sábado, 7 de novembro de 2026



06/11/2026 - 16h57min
Martha Medeiros

A liberdade de continuar lutando

O povo brasileiro está servindo de exemplo para outras nações. Por essa eu não esperava: ver o Brasil exportando consciência. O mundo inteiro está fazendo o L, e já não se trata de Lula, que agora tem que focar nos ajustes fiscais para conter o endividamento e fazer o país crescer. O L virou outra coisa: simbolismo residual de uma campanha bem-sucedida.

Ao barrar o avanço da extrema-direita, o povo brasileiro conseguiu um feito histórico: está servindo de exemplo para outras nações que flertam com o extremismo, como a França, que corre o risco de eleger Marine Le Pen em abril, e os Estados Unidos, que descobriram o que é ter um lunático no poder. Eleitores irritados costumam chutar o balde e eleger ditadores. O Brasil mostrou que é possível conter esse desatino.

Alguns votaram em Lula por amor a Lula, mas a maioria votou por amor à democracia, que é quem de fato venceu.

Os votos na extrema direita foram dados por quem não atentou para o adjetivo que a diferencia da direita tradicional. Extremidade: o ponto mais distante do centro, fronteiriço, onde o autoritarismo e o radicalismo imperam. 

De extrema-direita são os que defendem intervenção militar, promovem golpes, designam-se como ultranacionalistas (ainda que vendam barato a soberania) e cultuam valores fascistas, como a idolatria por torturadores. O mundo precisa voltar a eleger representantes da esquerda, do centro e da direita que dialogam entre si, independentemente de suas divergências. Os extremos estão longe demais de qualquer consenso.

É aí que uma letra do alfabeto ganha novos significados, em idiomas diversos. Em português, o L agora pode ser feito sem que haja medo de perder o emprego ou de ter o nome em listas de boicote. A eleição terminou e o L representa, por fim, a liberdade de continuar lutando pelo que se acredita (vale para todos os partidos). É um L que invoca a lucidez, a legitimidade, a leitura – livros nos mantém conectados com a verdade e com a história. 

Que floresça um novo “we are the world” por um futuro às claras, sem que fiquemos reféns das mentiras induzidas por algoritmos. Que as nações ocupem as ruas pacificamente para varrer preconceitos e abraçar a inclusão. Que as polarizações sejam substituídas por uma força conjunta contra a ascensão de vigaristas. 

Pense nos golpes de whatsapp, que usam nossa boa-fé contra nós mesmos. Na ânsia de ajudar alguém ou de ser ajudado, o que nos protege das armadilhas? A informação. A atenção. A cabeça preparada. É pela mente que se combate manipuladores. 

Por isso, ler, estudar e se reunir presencialmente uns com os outros pode nos salvar. Sei que não existe mundo ideal, que me chamarão de ingênua, inocente, até de louca. Ninguém mais quer saber de sonhadores. Ainda assim, hoje consagro meu L ao lirismo.


07 de Novembro de 2026
CARPINEJAR

Felizes dinossauros

Eu escrevo há 30 anos. Nunca senti vontade de parar. Nunca bateu um desânimo ou bloqueio. Nunca faltou assunto, porque jamais me afastei da vida.

Já escrevi por desabafo, por justiça, por vingança, por carência, para ser visto, para desaparecer, por amor, por separação, por reconciliação, para pedir perdão, para não me desculpar. Já chorei com o meu próprio texto. Já ri com alguma história enquanto estava contando. Até acredito que sou mais instrumento das emoções do que autor.

Na hora de me sentar para trabalhar, vem a euforia de poder falar o que não consegui na frente dos outros. É uma coragem retroativa. Organizo as ideias e elas me organizam depois. Termino uma coluna como quem tomou um banho de mar: aliviado, sem dívidas com o oceano, com o sal benzendo a pele no sol.

Sou um poeta, ainda que cronista, e me interesso em retratar as mudanças no subsolo do comportamento. Quase como um sismógrafo das sutilezas. Tudo serve para mim, inclusive o que é jogado fora.

A pandemia, que me impediu de abraçar os pais, os irmãos e os filhos adultos, cada um em seu esconderijo, levou-me a não mais adiar o contato, a ser acessível.

Não deixo mais a saudade me matar - eu a mato primeiro. Assumi o propósito de priorizar a família.

Sem essa de achar que se tem todo o tempo, sem essa de esperar uma repescagem, sem essa de aguardar uma data festiva ou uma disponibilidade que não vai surgir. Jamais vislumbraremos qual é a duração de nosso filme.

Eu aprendi com o distanciamento.

Após o período isolado, decidi visitar de qualquer jeito, desprovido de solenidade, e isso gerou o estalo para o meu novo livro No meu tempo, eu era melhor, com sessão de autógrafos na 72ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Comecei a me perguntar: como eu vivia sem celular, sem redes sociais, nas décadas de 1970 e 1980? Como era namorar? Como era combinar de sair com os amigos? Eu me percebia mais radiante sem a necessidade de estar sempre conectado? Como eu me divertia? Como eu ia para casa? Como eu me informava?

Não havia quarto para mim, eu dividia os armários com meus irmãos, só que a rua parecia mais minha do que hoje. Encapávamos cadernos e livros para a escola, preservávamos os móveis com panos, forrávamos as gavetas com papel de presente, vestíamos o botijão de gás com uma saia. Tínhamos menos, mas muito mais capricho. Consertávamos os objetos, restaurávamos roupas e sapatos, guardávamos pregos e botões, fazíamos o almoço render para o jantar, comprávamos nossos pertences em carnês nas lojas. Economizávamos onde quer que fosse, exceto na realidade.

Será que melhoramos ou pioramos? É tanta tecnologia e tão pouca presença.

A virtualidade apenas aumentou a solidão. Não exercitamos as lembranças. Não decoramos mais nomes, lugares e telefones. Delegamos tarefas e evocações às máquinas, mergulhados em precoce Alzheimer digital.

Voltei atrás e localizei um futuro possível para salvar nossas relações. Como um menino grande que desenterra moedas no quintal.

Fui da ficha do orelhão no bolso, da lista telefônica, do mimeógrafo, de entrar pela porta dos fundos do pátio, do VHS, do K-7, do vinil, do grampeador e dos clipes, de prender dinheiro com elásticos amarelos, da fila do banco, do cheque voador, do pão de 1/2, do caderninho no armazém, da caligrafia, da procissão a pé para as festas, dos recados na palma da mão, das fotos tremidas com olho vermelho de vampiro, da televisão com seis canais e nenhum controle remoto, da máquina de escrever, da coleção de selos, da carta no correio, do bilhete na sala de aula, da reunião dançante, das brincadeiras na calçada, do romance no portão, no carro, no cinema; fui do mundo.

Se você é um feliz dinossauro e conserva velhas esperanças na humanidade como eu, marque na agenda de papel nosso encontro neste sábado, às 19h, na Praça da Alfândega. Quem sabe para um abraço apertado à moda antiga. 

CARPINEJAR

Vencer, humilhar, pisotear

O Brasil experimenta um fenômeno curioso: os vencedores da eleição também não parecem dispostos a aceitar o resultado. Ganharam, mas continuam querendo derrotar quem perdeu. E derrotar de novo. E mais uma vez. Até quando? Até o sujeito pedir desculpas pela ousadia de ter votado em quem quis? Até ele virar a casaca e passar para o outro lado? Ou até aprender a ficar de boca fechada e nunca mais dizer o que pensa?

É o que ocorre com o cantor Jorge, da dupla Jorge & Mateus, que cometeu a inconveniência de apoiar Flávio Bolsonaro. Depois de uma onda de protestos nas redes sociais, seus shows de Réveillon foram cancelados pelas prefeituras de Fortaleza e Recife. O prefeito Victor Marques (PCdoB), do Recife, explicou que a virada do ano é um momento de união e fraternidade e que, portanto, não havia mais clima para a apresentação. Uma forma intrigante de promover a união: decidindo quem fica de fora.

Ainda mais intrigante é que, dias atrás, a esquerda se horrorizava com as listas de boicote contra comerciantes que teriam votado em Lula. Com toda a razão. Mas, quando o boicotado é um artista que apoiou Flávio, aí a conversa muda: veja bem, não se pode comparar, isso é falsa simetria, os candidatos são diferentes, blá-blá-blá. Claro que são diferentes, e daí? Desde quando isso autoriza tratar seus eleitores como cidadãos de categorias distintas?

Democracia é justamente o regime em que as pessoas, mesmo discordando, dividem o mesmo país sem ficar tentando expulsar o vizinho. O eleitor que perdeu uma eleição já recebeu sua punição: ter perdido. E ponto final. Qualquer tentativa de sabotá-lo por pensar de outra forma sempre terá uma inclinação fascistoide. Inclusive entre aqueles que juram combater o fascismo.

Porque é uma lógica central no ideário fascista: a de que certos grupos representam uma ameaça moral à comunidade. E, sendo uma ameaça, não há por que tratá-los como iguais. Ou seja, primeiro transforma-se o adversário em alguém essencialmente mau. Depois, excluí-lo deixa de parecer uma injustiça para parecer o contrário: justo, merecido - e até necessário para "purificar" o convívio em sociedade.

Não dá para avançar assim. A esquerda precisa aceitar que milhões de brasileiros continuarão pensando como Jorge. E a direita precisa aceitar que milhões seguirão pensando como os comerciantes que votaram em Lula. Nenhum dos grupos vai desaparecer, portanto a questão é simples: vamos passar quatro anos infernizando a vida uns dos outros, ou vamos aceitar que temos um país para compartilhar? De que adianta derrotar o adversário nas urnas se tratamos a existência dele como derrota nossa? _

PAULO GERMANO 

07 de Novembro de 2026
OPINIÃO RBS

Maturidade no Piratini e no Planalto

A discussão dos últimos dias entre o atual e o futuro governo sobre a situação das finanças do Estado mostra diferentes interpretações sobre a gravidade do quadro, mas converge em um ponto: as dificuldades serão maiores ou menores conforme o êxito em negociações cruciais com Brasília. Construir uma relação madura entre os palácios Piratini e do Planalto, a despeito das divergências ideológicas, será fundamental. Embora existam questões relacionadas à saúde das contas do Rio Grande do Sul que dependerão apenas de decisões da gestão Luciano Zucco (PL), pautas da maior relevância para o Estado dependem do governo federal.

Era público que Zucco contava com o triunfo de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência. Mas o próprio governador eleito reiterou na campanha que não teria problema em buscar interlocução com uma eventual nova administração Lula. O presidente reconduzido também se comprometeu a governar para todos os brasileiros. Assim, é preciso crer que, de parte a parte, haverá maturidade institucional e disposição para o diálogo.

O provável futuro secretário da Fazenda, deputado estadual Claudio Branchieri (PL), disse na quinta-feira confiar em uma convivência republicana. Projetou que Zucco pode ser o principal contato entre os Estados do Sul e Lula, diante das dificuldades de relacionamento entre o petista e Sergio Moro (PL), eleito no Paraná, e Jorginho Melo (PL), reeleito em Santa Catarina.

Uma das negociações prioritárias é sobre a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Para o enquadramento mais favorável, o RS precisaria repassar à União ativos correspondentes a 20% do saldo da dívida (R$ 20 bilhões). O governo Leite ofereceu precatórios que não transitaram em julgado e recursos que dependeriam de uma lei a ser aprovada pelo Congresso. Diante dessas pendências, a proposta foi rejeitada. 

Dessa forma, o Estado ficaria em outra faixa do Propag, o que elevaria em R$ 1,5 bilhão as despesas no próximo ano, agravando a projeção de déficit, estimado oficialmente em R$ 4,8 bilhões para 2027. Será preciso voltar à mesa de negociações e buscar uma alternativa que permita a adesão nos termos menos onerosos.

Outro tema primordial é a demanda para que o pagamento das parcelas da dívida com a União não retorne em maio, como está previsto. Leite já buscava sensibilizar o Planalto para passar a usar esses recursos em um programa robusto de irrigação. Desde meados de 2024, o dinheiro é direcionado ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). A economia do Estado é duramente afetada por eventos climáticos extremos, como as recorrentes estiagens. O governo federal defende a importância de medidas de adaptação. Nada mais adequado, portanto, do que viabilizar uma iniciativa estruturante. Beneficiaria a atividade econômica e a arrecadação de impostos.

Há outras pautas de significativa relevância. Uma delas é a prorrogação do prazo de execução financeira do Funrigs. O limite legal é outubro de 2027 e o RS pede a extensão para dezembro de 2028. Outra refere-se à garantia de recursos para a conclusão de obras como as duplicações das BRs 290 e 116.

A eleição terminou. É momento de descer do palanque e de compor uma relação institucional colaborativa para colocar os interesses da população acima das diferenças políticas. 


07 de Novembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Indicação ao Supremo não pode ser toma lá dá cá

Tudo ainda é extraoficial, mas a simples cogitação de que Lula vai insistir na indicação de Jorge Messias para a vaga aberta há mais de um ano no Supremo Tribunal Federal provoca um desgaste desnecessário para o governo. A se confirmar, contradiz o discurso de campanha e rebaixa ainda mais a relação entre os poderes, dado que na negociação estaria um toma lá dá cá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AL), que tenta a reeleição.

Foi Alcolumbre, em um conluio que envolveu até o ministro Alexandre de Moraes, o maior responsável pela rejeição de Messias pelo plenário do Senado. Insistir na indicação do advogado-geral da União e ainda incluir o compromisso de aprovação na "bacia das almas" onde são negociados os acordos políticos é uma desmoralização generalizada.

Se a Messias resta um pouco de amor-próprio, o melhor seria dizer "não, obrigado", para não correr o risco de nova derrota. Ele sabe, ou deveria saber, que nas duas casas do Congresso as traições são recorrentes e que pode estar servindo de massa de manobra.

Na campanha, questionado sobre a crise no STF e correndo o risco de perder a eleição, Lula se comprometeu a discutir mudanças na forma como são indicados os ministros. Ainda que uma alteração só venha a valer para seu sucessor, cabe ao presidente começar a mudança agora, definindo suas escolhas por outros critérios que não o da amizade, o da gratidão ou da confiança pessoal.

Ministro do Supremo precisa ter notório saber jurídico e reputação ilibada, conceitos imprecisos pelo histórico de alguns dos indicados. Lula precisa escolher um jurista acima de qualquer suspeita, de preferência mulher, para garantir um mínimo de diversidade, e que não seja das suas relações pessoais. Ministro do Supremo não é cargo de confiança, que se vai quando o presidente termina o mandato. Se a lei não mudar, é alguém que poderá ficar até os 75 anos de idade, a menos que cometa crime de responsabilidade e seja afastado em um processo de impeachment. _

Olívio e Yeda dão lição de civilidade

De campos políticos diferentes, os ex-governadores Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT) deram demonstração de civilidade rara nestes tempos de radicalização política.

Assíduo frequentador da Feira do Livro, Olívio foi à sessão de autógrafos de Yeda, que lançou Fios Tecendo Vida - Crônicas de um cotidiano entre séculos.

Ao ver o ex-governador na fila, Yeda abriu os braços sorridente e os dois trocaram um abraço afetuoso. Conversaram, posaram para fotos e Yeda escreveu a dedicatória. À coluna, disse que os dois são amigos e elogiou a cultura de Olívio, com quem se encontra regularmente em eventos ou nos jantares promovidos por outro ex-governador, o decano Jair Soares, que governou o Estado de 1983 a 1986.

- Adoro conversar com ele. É um homem muito culto. Esses dias, ficamos discutindo filosofia - contou Yeda toda animada.

Nas filas em que esteve na feira, Olívio foi abraçado e convidado a tirar fotos com outras pessoas que elogiaram a sua coerência e dignidade. _

Prévia para candidato a prefeito

Apesar da euforia com a vitória de Lula e o bom resultado dos candidatos da esquerda em Porto Alegre, a direção municipal do PT não quer afobação para a eleição de 2028. Ao contrário de PP e PL, que já começam a projetar possíveis candidatos a prefeito, os dirigentes petistas preferem manter os pés no chão, com foco em fazer um balanço do pleito que acabou de passar e definir um método para escolha dos nomes que concorrerão daqui a dois anos.

Enquanto articula a base em torno da ideia de candidato do PT, o presidente municipal, Rodrigo Dilelio, diz que tem ótima relação com Roberto Robaina, presidente do PSOL na Capital, e não descarta a possibilidade de realizar uma prévia para que os aliados decidam qual dos dois partidos deve liderar o processo. Internamente, o PT só deve começar a discussão de possíveis candidatos em 2027, após o verão. _

PDT aprova entrada em federação

Após fracasso nas urnas em 4 de outubro, quando não conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira, o PDT encontrou tábua de salvação na federação com Solidariedade, PRD e Avante. Em reunião, a executiva nacional do PDT aprovou a entrada na federação, e um indicativo favorável ao ingresso do PSB no grupo. Esse arranjo não garante sobrevida ao PDT, porque há resistência nas bases à federação, principalmente pela incerteza em relação à posição do PSB.

Ainda não está claro se a Justiça Eleitoral aceitará a formação de federação pós-eleitoral para fins de cumprimento da cláusula de barreira. Como o PDT não conseguiu vencer a exigência, a legislação permite a troca de partido sem risco de perder o mandato. Aprovada a federação, a direção do partido pode abrir processo por infidelidade partidária e requisitar o mandato. _

Gaúchos estudam cenário e futuro

Os deputados eleitos ou reeleitos em 4 de outubro pelo PDT vão se reunir na terça-feira em Porto Alegre para avaliar a situação e tomar uma posição. Tiago Cadó disse à coluna que no Interior "as reações internas no PDT são as mais variadas com esse cenário".

A federação com PRD, Avante e Solidariedade não empolga ninguém no PDT gaúcho, que ainda cura as feridas da derrota na eleição estadual. Caso o PSB concorde em aderir ao grupo, a federação se torna mais palatável.

O partido do vice-presidente Geraldo Alckmin ultrapassou a cláusula de barreira, mas teme perder espaço nas próximas eleições e, por isso, avalia a conveniência de aderir à federação. _

Acusação de assédio moral

Um assessor da vereadora de Porto Alegre Atena Roveda (PSOL) denunciou ter sofrido assédio moral no gabinete, além de ter realizado atividades particulares para a parlamentar, o que configura desvio de função.

Felipe Chagas divulgou o relato pelos stories do Instagram após deixar o cargo, com prints de conversas com Atena que comprovariam as acusações. Conforme Chagas, Atena controlava os funcionários da sua residência a partir de câmeras de vigilância instaladas no gabinete, e questionava os assessores se não cumpriam suas ordens, com reprimendas públicas.

Ela nega "episódios que firam ou ponham a dignidade humana em risco". À coluna, Atena afirmou que os supostos desvios de função "não são nada além de suposição". _

POLÍTICA E PODER

07 de Novembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Fachin e a divisão de poderes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, defendeu a separação dos poderes da República durante discurso ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Unisinos, na sexta-feira, em Porto Alegre. No evento, também ponderou a autocontenção dos magistrados e alertou para ameaças à democracia.

- A separação dos poderes pressupõe distinção funcional, equilíbrio e responsabilidade. Nenhum poder pode reivindicar para si a totalidade da razão constitucional. Nenhum poder possui autorização para substituir os demais, como também não se encontra dispensado de observar os limites de suas competências. O Judiciário não governa e não legisla - disse.

Desde que assumiu a presidência do STF, Fachin defende a existência de um código de conduta para a Suprema Corte. Mesmo sem citar o tema de forma explícita em seu discurso, o magistrado falou sobre a integridade do órgão e ressaltou que o Judiciário não deve ultrapassar a competência dos demais poderes.

- Se o direito deve aspirar à integridade, também as instituições que o aplicam precisam organizar sua atuação segundo exigências de coerência, imparcialidade e fidelidade constitucional. O Judiciário não governa e não legisla. Não disputa nem deve pleitear o poder político. Exerce a jurisdição nos limites da Constituição. E, dentro desses limites, deve atuar com independência, firmeza e imparcialidade. [?] A autocontenção judicial não significa omissão diante da violação de direitos - disse.

Ao falar sobre o que chamou de erosão institucional e as lições do constitucionalismo, o ministro alertou para ameaças à democracia que o país viveu recentemente e destacou o trabalho do Judiciário em sua defesa:

- Durante muito tempo, a ameaça mais evidente à democracia era sua ruptura aberta. A suspensão das Constituições. A dissolução dos Parlamentos. A supressão das eleições. Essas ameaças não desapareceram, mas a experiência contemporânea revelou outro fenômeno. A democracia pode ser enfraquecida por dentro - ponderou.

Jurista, acadêmico e magistrado brasileiro, o atual presidente do STF e do CNJ é natural de Rondinha, no norte do Estado, e está na Corte desde 2015.

A outorga do título integrou a programação comemorativa dos 60 anos do curso de graduação em Direito e dos 30 anos do Programa de Pós- Graduação em Direito da Unisinos. _

Presidente do STF fala sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Streaming gaúcho documenta a viagem do Papa

O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que as reações de cada candidato ao pleito eleitoral dizem respeito à sua esfera própria de deliberação. A fala respondeu a um questionamento sobre a avaliação do magistrado acerca da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota no segundo turno.

- Na democracia, há quem vença as eleições, há quem seja derrotado. As reações pessoais de cada candidato dizem respeito à sua esfera política. O que é importante para o processo político é a estabilidade que o processo tem representado no Brasil nos últimos anos.

O magistrado também defendeu o papel da Justiça Eleitoral no pleito, que, nas palavras dele, deu exemplo de eficiência, tanto na preparação quanto na aplicação e totalização dos votos:

- O Brasil está dando provas de maturidade política e institucional. _

Colaborou Gabriel Jacobsen

O Papa chegou ao Uruguai nesta sexta-feira, onde permanecerá até domingo. Na sequência, seguirá para a Argentina, onde ficará até o dia 11. A produção reunirá registros, encontros, relatos e experiências vividas ao longo desses dias.

A equipe é composta por cinco profissionais da empresa, presentes nos dois países para acompanhar a programação. Segundo a Lumine, a proximidade geográfica da sede da empresa torna essa experiência ainda mais significativa.

Além disso, a plataforma fará cobertura nas suas redes e canais de divulgação. _

Conexão entre POA e Portugal

Representante de Zucco na COP31

A estratégia da pasta é reforçar a malha aérea nas cidades que receberão jogos da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 - lista que inclui a capital gaúcha.

A coluna questionou o ministério sobre o impacto da iniciativa para Porto Alegre, que terá jogos no Beira-Rio. Segundo a pasta, o fortalecimento de rotas já existentes é prioridade e o evento abre margem para negociar novas frequências com as companhias, embora não haja anúncio oficial de datas ou voos extras para o RS.

Hoje, Porto Alegre já opera a rota direta para Lisboa por meio da TAP Air Portugal. _

O governador eleito Luciano Zucco (PL) enviará o procurador do Estado Rodinei Escobar Xavier Candeia à COP31, que ocorre, a partir de segunda-feira, em Antália, na Turquia.

Candeia é integrante do grupo de trabalho de meio ambiente da equipe de transição. Tem mais de três décadas de experiência no serviço público, com atuação em direito público, questões ambientais e temas territoriais e fundiários.

Segundo a equipe de transição, a participação terá caráter institucional, com o objetivo de acompanhar os debates sobre mudanças climáticas, prevenção, adaptação e resiliência, além de identificar experiências e oportunidades de cooperação que possam contribuir para o Estado. _

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Epopeia contemporânea arrebatadora

Hagwon Americana, de Min Jin Lee

Hagwon Americana, de Min Jin Lee

Reprodução/JC
Jaime CimentiDepois do sucesso mundial do romance best-seller Pachinko , eleito um dos “100 melhores livros do século” pelo The New York Times , a multipremiada escritora Min Jin Lee, autora do romance Free food for millionaires , retorna à cena literária mundial com o alentado romance Hagwon Americana (Editora Intrínseca, 688 páginas, R$ 99,90, livro impresso, E-book R$ 69,90 , tradução de Alessandra Esteche e Lígia Azevedo).
Min Jin Lee, entre outras distinções, foi premiada com o Fitzgerald de Excelência Literária (2024), o Grande Prêmio Manhae de Literatura (Coreia do Sul) e foi finalista do National Book Award e do Dayton Literary Peace Prize e foi contemplada com bolsas de estudo da Guggenheim Foundation, N.Y. Foundation for the Arts e Harvard Radcliffe Institute.
Min Jin Lee novamente enfoca a diáspora coreana e conta a história da família Koh, uma verdadeira saga que, em meio às complexidades da imigração, à frágil promessa do “sonho americano” e do propósito da educação, mostra personagens arquetípicos capazes de questionar valores estruturais da sociedade sul-coreana e estadunidense.
No centro da jornada estão as hagwons – escolas privadas de reforço escolar – que funcionam como cenário principal e catalisador dos principais temas abordados pelo romance. A história se inicia em Seul, Coreia do Sul, no início dos anos 1990 , quando a vida confortável da família Koh é subitamente devastada, após o patriarca John ser acusado falsamente de assédio. A ruína profissional e pessoal provoca uma saga de redenção que se desdobra por décadas pela Ásia, Américas e Oceania.
A autora mescla com talento e profundidade, como fez em Pachinko, vidas de duas gerações de imigrantes transformadas de maneira brutal pelo desejo de se expandir, competir e fincar raízes. Os Koh tentam recuperar a dignidade perdida em três continentes, a partir de ter sofrido uma traição covarde. Min Jin Lee enfatiza o papel positivo da educação e o pensamento crítico, para resolver problemas reais da vida.

Lançamentos

Um predador chamado Febrônio - O primeiro serial killer midiático do Brasil, de Julia do Passo Ramalho

Um predador chamado Febrônio - O primeiro serial killer midiático do Brasil, de Julia do Passo Ramalho

Reprodução/JCUm predador chamado Febrônio - O primeiro serial killer midiático do Brasil (Matrix, 216 p., R$ 79,00) de Julia do Passo Ramalho, psicóloga e especialista em Psicanálise, saúde mental, criminologia e psicologia forense fala do homem-monstro que matou, enganou, assumiu identidades falsas e aterrorizou o Rio de Janeiro em 1927. Acusado de crimes contra meninos, inimputável, foi o paciente 001 do primeiro manicômio judiciário do país, onde ficou por 50 anos. Julia pesquisou se ele era realmente louco ou usou a loucura para escapar da Justiça.
Código Rosa (Maquinaria Editorial, 224 p., R$ 57) de funBABE, criadora de conteúdo e streamer, com oito milhões de seguidoras, narra, em sua estreia literária, a trepidante trajetória da ítalo-brasileira Cristal Giorno, que veio da Itália para o Brasil para mostrar que não precisava do dinheiro da família. O livro conta a história da Hells, gangue formada só por mulheres, seus planos milionários, paixões difíceis e traições. Subestimar uma mulher é um clássico, mas também um erro fatal.
As irmãs Beauvoir (L&PM, R$ 66, 272 p.) de Claudine Monteil, diplomata, escritora e historiadora francesa, mostra Simone e Hélène de Beauvoir, uma grande filósofa e escritora e a outra pintora de três mil quadros e gravuras, diferentes mas unidas pelo amor fraternal e pela luta para existirem plenamente como mulheres e artistas. A autora da obra foi contemporânea e amiga próxima das duas irmãs e retrata as batalhas pela ampliação dos direitos das mulheres.
Manual operacional do corpo humano
Diante de tantos avanços tecnológicos, científicos, médicos e de comportamento das últimas décadas e, considerando que estávamos vivendo mais décadas do que antes, é preciso utilizarmos práticas fundamentais para melhorar substancialmente os estados físicos e mentais no dia a dia. Ao mesmo tempo devemos utilizar ferramentas específicas baseadas na ciência que podem ser utilizadas para superar desafios comuns ou elevar os desempenhos mental e físico.

No amplo e bem fundamentado livro Protocolos - Um manual operacional do corpo humano (Editora Intrínseca, 592 p., R$ 99.90 livro impresso e R$ 69,90 E-book, tradução de André Fontenelle, Bruno Fiuza, Paula Diniz e Rita Paschoalin) o Dr. Andrew D. Huberman, Ph.D. em neurociência e professor titular no departamento de neurobiologia e oftalmologia da Faculdade de Medicina de Stanford apresenta, com base em décadas de pesquisas, suas e de colegas, um guia dos mais completos e detalhados sobre soluções simples e factíveis para o dia a dia, para aproveitar os poderes da fisiologia humana.


O livro já figura, merecidamente, em listas de mais vendidos no Brasil e, nos Estados Unidos, onde foi lançado em 15.09.2026, já vendeu 150 mil cópias até 26.10 e chegou ao primeiro lugar na prestigiada lista do The New York Times. Huberman apresenta o podcast Huberman Lab, o mais popular de ciência e saúde do mundo. Huberman tem contribuições significativas em matéria de função e desenvolvimento cerebral e neuroplasticidade. Seu laboratório em Stanford publicou artigos na Nature, Science e Cell e foi destaque na BBC, Time, Scientific American e Discover. Huberman recebeu o prestigiado Prêmio Cogan da Association for Research in Vision and Ophthalmology.


Protocolos está dividido em sete grandes áreas: sono; exercícios físicos; controle de estresse; nutrição; luz; foco; motivação e aprendizado e crescimento pessoal. Os protocolos são simples, apresentados com clareza e didática e são fáceis de serem executados no dia a dia. O protocolo do sono, de grande importância, refere, por exemplo, que devemos nos expor à luz do sol assim que acordamos e o protocolo sobre estresse nos ensina com propriedade sobre respiração.


Os protocolos são organizados em ordem de importância e impacto em cada capítulo. Todos começam com uma série de passos que explicam o que devemos fazer. Em seguida vem a ciência por trás dos mecanismos nos quais se baseiam. Os protocolos incluem também respostas a perguntas que amigos, familiares, colegas de trabalho e o público costumam fazer ao experiente e estudioso Dr. Huberman.

Além disso, Huberman mostra que a neuroplasticidade (capacidade de aprender e reprogramar o cérebro, que Huberman tratou em seu doutorado) pode ser incentivada com práticas simples como sono e exercícios de qualidade. Os exercícios são importantes em qualquer idade, inclusive para os neurologicamente vulneráveis.

A propósito

Como se vê, o autor, com um estilo dinâmico e envolvente, explica a ciência por trás de cada protocolo e, em seguida, mostra como eles são capazes de produzir resultados imediatos e eficazes. Além disso, o autor descreve como personalizá-los, permitindo que todos façam adaptações às próprias necessidades. Especialmente Huberman ressalta que tanto o treino de resistência quanto o treino cardiovascular trazem ganhos enormes, mas, combinados, são estímulos eficazes para a saúde cerebral e a neuroplasticidade. Melhor função cerebral, mais saúde, desempenho físico, melhor humor e energia para reconfigurar o sistema nervoso e muito mais é o que pretende Huberman para seus leitores. (Jaime Cimenti)

Olívio Dutra e Yeda Crusius dão lição de civilidade na política

Ex-governador foi à sessão de autógrafos na Feira do Livro e os dois trocaram afagos

Os dois ex-governadores trocaram um abraço afetuoso na sessão de autógrafos.
Maicon Hinrichsen / Divulgação
Yeda escreveu dedicatória especial para o amigo.
Maicon Hinrichsen / Divulgação
A dupla aproveitou para uma rápida conversa.
Maicon Hinrichsen / Divulgação
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De campos políticos diferentes, os ex-governadores Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT) deram uma demonstração de civilidade rara nestes tempos de radicalização política. Assíduo frequentador da Feira do Livro, Olívio foi à sessão de autógrafos de Yeda, que lançou Fios tecendo vida — Crônicas de um cotiano entre séculos. 

Ao ver o ex-governador na fila, Yeda abriu os braços sorridente e os dois trocaram um abraço afetuoso. Conversaram, posaram para fotos e Yeda escreveu a dedicatória. À coluna, disse que os dois são amigos e elogiou a cultura de Olívio, com quem se encontra regularmente em eventos ou nos jantares promovidos por outro ex-governador, o decano Jair Soares, que governou o Estado de 1983 a 1986.  

— Adoro conversar com ele. É um homem muito culto. Esses dias, ficamos discutindo filosofia — contou Yeda toda animada. 

Nas filas em que esteve na feira, Olívio foi abraçado e convidado a tirar fotos com outras pessoas que elogiaram a sua coerência e dignidade. O ex-prefeito de Espumoso Mário Bertani (MDB) foi um deles. Bertani contou que quando foi prefeito sempre teve uma excelente relação com o então governador. 

O livro de Yeda, editado pela Farol 3 Editores, tem capa ilustrada pela própria ex-governadora, que dedica parte do seu tempo à arte, pintando, bordando, escrevendo, lendo e assistindo filmes. No miolo, reproduções de livros citados no texto, fotos dela em diferentes momentos da vida, quadros, tapeçarias e quebra-cabeças. O próximo livro já está em produção.  

"Este livro nasce de uma necessidade e de um desejo. A necessidade é de trazer para fora o que tenho dentro, escrevendo o que sinto. O desejo é de comunicar esse ato de criação com outros. Registro, principalmente em escritos, o que vivo. Faço isso melhor do que faria por músicas, bordados, pinturas vídeos. Faço como artesã, tecendo os fios da memória em páginas escritas. Sem ilusões, mas não sem esperanças. Pois reconhecer nossa insignificância talvez seja uma das formas mais honestas de compreender o que significa ser humano", diz o texto escolhido para a contracapa.