sexta-feira, 10 de julho de 2026

10 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Zoo da memória

Eu recebi um questionário do meu amigo José Klein, no WhatsApp, e criei uma adaptação literária, ampliando o repertório.

Você pode determinar a sua idade pelo zoológico da memória. Quanto mais bichos e feras habitarem as suas lembranças, mais velho você é.

Não percebemos a enormidade de expressões populares que carregam animais. Do arco da Velha à Arca de Noé.

Complete:

1. Não conte que ganhou um dinheirinho a mais: não alerte os .

2. O inverno promete temperaturas abaixo de zero, com um frio de renguear o .

3. Não interfiro nas discussões dos chefes. Guaipeca não se mete em briga de grande.

4. Os motoristas começaram a se provocar na sinaleira, até que um deles ameaçou descer do carro. Preteou o olho da .

5. Ele achava que o concurso seria barbada, não revisou a prova e deu com os n?água.

6. Eu me espantei com a notícia: me mordam.

7. Não esperava que ela soltasse a na festa da firma e bebesse que nem um .

8. Resolvi os problemas com apenas um telefonema: matei dois com uma cajadada só.

9. O que passou, passou. Não adianta se lamentar, chorar a morte da .

10. No Gre-Nal, a vai fumar.

11. Minha mãe dançou Macarena no elevador. Paguei ao seu lado.

12. Meu colega implicava com quem chegava na sala. Acordou com a .

13. Depois de uma série de derrotas, quando a_________ torce o rabo, sempre é o técnico que paga o .

14. Não acredito no arrependimento dos envolvidos no caso do Banco Master, são lágrimas de .

15. A loja recém-inaugurada não tinha nenhum freguês, estava entregue às .

16. É incrível como se lembra de tudo, tem memória de .

17. Nunca deixe de defender seus interesses em qualquer aproximação: puxe a brasa para a sua .

18. Foi enganado pela pressa: comprou por lebre.

19. A íris da Mona Lisa é misteriosamente indefinida: parece cor de quando foge.

20. Eu jurava que a Seleção Brasileira iria mais longe na Copa, mas, diante da Noruega, ela caiu do .

21. A estreia do filme no cinema foi um fiasco, com alguns pingados.

22. Suspensórios e gravatas-borboleta são do tempo do .

23. Não tente pela enésima vez. Tire o da chuva.

24. Cada um dá um pouco na arrecadação. Que tal fazer uma online?

25. Ele se enfureceu com a piada: soltou os .

26. A casa para alugar se encontrava num estado lastimável, largada às .

27. Mostrou-se desconfiado no rumo da prosa, com atrás da orelha.

28. Não se afobe! Tenha calma. Não coloque a carroça na frente dos .

29. Não me amole! Saia de perto. Vá pentear .

30. É segredo, não espalhe para ninguém: boca de .

31. Não pegou o guarda-chuva na hora de ir ao trabalho. Acabou molhado como um .

32. Por que você aguenta ser tão humilhado em público? Pare de engolir .

33. Já nasci sofrendo bullying na maternidade, era chamado de chupando manga.

34. Aquele que julga demais os outros costuma ser um em pele de cordeiro.

35. Não fique feito em carniça, imaginando o pior.

36. Não mudarei de opinião, nem que a tussa.

Se você conseguiu preencher todas as lacunas, como eu, parabéns pela longevidade. É um dinossauro. Há uma selva na linguagem, e você é da época em que se assistia ao seriado Tarzan, com Ron Ely, no televisor preto e branco.

Respostas: 1. Gansos ? 2. Cusco ? 3. Cachorro ? 4. Gateada ? 5. Burros ? 6. Macacos ? 7. Franga / Gambá ? 8. Coelhos ? 9. Bezerra ? 10. Cobra ? 11. Mico ? 12. Macaca ? 13. Porca / Pato ? 14. Crocodilo ? 15. Moscas ? 16. Elefante ? 17. Sardinha ? 18. Gato ? 19. Burro ? 20. Cavalo ? 21. Gatos ? 22. Onça ? 23. Cavalinho ? 24. Vaquinha ? 25. Cachorros ? 26. Traças ? 27. Pulga ? 28. Bois ? 29. Macacos ? 30. Siri ? 31. Pinto ? 32. Sapos ? 33. Cão ? 34. Lobo ? 35. Urubu ? 36. Vaca

CARPINEJAR

10 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Pizza

Hoje é Dia da Pizza. Essa data foi criada nos anos 1980 por um secretário de Turismo de São Paulo com um objetivo simples: celebrar e divulgar ainda mais um dos pratos mais populares do planeta.

Onde quer que a gente vá, há uma pizza esperando. A receita nasceu na Itália, claro, mas conquistou o mundo inteiro. E talvez o segredo esteja justamente na simplicidade: massa, molho e alguma coisa por cima. Parece pouco. Mas, quando tudo é bem feito, vira uma experiência inesquecível.

Dentro desse universo existem muitas variações. E tudo começa pela base: a massa. A mais gostosa que já comi é de uma pizzaria de São Paulo que usa uma técnica que lembra massa folhada. Nem sei explicar direito. O que sei é que ela faz um leve "crack" quando a gente morde. É fina, delicada, leve e crocante na medida certa. Um respiro interessante em tempos de obsessão pela fermentação natural, que, confesso, nunca me conquistou completamente.

A segunda peça fundamental é o molho de tomate. Para mim, pizza de verdade tem que ter molho e, de preferência, um molho generoso, daqueles em que ainda se percebem pequenos pedaços de tomate. A forma como ele é distribuído sobre a massa também faz diferença. Não sou fã de borda recheada, mas admiro aquela pizza em que o molho quase escorre até o limite do disco. Aquele "quase" que evita bordas secas e sem graça. É uma arte.

Há ainda um elemento que considero indispensável: queijo. Independentemente do recheio, um bom queijo transforma qualquer pizza. Meu favorito sempre será o provolone. O toque defumado tem uma personalidade difícil de superar. Segurar a fatia com a mão, dar uma mordida e ver o queijo esticar enquanto os dedos se afastam da boca é um dos espetáculos mais bonitos da gastronomia.

E os recheios? Aqui peço desculpas aos italianos mais tradicionais, mas gosto de sabores surpreendentes e coberturas generosas. As versões minimalistas ficam até melancólicas ao lado de uma pizza brasileira cheia de catupiry.

Não sou adepto de carne de gado na pizza. Mas frango, quatro queijos, portuguesa, milho com bacon... Sou apaixonado. Pizza boa é aquela em que, ao pegar a fatia com a mão, uma parte do recheio ameaça escapar. Pizza, para mim, tem que transmitir fartura. Adoro receber a caixa do motoboy e sentir que ela está pesada.

E nem vou perder tempo comparando nossas pizzas doces às de outros lugares do mundo. Afinal, quantos países podem se orgulhar de criar uma pizza de pudim? Só isso já é um excelente motivo pra ter orgulho de ser brasileiro. 

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

10 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

No aguardo da renegociação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, que o governo federal deve editar, até o início da próxima semana, uma medida provisória (MP) sobre os termos para a renegociação das dívidas rurais no país. O tema é de especial interesse dos agricultores do Rio Grande do Sul, atingidos por uma sequência de estiagens nos últimos anos e pela enchente de 2024. Espera-se que o assunto tenha uma solução definitiva, encerrando um impasse que se arrasta desde o início de 2025, quando uma nova colheita frustrada pela falta de chuva escancarou o quadro de ruína no campo.

Conforme o ministro, o texto seria fruto de um acerto com o setor e a bancada ruralista no Congresso. Ainda ontem existiam arestas a serem aparadas, como questões relacionadas ao juro. Aguarda-se que a MP prometida confirme ser fruto de um consenso. Segundo Durigan, se buscará um equilíbrio entre o conteúdo do Projeto de Lei 5.122, que tramita no parlamento e é defendido pelas lideranças do segmento, e o esforço orçamentário possível para o governo. Com bom senso de parte a parte, é possível construir uma solução que signifique uma luz no fim do túnel para milhares de agricultores que hoje não teriam como honrar seus compromissos. Essa impossibilidade não foi causada por má gestão, mas por uma repetição inaudita de eventos climáticos extremos na primeira metade da década.

O governo resiste às condições do Projeto de Lei 5.122 pela previsão de uso do Fundo Social do Pré-Sal e por considerá-las onerosas demais para os cofres públicos, mas, ao que parece, cedeu em alguns pontos. Um deles é a possibilidade de quem teve perdas severas comprovadas por fatores climáticos ter um tratamento diferenciado, com prazo de pagamento de 10 anos e dois de carência, sem necessidade de entrada. Também transigiu parcialmente com a demanda de incluir agricultores que tiveram perdas relacionadas a oscilações de mercado, como queda de preços. Esses, no entanto, não terão termos tão vantajosos. Assim, o custo para o Tesouro com a equalização do juro seria de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões anuais e o volume renegociado de dívidas poderia chegar a mais de R$ 100 bilhões. Há a promessa ainda de flexibilizar as garantias para essa repactuação.

É preciso esperar que o otimismo do ministro não se mostre exagerado e seja possível chegar a um consenso que garanta condições aceitáveis de renegociação, nos limites suportáveis pelo Tesouro. Deve-se reconhecer, de qualquer forma, que a mobilização dos agricultores gaúchos, a partir do ano passado, vem produzindo resultados na busca por uma solução para a crise no campo. Sem uma saída, milhares de propriedades, de todos os portes, serão inviabilizadas.

A urgência é dar sobrevida a quem teve vários anos de perda de faturamento sem alívio nas contas, em meio a um período de alta de custos de produção e retração dos preços das commodities - uma conjuntura fatal para qualquer tipo de negócio. Mas também é prioridade encontrar meios, como os relacionados à irrigação e ao seguro agrícola, para que o mesmo cenário de frustração de safra e endividamento não se repita. Está claro que as safras de verão no Estado não podem mais contar somente com a água que cai do céu. 

OPINIÃO RBS

10 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Pressão do RS levou governo a editar MP

Foram duas semanas de reuniões e negociações até que saísse a confirmação de que o Palácio do Planalto editará uma medida provisória (MP) para renegociar as dívidas dos agricultores. O texto final deve ser concluído até a próxima segunda-feira e publicado até quarta, segundo previsão do líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

Depois de aprovado com alterações no Senado, sob pressão da bancada gaúcha e até do governador Eduardo Leite, o projeto de lei (PL) 5.122/2023, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento aos agricultores, voltou à Câmara para deliberação sobre as mudanças no texto.

Em um encontro com Pimenta e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou preocupação por considerar o projeto uma "bomba fiscal".

- Ele disse que o projeto como veio do Senado não teria como ser votado, porque deixava totalmente aberto para os produtores de todo o Brasil, e não apenas para os que foram atingidos por problemas climáticos - relatou Pimenta.

Na discussão da nova proposta, Pimenta insistiu que fossem garantidas condições especiais aos afetados por crises ambientais.

No dia 30 de junho, agricultores participaram de reunião com a bancada gaúcha para pressionar pela aprovação do PL. No encontro, os deputados Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo) e Afonso Hamm (PP) demandaram ao líder do governo que cobrasse a base para acelerar a tramitação da pauta.

O petista cedeu e concordou em garantir apoio a todos os produtores com perda comprovada de renda, desde que houvesse melhores condições àqueles afetados por eventos climáticos.

- Temos nossas diferenças e posicionamentos distintos. Mas precisamos colocar a ideologia de lado e nos unirmos quando os temas forem de interesse dos gaúchos e das gaúchas - afirmou Zucco. _

Estado manda licitação para a PGE

O governo do Estado decidiu submeter a licitação para contratar duas empresas de comunicação digital à análise da Procuradoria-Geral do Estado. O caso repercutiu depois que as agências Escala e HOC apareceram como as primeiras colocadas na abertura dos envelopes, no dia 1º de julho.

A HOC tem como CEO o publicitário Fabio Bernardi, que fez a campanha de Eduardo Leite em 2022 e integra a equipe do pré-candidato Gabriel Souza, atual vice-governador. Deputados de oposição chegaram a protocolar um pedido de CPI. _

Futuro da última "brizoleta" da Capital gera preocupação

Defensor antigo da manutenção da Escola Estadual Maria Thereza da Silveira, o vereador Pedro Ruas (PSOL) se surpreendeu com a informação de que parte do imóvel será incluído em uma negociação do governo do Estado com uma construtora. A sexagenária escola é a última das "brizoletas" em Porto Alegre.

No final do ano passado, a Secretaria de Educação anunciou a retomada das atividades no prédio da escola, fechada desde 2023. Inicialmente, com cursos rápidos e apresentações culturais. A partir do próximo ano, a instituição se transformará na Escola Técnica em Audiovisual e Economia Criativa.

Em nota, o Estado garantiu que a negociação com a construtora preservará "integralmente a área responsável pelo funcionamento da escola e não afetará o desenvolvimento das atividades pedagógicas no local". _

Redação final do Plano Diretor vai ser entregue hoje a Melo

Após meses de debates, negociações e votações, está finalizada a redação dos dois projetos que atualizam o Plano Diretor de Porto Alegre. Os textos serão entregues pelo presidente do Legislativo, Moisés Barboza (PSDB), ao prefeito Sebastião Melo às 9h de hoje, na prefeitura.

A partir de então, começará a contar o prazo de 15 dias para Melo decidir se sanciona integralmente os projetos ou se veta algum trecho. Nesse caso, apenas os trechos questionados voltarão ao Legislativo para nova análise. 

Na quarta-feira, Hugo Motta se reuniu novamente com representantes do governo para conhecer a minuta da MP, com prazos, juros e condições. Depois, ligou para integrantes da bancada ruralista no Congresso para pedir opiniões.

Em nota, o Piratini informou que ainda não há um resultado definitivo pois o certame está em etapa recursal. Mesmo assim, decidiu encaminhar o processo para a PGE antes de avançar qualquer etapa.

POLÍTICA E PODER

10 de Julho de 2026
EM FOCO - Marcelo Gonzatto

EM FOCO

Trabalhos em quatro trechos do Arroio Dilúvio chegaram a 30%, com expectativa de finalização para o fim do ano. O que está em aberto, porém, é a definição de quando todas as deficiências da estrutura, ao longo da avenida, estarão resolvidas. Três outros pontos já foram entregues

Avançam obras nos taludes, mas previsão de conclusão total é incerta

A recuperação de quatro trechos dos taludes do Arroio Dilúvio, localizados próximo ao campus da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), em Porto Alegre, alcançou 30% de conclusão. Essa obra deverá ficar pronta até o final do ano, mas ainda não há previsão de quando todas as deficiências da estrutura com cerca de 20 quilômetros de extensão serão recuperadas.

Três outros pontos já foram reformados e entregues e, além da etapa atualmente em execução, mais quatro trechos que estão em fase de projeto deverão ser iniciados nos próximos meses (veja lista ao lado). O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou que não há uma previsão de entrega de todos os locais porque "o cronograma é definido com base em critérios técnicos do Dmae e de mobilidade urbana", já que as intervenções também provocam interferência no trânsito.

A prefeitura já investiu R$ 6,8 milhões na recomposição das margens do arroio, dos quais R$ 2,6 milhões são relativos aos quatro locais atualmente em obras. O diretor-geral do Dmae, Vicente Perrone, afirma que o município já tem garantidos outros R$ 29 milhões via financiamento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para estender as melhorias a novas áreas dos taludes - que seguem apresentando deficiências em outros setores.

- Finalizando a obra na região da PUCRS, a gente prioriza outros pontos. Vamos elencar as prioridades com base em três quesitos: criticidade, impacto no trânsito e se tem ciclovia - revela Perrone.

De cerca de 80 pontos com algum grau de fragilidade mapeados pelo Dmae, é preciso encaminhar solução para cerca de 70 deles. A ideia é ir realizando as obras em sequência. Como as estruturas de contenção se estendem ao longo dos dois lados da Avenida Ipiranga, que tem cerca de 10 quilômetros de comprimento, somam aproximadamente 20 quilômetros de barreiras.

Segundo o Dmae, hoje as equipes estão atuando simultaneamente em dois pontos localizados junto à ponte da Rua Professor Cristiano Fischer (outros dois locais, mais próximos ao campus da PUCRS, receberão reforço estrutural). Considerada a etapa mais complexa do trabalho, essa fase inclui a cravação de estacas metálicas para a recuperação do talude localizado ao lado da ciclovia da Avenida Ipiranga.

Os taludes sofreram desmoronamentos depois de chuvas intensas registradas em 2023 e 2024. Neste período, a Capital enfrentou três cheias, incluindo a enchente histórica de maio de 2024. Para reduzir o risco de novos problemas, o Dmae contratou estudo técnico para nortear as melhorias.

Impacto no trânsito

Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a faixa da esquerda da avenida Ipiranga, no sentido Centro-bairro, permanecerá bloqueada de forma contínua até o término das obras, nas proximidades da Rua Professor Cristiano Fischer. A segunda faixa será bloqueada diariamente, das 8h às 17h. A ciclovia foi desviada para o passeio, junto à calçada da PUCRS, garantindo a continuidade do deslocamento dos ciclistas com segurança.

A EPTC orienta motoristas e demais usuários da via a redobrar a atenção ao transitar pelo trecho, respeitando a sinalização e as equipes em operação. As condições de trânsito poderão sofrer alterações ao longo do dia. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

09 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Excessivamente humano

Os argentinos são tão metidos quanto nós, tão vaidosos quanto nós, tão confiantes quanto nós, tão megalomaníacos quanto nós. Mas, diferentemente de nós, jamais se rendem a um fracasso. Veja o que fizeram com o Egito, revertendo um placar de 2 a 0 nos 20 minutos derradeiros, com uma adoração à garra, com uma entrega incondicional, com um nacionalismo passional, com uma loucura contagiosa.

Tivemos os mesmos 20 minutos para mudar o resultado contra a Noruega e não suamos sangue como eles. Acolhemos o golpe e nos despedimos com antecedência. Costumamos desistir antes do apito final. O improvável nos convence rapidamente. Somos servis à realidade adversa.

Se Pelé era de outra galáxia, Messi nos comove por uma genialidade profundamente humana, à imagem e semelhança de seus conterrâneos. Um general que se destaca sendo soldado na linha de frente, oferecendo o exemplo de sacrifício.

Ele é o ídolo da superação. Luta contra o seu corpo de 39 anos, contra o cansaço, contra o desânimo dos seus colegas, contra o rival. Duela com unhas e dentes contra o fim, o adeus, a aposentadoria simbolizados na desclassificação. Ao negar a morte, revela-se um sujeito comum.

Não é um extraterrestre. Jamais perde a conexão com o nosso mundo, privilegiado por um hiperfoco. Dá a volta por cima. Junta o fôlego para se recuperar dos tropeços e transformá-los em redenção. O que leva o torcedor a explodir de um sentimento de justiça, regurgitando em pesados decibéis o grito engasgado.

É mortal no revés e na glória. É aquele que erra um pênalti, mostrando que qualquer um está propenso a um lapso, e se vinga com um golaço, mostrando que qualquer um pode se redimir. Messi aparenta estar alheio ao comportamento dominante de desaparecer pelo desperdício de uma penalidade. Já falhou em quatro das oito cobranças nas suas participações no Mundial, num retrospecto risível de 50% de aproveitamento.

Ele cresce no ocaso, encontra o auge mental no esgotamento físico. Ao festejar a reação, desferiu um emblemático soco no ar, à moda de nosso Rei do Futebol. Foi um salto sobre si próprio: a euforia de ter ido novamente além de seus limites.

Ele atinge a plenitude de sua técnica pelo esforço mundano. Marcou em todas as partidas da Copa de 2026. Tanto que é o recordista da história da competição com 21 gols - experimentando sucessivas quebras de expectativas.

Esconde a bola como um prestidigitador em sua canhota, e a bola ressurge de repente dentro das redes, para espanto do arqueiro. É a mágica derivada da aplicação tática, da dedicação geoespacial, um trunfo da mortalidade vivida ao extremo.

Gera uma inveja planetária a todos que não são argentinos. Uma inveja que culmina numa admiração contrariada. É impossível não amar Messi, por mais que o odiemos, cheios de raiva e rancor porque ele não farda as cores de nossa bandeira.

Pelé e Garrincha são incomparáveis, Messi e Maradona são igualmente de cepas distintas. Os dois duetos são capazes de conquistar Copas: exércitos de um homem só. É possível alegar que o Egito acabou desfavorecido: o que valia para a Seleção Argentina não valia para ele. Entretanto, não há como não reverenciar a busca dos hermanos pela ressurreição até o último minuto. São campeões e se portam como campeões.

É quase inútil secá-los. Eu comemorei a derrota deles antecipadamente e me frustrei, e apaguei as mensagens enviadas aos amigos. Conclamo meus compatriotas a empregar um novo método: torcer pela Argentina contra a Suíça. Vá que a secação reversa funcione. 

CARPINEJAR

09 de Julho de 2026
ROGER LERINA

O plebiscito de todos os dias

Uma cidade não é representada somente por desenvolvimento urbanístico, obras viárias grandiosas, shoppings imponentes, edifícios que desafiam o Plano Diretor e muitas, muitas farmácias. A alma de uma comunidade está escrita também e sobretudo em suas muitas histórias, preservadas na memória e no relato das pessoas que convivem naquele lugar.

Nesta quinta-feira, chega gratuitamente ao YouTube o documentário Sereno Canto - Contos dos Cantos da Cidade, nova etapa de um projeto idealizado pelo músico e psicólogo Thiago Ramil. Criada em 2012 em parceria com o também psicólogo Raul Jung, a iniciativa começou com atividades em casas de acolhimento, a fim de contribuir com o sono de crianças atendidas nesses locais, virou podcast, contação de histórias e canções, deu origem em 2023 a um álbum visual e em 2024 ao belo livro Sereno Canto Histórias e Canções. Neste atual desdobramento, o acalanto artístico quer envolver não apenas os pequenos, mas Porto Alegre inteira.

O excelente filme idealizado por Thiago e dirigido por Lucas Moraes recolhe os depoimentos de um grupo de personagens cuja trajetória conecta-se com a capital gaúcha: Iracema Gãh Té, indígena Kaingang; Mestre Paraquedas, figura histórica do samba e do Carnaval locais; Nina Fola, artista, socióloga e ativista cultural negra; Loua Pacôm Oulaï, imigrante marfinense, artista e contador de histórias; e Eva Schul, bailarina e coreógrafa que é referência nacional em dança contemporânea. 

Cinco perspectivas singulares da memória urbana, um punhado de narrativas que mostram as múltiplas formas como Porto Alegre é vivida e contada. Esse mergulho no nosso patrimônio imaterial por meio de vozes que costumam ficar à margem dos discursos oficiais é ilustrado por preciosas imagens de arquivo mostrando as mudanças na paisagem da cidade ao longo do tempo.

O historiador e filósofo Ernest Renan (1823 - 1892) celebrizou o conceito de nação como fruto de um pacto diário. Segundo o pensador francês, o desejo de viver junto e a valorização da herança recebida estreita os laços das sociedades - uma liga, porém, que precisa ser constantemente renovada: "A existência de uma nação é um plebiscito de todos os dias". Esse princípio universal pode ser adaptado para o quintal aqui de casa: nosso lugar no mundo não é apenas um porto físico, mas um "cais de encontros", como define Thiago Ramil, cujas histórias devem ser sempre contadas - mesmo na voz baixa de um acalanto. 

ROGER LERINA

09 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

À espera de uma saída equilibrada

A decisão do governador Eduardo Leite desta semana de vetar o fim da taxa de licenciamento para veículos no Estado, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa em junho, abriu uma frente de atrito entre o Piratini e o parlamento. A oposição se articula para derrubar o veto do Executivo. A própria base governista, afinal, cerrou fileiras a favor da extinção do pagamento de R$ 114,09 por motoristas proprietários pela emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV).

Há boas razões para justificar as posições em cada lado da contenda. Faz sentido a alegação do autor da proposta, o deputado Rodrigo Lorenzoni (PP), de que com a digitalização do documento não existem mais os gastos com papel-moeda para a produção do documento e com o envio do certificado físico pelos correios. 

Uma das vantagens dos serviços digitais é a redução de custos, o que no caso do setor estatal deveria se refletir em menor oneração aos contribuintes. Eliminam-se, afinal, desembolsos com papel, impressão, manuseio, expedição postal e espaço para acondicionamento. E os cidadãos brasileiros já são sobrecarregados de impostos, taxas e contribuições que pagam sem uma contrapartida adequada por parte do poder público.

O Palácio Piratini, de outra parte, também exibe argumentos razoáveis. Mesmo a emissão digital tem custos, ainda que menores. Conforme o governador Eduardo Leite, o fim da taxa faria com que o Estado perdesse de forma abrupta uma receita de R$ 750 milhões a partir de 2027, sendo que parte desse valor, R$ 250 milhões, irriga o Fundo Estadual de Segurança Pública. Pode-se questionar a conformidade desse uso, mas não há dúvida de que o devido aparelhamento das polícias é uma política necessária para o combate à criminalidade. Esses recursos perdidos teriam de ser cobertos com o remanejamento de verbas, ou então os investimentos na área cairiam.

Convém pontuar ainda que o Estado, mesmo tendo deixado no passado o período de finanças caóticas, com atraso de salários e de pagamento de fornecedores, continua a enfrentar um quadro orçamentário desafiador. O próximo ano será particularmente adverso. 

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 apresentado pelo Piratini estima um déficit de R$ 4,8 bilhões. O Estado será pressionado pela volta do pagamento da dívida com a União, pelas contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e pelos acordos com o Ministério Público para o cumprimento dos gastos mínimos constitucionais com saúde e educação.

É natural que, nesse contexto, o Executivo se oponha a uma perda de arrecadação repentina. Em Santa Catarina, Estado que vive uma situação financeira mais saudável, com argumentos parecidos o governador Jorginho Mello (PL) também vetou em fevereiro uma lei semelhante aprovada pela Assembleia local.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, na terça-feira, Eduardo Leite se disse disposto a "conversar, dialogar, construir alternativas". É com esse espírito que o Executivo e a Assembleia podem encontrar uma solução sensata e responsável para o impasse, assegurando algum alívio para os proprietários de veículos, sem criar embaraços maiores para a saúde ainda frágil das finanças gaúchas. 

09 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Pré-candidatos aquecem para a campanha

Os pré-candidatos ao governo do Estado devem aproveitar os últimos dias antes do início oficial da campanha para compromissos no Interior, encaminhar planos de governo e dar início à captação de materiais para divulgação das candidaturas. O período de convenções partidárias vai de 20 de julho a 5 de agosto, 10 dias antes do início efetivo do período eleitoral.

Gabriel Souza (MDB) tem uma das agendas mais intensas, pois tem de conciliar os compromissos de vice-governador com as demandas da pré-candidatura. Além dos encontros partidários, as participações em debates e painéis ocupam boa parte do tempo do emedebista.

Afeito aos estudos, Gabriel não se furta de reservar tempo para se preparar para os assuntos que serão abordados em cada evento. Até a convenção do MDB, marcada para 1º de agosto, o vice-governador vai participar dos últimos encontros do movimento Vozes do Rio Grande - a partir do qual está sendo elaborado o plano de governo, já em fase final - e seguirá com a gravação de conteúdos focados para as redes sociais.

À esquerda, Juliana Brizola (PDT) mantém o ritmo de agendas pelo Interior, apresentando o movimento Coração Gaúcho em diversas regiões. Com mais tempo disponível por não ocupar cargo eletivo, a pedetista tem mantido agendas mais individuais com empresários e representantes de setores estratégicos do Estado.

A partir da próxima semana, Juliana vai intensificar as reuniões dedicadas a estudar o plano de governo, que vem sendo elaborado para a chapa da esquerda, e planeja fazer imersões temáticas sobre as propostas com a equipe de comunicação, com quem vai alinhar estratégias de divulgação da candidatura e fará gravação de materiais para a campanha. A convenção do PDT está marcada para o dia 25 de julho.

Também com mandato ativo, o deputado Luciano Zucco (PL) tem dividido as semanas entre idas a Brasília, onde participa de sessões na Câmara e articula a votação de pautas prioritárias, e as viagens pelo Interior para se apresentar como alternativa ao Palácio Piratini. O caso mais emblemático foi a ausência no debate promovido pela Federasul, em que Zucco optou por articular a aprovação da renegociação das dívidas dos agricultores no Senado.

O PL fará convenção em 22 de julho. Até lá, o pré-candidato focará em agendas internas da campanha, como a organização do comitê. Zucco também planeja fazer imersões no plano de governo e, ainda esta semana, deve fazer as fotos oficiais da campanha.

Mesmo em desvantagem nas pesquisas, Marcelo Maranata (PSDB) segue motivado pelo histórico do Estado de eleger "zebras". Nos próximos dias, os compromissos vão se concentrar em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

O tucano lança no domingo sua "Maranatona", primeira mobilização digital da campanha, enquanto sua equipe finaliza os últimos detalhes do plano de governo. A convenção será no dia 30 de julho. _

Melo vistoria novas comportas

do sistema de proteção da Capital

Desde que a cheia do Guaíba em 2024 rompeu barreiras de proteção de Porto Alegre e expôs os problemas do sistema de contenção de enchentes, o prefeito Sebastião Melo garantiu que uma das ações emergenciais seria o fechamento definitivo ou reforma das comportas.

Ontem, Melo fez questão de acompanhar o teste das novas estruturas no dique da Avenida Castelo Branco, que marcou a conclusão das obras de modernização das passagens móveis.

Foram mais de R$ 11 milhões investidos. Das 14 comportas, oito foram definitivamente fechadas, substituídas por estruturas de concreto armado. Além das duas entregues agora, outras quatro foram reformadas e modernizadas. _

Caiado tenta reforçar palanque no RS com agenda no Interior

Pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) virá ao Rio Grande do Sul na próxima semana para a segunda edição do evento O Brasil do Futuro, em Passo Fundo. Promovido pela Atitus Educação, o evento reunirá integrantes do Comitê de Entidades Empresariais para ouvir ideias e propostas do presidenciável.

A primeira edição foi em abril, com a presença de Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo.

Caiado deverá estar acompanhado do vice-governador e pré-candidato a governador, Gabriel Souza (MDB). Além de Passo Fundo, estão sendo negociadas agendas de Caiado em Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana. _

Fiergs questiona postulantes sobre 6x1, ICMS e alianças

Nos encontros a portas fechadas com a direção da Fiergs na terça-feira, os pré-candidatos a governador Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) responderam a questões elaboradas por líderes do setor. A primeira pergunta, endereçada aos três, foi se apoiam a criação do Fundo Constitucional do Sul e Sudeste. Todos responderam "sim".

A Fiergs também preparou uma questão específica para cada um. Para Zucco, por exemplo, o tema foi o fim da escala 6x1. Ele alegou que votou favorável à PEC na Câmara na expectativa de que outra proposta, que institui o regime de trabalho baseado em horas trabalhadas, também avançasse.

Para Juliana, a questão envolveu o comando de um eventual governo dela e a gestão dos partidos aliados de esquerda. Na resposta, ela se disse de centro­esquerda e que um eventual governo será comandado pelo PDT.

Para Gabriel, a pergunta remeteu à tentativa de aumento de ICMS no governo Eduardo Leite e à perspectiva tributária para a próxima gestão. O emedebista se comprometeu a não aumentar impostos e argumentou que a medida apresentada por Leite visava ampliar os recursos para o Estado diante das regras de transição da reforma tributária. _

O União Brasil estuda lançar o vice-prefeito de Canoas, Rodrigo Busato, a deputado estadual. Sem representante do terceiro maior município do Rio Grande do Sul há 12 anos na Assembleia, aliados querem fortalecer a articulação por recursos e projetos do governo estadual.

Tudo igual na disputa nacional

A divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-­RJ) teve pouco impacto sobre o cenário da disputa presidencial, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem.

Na simulação de segundo turno entre Flávio e o presidente Lula (PT), o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio, uma oscilação em relação ao fim de maio (46,5% a 41,4%). _

POLÍTICA E PODER
09/07/2026
 INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O cessar-fogo, na prática, nunca existiu

O acordo entre Estados Unidos e Irã acabou, diz Donald Trump. Na verdade, tal acordo, na prática, nunca existiu.

Trump diz que o acordo acabou, mas um acordo pressupõe que os principais pontos de divergência tenham sido resolvidos. No caso do Oriente Médio, eles apenas foram adiados.

O principal problema do acerto é que nunca ficou definido o que seria feito com a questão nuclear, motivo pelo qual foram deflagradas duas guerras - a de 12 dias, no ano passado, e a iniciada em 28 de fevereiro de 2026.

O cessar-fogo interrompeu os bombardeios por algumas semanas, mas nunca ficou definido se o Irã poderia continuar enriquecendo urânio, qual seria o limite permitido, quem fiscalizaria, quais sanções seriam suspensas e qual seria o cronograma.

O acordo nem sequer criou mecanismos de implementação. Era falho também por isso. Não havia calendário, verificação, arbitragem e o estabelecimento de consequências para o caso de violações.

Havia ainda dois pontos em aberto: a questão libanesa, tema que a coluna vem destacando como fundamental para o fim de qualquer hostilidade. Mesmo após o anúncio do cessar-fogo, Israel continuou realizando operações no Líbano. Mantém uma franja da fronteira ocupada, sob alegação de que o Hezbollah segue atacando a partir dali, e, de fato, o grupo extremista o faz. Havia dúvida até sobre se o Líbano fazia parte do entendimento.

Campo de experimento

O Líbano, como já destaquei, é campo de experimento das maldades de todos os lados: do Irã, que mantém ali seu mais poderoso braço terrorista, de Israel e dos Estados Unidos.

Aliás, sobre os proxies iranianos: as organizações terroristas continuaram existindo - e nada disso apareceu no acerto. Hezbollah, Hamas e Houthis seguem capazes de atacar Israel e alvos americanos.

Outros dois pontos me parecem fundamentais: se não foi resolvida a questão nuclear, os EUA, por sua vez, nunca retiraram as sanções econômicas, seu principal instrumento de pressão. Na prática, a Casa Branca manteve a capacidade de elevar ou reduzir a pressão.

Do lado iraniano, o principal instrumento de pressão é o Estreito de Ormuz, que também nunca voltou à normalidade. Foi aberto, mas, na prática, não houve desminagem e havia ataques frequentes a navios ocidentais. O principal gargalo estratégico do Golfo continuava militarizado. As fragilidades do documento acabam por nos trazer aos dias atuais. Era uma tragédia anunciada. _

Contradições de Trump

A depender de Donald Trump, tudo é possível. A declaração do início da manhã de ontem em relação à retomada dos bombardeios ao Irã era a seguinte:

- Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite.

E por que tudo é possível? Porque, logo após a reunião de cúpula da Otan, na Turquia, no início da tarde, ele afirmou:

- Acho que não vai começar uma nova guerra, vai acabar rapidamente. Eles atingiram alguns navios, nós atingimos com muito mais força, 10 vezes mais forte. Não vai durar muito tempo. Qualquer coisa que aconteça, vai acabar rapidamente. Não estamos pensando em nada de longo prazo.

Basicamente, a ideia de Trump se resume a: "Vou atacar, mas não quero". E, se atacar, não irá durar muito tempo.

Essa contradição de Trump leva a desconfiar de sua capacidade cognitiva. Volta e meia, ele foge de explicações, é incoerente e apresenta falas desconexas. _

Cláudia Coutinho toma posse na ARI

A jornalista Cláudia Coutinho tomou posse, ontem, como presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Ela assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. Cláudia é a primeira mulher a liderar a organização em seus mais de 90 anos de história.

- Assumir a presidência da ARI é um compromisso que carrego com muita honra e responsabilidade. Nossa casa, que tanto lutou pela liberdade e pela ética, precisa ser o farol que guia o futuro do jornalismo no Rio Grande do Sul - disse, na cerimônia de posse.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos: 2021-2023 e 2023-2026.

Em seu discurso, ela defendeu a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional:

- Quando defendemos a obrigatoriedade do diploma, não estamos apenas defendendo uma exigência acadêmica. Estamos defendendo a sociedade. _

Itamaraty terá de se explicar

Após o Itamaraty admitir temer uma ação militar territorial dos EUA no Brasil - em decorrência da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos americanos -, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (Creden) aprovou ontem a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre o assunto.

Mauro Vieira deverá comparecer ao colegiado para explicar o posicionamento do governo brasileiro e o conteúdo do documento encaminhado pela pasta à Câmara. Ainda não há data para a reunião. _

Investimentos na saúde de Ijuí

O Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) inaugurou a ampliação da unidade de terapia intensiva (UTI) Adulto e a modernização do seu Centro Cirúrgico. As obras contaram com aporte de R$ 10,2 milhões do governo do Estado, viabilizados por meio do programa Avançar Mais na Saúde.

Com um aporte de cerca de R$ 4 milhões, a UTI Adulto passou a contar com 10 novos leitos, que se somam aos 20 já existentes.

A expansão visa atender à demanda por média e alta complexidade no Interior.

Já o Centro Cirúrgico foi ampliado e modernizado com recursos de R$ 6,2 milhões. O espaço agora conta com oito salas cirúrgicas, 19 leitos de recuperação pós-anestésica e área exclusiva para o atendimento de gestantes. _

Começa a se confirmar a viagem do papa Leão XIV à América Latina neste ano. Conforme informou à coluna uma fonte no Vaticano, a visita deve ocorrer até novembro. O Pontífice deve visitar três países: Peru, Argentina e Uruguai.

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa manchada

A Copa do Mundo de 2026 ficou manchada com a retirada da suspensão de Folarin Balogun, pelo Comitê Disciplinar da Fifa, permitindo que o atacante dos Estados Unidos que recebeu cartão vermelho no jogo com a Bósnia participasse das oitavas de final contra a Bélgica. O regulamento foi para a lata de lixo, abrindo perigosos precedentes.

Ainda mais com os rumores da interferência externa do presidente americano Donald Trump, que fez a solicitação e depois agradeceu a entidade por ter corrigido o que chamou de "grande injustiça". Criou-se um constrangimento para o brasileiro Raphael Claus, que puniu o jogador ao rever a jogada no VAR. A decisão extracampo o desautorizou e violou regra tácita e consensual.

Embora a Fifa tenha alegado que a revogação seguia o artigo 27 do seu Código Disciplinar, que determina que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar", soa como uma exceção arbitrária a serviço de interesses espúrios, uma vez que Balogun se sobressaía como artilheiro da Seleção dos EUA, com três gols no Mundial.

O futebol se mostrou acima da politicagem. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, derrubando a anfitriã com requintes de humilhação e calando 80 mil torcedores em Seattle, na segunda-feira. Sequer o desfalque reagrupado indevidamente conseguiu conter o vexame. Após o triunfo que garantiu o confronto com a Espanha, a Bélgica postou nas redes sociais uma foto da comemoração de Lukaku, com a mão no ouvido, provocando o mandatário intruso: "Reverte isso".

Nem tudo é um mar de rosas no desenrolar da competição. Testemunhamos situações estranhas e atípicas de pressões de regimes no maior evento esportivo do mundo, que insinuam manipulações de resultados. Na Copa de 1978, atuando em casa, a Argentina precisava tirar uma diferença de saldo de gols com o Brasil para se classificar - uma vitória por no mínimo quatro gols no Peru. Sob a coerção da ditadura sangrenta do general Jorge Rafael Videla, contrariando o histórico das duas seleções no torneio, a Argentina varreu os peruanos por 6 a 0. O goleiro do Peru era Ramón Quiroga, argentino naturalizado peruano, duramente criticado por suas falhas imprevisíveis no duelo.

A atitude intervencionista de Trump deve ser colocada no mesmo patamar da adulteração de placar do fascismo de Benito Mussolini, que queria porque queria provar a sua supremacia ideológica no certame de 1934, na Itália.

O primeiro-ministro, com poderes incondicionais no período, transformou a arena numa vitrine de propaganda do Partido Nacional Fascista. Para alcançar o título, houve fortes indícios de cooptação da arbitragem, coação de atletas e censura na imprensa. O árbitro sueco Ivan Eklind, por exemplo, que apitou a semifinal e a final, reuniu-se com Mussolini antes das partidas e validou gols e lances controversos a favor da Itália.

Para se ter ideia de como a armação se evidenciou descarada, nas quartas de final, o goleiro espanhol Zamora saiu de cena fraturado e sete titulares de sua equipe acabaram lesionados. Tratou-se de um massacre sem precedentes. Parecia obra dos Camisas Negras (Camicie Nere), braço paramilitar do Duce. Na disputa de desempate, o juiz René Mercet acatou um gol polêmico de Giuseppe Meazza e anulou dois gols legítimos da Espanha.

Já na semifinal, com a Áustria, o juiz Ivan Eklind, egresso de um banquete com Mussolini na véspera, deu o gol da vantagem italiana (1 a 0) a partir de um empurrão do centroavante Enrique Guaita no goleiro austríaco para dentro da rede com a bola. Não tem como não compreender como uma falta abusiva em qualquer época.

A democracia futebolística, se existe, corre sérios riscos com o retrocesso. Fraudes nascem de despretensiosos lobbies e vão acuando a arte das chuteiras para a extinção da igualdade. _

CARPINEJAR 

 

08 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

Qual o pior vício?

Meu avô gostava de repetir uma pergunta que ele mesmo respondia. Qual seria o pior vício, o cigarro, a bebida ou o jogo? Era o jogo, pois, segundo ele, quem joga, também fuma e bebe.

Lembrei da advertência do meu avô ao ler sobre mais um suicídio vinculado a dívidas com bets. Desde que os jogos on-line chegaram ao Brasil, estão ligados a um variado cardápio de desgraças.

Os jogos a que meu avô se referia eram jogos de carta dentro de clubes, ou no fundo de algum bar. Não era difícil encontrar o jogo, mas não era tão fácil como agora. Basta abrir o celular, a qualquer hora do dia, e começar a falir.

Por que o jogo vicia? Do ponto de vista neurológico é simples, a tensão entre ganhar ou perder libera dopamina. Erroneamente ligada apenas ao prazer, a dopamina traz a sensação de que está ocorrendo algo muito importante, decisivo, é preciso estar alerta. É um neurotransmissor que sublinha, que dá intensidade ao que está sendo vivido. Essa explicação pouco ajuda, todos temos esse modo de funcionamento. Por que uns viciam e outros não é a grande pergunta.

Qualquer vício é indício de uma vida vazia e sem propósito. Quem tem lastro afetivo, vínculos fortes não se deixa destruir por ele. O vício leva quem busca um atalho para se sentir atado à vida.

Existe outra pergunta: deveríamos proteger as pessoas delas mesmas? É o que fazemos quando proibimos as drogas e a publicidade de produtos viciantes. A propaganda de cigarros foi abolida em 2011. A propaganda de bebidas é proibida acima de 13% de teor alcoólico. Fica liberada a de cerveja mas com restrições: não pode estar associada a êxitos esportivos, profissionais e sexuais.

Sabemos que o jogo vicia tanto quanto o cigarro e o álcool. Então, por que permitimos que anúncios de bets patrocinem campeonatos, estampem uniformes e invadam as redes sociais com a promessa de dinheiro fácil?

Meu avô não conheceu os algoritmos, mas intuiu a armadilha: o jogo é o vício que abre a porta para outras compulsões. Hoje, com um cassino no bolso e a solidão como plateia, a aposta não é mais só financeira, é existencial. E quando a vida perde o valor, o próximo lance pode ser o último. _

MÁRIO CORSO

08 de Julho de 2026
OPINIÃO DA RBS

A responsabilidade dos vencidos

A saúde das democracias depende em grande medida da postura dos derrotados nos processos eleitorais. Quando vencidos se negam a reconhecer resultados amplamente chancelados também por observadores internacionais, estimula-se a desconfiança de parte da sociedade nas suas instituições. As divisões sociais se aprofundam e a disputa política se radicaliza.

Não faltam exemplos recentes no continente americano a demonstrar os efeitos nocivos da irresignação com o veredito soberano das urnas, que agora atingem a Colômbia e o Peru. Em 2020, alegando fraudes inexistentes, Donald Trump não aceitou a derrota para Joe Biden. A recalcitrância do republicano em reconhecer que perdeu e as insistentes afirmações sem evidência plausível de irregularidades na eleição tiveram como corolário a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu roteiro parecido. O desfecho, semelhante ao dos EUA, foi a intentona de 8 de janeiro de 2023. A diferença é que Bolsonaro acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.

Após a insurgência contra a vontade dos eleitores surgir à direita, agora é a vez da esquerda abraçar uma postura antidemocrática na Colômbia e no Peru. O presidente colombiano, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer a vitória do candidato da ultradireita, Abelardo de la Espriella. Permanece afirmando que apresentará provas de fraudes e vem convocando manifestações contra o resultado. 

O governista derrotado, o senador de esquerda Iván Cepeda, prega "desobediência civil". A transição de poder foi paralisada. Isso enquanto observadores internacionais, como os da União Europeia, atestam que o segundo turno, no dia 21 de junho, transcorreu "transparente e bem organizado". O Centro Carter, organização independente reconhecida no acompanhamento de votações ao redor do mundo, da mesma forma certificou a regularidade do pleito vencido por Espriella com margem inferior a 1 ponto percentual.

No Peru, onde a diferença foi ainda menor, o deputado de esquerda Roberto Sánchez convocou e liderou protestos contra o resultado. De forma dúbia, disse na segunda-feira aceitar o anúncio do Júri Nacional de Eleições (JNE) que confirmou a vitória da direitista Keiko Fujimori, mas manteve as acusações de irregularidades, sem apresentar evidências. Novamente, observadores internacionais, como os da Organização dos Estados Americanos (OEA), chancelaram a lisura do processo. É prenúncio de mais instabilidade no Peru, que teve nove presidentes nos últimos 10 anos.

Cumpre ressaltar que eleições de fachada e sem o escrutínio internacional, que ocorrem em autocracias, onde o líder ou o grupo no poder esmaga a oposição, não se enquadram nesses casos em que a contestação é um sintoma ruim. Um exemplo é o último pleito na Venezuela, em 2024, quando a autoproclamada vitória de Nicolás Maduro não foi reconhecida sequer pelo governo Lula, que agora parabenizou os opostos ideológicos Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori.

Em democracias hígidas, os derrotados aceitam o resultado, lambem as feridas, se reorganizam, fazem oposição firme, mas responsável, e esperam a eleição seguinte. Negar a legitimidade da vitória do oponente é trilhar o caminho perigoso da relativização das regras do jogo no qual a vontade popular é soberana. 

08 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Oposição se articula para derrubar veto de Leite

Pegou mal entre deputados da oposição à direita o veto do governador Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado. Como foi aprovada por unanimidade, os parlamentares esperavam que Leite sancionasse a medida ou pelo menos silenciasse a respeito, deixando a decisão para o presidente da Assembleia, Sergio Peres (Republicanos).

Leite anunciou o veto em vídeo divulgado na noite de segunda-feira, justificando a decisão com o equilíbrio das contas do Estado. Segundo o governador, a taxa garante arrecadação de R$ 750 milhões, da qual Leite disse que o Estado "não pode abrir mão", pois representa um terço da receita do Detran:

- Ninguém quer pagar o preço político de ir contra isso. O impacto fiscal da perda dessa arrecadação é para os futuros governos do Estado, não é para mim. Seria muito conveniente dizer "olha, já que a Assembleia aprovou por unanimidade, então tá, sanciono e toca, e o Estado que se resolva depois".

Quando o projeto foi aprovado, deputados de MDB e PSD, que integram a base governista, foram favoráveis ao fim da taxa. Agora, em minoria e às vésperas da eleição, Leite buscará convencê-los a mudar de ideia.

Entre os opositores, tanto deputados de direita quanto de esquerda já se manifestaram favoráveis à derrubada do veto. Autor do projeto, Rodrigo Lorenzoni (PP) criticou a decisão de Leite, argumentando que o fim da taxa de licenciamento não oferece nenhum prejuízo aos cofres do Estado.

- O Detran é uma autarquia superavitária em R$ 1,1 bilhão por ano. A taxa de licenciamento arrecada R$ 750 milhões por ano. Com o fim da taxa, o Detran segue sendo superavitário em R$ 400 milhões. Mesmo que ele repasse para o Fundo Especial de Segurança Pública R$ 200 milhões, o Detran seguiria com superávit de R$ 200 milhões - calculou.

PT apoiará derrubada

Líder da bancada do PT, o deputado Miguel Rossetto já antecipou que é a favor de extinguir a taxa de licenciamento no Estado. O petista ressalta que, caso Leite entenda necessário fazer recomposição de receitas, ele pode encaminhar uma proposta para ser avaliada pelos deputados.

- Não é razoável manter a cobrança de uma taxa pela emissão do documento físico que deixou de ser impresso e foi substituído por meio digital - concordou. _

Para rebater a crítica de que o projeto é "irresponsável", Lorenzoni resgatou texto protocolado pela bancada do MDB em 2020 que diz ser "exatamente igual" ao seu - assinado, inclusive, pelo atual vice-governador, Gabriel Souza.

Direita boicota reunião e adia o início da discussão da LDO

Insatisfeitos com o veto de Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado, integrantes do bloco de oposição à direita boicotaram a reu­nião de líderes ontem, e não houve quórum para definir a pauta de votação da sessão ordinária. Os líderes das bancadas de PP (Marcus Vinícius), Novo (Felipe Camozzato), Republicanos (Gustavo Victorino) e PL (Adriana Lara) não compareceram ao encontro.

Para que consigam fechar acordos para alterar a ordem do dia, é preciso que os líderes presentes respondam por, no mínimo, dois terços do plenário - ou seja, 37 parlamentares. Sem os quatro partidos da direita, 36 deputados estavam representados.

Com isso, não foi possível incluir na pauta a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que já estava articulada para ser discutida ontem.

Alvo de críticas

A proposta enviada por Leite à Assembleia, que prevê déficit de R$ 4,8 bilhões do governo do Estado no final de 2027, também é alvo de críticas da direita. Além da previsão de alta nas despesas, uma emenda popular conhecida como Descongela é um dos pontos nevrálgicos para as bancadas do bloco político.

A proposta feita por sindicatos que representam servidores do Judiciário, da antiga Caixa Econômica Estadual e da Polícia Civil prevê o pagamento retroativo de vantagens funcionais vinculadas ao tempo, como anuênios, triênios, quinquênios ou licenças-prêmio, que ficaram congeladas durante a pandemia.

Os valores são referentes ao período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021, e os sindicatos têm acordo com o governo e com as bancadas de esquerda para que a medida seja aprovada. _

Como não havia quórum na reunião da CCJ de ontem, o debate sobre a PEC que estabelece data-base para reajuste salarial dos servidores de acordo com a inflação só será retomado pelos deputados em agosto, após o recesso.

"Salvação do Rio Grande"

A Fiergs apresentou ontem 10 demandas prioritárias aos candidatos a governador e outras 10 que serão levadas aos presidenciáveis. O único item que se repete, no topo das duas listas, é a criação do Fundo Constitucional das Regiões Sul e Sudeste.

- Esse fundo constitucional é a grande salvação do Rio Grande e dos outros Estados - afirmou Claudio Bier, presidente da Fiergs.

Dentre as demandas relacionadas às eleições nacionais, o terceiro item dos industriais é a contrariedade ao projeto que acaba com a escala 6x1. _

Plano de irrigação

Na pauta levada aos candidatos a governador, também está a cobrança por um plano estadual de irrigação que reduza os impactos das estiagens para o setor industrial.

As demandas foram entregues aos três candidatos mais bem colocados na maior parte das pesquisas: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). _

POLÍTICA E PODER