quinta-feira, 7 de maio de 2026

Bacias hidrográficas terão aporte de R$ 52,3 milhões

Vale do Taquari foi uma das regiões castigadas pelas forças das águas na enchente histórica em 2024

Vale do Taquari foi uma das regiões castigadas pelas forças das águas na enchente histórica em 2024

Maurício Tonetto/Secom/JC

Joaquim Porto
Joaquim PortoPassados dois anos em que foi decretado Estado de Calamidade Pública - no dia 4 de maio de 2024 - por conta das enchentes, o Rio Grande do Sul ainda luta para se reerguer. No decorrer da catástrofe, as chuvas críticas foram duradouras e avassaladoras, responsáveis pelas enxurradas urbanas e alagamentos. Com a grande constância de precipitação, as bacias hidrográficas encheram e não conseguiram fazer a vazão necessária a tempo, acarretando a elevação do nível dos rios.
Uma bacia hidrográfica é a delimitação territorial em que se consegue definir para onde escoam superficialmente as águas que nela precipitam, tendo os afluentes e o rio principal. Elas são divididas por meio de cartografia e, a partir do relevo das bacias, se consegue fazer a definição da direção do escoamento, cada posição e ponto no mapa que contribui, assim, identificando a área fluvial que pertence.
Conforme Fernando Dornelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/Ufrgs), ainda estamos correndo atrás do prejuízo, que foi de décadas de negligência, tanto de ordenamento urbano nas cidades que tinham algum sistema de proteção contra cheias.
Nesse sentido, em alguns locais em que não é possível seguir com as obras tradicionais de contenção para as cheias, foram adotadas estratégias de reordenamento de ocupação urbana. A área fica restrita ao uso, como a moradia, com a implantação de parques lineares, a exemplo do que ocorre na região do Vale do Taquari.
“Não temos como evitar, é um fenômeno principalmente de ordem natural, mas, temos que atuar para não nos expormos, respeitando as planícies inundáveis dos rios e adquirindo técnicas de zoneamento”, explica Dornelles. O professor ainda cita que é praticamente impossível controlar a vazão dos rios, e pensando na construção de vários reservatórios à montante, o custo seria o fator proibitivo.
Segundo o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul, existem 25 bacias hidrográficas e, sendo um dos estados brasileiros com maior disponibilidade de águas superficiais, o montante é dividido em três regiões: a do Uruguai, que drena cerca de 57% da área total do RS; a do Guaíba, 30%; e a Litorânea, abrangendo cerca de 13% do território.
Mesmo com a previsão de chegada do novo El Niño no segundo semestre, Dornelles acredita que a chance de acontecer o mesmo que em maio de 2024 é mínima
Em um balanço apresentado sobre projetos e ações para deixar o Estado mais protegido frente a eventuais eventos climáticos, o governador Eduardo Leite afirmou que o Rio Grande do Sul está muito melhor preparado para enfrentar calamidades, porém, o mundo todo está aprendendo a conviver com os efeitos das mudanças do clima.
Apoiado nisso, o Estado investiu R$ 52,3 milhões em estudos técnicos de batimetria (responsável pela medição da profundidade de rios, lagos e outros corpos d’água para mapear o relevo subaquático) e topografia (ciência que mapeia e descreve com precisão a superfície terrestre, relevo e acidentes de um terreno). O objetivo é subsidiar a tomada de decisões, qualificar intervenções e fortalecer ações de monitoramento, reconstrução e planejamento territorial.
O estudo faz parte do Plano Rio Grande (Funrigs), que já soma R$ 14 bilhões entre valores pagos por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), empenhados e aprovados, em 227 projetos e ações para reconstrução. Com os levantamentos batimétricos, a partir dos dados coletados e da aplicação de modelagem hidrodinâmica, será possível avaliar com maior precisão a eficácia de intervenções como a dragagem, especialmente no que se refere à melhoria do fluxo hídrico.
Juntamente com esse investimento há uma ampliação da rede de estações hidrometeorológicas, com 125 estações já instaladas e em funcionamento, para obter um diagnóstico mais preciso dos eventos climáticos capazes de entender o tamanho do impacto.

Além disso, foram contratados estudos de modelagem hidrodinâmica que permitem antecipar com maior precisão o comportamento das águas em situação de cheias, emitindo alertas precisos para proteger a população. “Não existe uma tecnologia capaz de impedir que eventos extremos aconteçam, mas existe a responsabilidade de nos prepararmos melhor para enfrentar esses eventos”, disse Leite. 

Anvisa suspende fabricação e determina recolhimento de produtos da marca Ypê

Medida foi adotada após avaliação de risco sanitário identificar falhas graves na produção

Medida foi adotada após avaliação de risco sanitário identificar falhas graves na produção

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Divulgação/JC

Agências
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (7), o recolhimento de produtos lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê, de todos os lotes com numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada em Amparo (SP). A medida inclui ainda a suspensão da fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos. 
A decisão foi tomada a partir de avaliação técnica de risco sanitário, conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), após inspeção conjunta realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo) na última semana.

Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos).
De acordo com a Anvisa, quem tem em casa lotes dos produtos especificados na Resolução 1.834/2026 deve suspender imediatamente o uso e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para informações sobre o procedimento de recolhimento.   

Lula e Trump se reúnem nesta quinta-feira em Washington

Lula quer mostrar a Trump porque o Brasil não deve ser taxado

Lula quer mostrar a Trump porque o Brasil não deve ser taxado

Ricardo Stuckert/PR/JC

Agências
presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discutir, em seu encontro com o líder norte-americano Donald Trump nesta quinta-feira (7), a proposta brasileira para cooperação em segurança pública, que inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Também pode estar em discussão a cooperação com terceiros países da região.
A proposta foi apresentada por integrantes do governo brasileiro a seus contrapartes americanos em abril. Além disso, na pauta do encontro entre os dois chefes de Estado estarão as investigações da seção 301 que o governo Trump abriu contra o Brasil e podem resultar em sanções e tarifas contra o País. Do lado americano, os temas prioritários devem ser a exploração de minerais críticos no Brasil e a atuação das big tech americanas no País.
Trump e Lula devem almoçar na capital americana, Washington. Não se espera a assinatura de acordos. O encontro começou a ser discutido no final do ano passado e estava programado para março. Na semana passada, após comunicação da Casa Branca com o governo brasileiro, a visita foi finalmente agendada para esta semana.
O governo Trump havia proposto que o Brasil recebesse em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos EUA, tal como faz El Salvador em sua penitenciária de alta segurança Cecot. A ideia foi rechaçada pelo governo brasileiro. Os EUA também queriam que o Brasil apresentasse um plano para acabar com o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro.
Em relação a minerais críticos, o Brasil já afirmou a autoridades americanas que não aceita nenhum acordo que preveja exclusividade de fornecimento e que não inclua processamento das commodities em solo brasileiro. Lula deve ressaltar a Trump que o Brasil se reserva o direito de regulamentar o setor de minerais críticos, com possíveis cláusulas de restrição a exportação de determinados minerais e "screening" de investimentos.
Em relação às investigações comerciais dos EUA sobre o Brasil, cuja conclusão deve se dar nas próximas semanas, o objetivo do Brasil é ter o presidente Lula argumentando, em nível de chefes de Estado, porque o País não deveria ser alvo de sanções.
Sobre as Big Tech, Lula pretende transmitir a Trump a mensagem de que regulamentações como o ECA Digital, a decisão do STF sobre o Marco Civil aumentam a responsabilidade das plataformas e, eventualmente, a lei de misoginia, não seriam discriminatórias contra empresas americanas, pois seriam aplicadas a qualquer empresa do setor que atue no Brasil.
Além da apuração aberta em 2025, o Brasil entrou na mira de outra ação da USTR (agência governamental americana responsável por desenvolver e coordenar a política de comércio internacional dos EUA), iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.
Esse processo avalia práticas em cerca de 60 países e foi lançado poucas semanas após a decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço. Segundo especialistas, o objetivo dos EUA é mirar no comércio de parceiros com a China.
plano do governo Trump é que essa segunda investigação tenha tramitação acelerada e que as conclusões do USTR sejam publicadas em prazo mais curto do que o período tradicional, de cerca de um ano.