quarta-feira, 23 de setembro de 2026

23 de Setembro de 2026
MÁRIO CORSO

O cachorro fantasma

Os primeiros dias de Ana em Porto Alegre foram difíceis. Precisava se adaptar à faculdade e à cidade ao mesmo tempo. Seu consolo, e o único elo com o passado, era o Tarzan - um cachorro minúsculo, mas esperto e devotado a sua dona. Seu latido era tão fraco que nem para ser esganiçado servia. Faziam dez anos que viviam em harmonia, embora ele detestasse os namorados de Ana.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Tarzan estava jurado de morte, na verdade, de expulsão. O condomínio não permitia cães. Hoje a história espanta, mas estávamos nos anos 1980, no tempo que linguiça ainda tinha trema, e a tolerância com animais de estimação era outra.

A maioria dos moradores do prédio até tinha uma simpatia pelo Tarzan, mas a subsíndica estava numa cruzada e o síndico tinha que seguir a convenção. A queixa era os latidos anêmicos quando pessoas passavam perto da porta. A pressão foi tanta que Ana chamou os pais para levar o cachorro.

Ana tinha pouca chance de ir ver sua família e o Tarzan. O Alegrete não fica na esquina, mas a 492 quilômetros daqui. Nem para seu aniversário conseguiu ir. Uma semana depois da data, Ana recebeu pelo correio uma fita cassete com mensagens de aniversário dos parentes e amigos. No final uma brincadeira, a última mensagem era latidos do Tarzan.

Ana ouviu a fita várias vezes, sempre emocionada. No outro dia, constrangido, o síndico bate na porta. A Dona Mercedes, a subsíndica, reclamou outra vez dos latidos do Tarzan. Ana deu-se conta do que aconteceu, mas não comentou nada. Fez o síndico entrar e ver que não havia cachorro. Na cabeça, bolava a vingança que o destino lhe entregou de graça.

Dona Mercedes era de hábitos. Cedo de manhã, levava o lixo para fora. Controlando pelo olho mágico, Ana aproveitava a passagem dela, de ida e de volta, para reproduzir os latidos do Tarzan.

Passados uns dias, o síndico veio com Dona Mercedes, para mostrar a ela que não havia nem Tarzan, nem outro cão. Acrescentou que só ela no prédio escutava os tais latidos. Ana aproveitou a ocasião para, com uma mentira, dar o golpe final.

- Dona Mercedes, só se a senhora é sensitiva para ouvir o Tarzan, ele morreu de tristeza logo que foi embora. 

MÁRIO CORSO

23 de Setembro de 2026
MÁRIO CORSO

O cachorro fantasma

Os primeiros dias de Ana em Porto Alegre foram difíceis. Precisava se adaptar à faculdade e à cidade ao mesmo tempo. Seu consolo, e o único elo com o passado, era o Tarzan - um cachorro minúsculo, mas esperto e devotado a sua dona. Seu latido era tão fraco que nem para ser esganiçado servia. Faziam dez anos que viviam em harmonia, embora ele detestasse os namorados de Ana.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Tarzan estava jurado de morte, na verdade, de expulsão. O condomínio não permitia cães. Hoje a história espanta, mas estávamos nos anos 1980, no tempo que linguiça ainda tinha trema, e a tolerância com animais de estimação era outra.

A maioria dos moradores do prédio até tinha uma simpatia pelo Tarzan, mas a subsíndica estava numa cruzada e o síndico tinha que seguir a convenção. A queixa era os latidos anêmicos quando pessoas passavam perto da porta. A pressão foi tanta que Ana chamou os pais para levar o cachorro.

Ana tinha pouca chance de ir ver sua família e o Tarzan. O Alegrete não fica na esquina, mas a 492 quilômetros daqui. Nem para seu aniversário conseguiu ir. Uma semana depois da data, Ana recebeu pelo correio uma fita cassete com mensagens de aniversário dos parentes e amigos. No final uma brincadeira, a última mensagem era latidos do Tarzan.

Ana ouviu a fita várias vezes, sempre emocionada. No outro dia, constrangido, o síndico bate na porta. A Dona Mercedes, a subsíndica, reclamou outra vez dos latidos do Tarzan. Ana deu-se conta do que aconteceu, mas não comentou nada. Fez o síndico entrar e ver que não havia cachorro. Na cabeça, bolava a vingança que o destino lhe entregou de graça.

Dona Mercedes era de hábitos. Cedo de manhã, levava o lixo para fora. Controlando pelo olho mágico, Ana aproveitava a passagem dela, de ida e de volta, para reproduzir os latidos do Tarzan.

Passados uns dias, o síndico veio com Dona Mercedes, para mostrar a ela que não havia nem Tarzan, nem outro cão. Acrescentou que só ela no prédio escutava os tais latidos. Ana aproveitou a ocasião para, com uma mentira, dar o golpe final.

- Dona Mercedes, só se a senhora é sensitiva para ouvir o Tarzan, ele morreu de tristeza logo que foi embora. 

MÁRIO CORSO

23 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Chance de ser exemplo nacional

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre tem a oportunidade de dar um bom exemplo ao país, aprovando o fim das emendas impositivas, de execução obrigatória pela prefeitura. O debate ganhou força após a operação do Ministério Público (MP) deflagrada na última sexta-feira, quando foram presas quatro pessoas, incluindo o vereador e candidato a deputado estadual Giovane Byl (Podemos). A investigação aponta para um possível desvio de R$ 2 milhões de recursos de emendas que deveriam ser aplicados na área da saúde.

Traz alento que a ideia de acabar com as emendas impositivas tenha o apoio de parlamentares de diferentes espectros ideológicos e da base e da oposição ao prefeito Sebastião Melo. Espera-se que reúna adesões suficientes para avançar e ser aprovada, na contramão da tendência de um número crescente de Câmaras de Vereadores de se apossar de parte do orçamento, invadindo uma atribuição que deveria ser do Executivo. A distorção criada pelo Congresso Nacional se espalha Brasil afora.

O projeto de emenda à Lei Orgânica com esse objetivo é do vereador Roberto Robaina (PSOL). Tem a chancela do líder do governo na Casa, Idenir Cecchim (MDB), informa o repórter Henrique Ternus, colaborador da coluna Política e Poder, de Rosane de Oliveira. Autor de proposta para criar uma CPI sobre emendas indicadas à Secretaria da Saúde, o vereador Ramiro Rosário (Novo) avaliza a proposta. O prefeito Melo também é favorável. Pelo texto, os vereadores ainda poderão sugerir emendas, mas estas terão de ser aprovadas em plenário.

As emendas impositivas na Capital foram criadas em 2019 pela Câmara. Pela norma vigente, 0,65% da receita líquida do município é reservada para a indicação de parlamentares. Metade dos valores deve ir para a saúde. Neste ano, são R$ 65,9 milhões, com R$ 1,88 milhão para cada vereador. Em junho do ano passado, outro projeto de emenda à Lei Orgânica, do então vereador Gilvani, o Gringo (Republicanos), cassado em dezembro, propôs a instituição de emendas de bancada. Abocanhariam mais 1% da receita. O texto segue em tramitação, mas deve ter o esquecimento como destino.

Um estudo publicado em junho pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostrou que, à época, 47% das cidades brasileiras já contavam com emendas impositivas criadas pelos Legislativos. Contando com os locais onde a medida estava em tramitação, o percentual chegaria em breve a 60%. No Rio Grande do Sul, estava em 42%.

O resultado de inúmeras investigações que vieram a público sobre a farra das emendas no país confirma que essa prática colide com o interesse real da sociedade de ver bem aplicados os recursos dos impostos pagos. A pulverização de verbas sem a devida transparência e sem preocupação com adequação técnica, critérios claros e viabilidade resulta em uma alocação de má qualidade, que se presta mais a interesses eleitorais. Retira dinheiro de projetos e obras estruturantes e, não raro, acaba em escândalos.

Diante de tanto descrédito na política brasileira, os vereadores de Porto Alegre têm a chance de dar um exemplo positivo de demonstração de verdadeiro espírito público. 

23 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Partidos já repassaram mais de R$ 261 milhões a candidatos no RS

A poucos dias do primeiro turno, os partidos já enviaram R$ 261,61 milhões do fundo eleitoral para as campanhas dos candidatos gaúchos ao governo, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. A maior parte desse valor - R$ 213,6 milhões, o equivalente a 81,5% - é destinada aos postulantes a uma cadeira de deputado federal e estadual (acesse a lista completa no código QR abaixo).

Para os candidatos ao Palácio Piratini, R$ 30,16 milhões foram repassados pelos partidos. Aos que disputam o Senado, R$ 17,8 milhões. Além do recurso do fundo partidário, parte dos candidatos incrementa a verba da campanha com doações de pessoas físicas ou com financiamentos coletivos.

O levantamento dos valores arrecadados para a realização das campanhas eleitorais foi feito pela coluna com auxílio de inteligência artificial, a partir de dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral, atualizados em 21 de setembro.

O maior volume de recursos para campanha eleitoral no Rio Grande do Sul é destinado aos candidatos a deputado federal. Dos 458 postulantes a uma cadeira na bancada gaúcha da Câmara dos Deputados, 376 receberam, somados, R$ 134.884.476,77 até agora para as campanhas - outros 82 não receberam dinheiro ou não informaram à Justiça Eleitoral até o momento.

Entre as 30 campanhas mais ricas, 25 são de deputados que concorrem à reeleição, que receberam entre R$ 3,17 milhões e R$ 1,75 milhão. Ficou de fora apenas Maurício Marcon (PL), que recebeu R$ 780 mil.

Os cinco candidatos sem mandato em Brasília que aparecem entre as campanhas mais vultosas são Onyx Lorenzoni (PP), com R$ 2.726.555,20; Luciano Azevedo (PSD), com R$ 2.050.000,00; Fábia Richter (PSD), com R$ 2.000.000,00; Laura Sito (PT), com R$ 1.809.275,86; e Felipe Camozzato (Novo), com R$ 1.805.676,82.

Dos atuais 31 deputados, somente cinco não disputam a reeleição: Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL) e Paulo Pimenta (PT) concorrem a outros cargos, e Márcio Biolchi (MDB) desistiu da carreira política.

Em 4 de outubro, o Rio Grande do Sul vai eleger 31 deputados federais, que formarão a bancada gaúcha em Brasília. _

TRE devolve mandato a deputado que trocou o PSDB pelo PSD

Por decisão da desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de González, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD) reassumirá a cadeira na Assembleia Legislativa. Bonatto teve o mandato cassado por infidelidade partidária, ao trocar o PSDB pelo PSD antes da abertura da janela em que as mudanças são permitidas.

Mesmo tendo recorrido, foi substituído pela segunda suplente, Zilá Breitenbach, já que o primeiro, Jessé Sangali, deixou o PSDB e concorreu na eleição de 2024 em Porto Alegre pelo PL.

Ao apreciar o recurso de Bonatto, a desembargadora entendeu que ele tem o direito de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral sem deixar o cargo para o qual foi eleito em 2022. _

R$ 78,7 milhões

para concorrentes a deputado estadual

Entre os candidatos que disputam uma cadeira na Assembleia Legislativa, a distribuição do fundo eleitoral é mais pulverizada do que na Câmara. Já foram enviados R$ 78.770.914,11 para 484 postulantes no Estado - 58 nomes aparecem na lista sem um centavo de ajuda partidária.

Das 100 campanhas que mais receberam recursos partidários, 36 são de parlamentares que disputam a reeleição. Há mais nove atuais deputados que concorrem a um novo mandato e receberam menos dinheiro. Dos 55 titulares na Assembleia, sobram 10, que disputarão cargos distintos no pleito: sete concorrem à Câmara dos Deputados, dois são candidatos a vice-governador e um tenta o Senado.

São do PL os três candidatos que mais receberam dinheiro do fundo partidário: Cláudio Branchieri, Kelly Moraes e Maurício Scalco têm R$ 1,27 milhão à disposição. Nicole Webber Covatti é a candidata do PP que mais recebeu recursos do partido - mais até que os candidatos à reeleição da sigla. A vereadora de Santa Cruz do Sul e esposa do presidente estadual do partido, Covatti Filho, obteve R$ 1,65 milhão.

Na esquerda, Luciana Genro e Matheus Gomes ganharam quase R$ 1,2 milhão cada um do PSOL. No PT, Sofia Cavedon e Stela Farias aparecem no topo da lista e têm R$ 625.500,00. Além delas, outras 10 mulheres lideram o ranking de distribuição do fundo petista - todas sem mandato na Assembleia. Os sete deputados homens que disputam a reeleição no partido aparecem com valores entre R$ 250 mil e R$ 265,5 mil. _

Lula aborda temas externos e eleições

A manifestação do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU foi previsível sob todos os pontos de vista. Por 20 minutos, alternou temas da política externa com questões paroquiais, próprias do ano eleitoral. Lula defendeu a soberania brasileira, disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e criticou as pretensões imperialistas do presidente Donald Trump na América Latina.

Em vários momentos, Lula usou a retórica de palanque, dizendo que na eleição de 4 de outubro o Brasil vai escolher entre a democracia e o negacionismo.

Ao se referir aos países vizinhos, mencionou o bloqueio a Cuba. Disse que o povo da Venezuela merece escolher seu destino, uma menção à intervenção americana e à exploração das riquezas naturais do país vizinho.

Lula lembrou que o Brasil tem reservas de petróleo, terras raras e minerais críticos e que seu governo quer explorar essas riquezas de forma soberana. Citou a exploração de petróleo na margem equatorial da Foz do Amazonas, acrescentando que isso não significa abandonar as políticas de transição energética. O presidente voltou a citar a redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a criação de um fundo de preservação das florestas tropicais. 

Kassio Nunes Marques é a bola da vez no caso Master

No dia em que Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar da sessão que decidiria sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes, deixou presa na garganta dos espectadores a clássica expressão de desconfiança resumida em duas palavras: "aí tem". E tinha. Já circulavam informações sobre o pagamento de R$ 281,6 mil a seu filho Kevin pela consultoria Consult Inteligência Tributária, que recebera mais de R$ 6,6 milhões de Vorcaro. Uma mensagem encontrada no celular do banqueiro indicava pagamento de mesada de R$ 500 mil ao mesmo Kevin. O ministro garantiu que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro. Nem o filho.

Passaram-se alguns dias e Kassio tornou-se a bola da vez no escândalo do Master, com a descoberta de mais um pacote de mensagens sobre o que Vorcaro chamava de "a turma do KN". Kassio com K, como era chamado logo que virou ministro do STF, seria um agente dos interesses do banqueiro no Supremo, cooptado por uma amiga advogada, casada com um desembargador.

É nesse contexto que se discute o fechamento de um contrato de quase R$ 427 milhões com "a turma do KN", em caso de sucesso em julgamentos de processos de interesse de Vorcaro e em desfavor da União. Com tantas menções a KN, será impossível negar que alguma relação existiu. Já são cinco ministros que, direta ou indiretamente, receberam dinheiro e/ou mimos de Vorcaro ou tiveram negócios com ele: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. 

POLÍTICA E PODER

23 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Na ONU, Lula discursa para convertidos

Não sejamos ingênuos: política externa não dá votos. Nunca deu. O eleitor vota muito mais com a cabeça nos aspectos que influenciam o seu dia a dia - o preço dos alimentos, emprego, o atendimento à saúde e o combate à violência - do que pensando na agenda geopolítica de um país.

É claro que a guerra na Ucrânia afeta o preço do trigo, do milho e dos fertilizantes, e, consequentemente, o valor que se paga pelos alimentos à mesa dos brasileiros. Ou um ataque ao Irã e o fechamento do Estreito do Ormuz repercutem diretamente no barril de petróleo que, ato contínuo, chega à bomba do posto da gasolina.

Mas o eleitor geral não faz, facilmente, essa ponte. O empresário, o setor do agronegócio, o industrial o faz. Mas não muda seu voto por causa do discurso do presidente na ONU.

Aliás, a disputa eleitoral está tão calcificada, que, praticamente, nem uma hecatombe mudaria as posições do eleitorado. Dito isso, Lula discursou na Assembleia Geral, em Nova York, para convertidos: defesa da democracia, da soberania, alertas sobre interferência externa e a criação de zonas de influência globais.

Frase de efeito - Tudo isso não dá voto. Tampouco o resgate da expressão pejorativa da América Latina como "quintal" dos Estados Unidos. "Não somos quintal de ninguém", disse.

Uma frase de efeito, é verdade. Mas, quintal ou não, o Brasil sofre, como toda nação média, os efeitos de existir geograficamente no mesmo continente de uma potência hegemônica. Sofre as afetações de sua agenda geopolítica, para o bem e para o mal. Mas também se relaciona com tal potência, no nosso caso os Estados Unidos, ora com maior aproximação, ora com maior distanciamento.

No caso brasileiro, a cartilha da Casa de Rio Branco recomenda o pragmatismo em momentos de bipolaridade (EUA x China), como na atual esquina da História, o que exige malabarismo para aproveitar, segundo seus interesses, o melhor de cada lado.

No púlpito da ONU, Lula escolhe a desgastada estratégia de arregimentar a população contra o inimigo externo, no caso Donald Trump. Nem sempre dá certo.

Também não é certeza de vitória arvorar-se defensor da democracia em uma suposta guerra de civilização x barbárie. Hillary Clinton tentou contra Donald Trump em 2016. Não vingou. Joe Biden e, depois, Kamala Harris também tentaram em 2024. Perderam.

Eleições continuam sendo decididas muito mais pelo que acontece dentro de casa do que pelo que se diz no púlpito das Nações Unidas. O "quintal" que realmente importa no caminho para o 4 de outubro é o brasileiro. 

Americano tenta aproximação com presidente

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, buscou uma aproximação com o presidente Lula e sua comitiva durante a Assembleia Geral da ONU, porém não conseguiu conversar com o brasileiro. O "quase" encontro ocorreu após o discurso do presidente no evento.

Lula caminhava acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, e do tradutor Sérgio Ferreira. Imagens mostram Rubio tentando se aproximar do presidente em meio a outras pessoas. Em determinado momento, chega a esticar o braço em direção ao brasileiro, mas não consegue tocá-lo. Instantes depois, Lula e Vieira olham para Rubio.

O chanceler brasileiro inclusive dirige uma palavra ao secretário americano, porém, pelas imagens, não é possível identificar o que ele diz. Rubio, ao que parece, coloca a mão no ombro de Vieira. Nesse momento, a comitiva segue por um caminho, e Rubio não consegue conversar com presidente. _

Delcy Rodríguez em solo americano

Delcy Rodríguez, a presidente da Venezuela que assumiu após a deposição de Nicolás Maduro, está pela primeira vez nos Estados Unidos desde o bombardeio americano a Caracas, ocorrido em janeiro. Ela chegou a New Jersey na segunda-feira.

Ironicamente, ela está em Nova York, a mesma cidade onde Maduro está preso desde que foi capturado pelo governo de Donald Trump. A presidente se reunirá com Trump nesta noite. Seu discurso na Assembleia Geral está agendado para hoje. 

Críticas ao Conselho de Segurança

O presidente Lula usou o seu discurso na ONU para falar sobre o papel da organização e teceu críticas ao Conselho de Segurança:

- Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. _

O papel de Fachin no STF

O jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enfrentou uma "tropa de choque" durante o julgamento da última semana.

A fala do jurista, feita durante o programa Conversas Cruzadas, de GZH, na última segunda-feira, ocorreu no contexto da análise dos discursos dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino durante o julgamento.

- Ele (Edson Fachin) estava enfrentando uma tropa de choque. E tem agressividade junto com o Alexandre de Moraes e o Dino, que saiu atrás, batendo o bumbo de forma agressiva. A forma como foi feita foi um desrespeito à Corte, ao presidente, à Justiça. Aquilo não era lugar para tropa de choque. E isso é lamentável. Por isso que há um desânimo, um desconsolo, uma decepção correndo não só junto ao meio jurídico, mas junto à própria população - afirmou Reale Júnior. 

INFORME ESPECIAL

22 de Setembro de 2026
NÍLSON SOUZA

A visitante de setembro

Como previu a poeta Cecília Meireles numa de suas primorosas prosas, a primavera chega hoje mesmo que ninguém saiba seu nome nem possua jardim para recebê-la. Os canteiros públicos da Leal e Valorosa estão tomados pelos chamados wind banners eleitorais, que prejudicam a visibilidade dos motoristas e expõem uma repetição perdulária de rostos photoshopados, mas, ainda assim, representam inegável avanço civilizatório na comparação com os antigos e poluidores cartazes de papel colados em postes e muros. Suportemo-los, pois.

Em breve, como compensação, teremos tapetes de pétalas coloridas nas calçadas da cidade, generosidade anual de ipês e jacarandás que resistem impassíveis às travessuras do menino do tempo ruim, apelidado de El Niño pelos pescadores do Pacífico sul-americano. Vem turbulência climática por aí, previnem os previsores. E todos nós, testemunhas e sobreviventes de catástrofes recentes, procuramos nos preparar para o pior em vez de apurarmos nossos sentidos para os perfumes, cores e gorjeios da nova estação.

Na orla do Guaíba, na zona sul da Capital, operários e máquinas construíram da noite para o dia uma verdadeira muralha da China de malha impermeável e telas de aço, recheada de areia. Nunca tinha visto nada igual. O rio ficou escondido atrás daquele enorme e estranho dique, observado com desconfiança pelos frequentadores do calçadão. Nos meus passeios matinais, já ouvi mais de uma vez o mesmo comentário de outros caminhantes:

- Não vai adiantar nada!

Espero que adiante. Na verdade, torço para que a cortina de areia nem seja testada, mesmo que isso possa frustrar seus idealizadores e os palpiteiros derrotistas. Prefiro mil vezes que a visitante de setembro assuma o seu protagonismo de sempre, atraindo nossos olhares e nossa audição para o colorido das flores, para o canto dos pássaros apaixonados e para o farfalhar quase silencioso das borboletas. Pode ser que o tal El Niño e esse nosso rio tão vilipendiado por aterros e apelidos também se distraiam com as belezas da estação e nos poupem de eventuais retaliações. Nenhum muro vai deter a primavera. _

NÍLSON SOUZA

22 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS

O campo e a nova realidade do clima

Entre 2020 e 2025, os agricultores gaúchos padeceram com quatro grandes estiagens, que causaram perdas severas nas lavouras de verão. Nenhuma empresa ou ramo de negócio conseguiria sair incólume de uma sequência semelhante de frustrações de receitas enquanto as contas seguem a bater na porta e os custos de produção sobem. A escalada do juro no país e o período de baixa dos preços dos grãos completaram a conjuntura desastrosa. O resultado é o altíssimo endividamento no campo, quadro que gera risco à continuidade de milhares de famílias na atividade em suas propriedades. Ao mesmo tempo, a economia gaúcha patina, crescendo abaixo do ritmo dos demais Estados.

As provações e as soluções para o agronegócio gaúcho são a pauta da quinta reportagem da série de oito que o Grupo RBS está publicando sobre os principais desafios do Estado para os próximos anos. São temas que reclamam um olhar especial do governo a ser eleito no próximo mês.

A lição do passado recente, somada à perspectiva de eventos climáticos extremos recorrentes e intensos, impõe que o Rio Grande do Sul encontre formas de dar um salto na área irrigada de lavouras como as de soja e milho. Conforme a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), somente 5,3% da extensão cultivada com essas culturas não conta apenas com a água da chuva. É ilusão cogitar haver condições de irrigar a maior parte dessas lavouras, mas é factível um salto expressivo que diminua muito o impacto de períodos secos. Levar água às plantações, mais do que prevenir quebras de safra, significa elevação da produtividade e impulso econômico.

O programa Irriga+RS, do governo do Estado, oferece subvenção para reservação de águas e aquisição de sistemas de irrigação, mas teve um avanço considerado insuficiente nos últimos anos. A descapitalização dos agricultores é um obstáculo. Assim, é necessário insistir na melhoria das condições do programa federal de renegociação de dívidas rurais, para que mais produtores tenham novo fôlego para esse investimento estruturante nas propriedades. Mas caberá ao próximo governo gaúcho buscar outras alternativas. 

Uma delas pode ser o modelo do chamado Fundopem da Irrigação, com incentivos fiscais para facilitar projetos do gênero. Será necessário responder como a iniciativa se adaptará à reforma tributária, com o ICMS substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Convém ainda insistir com o governo federal na proposta de o Estado continuar a contar com a suspensão do pagamento das parcelas da dívida com a União a partir do próximo ano, utilizando esses recursos para um programa ousado de expansão da área irrigada.

Na primeira metade da década, o Estado perdeu 48,6 milhões de toneladas de grãos, o que significou R$ 126 bilhões a menos de receita no campo e R$ 319,2 bilhões que deixaram de ser injetados na economia e na arrecadação de impostos. São números que gritam o quanto é fundamental atacar esse gargalo que fez o RS ser o lanterna no crescimento do PIB no país. Caro é continuar como está. Sem enfrentar essa questão, a renegociação do endividamento rural tende a ser mero paliativo. É uma agenda inadiável para o próximo governo contribuir para o campo se adaptar à nova realidade climática. 

OPINIÃO RBS

22 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Por compromissos fiscais públicos

O mercado, como se sabe, alimenta-se de previsibilidade. Por isso, períodos eleitorais em sistemas presidencialistas costumam produzir turbulência, sobretudo quando existe a possibilidade de mudanças significativas na condução da economia. Ainda mais no cenário brasileiro de 2026, cujo desfecho, indicam as pesquisas, tende a ser disputado voto a voto.

Com propostas diametralmente opostas, não seria má ideia se os dois líderes da corrida, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentassem ao país, por meio de documentos públicos, compromissos fiscais claros para os próximos quatro anos. Diretrizes para dívida, despesas, impostos e regra fiscal, acompanhadas, quem sabe, dos principais nomes da futura equipe econômica, ofereceriam um mínimo de previsibilidade sobre o que virá a partir de 5 de janeiro de 2027.

No lado do governo, uma carta não eliminaria as críticas à expansão dos gastos, intensificadas por medidas como o reajuste do Bolsa Família. Mas poderia reduzir desconfianças e estabelecer limites para aquilo que Lula pretende fazer em um eventual novo mandato. A ideia circula entre aliados desde o início de setembro, quando o economista André Perfeito levantou o assunto em uma reunião de apoiadores do presidente.

Na semana passada, foi encampada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante reunião da Executiva Nacional do PT. Seria uma espécie de "Carta ao Povo Brasileiro 2026". Funcionou em 2002. Funcionaria agora? Com menos ênfase, mas acalmaria um mercado preocupado com a gastança.

Do lado de Flávio Bolsonaro, sua campanha já anunciou que, em caso de vitória, enviará ao Congresso uma nova regra fiscal para substituir o atual arcabouço. O problema é que não pretende dizer antes da eleição como ela funcionará. Coordenador político da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que "entrar nessa conversa agora não é algo que interessa". O plano de governo de Flávio assume compromissos genéricos com responsabilidade fiscal e redução da dívida, mas não detalha os instrumentos para alcançá-los.

Compromissos fiscais envolvem escolhas politicamente impopulares. Para controlar a trajetória da dívida, será preciso discutir crescimento das despesas, benefícios tributários, impostos, vinculações orçamentárias e prioridades de gasto. Colocar números no papel significa oferecer munição ao adversário. Sem garantias sequer de que irão aos debates dos próximos dias, como esperar um mínimo de transparência sobre responsabilidade fiscal? A previsibilidade que o mercado cobra é parente próxima da transparência que o eleitor merece. _

Festa pelo mundo

As comemorações do 20 de Setembro, celebradas no domingo, não ficaram restritas ao RS ou ao Brasil. A cultura tradicionalista gaúcha também esteve presente em Nova York e em Paris.

Na metrópole americana, na movimentada Times Square, uma grande mateada reuniu pelo menos 300 brasileiros. O evento, organizado pela tradicionalista Valéria Lessa, contou com projeções de pontos turísticos do Estado e de tradições gaúchas nos famosos painéis de LED no coração de Manhattan. O ato também contou com música e dança.

Já do outro lado do Atlântico, em Paris, os gaúchos também realizaram comemorações aos pés da icônica Torre Eiffel. A iniciativa teve a produção do Grupo de Danças Tradicionais Gaúchas TCHÊ UFRGS, um projeto de extensão da Universidade, vinculado à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança.

O grupo, de 13 participantes, está na capital francesa para o 10º Festival do Rio Grande do Sul em Paris. Segundo a professora doutora Malu Oliveira, coordenadora do TCHÊ UFRGS e que acompanha o festival, a iniciativa faz parte de uma movimentação mundial. _

Futuro do Esqueletão

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, esteve ontem em Recife, onde visita referências para os Centros Integrados Territoriais, que serão construídos na Capital por meio do programa POA Futura. Entre as áreas prioritárias para as quais o prefeito busca inspiração, está o terreno onde ficava o Esqueletão, no Centro Histórico.

Na capital pernambucana, o prefeito conheceu unidades do Centro Comunitário da Paz (Compaz), estrutura reconhecida como modelo para a revitalização de espaços públicos e a oferta de serviços à população.

Ao todo, serão investidos US$ 100 milhões no POA Territorial, dentro do POA Futura (projeto estratégico que organiza, de forma integrada, ciclos de investimentos). As estruturas oferecerão serviços gratuitos para a população de bairros periféricos e em situação de vulnerabilidade social.

Além do Esqueletão, outros seis Centros Integrados serão construídos na Capital. As licitações devem ser lançadas em lotes a partir de 2027. _

Lula encontra prefeito de NY

O presidente Lula está nos EUA para participar, hoje, da Assembleia Geral da ONU. Antes disso, ontem, o brasileiro se encontrou com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Os dois líderes falaram sobre políticas públicas, orçamento e o fim da escala 6x1. Lula convidou o democrata americano para visitar o Brasil.

"Conversamos também sobre a proposta de redução da jornada de trabalho que tramita no Congresso brasileiro, para garantir o fim da escala 6x1, possibilitando que os trabalhadores possam usufruir de dois dias livres por semana. Discutimos, ainda, a importância da defesa da democracia e do enfrentamento do extremismo e da desinformação no mundo todo", disse nas redes sociais.

Mais cedo, o presidente se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Entre os assuntos debatidos estava a integração latino-americana e caribenha, bem como as ameaças do extremismo político e da desinformação na região e no mundo. _

Brasil e RS na The Economist

A criminalidade é tema de uma extensa reportagem desta semana na revista The Economist. O texto destaca as mudanças no "modelo de negócio" do crime, com ampliação da atuação de facções e seus tentáculos no mercado financeiro. Ao citar o Brasil, o material afirma que "O PCC e o CV estão consolidados e relativamente estáveis" no Brasil.

A reportagem também cita o RS, que aparece como modelo de combate à violência. "Sob a gestão do governador Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul (sul do Brasil), a taxa de homicídios caiu pela metade desde 2017". 

INFORME ESPECIAL

domingo, 20 de setembro de 2026

19/09/2026 - 05h30min
Fabrício Carpinejar

Cair sete vezes, levantar oito: o ouro que pode reconstruir o Sakae's

Aquele endereço acompanhou quase toda a minha vida; agora, quero vê-lo renascer das cinzas pelas mãos de quem também guarda essa história. É rápido e você não perde nada importante. O restaurante era um ano mais novo do que eu – o restaurante japonês mais antigo de Porto Alegre, um dos mais antigos do país.

Aquele endereço – número 690 da rua Castro Alves – acompanhou diferentes fases da minha vida, de menino a adolescente, de adolescente a homem feito. Fui filho, fui marido, fui pai em suas mesas. Decorei degrau por degrau da escada para o segundo piso. As cortinas, as janelas coloridas, o vaivém dos garçons.

A proprietária Sakae Suzuki, hoje com 87 anos, a idade da minha mãe, abriu o Restaurante Sakae’s em 1973, quando ninguém tinha o hábito de comer sushi na capital. Seu pioneirismo nos ensinou a usar o hashi.

Tratava-se de um negócio familiar, mas, pela sua longevidade, transformou-se em um patrimônio da nossa cultura gastronômica.

Na tarde de terça-feira (15), por causas ainda desconhecidas, o Sakae’s acabou destruído por um incêndio. O incidente não deixou feridos, porém acarretou danos materiais que reduziram a cinzas o sonho de várias gerações.

“Vamos reerguer esse cantinho do Japão em Porto Alegre”: família do Sakae’s busca reconstruir restaurante após incêndio; veja como ficou  “Vamos reerguer esse cantinho do Japão em Porto Alegre”: família do Sakae’s busca reconstruir restaurante após incêndio; veja como ficou

O expediente não havia iniciado. Os funcionários se preparavam para o atendimento no turno da noite, previsto para as 19h.

Como o imóvel possuía boa parte de sua estrutura em madeira, o fogo se alastrou com voracidade, impedindo que os bombeiros controlassem as chamas em tempo hábil. Não arderam apenas o telhado, o interior e os móveis. Ardeu o legado irrecuperável de um lar. Todo objeto trazia uma história desprovida de cópias.

Praticamente tudo o que se encontrava dentro foi perdido. Salvaram-se algumas relíquias, recolhidas no desespero. Desapareceram os únicos registros do avô, as fotos nas paredes, as louças raras e a prataria.

O ponto exibia o status de uma embaixada japonesa informal. Fazia dueto, simbolicamente, com o Recanto Oriental do Parque da Redenção, caracterizado por pontes de pedra, bancos de jardim, um pequeno lago e uma estátua de Buda.

Sakae Suzuki veio ao Brasil ao lado do marido, com o qual teve três filhos. Sem falar português, ela se comunicava pelos sabores, pelas suas receitas ancestrais.

O comércio não contava com seguro. Diante da dimensão da avaria, a família criou uma vaquinha online para arrecadar recursos e tentar reconstruir o estabelecimento. A soma almejada é de R$ 800 mil. Até o momento, angariou-se 10% do valor.

Resta-nos buscar inspiração no kintsugi, a arte japonesa de reparar a cerâmica quebrada sem esconder suas cicatrizes, realçando-as com ouro. Cada contribuição será um pouco dessa liga: o ouro da empatia.

Existe um provérbio japonês sobre a resiliência: “nana korobi ya oki” – “cair sete vezes, levantar-se oito”. Perto dos noventa anos, Sakae Suzuki terá de recomeçar pela oitava vez. Mas algo mudou: ela também se tornou gaúcha.

Não está mais sozinha. Muitas mãos agradecidas irão reerguê-la.

19 de Setembro de 2026
COMPORTAMENTO - COMPORTAMENTO

Rotina de acordo com o ciclo menstrual

O "cycle syncing" viralizou nas redes sociais, mas especialistas alertam para evidências científicas sólidas

Uma tendência vem ganhando força nas redes sociais: mulheres recomendando a organização de vida de acordo com as fases do ciclo menstrual. A ideia de "não planejar o mês como um homem" é uma das bases do cycle syncing (sincronização do ciclo), prática que promete maior produtividade e bem-estar a partir de adaptações no dia a dia - desde o trabalho até o treino físico - conforme as etapas do ciclo menstrual.

A tendência tem adeptas em várias partes do mundo. No TikTok, por exemplo, são mais de 112 milhões de publicações fazendo menção à hashtag #cyclesyncing. A prática parte da premissa biológica de que as alterações hormonais ao longo do ciclo podem influenciar diferentes aspectos da vida. No entanto, de acordo com a ginecologista Maria Celeste Osório Wender, existe pouca evidência científica sobre cycle syncing, o que impossibilita a indicação profissional desta técnica.

A especialista também ressalta que as variações entre ciclos não são percebidas da mesma forma por todas as mulheres. Além disso, a mesma paciente pode apresentar flutuações entre ciclos, dificultando regras fixas.

Segundo Maria Celeste, estudos mostram que o tempo médio de diferença nas atividades entre as fases do ciclo é de apenas 12 minutos por dia, um impacto que pode ser influenciado por outros fatores como estresse, falta de sono e cuidado com os filhos.

Pesquisas indicam que a fase lútea tardia, nos dias que antecedem a menstruação, é a que mais aparece associada a maior cansaço e menor disposição, enquanto a fase folicular próxima à ovulação pode coincidir com maior disposição física. Também há sinais de pequenas variações na força e na capacidade aeróbica ao longo do ciclo.

No entanto, os efeitos variam de acordo com cada pessoa - e podem alternar em diferentes ciclos da mesma paciente -, o que impede a formulação de uma rotina padrão de como trabalhar ou qual exercício fazer em cada fase do ciclo menstrual, como é propagado pelo cycle syncing.

- Essas recomendações populares funcionam como sugestões úteis para algumas mulheres que percebem um padrão cíclico claro, mas não devem ser prescritas universalmente - ressalta a ginecologista. 

Fases do ciclo menstrual

Para pessoas que menstruam e que não usam contraceptivos hormonais, o ciclo envolve as etapas folicular, lútea e de ovulação, que podem variar em duração e efeitos em cada pessoa.

Fase folicular inicial (menstruação): começa com o sangramento menstrual, provocado pela queda de estrogênio e progesterona. A queda estimula a produção do hormônio folículo-estimulante (FSH), que estimula o crescimento de novos folículos nos ovários para o próximo ciclo

Fase folicular tardia: nesta etapa, um folículo se torna dominante e passa a secretar estrogênio. O pico deste hormônio prepara o corpo para a ovulação

Ovulação: é o momento da liberação do óvulo maduro, acompanhado por picos dos hormônios estradiol, LH e FSH

Fase lútea: após a ovulação, o que restou do folículo se transforma no chamado "corpo lúteo", que passa a produzir progesterona e um novo pico de estrogênio

Fase lútea tardia (pré-menstrual): caso não ocorra fecundação, o corpo lúteo regride e os níveis de estrogênio e progesterona caem, o que vai desencadear a menstruação e o novo ciclo

Autoconhecimento ou mais uma cobrança?

Para Cibele Cheron, professora de Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é preciso cautela para que esse método não se torne uma cobrança adicional na rotina das mulheres.

Existe um risco real de que o autocuidado vire uma quarta jornada. A mulher já trabalha fora, trabalha em casa, cuida de todo mundo, e agora precisa gerenciar o próprio ciclo como uma planilha de metas. Se o resultado da prática é a mulher extraindo mais de si mesma para caber no mesmo calendário, houve intensificação do trabalho - analisa a professora.

Ela também ressalta que a possibilidade de adaptar a rotina não está disponível para todas as mulheres. Uma profissional com autonomia sobre os próprios horários, por exemplo, pode reorganizar compromissos de acordo com sintomas. Já quem trabalha em uma rotina rígida, com horários e tarefas determinados por terceiros, dificilmente terá a mesma liberdade.

Por isso, para Cibele, a discussão sobre o ciclo também deve servir para questionar as próprias condições de trabalho, em vez de buscar mais eficiência dentro delas.

Funciona?

Acompanhar o próprio ciclo pode ser útil para identificar padrões individuais e desenvolver autoconhecimento. O que não tem respaldo científico é transformar essas observações em um protocolo universal, determinando como se deve trabalhar, comer, treinar ou socializar em cada fase do ciclo.

A recomendação, portanto, é a individualização para evitar frustração com resultados ou sobrecarga. O ideal é observar o que acontece com o próprio corpo e não seguir uma tabela pronta encontrada nas redes sociais.

Segundo a cientista política Cibele Cheron, a ideia também pode inspirar discussões sobre a organização da sociedade e o lugar da mulher nela.

- O calendário que organiza escolas, empresas e órgãos públicos foi construído para um corpo universal, suposto sem variação interna, sem gestação e sem interrupção. A formulação mais precisa da sociedade seria: todo mundo planeja o tempo a partir do corpo, das crianças, do sono, da saúde. O que existe é uma hierarquia sobre quais corpos podem aparecer no planejamento coletivo, e o corpo que menstrua está entre os que foram obrigados ao silêncio e à invisibilidade - afirma.

Monitoramento saudável

Quem deseja acompanhar o próprio ciclo menstrual para identificar padrões individuais e desenvolver autoconhecimento, sem se prender em regras fixas, a ginecologista Maria Celeste recomenda acompanhar o ciclo por pelo menos dois ou três meses antes de tirar conclusões. Nesse período, anotar informações como humor, energia, dor, sono e data da menstruação. A partir desses registros, identificar padrões e fazer pequenas adaptações na rotina, conforme indicação médica.

A especialista ressalta, porém, que sintomas intensos ou incapacitantes não devem ser considerados parte normal do ciclo: cólicas fortes, alterações acentuadas de humor, sangramento anormal ou sintomas que prejudicam a qualidade de vida devem ser avaliados por um profissional de saúde. 

19 de Setembro de 2026
COM A PALAVRA - Mariana Enríquez

Escritora argentina

"O terror que me interessa fazer está relacionado com o social"

A escritora argentina Mariana Enríquez, 52 anos, se notabilizou por sua produção relacionada ao terror. Neste ano, dois títulos dela chegaram ao Brasil pela Editora Intrínseca. Alguém Caminha Sobre o Seu Túmulo, obra de não ficção, traz ensaios sobre cemitérios ao redor do mundo. Já Um Lugar Ensolarado Para Gente Sombria é uma coletânea de contos de terror que flertam com o realismo.

William Mansque

Em Um Lugar Ensolarado Para Gente Sombria, os personagens (humanos ou fantasmas) convivem com problemas muito concretos como pobreza, violência, desigualdade, medo e exclusão. O terror funciona para você como uma forma de falar daquilo que uma sociedade prefere não olhar?

Esses contos em particular são de gênero ou terror, mas o que uso é um material realista. O gênero como tal deve ser traduzido da mesma maneira que qualquer outro. Suponhamos o policial. Se pensar no romance policial nórdico, é um modelo que não podemos transferir como escritores para a América Latina porque seria absurdo. 

Sei que é terrível o que vou dizer, mas nós estamos acostumados a chacinas, a crimes políticos, ao crime do narcotráfico e a muita violência institucional. Esse modelo tão analítico e psicológico do crime não funciona para nós. O nosso crime é necessariamente político. Com o terror é um pouco igual. O terror sempre, de alguma maneira, falou dos medos da sociedade onde o escritor estava. No meu caso, me interessa o terror relacionado com as fobias de uma sociedade.

E aqueles que são pessoais?

Também. Em Um Lugar Ensolarado Para Gente Sombria, tem um conto de body horror (terror corporal) sobre uma mulher que faz uma operação ginecológica (Metamorfose). Se certas questões relacionadas ao corpo da mulher e ao envelhecimento da mulher não nos dessem tanto medo ou repúdio, se não fossem naturais como deveriam ser, esse medo de envelhecer seria talvez mais pessoal, não somente algo social. 

Então, o terror é o meu gênero. E o terror que me interessa fazer está relacionado com o social, com o real e com um diálogo com os medos que temos como sociedade. Se quisesse escrever realismo, eu o faria. Mas quero escrever no gênero, e o material para isso como escritora latino-americana, com os traumas da sociedade e a minha maneira de perceber a realidade, é este.

No conto Metamorfose, a protagonista começa a olhar para o seu corpo de outra maneira porque também muda a forma como o mundo a enxerga. Quanto da identidade, especialmente para as mulheres, é determinada pelo olhar dos outros?

Muito. É uma fraqueza terrível. Todas as mulheres passam por isso. Quanto mais rápido pudermos falar sinceramente a respeito, melhor. O que acontece com a mulher na menopausa e para além disso? Pensando nos nossos corpos no capitalismo, somos as mulheres que mais podem comprar cosméticos, tratamentos e roupas. 

Só que quase nada de roupas ou de cosméticos são feitos para nós. Parece uma futilidade, mas é uma questão muito reveladora, pois te aponta o que você não é o tempo todo. Quanto mais velha eu fico, mais vontade tenho de me ver melhor. Não importa se isso é uma insegurança ou uma futilidade social, é um fato. Existe uma ideia totalmente perversa de envelhecer com elegância, como se isso fosse algo que se pudesse se fazer no meio de hormônios, doenças, depressão, de montões de coisas.

Em Alguém Caminha Sobre o Seu Túmulo, você visita tumbas que revelam tragédias de povos originários e presos políticos. Você sente que os cemitérios funcionam como o arquivo de postergados e esquecidos pela história oficial?

Os cemitérios funcionam como um arquivo histórico material, mas acho que os esquecidos e os marginalizados da sociedade, de alguma maneira, também ocupam o lugar de esquecidos e marginalizados nos cemitérios. 

O túmulo do empresário e latifundiário José Menéndez (localizado no histórico Cemitério Municipal Sara Braun, em Punta Arenas), responsável por muitas chacinas na Patagônia, é um castelo. Há protestos, em muitas ocasiões, militantes entram e jogam tinta vermelha e tal, mas é um jazigo que simboliza um lembrete: uma família que ainda é poderosa. 

Nos cemitérios, as classes sociais e as condições de centralidade se mantêm. Inclusive, em qualquer cemitério grande, vemos na entrada os majestosos túmulos aristocráticos e, depois, isso se reduz. De alguma maneira, sim, é um arquivo e é uma reprodução quase da ordem.

Voltando ao Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria. No conto Meus Mortos Tristes, que inspirou uma minissérie da Netflix, há uma tensão entre vizinhos que exigem segurança, mas, ao mesmo tempo, há a violência que eles mesmos estão dispostos a aplicar. Havia interesse em mostrar como uma sociedade pode se transformar naquilo que diz combater?

Acho que um dos grandes temas (do conto) é como nos relacionamos. O tema da segurança urbana é muito complexo. Muito mais do que quando escrevi aquele conto, pois ali se cruzam muitíssimas narrativas. O medo do outro, do pobre e do diferente. Enxergá-lo sempre como um criminoso por sua cor, por sua origem, etc. 

A ideia de que é sempre uma ameaça. E nesse âmbito, digamos, especialmente as classes médias se tornam muito conservadoras e se aproximam de atitudes fascistas. Só que, ao mesmo tempo, essas classes médias também estão sendo corroídas pela falta de trabalho, pela brutalidade do neoliberalismo que já não lhes permite uma sensação de segurança. Rapidamente, passam a ver insegurança em toda parte. 

Há casos que é legítimo o medo de muita gente. Produz-se ali um momento muito tenso em que se enfrentam o ideológico, o narrativo e o político, onde os vulneráveis sempre ficam como alvo de acusações. Às vezes a gente sente que as pessoas se esquecem de que temos que viver todos juntos.

Quanto da Mariana escritora nasceu da cultura da música e do fanatismo?

Estudei jornalismo porque queria ser jornalista de rock. Eu lia muito jornalismo de rock naquela época, e era o que queria fazer: entrevistar bandas, fazer parte daquele mundo. Foi nessa fase que escrevi meu primeiro livro nos anos 1990, que é Bajar Es Lo Peor. Com o tempo, a literatura foi superando em muito o jornalismo. Esse lado obsessivo e fanático (com música) é muito importante na minha vida. É uma fonte de inspiração, é onde me sinto mais confortável. Gosto tanto quanto a literatura. 

O fenômeno do ídolo e da obsessão do fã são elementos que aparecem na minha escrita porque me interessa e vejo um certo paganismo ali. É uma coisa que se cruza um pouco com a minha ideia do sobrenatural, ou seja, vejo essa devoção como uma nova forma do panteão contemporâneo. 

 

Quando 2027 chegar

Seja quem for o próximo inquilino do Palácio do Planalto, a várzea a que se assistiu na sessão de terça-feira passada no STF terá sido apenas o prólogo de uma crise institucional que já está contratada para 2027. Não importa quem envergue a faixa presidencial, o próximo presidente terá de lidar com um choque de poderes ou com o desencadeamento de uma onda de protestos nas ruas, caso a vassoura do STF siga varrendo para debaixo do tapete favores que tisnam alguns de seus membros.

Na hipótese de Lula ser reeleito, é pouco provável que atue pela depuração da Corte, que deveria começar por Alexandre de Moraes, o mais encalacrado no escândalo do Master. Como se viu na terça-feira, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, é o líder do bloco da marmelada suprema, em jogral com Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e o hoje convertido antilavajatista Gilmar Mendes.

Com as blindagens na Corte, as atenções se voltarão para o Senado, o único com poder constitucional de destituir um membro do STF. Mas, para não deixar dúvidas sobre o acordão, o presidente Davi Alcolumbre, em nome da própria sobrevivência, acertou uma trégua com Lula em inacreditável jantar patrocinado por ninguém menos que Alexandre de Moraes. 

Se Alcolumbre for reconduzido em 1º de fevereiro, quando tomarão posse os senadores eleitos em outubro, os pedidos de impeachment de ministros do STF seguirão engavetados. Aí, como ocorreu nos afastamentos de Collor e Dilma, não será surpresa se eclodir nas ruas a indignação represada pela turma do abafa. É crise garantida.

Na hipótese de Flávio Bolsonaro ser eleito, diante de sua defesa do impeachment de Alexandre de Moraes, o choque deve começar antes mesmo da posse. Agarrado à tese da conspiração política - a única que lhe resta depois do flagra promíscuo com Daniel Vorcaro -, Moraes precisa seguir togado para não correr o risco de fazer companhia a quem mandou para a cadeia. 

Se continuar no cargo, Alexandre de Moraes deverá ser o próximo presidente do STF, com posse em setembro de 2027. Aí teríamos na Presidência da República um Flávio Bolsonaro, hoje investigado pelo apoio de Vorcaro ao filme Dark Horse, e na presidência do STF um ministro que se recusa a ser investigado, o que é uma contradição para quem jura inocência. A pororoca entre poderes e a crise são garantidas.

Há duas formas de o país ser pacificado, e o próximo presidente - seja quem for, mesmo uma improvável terceira via - poder governar com razoável tranquilidade. Seria a renúncia ou o afastamento pelo STF de pelo menos um ministro atrapalhado com o Master. Mas essa hipótese foi soterrada na terça-feira, quando metade da Corte decidiu arrastar o país para a crise de 2027. 

MARCELO RECH

Ministros, filhinhos de papai e esposas

A crise no Supremo Tribunal Federal subverteu o conceito de esposa-troféu, aquela mulher cuja principal função no relacionamento é servir como símbolo de status e atratividade física para o marido, geralmente mais velho e bem-sucedido financeiramente. Esposa-troféu de ministro do Supremo - ouro, prata e bronze - é advogada que consegue bons contratos por ser quem é. Viviane Barci de Moraes, até aqui troféu ouro, tinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, valor que chocou advogados renomados pelo valor exorbitante - eram R$ 3,6 milhões por mês para atuar em órgãos de interesse de Daniel Vorcaro. Ninguém acredita que tenha sido seu notório saber jurídico a motivação de Vorcaro para contratar a esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Roberta Rangel, agora ex-esposa de Dias Toffoli, também advogou para Vorcaro quando era associada ao escritório Warde Advogados. Relatório da Polícia Federal diz que a relação profissional remonta a dezembro de 2020. Roberta foi casada com Toffoli por 12 anos, mas o casal se desfez em 2025. Hoje separada do ministro Gilmar Mendes, a advogada Guiomar Feitosa foi procurada por Daniel Vorcaro em 2025. 

O banqueiro foi pessoalmente ao escritório Sérgio Bermudes, em Brasília, tentando contratar os serviços da banca da qual ela é sócia-dirigente, sem mencionar um processo específico. Guiomar desconfiou que ele só queria usá-la para se aproximar de Gilmar e a negociação não avançou. Parentes deveriam ser impedidos de advogar nos tribunais em que pais, mães, maridos ou esposas são juízes. Parece simples, mas quando a restrição foi discutida, não emplacou.

Herdeiros

No Judiciário, Vorcaro não investiu apenas nas esposas advogadas e nos maridos ministros, oferecendo mimos como noitadas de festa, bebida cara e charutos. Com seu faro de corruptor-geral da República, tratou de cortejar os "filhinhos de papai" - herdeiros de escritórios e de sobrenomes como Fux, Nunes Marques e Moraes. Os relatórios da Polícia Federal são reveladores desse método de cooptação, com contratos indiretos e tentativas de aproximação.

Aos 26 anos, recém-formado, Kevin Nunes Marques, filho do ministro Nunes Marques, virou um prodígio da advocacia, faturando mais do que muitos advogados de larga experiência. Essas relações familiares que abrem caminho explicam por que a ministra Cármen Lúcia se definiu como "uma velha avulsa". Sem marido e sem filhos, passou incólume pela lábia de Vorcaro, com quem dificilmente teria assunto em uma conversa de bar. Ou alguém consegue imaginar o banqueiro falando de Guimarães Rosa, Affonso Romano de Sant?Anna ou João Cabral de Melo Neto com a ministra? _

aliás

O ministro Gilmar Mendes se enquadra na definição do poeta José Hernádez, em La vuelta de Martín Fierro: "El diablo sabe por diablo, Pero más sabe por viejo". O decano recebeu Daniel Vorcaro a pedido de um ex-cunhado contratado pelo banqueiro e identificou nele um picareta engomadinho, tentando cooptá-lo para votar a favor dos seus interesses em uma ação milionária no STF. Gilmar disse que Vorcaro parecia mais um bicheiro do que um banqueiro.

Manuela convoca militância em meio à crise no Supremo

A candidata ao Senado pelo PSOL, Manuela D?Ávila, convocou uma manifestação contra a extrema direita e reuniu dezenas de militantes no Largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre, na sexta-feira. Manuela estava acompanhada do ex-governador Olívio Dutra, de Henrique Fontana, seu suplente, e de Tamyres Filgueira, suplente de Paulo Pimenta (PT), que também concorre ao Senado. A mobilização ocorre dias depois de o Supremo Tribunal Federal protagonizar um dos piores episódios da crise que enfrenta. A preocupação da candidata recai principalmente sobre a decisão das eleições para o Legislativo.

- Não existe eleição ganha. Construiremos a nossa vitória - afirmou Manuela. _

Marchezan tentou derrubar emendas parlamentares

Quando a Câmara de Porto Alegre inventou as emendas impositivas ao orçamento, em agosto de 2019, o então prefeito Nelson Marchezan estrilou. A tentação rimava com corrupção. A emenda à Lei Orgânica, de autoria do então vereador Cássio Trogildo (do antigo PTB) foi aprovada e promulgada pela própria Câmara. Marchezan ainda tentou o caminho da Justiça, mas perdeu.

Com a prisão do vereador Giovane Byl e de outras três pessoas, o ex-prefeito relembra os alertas que fez à época. Agora uma pergunta que precisa ser respondida pela prefeitura: como é feita a fiscalização da aplicação do dinheiro das emendas? A mesma pergunta vale para o governo estadual. As emendas foram instituídas na Assembleia pelo governador Eduardo Leite e não há, até aqui, denúncias de corrupção. Mas, diante da operação do Ministério Público que constatou desvio de quase R$ 2 milhões na Câmara, será preciso redobrar a atenção com o destino do dinheiro. _

Juliana esconde Lula na campanha e incomoda PT

Em público, a relação entre Juliana Brizola e seus parceiros do PT vai de vento em popa. Nos bastidores, há um desconforto crescente com a invisibilidade do presidente Lula na campanha de Juliana e mesmo dos candidatos do PDT. O mais recente motivo de incômodo é a não utilização das imagens do comício em Porto Alegre, realizado há uma semana, com a presença de Lula.

As imagens têm sido exploradas apenas pelos candidatos da coligação ao Senado, Manuela D?Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT). Juliana passou toda a campanha dizendo que a aliança com o PT é a prova da sua capacidade de dialogar, mas sempre ressalta que, se for eleita, a condução do governo será dela. Em painéis e encontros com setores que têm divergências históricas com o PT, Juliana faz questão de dizer que a aliança é estratégica.

O PT também resistiu, porque boa parte dos seus filiados preferia ter Edegar Pretto como candidato. Por pressão de Lula, que queria um palanque único no Rio Grande do Sul, Pretto aceitou ser vice, mas líderes petistas reclamam que ele está sendo deixado de lado e, na propaganda eleitoral apareceu em apenas dois programas até aqui.

Durante o comício, entretanto, Edegar acabou sendo escanteado em determinados momentos até por Lula, que tratou de exaltar Manuela, Pimenta e Juliana.

Outra fonte de reclamação tem a ver com os candidatos a deputado estadual e federal do PDT que não associam seus nomes a Lula nem a Pimenta e Manuela, numa tentativa de conquistar votos de eleitores de Flávio Bolsonaro e dos candidatos da direita ao Senado. _

Leite confirma pagamento de 14o salário a professores

O contracheque dos professores e servidores de escolas que atingiram as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) virá mais gordo no dia 30 de setembro. O governador Eduardo Leite confirmou que vai pagar na próxima folha o bônus do Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha, o 14o salário, para professores e servidores de todas as escolas que atingiram as metas.

A medida contempla mais de 65 mil professores e servidores da rede estadual de ensino, com um montante total de aproximadamente R$ 235 milhões. _

POLÍTICA E PODER