sábado, 20 de junho de 2026

 Duplicação da BR-386 é suspensa em trecho e reprogramada para depois de 2030

Obras da BR-386 entre Fontoura Xavier e Marques de Souza adiadas devido a revisão de projetos

Obras da BR-386 entre Fontoura Xavier e Marques de Souza adiadas devido a revisão de projetos

Fabiano Panizzi/JC

Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórter
Parte das obras de duplicação da BR-386 teve o cronograma suspenso e reprogramado pela concessionária ViaSul, do grupo CCR Motiva, com previsão de execução para após 2030. O trecho afetado fica entre Fontoura Xavier e Marques de Souza, inicialmente previsto para ocorrer entre 2026 e 2028.
A suspensão foi atribuída pela empresa à necessidade de revisão dos projetos de engenharia após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul em 2024.
“A ViaSul necessitou adequar os projetos de engenharia para tornar a infraestrutura da rodovia mais resiliente e capaz de suportar eventos climáticos extremos”, informou a concessionária.
Apesar disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirma que a alteração ainda não está formalmente validada no contrato. Em nota, a agência informou que a reprogramação foi analisada no âmbito da 1ª Revisão Quinquenal do Contrato de Concessão, instrumento que permite mudanças como inclusão, exclusão ou reprogramação de obras, desde que preservado o equilíbrio econômico-financeiro.
Segundo a ANTT, a proposta de mudança partiu da concessionária e levou em consideração os impactos dos eventos climáticos de 2023 e 2024, além da necessidade de reavaliação das soluções de engenharia originalmente previstas.
No entanto, o processo de revisão está temporariamente suspenso a pedido da própria empresa.
“Até eventual deliberação da Diretoria Colegiada da ANTT, permanece válido o cronograma originalmente previsto no contrato”, destacou a agência.
Na prática, isso significa que, embora a concessionária trabalhe com a reprogramação interna do trecho, o contrato de concessão ainda considera o prazo original para execução das obras.
A ViaSul afirma que mantém os investimentos previstos para 2026, que somam R$ 690 milhões, dentro do planejamento atualizado. Os recursos seguem sendo aplicados conforme o andamento das obras e as necessidades emergenciais ao longo da rodovia.
Atualmente, duas das principais frentes concentram os aportes. Entre Soledade e Fontoura Xavier, são R$ 340 milhões em obras que já ultrapassam 90% de execução e devem ser concluídas no primeiro semestre. O segmento inclui duplicação, vias marginais, interseções, retornos, passagem inferior e pontes.
Já entre Tio Hugo e Soledade, outros R$ 350 milhões estão sendo investidos, com mais de 58% de avanço físico e previsão de conclusão no segundo semestre de 2026. Nesse trecho, estão previstas novas pontes, interseções, retornos, vias marginais e uma passarela.
Também seguem em execução obras em Nova Santa Rita, com a construção de dois viadutos nos quilômetros 434 e 435. Um deles já supera 90% de execução e deve ser entregue ainda no primeiro semestre, enquanto o outro tem cerca de 51% de avanço e conclusão prevista até o fim do ano.
Parte das melhorias já foi concluída em segmentos anteriores da rodovia. Entre Marques de Souza e Lajeado, a duplicação foi entregue com investimento de R$ 446 milhões. No trecho entre Lajeado e Estrela, foram aplicados R$ 187 milhões em faixas adicionais e melhorias estruturais.
A concessionária também destacou que eventuais alterações nas condições contratuais passam por reequilíbrio econômico-financeiro. Em casos de atraso ou não execução de obras, os impactos podem ser refletidos na tarifa de pedágio, como ocorreu na revisão de 2024, quando a tarifa foi reduzida de R$ 5,80 para R$ 5,50.

Tecnologia gaúcha deve acelerar construção de hidrelétricas de menor porte no País

Joint venture entre empresas Higra e RPI quer difundir a solução

Joint venture entre empresas Higra e RPI quer difundir a solução

Divulgação Higra/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterAproveitar o potencial máximo do rio, com o mínimo de impacto ambiental possível para a geração hidrelétrica, é o foco da tecnologia de turbogeradores anfíbios desenvolvida pela Higra, de São Leopoldo. A empresa, por meio de joint venture com a companhia RPI, pretende desenvolver projetos próprios de usinas com essa proposta, além de fornecer a solução para terceiros.
O proprietário da RPI, Ricardo Pigatto, adianta que a meta nos próximos anos é chegar a uma potência de cerca de 100 MW em aproveitamentos hídricos espalhados pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. O investimento estimado para alcançar esse objetivo é na ordem de R$ 1,5 bilhão.
A joint venture fará o desenvolvimento do licenciamento ambiental, elaboração dos projetos, planejamento de conexão na rede elétrica e, posteriormente, a captação dos recursos financeiros por meio de fundos já identificados. O mercado foco será o de autoprodução e depois o mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem comprar a energia). Porém, Pigatto não descarta a possibilidade de disputar leilões para comercializar a produção para o Sistema Interligado Nacional de energia.
Os primeiros projetos hidrelétricos da joint venture devem ser implementados em território gaúcho, em locais como o rio Turvo (afluente do rio Uruguai), no rio Guarita e na Bacia do Jaguari. As turbinas têm capacidade de 50 kW até 1 MW (a potência de 1 MW daria para abastecer cerca de 4 mil casas). Conforme o Chief Revenue Officer (CRO) da Higra, Gil Passos, os equipamentos podem ser agrupados de forma paralela e modular, alcançando potências maiores. “A capacidade da usina acaba sendo multiplicada pelo número de máquinas”, reforça Passos.
Ele acrescenta que o sistema também simplifica as obras civis de instalação das usinas, pois não é necessário mudar o perfil do rio em que será implementado o complexo de uma forma mais radical. Outro ponto salientado pelo Chief Revenue Officer é que o processo não precisa implementar uma casa de máquinas (também chamada casa de força, onde é gerada a eletricidade).
Já o diretor da Higra Systems, Leonardo Röggen, enfatiza que a empresa é depositária da patente da solução tecnológica. “E nos orgulha bastante por ser um desenvolvimento 100% gaúcho”, assinala Röggen. Ele informa que hoje há aproximadamente 50 desses equipamentos operando no Brasil. “Abre um horizonte para fazer infinitas usinas de pequeno porte no País, com potencial para aproveitar não só as altas quedas, mas também as baixas quedas de água”, completa Pigatto.
Ele salienta ainda que em rios de grande vazão, é possível dispensar a construção de barragens e que a lubrificação e refrigeração das turbinas é feita por meio da água, sem necessidade de óleo. “Não existe o risco de contaminação de óleo, caso haja um vazamento”, assinala o dono da RPI.
Outro ponto mencionado pelo Chief Revenue Officer da Higra é que a joint venture está trabalhando para desenvolver uma hidrelétrica reversível no Brasil. Esse tipo de usina é capaz de fazer o rebombeamento de água para dentro do reservatório. “Essa usina reversível é algo que acontece muito lá fora, mas aqui no Brasil não é tão explorada”, diz Passos. Pigatto detalha que, como será usada uma estrutura flutuante nesse empreendimento, será uma iniciativa inédita no mundo.

Diretora do Tecnopuc prega articulação para aproveitar oportunidades no RS

Diretora do Tecnopuc, Flavia Fiorin destacou capacidade dos talentos gaúchos durante painel do Mapa Econômico do RS

Diretora do Tecnopuc, Flavia Fiorin destacou capacidade dos talentos gaúchos durante painel do Mapa Econômico do RS

TÂNIA MEINERZ/JC

Gabriel Margonar
Gabriel MargonarO potencial de desenvolvimento da Região Metropolitana passa pela capacidade de transformar conhecimento em inovação e articular os diferentes atores do ecossistema gaúcho. A avaliação foi feita pela diretora do Tecnopuc, Flavia Fiorin, durante o painel do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, promovido pelo Jornal do Comércio nesta quinta-feira, 18 de junho, em Porto Alegre.
Realizado no Teatro CIEE-RS Banrisul, o encontro encerrou o giro do projeto pelas cinco macrorregiões do Estado. O debate sobre os desafios e oportunidades da Macrorregião Metropolitana reuniu ainda o diretor-geral de Celulose da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, e o diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre, Jader Pires. A mediação foi do editor-chefe do JC, Guilherme Kolling.
Ao abordar o papel da inovação no desenvolvimento regional, Flavia destacou que a principal riqueza do Rio Grande do Sul está nas pessoas formadas pelas universidades e centros de pesquisa. "Quando a gente fala das potencialidades do Rio Grande do Sul, sempre aparece a universidade. Mas a universidade somos nós. São os talentos que geramos", afirmou.
Segundo ela, embora a tecnologia seja um componente importante, a inovação tem como principal ativo o capital humano. "Nunca se falou tanto em capital humano. A tecnologia é um meio de inovar, mas não é o fim em si mesma", observou.
Para a dirigente, cenários de maior complexidade costumam abrir espaço para novas oportunidades. Ela citou áreas como semicondutores e a instalação de data centers como exemplos de segmentos nos quais o Estado reúne vantagens competitivas.
"O Rio Grande do Sul tem disponibilidade de energia, matriz limpa, condições climáticas e uma combinação de capacidades que criam oportunidades únicas", disse.
Flavia ressaltou que os data centers não devem ser vistos como empreendimentos isolados, mas como estruturas capazes de impulsionar uma cadeia de empresas de tecnologia. "A gente não pode se posicionar nesse cenário como meros usuários de tecnologia. Temos tecnologias sendo desenvolvidas aqui, dentro das nossas universidades e centros de inovação", completou.

Cooperação e formação de talentos

Ao longo do painel, a diretora do Tecnopuc defendeu que nenhuma instituição conseguirá transformar essas oportunidades em desenvolvimento de forma isolada. Segundo ela, universidades, setor produtivo e poder público precisam atuar de forma coordenada para evitar que oportunidades sejam perdidas.
"Uma universidade não faz isso sozinha. Uma empresa também não. A transformação exige convergência. Se cada um olhar para os interesses individuais, a gente corre o risco de ver essas oportunidades escorrerem pelas mãos", alertou.
Flavia também destacou os impactos da inteligência artificial e a necessidade de preparar profissionais para uma economia cada vez mais baseada em tecnologia. Na avaliação dela, além das discussões sobre produtividade e competitividade, é preciso ampliar a formação em áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
"Quem vai sentar na mesa para discutir as estratégias dos próximos ciclos se vemos a formação de engenheiros sendo reduzida no País?", questionou.
Ao encerrar sua participação, a diretora relembrou iniciativas como a Aliança para a Inovação e o Pacto Alegre, que contribuíram para aproximar universidades, empresas e poder público em Porto Alegre. "Quando a gente quer, a gente faz. E quando a gente faz junto, faz melhor ainda", concluiu.