quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 

É minha tia!

Sou filho de um promotor de justiça e de uma defensora pública. Tenho dois irmãos promotores e um juiz. Mas quando encontro algum advogado, ele me pergunta logo de cara: - Você é parente da Cléa Carpi da Rocha? - É a minha tia - digo com ênfase -, irmã da minha mãe.

Ela é uma unanimidade no mundo jurídico: a primeira mulher a presidir a seccional da OAB do Rio Grande do Sul (OAB/RS), em 1989; a única mulher a ter recebido a Medalha Rui Barbosa, a mais prestigiada honraria concedida pelo Conselho Federal da OAB; uma das lideranças gaúchas do movimento histórico pela redemocratização do Brasil, Diretas Já, no combate à censura na ditadura militar.

Orientou governadores. Moldou o caráter de gerações de bacharéis. Atuou por duas décadas como conselheira federal da OAB. Com a covid-19, atravessou uma semana internada no CTI do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), entre a vida e a morte.

Sobreviveu ao coronavírus milagrosamente pela sua tenacidade, quando já parecia impossível se reabilitar, no ápice da epidemia que resultou em 700 mil óbitos no país. Ela soma muitas dores e lutos, mas não se distancia do sorriso e da voz firme. Perdeu um filho pequeno devido a um tumor na cabeça, no maior pesar da nossa família.

Sofreu horrores, mas não quer que ninguém sofra como ela. Luta para que ninguém sofra como ela.

Nunca parou de trabalhar, desde os 18 anos, desde que assumiu a maioridade. Natural de Guaporé (RS), conduziu o Centro Acadêmico André da Rocha da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1959 e foi vice-presidente da União Estadual de Estudantes, dando início a uma trajetória voltada aos direitos humanos e às causas femininas.

Seu apartamento no alto da avenida Independência se tornou nosso quartel-general para ver a cidade e os problemas de cima. Aos 89 anos, ainda viaja pelo Interior para eventos, ainda discursa, ainda fica de pé durante longas cerimônias. Ela jamais se aposentou. Jamais cansou. Jamais se entregou ao tempo. Jamais cobrou por aquilo que ensinou.

Se ela superou a maldita gripe, tão devastadora que na época o ar não vinha, agora enfrenta uma nova guerra: descobriu um câncer. É exatamente no mesmo local - pulmão direito - e do mesmo tipo - adenocarcinoma - que vem afligindo o Papa Leão XIV, submetido a cirurgia na terça-feira, em Roma.

Em quatro sessões, com intervalos de 21 dias, Cléa passará pela maratona da quimioterapia. Adotou a discrição como de costume. Não fez escarcéu. Não houve drama. Não se sentou em nenhum momento na cadeira do fatalismo.

Não existe como sentir pena dela, pois todo o espaço é ocupado pelo orgulho. E ela responde às mensagens. E ela atende o telefone. E ela se mantém bem-humorada e calma. Como se o destino soubesse sempre menos do que ela.

Eu falo que vou orar por ela. Ela agradece: "Os afetos iluminam as batalhas". Ela me conforta antes que eu possa confortá-la, antecipando-se a qualquer iniciativa, com seu olhar carismático que faisca esperança.

Minha tia entende tudo de política, mas é do amor pela justiça que ela nasceu.

CARPINEJAR

15 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Uma campanha carente do bom debate

A esperança de que a campanha para a Presidência da República no segundo turno transcorresse com melhor nível parece definitivamente frustrada. O incumbente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o desafiante Flávio Bolsonaro (PL) seguem descompromissados com um debate sério de propostas e permanecem mais preocupados em atacar e elevar a rejeição ao adversário. 

Como se não bastasse o comportamento pouco construtivo dos dois oponentes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em especial na figura de seu presidente, Kassio Nunes Marques, alimenta as desconfianças de que decisões judiciais, em vez de assegurarem equilíbrio à disputa e respeito às regras, estão contaminadas pela politização dos membros das altas Cortes.

Convém advertir para as consequências da forma como a corrida ao Planalto se desenrola neste ano. A qualidade da democracia brasileira fica prejudicada, a descredibilização das instituições se agrava, a expectativa de enfrentamento objetivo aos entraves ao desenvolvimento se reduz e a continuidade da radicalização acaba estimulada.

A escassez de ideias sólidas para solucionar os principais problemas nacionais priva o eleitor não identificado com nenhum dos polos de elementos de comparação para decidir o voto. As propostas apresentadas, muito antes de inspirarem alento, soam oportunistas, populistas e pouco críveis.

No modo vale-tudo, o presidente Lula é incansável em lançar medidas de última hora, com inequívoco caráter eleitoreiro, sem se importar com o impacto fiscal das iniciativas. O aumento desenfreado de gastos vai tornar o incontornável ajuste fiscal à frente ainda mais desafiador. 

Como seu antecessor, Jair Bolsonaro, teve postura semelhante, é lícito inferir que, daqui para a frente, o festival de bondades pré-eleitorais e o abuso do poder da caneta podem se tornar uma regra, a ser seguida também de maneira ainda mais desinibida por governadores e prefeitos. A competitividade das eleições fica prejudicada, o que já ocorre no Congresso, com a orgia das emendas.

A candidatura de Flávio Bolsonaro tem a preferência do mercado financeiro por ser a que acena com a disposição de conter a deterioração das contas públicas. Fala em "tesouraço", mas para não perder votos nas camadas populares faz tantas promessas de manutenção de gastos e benefícios que torna elementar perceber que a conta não fecha. A postura dúbia permite concluir que o candidato está ludibriando alguém.

Mais decepcionante seria ainda a campanha no segundo turno se não ocorresse nenhum debate entre os candidatos. A falta de um confronto direto seria mais um desrespeito ao eleitor. Flávio chegou a afirmar na terça-feira que não compareceria ao encontro na Band, neste domingo, e que não garantia participação no evento da Rede Globo, na sexta-feira, antevéspera do pleito. Nesta quarta, no entanto, voltou atrás. 

Aguarda-se que Lula e Flávio compareçam aos dois compromissos, sejam mais propositivos do que dedicados a associar o adversário a escândalos e se esforcem para esclarecer como cumprirão suas promessas. Assim, poderão ao menos amenizar a sensação de que esta campanha está entre as mais indigentes em termos de ideias, propostas e sinalização de esperança desde que os brasileiros voltaram a votar para presidente. _

15 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Quaest indica que segundo turno será apertado

Divulgada no início da noite de ontem, a pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial frustra os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), que esperavam uma diferença maior, e anima os simpatizantes do presidente Lula, que saíram da letargia para as ruas nos últimos dias, confiantes de que a virada é possível. 

Na Quaest, Flávio segue à frente de Lula, mas os dois estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Flávio tem 46% das intenções de voto e Lula, 44%. Como só 1% se declaram indecisos e dificilmente alguém trocaria o voto de um para o outro, a estratégia das campanhas será tentar conquistar os 9% dispostos a votar nulo ou branco ou não ir às urnas no dia 25.

Sem considerar esses 10% que não escolheram nenhum dos candidatos, Flávio tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%. Os dois seguem empatados no quesito rejeição. Flávio é rejeitado por 54% dos entrevistados e Lula por 53%. A soma supera os 100% porque parte dos eleitores não quer nenhum dos dois. A Quaest confirma o que já se dizia no primeiro turno: que essa será uma disputa entre os medos. Questionados sobre o que dá mais medo, 43% responderam que é a volta dos Bolsonaros ao poder e 43% indicaram a reeleição de Lula.

Não votantes

Quando se diz que a estratégia dos candidatos deve ser focar nos que não votaram em 4 de outubro, ou votaram branco ou nulo, é porque há sinais de que parte desses eleitores pode comparecer no dia 25. Desse contingente, 43% manifestaram a intenção de votar em Lula e 38% declaram voto em Flávio. Outros 17% estão dispostos a repetir o protesto.

Outra constatação interessante da pesquisa é de que os eleitores dos candidatos que tentaram se credenciar como alternativa não acompanharam em massa a escolha de seus preferidos. Com exceção de Renan Santos (Missão), todos os outros politicamente relevantes abriram voto para Flávio. Entre os 2% que disseram ter votado em Caiado, 42% declaram voto em Flávio, 23% escolhem Lula e 33% votam em branco ou nulo ou não vão votar.

Dos que declararam voto em Augusto Cury (2%), 34% estão com Lula, 30% com Flávio. Renan Santos (Missão) teve somente 2% dos votos. Desses, 40% agora pretendem votar em Flávio e 14% em Lula. A maior parte (43%) planeja votar nulo, branco ou não comparecer às urnas. A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. _

Está nos planos do presidente Lula vir a Porto Alegre no início da próxima semana para um ato derradeiro de campanha. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro fez 55,64% dos votos válidos no Rio Grande do Sul e Lula, 35,73%.

Agenda de Flávio em Porto Alegre acumula erros da equipe de campanha

De cima do dique construído com recursos do governo federal, no Bairro Sarandi, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) discursou na primeira visita a Porto Alegre na campanha do segundo turno e demonstrou estar desinformado sobre a situação:

- O governo federal abandonou o Sarandi. Lula prometeu e não fez nada, e eu me comprometo a retomar todas as obras de contenção.

Ficou claro que o candidato não recebeu as informações corretas de sua assessoria, como ocorre antes de visitar determinado local. O ponto positivo para o candidato foi o carinho do grupo de eleitores que se aproximou para tirar fotos e abraçá-lo.

O conteúdo não foi o único problema, o que explica os rostos tensos no palanque improvisado sobre o dique reconstruído após a enchente. Na forma, os erros da equipe de Flávio se multiplicaram. O microfone tardou a chegar às mãos do candidato, falhou durante a fala dele e do governador eleito Luciano Zucco e morreu de vez quando o prefeito Sebastião Melo (MDB) tentava dar o seu recado.

Questionado pelos jornalistas, Melo disse que a parceria com o governo federal vai muito bem e que espera a manutenção "dessa governança" se Flávio for eleito. O prefeito destacou que dinheiro não falta (formado com recursos do pagamento da dívida, suspenso até 2027) e o Fierce, aqueles R$ 6,5 bilhões repassados pelo governo Lula para obras de contenção às cheias. O próprio Zucco não conseguiu conter a irritação com a equipe de Flávio, que cancelou as agendas em Alvorada e Canoas e manteve apenas a do Sarandi e o comício no Largo Glênio Peres.

O público escasso foi castigado pela garoa e pelo vento, o que contribuiu para aumentar os clarões no espaço reservado aos moradores. Para piorar a situação aos olhos dos três governadores convidados - Tarcísio de Freitas (São Paulo), Jorginho Melo (Santa Catarina) e Sergio Moro (Paraná) - havia pessoas com adesivos de Lula e um grupo fazendo o "L" com a mão para os fotógrafos. _

TSE alerta para fake news de Maurício Marcon

Reeleito com 379.834 votos, o deputado federal Maurício Marcon (PL) divulgou em seu perfil no Instagram, sem apresentar provas, um vídeo afirmando que os mesários podem fraudar a eleição, votando depois das 17h no lugar dos eleitores ausentes. Diante da mentira, o Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral entraram em campo.

O TRE-RS emitiu nota com o título "É mentira que mesários votam na urna eletrônica no lugar de eleitores". A nota alerta: "Fique ligado: se você receber uma mensagem afirmando que, depois das 17h do dia da eleição, mesárias e mesários podem usar a urna eletrônica para votar no lugar de eleitoras e eleitores que não compareceram, não caia nessa. Essa informação é falsa." 

Uma conversa sobre os problemas do Estado

Um dos nomes mais cotados para assumir a Secretaria da Fazenda no governo de Luciano Zucco, o deputado Cláudio Branchieri (PL) jantou na noite de terça-feira com Adolfo Sachsida, coordenador do plano econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Branchieri e Sachsida se encontraram no 20barra9, no Shopping Pontal, e conversaram sobre a campanha eleitoral e, principalmente, sobre agenda econômica.

Durante o jantar, os dois trataram dos problemas do Rio Grande do Sul, principalmente a dívida do Estado com a União. À coluna, Branchieri disse que há um alinhamento da política econômica e da visão de mundo entre os dois, e que há boa vontade da equipe econômica de Flávio para resolver definitivamente a dívida:

- O alinhamento é total. Há um entendimento de que é preciso destravar investimentos no RS para desenvolver o país. Há uma boa vontade de sentar conosco e ajustar a dívida de forma definitiva. _

POLÍTICA E PODER

15 de Outubro de 2026
EM FOCO

Senado aprova o fim da escala 6x1

Proposta de emenda à Constituição estabelece a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, assim como a garantia de dois dias de descanso remunerado. A implementação será gradual. O próximo passo será a promulgação do projeto pelo Congresso

O plenário do Senado aprovou ontem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de seis dias de trabalho e de um de descanso. Foram 75 votos a favor e apenas um contrário no primeiro e no segundo turnos. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra.

Eram necessários pelo menos 49, ou três quintos do total. Preocupadas com a repercussão eleitoral do tema, as bancadas da oposição decidiram liberar os seus senadores na votação. A PEC 221/2019 estabelece a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e a garantia de dois dias de descanso remunerado por jornada. O próximo passo, agora, é a promulgação da proposta pelo Congresso Nacional, prevista para ocorrer até a próxima semana.

O governo se empenha para garantir que a promulgação seja realizada antes do segundo turno da eleição presidencial, que será no dia 25.

A PEC é uma das apostas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou na terça-feira que passaria a apoiar a PEC. O posicionamento representou mudança de rumo, já que nos últimos meses o presidenciável havia feito diversas críticas à proposta de emenda, classificando-a como "hipocrisia", "inoportuna" e "eleitoreira". O senador defende uma "jornada flexível", na qual, segundo ele, empregador e empregado chegariam a um consenso.

Tramitação acelerada

A tramitação da PEC foi acelerada ontem graças à aprovação de um requerimento de calendário especial, que permite a dispensa do intervalo previsto entre a primeira e a segunda votação sobre a PEC. Pelo regimento do Senado, sem o pedido, teria de haver mais três sessões entre as duas apreciações.

Conforme o colunista de ZH Matheus Schuch, parlamentares envolvidos na discussão sobre o fim da 6x1 alertaram ontem que a aprovação da PEC inviabiliza alteração futura das regras por outra mudança na lei que implique a redução de direitos dos trabalhadores. A tese está baseada em consultas jurídicas e debates recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os direitos trabalhistas previstos no artigo 7º da Constituição.

Considerados cláusulas pétreas, eles integram os direitos e garantias fundamentais. Por isso, há o princípio da proibição de retrocesso social. Uma alteração profunda na lei, para retomar o modelo atual de 44 horas semanais com um dia de folga obrigatório, portanto, só seria viável com a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Questionados sobre a possibilidade de a mudança ser irreversível na lei, os senadores e deputados da base bolsonarista prometem se mobilizar a partir do ano que vem não para a reversão da PEC 6x1, mas para a aprovação do projeto da hora flexível. A ideia é que os dois regimes possam conviver, dando outra opção a empregadores e empregados. 

O texto, já apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), estabelece a negociação direta entre patrão e empregado para o pagamento somente das horas efetivamente trabalhadas, sem limite de carga horária semanal. _

14 de Outubro de 2026
MÁRIO CORSO

Direito à preguiça

Hoje, o Senado vota a PEC que pode reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, jornada de 6x1 para 5x2. Como alguém acostumado a ajudar quem adoece por burnout (pessoas que não conseguem parar sem se culpar), torço pela redução. Quanto a mim, já faz três anos que eu faço a escala 4x3.

Poucas coisas são mais clichês do que a cena, ao final da vida, de alguém chegar à conclusão de que trabalhou demais e cuidou pouco de si e dos seus. O fato é que, nesse caso, o clichê é verdadeiro. É uma pena quando se leva uma vida inteira para concluir que o trabalho é um meio e não um fim.

O trabalho é uma condição inescapável. Quem não trabalha não alcança a visão real do que o mundo é. O problema não é o trabalho, e sim ele como único horizonte. Nosso tempo naturaliza uma vida alienada, focada na produtividade e no consumo. Muitos trabalham mais para comprar mais coisas que de fato não precisam.

Além disso, estudos mostram que a jornada excessiva tem retornos decrescentes. A curva entre horas e produção é um U invertido: no início, mais horas produzem mais; depois de certo ponto, o cansaço, os erros e a queda de foco fazem com que cada hora adicional produza menos, ou até atrapalhe.

Países com menores jornadas tendem a apresentar maior produtividade por hora trabalhada. O Brasil, com jornadas longas, ocupa as últimas posições em produtividade por hora. A jornada longa é preenchida com trabalho de baixo valor, pausas informais e enrolação para cumprir o relógio. A mesma entrega poderia ser feita em menos tempo, com foco e processos melhores.

Quanto à vida das pessoas, a mudança será enorme. Haverá mais tempo para os vínculos, para o lazer, para o cuidado de si, para novos estudos, para fazer esportes, para hobbies. Será uma rotina muito diferente para quem trabalha. Certamente o impacto na vida será muito mais significativo do que o impacto na produtividade e é isso que importa.

Fique de olho em quem votar pela continuação do 6x1. Serão os mesmos que, no futuro, vão querer empurrar a aposentadoria para os 70 anos. Os mesmos que diziam que o décimo terceiro salário destruiria a economia e repetem um refrão similar a cada conquista social. _

MÁRIO CORSO

14 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Uma visão de Estado como propósito

O governador eleito Luciano Zucco (PL) recebeu ontem, do Grupo RBS, o resultado de um trabalho de fôlego que reúne reportagens veiculadas entre setembro e o início deste mês sobre oito grandes desafios para a retomada da prosperidade no Estado. São áreas essenciais que necessitam de atenção especial do futuro governo, para que o Rio Grande do Sul reúna condições concretas de alcançar novos patamares de dinamismo econômico e qualidade de vida nos próximos anos e décadas. 

O documento que, além de jogar luz sobre os principais gargalos, aponta possíveis caminhos para solucioná-los, também será entregue aos demais eleitos pelos gaúchos no último dia 4 de outubro e a outras lideranças e instituições (leia mais na página 9).

O propósito do Grupo RBS é colaborar para que os principais entraves sejam vencidos, com uma visão de Estado. Para isso, é preciso um olhar criterioso sobre dimensões como ambiente, educação, contas públicas, infraestrutura, agronegócio, saúde, segurança pública e desenvolvimento econômico, os temas abordados nas reportagens.

O governo que assume em janeiro foi o primeiro eleito após a enchente histórica de 2024, evento que evidenciou ainda mais as dificuldades estruturais do Estado e fez soar o alarme para a obrigação de o Rio Grande do Sul apurar o passo na preparação para os efeitos das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, os gaúchos despertam para uma transição demográfica acelerada, que transforma o perfil da população e passa a exigir ajustes de políticas públicas.

É justo reconhecer, no entanto, que há bases sobre as quais será possível evoluir. Governos recentes obtiveram avanços no combate à criminalidade, empenharam-se em melhorar o quadro das finanças, conseguiram sinais de melhora nos indicadores da educação e o Plano Rio Grande, convertido em lei, é um mapa consistente para avançar na resiliência climática. 

Ainda assim, a gestão Zucco tem uma responsabilidade singular nessa caminhada, por se instalar já plenamente ciente de que os rio-grandenses vivem uma encruzilhada emblemática e de que será preciso, desde o início da gestão, ter um trabalho focado no enfrentamento às fragilidades identificadas nessas oito áreas estratégicas.

Mas também é preciso consciência de que os afazeres são muitos e complexos. Exigirão dedicação por um período muito superior aos quatro anos de mandato do futuro governo. Por isso, é necessário ter firmeza de propósito e compreensão, da sociedade gaúcha e das forças políticas locais, de que o momento exige um planejamento de longo alcance. Os interesses do Estado devem ser um fator de união e de busca de consensos mínimos, figurando acima das disputas eleitorais, naturais nas democracias. Alternâncias de poder são corriqueiras e o Rio Grande do Sul e a sua população ganham se cada gestão entregar ao sucessor um Estado melhor do que recebeu.

Embora caiba ao governador liderar, a chance de sucesso será maior conforme o engajamento que suscitar. Poder público, empresários, organizações da sociedade civil, partidos, entidades das mais diversas naturezas e cidadãos estão convidados a contribuir e a ombrear na construção de um Rio Grande do Sul que alie pujança, oportunidades e bem-estar social. 

OPINIÃO RBS

14 de Outubro de 2026  
Conexão Brasília - Matheus Schuch

Por que Flávio Bolsonaro mudou de postura

Mesmo em vantagem nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) enxergou risco de desgaste na campanha se mantivesse o enfrentamento ao fim da escala 6x1. Por isso, anunciou ontem que votará a favor do projeto, que é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula (PT).

Nos últimos dias, Flávio e seus aliados trabalharam nos bastidores para evitar a votação antes do segundo turno, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), insistiu no calendário. Alertado pela equipe de marketing de que o tema tem forte apelo popular, Flávio decidiu mudar a postura e falou diante das câmeras que está ouvindo o que pensa a maioria dos trabalhadores.

Na prática, o anúncio destrava de vez a votação do fim da escala 6x1, visto que o candidato era o único ponto forte de resistência. A PEC deve ir a votação hoje e ser aprovada por ampla maioria.

Durante as discussões sobre o fim da 6x1, Flávio sempre se posicionou a favor de uma alternativa apresentada pelo líder do PL, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador de sua campanha à Presidência e o principal cotado para assumir a presidência do Senado no próximo ano.

Nos bastidores, parlamentares do PL avaliam que será possível no próximo ano aprovar a proposta de Marinho, criando uma alternativa ao regime formal. Os senadores do PL defendem que o trabalhador possa escolher entre o regime comum e um contrato flexível baseado em horas trabalhadas. O patrão poderia, assim, pagar ao empregado somente as horas efetivamente trabalhadas, que não teriam limite de carga horária semanal ou de dias por semana. 

CONEXÃO BRASÍLIA

Eleições em Israel serão um referendo sobre Netanyahu

Dois dias depois do segundo turno no Brasil, o mundo voltará os olhos para Israel, que realizará as primeiras eleições desde os atentados terroristas de 7 de outubro de 2023. Por tudo o que aquela tragédia deflagrou - o horror, o luto nacional, a longa agonia dos reféns e seus familiares, a guerra em Gaza, o horror de novo, a destruição do território palestino, além dos conflitos contra o Irã e o Hezbollah -, essa disputa será um referendo sobre Benjamin Netanyahu, o mais longevo primeiro-ministro do país. A eleição poderá definir os rumos do Oriente Médio, a região mais instável do planeta.

Será uma disputa parlamentar - serão renovados os 120 membros do Knesset, o parlamento. O partido ou coalizão que conseguir a maioria das cadeiras (61) escolhe o primeiro-ministro. Aqui, começam os problemas não só para Bibi, o apelido de Netanyahu, mas para a própria governabilidade. As pesquisas mostram que a união entre o partido Likud, do atual premier, e as agremiações ultraortodoxas e de extrema direita conquistaria entre 49 e 52 cadeiras. O principal grupo de oposição, liderado pelo Yashar, do ex-comandante do Estado-Maior Gadi Eisenkot, conseguiria até 54 lugares. Ou seja, para governar, seria necessário cortejar os partidos árabes.

Aqui, o segundo problema. Atrair essas legendas significa afastar eleitores de centro e de direita - o que nem Bibi nem Eisenkot podem se dar ao luxo. Sem acordo para a formação de governo, será necessária nova eleição, algo relativamente comum em regimes parlamentaristas. O problema é que Israel realizou cinco entre 2019 e 2022.

Junte-se a essa instabilidade no horizonte a falta de renovação política. Bibi é questionado por vários fatores: por ter demorado demais para trazer os reféns para casa, por não ter eliminado completamente, conforme prometera, o Hamas e o Hezbollah, por não ter derrubado os aiatolás do Irã e pelos processos internos de corrupção, casos em que, inclusive, é réu. Até Donald Trump, aliado externo, parece ter recuado. Nas negociações sobre o fim da guerra com o Irã, Bibi ficou afastado.

A fragmentação política é uma questão que complica qualquer governabilidade. Por aqui, é comum (e errado) identificar Israel com a direita. Mas a única democracia do Oriente Médio dispõe de um arco ideológico que vai desde a extrema esquerda até a extrema direita, passando por árabes e ultraortodoxos. São 13 grupos parlamentares ativos. Mas 170 partidos registrados no Ministério da Justiça israelense. _

Quem são os principais candidatos da disputa

Como se trata de uma eleição parlamentar, os eleitores israelenses votarão em partidos ou coligações, e não diretamente nos candidatos. Cada legenda lista seus nomes por ordem de "prioridade" de quem assumirá as cadeiras do parlamento no caso de vitória da legenda nas urnas. O líder do partido ou da coligação acaba sendo escolhido primeiro-ministro. Os nomes em disputa representam pouca renovação, e Benjamin Netanyahu pode conquistar novo mandato. _

Benjamin Netanyahu

É o atual primeiro-ministro e líder do Likud que busca a reeleição. Ele esteve no cargo durante seis mandatos: de 1996 a 1999; 2009 a 2021; e de 2022 até agora. São 18 anos no governo.

Gadi Eisenkot

Um dos principais adversários de Netanyahu, com forte apelo popular. Sua trajetória é baseada na carreira militar. Entrou na política em 2022 na coligação de Benny Gantz. É crítico ferrenho da liderança de Netanyahu.

Naftali Bennett (e) e Yair Lapid (d)

Os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid formaram uma aliança histórica no passado. Embora estivessem em lados opostos, retiraram Netanyahu do poder em 2021. Bennett figura como destaque na direita nacionalista e entre os colonos judeus. Lapid posiciona-se como a voz da classe média israelense. Os dois juntos cumpriram um acordo de rodízio no cargo de primeiro-ministro entre 2021 e 2022. Após esse curto período de alternância, Netanyahu voltou ao poder.

Avigdor Lieberman

Voz da direita nacionalista e laica, adota discurso duro contra palestinos. Com postura ainda mais linha-dura que a do atual premier, rompeu com o governo em 2018. Desde então, tornou-se um dos críticos mais severos.

Yair Golan

Lidera o partido Os Democratas. Golan é ex-major-general das FDI, serviu no exército por 37 anos e atuou como vice-chefe do Estado-Maior. Figura hoje como a principal voz da esquerda e da centro-esquerda israelense.

Lajeado em busca de PPPs

Pelos próximos 60 dias, a prefeitura de Lajeado estará em busca de parcerias privadas para projetos nas áreas de inovação, tecnologia, lazer, mobiliário urbano, gastronomia e turismo.

A ideia é inspirada em parcerias público-privadas que já ocorrem em outros municípios, como a Orla de Porto Alegre, a Vila Roubadinhas, no balneário de Atlântida, em Xangri-lá, e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Por meio do programa, empresas, empreendedores e investidores poderão apresentar ideias, propostas e soluções que contribuam para o desenvolvimento da cidade, a modernização dos espaços públicos e a melhoria dos serviços oferecidos à população. O programa estabelece novas regras para a apresentação e estruturação de propostas, buscando oferecer mais segurança, transparência e previsibilidade na relação entre o município e a iniciativa privada. _

Governo do RS em Paris

A partir da próxima sexta-feira, uma delegação da Invest RS participará da Sial Paris, uma das maiores feiras do mundo nos setores de alimentos e bebidas. A viagem tem o objetivo de atrair investimentos, abrir novos mercados e ampliar as exportações gaúchas.

O encontro Energia e Segurança Alimentar: O Sul do Brasil em Foco é promovido pela Invest RS em parceria com o Sistema Fiergs e com apoio do Sebrae-RS na sede diplomática do Brasil na França.

A programação contará com um painel dedicado à competitividade do Estado, às oportunidades no setor de proteína animal e ao protagonismo gaúcho em biocombustíveis. Na ocasião, também será lançada a versão em francês do Guia Sabores Únicos, organizado pelo Sebrae-RS, que destaca produtos gaúchos de alto valor agregado e qualidade diferenciada. _

O médico do Papa

O papa Leão XIV realizou, ontem, uma cirurgia para retirar um câncer no pulmão. Segundo o Vaticano, o procedimento foi encerrado dentro do tempo previsto. A operação ocorreu no Hospital Gemelli, em Roma, e foi coordenada pelo médico Stefano Margaritora.

Margaritora é diretor de Cirurgia Torácica da Policlínica Universitária Agostino Gemelli e professor titular da disciplina na Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade Católica do Sagrado Coração.

Entre suas especialidades, tem vasta experiência no diagnóstico e no tratamento de patologias pulmonares, esofágicas, mediastinais e cervicais, com foco no manejo de nódulos pulmonares, bronquiectasias e enfisema. 

INFORME ESPECIAL 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

13 de Outubro de 2026
CONTAS PÚBLICAS

CONTAS PÚBLICAS

Valor corresponde à projeção de desequilíbrio entre receitas e despesas futuras do sistema, ao qual estão vinculadas mais de 300 mil pessoas. Custo para manter o regime próprio gira em torno de R$ 20 bilhões por ano e é a maior despesa pública do Rio Grande do Sul, diz o dirigente do IPE Prev

Os números apresentados pelo IPE Prev mostram os dois modelos previdenciários convivendo dentro do mesmo sistema. O regime antigo envolve os fundos financeiros civil e militar, estruturados em regime de repartição simples - ou seja, as contribuições dos servidores e a do Estado financiam os benefícios de quem já está aposentado. Eles apresentam déficit atuarial, exigindo bilhões de reais em aportes anuais do Estado para manter o pagamento dos benefícios.

Já os fundos previdenciários (Fundoprev Civil e Militar) são organizados sob regime de capitalização - ou seja, as contribuições descontadas de cada servidor e a cota patronal do Estado são acumuladas e investidas para financiar os benefícios. Nesse caso, os fundos seguem acumulando patrimônio, registrando rendimentos e apresentando superávit atuarial.

O principal desafio permanece ser financiar, ao longo das próximas décadas, os benefícios da grande massa de aposentados e pensionistas vinculada ao regime antigo até que os fundos capitalizados ganhem escala suficiente para alterar estruturalmente o resultado previdenciário do Estado.

O custo para manter a previdência estadual gira em torno de R$ 20 bilhões por ano, sendo a maior despesa pública do Rio Grande do Sul, segundo o diretor-presidente do IPE Prev, José Guilherme Kliemann. Os números foram apresentados neste mês pelo IPE Prev durante audiência pública de prestação de contas e divulgação dos resultados atuariais, financeiros e previdenciários do sistema.

Melhora expressiva

- Nenhuma previdência madura como a nossa, que é uma previdência mais antiga, não terá déficit, porque as regras ou eram muito generosas ou não havia contribuição. É o passado que temos que administrar, mas, a partir de agora, essa nova previdência que foi criada, é que nós temos condições de dizer: essa não será deficitária - aponta Kliemann.

Pressão

Os fundos financeiros pressionam as contas públicas por serem estruturados sob regime de repartição simples. Entre janeiro e junho de 2026, o Fundo Financeiro registrou R$ 8,46 bilhões em despesas previdenciárias, valor inferior aos R$ 9,35 bilhões observados no segundo semestre de 2025. A maior parte desses recursos foi destinada ao pagamento de aposentadorias, inatividades e pensões.

Somadas, as contribuições de servidores e patronais alcançaram cerca de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre deste ano. Ainda assim, foi necessário aporte adicional de R$ 4,4 bilhões do Tesouro, equivalente a cerca de 52% das despesas do Fundo Financeiro. _

Somente no primeiro semestre de 2026, os dois fundos registraram mais de R$ 441 milhões em rendimentos financeiros, contribuindo para receitas totais próximas de R$ 700 milhões no período. Além de acumularem patrimônio, os fundos capitalizados apresentam resultado atuarial positivo.

Diferentemente dos fundos financeiros, os fundos capitalizados já possuem ativos suficientes para cobrir os compromissos projetados de seus participantes. As despesas somaram cerca de R$ 460 milhões no semestre. Desse total, em torno de R$ 454 milhões não foram usados para pagar aposentadorias e pensões, mas corresponderam à retirada de recursos dos investimentos, prevista em lei, para outras finalidades financeiras do sistema.

Além disso, o superávit acumulado pelo fundo previdenciário reflete o pequeno quantitativo de inativos e pensionistas recebendo benefícios. Na última atualização, o Fundo Previdenciário Civil tem 66 aposentados e 113 pensionistas para 14.729 ativos/contribuintes. Já no Fundo Previdenciário Militar, a lógica se repete, com 42 inativos e 106 pensionistas para 12.107 ativos/contribuintes. 

A abrangência

Em junho de 2026, o RPPS/RS contabilizava 300.770 segurados e beneficiários. Os dados mostram que os aposentados e demais inativos representam cerca de 55% de toda a massa vinculada ao sistema (165.737), enquanto os servidores ativos correspondem a 30% (89.688) e os pensionistas a 15% (45.345).

Os números mostram a alta concentração dos beneficiários no regime financeiro antigo. Dos mais de 300 mil vinculados, 273,6 mil (91%) estão nos fundos financeiros, enquanto 27 mil (9%) pertencem aos fundos capitalizados.

O levantamento ainda mostra que as mulheres representam 67,3% dos vinculados ao sistema (202.471), enquanto os homens correspondem a 32,7% (98.299).

Kathlyn Moreira

13 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Exemplo para o mundo

Ainda que a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições no Brasil tenha sofrido pequeno atraso por conta de uma breve interrupção no fluxo de transposição das informações para a internet, as urnas eletrônicas revelaram-se, mais uma vez, confiáveis, eficientes e seguras na captação da vontade e dos votos dos eleitores do país. Recuperaram crédito em relação a pleitos anteriores em que foram colocadas sob suspeita por candidatos e por eleitores.

Afora escassas publicações em redes sociais, a maioria claramente mal-intencionada ou resultante de teorias da conspiração, não houve contestação aos resultados nem qualquer comprovação de erro ou fraude. Em três décadas de existência, a bem-sucedida invenção nacional se consolida como símbolo de modernização do nosso sistema democrático e exemplo internacional.

Apesar da complexidade do recente pleito, em que cada eleitor deveria digitar nada menos do que 19 números e mais as respectivas confirmações para escolher um deputado estadual, um deputado federal, dois senadores, um governador e o presidente da República, o processo de votação foi realizado em tempo hábil, apenas com a formação de filas mais extensas em reduzido número de seções.

Mesmo com o elevado número de abstenções, cerca de 120 milhões de brasileiros compareceram às urnas e o resultado final, com a definição dos eleitos e dos classificados ao segundo turno, foi anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poucas horas depois de encerrada a votação. Registros históricos demonstram que, no tempo do voto impresso, a contagem levava dias para ser concluída e as fraudes se multiplicavam a cada eleição.

Desde que foram introduzidos no sistema eleitoral brasileiro, os equipamentos eletrônicos já passaram por inúmeros processos de aprimoramento, sempre com o propósito de conquistar a confiabilidade dos eleitores. Totalmente desenvolvida por técnicos nacionais, a urna foi utilizada experimentalmente em 57 cidades em 1996. 

Deu tão certo que apenas quatro anos depois já tinha sido adotada por todos os municípios do país. Entre as principais inovações incorporadas ao longo das últimas três décadas destacam-se a criptografia, a interface acessível com teclado em braile, fone de ouvido e libras na tela, além de processos auditáveis em todas as etapas de utilização. 

Desde 2008, também passou a integrar o sistema a identificação biométrica, que garante mais agilidade e autenticidade para os eleitores. Cabe reconhecer, ainda, avanços de transparência que ocorrem a cada pleito. Basta observar, por exemplo, a recente disponibilização pelo Tribunal Superior Eleitoral de links em que o eleitor pode verificar os resultados da seção e da urna em que votou.

Diante de tal evolução, não é de admirar que observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), convidados pelo TSE a acompanhar o pleito do último dia 24, tenham concluído que a votação por urnas eletrônicas do Brasil representa "um exemplo de excelência eleitoral para a região e para o mundo". 

OPINIÃO RBS

 

13 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER

Como Zucco planeja a gestão das contas públicas

Elencada pelo governador Eduardo Leite como o principal desafio do Estado, a gestão das contas públicas também preocupa o sucessor, Luciano Zucco. Ciente da previsão de déficit de R$ 4,8 bilhões para 2027, Zucco se cercou de economistas e planeja lidar com o tema em duas frentes distintas: uma com ações imediatas e outra projetando medidas a médio e longo prazo.

Uma das premissas da equipe econômica do governador eleito é elaborar um orçamento realista, evitando ao máximo trabalhar com um cenário de déficit. Para isso, o coordenador da transição, Leonardo Pascoal, que também é economista, projeta uma revisão nas prioridades do governo para equacionar a previsão negativa no início do próximo governo.

- Vamos analisar contratos que não se mostrem vantajosos, programas que não estão dando retorno esperado, além do corte de secretarias para reduzir custos e melhorar a eficiência da máquina - sugere.

Além de Pascoal, o grupo conta com os economistas Bruno Lanzer, do partido Novo, Gustavo Inácio e Cláudio Branchieri, deputado do PL que será o relator da lei orçamentária na Assembleia.

No sábado, o quarteto teve uma reunião de alinhamento, da qual saiu um esboço do escopo de trabalho. As primeiras medidas econômicas da nova gestão devem ser anunciadas durante o trabalho de transição. Na quinta-feira, o grupo se reúne com Adolfo Sachsida, que trata da política fiscal do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para alinhamento de ideias.

Articulação necessária

As medidas apontadas por Pascoal serão adotadas tendo em vista um cenário no qual o governo terá de ampliar gradualmente o investimento em saúde e educação nos próximos anos, para cumprir com o mínimo determinado pela Constituição - exigindo um remanejo na distribuição dos recursos para dar conta dos acordos firmados com o Ministério Público, que Zucco vai cumprir. Obras de infraestrutura também estarão entre as prioridades.

Para sustentar o aumento nas despesas, o novo governo conta com a articulação em Brasília de medidas consideradas essenciais para a saúde financeira do Estado. A mais factível é a adesão ao Propag, considerado mais vantajoso que o Regime de Recuperação Fiscal para renegociar a dívida com a União.

A prorrogação da suspensão do pagamento das parcelas, que são destinadas ao fundo da reconstrução, também é considerada fundamental. Tanto Flávio quanto o presidente Lula (PT) confirmaram a aliados que são favoráveis à medida.

Repetida aos montes durante a campanha eleitoral, a criação de um fundo constitucional da região Sul ganha força com as vitórias de Zucco e dos aliados Jorginho Mello e Sergio Moro, eleitos governadores de Santa Catarina e Paraná. Em Brasília, o gaúcho articula a votação da proposta no Congresso até o final do ano. _

MDB mais próximo

Não houve descanso para Luciano Zucco no feriado. O governador eleito reservou o dia para reuniões internas, uma delas com o deputado Alceu Moreira (MDB), que saiu em alta da eleição e deve ditar os rumos do partido no Estado a partir de 2027, ao lado de Sebastião Melo.

Alceu foi ontem à casa de Zucco, na Vila Assunção, em Porto Alegre, onde reforçou seu apoio ao governador eleito e se colocou à disposição para ajudar no futuro governo Zucco.

Tudo indica que o MDB estará na base de sustentação do novo governador, com o enfraquecimento da ala ligada ao vice-governador Gabriel Souza. _

Tarcísio confirma presença e virá ao RS com Flávio Bolsonaro

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, estará no Rio Grande do Sul para acompanhar a agenda do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), amanhã. Tarcísio confirmou presença a Luciano Zucco, que fez o convite.

Além do paulista, os governadores eleitos de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e do Paraná, Sergio Moro (PL), também farão parte da comitiva. A intenção é demonstrar a força política que terão os governadores das regiões Sul e Sudeste nas discussões com o próximo governo federal, na tentativa de ampliar a votação de Flávio no Estado.

Uma reunião-almoço com empresários estava prevista para ser realizada amanhã na Fiergs, mas o evento foi cancelado. Assim, a primeira agenda do senador será no bairro Sarandi, em Porto Alegre, próximo ao dique, com visitas à comunidade atingida pela enchente de 2024. O candidato segue para Alvorada, onde caminhará pelo centro da cidade com comerciantes e moradores. Flávio também vai a Canoas, mas a agenda ainda não está fechada.

No fim da tarde, retorna a Porto Alegre para um ato público com a militância no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico. 

DE FORA

Sete candidatos a deputado estadual ficaram entre os 55 mais votados, mas não foram eleitos em razão do quociente eleitoral, que divide as vagas de acordo com o total de votos dos partidos. Elton Weber (PSD) fez 36.789 votos, mas foi o primeiro da lista a ficar de fora da Assembleia Legislativa. Outros 10 candidatos fizeram menos votos que ele e foram eleitos. Além disso, 31 postulantes fizeram mais votos do que o último eleito, Moisés Barboza (PSDB), e mesmo assim não conseguiram uma cadeira. O tucano foi o 86º mais votado.

POLÍTICA E PODER

13 de Outubro de 2026
EM FOCO - 
Caroline Souza

EM FOCO

Onda de vitórias da direita impulsionou salto de eleitas na AL, enquanto lideranças já consolidadas da esquerda mantiveram presença em Brasília. Rejeição ao campo adversário ganhou protagonismo na disputa e acirra divergências entre as vitoriosas no pleito, avalia cientista política

Novos contornos da presença feminina gaúcha nos legislativos estadual e federal

A representação política das mulheres no Rio Grande do Sul ganhará novos contornos após as eleições de 2026. Na Assembleia Legislativa, o número de deputadas saltou de 11 para 16, crescimento de 45% impulsionado principalmente por legendas de direita, que ocuparão 12 dessas 16 cadeiras a partir de 2027. Na Câmara dos Deputados, o movimento foi distinto: a bancada feminina gaúcha encolheu de seis para cinco integrantes, com quatro parlamentares de esquerda e uma de centro-direita.

Cientistas políticas ouvidas por Zero Hora apontam que o resultado na Assembleia está ligado à onda de vitórias da direita no Estado e no país, enquanto, na Câmara, a composição foi puxada por lideranças consolidadas. O cenário reflete os efeitos acumulados de políticas eleitorais de incentivo à participação feminina.

A diferença entre os dois legislativos aparece nas trajetórias das eleitas. Das 16 estaduais, 11 assumem uma cadeira na Casa pela primeira vez. Seis trazem experiência em câmaras municipais: Comandante Nádia (PL), Natasha Ferreira (PT) e Karen Santos (PSOL), em Porto Alegre; Bruna Molz (Podemos) e Nicole Weber Covatti (PP), em Santa Cruz do Sul; e Daiane Mello (PL), em Caxias do Sul. Outras duas vêm do Executivo: Delegada Ana Tarouco (PSD), ex-prefeita de Sant?Ana do Livramento, e Vanice de Matos (PL), ex-prefeita de Porto Vera Cruz.

As estreantes em cargos eletivos são três: Adri Cherini (PL), Ronize Damassini (PP) e Ali Klemt (PL). As restantes já integravam a Assembleia: Luciana Genro (PSOL), Kelly Moraes (PL), Delegada Nadine (PSD), Sofia Cavedon (PT) e Adriana Lara (PL).

Na Câmara, as cinco eleitas já exerciam mandato e foram reeleitas: Fernanda Melchionna (PSOL), Maria do Rosário (PT), Any Ortiz (PP), Daiana Santos (PCdoB) e Denise Pessôa (PT).

Aumento à direita

O PL concentra a maior parte das eleitas para a Assembleia, com sete cadeiras. PSD, PP, PSOL e PT elegeram duas cada, e o Podemos, uma. Na avaliação de Rosana Soares Campos, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o crescimento da presença feminina na direita reflete uma estratégia de aproximação com agendas historicamente associadas à esquerda:

- Ao perceberem que as mulheres são maioria do eleitorado e que é preciso conquistar esses votos, viram a importância de ter rostos que dialoguem de forma próxima com o público feminino.

A conexão entre as campanhas de Luciano Zucco ao governo estadual e de Flávio Bolsonaro à Presidência ajudou a unificar o discurso voltado às mulheres. Na esquerda, segundo Rosana, houve atuação fragmentada.

- As urnas mostram um eleitorado conservador que busca primeiro respostas pragmáticas para a vida material - destaca.

Figura central nesse processo é Adri Cherini, presidente do PL Mulher no RS e deputada estadual mais votada do pleito, com 129.492 votos.

- Quando se integra a mulher à base do partido, o interesse pela política muda. Esse foi o diferencial - resume. _

Regras de inclusão e potencial das candidatas expandiram participação

A ampliação da presença de mulheres na Assembleia também está relacionada às regras criadas para estimular a participação feminina, que passaram a produzir efeitos nas urnas, avalia Cibele Cheron, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A legislação exige que partidos ou federações preencham pelo menos 30% das candidaturas com cada sexo, além de destinar o mesmo percentual do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda gratuita. Segundo a cientista política, a combinação dessas medidas com a escolha de candidatas com potencial competitivo ajudou a tornar mais efetiva a participação feminina nas eleições.

Na esfera federal, a manutenção da bancada feminina da esquerda apoia-se em lideranças com capital eleitoral consolidado. Já a direita concentrou apostas em grandes puxadores de voto masculinos, afirma Cibele.

Fernanda Melchionna (PSOL) foi reeleita para o terceiro mandato com 280.262 votos, alta de 40% em relação a 2022. Para ela, o resultado corrobora a força de candidaturas progressistas de expressão nacional, como Erika Hilton (SP) - a mais votada da história para a Câmara, com mais de 1,5 milhão de votos.

Diferenças ideológicas

O desempenho mais modesto das mulheres de esquerda na disputa pela Assembleia escancara um desafio do campo. Para Cibele, o voto tem sido guiado pela rejeição ao adversário:

- A cada eleição, percebemos que não é apenas a preferência que se cristaliza, mas a rejeição ao campo oposto, constituindo-se como um elemento identitário.

Adri Cherini (PL) reforça que sua atuação girará em torno da proteção às mulheres a partir de uma ótica conservadora e familiar.

- Trazemos um papel diferente para a mulher na política: o da mulher conservadora, com amorosidade, delicadeza e valores familiares. Vou lutar por políticas de proteção às mulheres e também às pessoas idosas - afirma.

Já Fernanda Melchionna (PSOL) defende uma agenda ampla de direitos:

- Não basta ser mulher, é preciso defendê-las. Combater o feminicídio, lutar pelos direitos das professoras e pelo fim da escala de seis dias de trabalho que interfere diretamente na vida das mulheres. Temos uma atuação estruturada, da economia à segurança - conclui.

Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina passará de 90 para 109 mulheres a partir de 1º de fevereiro de 2027. Elas representarão cerca de 21% das 513 cadeiras da Casa. Segundo levantamento de Zero Hora, entre as 109 deputadas, 62 estão em partidos classificados como de direita ou centro-direita, enquanto 47 pertencem a siglas de esquerda. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

12 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER

Começa a disputa por espaço no governo Zucco

A eleição em primeiro turno e a base ampla formada na Assembleia Legislativa não tiram a pressa de Luciano Zucco (PL) em montar seu secretariado e distribuir espaços aos partidos aliados. Após uma semana de entrevistas, agendas em Brasília e início da transição com o governador Eduardo Leite, Zucco deve dar tração às articulações internas nos próximos dias e planeja anunciar os primeiros secretários ainda esta semana.

Uma reunião do governador eleito com os presidentes dos partidos aliados, que integraram a coligação vitoriosa, está agendada para amanhã. Líderes de PL, PP, Republicanos, Podemos, Novo e Democracia Cristã se encontram pela manhã na Casa do Diálogo, espécie de gabinete provisório montado por Zucco no Instituto Caldeira.

Desse encontro, deve sair um primeiro esboço do novo governo, com uma projeção da quantidade de secretarias e de cargos que os partidos terão à disposição. A partir daí, os dirigentes devem pensar nos nomes que poderão oferecer a Zucco para compor o novo governo, cientes de que o governador eleito já deixou clara a intenção de montar um primeiro escalão técnico, escolhendo pessoalmente todos os integrantes.

Negociação tem início agora

Segundo o presidente do Podemos, Everton Braz, que atuou como coordenador do núcleo político da campanha de Zucco, não foi feito nenhum acordo de espaços na negociação com os partidos para que integrassem a coligação, no início do ano.

- Isso não foi discutido, o objetivo era primeiro vencer a eleição. Temos que entender a cabeça do governador eleito, como vai ficar o redesenho da máquina e que tipo de peças ele busca, para depois indicar. Estamos todos bem alinhados - explica Braz.

Zucco tem a seu favor a eleição em primeiro turno, evitando a necessidade de oferecer cargos a outras siglas em troca de apoio. Mesmo assim, outros partidos devem ser convidados a compor o governo para garantir maioria absoluta (33 deputados) na base aliada da Assembleia Legislativa. Os seis partidos da sua coligação elegeram 26 deputados para as 55 cadeiras.

Com cinco deputados eleitos, o MDB tende a integrar a base de sustentação do governo - assim como o PL faz com Melo, na Capital. O PSD, partido de Leite - cujas bancadas atual e futura declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência -, e o PSDB, que adotou a mesma posição no Estado, também podem ficar alinhados à nova gestão. As siglas elegeram cinco e um deputados, respectivamente. _

Os primeiros nomes do novo governo devem ser anunciados a partir de quinta-feira. Roni Vieira virá do Paraná

para comandar a Secretaria de Educação, e o deputado Claudio Branchieri (PL) é cotado para assumir a Fazenda.

Melo trabalha para impulsionar a campanha presidencial na Capital

O prefeito Sebastião Melo está engajado na campanha para eleger Flávio Bolsonaro (PL) como próximo presidente. Depois de declarar apoio à candidatura do senador, Melo reuniu um grupo de líderes políticos no sábado para fortalecer a mobilização no segundo turno em Porto Alegre, em um movimento que chama de "suprapartidário e voluntário".

Cerca de cem pessoas participaram da reunião convocada por Melo, que quer intensificar a campanha de Flávio em regiões da Capital onde o presidente Lula (PT) levou vantagem no primeiro turno, para reduzir a diferença de votos na Capital.

Melo levou aliados do MDB, partido do qual deve tomar as rédeas no Estado ao lado de Alceu Moreira. Estiveram na reunião os secretários Cezar Schirmer e André Coronel, o ex-ministro Luís Roberto Ponte e o casal Marco e Patrícia Alba. _

Quase metade dos votos nulos no RS foi para o 13

Dos 315.858 votos nulos dos eleitores gaúchos na disputa para governador, 141.796 digitaram o número 13, do PT, que abriu mão de indicar um candidato na cabeça de chapa para apoiar Juliana Brizola, do PDT, que é o 12.

Para votar nulo, é preciso digitar e confirmar um número que não está na disputa. A segunda opção dos gaúchos foi pelo 00 (90.482 vezes), que não representa nenhum partido. Outros 5.631 eleitores optaram pelo 99.

Números do PSD (55), PSOL (50), Missão (14), Novo (30), PP (11), Avante (70) e Republicanos (10) também foram escolhidos. _

Flávio Bolsonaro terá agenda no RS na quarta

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) confirmou que estará no Rio Grande do Sul na próxima quarta-feira. Será a segunda vez que o senador visita o Estado durante a campanha, a primeira no segundo turno.

Flávio deverá chegar ao Estado no final da manhã. O primeiro compromisso será uma reunião-almoço com empresários e líderes políticos na Fiergs. No final da tarde, fará um ato público de campanha no Centro Histórico, próximo à Esquina Democrática, mas o local ainda não foi confirmado. A tendência é de que, durante a tarde, Flávio participe de outras atividades e faça atendimento à imprensa.

Além de Luciano Zucco, Flávio terá a companhia dos governadores eleitos de Santa Catarina, Jorginho Mello, e do Paraná, Sergio Moro, todos do PL.

- Estamos organizando uma agenda que, além de impactar os eleitores, contempla temas fundamentais para o futuro do Rio Grande do Sul, como o crescimento econômico, a geração de empregos e a melhoria da nossa infraestrutura - explicou Zucco.

Flávio planeja ampliar a votação que recebeu em primeiro turno no Estado, onde obteve 55,6% dos votos válidos. _

Republicanos tenta atrair deputados do PDT

Com o argumento de que uma federação com o PSB ou o PSOL seria seu fim, o Republicanos corteja os deputados estaduais eleitos do PDT. Um dos principais líderes do Republicanos lembra que o partido é o mais ao centro dos que tentam atrair os pedetistas, que não têm um perfil de esquerda.

Gilmar Sossella, que ficou com a última cadeira, disse que não está sendo fácil lidar com a derrota do PDT. Acrescenta que já conversou com o presidente do partido, Romildo Bolzan, e que a decisão deverá ser tomada em conjunto. As direções nacional e estadual do partido têm reuniões de avaliação marcadas para amanhã.

Eduardo Loureiro disse à coluna que está assimilando o cenário, e Tiago Cadó admitiu o assédio de outras siglas. O PDT elegeu ainda o ex-prefeito de Parobé Diego Picucha.

Como o PDT não ultrapassou a cláusula de barreira, os deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. 

POLÍTICA E PODER