sexta-feira, 12 de junho de 2026

 Agro vê renegociação das dívidas como solução para além do governo Lula

Demora na solução do impasse amplia perdas no campo, com redução de investimentos e queda na área plantada, diz Ocergs

Demora na solução do impasse amplia perdas no campo, com redução de investimentos e queda na área plantada, diz Ocergs

Cleiton Ramão/IRGA/Divulgação/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterA aprovação do PL 5.122/2023, que cria um programa de renegociação das dívidas rurais, foi celebrada pelas entidades do agronegócio gaúcho, mas a percepção predominante no setor é que a medida ainda está longe de se transformar em uma solução concreta para os produtores. Um dia após a votação simbólica no Senado, lideranças do campo passaram a admitir abertamente que a proposta pode ter sido construída para ser executada apenas por um futuro governo.

A avaliação foi expressa pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes. Embora considere a aprovação um passo histórico, ele afirmou não acreditar que a atual gestão federal coloque a proposta em prática.
"Esse PL está sendo montado para ele entrar em funcionalidade, não é neste governo", afirmou ao Jornal do Comércio.

Segundo o dirigente, o texto aprovado cria as condições legais para uma futura renegociação em larga escala, mas o caráter autorizativo da proposta permite que o Executivo simplesmente não a execute.

"Ele vai autorizar, mas ele não vai dizer que tem que fazer. E este governo não vai fazer, a não ser que tiver um desgaste político muito grande."

A declaração sintetiza uma avaliação que ganhou força entre lideranças do agro após a votação de quarta-feira. Embora o Senado tenha aprovado o projeto e ampliado a pressão sobre o Palácio do Planalto, a resistência da equipe econômica permanece. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo poderá buscar mudanças na Câmara dos Deputados, vetar trechos da proposta e até questionar sua constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na visão da Farsul, a dificuldade vai além da discussão sobre custo fiscal.

"O governo federal não reconhece o problema do endividamento e não está fazendo absolutamente nada pelo produtor rural gaúcho e brasileiro", afirmou Lopes.

Mesmo diante desse cenário, o dirigente acredita que o Congresso seguirá avançando com a proposta.

"Eu não tenho dúvida nenhuma de que haverá veto presidencial e nós vamos derrubar o veto."

Questionado sobre a capacidade dos produtores em suportar um período ainda mais longo sem a solução desejada, o dirigente da Farsul foi direto: "Vamos ter de buscar alongamento e outras formas amparadas no Manual de Crédito Rural".
A leitura da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) é menos pessimista quanto aos próximos passos, mas também marcada pela preocupação com a falta de entendimento entre governo e Congresso.

Presidente da entidade, Eugênio Zanetti afirmou que a aprovação representou uma vitória importante para os produtores, mas avalia que a ausência de acordo com o Executivo prolonga a disputa.

"Essa é a minha maior preocupação, não ter esse acordo com o governo."

Segundo ele, a mobilização das entidades e dos parlamentares ligados ao setor ganhou força ao longo da tramitação do projeto e deve continuar durante a análise na Câmara dos Deputados.

Zanetti também criticou as alternativas defendidas pela equipe econômica para enfrentar a crise de endividamento.

"Não adianta fazer alguma coisa paliativa. A gente já teve várias medidas assim, que só empurraram o problema para a frente."

Ao comentar a proposta apresentada pelo governo durante as negociações, acrescentou:

"Isso aí não é resolver o problema, isso aí é botar a corda no pescoço do produtor."

Já o sistema cooperativo chama atenção para os efeitos econômicos que já começam a aparecer nas lavouras.

Presidente da Ocergs, Darci Hartmann defende que a renegociação seja tratada como uma política de recuperação econômica e não apenas como uma despesa pública.

"Eu não entendo isso como endividamento. Pelo contrário, eu entendo isso como um grande projeto de socorro."

Segundo ele, a falta de uma solução para o passivo financeiro dos produtores já afeta o planejamento das próximas safras.

"Hoje o produtor está olhando ainda para trás, tudo aquilo que ele precisa renegociar para que depois possa olhar para o futuro."

Hartmann argumenta que a situação compromete não apenas os agricultores, mas toda a cadeia econômica vinculada ao agronegócio.

"Existe uma região do País com absoluta dificuldade econômica por causa dos efeitos climáticos e ela precisa de apoio. Sob pena de dar uma crise generalizada."

O dirigente cita como exemplo a redução da área plantada de trigo no Estado. Segundo ele, estudos apontam retração superior a 30%, influenciada por diversos fatores, entre eles a deterioração da capacidade financeira dos produtores.

"Menos riqueza vai circular, menos produção nós vamos ter e a atividade econômica vai reduzir nessas regiões e no Estado todo."

Projeto Minha Cidade Tem um Porto é lançado na capital gaúcha

Ação busca aproximar população dos complexos portuários

Ação busca aproximar população dos complexos portuários

Dani Barcellos/ESPECIAL/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
Foi lançado nesta quinta-feira (11), no Cais Mauá da capital gaúcha, o projeto Minha Cidade Tem um Porto. A ação, que busca melhorar a conexão entre a sociedade e as áreas portuárias, foi realizada pelo Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), com apoio da Portos RS, do governo gaúcho, Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da prefeitura porto-alegrense.
O diretor de relações institucionais da Portos RS, Sandro Boka, lembra que o embrião do programa ocorreu na cidade de Rio Grande, onde a iniciativa já está no seu segundo ano. Ele ressalta que a iniciativa é um resgate de pertencimento e do orgulho das pessoas terem um porto na sua cidade.
"Os portos no mundo inteiro sempre ficaram muito voltados do muro para dentro e isso está mudando", frisa o dirigente. Para Boka, complexos portuários podem ser indutores de desenvolvimento, de geração de emprego e uma ligação com o poder público e a sociedade.
Em Porto Alegre, Boka adianta que uma das primeiras ações dentro do projeto será a realização de um jogo com perguntas e respostas relativas às atividades de um porto, com estudantes de escolas atingidas pela enchente de 2024. Ele revela que o próximo passo será realizar uma edição da iniciativa em Pelotas, o que deve ocorrer no segundo semestre deste ano.
Já a presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal, enfatiza que há muita ligação entre os setores de energia e o portuário, havendo vasto potencial para parcerias. Ela ressalta que, dentro de medidas de descarbonização, é possível mudar a essência dos portos. "Utilizar energia renovável é a semente", afirma a dirigente.
Daniela argumenta que, mais adiante, uma possibilidade é usar o hidrogênio verde como combustível de máquinas como empilhadeiras e dragas. “Mas para isso é preciso ter uma aceitação social e mudar a dinâmica dos portos”, conclui a representante do Sindienergia-RS.

Prefeitura quer ocupar todos os viadutos de Porto Alegre com empreendimentos comerciais

Viaduto José Eduardo Utzig na avenida Benjamin Constant, na Zona Norte, possui duas áreas para adoção

Viaduto José Eduardo Utzig na avenida Benjamin Constant, na Zona Norte, possui duas áreas para adoção

Cristine Rochol/PMPA/Divulgação/JC

Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórterAté o final deste ano, a prefeitura de Porto Alegre pretende que todos os viadutos da cidade estejam ocupados por algum tipo de empreendimento comercial, segundo informações do secretário municipal adjunto de Parcerias, Fabiano Rheinheimer, ao destacar que nesses espaços públicos a ideia é que a população possa circular com segurança e que ocorra a geração de emprego e renda. "O nosso objetivo é combater a criminalidade e o abandono das estruturas", ressalta.

O secretário explica que três viadutos tradicionais da cidade - José Loureiro da Silva, entre as avenidas João Pessoa e Salgado Filho, no Centro Histórico, Obirici, na avenida Assis Brasil, e José Eduardo Utzig, na avenida Benjamin Constant, ambos na Zona Norte, tiveram os editais lançados pela Secretaria Municipal de Parcerias (SMP). De acordo com Rheinheimer, a proposta é selecionar empresas interessadas em adotar as três estruturas. Como contrapartida, os empreendedores ficarão responsáveis pela manutenção e conservação das áreas. Os adotantes poderão instalar empreendimentos sem o pagamento de aluguel. Os editais para adoção dos três viadutos foram publicados na quarta-feira (10), no Diário Oficial de Porto Alegre.
Localizado entre as avenidas Assis Brasil e Plínio Brasil Milano, o viaduto Obirici conta com dois espaços disponíveis, de aproximadamente 200 metros quadrados e 500 metros quadrados. Na estrutura do José Eduardo Utzig, situado na avenida Benjamin Constant, na Terceira Perimetral, são duas áreas, com cerca de 360 metros quadrados e 1.180 metros quadrados. Já o viaduto José Loureiro da Silva dispõe de um espaço de cerca de 95 metros quadrados.

Conforme o secretário, a região do Obirici já conta com lanchonete, floricultura e barbearia. "São pequenos empreendedores que ajudam a movimentar o entorno e qualificam o espaço público. Queremos ampliar esse modelo para os viadutos Loureiro e Utzig, incentivando a ocupação de áreas atualmente subutilizadas", explica. O secretário adjunto de Parcerias diz que os três viadutos poderão receber negócios diversos como cafeterias, barbearias e gastronomia. No edital, serão priorizadas estruturas móveis como contêineres para facilitar a ocupação e possíveis mudanças. "A iniciativa busca transformar áreas antes degradadas em pontos de convivência seguros e úteis para a população", comenta.
Rheinheimer disse que as adoções terão validade de um a quatro anos, com possibilidade de prorrogação por igual período. Os empreendimentos deverão funcionar em estruturas do tipo contêiner. Os interessados devem encaminhar suas propostas até o dia 10 de julho para o e-mail apoiepoa@portoalegre.rs.gov.br ou entregá-las presencialmente na Secretaria Municipal de Parcerias, na rua General João Manoel, 157, 13º andar.
As principais novidades são a definição de prazo de validade dos editais, fixado em um ano, além da criação de cadastro de reserva dos participantes. O mecanismo permitirá o aproveitamento de propostas que atingirem a pontuação mínima exigida pela comissão avaliadora, possibilitando a convocação de novos adotantes em casos de desistência ou cancelamento. 
Viaduto José Loureiro da Silva, na avenida João Pessoa com Salgado Filho, possui um espaço com aproximadamente 95 metros quadrados | Cristine Rochol/PMPA/Divulgação/JC
Viaduto José Loureiro da Silva, na avenida João Pessoa com Salgado Filho, possui um espaço com aproximadamente 95 metros quadradosCristine Rochol/PMPA/Divulgação/JC