terça-feira, 7 de julho de 2026

07 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Ressaca moral

Não me lembrava do quanto doía a queda de uma Copa. Como ocorre de quatro em quatro anos, havia esquecido. Por mais que eu não acreditasse no hexa - e o único hexa que completamos foi o consecutivo das eliminações-, por mais que estivesse vacinado pela idade, por mais que enxergasse as limitações de um plantel sem um centroavante de ofício, sem um armador incontestável, sem laterais, por mais que considerasse um fracasso anunciado, a esperança residia infantil e sorrateira no fundo de mim.

Apenas a percebi com o apito final da derrota para a Noruega, no domingo. Assistia ao jogo num bar, com amigos. Não me despedi. Fui extremamente mal-educado. Abandonei o local às pressas, com medo de chorar em público. Veio um sentimento de constrangimento atávico, selvagem, incontrolável.

Não consegui conversar com mais ninguém. Demorei a dormir, pensando em hipóteses: se Endrick tivesse começado, talvez demonstrasse mais confiança para fintar o goleiro; se Neymar tivesse entrado antes, não desperdiçaria o pênalti de Bruno Guimarães, mas o time seria mais lento; se Casemiro passasse para o lado na cara do gol, encontraria dois atacantes livres para finalizar. 

Por que não fizemos marcação alta, uma vez que os noruegueses não têm rotatividade para o contra-ataque? Não achava fundo nem forro para os questionamentos. Revisava cada lance com a lupa de uma realidade paralela. Não era possível interromper o fluxo.

Acordei com a ressaca moral, como se tivesse sofrido um acidente e não me recordasse de onde estava e do que havia acontecido. Senti falta de algo, de um sopro de vida, de uma motivação, da ternura de um otimismo inocente.

Busquei consolo e me coloquei no lugar dos tetracampeões italianos que sequer se classificaram para o Mundial, ou dos tetracampeões alemães que caíram fora nos 16 avos, só que imaginar que poderia ser pior não me confortou.

Nem me valeu o recurso de adiantar o relógio e raciocinar que 2030 é logo ali. Já estarei próximo dos sessenta, com meu filho caçula quase trintão. A espera é longa. É que fazia tempo que eu não torcia escandalosamente por meu país, vestindo a camisa amarela, procurando as cornetas e o manto no quartinho da bagunça, escrevendo "Brasil" na cabeça com o que sobrava de meus cabelos.

É muito diferente de vibrar com seu clube, suportando a tensão e se defendendo da flauta e da rivalidade. É quando todos são iguais pelo mesmo objetivo, conhecendo o esporte ou não, e não existe um melhor do que o outro. Minha mãe, que não se interessa por futebol, ralhava junto. Virou sua segunda missa. É um torneio que converte não praticantes, levando-os a adoecer de preocupação e berrar para a televisão. Minha esposa, meramente simpatizante, dava ordens aos atacantes: "Vai! Vai! Vai!".

Compreendi que não cresci para algumas coisas, como a Copa do Mundo. Há feridas ancestrais que sangram e não avisam. Não recrimino quem deixará de ver os mata-matas finais. É o equivalente a ser vizinho de uma festa animada, com som ligado no máximo. A inveja grita.

Acompanharei agora a última quinzena da competição, mas não com hipnose e comprometimento, não secando a França e a Argentina como anteriormente, não as julgando oponentes diretas para a taça. Será de sangue doce, ou, mais de acordo com o desencanto, amargo.

Eu ainda sou o menino de antigamente debaixo da feição barbada, padecendo desilusões coletivas com a gravidade de um infortúnio pessoal. Surgirão espinhas imprevisíveis.

Volto a ser aquele que decorava as bandeiras das nações participantes no álbum de figurinhas, que dizia o nome e a seleção de todos os atletas de cor, que memorizava as escalações, que aguardava a partida com uma alegria cheia de véspera, contando os minutos para explodir de pertencimento e sair um pouquinho da solidão do coração. 

CARPINEJAR

07 de Julho de 2026
NÍLSON SOUZA

Por um fio de cabelo

Sou defensor do uso da tecnologia no futebol, mesmo quando um gol é invalidado por impedimento definido pela unha do pé ou por um fio de cabelo, como já aconteceu na atual Copa do Mundo. Claro que compreendo a frustração e a indignação dos jogadores e dos torcedores das equipes sancionadas por detalhes invisíveis ao olhar humano - mas, enquanto não mudarem o regulamento, essa é a regra do jogo. 

E todos os participantes concordaram previamente com ela. Não há como ignorá-la apenas porque o gol foi bonito, porque a jogada foi espetacular ou por desconsiderar o esforço heroico de uma equipe mais fraca.

Regra é regra - o resto é jeitinho, como se viu recentemente no VAR dos penduricalhos nacionais. E jeitinho é sinônimo de desonestidade. Assim como o verbo "flexibilizar" é apenas um eufemismo para o famigerado jeitinho que, infelizmente, costuma ser associado ao adjetivo "brasileiro".

O principal argumento dos críticos da tecnologia no futebol é o da perda da essência humana e, consequentemente, da emoção. Está virando ciência exata, reclamam os saudosistas do erro de arbitragem.

Até aceito que a revisão tecnológica da decisão de campo, na maioria das vezes, lança água fria na comemoração instantânea do torcedor. Mas continuo achando que a justiça deve prevalecer sobre a paixão.

Cabe lembrar, na defesa da minha tese, que a tecnologia também se tornou decisiva em outros esportes. No vôlei, só se percebe o toque da bola no dedinho do bloqueador com a ajuda do vídeo. No tênis, só a câmera lenta ou a animação em 3D comprovam se a bolinha tocou ou não na linha demarcatória. São reconhecimentos inequívocos da superioridade tecnológica sobre os nossos sentidos - ainda que a tecnologia, até por ser uma criação humana, também esteja sujeita a falhas.

Torço para que a Copa do Mundo seja decidida por gols bonitos e inquestionáveis, que sequer precisem de revisão. Mas se o gol do título depender daquele bizarro eletrocardiograma da trajetória da bola, farei o maior esforço para aceitar o resultado - mesmo que sinta vontade de amaldiçoar a tecnologia, como é próprio de nossa natureza humana. 

NÍLSON SOUZA

07 de Julho de 2026
RESSACA DA ELIMINAÇÃO

Ressaca da eliminação

E agora? Procura-se um protagonista

Ao cair nas oitavas de final e entrar no maior período sem título mundial desde que foi campeã pela primeira vez, a Seleção busca novas referências para o ciclo da Copa de 2030. O artilheiro do time em 2026 surge como principal candidato a esse papel, mas a torcida brasileira espera que outros nomes encorpem essa lista

Rafael Diverio

Já foi o Brasil do Romário, o Brasil do Ronaldo, o do Pelé. Foi também o Brasil do Zico e, até, por que não?, o Brasil do Neymar. A Seleção que sempre teve uma referência busca um protagonista para sair da fila que completará 28 anos em 2030. O país espera que seja Vinícius Júnior.

Artilheiro do time na edição de 2026, com quatro gols, ele estará em sua terceira Copa, já consolidado no Real Madrid e com o título de melhor do mundo, entregue pela Fifa em 2024. Pode ser que consiga, até lá, arrebatar mais algum prêmio individual. No próximo Mundial, o atacante terá 29 anos e deverá seguir como principal nome da Seleção.

O próprio camisa 7, na última entrevista nos EUA, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega que eliminou o Brasil nas oitavas de final, se candidatou a ser o líder. Perguntado sobre seu papel no próximo ciclo, respondeu de uma forma tão genérica que mostra que a liderança, ao menos por ora, não é uma de suas maiores virtudes:

- Meu papel é o de sempre, estar pronto para representar meu país.

A declaração refletiu o tom da sexta eliminação seguida da Seleção para europeus em Mundiais. Que não foi nem surpresa, sem aquele clima de terra arrasada de 2018 e 2022 (sem contar, óbvio, o 7 a 1 de 2014).

Além de Vini Jr., o Brasil também apostou em Raphinha. Mas o craque do Barcelona não repete com a camisa da Seleção o sucesso que faz na Catalunha. E na próxima Copa terá 33 anos. Os demais jogadores da safra não chegam a ser referências.

- Temos bons jogadores jovens e alguns veteranos que podem ajudar no ciclo - disse Ancelotti.

Assim, a aposta de protagonismo recai sobre Estevão. Terá 23 anos na próxima Copa. Só não foi titular nessa edição porque teve lesão muscular que impossibilitou sua convocação. Figura importante no Chelsea, pode crescer e se consolidar no ciclo de Ancelotti. O guri revelado pelo Palmeiras fechou 2025 com cinco gols com a Seleção - foi o artilheiro no início do trabalho do treinador italiano.

Os demais jovens são Rayan, João Pedro e Endrick. Eles têm quatro anos para se consolidar. E enfrentar a França de Mbappé, a Espanha de Lamine Yamal. Os dois serão as grandes referências após o fim da Argentina de Messi e Portugal de Cristiano Ronaldo.

Tranquilidade x pressão

O novo ciclo de Copa começa, de fato, nas datas-Fifa de 25 e 29 de setembro, quando a Seleção fará dois jogos contra a Austrália, um em Townsville, outro em Brisbane. Ancelotti, enfim, poderá iniciar e encaminhar um projeto seu com a calma que tanto marca sua personalidade.

- Uma derrota pode ser o começo de uma nova aventura, de uma nova temporada. Temos de seguir trabalhando, melhorando e encontrando novas ideias. Não é o fim. É o princípio de um novo ciclo - disse o técnico italiano.

O treinador não perdeu a serenidade após a eliminação no MetLife Stadium, no domingo. A Seleção aposta nesse jeito dele para ter a clareza que faltou desde a queda para a Croácia em 2022, com quatro treinadores se revezando no comando após a saída de Tite.

- Precisamos ter um ciclo dentro de uma normalidade, com mais calma. O trabalho vai seguir até a Copa de 2030 e com os ajustes necessários. Espero que tenhamos o mínimo de tranquilidade para preparar a próxima Copa - disse um abatido Rodrigo Caetano, diretor de seleções masculinas da CBF.

Mas tranquilidade, sabemos, não é garantia alguma no futebol brasileiro. A pressão é enorme. É tempo demais sem ser campeão. _

Quem perde e quem ganha espaço no ciclo da Copa de 2030

Rodrigo Oliveira

Após a eliminação do Brasil nas oitavas de final, o técnico Carlo Ancelotti já projeta o ciclo da Copa do Mundo de 2030. Parte do grupo de 2026, por conta da idade, se despedirá da Seleção, como o goleiro Alisson, o zagueiro Marquinhos, os laterais Danilo e Douglas Santos, o volante Casemiro e o atacante Neymar. Outros atletas saíram fortalecidos, apesar da derrota para a Noruega, e devem liderar o processo de transição.

São os casos, por exemplo, do zagueiro Gabriel Magalhães e do volante Bruno Guimarães, que terão 32 anos no próximo Mundial, e principalmente, Vinícius Júnior (leia na página 18).

Já os meia-atacantes Matheus Cunha e Raphinha terão, respectivamente, 31 e 33 anos em 2030 e dependerão do desempenho ao longo do ciclo para seguirem na Seleção. Vale o mesmo para os atacantes Gabriel Martinelli e Igor Thiago, que têm hoje 25 anos e não são titulares afirmados da equipe de Ancelotti.

O italiano terá no próximo ciclo cinco atletas que disputariam a titularidade em 2026, mas ficaram fora da Copa por lesão: o zagueiro Eder Militão, 28 anos, os laterais Wesley, 22, e Vanderson, 25, e os atacantes Estêvão, 19, e Rodrygo, 25. Já o volante Danilo Santos, que foi coadjuvante nesta Copa, tem 25 anos e potencial para virar protagonista do meio-campo na próxima.

Alternativas

Credenciam-se ainda o volante Andrey Santos, 22 anos, e o centroavante João Pedro, 24 anos, ambos do Chelsea, que estavam cotados para o Mundial 2026, mas foram deixados fora da lista de convocados na última hora pelo italiano.

Por fim, há ainda jogadores que foram chamados por Ancelotti na reta final do ciclo e têm idade para jogar a próxima Copa, como o zagueiro Vitor Reis, 20 anos, do Girona - mas que pertence ao Manchester City -, e os atacantes Savinho, 22, do Manchester City, e Vitor Roque, 21, do Palmeiras, entre outros.

E, claro, os novos talentos que ainda não foram chamados por Ancelotti ou que ainda não despontaram. Talentos que o futebol brasileiro precisa (mais do que nunca) formar. _

Despedem-se da Seleção

Alisson, 33 anos (goleiro do Liverpool)

Ederson, 32 anos (goleiro do Fenerbahçe)

Weverton, 38 anos (goleiro do Grêmio)

Marquinhos, 32 anos (zagueiro do Paris Saint-Germain)

Leo Pereira, 30 anos (zagueiro do Flamengo)

Danilo, 34 anos (lateral-direito/zagueiro do Flamengo)

Douglas Santos, 32 anos (lateral do Zenit)

Alex Sandro, 35 anos (lateral-esquerdo do Flamengo)

Casemiro, 34 anos (volante do Inter Miami)

Fabinho, 32 anos (volante do Al-Ittihad)

Neymar, 34 anos (atacante do Santos)

Líderes para o próximo ciclo

Gabriel Magalhães, 28 anos (zagueiro do Arsenal)

Bruno Guimarães, 28 anos (volante do Newcastle)

Vinícius Júnior, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Saem em alta e podem ganhar protagonismo

Danilo Santos, 25 anos (volante do Botafogo)

Endrick, 19 anos (atacante do Real Madrid)

Rayan, 19 anos (atacante do Bournemouth)

Têm idade para jogar mais uma Copa, mas dependerão do rendimento no ciclo

Bremer, 29 anos (zagueiro da Juventus)

Ibañez, 27 anos (zagueiro do Al-Ahli)

Éderson, 27 anos (volante da Atalanta)

Lucas Paquetá, 28 anos (meia do Flamengo)

Luiz Henrique, 25 anos (atacante do Zenit)

Raphinha, 29 anos (meia-atacante do Barcelona)

Matheus Cunha, 27 anos (meia-atacante do Manchester United)

Gabriel Martinelli, 25 anos (atacante do Arsenal)

Igor Thiago, 25 anos (atacante do Brentford)

Ficaram de fora da Copa de 2026 por lesão e estarão no próximo ciclo

Eder Militão, 28 anos (zagueiro do Real Madrid)

Wesley, 22 anos (lateral da Roma)

Vanderson, 25 anos (lateral do Monaco)

Rodrygo, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Estêvão, 19 anos (atacante do Chelsea)

Preteridos de 2026 que podem ganhar novas chances

Andrey Santos, 22 anos (volante do Chelsea)

João Pedro, 24 anos (atacante do Chelsea)

Vitor Reis, 20 anos (zagueiro do Girona)

Beraldo, 22 (zagueiro do PSG)

Murillo, 24 anos (zagueiro do Nottingham Forest)

Kaiki Bruno, 23 anos (lateral do Como)

André, 24 anos (volante do Wolverhampton)

João Gomes, 25 anos (volante do Wolverhampton)

Savinho, 22 anos (atacante do Manchester City)

Vitor Roque, 21 anos (atacante do Palmeiras)

Racionalidade no lugar da política

Representantes brasileiros de empresas, de entidades da indústria e do agronegócio e economistas estão em Washington para as audiências públicas que se iniciaram ontem e terminam hoje sobre os novos tarifaços que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) quer impor ao país. As audiências referem-se ao processo baseado na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que pode taxar uma série de produtos nacionais em 25%, e a outra investigação sobre mercadorias que seriam produzidas com trabalho forçado, com uma oneração de 12,5%.

A diplomacia brasileira já apresentou a defesa do país, demonstrando os equívocos na argumentação do USTR, mas as negociações entre os governos chegaram a um impasse. As diferenças políticas entre Brasília e Washington têm preponderado sobre as ponderações técnicas. Como a decisão final caberá ao próprio presidente Donald Trump, em posição que deve ser conhecida até o dia 15, ainda é preciso insistir no diálogo. Passa a ser mais importante que o setor privado amplie os esforços para, ao menos, postergar o início do tarifaço, diminuir as taxas previstas ou ampliar a lista de exceções.

As manifestações nas audiências públicas, embora relevantes, têm tempo exíguo, o que dificulta a fundamentação. Será preciso intensificar os contatos com as companhias e entidades setoriais norte-americanas que também serão prejudicadas pelas importações mais caras, tanto de produtos finais quanto de insumos industriais. Algumas associações dos EUA se aliaram ao pleito do Brasil nas audiências, demonstrando a falta de sentido econômico na barreira tarifária que a Casa Branca quer erguer - sem esquecer que o Brasil é deficitário nas trocas comerciais com os norte-americanos desde 2009.

Apesar de Trump ter fixação por taxas, é sensível a pressões empresariais locais, ainda mais se for demonstrado o risco inflacionário na antessala da eleição para o Congresso norte-americano. Deve-se redobrar o empenho nos próximos dias, portanto, para convencer Washington de que as sobretaxas afetam cadeias produtivas e os consumidores norte-americanos. Um estudo do banco central de Nova York publicado em fevereiro demonstrou que a população e os importadores arcaram com quase 90% das tarifas impostas em 2025. Não se deve perder de vista ainda o histórico de Trump e de seu governo de fazer anúncios bombásticos e, em um segundo momento, recuar em alguma medida.

Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI), caso as tarifas de 25% e de 12,5% comecem a vigorar, mais de 4 mil produtos seriam onerados. São negócios que equivalem a US$ 14,9 bilhões. O Estado é uma das unidades da federação mais afetadas. De acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), cerca de 75% dos bens gaúchos vendidos para os EUA ficariam mais caros.

A piora na relação entre os dois países aparece nas estatísticas. A corrente de comércio, que atingiu um recorde de US$ 41,7 bilhões para um primeiro semestre em 2025, recuou agora para US$ 36,7 bilhões. As exportações dos EUA para o Brasil também retrocederam de janeiro a junho, o que comprova o quanto o tensionamento político é nocivo para ambos. É preciso fazer a racionalidade prevalecer. 


 

07 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Política e poder

Novo Plano Diretor se aproxima da sanção

Aprovada em maio após dois meses de discussão em plenário, a revisão do Plano Diretor de Porto Alegre ainda não foi enviada para a sanção do prefeito Sebastião Melo. Desde a derradeira votação na Câmara, a "colcha de retalhos" estava sendo costurada para acomodar as dezenas de emendas aprovadas pelos vereadores e assim elaborar a redação final da nova legislação.

Três técnicos legislativos se dedicaram ao tema desde então, destinados a encaixar cada regra no devido lugar da legislação que define as regras urbanísticas e sobre o uso e ocupação do solo. A redação final já está pronta, mas ajustes ainda estão sendo feitos em um anexo que envolve geolocalização específica, num trabalho que conta com apoio de servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), responsável pelo projeto.

Findada esta etapa, a nova legislação ainda precisará do aval da Comissão de Constituição e Justiça antes de ser encaminhada a Melo, o que está previsto para ocorrer esta semana. Um ato deverá ser organizado para que o presidente da Câmara, Moisés Barboza (PSDB), faça a entrega simbólica do texto ao prefeito.

Na prefeitura, a redação da lei é enviada para as pastas envolvidas com o tema e para análise da Procuradoria-Geral do Município, que orientam sobre a sanção integral ou sugerem algum veto. A partir do momento em que o material for enviado ao Executivo, Melo terá 15 dias úteis para se manifestar.

Como a prefeitura conseguiu impor a sua vontade na Câmara, evitando alteração profunda das propostas, a tendência é de que o prefeito sancione integralmente ou vete apenas itens pontuais. Neste caso, os trechos voltariam ao Legislativo, com possibilidade de manter ou derrubar a decisão de Melo.

Depois de sancionado, o novo Plano Diretor entrará em vigor, ainda sob possibilidade de ser questionado na Justiça pelo Ministério Público (MP) - órgão que apontou possíveis falhas jurídicas nos projetos.

À época da votação na Câmara, o risco de judicialização chegou a ser sugerido pelo MP, que apontava problemas jurídicos na proposta do Executivo. Desde então, o assunto arrefeceu. _

A discussão sobre a redução da idade penal avançou mais um passo. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, determinou a criação de comissão especial para analisar a PEC que reduz a maioridade de 18 para 16 anos.

Painel com candidatos

O alto nível das discussões entre os pré-candidatos a governador surpreendeu lideranças de mais de 200 cooperativas do Estado que acompanharam painel do Sistema Ocergs ontem.

Gabriel Souza (MDB), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) puderam apresentar suas propostas para o setor durante o Fórum dos Presidentes. Juliana Brizola (PDT) havia confirmado presença, mas avisou momentos antes que não poderia comparecer por motivos de saúde - a cadeira dela no palco ficou vazia.

Segundo a assessoria, a pré-candidata estava se sentindo indisposta após roteiro intenso no Interior no final de semana.

O painel abordou quatro temas: enfrentamento aos eventos climáticos extremos, infraestrutura e logística, fortalecimento do diálogo institucional e participação das cooperativas na prestação de serviços públicos.

Os três postulantes ao Palácio Piratini preferiram ocupar o tempo com propostas em vez de alfinetadas e seguiram à risca os temas que foram sugeridos durante cada resposta.

- Queremos ser parceiros permanentes do próximo governo, independentemente do resultado das eleições - indicou o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann.

O cooperativismo responde atualmente por 14% do PIB do Estado. _

Demandas da indústria serão entregues aos pré-candidatos a governador hoje, em encontros individualizados. Eles também terão espaço para apresentar seus planos ao setor. Foram convidados Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), os mais bem colocados nas pesquisas até agora.

PPP da educação em debate hoje

De olho na parceria público- privada (PPP) para reformas e manutenção de escolas da rede estadual, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados fará uma audiência pública em Porto Alegre hoje.

Convocada para debater a lei que inclui os profissionais da Educação Infantil na carreira do magistério, a reunião servirá de palco para ampliar a discussão sobre a medida do Estado. Será no auditório do prédio 11 da PUCRS, a partir das 18h30min.

O leilão está marcado para o dia 23 de julho e inclui 98 escolas estaduais. _

POLÍTICA E PODER

segunda-feira, 6 de julho de 2026

06 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Não aguento mais a palavra hexa

Brasil foi passivo. Brasil foi a passeio. Brasil foi preguiçoso. Brasil foi pachorrento. Não teve combatividade, garra, intensidade. Não se mostrou objetivo com a profusão de chances. Desperdiçou o que o destino ofereceu.

Completaremos mais um ciclo sem Copa do Mundo. Serão 28 anos, a maior abstinência de nossa história. Não aguento mais ouvir a palavra "hexa". É a pior campanha desde 1990, e tecnicamente muito similar ao time mediano de Sebastião Lazaroni, que caiu diante da Argentina de Maradona naquela vez.

Tornou-se a aposentadoria melancólica de Neymar, deixando um gol de honra nos acréscimos, que mais pareceu de comiseração. Ele se reduziu a um coadjuvante em quatro edições do torneio. Encarna uma geração consumida pelas sombras. Erramos um pênalti como na desclassificação de 1986. Erramos tudo como nas últimas duas décadas.

Quem nasceu depois de julho de 2002 nunca viu o Brasil levantar a taça. Não sabe como é isso. Desaprendemos a ganhar. A Noruega nem precisou de muito esforço para vencer por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na tarde de ontem. A Seleção Brasileira terminou com 34% de posse de bola, seu menor índice de todos os tempos (medição desde 1966).

O plantel desacreditado antes da Copa superou as expectativas mais pessimistas. O italiano Carlo Ancelotti, com a bagagem de cinco Ligas dos Campeões, perdeu a mão. Apressou o epitáfio com substituições ofensivas. Bastava Endrick; não precisava de Danilo e Neymar no ápice do confronto.

Tampouco quebramos o tabu de jamais ter superado o oponente da Escandinávia. Somos fregueses. Em cinco jogos disputados entre as equipes, são três derrotas, duas em Copas do Mundo.

O fiorde nos apequenou. Enfrentamos gigantes: Nyland, goleiro, em grande atuação; Ajer e Heggem, zagueiros; Berge, volante; Sorloth e Haaland, atacantes, todos com mais de 1,90m, dominando o céu e a terra. Haaland assumiu a artilharia da competição, com sete gols. Quando tocou na bola, fez. Não existe um matador tão sangue-frio quanto ele. São 62 gols pela Noruega em 54 partidas, o que é inacreditável.

Ele cabeceou como se fosse fácil. Arrematou de fora da área como se fosse simples. Alisson se esticou ao máximo enquanto ele realizava o seu básico.

Não havia nenhuma expressão de cansaço, nenhum suor escorrendo de seu rosto, nenhum esgar de explosão. Era um semideus de rabo de cavalo no meio de meros mortais, um Thor com o martelo da testa e do chute.

Ele se vingou dos memes do filme As Branquelas, nos quais se curvava a Vinícius Júnior. No final, Vini é que desapareceu na decisão, com a sua gula vazia, com a sua tentativa desesperada e atrapalhada de resolver sozinho.

Logo após o triunfo, Erling Haaland postou uma foto no vestiário em seu perfil oficial, encerrando a paródia nas redes sociais: "Ora, ora, ora?". A remada agora será feita para as quartas de final, ecoando em intermináveis coreografias nas arquibancadas.

Os noruegueses mereceram. Exemplificaram em campo as cores da sua bandeira: o vermelho pelo sangue derramado; o branco pela postura gélida como a neve; e o azul por buscar, mais do que nós, a imensidão dos mares.

Existe uma lenda da tradição nórdica, a Saga dos Volsungos, preservada na Islândia medieval e oriunda do imaginário dos antigos povos escandinavos da Era Viking, em que o herói Sigurd mata o dragão Fafnir. Ao provar acidentalmente o sangue do dragão, passa a compreender a linguagem dos pássaros. O triunfo o transforma. O vencedor leva consigo parte da força e do destino do vencido.

Que a Noruega absorva em seu DNA a esperança do torcedor brasileiro, e siga encantando como uma improvável campeã. Pois praticou a imortalidade (Orðstírr) da reputação. Não lutou de qualquer jeito, mas sempre bravamente, com o queixo erguido, enxergando-nos do alto, esparramados e letárgicos no chão. 

CARPINEJAR

 

06 de Julho de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Cría cuervos

Uma mulher que defende a submissão feminina pode ocupar uma posição de liderança sem perder a coerência? A conversa surgiu na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, dias atrás, durante uma discussão sobre o projeto de criminalização da misoginia. A deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, invocou a Bíblia para defender a hierarquia dentro e fora de casa: marido manda, mulher obedece, Deus fiscaliza. Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo, aproveitou a deixa para cutucar o antifeminismo performático das colegas da bancada conservadora: "Se realmente pensassem assim, não seriam deputadas, seriam mulheres submissas a seus maridos dentro das suas casas".

Quem assistiu Mrs. America (Disney) talvez lembre que a incoerência não é o único problema de quem escolhe militar contra os próprios interesses. A série retrata o embate travado entre mulheres de diferentes perfis ideológicos durante a campanha para a aprovação da Emenda dos Direitos Iguais, no início dos anos 1970. 

De um lado, o movimento feminista, liderado por Gloria Steinem (Rose Byrne) e Betty Friedan (Tracey Ullman), defendendo a lei que dificultaria a discriminação baseada no sexo. Do outro, a ativista conservadora Phyllis Schlafly (Cate Blanchett) e sua turma colocando-se contra a possível perda de "privilégios" femininos, como o direito à pensão e a isenção do alistamento militar obrigatório. Spoiler: o movimento conservador ganhou a parada, muito graças à tenacidade de Phyllis Schlafly. Na cena final da série, a ativista recebe o telefonema que esperou a vida inteira. 

Do outro lado da linha está Ronald Reagan, o presidente que ela ajudou a eleger liderando um exército de donas de casa indignadas. Phyllis espera um cargo como prêmio pelos bons serviços prestados, mas ganha apenas um tapinha nas costas. Em termos políticos, o recado era claro: valeu, amiga, agora volte para a cozinha. (Anos mais tarde, Schlafly serviria de inspiração para Margaret Atwood criar outra campeã na modalidade tiro no próprio pé: Serena Joy, a mulher que acaba sendo vítima da teocracia misógina que ajudou a implantar, no livro O Conto da Aia.)

Mulheres de direita são uma população em expansão e se fazem ouvir nas redes sociais, nas igrejas, nos palanques políticos. Todas usufruem do bem-bom da autonomia conquistada a duras penas pelo feminismo para defenderem qualquer ideia que lhes pareça conveniente - inclusive a de que esposas devem obediência aos seus maridos. Quando seus supostos aliados masculinos decidem atacá-las ou diminuí-las, por excesso de iniciativa ou de protagonismo, ninguém deveria se surpreender, muito menos elas mesmas. Cría cuervos y te sacarán los ojos. 

CLÁUDIA LAITANO

06 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Conscientização e proteção aos filhos

Intensificou-se nos últimos anos, de forma bem-vinda, o debate sobre os riscos do uso excessivo de telas e do acesso a redes sociais por crianças e adolescentes. As discussões buscam em especial alertar pais e responsáveis acerca dos perigos desse descontrole, mas também incentivar iniciativas legislativas que ajudem a prevenir danos, como a queda do desempenho escolar, e a proteger contra crimes cometidos no submundo virtual.

Os primeiros resultados dessa maior conscientização parecem começar a aparecer. Na quinta-feira, o IBGE divulgou a edição de 2025 da pesquisa sobre acesso à internet e posse de celular por pessoas com 10 anos ou mais, contida na PNAD Contínua. Entre os oito recortes etários, o grupo de 10 a 13 anos foi o único a registrar queda na utilização de smartphone em relação ao levantamento anterior, de 2024. O percentual caiu de 56,7% para 55,2%. 

O uso da internet também apresentou um leve recuo, de 84,9% para 84,4%. Igualmente, foi o único estrato de idade com queda. A preocupação com a segurança e a privacidade é um dos principais motivos. Mesmo que pareça ser uma redução pequena, pode indicar um momento de inflexão da curva de uso. É dever registrar que na faixa etária imediatamente seguinte, de 14 a 19 anos, os números seguem aumentando.

Os resultados coincidem com o início da vigência, no começo do ano passado, da legislação que restringe celulares no ambiente escolar. Foi ainda em 2025 que o youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, divulgou um vídeo impactante sobre a adultização de crianças e adolescentes na internet. Mostrou os riscos de exploração sexual e como pedófilos agem nas redes sociais. A denúncia deu impulso para a aprovação no Congresso do chamado ECA Digital, um marco para a proteção de menores de idade no ambiente virtual, que passou a vigorar em março deste ano.

Mas toda essa discussão, em primeiro lugar, fez pais e responsáveis ficarem mais atentos. Levou a decisões como retardar a idade em que os filhos ganham o primeiro celular, limitar o tempo de tela e aumentar o controle parental sobre o uso de redes sociais. Os malefícios do uso desmedido e sem orientação da tecnologia são conhecidos. Refletem-se em notas mais baixas, impactos na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo, dificuldades para socializar e exposição a crimes virtuais, como os de cunho sexual. Como reação, a Austrália e países europeus vêm impondo limite de idade para o uso de redes sociais.

Na semana passada, o Ministério da Educação divulgou os resultados de uma pesquisa que mostra, pela ótica dos gestores escolares, os benefícios da lei que limita o celular nos colégios. Dos entrevistados, 97% avaliaram que a participação dos estudantes nas atividades educativas melhorou, 95% atestaram que a socialização e a concentração cresceram, 88% observaram redução de ciberbullying e 56% notaram maior engajamento nas tarefas pedagógicas fora da sala de aula.

O uso da tecnologia traz benefícios e é aliado da aprendizagem quando devidamente acompanhado por adultos responsáveis e orientado por professores em afazeres didáticos. O perigo é a combinação entre imaturidade e exposição precoce e excessiva a telas e redes sociais. É um debate que ainda pode evoluir no país. 

06 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Carlos Rollsing

Novo embate na família Bolsonaro

Depois de ter publicado um vídeo dizendo ter sido apunhalada e maltratada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se envolveu em nova polêmica com potencial de desgaste. Na sexta-feira, ela elogiou nas redes sociais uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Michelle comentou o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, do Ministério da Educação. "É um sonho realizado", postou a ex-primeira-dama, provocando irritação em Flávio e despertando críticas no bolsonarismo. A reação nas redes sociais foi dura, com montagens associando a ex-primeira-dama ao PT e contendo acusações de traição.

No sábado, Michelle publicou uma nova mensagem nas redes sociais para tentar conter a repercussão negativa causada por seu elogio à iniciativa do governo Lula. No novo post, ela afirma que a defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está "acima de qualquer ideologia ou partido". A ex-primeira-dama também alegou que a política de educação bilíngue para surdos foi elaborada ainda durante o governo Bolsonaro, mas teve a tramitação atrasada por uma ação judicial, o que teria impedido sua entrega antes do fim do mandato. Ela concluiu afirmando que o mais relevante não é a autoria da política, mas seus beneficiários, e parabenizou a comunidade surda.

O episódio do vídeo em que Michelle disse ter sido apunhalada por Flávio já causou a saída dela do comando do PL Mulher. O caso dos elogios à política do governo Lula aprofunda as rusgas dentro da família Bolsonaro e coloca mais dúvidas na manutenção da candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.

As brigas entre Michelle e os filhos de Bolsonaro, sobretudo Flávio, Eduardo e Carlos, não são novidade. O fato novo é que as rusgas se ampliam no momento em que Jair Bolsonaro, maior líder da direita brasileira, está em prisão domiciliar, inelegível e com a saúde fragilizada.

O que está acontecendo é uma luta pelo espólio de Bolsonaro, nome que simboliza o domínio de uma considerável fatia do eleitorado brasileiro. A querela e os rumores de que Michelle pode fazer novas revelações sobre o enteado têm potencial para causar danos na candidatura presidencial de Flávio, que já está chamuscada pela descoberta de que pediu R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Bolsonaro.

As avaliações de que a candidatura de Flávio pode sofrer mais abalos teriam, inclusive, motivado a indicação de Gilberto Kassab como candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto isso, Lula aposta nos programas populares a três meses da eleição em primeiro turno. _

Sem partido, Ricardo Gomes decide apoiar Zucco

Desfiliado do PL desde 2024, Ricardo Gomes, ex-vice-prefeito de Porto Alegre, levou sugestões para a área econômica do plano de governo do deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao Palácio Piratini. O encontro aconteceu no sábado. Ricardo cogitou apoiar Gabriel Souza (MDB), mas optou por estar ao lado de Zucco pela identificação com a direita.

- O RS precisa mudar. Estamos avançando, mas em ritmo lento. O Estado precisa de um choque de liberdade econômica - afirmou Ricardo. _

Oposição vai ao MPC questionar licitação do governo Leite

A deputada estadual Laura Sito (PT) ingressa hoje no Ministério Público de Contas (MPC) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) com ofícios requerendo análise da licitação do Estado para a contratação de serviços de comunicação vencida pelas empresas Escala Comunicação e Marketing e House of Creativity (HOC). O caso está chamando atenção porque a HOC tem como CEO o publicitário Fábio Bernardi, marqueteiro da campanha do governador Eduardo Leite em 2022.

Experiente em comunicação política, Bernardi também está no núcleo de comunicação da candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini em 2026. _

Indenização concedida

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, conceder indenização à filha menor de idade de uma médica que atuava em hospital de Passo Fundo à época da pandemia de coronavírus.

A profissional tinha controlado um câncer, mas, durante a emergência sanitária, contraiu o vírus em novembro de 2020. Depois, registrou retorno da doença e faleceu em setembro de 2021. O pedido de indenização foi negado no INSS e na primeira instância da Justiça Federal, que alegou não ter ficado comprovada a relação causal entre a covid e o óbito.

A decisão foi reformada no TRF-4. O desembargador-relator Rogério Favreto destacou que a lei 14.128/21, onde consta o direito à indenização aos profissionais de saúde incapacitados e herdeiros diretos em caso de morte, não exige relação exclusiva entre o vírus e o óbito. A norma menciona presunção legal de que a covid resultou no falecimento, mesmo que não tenha sido a causa única ou imediata, desde que preenchidas condições como diagnóstico do vírus, nexo temporal e laudo médico. A indenização ficou em R$ 180 mil, conforme valores previstos na lei. _

Atuação marcante

Foi inaugurada a fase de denúncias do Ministério Público à Justiça em razão dos supostos crimes em compras da Secretaria da Educação de Porto Alegre (Smed). Se a apuração chegou a tal ponto, papel fundamental foi desempenhado pela ex-vereadora Mari Pimentel, que denunciou irregularidades e não se intimidou com a base governista ao presidir a CPI da Educação na Câmara.

Mari não foi reeleita em 2024, mas segue filiada ao Republicanos, para onde foi depois de colher antipatia no Novo pela condução da CPI. Ela tomou a decisão de não concorrer na eleição de 2026, mas não fecha a porta para voltar no futuro. _

Perda de mandato

Está marcado para hoje, às 14h, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), o depoimento do secretário-geral de Governo do Palácio Piratini, Artur Lemos, na condição de testemunha do PSD na ação de perda de mandato por infidelidade partidária movida  pelo PSDB contra o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD).

O parlamentar trocou o tucanato pelo PSD em janeiro de 2026, antes da abertura da janela em que a mudança de sigla é autorizada. Após o depoimento de Lemos, vice-presidente do PSD-RS, a ação deve avançar à fase de alegações finais, parecer do Ministério Público e julgamento. _

POLÍTICA E PODER

domingo, 5 de julho de 2026

Michelle Vieceli está à frente da Daluz Cervejaria & Gastropub
Foto: Dani Barcellos/Especial/JC

Júlia Fernandes
Repórter

Novidade

Empreendedora à frente de cervejaria artesanal de Porto Alegre abre bar no Rio Branco 

Fundada em 2018, a Daluz entra em um novo momento com a inauguração do Daluz Cervejaria & Gastropub

A história da empreendedora Michelle Vieceli com o segmento cervejeiro já acumula mais de uma década. A jornada começou ainda em 2015, de forma amadora, quando Michelle realizou um curso de cervejeira por um dia. A atividade, que começou como um hobby, transformou-se em algo a mais quando a empreendedora se viu produzindo 200 litros de cerveja em casa. “Na época, pensei ‘preciso fazer alguma coisa, tenho que dar conta de escoar essa produção’”, conta a proprietária da Daluz Cervejaria (@daluzcervejaria)
Fundada em 2018, a DaLuz entra em um novo momento com a inauguração do Daluz Cervejaria & Gastropub (@daluzgastropub). Localizado no bairro Rio Branco, o bar foi aberto há cerca de um mês. O estabelecimento ocupa a antiga casa dos pais de Michelle, que estava desocupada desde a pandemia de Covid-19.  
“Eles me deixaram a casa quando foram morar no interior. Desde lá, tenho cuidado deste espaço e, recentemente, pensei em uma forma de rentabilizar”, comenta a empreendedora, sobre a oportunidade que enxergou em um espaço que estava ocioso. Para Michelle, o fato de não pagar aluguel já era um bom começo. 
Apesar de ser o primeiro bar que a empreendedora comanda sozinha, Michelle já acumula experiência de outros negócios que tocou. Desde que abriu a cervejaria, ela já foi sócia de três bares, entre eles o Povoada Gastrobar, que a empreendedora segue no quadro societário até hoje. “É um lugar que eu amo e dá muito certo, pois tenho sócias maravilhosas. Sempre digo que ter sócia é um casamento, tem a parte boa e a parte difícil”, destaca. 

Bar com cara de casa

Em seu novo bar, Michelle destaca que em cada canto tem o toque dela. A ideia, segundo a empreendedora, é que o espaço seja acolhedor e intimista. Por operar em uma antiga residência, o ambiente se encontra com a proposta. Mesas de madeira, lareira, plantas, cores quentes, luz baixa, entre outros detalhes, compõem a decoração do Daluz Gastropub. 

“Tem muito do meu gosto pessoal, inclusive nas artes. A Daluz investe em artistas locais, em arte e em cultura”, comenta a proprietária, afirmando que as ilustrações espalhadas pelo bar também estão presentes nos rótulos das cervejas. Há um pequeno deque no pátio da casa, que, junto às mesas na calçada, formam o espaço externo do bar. Contando com os lugares no salão, o estabelecimento comporta 50 pessoas. 
O cardápio de bebidas é constituído pelos chopes da fábrica, drinks, e uma carta de vinhos e espumantes. Entre os chopes com mais saída está o American IPA, além deste, a empreendedora destaca que no inverno o Dry Stout é bem procurado também. Os chopes partem de R$ 9,90, enquanto os drinks variam entre R$ 25,00 e R$ 33,00. 
Já na parte de comidas, o cardápio conta com clássicos de boteco e algumas criações autorais. “Todo cliente que chega e pede uma cerveja ganha um petisco, que é o ingrediente principal da cerveja, a cevada. Hidrato e depois tempero com páprica, azeite e sal”, comenta Michelle sobre a opção criada por ela para substituir os amendoins. Na sessão de entradas, o destaque é o bolinho de cream cheese com presunto parma, castanha de caju e azeitona, por R$ 59,90. Na parte dos principais, os sanduíches são os protagonistas e partem de R$ 40,00. 
A empreendedora comenta que a ideia é oferecer pelo menos uma vez por semana música ao vivo. “A proposta é que os shows ocorram aos domingos, quando servimos no almoço a nossa feijoada”, explica Michelle.  

Desafios de empreender no mercado cervejeiro

Para a empreendedora, o novo bar é uma forma de dar mais visibilidade para a Daluz Cervejaria. Segundo ela, o segmento cervejeiro é concorrido. “Eram cerca de 60 cervejarias antes das enchentes, e esse número reduziu para algo em torno de 20 plantas. Foi uma divisória para o mercado”, observa Michelle, sobre o período das enchentes de maio de 2024 que impactaram o Rio Grande do Sul. “Esse novo projeto é uma forma de escoar a produção e, de alguma forma, se aproximar dos clientes da marca.” 

Acostumada com o público boêmio da Cidade Baixa, bairro onde estão endereçados outros negócios que a empreendedora já esteve à frente e o Povoada, Michelle admite estar conhecendo o público da nova operação. “Ainda estou tateando em relação ao consumidor, ao cliente. É um público novo, mas estou animada para atender outros públicos também”, garante. 
Além de empreender, Michelle trabalha no formato CLT atuando como supervisora e monitora de indicadores em uma empresa de cozinha industrial. “Me formei em nutrição e atualmente trabalho com 20 restaurantes. E também sou mãe. Sou quase o pai do Chris, com dois empregos”, brinca a empreendedora sobre a rotina agitada, relacionando sua realidade com o pai do protagonista da série dos anos 2000, Todo Mundo Odeia o Chris.  
Para que desse certo, Michelle precisou sair da operação do dia-a-dia e focar na gestão do negócio. “Tenho que ser mais a cabeça do que o braço, mais pensando e administrando do que executando, além de ter boas pessoas e de confiança trabalhando comigo”, salienta. 
Apesar da intensidade do trabalho, Michelle não se enxerga fazendo outra coisa. “A cerveja representa para mim prazer e esperança. Eu acredito na cerveja, além do negócio ela é algo que me mobiliza.”

Resort na fronteira do RS com Argentina terá investimento de R$ 400 milhões

Maquete eletrônica mostra como será o Costana Frontier Resort, que ficará às margens do Rio Uruguai

Maquete eletrônica mostra como será o Costana Frontier Resort, que ficará às margens do Rio Uruguai

Costana Frontier Resort/Projeto/Divulgação/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
Surge, às margens do Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina, um complexo turístico que deverá receber aporte de R$ 400 milhões ao longo de sua implementação, prevista para os próximos cinco anos. É no município de Novo Machado, na Região Fronteira Noroeste do RS.
Trata-se do Costana Frontier Resort, realização da MSK Incorp, empresa do grupo Tecnika Engenharia Especializada, de Santa Rosa. O empreendimento tem entrega prevista para 2031, com capacidade para mais de mil hóspedes e ocupará uma área superior a 66 mil metros quadrados, permeada pela Mata Atlântica, a 7 quilômetros do município Porto Mauá.
Inicialmente, a previsão é de que o aporte será inteiramente realizado com recursos próprios. A empresa também está habilitada no Prograntur, iniciativa do governo estadual que utiliza verba do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para custear grandes empreendimentos turísticos em solo gaúcho. Entretanto, conforme o diretor-executivo do Costana Frontier Resort, Vando Knob Hartmann, ainda há indefinições sobre a participação no programa.
"É o maior empreendimento turístico do Norte do Estado, estamos falando de um VGV (valor geral de vendas) de R$ 600 milhões e de 275 unidades habitacionais que já estamos comercializando. É um empreendimento que tem um poder de atratividade, de trazer turistas de outras regiões para cá. Aqui, no Noroeste do Estado, tem 77 municípios que estão desassistidos de opções de lazer com essa proposta, cujos moradores precisam se deslocar 4, 5, 6 horas para isso. É uma oportunidade de trazer para cá o que ainda não temos e, com esse movimento, desenvolver a região", defende Hartmann.
Diretor executivo do Costana Frontier Resort, Vando Hartmann foi um dos painelistas do Mapa Econômico do RS, em Ijuí | TÂNIA MEINERZ/JC
Diretor executivo do Costana Frontier Resort, Vando Hartmann foi um dos painelistas do Mapa Econômico do RS, em IjuíTÂNIA MEINERZ/JC
Atualmente, o projeto está em suas etapas iniciais, com o cercamento da área e começo da terraplanagem sendo realizados. Nos próximos cinco anos, a expectativa é de que todas as fases das obras possam estar prontas, incluindo a comercialização dos imóveis e a entrega do empreendimento.
Houve, entretanto, no percurso, etapas burocráticas inerentes às obras localizadas próximas às regiões fronteiriças, que possuem legislações específicas. "É preciso respeitar toda a parte da legislação ambiental, que é extremamente complexa. Ali, foi desenvolvido um distrito turístico. É uma área que passou a ser urbanizada. Tem todo o processo de incorporação imobiliária. São mais de 40 equipes no trabalho de bastidores, desenvolvendo o trabalho antes de se tornar público. Era necessário que, com o lançamento do empreendimento, tudo estivesse regular. E as questões técnicas já foram vencidas", explica Hartmann. 
A proposta inclui a atração de moradores das regiões fronteiriças próximas, como Argentina e Paraguai. A localização, próximo a fronteiriça Porto Mauá, favorece a conexão, unindo a experiência de compras nos free shops, a proximidade com os famosos vinhos argentinos e a cultura gaúcha. 
"Quando olhamos a nossa estrutura fundiária, somos muito parecidos com a Serra Gaúcha no tamanho das propriedades. E aí precisamos enxergar como agregar mais valor nessas propriedades. Por um lado, tem que gerar mais riqueza na produção, no agro. Por outro, é preciso reter dinheiro aqui na região e trazer recursos de outros locais. E o poder do nosso empreendimento é esse, reter o recurso que já existe na região e trazer dinheiro de outros lugares. A possibilidade de estarmos na fronteira com a Argentina e próximos do Paraguai contribui, podendo trazer verba de outros países e estados para desenvolver o Rio Grande do Sul e a nossa região", defende Hartmann.

Empreendimento promoverá contato com a natureza

Além de ter vista para o Rio Uruguai e, consequentemente, à margem argentina, o resort será construído em meio à mata nativa e deverá promover o contato com a natureza, a partir de paisagens exuberantes e atrações naturais. A proposta é fazer uma hospedagem de alto padrão. 
Um dos destaques do projeto é a construção da primeira praia artificial privativa da região. Ela oferece uma nova opção para os banhistas, que ganham a oportunidade de relaxar, tomar sol e se divertir com a privacidade e comodidade do resort. Todas as áreas foram pensadas para serem aproveitadas no verão ou no inverno. 
Recentemente, o empreendimento obteve a autorização de pesquisa para águas termais junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). O documento dá o sinal verde para investigar o potencial de águas termais no solo do empreendimento, o que pode ampliar ainda mais a oferta de atrações para o público. 
Projeção digital mostra como será o resort na Fronteira Noroeste do RS, junto ao Rio Uruguai | Costana Frontier Resort/Projeto/Divulgação/JC
Projeção digital mostra como será o resort na Fronteira Noroeste do RS, junto ao Rio UruguaiCostana Frontier Resort/Projeto/Divulgação/JC

Propriedades podem ser adquiridas em múltiplos formatos

A principal modalidade para adquirir uma unidade do resort e se tornar proprietário é o Costana Condo Resort, a linha premium do empreendimento. Nesta opção, o comprador adquire uma unidade integral e exclusiva na planta. O proprietário tem a liberdade de utilizar o apartamento quando desejar ou integrá-lo ao pool flexível de locação, de acordo com o material de divulgação do empreendimento.
Também há a opção de propriedade inteligente para um grupo específico de unidades. Neste formato, o comprador adquire frações de tempo do imóvel, otimizando o investimento. 
Para o público da Argentina e do Paraguai, o Costana viabiliza a modalidade de direito de uso. Essa solução foi estruturada para facilitar e regulamentar o acesso de clientes e investidores internacionais à infraestrutura do resort brasileiro.
O Costana Frontier Resort é parceiro da intercambiadora de férias RCI. Isso permite que todos os proprietários possam aproveitar mais de 100 destinos nacionais e internacionais, em 4.200 Resorts e mais de 6.000 hotéis afiliados. Assim, aqueles que possuem uma participação no empreendimento podem solicitar a troca de uma ou mais semanas de férias no Costana para serem aproveitadas em outro destino turístico. 

Ficha Técnica

Investimento: R$ 400 milhões
Estágio: Em andamento
Empresa: MSK Incorp
País da empresa: Brasil
Cidade do investimento: Novo Machado
Área: Serviços
Capital: Privado
Finalidade: construção do resort

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