Polo moveleiro do Norte do Estado busca espaço para crescer
Especial para o JC*
A tradição industrial erechinense deixa espaço para a expansão econômica. Muito ligada ao nicho metalmecânico e à consolidação de seu antigo Distrito Industrial, o setor secundário do município tem agora ocupado novas áreas.
Há anos, Erechim demonstra sua vocação industrial na região norte do Estado. Segundo os dados do IBGE (2021), o VAB Industrial (Valor Adicionado Bruto da Indústria) do município do Alto Uruguai é o maior de toda a macrorregião Norte do Rio Grande do Sul — incluindo Passo Fundo, maior cidade do Planalto Médio, com praticamente o dobro da população.
Os números têm uma histórica conexão com a consolidação do distrito Irany Jaime Farina, a partir dos anos 1970, quando a cidade chegou a crescer quatro vezes mais rápido que a média brasileira.
VAB INDUSTRIAL CIDADES DO NORTE NOROESTE E MISSÕES
- 1º Erechim: 2,04 bilhões
- 2º Passo Fundo: 1,43 bilhão
- 3º Panambi: 1,3 bilhão
- 4º Horizontina: 1,18 bilhão
- 5º Ijuí: 1,14 bilhão
Fonte: IBGE (2021)
Dos setores industriais, o ramo metalmecânico é um tradicional destaque em Erechim. No decorrer dos anos, outras áreas do município também ganharam força e novos desmembramentos industriais foram ocupando espaços e reorganizando o foco industrial no coração do Alto Uruguai. Enquanto o chamado "Corredor do Desenvolvimento" cresce na parte Sul, um novo Distrito Industrial saiu do papel e já recebe empresas no lado Norte do município, como a Plaxmetal, que multiplicou o seu espaço físico nos últimos anos. Os investimentos do empreendimento de cadeiras corporativas já somam mais de R$ 60 milhões, só na ampliação da área no novo Distrito Industrial.
Apesar disso, o segmento moveleiro ainda se mostra em expansão, principalmente quando comparado a polos mais estabelecidos, como o da Serra ou, até mesmo, da região Nordeste do Estado, em especial o polo de Lagoa Vermelha.
Segundo Vitor Agostini, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Erechim tem um dos principais polos moveleiros do Estado, embora faltem dados mais detalhados da indústria na região.
Atualmente, o setor moveleiro de Erechim apresenta expressão no comércio e prestação de serviços, enquanto a indústria equilibra forças entre grandes empresas do ramo de móveis corporativos e pequenos empreendimentos e marcenarias, dispersos e sem uma entidade representativa forte.
Das mais de 2.600 indústrias de móveis contabilizadas pela Movergs em todo o Estado, não há um número oficial de indústrias do setor na região de Erechim. Estima-se, entretanto, que 15% delas estejam sediadas na macrorregião — incluindo, nesse caso, municípios como Lagoa Vermelha, Passo Fundo e Santa Rosa.
Além disso, Erechim já está em obras para um novo Distrito Industrial voltado a pequenas e médias empresas, numa área próxima ao Distrito Giácomo Madalozzo.
Hoje, Erechim lidera o VAB Industrial em toda a Macrorregião Norte. Em 2021, o município somou mais de R$ 2 bilhões na indústria.
Indústria moveleira avança no Norte gaúcho puxada por pequenas marcenarias
Há anos, o polo moveleiro de Bento Gonçalves se consolida como o mais importante do Estado e um dos mais pujantes de todo o País. Das mais de 2.600 empresas moveleiras do Rio Grande do Sul, a região de Bento Gonçalves concentra aproximadamente 300. Segundo o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Vitor Agostini, os demais polos moveleiros gaúchos estão todos concentrados na metade Norte, com destaque para as regiões de Lagoa Vermelha, Sarandi, Santa Rosa e Erechim.
"O que dá para destacar é que a Serra Gaúcha se especializou mais em móveis planejados. E também tem empresas muito bem estruturadas para fazer móvel seriado, que exportam para vários países. Tem polos, por exemplo, Lagoa Vermelha, que praticamente não faz móveis planejados. São móveis populares e seriados especialmente. Por outro lado, Sarandi também tem empresa de planejados, mas são poucas. Em Santa Rosa são mais marcenarias", explica Agostini.
De todos os polos mencionados, a região Norte é justamente a que mais carece de dados. Não há um levantamento específico com foco no polo erechinense. Conforme o diretor administrativo da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Ari Fábio Vendruscolo, a região concentra várias empresas do setor moveleiro, entretanto, pequenas em sua maior parte. "São empresas locais. O grande volume, ou as grandes, elas são de fora", assinala.
Apesar disso, é justamente o município do Alto Uruguai que abriga algumas das grandes empresas do ramo dos móveis corporativos. Uma das diferenças com relação aos demais polos moveleiros do Estado é a própria pujança industrial de Erechim, historicamente atrelada ao setor metalmecânico. Isso explica, em parte, a presença de duas das maiores fabricantes de cadeiras de escritório do País, como a Cavaletti e a Plaxmetal.
Outra indústria que cresceu forjada pelo setor metalmecânico foi a WTEC. Fundada em 1991, a então Biccaplast era uma empresa de conformação de aço, fabricação de arruelas e estantes antes mesmo de começar a fabricar peças plásticas.
Trata-se, hoje, de uma das maiores indústrias do mobiliário de Erechim, onde conta com quatro unidades operacionais e um parque industrial de 15 mil metros quadrados no Distrito Industrial Irany Jaime Farina. Atualmente, a WTEC possui duas marcas, referências nacionais e internacionais em armários inteligentes, móveis para bibliotecas e organizacionais. A empresa tem hoje mais de 380 funcionários.
Inaugurado em abril de 2023, o Distrito Industrial Giácomo Madalozzo abrange uma área de mais de 400 mil metros quadrados no Bairro Industrial Davide Zorzi, onde já há empresas instaladas, inclusive do ramo moveleiro, como a Plaxmetal. A expectativa é de que o distrito acolha 30 empresas de diversos setores. Recentemente, o trevo de acesso ao distrito, localizado na BR-153, foi concluído.
Além disso, Erechim já está em obras para um novo Distrito Industrial voltado a pequenas e médias empresas, numa área próxima ao Distrito Giácomo Madalozzo.
DADOS DA INDÚSTRIA MOVELEIRA GAÚCHA EM 2025
- 2.600 empresas
- R$ 14,5 bilhões em faturamento
- US$ 256,5 milhões exportados
- 33.905 empregos diretos
FONTE: MOVERGS
De serraria a fábrica: empresa familiar se adapta ao mercado
A exploração da madeira teve uma importância histórica para a economia e povoação dos municípios da região Norte do Rio Grande do Sul. Até as primeiras décadas do século passado, os vastos campos nativos eram entrecortados pelas umbrelas das araucárias, que recortavam boa parte daquela porção do Estado.
O interesse pela madeira dos pinhais nativos chamava a atenção e, aos poucos, a região começou a ser colonizada. Chegaram empresas como a inglesa Jewish Colonization Association, companhia que se estabeleceu no atual município de Campinas do Sul. O governo cedeu a área para a exploração das araucárias em troca da obrigação de colonizar as terras da região.
Multiplicaram-se as madeireiras e imigrantes de diferentes regiões da Europa foram se estabelecendo na região, com terras arrendadas pela companhia inglesa, como conta Manuel Antônio Gomes, na obra "A Ancestralidade das Campinas". Aos poucos, a madeira deu lugar à agricultura.
"As madeiras foram terminando e as serrarias foram fechando. A pecuária aos poucos foi dando lugar à agricultura, por ser mais rentável, e que se modificou com o passar do tempo. De plantio de arroz e trigo dos anos de 1950, deu-se lugar ao milho e à soja no final dos anos 1960 e início dos anos 1970. A criação de gado para corte deu lugar à bacia leiteira e a criação de suínos e aves em grande escala", relata Gomes.
Nos anos 1960, a Jewish Colonization Association deixou a região definitivamente e pouco restou da virtude madeireira da fundação dos municípios.
Foi em 1960, entretanto, que quatro sócios iniciaram uma pequena marcenaria em Campinas do Sul. Os três irmãos João Luís Scanegatta, Artemio Scanegatta e Albino Gugel, somados a Olindo Batiston, tinham o intuito de fabricar móveis e urnas funerárias para atender os moradores da cidade. Posteriormente, instalaram uma serraria para desdobramento de madeira e, anos depois, teve início a fábrica de estofados, já na gestão dos filhos de João Luís, um dos irmãos pioneiros. Com os anos, houve mudanças de sócios e a empresa foi passada de geração em geração. Atualmente, está sob a gestão de Leonir Scanegatta.
Hoje, a São João Móveis e Estofados possui duas lojas: uma em Campinas do Sul e outra em Erechim. Além disso, a empresa conta com serraria e funerária, além da fábrica de móveis e estofados, localizada no pequeno município do Alto Uruguai.
Ao todo, emprega cerca de 25 funcionários. A fábrica de móveis e estofaria é um antigo pavilhão de 2 mil metros quadrados, onde são produzidos todos os tipos de móveis, desde residenciais até para estabelecimentos comerciais. Em mais de 60 anos de existência, muitas coisas mudaram para além do quadro societário.
"Inicialmente todos os móveis eram feitos em madeira e hoje em dia a maioria é em MDF, planejados e feitos sob medida para atender a necessidade do cliente", conta Scanegatta.
Os principais destinos são os consumidores locais da região de Campinas do Sul e Erechim, mas os produtos chegam a todo o Estado, principalmente os estofados. A empresa trabalha com toda a linha de estofaria, de simples a média. Além dos produtos de fabricação própria, as lojas oferecem móveis de revenda e eletrodomésticos.
Hoje, segundo Scanegatta, o principal diferencial é a oferta de móveis planejados e sob medida, o que "as lojas online não conseguem atender na integralidade", afirma. Com mais de 60 anos de existência, a empresa acompanhou o desenvolvimento da cidade de Campinas do Sul, hoje com pouco mais de 5 mil habitantes. Não é, entretanto, a concorrência de empresas maiores, fornecimento de matéria-prima ou o custo o que mais preocupa Scanegatta.
"A principal dificuldade é encontrar mão de obra", sintetiza o gestor. Nem mesmo o futuro da empresa causa maiores transtornos. Atualmente, o filho Daniel dá sequência à tradição familiar. É ele quem gerencia a unidade de Erechim, como um dos cada vez mais raros exemplos de sucessão familiar nos pequenos municípios do Norte do Estado.
Fabricante aposta em móveis sob medida para crescer no Interior
Se faltam dados oficiais, o mesmo não se pode dizer de demanda — e oportunidades — na indústria moveleira de Erechim. Desde 2004, Douglas Senhori trabalha com móveis. Tinha apenas 14 anos: "meu pai é marceneiro e eu comecei junto na mesma empresa onde ele trabalhava. Foi ele quem me ensinou os primeiros passos", conta. Em 2017, Douglas e o pai compraram as próprias máquinas e resolveram montar a Impact Móveis.
"Era a opção que nós tínhamos. Não tínhamos muito recurso, meu pai trabalhava com móveis já desde 1994, então o orçamento era sempre apertado. Eu sonhava muito com arquitetura, porém não tínhamos recursos para tal. O que o meu pai me deixou de melhor foi realmente a educação, a educação de casa, e me ensinar o ofício que ele já dominava. Então começamos cedo num nicho que meu pai já dominava há tempos", conta.
Hoje, a empresa possui uma estrutura de quase mil metros quadrados de fábrica, além de uma loja central de quase 300 metros quadrados. Ali, estão expostas toda a linha de móveis e de estofados produzidos pela empresa. Para isso, a Impact Móveis conta com treze funcionários para a fabricação dos móveis e três na loja. São produzidas as linhas de móveis sob medida, presidencial, comercial e home office.
"Atendemos todas essas demandas. Trabalhamos 99% com projetos que vêm de arquitetos. O arquiteto faz o projeto para o cliente, vende o projeto e já nos indica para executar do início ao fim", revela. De acordo com Senhori, os móveis sob medida são mais buscados no atual contexto de apartamentos e casas cada vez menores, com espaços reduzidos.
"Um projeto de móveis sob medida, ele se torna, na verdade, necessário, porque você tem pouca metragem quadrada e tem que acomodar ali tudo o que a casa precisa. Então hoje praticamente o pessoal já entrega a planta do apartamento ou da casa com a disposição dos móveis. E aí já entra a parte de projeto de interiores também para deixar o espaço mais organizado. Então teve uma demanda muito maior".
Segundo o empresário, aumentou também o número de fábricas de móveis na região. Hoje, de acordo com Senhori, são mais de 200 fábricas no Norte do Estado.
Aproximadamente 70% dos clientes da Impact Móveis são de Erechim e da região do Alto Uruguai, de municípios como Getúlio Vargas e Barão de Cotegipe. Mas também há clientes do litoral de Santa Catarina, como Palhoça, Balneário Camboriú, Florianópolis, entre outras cidades.
"O litoral de Santa Catarina é muito forte para nós também, a gente acaba atendendo na maioria das vezes apartamentos que ficam para a locação, para veraneio", esclarece.
De uma atividade familiar na marcenaria, a Impact Móveis cresceu, guiada pela visão de Douglas. Pela primeira vez, a família conseguiu empreender, ter um negócio próprio. E a empresa segue crescendo. Para isso, busca automação, novos maquinários além de reforçar parcerias com projetos de arquitetos na região.
"Não é fácil, mas é um setor que tem várias ramificações. Então, com bastante esforço e batalha, conseguimos crescer e consegue expandir. Pretendemos crescer ainda mais e estamos preparados em questão de maquinário, de mão de obra, automatizando tudo aquilo que é possível ser automatizado para se manter no mercado. Vemos o crescimento e vê muito futuro nisso também. Eu acho que cada vez vai expandir mais e a estamos preparados. Com certeza vai se adequando conforme o mercado também for se adequando", projeta.
Falta de mão de obra é preocupação constante no setor
Desde o início do século, o MDF se tornou a principal matéria-prima da marcenaria e da indústria moveleira no País. Esse novo modelo exigiu a adaptação das indústrias e dos profissionais. "Mudou bastante coisa de 2007 para cá. Surgiram novas texturas, hoje são mais de 300 cores de MDF, sete ou oito fabricantes, cada um com sua linha de cores e texturas. Também temos novas técnicas, automação, parte de corte, de acabamento, de colagem de borda. O arredondado voltou, foram incorporados elementos de iluminação LED, de serralheria, em metal, vidro, enfim, muita coisa agregada também na marcenaria", explica o marceneiro e empresário Douglas Senhori, gestor da Impact Móveis de Erechim.
A maior gama de elementos chegou, contudo, com um gargalo indissociável: a exigência de uma mão de obra especializada e cada vez mais escassa.
Hoje, a falta de mão de obra é o principal drama do setor moveleiro no Norte do Estado, desbancando a logística e a matéria-prima. E isso mesmo com a ausência de um fornecedor de MDF local — pelo menos com um maior portfólio: tanto a Impact Móveis, de Erechim, como a São João Móveis e Estofados, de Campinas do Sul, precisam recorrer à matéria-prima de distribuidoras de Santa Catarina ou Passo Fundo.
"O maior problema que a marcenaria em si enfrenta é a questão de mão de obra. Claro que tem toda a parte de automação, tem corte que é feito por computadores, monitorado por programas, mas a marcenaria mesmo, sob medida, demanda de um profissional que tenha essa capacidade de fazer a leitura da casa do cliente, de fazer a leitura do projeto, de adaptar as condições da obra do cliente para que aquele móvel fique 100%. Tem muita coisa que precisa ser feita manualmente e tudo isso demanda uma mão de obra específica. E essa é a questão", ressalta Senhori.
Para o presidente da Movergs, Vitor Agostini, um dos principais problemas da escassez de mão de obra é o foco. "A geração que está vindo hoje tem uma cabeça diferente. As pessoas estão voltadas para outras coisas", aponta. Segundo Agostini, trata-se de um desafio não só da indústria moveleira, mas de todos os setores.
"Hoje, quem quiser aumentar a produção em 20%, provavelmente não vai encontrar gente. Então tentamos manter os talentos e, às vezes, precisamos contratar quem aparece, porque não dá pra escolher muito. Temos trabalhado com mais benefícios, porque senão o vizinho oferece ou a pessoa fica em casa. E estamos automatizando processos. Não resolve tudo, mas ajuda a produzir mais, com qualidade e menos mão de obra", enfatiza.
Para ele, entretanto, o maior desafio do setor no Sul do Brasil é, sobretudo, a logística: "porque a gente tem que trazer matéria-prima do Sudeste ou do Paraná para cá, transformar, e depois levar de volta. Então esse é o maior desafio".
Além disso, Agostini cita o crescente endividamento dos consumidores. Segundo o presidente da Movergs, o Rio Grande do Sul tem, hoje, uma grande população inadimplente, com dificuldade de financiamento.
"Quando o juro é mais baixo e tem financiamento acessível, a gente tem mais facilidade em vender. Quando não tem esse crédito com juro acessível, dificulta muito", pontua.
Movergs aponta crescimento modesto e retração nas exportações no último período
Em março, a Movergs divulgou o mais recente levantamento do setor, a partir dos dados colhidos da Secretaria da Fazenda. Hoje, o Estado conta com mais de 2.600 empresas moveleiras, responsáveis por um faturamento de R$ 14,5 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025.
Trata-se de um crescimento nominal de 6,48% em comparação ao período anterior, o que representa, no entanto, apenas 2,22% de crescimento real, com base no IPCA de 4,26%.
O presidente da Movergs, Vitor Agostini, destacou também a queda nas exportações, embora se mostre otimista com o futuro do setor no mercado externo. Conforme o levantamento da associação, a partir das informações do governo federal, as exportações tiveram uma retração de 3,3% em comparação ao ano anterior: movimentaram US$ 256,5 milhões em 2025.
Segundo a associação, essa queda é explicada, em parte, pelas taxações de 40% impostas por Donald Trump no último ano. A venda dos móveis gaúchos ao mercado estadunidense caiu 32,5%, naquele que é o mais importante destino do produto mobiliário do Estado. Enquanto isso, houve um acréscimo da compra de outros países, principalmente na América Latina. Uruguai e México tiveram um incremento de 13,2% e 14,8% respectivamente. Já as vendas para a Argentina tiveram um aumento de 127,1%.
"Eu acho que a questão dos Estados Unidos é momentânea. Eles até já voltaram atrás um pouco nas taxas, que eram mais altas. E os Estados Unidos ainda são uma grande oportunidade, porque eles têm essa questão comercial com a China, e dependem muito de importação. Então talvez o Brasil seja uma boa oportunidade ali na frente. Quem exportava só para os Estados Unidos foi bastante impactado. Mas a maioria não exportava só pra lá, então sentiu menos. E quem agiu rápido conseguiu colocar a produção em outros países. A exportação tende a aumentar nos próximos anos", projeta.
Para Agostini, a geopolítica tem um papel preponderante. A Guerra no Irã, por exemplo, impacta diretamente os setores dependentes da matéria-prima estrangeira. Além disso, cita a incerteza na reforma tributária.
"Mas nem tudo é negativo, temos oportunidades também. O acordo Mercosul-União Europeia pode ser muito positivo. A gente vai ganhar produtividade. Vai permitir importar matéria-prima e exportar mais. Estamos falando de um mercado muito grande", assinala.
O acordo comercial entra em vigor de maneira provisória a partir do dia 1º de maio e as mudanças serão implementadas gradativamente nas transações internacionais entre os blocos econômicos.
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Agostini cita ainda as oportunidades regionais, como os eventos do setor moveleiro. Neste ano, a Movelsul, maior feira de móveis da América Latina, prepara-se para mais uma edição em agosto. Já em 2027, haverá a Feira Internacional de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis (Fimma Brasil), também em agosto.
"É uma oportunidade para muitos empresários buscarem equipamentos, matérias-primas e acessórios", reitera.
Hoje, o setor moveleiro do Estado emprega quase 34 mil trabalhadores. Na Serra Gaúcha, especialmente Bento Gonçalves, são cerca de 300 empresas, com faturamento em torno de R$ 3,7 bilhões e cerca de 6 mil trabalhadores.
"Posso afirmar que realmente o setor tem uma importância grande no Estado, porque além desses empregos, gera um faturamento importante e automaticamente impostos", finaliza.
Apesar dos consideráveis números, os indicadores da Movergs também apontaram para a retração do número de empregos na atividade moveleira. Houve uma queda de pouco mais de 3% com relação a 2024. O setor fechou o último ano com 33.905 empregos diretos.
*Gabriel Eduardo Bortulini é graduado em Jornalismo pela UFSM e tem mestrado e doutorado em Escrita Criativa pela PUCRS. É um dos fundadores da Oxibá Casa da Escrita, onde trabalha com leitura crítica e lapidação de textos. Tem textos publicados em jornais, livros e revistas. "Refúgio para bisões", seu romance de estreia, conquistou o terceiro lugar no prêmio Biblioteca Digital do Paraná e foi publicado pela Matria Editora, em 2024.






