sexta-feira, 26 de junho de 2026

Cota chinesa de carne bovina já alcança 98% comprometidos, estima setor

China já internalizou 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira de janeiro a maio, mas há cerca de 300 mil toneladas em trânsito

China já internalizou 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira de janeiro a maio, mas há cerca de 300 mil toneladas em trânsito

ABIEC/DIVULGAÇÃO/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterPrincipal cliente da carne bovina brasileira, a China já absorveu, na prática, cerca de 98% da cota de importação destinada ao Brasil para 2026, segundo estimativas do setor baseadas nos embarques já realizados e nas cargas em trânsito. A aceleração das exportações nas últimas semanas praticamente comprometeu todo o volume disponível antes da incidência da sobretaxa de 55%. O cenário já levou frigoríficos a reduzir ou interromper a produção destinada ao mercado chinês.
A cota estabelecida pela China para o Brasil em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. De janeiro a maio, segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas, foram internalizadas 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira, o equivalente a 65,4% do volume autorizado.
Para o coordenador de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, porém, a leitura dos números precisa considerar também os embarques já realizados pelo Brasil e que ainda não chegaram ao destino. Segundo ele, cerca de 300 mil toneladas estão navegando rumo ao gigante asiático.
"Na nossa conta, o Brasil está com quase 98% da quota já preenchida, se confirmar os números que nós imaginamos para junho", afirma.
Segundo ele, o ritmo das exportações acelerou nos últimos meses e boa parte da carne embarcada ainda está em trânsito. A expectativa da consultoria é que o preenchimento integral da cota seja confirmado até o fim de julho.
A avaliação encontra respaldo no setor produtivo. Assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos concorda que a cota está próxima do limite e afirma que o mercado já trabalha com esse cenário.
"É isso mesmo. E aí é olhar para onde a gente vai redirecionar", afirma ao comentar a projeção de que o preenchimento da cota possa ocorrer nas próximas semanas.
A proximidade do esgotamento já provoca reflexos na indústria frigorífica. Presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen relata que plantas habilitadas para atender o mercado chinês começaram a reduzir a atividade.
"Já estão diminuindo ou parando a produção para esse mercado porque tem bastante carne produzida que ainda está a caminho e não foi contabilizada no fechamento dessa cota", afirma.
Segundo ele, o movimento não ocorre apenas no Rio Grande do Sul.
"Nacionalmente, as indústrias já estão parando essa produção em função justamente do atingimento da cota", acrescenta.
Para os entrevistados, o risco associado à cota chinesa é hoje mais relevante para o mercado brasileiro do que a exclusão do País da lista de fornecedores de carne bovina para a União Europeia a partir de setembro.
A explicação está no peso da China para as exportações nacionais. Dados apresentados pela Farsul mostram que o país asiático responde por 47% do valor e 45% do volume exportado pelo Brasil em carne bovina neste ano.
"A China define escala", resume Hein dos Santos.
Na avaliação dele, a limitação dos embarques tende a alongar as escalas de abate dos frigoríficos, reduzir a urgência de compra de animais e pressionar os preços pagos ao produtor.
"Se os embarques para a China forem limitados pelo fim da cota e não houver redirecionamento rápido dessa carne para outros destinos, os frigoríficos ficam com escalas mais confortáveis nas compras, reduzindo a urgência para aquisição de animais", explica.
Apesar disso, tanto a Farsul quanto a Safras & Mercado descartam um cenário de forte deterioração das cotações do boi gordo. A oferta global restrita de carne bovina continua funcionando como fator de sustentação para os preços.
"O cenário aponta pressão baixista, mas não um derretimento da arroba", afirma Hein dos Santos.
Segundo Lauxen, parte da produção originalmente destinada à China poderá ser redirecionada para outros mercados ou para o consumo doméstico, mas isso não elimina a necessidade de ajustes por parte das empresas.
"Parte vai para o mercado interno, parte para outros mercados, mas o que está sendo percebido é que as indústrias realmente estão reduzindo produção neste momento", afirma.

Mercado aéreo volátil leva empresas gaúchas a ampliarem antecedência na compra de passagens

Passagens aéreas para viagens corporativas compradas antecipadamente reduzem custos

Passagens aéreas para viagens corporativas compradas antecipadamente reduzem custos

Dani Barcellos/ Especial
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Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
Com um mercado volátil, impactado pela alta do querosene de aviação, o custo de passagens aéreas tem crescido recentemente. Dados da Paytrack mostram que, entre a última semana de fevereiro e a última semana de março de 2026, o preço médio das passagens pesquisadas nacionalmente subiu 27%, enquanto no mesmo período do ano anterior a variação havia sido de apenas 3%. Nesse cenário, o estudo, baseado em médios e grandes empreendimentos, demonstra que as empresas gaúchas têm buscado uma maior organização corporativa, focada na antecipação da compra dos bilhetes aéreos para driblar os custos.
De março a abril, a antecedência média das compras de passagens corporativas entre as corporações do Rio Grande do Sul aumentou cerca de sete dias, passando de aproximadamente 30 para 37 dias.
“Quando a gente olha para fora de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, teve um aumento de quase 30% no ticket médio das passagens aéreas. Só que, dando um zoom e olhando para as empresas gaúchas, vemos que elas não tiveram um impacto tão alto. Elas estão mais ou menos em linha com o ticket médio do ano passado nas viagens corporativas. E aí tem alguns pontos que explicam o porquê desses valores não terem se elevado tanto conforme o comparativo com o resto do Brasil e até do mundo”, avalia o CEO da Paytrack, Pedro Góes.
Conforme o executivo, o primeiro ponto está associado justamente à antecipação na aquisição das passagens. “Essa é uma das diferenças, a postura das empresas gaúchas frente ao benchmark nacional. Elas estão se organizando com maior antecedência e isso impacta nos custos. Porque quanto mais cedo você compra uma passagem aérea, mais barata ela será, em tese”, avalia.
O outro fator envolvido é a redução na taxa de cancelamento das passagens aéreas. No Rio Grande do Sul, o índice caiu de 11,4% para 7,3% nos cinco primeiros meses de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. A redução dos cancelamentos foi acompanhada por queda no ticket médio das passagens, que passou de R$ 1.245,99 para R$ 1.161. O recorte analisado considera os voos com origem em Porto Alegre, capital do estado.
“As empresas compram um bilhete e, às vezes, acabam tendo que cancelar ele e remarcar a viagem. Essa taxa de cancelamento caiu. E, com isso, na média, os custos associados às viagens também caem. Porque se perde menos dinheiro com bilhetes comprados e não utilizados ou aqueles cancelados em que só parte do valor é recuperado. O que a gente percebeu, em geral, foi uma capacidade de adaptação e organização das empresas gaúchas”, aponta Góes.
Conforme o executivo, as altas nos preços das passagens estão diretamente associadas aos conflitos geopolíticos atuais. Portanto, é possível que não seja uma tendência a longo prazo. “Com o arrefecimento da guerra no Oriente Médio, é esperado que os preços caiam. Mas o que vai acontecer e em qual velocidade não tem como precisar”, acrescenta o CEO da Paytrack.

Venda de TVs acelera com Copa e se aproxima de 1 milhão de unidades em duas semanas

Vendas de televisores ganharam força com o avanço da Copa do Mundo

Vendas de televisores ganharam força com o avanço da Copa do Mundo

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
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Luciane Medeiros
Luciane MedeirosEditora
De São Paulo
Depois de um início de ano morno, as vendas de televisores ganharam força com o avanço da Copa do Mundo e já se aproximam de 1 milhão de unidades comercializadas em apenas duas semanas, segundo estimativa da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).
O desempenho recente contrasta com o resultado acumulado de janeiro a maio, quando as vendas de TVs cresceram apenas 3%, apesar de 2026 ser um ano de Mundial. De acordo com o presidente-executivo da entidade, José Jorge Nascimento, o setor foi impactado pela forte base de comparação de 2025, quando o mercado registrou o maior volume de vendas da história. 
“Desde que começou a Copa já vendemos mais de 800 mil TVs, ou seja, quase 1 milhão de TVs em duas semanas. É uma venda de um mês, atrelada ao comportamento e ao desempenho da Seleção Brasileira”, afirmou durante a Eletrolar Show All Connected.
Segundo o executivo, diferentemente de outros anos, o Mundial de futebol não provocou uma corrida antecipada às lojas. Um dos motivos foi a menor expectativa dos consumidores em relação ao desempenho da equipe. “O fator Copa do Mundo não foi preponderante para a venda dos produtos porque a Seleção não estava tão boa, então as pessoas não estavam se mobilizando para ter um ambiente de confraternização, de reunião de família e de amigos”, disse.
A comparação com 2025 também ajuda a explicar o ritmo mais moderado das vendas no acumulado do ano. Segundo a entidade, o mercado de televisores alcançou no ano passado um recorde histórico, superando inclusive o desempenho observado em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo.
Enquanto as vendas de TVs mostram sinais de aceleração, o mercado de ar-condicionado segue em direção oposta, preocupando o setor. As vendas da categoria recuaram 13% nos cinco primeiros meses do ano e a produção caiu 41%, de acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
A Eletros atribui o resultado principalmente às condições climáticas mais amenas registradas até o momento em 2026 e acompanha com apreensão os possíveis efeitos do El Niño sobre o comportamento do consumidor nos próximos meses. “Estamos muito apreensivos sem saber como vai ser o El Niño”, afirmou Nascimento.
Segundo ele, caso o fenômeno provoque chuvas mais persistentes no Sudeste e no Sul, mercados importantes para a expansão do consumo de climatização, a recuperação das vendas poderá ser prejudicada. Por outro lado, uma volta das temperaturas elevadas poderia impulsionar não apenas o segmento de ar-condicionado, mas também outras categorias ligadas à refrigeração, como geladeiras, cervejeiras e adegas.
A entidade avalia que o desempenho do mercado de climatização será determinante para o resultado do setor em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas totais da indústria eletroeletrônica cresceram 11%, puxadas principalmente pelos segmentos de linha branca e eletroportáteis. Caso haja uma recuperação, o mercado de eletroeletrônicos e eletroportáteis pode fechar o ano com alta de 20%, “se o ar condicionado virar a chave”, como diz o presidente da Eletros.