tributária", adicionou Credendio.
Outro fator que torna atrativa a atuação no Minha Casa é a reforma tributária, que prevê benefícios específicos para habitação popular. Isso ocorrerá por meio de um redutor de IBS e CBS para os imóveis dessas categorias, abaixando significativamente a base de cálculo dos impostos. "No fim, a taxação será menor para as empresas que atuam na construção de baixa renda", apontou Oreng, do Santander.
Com tudo isso em vista, o setor se tornou uma espécie de "porto seguro" para o mercado imobiliário. Na cidade de São Paulo, o Minha Casa responde por 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Já na média nacional, a participação fica um pouco acima de 50%, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).