quarta-feira, 1 de abril de 2026

Serra espera receber mais de 700 mil pessoas e movimentar R$ 120 milhões na Páscoa

Feriado representa a primeira grande data do ano para o turismo na Serra

Feriado representa a primeira grande data do ano para o turismo na Serra

Prefeitura Gramado/Divulgação/JC
Cássio Fonseca
Cássio Fonseca
O próximo feriado representa a primeira grande data do ano para a Serra Gaúcha quando o assunto é turismo. Com a Sexta-feira Santa e o domingo de Páscoa, a região espera receber mais de 700 mil pessoas no período, superando o desempenho de 2025, conforme o secretário adjunto de Turismo do Rio Grande do Sul, Rodrigo Schnitzer. Além dos destinos clássicos que são Gramado e Canela, outros municípios como Bento Gonçalves e Nova Petrópolis também se destacam.
Em cifras, a expectativa é que a Serra movimente R$ 120 milhões na economia do Estado e, segundo Schnitzer, há um crescimento recente na aquisição dos pacotes nos parques turísticos e pode haver, ainda, um aumento de cerca de 10% no valor do ticket médio da região.
Dentre as estratégias para atrair o público, a Secretaria de Turismo (Setur) vem investindo na capacitação de agentes de viagens, visando, principalmente, a venda de pacotes para quem vem do Sudeste do Brasil. O Nordeste também representa uma parcela interessante da equação, salienta o secretário-adjunto.
Outras duas frentes são a "participação de influenciadores, com a demonstração da experiência na prática, que é uma questão que a gente sabe que tem uma repercussão muito positiva” e  a "Central de Atendimento ao Turista no aeroporto, que também está à disposição dos municípios para fazer ativações”, explica Schnitzer. Ele acrescenta que municípios como Canela e Nova Petrópolis estão usando a ferramenta para fazer a recepção das pessoas que chegam e transitam pelo aeroporto.
No entanto, a circulação interna de gaúchos segue sendo o carro-chefe do turismo na Serra, enquanto o Estado também vem se destacando com turistas estrangeiros, com ênfase em argentinos, uruguaios e europeus.
Sobre os investimentos no turismo em geral, Schnitzer reforça que, em 2025, foram aportados cerca de R$ 60 milhões na promoção turística, o que resultou em um impacto econômico gerado por eventos turísticos na casa de R$ 1,6 bilhão. E, traduzindo em pacotes turísticos, foram quase 400 mil vendidos.
Já para o setor privado, a expectativa é positiva, mas um pouco mais ressabiada. A executiva do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur/Serra Gaúcha) Lisa Gottschalk, conta que a ocupação da rede hoteleira para o feriado já está na casa dos 65%, e que a previsão é chegar na casa de 80% a 85%. No entanto, em 2025, a ocupação ficou em 92%. “Talvez seja um número um pouco mais reduzido, porque tinha um dia a mais desse feriado no ano passado, mas a ocupação vai ser muito boa”, acrescenta.
Ela também destaca Nova Petrópolis como um expoente nos últimos anos com uma “programação encantadora” pela sua variedade. Outro município que vem ganhando notoriedade é o de Picada Café, que é menor, mas entra na rota, de acordo com Lisa.
executiva ainda aponta que as obras na Rota Romântica pouco interferem no movimento, já que o maior público vem por Taquara. “A gente tem uma dificuldade por conta disso [obras], mas tem as rotas alternativas”. Porém, ela frisa que a situação está controlada ao menos por enquanto. Com uma leva maior de turistas no final de semana, pode sim haver mais congestionamento.

 RS foi o segundo estado que mais criou vagas de trabalho em fevereiro, revela Caged

Setor de serviços foi o que mais abriu vagas no País

Setor de serviços foi o que mais abriu vagas no País

TÂNIA MEINERZ/JC

Agências
O mercado de trabalho brasileiro abriu 255.321 postos de trabalho em fevereiro, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (31), pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo é resultado de 2.381.767 admissões e 2.126.446 desligamentos. Em janeiro, o saldo havia sido positivo em 115.018 vagas, já incorporando os ajustes na série. O Rio Grande do Sul foi o segundo estado que mais criou vagas no mês, ficando atrás apenas de São Paulo.
No ano, o RS criou um total de 42.301 novos postos de trabalho. Já no acumulado de 12 meses, de março de 2025 a fevereiro de 2026, o saldo positivo no Estado é de 29.742.
Em fevereiro de 2026, foram registrados resultados positivos em 24 das 27 unidades da Federação, com destaque para São Paulo (que criou 95.896 vagas), Rio Grande do Sul (24.392) e Minas Gerais (22.874). Os Estados com desempenho negativo foram Alagoas (que fechou 3.023 vagas), Rio Grande do Norte (-1.186) e Paraíba (também -1.186).
Todos os cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas registraram saldo positivo na abertura de vagas formais em fevereiro, segundo os dados do Caged. O setor de serviços abriu 177.953 vagas; a indústria abriu 32.027 vagas; a construção civil abriu 31.099 vagas; a agropecuária abriu 8.123 postos; e o comércio abriu 6.127 postos.
O salário médio real de admissão em fevereiro foi de R$ 2.346,97, uma redução de R$ 55,91 (-2,3%) em relação a janeiro (R$ 2.402,88). Já em comparação com o mesmo mês de 2025, que exclui mudanças decorrentes da sazonalidade do mês, houve aumento de R$ 62,94 (2,75%).

Páscoa frustra vendas nos supermercados e tem ovo como vilão

Supermercados buscaram opções mais baratas para atrair consumidores na Páscoa

Supermercados buscaram opções mais baratas para atrair consumidores na Páscoa

FABIOLA CORREA/JC
Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloPáscoa virou assunto quase proibido no varejo em 2026, principalmente entre supermercadistas. O motivo é simples. Nada a ver com exageros no consumo de chocolate e impactos em eventual dieta. Junte endividamento das famílias e renda menor afetada pela inflação e concorrência das bets (apostas online) para traduzir o ânimo do setor a poucos dias da data promocional, a primeira do ano, comemorada no domingo (5).
Para os supermercados, principalmente os de vizinhança, a data ligada a ovos e coelhinhos costumava ser a segunda em comercialização em categoria, perdendo para o Natal e fim de ano. "Sem crescimento. Reflexo do endividamento e perda de renda da população", reforçou o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior.
"Páscoa de 2026 deve apresentar um desempenho mais moderado no comércio gaúcho em relação à data do ano anterior", avalia a Fecomércio-RS, em nota, indicando que renda e emprego são positivos, o que daria condição de vendas melhores. "As famílias buscarão opções de presentes que caibam no orçamento. Preços mais elevados, com consumidores cautelosos e atentos", traduz o presidente da entidade, Luiz Carlos Bohn, na nota sobre a data 
Os supermercadistas têm saudades da fartura do passado. O setor chegou a vender 7 milhões de ovos em anos "doces" da data, segundo fonte que acompanha o setor. Em 2026, não há um dado de quantos ovos poderão ser vendidos, mas o artigo clássico da temporada vem perdendo espaço para barras de chocolate e bombons. "Não aconteceu nada ainda", resume o presidente da rede Unisuper, Sandro Formenton, sobre a demanda. "Colocamos os produtos na gôndola 30 dias antes. Até agora os clientes não mexeram em 10% dos itens", descreve Formenton. 
Cássia diz que coelhinho é um dos mais procurados e espera fluxo até o fim de semana | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Cássia diz que coelhinho é um dos mais procurados e espera fluxo até o fim de semanaPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
coluna Minuto Varejo buscou várias redes, mas a maioria não se manifestou ou preferiu não falar ante o período em baixa. Aliás, a Páscoa completa um primeiro trimestre do ano com movimento e vendas que devem fechar com redução, já projetou Peruzzo Junior. Algumas redes, como a Comercial Zaffari, dona do atacarejo Stok Center, esperam vender o mesmo que em 2025.
Na loja recém aberta na Capital, chamou a atenção a "micro" parreira de ovos. O motivo: valor do item. A bandeira foca no que está saindo mais: cestas prontas entre R$ 44,00 e R$ 71,00. "Mais custo benefício", associa. Nos últimos cinco dias, foram vendidos 40% do volume para a data. A rede espera vender até sábado todo o estoque comprado
No Aeroporto Internacional Salgado Filho, na Capital, com fluxo de turistas chegando para a Serra e outros embarcando para outros destinos, a subgerente da loja da Prawer, marca de chocolate artesanal, Cássia Ramos, diz que o movimento ganhou mais impulso na virada da quinzena. "Mas a gente espera mais fluxo na sexta-feira e no sábado", projeta Cássia. Coelhinhos pequenos (150 gramas) e bombons lideram a venda no varejo no segundo piso, no acesso à escada rolante para os portões de embarque.  

Preços mais altos afugentam clientes

Kopenhagen montou kit de bonequinhas famosas com ovo para atrair vendas  | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Kopenhagen montou kit de bonequinhas famosas com ovo para atrair vendasPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Comércio é um jogo bem transparente. Preço sobe, demanda desce ou migra para itens mais em conta. A Fecomércio-RS aponta que chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,1% desde a Páscoa de 2025. A rede Unisuper recebeu esses itens com aumento de 15% a 18%. "A barra subiu de preço e o tamanho é cada vez menor", cita Formenton. "A Páscoa sempre melhorava 8% a 10% no faturamento do mês. Até agora nada, só se acontecer no fim de semana", acalenta o supermercadista.
Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre também reforçou os valores mais "salgados", associada a problemas de abastecimento de cacau. "Na Capital, os preços de chocolates em barra e bombons subiram mais de 36% nos últimos 12 meses", indica a entidade lojista. O sindicato mostrou que as ofertas podem ter diferença de mais de 100% em alguns itens com mesmo peso. "A cesta de Páscoa vai de R$ 144,30 a R$ 392,68", adverte o SindilojasPOA. 
Levantamento da CDL Porto Alegre indicou que 61,1% das pessoas pretendem presentear com barras, caixas de bombons e ovos desconstruídos (com base de chocolate e recheio). Outro dado revelador: quase 40% dos ouvidos vai gastar entre R$ 101,00 e R$ 200,00. Brinquedos devem ser mais buscados para presentear crianças. A gigante Kopenhagen, hoje Nestlé, montou kits com ovo de 120 gramas e opções das bonequinhas Fofolete e Moranguinho. Na loja física, estava a quase R$ 200,00 a unidade. No site, o valor é mais em conta.