Agora no dia 1º de março, quando Adriana Calcanhotto esteve em Porto Alegre com a estreia brasileira do espetáculo Complexo B, ao lado de José Miguel Wisnik e João Camarero, este repórter, que acompanha sua trajetória desde o comecinho, foi conversar com ela no camarim do Teatro Simões Lopes Neto. A ideia era fazer um resumo desse percurso que, considerando o primeiro show com produção profissional, completa 40 anos em 2026.
Antes, cabe situar o atual momento. Complexo B foi uma exposição de arte e cultura brasileira apresentada com sucesso em novembro de 2025 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Wisnik, relevante professor da USP, pesquisador e compositor, foi um dos curadores. Considerou que cabia um espetáculo de música no projeto, entre outras coisas com canções letrando poetas brasileiros e lusitanos. E convidou Adriana.
Por que ela? Porque, desde o terceiro disco (1994), é uma das artistas brasileiras mais admiradas em Portugal. A coisa chegou a tal ponto que, em 2015, foi convidada a fazer um show para a Universidade de Coimbra. Depois a chamaram para dar masterclasses sobre composição musical. Foi fazendo amigos entre os professores e os estudantes. E a nomearam Embaixadora da Universidade – que acaba de completar 736 anos!
Depois do espetáculo Complexo B, Adriana diz que vai voltar a compor. O último álbum, Errante, saiu em 2023. “Eu não estava conseguindo compor. O pouco que saía, eu pensava: mas já fiz isso... Não ficava satisfeita. Fiquei com um nível de exigência muito grande. Achei que já tinha feito tudo o que podia fazer, fiquei meio triste com essa perspectiva, mas...”
E daí? “Na metade do ano passado larguei um pouco o violão e comecei a pegar umas batidas de rap, pré-gravadas, pra fazer rima. São outros caminhos harmônicos e aí faço melodias que não faria se ficasse dependendo da outra maneira de compor.” Então, podemos nos preparar para surpresas. O que, contraditoriamente, não surpreende, pois uma das marcas da carreira de Adriana sempre foi produzir novos trabalhos surpreendentes.
O segundo disco, Senhas (1992), é bem diferente do primeiro, Enguiço (1990), e o terceiro, A Fábrica do Poema (1994), idem. E assim por diante. Adquirindo potência, personalidade, as composições próprias cresciam. A cada novo trabalho agregava parceiros, músicos, ideias de arranjos, influências de leituras – por exemplo, em certa altura mergulhou na poesia concretista dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos.
Sua discografia tem 13 álbuns de estúdio (os três primeiros originalmente em LP, os demais em CD), seis ao vivo (um deles é Loucura, só com músicas de Lupicínio Rodrigues), quatro coletâneas e oito DVDs. Os campeões de vendas, ambos lançados em 2001, são o ao vivo Público, com 600 mil cópias, e a coletânea Perfil, com 500 mil. Os três discos de sua persona criança Adriana Partimpim venderam 465 mil. No total, são mais de 3,2 milhões de cópias, ao menos até o “fim” do disco físico...
O LP desaparece com a chegada do CD, na segunda metade da década de 1980. E o CD começa a sair de cena por volta de 2015, com a ascensão do streaming e da música digital. Muita gente tem voltado a comprar os dois formatos, que também voltaram a ser fabricados. Todos os álbuns físicos de Adriana estão na internet, por preços que vão de R$ 90,00 a R$ 400,00.
Mas Adriana nunca sumiu. Só no Spotify são 1,7 milhão de ouvintes mensais. Só os acessos aos sucessos Devolva-me, Esquadros e Mentiras, somam quase 170 milhões. Embora não goste de ouvir música nas plataformas, Adriana pensa que a gravação digital é mais democrática. “Minha geração tinha que gravar em estúdios que eram caríssimos e cheios de produtores. Hoje qualquer garoto faz um álbum em casa. Depois passa por uma peneira natural”.
E ela, lá no início, teria passado por alguma peneira? “Meus pais ficavam desesperados em ter uma filha de 16 anos que saía de noite para ouvir música nos bares e voltava de manhã. Achavam perigoso, definitivamente não era o que queriam para mim. (...) Cheguei a pensar em ser veterinária, em ser arquiteta, mas quando repeti pela quarta vez o primeiro ano do 2º grau, pensei: alguma coisa aqui está fora da ordem”.
(Os pais: Carlos Calcanhoto, conhecido baterista de grupos de jazz e bossa nova nas décadas de 1960 e 70, também comerciante, falecido em 2016; e Morgada Cunha, bailarina clássica e professora de educação física, 91 anos – que foi assistir aos shows no Teatro Simões Lopes Neto.)
Segue Adriana: “Com 18 anos, decidi sair de casa. Nunca tinha trabalhado, não tinha como ganhar a vida, mas saí. Uma tia (que queria que eu fosse artista plástica) me ajudou e aluguei um apartamento na Cidade Baixa. No térreo do edifício havia um bar, o Tigela de Barro, e lá comecei a cantar todas as noites. Como não tinha muito repertório, convidei amigos, deixava as pessoas darem canja. E o bar começou a encher por causa daquilo”.
Durante 1984 e parte de 85, cantando sucessos da MPB, andou por vários bares da Cidade Baixa, até ancorar no Fazendo Artes, no Bom Fim, já com alguma composição própria E os pais começaram a compreender a história: “Um dia, me disseram ‘olha, se for pra sair da noite, do circuito boêmio, e fazer um trabalho de cantora, de compositora, a gente vai te ajudar’. Isso foi muito importante para mim”.
Procurou o diretor de teatro
Luciano Alabarse, cujo trabalho admirava: “Disse que meu sonho era que me ajudasse a fazer um show de verdade, que me dirigisse. E assim, no início de 1986, estreamos
Crepom no Porto de Elis. Logo veio o primeiro show em teatro, no Câmara,
A Mulher do Pau Brasil. Ainda em 86, ao lado da Tânia Carvalho e da Annie Perec, fizemos
Sei Que Estou Errada. Três fins de semana com duas sessões por noite no Porto de Elis. Eu nunca tinha cantado para tanta gente”.
Dos bares de Porto Alegre ao estrelato nacional
De 1986 a 1988, Adriana fez nove shows em Porto Alegre, sempre com direção de Luciano Alabarse. Em 1987 foi assistida por Rita Lee, que a convidou para fazer uma performance em seu show no Gigantinho. Durante a música Miss Brasil 2000, entra no palco com uma capa e a abre por segundos: estava nua. Apenas um fotógrafo captou a cena (foto nunca publicada). E ela foi alvo da crítica dos moralistas e caretas de sempre. "Quer aparecer", diziam.
Nos shows, conviviam música, teatro, dança, quase sempre com participações de artistas da cidade, como Izabel Ibias, Zé Adão Barbosa, Renato Campão, Ivan Mattos, Eliane Steinmetz, Ricardo Severo, Valéria Venturini, o mano Cláudio Calcanhoto. Depois de assistir ao show Outubro ou Nada, em outubro de 1987, este repórter comentou: "Luciano Alabarse tem a sorte de ter Adriana para realizar ideias, e vice-versa".
Ao fim de 1988, ano que se encerrou com o show Batom, novo comentário: "Adriana Calcanhoto está se tornando uma grande nova intérprete da música brasileira. Vai longe, não tenho dúvida, porque a estrada está escancarada e ela sabe. (...) Já há propostas para a gravação do disco, algumas sérias e outras grotescas, como a do produtor que a recebeu de cuecas no quarto de um hotel em São Paulo".

Adriana Calcanhotto em 1989, ano em que começa a construir de forma definitiva sua trajetória rumo ao estrelato nacionalACERVO PESSOAL JUAREZ FONSECA/REPRODUÇÃO/JC
Suas primeiras experiências "externas" aconteceram no Espaço Off e no Madame Satã, em São Paulo, estimuladas pela cantora Cida Moreyra. Mas a verdadeira (e definitiva) mudança de ares deu-se bem no início de 1989: mais uma nova fã, a atriz Maria Lúcia Dahl, abriu para ela as portas da casa noturna carioca Mistura Up para três apresentações, que, pelo sucesso, logo se transformariam em uma temporada.
Maria Lúcia convidou amigos ilustres, mobilizou a imprensa. No show, sempre com seu violão (cada vez melhor), Adriana dividia o palco com três músicos gaúchos que viviam no Rio, Gastão Villeroy, Xandy Santin e Kesso Fernandes. O Jornal do Brasil repercutiu, com uma elogiosa crítica. Título sobre a foto: "Talento à Pampa". No mesmo jornal,
Tárik de Souza também sublinharia a chegada forte de uma nova voz à MPB.
(Na chegada ao Rio Adriana tinha ainda o apoio de quem? Luciano Alabarse, fazendo a iluminação dos shows. Depois iriam cada um lado para o seu lado, mas nestes 40 anos nunca deixaram de comunicar-se. Entre outras coisas, foi ele o responsável pela estreia brasileira do espetáculo Complexo B, apresentado como o epílogo do 32º Porto Alegre em Cena.)
Voltando um pouco à temporada no Mistura Up, outro texto deste repórter, em 11 de março, com o título de "Adriana e a conquista do Rio", menciona as presenças de nomes como Betty Faria, Sandra de Sá, Eduardo Dusek, Marisa Monte, Nelson Motta e tantos mais, assim como olheiros das gravadoras, para assistir à "estranha gaúcha". Ela nunca mais seria a mesma. Voltaria a Porto Alegre apenas para tratar da mudança.
Naquele ano de 1989, sairia em Porto Alegre pelo selo Brasil 2000, o LP Geração Pop, com Pedro Guisso, Marcelo Truda, Duca Leindecker, grupo Canto Livre e ela, que deixara duas faixas gravadas: Suspeito (Arrigo Barnabé) e Viu? (dela). Também assinaria contrato com a CBS (mais tarde Sony) para a produção do disco Enguiço. Ali começaria a entrar de verdade no universo da MPB, a abrir o leque de interpretações pessoais de grandes nomes, lançaria duas canções suas.
(Naquele ano de 1989 também conheceria a cineasta Suzana de Moraes, filha de Vinicius - que seria sua companheira até a morte, em 2015.)
Mas se dependesse dos críticos da revista Veja, do jornal O Globo e da Folha de S. Paulo, depois de ouvirem o disco, ela poderia voltar para Porto Alegre no primeiro voo, pois não tinha qualquer futuro como cantora. "Interpretação vocal histriônica, audição constrangedora, brega", escreveu um. "Como cantora, é um desastre (...), o disco corre o risco de enguiçar nas prateleiras", afirmou o outro.
E o terceiro (por coincidência gaúcho) acaba com ela já no título: "Calcanhoto profana memória de Elis Regina". Expondo mau-humor em todo o comentário, e insistindo na improcedente comparação com Elis, o cara anota: "Pena que, ao contrário de Elis, não sabe cantar, tenha voz horrenda e padrinhos burros". Um desses "padrinhos burros" era Luis Fernando Verissimo, autor de um texto no material de divulgação.
Quase 40 anos depois, seria interessante saber como tais críticos leriam seus prognósticos sobre uma artista que estava apenas começando, ante a dimensão adquirida pela cantora, compositora, poeta, grande nome da música brasileira, mestra e Embaixadora da Universidade de Coimbra.

Adriana Calcanhotto - foto 2014 - reportagem cultural - ViverLEO AVERSA/DIVULGAÇÃO/JC
A relação detalhada dos discos de Adriana (com parte de sua história) está na Wikipedia e em outros espaços na internet, onde todos podem ser ouvidos e se pode saber sobre os tantos parceiros e compositores gravados por ela, de Roberto Carlos a Caetano Veloso, de Dorival Caymmi a Amy Winehouse. Detalhe: no quarto disco, Maritmo, ela passa a usar Calcanhotto, com esses dois "t". Também passa a escrever, nos encartes, todas as letras das músicas, com sua caligrafia perfeita. A mesma caligrafia que percorre o livro Algumas Letras, lançado em 2003 pela editora portuguesa Quasi.
Depois de 47 letras dela, o livro reúne textos de jornalistas e intelectuais portugueses e brasileiros, como Verissimo, Tárik de Souza e dois de seus parceiros musicais, Waly Salomão e Antônio Cícero. Antes, reproduz texto sobre ela mesma, publicado em 1996 na coluna Auto-Retrato do Jornal do Brasil. Começa assim: "Sou do Rio Grande. Não tenho medo de nada. Amo o Rio de Janeiro. Gente careta me esnoba..."
"Não sei se vou ficar cantando pelo resto da vida"
Trechos não usados acima de duas entrevistas feitas com intervalo de 30 anos. Em 1996 (no Rio, para Zero Hora) e 2026 (em Porto Alegre, para o Jornal do Comércio). Aqui, estão embaralhadas. Vale assinalar que nesse 'intervalo' Adriana se tornaria conhecida nos EUA e Europa. E que depois de abrir os 19 shows da turnê europeia de Gilberto Gil em 2021, foi a convidada dele para o show em Porto Alegre da turnê de despedida Tempo Rei, em setembro de 2025 no estádio Beira-Rio.
"Em minha adolescência, tinha uma ala de amigos que gostava de música brasileira, e outra ala, mais perto de meu irmão Cláudio, de rock progressivo. Tive um namorado que adorava Pink Floyd, mas eu não gostava. Fiquei louca com o Caetano, com Gil, com Bethânia. Tinha uns 14 anos."
"Um dia, com uns amigos, fomos parar em um bar da Cidade Baixa onde tocavam Plauto Cruz e João Pernambuco, e com eles se apresentava uma cantora chamada Iara Lemos. Enlouqueci. Para mim, era apenas o máximo uma pessoa que ganhava a vida cantando de noite e dormindo de manhã."
"Na noite conheci muita gente, e como já tocava violão, que ganhei de minha avó aos seis anos, forcei a coragem e comecei a cantar em público. Depois eu queria ser a cantora do bar Peccados Mortaes, porque era o lugar em que o
Nelson Coelho de Castro aparecia de vez em quando - e quando ele aparecia eu quase desmaiava. Nunca falei com ele, não tinha coragem."
"No final de 1987 fiz Outubro ou Nada, ousado, diferente dos outros shows e que teve uma coisa superimportante para mim que foi o teu aval, a tua crítica, com um título maravilhoso, 'Adrianas vão surpreender você'. Pensei: pô, então não tô doida."

Ao lado de Luciano Alabarse , amigo e parceiro nos primeiros espetáculos em Porto AlegreJUAREZ FONSECA/ESPECIAL/JC
"Mesmo com tantos shows em Porto Alegre, comecei a achar que a história não estava dando muito certo, pois era tudo difícil de conseguir, eu quase pagava pra trabalhar, me deu um desânimo. Foi quando conheci Maria Lúcia Dahl, que chegou na cidade com uma peça de teatro, e depois abriu espaço para mim no Mistura Up, no Rio. E foi um absurdo, um sucesso. Mas fui para o Rio considerando que seria uma última tentativa."
"No início eu ainda estava muito interessada nessa coisa da performance. Depois fui amadurecendo a composição. Comecei a ler muita poesia, a estudar poesia, ler sobre poesia, e fui tomando gosto. No primeiro disco só tem duas músicas minhas. Quando parei para fazer o segundo, já veio uma safra. Muitas pessoas me estimularam a compor. E eu tinha também o exemplo de Marisa Monte, que no segundo disco já cantava músicas dela, com arranjos que não se pareciam com nada. Aquilo, me estimulou. Liguei pra ela pra falar do disco. Na mesma época conheci a Bebel Gilberto. Foram várias circunstâncias."
"Meu segundo disco tem seis faixas com música e letra minhas. Uma delas é
Esquadros. As pessoas da gravadora me disseram que uma música com esse título nunca iria tocar... Mas é que
eu não fazia pra tocar, eu fazia por fazer. Estava interessada nisso, não em ficar famosa. O
Nei Lisboa, por exemplo, não fazia música pra tocar, fazia por fazer. E
Esquadros foi um sucesso. Logo depois viajei pra Nova York com Waly Salomão e Antônio Cícero, comecei a andar mais com eles, e aí vem
A Fábrica do Poema."
"No ano passado [1995] eu fiz 170 shows, muitos sem vontade, e isso quebrou um tipo de convivência que eu tinha com o palco, uma coisa que adoro. Vi que sei fazer shows sem vontade, mas não acho honesto, nem comigo nem com o público. Não quero mais fazer isso."
"As pessoas falam dessa história de estrela, a gravadora também, e estive a um passo de encarnar, de acreditar nisso. Mas não me sinto assim, não sei se vou ficar cantando pelo resto da vida, continuo com essa dúvida, que eu já tinha em Porto Alegre."
"Acho um privilégio viver no Rio. Tem lá suas chateações, a cidade é violenta, a gente fica com medo, anda com o vidro do carro fechado. Mas as pessoas são generosas, são alegres. Os cariocas me ensinaram muito sobre a alegria."

Show de Adriana Calcanhotto em tributo à cantora Gal Costa, em 2023TÂNIA MEINERZ/JC
"Um dos principais problemas do País é a educação. Educação não significa só alfabetização, é saber comer alimentos saudáveis, não jogar sujeira na rua, não furar o sinal de trânsito. Conheço analfabetos que são educadíssimos."
"Em 2015, quando me convidaram para fazer uma residência na Universidade de Coimbra, dando aulas. Falei: mas eu quero é estudar, não sou professor, nunca dei aula...Enfim. Foi incrível, porque sou de uma família de professores, minha avó, minha mãe, minha tia. Bom, topei. No primeiro ano seriam masterclasses sobre composição musical, falando da história desde a Grécia, dos fundamentos da canção. Também me dei conta de que ensinar é estudar. Depois me pediram para dar um curso sobre como escrever canções. Fiquei conhecendo muitos professores, é uma gente muito especial."
"No ano passado [2025] me lembraram que era embaixadora da Universidade, só que estava muito centrada na Faculdade de Letras. Mas é que essa faculdade tem a música, tem arqueologia, os estudos clássicos. Daí me pediram para entrar nessa coisa da ciência da computação e a influência na composição. Estudei pra isso. Agora vou começar a colaboração com outros departamentos."
"Quando estou em Coimbra sempre recebo muitos livros, principalmente de poetas, assim fiquei conhecendo, por exemplo, Alexandre O'Neil, Jane de Andrade... A poesia faz parte do cotidiano deles. Levei um tempo para entender esse mecanismo, e aí passei a viajar com uma mala vazia, porque ela volta cheia de livros."

Participação especial de Adriana Calcanhotto no show da última turnê de Gilberto Gil, em 2025, no Estádio Beira-RioBRENO BAUER/ARQUIVO/JC* Juarez Fonseca é jornalista cultural há 50 anos. Autor dos livros Gildo de Freitas, o Rei dos Trovadores; Ora Bolas – O humor de Mario Quintana; e Aquarela Brasileira (volumes 1 e 2)