sexta-feira, 19 de junho de 2026

Justiça rejeita leilão de frigorífico, e Languiru avalia vender equipamentos

Frigorífico de Suínos de Poço das Antas interrompeu os abates em 30 de junho de 2023 e segue parado até hoje

Frigorífico de Suínos de Poço das Antas interrompeu os abates em 30 de junho de 2023 e segue parado até hoje

COOPERATIVA LANGUIRU/DIVULGA??O/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterA tentativa da Cooperativa Languiru de transformar um de seus principais ativos desativados em recursos para abatimento de dívidas esbarrou na Justiça. A ação que buscava autorizar o leilão judicial do frigorífico de suínos de Poço das Antas, fechado desde junho de 2023, foi julgada improcedente.
A unidade foi alvo de uma iniciativa incomum, na qual a própria devedora buscou autorização judicial para promover a venda do ativo. Segundo a cooperativa, o objetivo era ampliar o número de interessados e oferecer maior segurança jurídica a eventuais compradores.
De acordo com o superintendente administrativo e financeiro da Languiru, Gustavo Marques, o Badesul, que é um dos credores, manifestou-se favoravelmente ao leilão. Já a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que representa os interesses do governo gaúcho em razão de créditos vinculados ao Fundopem, posicionou-se contra a medida.
A cooperativa decidiu não recorrer da sentença.
Sem a possibilidade de alienação por meio de leilão judicial, a direção avalia alternativas para o ativo. Entre elas está a desmontagem da linha de produção e a venda dos equipamentos de forma individualizada. Posteriormente, a cooperativa poderá discutir a transferência do imóvel aos credores vinculados ao empreendimento, como forma de amortização das obrigações relacionadas à unidade.

A fábrica não vai para o Paraguai', afirma diretor-geral da CMPC no Brasil

Antônio Lacerda foi um dos painelistas do Mapa de Porto Alegre

Antônio Lacerda foi um dos painelistas do Mapa de Porto Alegre

Dani Barcellos/Especial/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterO diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, havia afirmado em entrevista ao Jornal do Comércio no mês de maio que havia a possibilidade de a multinacional levar o Projeto Natureza ao Paraguai caso a Justiça Federal não apresentasse uma solução ao impasse legal enfrentado para a instalação de uma fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Entretanto, ele voltou atrás e, categoricamente, negou a intenção de retirar a iniciativa do Rio Grande do Sul.
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“A fábrica da CMPC não vai para o Paraguai. Vamos insistir e trabalhar para que ela se estabeleça aqui no Rio Grande do Sul. Esse é o objetivo e temos lutado com todas as forças para isso. Estamos seguindo a lei, todos os ritos do órgão regulador, que é a Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), e estamos muito tranquilos em relação a isso. Acreditamos nas leis e no bom senso. E estamos trabalhando para que o projeto seja aprovado”, afirmou Lacerda em entrevista à reportagem durante evento do Mapa Econômico do RS, realizado nesta quinta-feira (18), no Teatro do CIEE-RS, em Porto Alegre.

O governador gaúcho, Eduardo Leite, também apresentou um posicionamento semelhante. “Não trabalho com a hipótese de o Rio Grande do Sul perder esse investimento. Trabalhamos muito para trazer esse investimento para cá e vamos continuar trabalhando do jeito certo, fazendo a coisa certa para o investimento”, declarou durante ato realizado em frente ao Palácio do Piratini na segunda-feira passada, 15 de junho.

A CMPC prevê um aporte de R$ 27 bilhões, o maior investimento privado já anunciado no Estado. Entre as ações inclusas no projeto, estão a construção de um terminal de celulose em Rio Grande, que recebeu licença prévia nesta quinta-feira (18), e a fábrica em Barra do Ribeiro.

A expectativa da multinacional é que, em relação à fábrica, o licenciamento possa ser obtido até o final deste ano. Atualmente, o projeto tramita junto à Fepam, que aguarda manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre as comunidades tradicionais na região em que o empreendimento deverá ser instalado.
Evento do Mapa Econômico do RS ocorreu nesta quinta-feira em Porto Alegre | TÂNIA MEINERZ/JC
Evento do Mapa Econômico do RS ocorreu nesta quinta-feira em Porto AlegreTÂNIA MEINERZ/JC

A morosidade na obtenção do aval da agência reguladora tem como ponto nevrálgico uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). Nela, o órgão questiona os estudos apresentados pela CMPC e defende a necessidade de uma análise mais ampla quanto aos impactos ambientais e sociais sobre as comunidades tradicionais da região.

Para o MPF, seria necessária a realização de uma Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI). A CMPC, por sua vez, diz que tem conduzido o projeto em conformidade com a legislação.

Para Lacerda, apesar da indefinição judicial, o Rio Grande do Sul tem um ambiente de negócios favorável para a atração de empreendimentos – incluindo o da CMPC. “Tem as condições ideais para o estabelecimento de uma nova fábrica, não somente pelo eucalipto, mas pelas pessoas e pelo que a sociedade oferece em termos de empregabilidade. Aqui tem pessoas muito comprometidas com o empreendedorismo, com responsabilidade e que fazem as coisas acontecerem. E é por isso que vamos investir os R$ 27 bilhões aqui”, acrescentou.

Ele ainda considerou que as mudanças trazidas pela nova fábrica poderiam auxiliar na competitividade do Estado. Principalmente, pela geração de empregos e pelas obras de infraestrutura inclusas no Projeto Natureza.

Atualmente, a CMPC tem uma planta industrial em Guaíba, na Região Metropolitana. Desde 2009, já foram desembolsados R$ 25 bilhões na sua expansão e modernização. A estrutura é a maior fábrica da multinacional.

Itens pessoais da escritora Celia Ribeiro estão à venda e podem ser vistos neste fim de semana

Leilão do acervo de Celia Ribeiro ocorrerá na semana que vem

Leilão do acervo de Celia Ribeiro ocorrerá na semana que vem

Santayana Leilões/Reprodução/JC

Mauro Belo Schneider
Mauro Belo SchneiderEditor-executivo, @belomauro
Uma exposição com os itens pessoais da escritora gaúcha Celia Ribeiro, falecida em setembro de 2025, ocorrerá neste fim de semana em Porto Alegre. O evento precede o leilão marcado para os dias 22, 23 e 24 de junho. 
O acervo estará exposto nesta sexta-feira e sábado, das 10h às 17h, no endereço do depósito do leiloeiro José Luis Santayana (rua Padre Diogo Feijó, nº 479). A organização das peças é realizada por Júlio Lovato, da empresa Vemdetudo.
Há desde a cadeira utilizada por Celia para trabalhar em sua casa, na avenida Nilo Peçanha, até conjuntos de porcelanas, livros, esculturas e mobiliário. “Quando eu tive acesso à residência e a todos os itens que pertenceram a ela, me deparei com a riqueza do conteúdo dos bens pessoais dela”, afirma Lovato.
O organizador lembra, ainda, que Celia era uma referência em etiqueta e moda, e isso se reflete nos objetos, principalmente nos livros catalogados. Um dos títulos é Boas Maneiras, Bons Negócios, onde Celia foca na vestimenta e na conduta com clientes e colegas de trabalho.  
O guarda-roupa de Celia também está disponibilizado, com marcas de costureiros renomados, como Rui Spohr, Milka, Chico César, Valentino e Paco Rabane. “Achamos até uma dedicatória de próprio punho de Pierre Cardin”, destaca Lovato.
Na parte artística, Celia colecionava peças de Chico Stockinger e outros artistas, tudo disponível para ser adquirido e manter o legado da escritora.