Alerta vermelho para grande parte do Estado
Inmet comunica risco elevado de temporal até o meio-dia de hoje. A média de chuva pode chegar a 100mm, com vento superior a 100 km/h, queda de granizo e descargas elétricas. Ontem, um tornado atingiu cidades da Região Noroeste
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para risco de tempestade em grande parte do Rio Grande do Sul, válido até as 12h de hoje. O comunicado entrou em vigor às 10h de ontem. As áreas que poderão ser mais afetadas são Região Metropolitana, Serra, Norte, Noroeste, Região Central e Litoral Norte. Partes de Santa Catarina que fazem divisa com o Estado também estão citadas no alerta divulgado pelo Inmet.
De acordo com o comunicado, a média de chuva pode chegar a 100 milímetros por dia, com vento superior a 100 km/h, além de queda de granizo e descargas elétricas. Há riscos de danos em edificações, corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.
Conforme informações da Climatempo, o calor de 30ºC na fronteira com a Argentina potencializou o risco de tempestades severas no Estado. Ontem, no decorrer da tarde para a noite, a instabilidade já havia começado no Oeste do RS. Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, assim como no Litoral Norte, a projeção era de que o cenário de mau tempo se estendesse no decorrer da madrugada. Há maior risco de alagamentos e danos para estas áreas.
A Defesa Civil do Estado emitiu também um alerta vermelho para risco muito alto de inundação dos rios Sinos e Uruguai. O comunicado é válido até as 9h de hoje. O alerta vale para a região de São Leopoldo, no Vale do Sinos. Pela medição das 20h30min, o nível estava em 4m61cm, acima da cota de inundação (4m50cm). A água estava subindo pouco mais de um centímetro por hora.
Em Uruguaiana, o Rio Uruguai estava em 9m05cm, acima da cota (8m50cm). A água seguia subindo na região, e as autoridades avaliavam a retirada de mais famílias como medida preventiva. Em São Borja, chegou a 9m59cm (acima da cota de 9m) e em Itaqui foi a 9m14cm (acima da cota de 8m30cm).
Na madrugada de ontem, o Rio Jacuí recuou para 8m65cm em Cachoeira do Sul e deixou a cota de inundação (9m), segundo o Serviço Geológico Brasileiro. O nível do Rio Gravataí, na estação Passo das Canoas, no bairro Caça e Pesca, em Gravataí, também requeria atenção, pois estava em 6m29cm. A cota de inundação é 6m80cm. A Defesa Civil publicou alerta muito alto para a área.
Tornado
Cidades do Noroeste registraram a passagem de um tornado na noite de ontem. Segundo a Defesa Civil, o fenômeno passou por Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro. O tornado ocorreu por volta das 18h25min, "associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória". De acordo com o órgão, o tornado "causou danos severos a algumas edificações". _
Participaram Caroline Batista, Eduarda Wenzel, Gabriela Alves, Gabriel Jacobsen, Kathlyn Moreira, Júlia Ozorio, Lucas de Oliveira, Maria Fernanda Freire e Pablo Ribeiro
Vento forte destelha casas e derruba postes no Litoral Norte
De acordo com Alencar, o temporal também deixou uma pessoa ferida. Ele relata que um morador do município tentava consertar o telhado de uma residência, mas caiu e precisou ser encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi atendido e liberado. O balanço preliminar da Defesa Civil de Osório também indica a queda de cerca de 40 postes e 12 árvores. Conforme dados da CEEE Equatorial de ontem, 1.539 clientes estavam sem energia elétrica no município.
Fios energizados
Em vídeo nas redes sociais, o prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior, pediu que os moradores evitem sair de casa. Segundo ele, há muitos fios energizados que oferecem risco. Além disso, um casal está abrigado no Ginásio Municipal Rutílio Kestering, no bairro Porto Lacustre, de acordo com Alencar.
- A nossa preocupação agora é manter o contato com as pessoas e entender os chamados - ressalta o prefeito.
Prejuízos
Entre os danos registrados está o desabamento de parte da estrutura da concessionária BYD, que caiu sobre veículos estacionados no local. A reportagem procurou a concessionária operada pelo Grupo Via Porto para obter informações sobre o número de carros atingidos e o tamanho do prejuízo, porém não havia recebido retorno até o fechamento desta edição. _
Queda de árvores entre outros transtornos na Serra
Conforme a prefeitura de Caxias do Sul, houve a queda de um muro no bairro Fátima e registros de destelhamentos em algumas localidades. Além disso, uma árvore de grande porte caiu sobre uma residência no bairro Mariland. Não houve registro de feridos. Conforme boletim divulgado pela Defesa Civil estadual, a velocidade do vento em Caxias foi a segunda maior do Estado, com 85,7 km/h. A primeira foi Rolante, com 93,6 km/h.
Em Farroupilha, a forte chuva provocou ao menos 11 ocorrências de destelhamento, conforme a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. O caso mais grave foi registrado na Vila Esperança, onde uma residência teve danos significativos na cobertura. Não houve feridos. No interior, conforme a prefeitura de Farroupilha, quedas de árvores prejudicaram o tráfego na Rodovia dos Romeiros, nos Caminhos de Pedra e na Estrada Luiz Victório Galafassi. Além disso, foi registrada falta de energia elétrica em alguns bairros.
Em Flores da Cunha, houve quedas de árvores, postes e fiação elétrica, além de destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia em diferentes pontos do município. Em Veranópolis, duas residências foram destelhadas nas comunidades de Nossa Senhora do Rosário e São José da Nona.
Em Bento Gonçalves, as equipes da prefeitura atenderam ocorrências de queda de árvores em ao menos cinco bairros. Também foi necessário desobstruir bueiros em locais com pontos de alagamento. Ainda na noite de segunda-feira, por volta das 19h15min, o Corpo de Bombeiros foi acionado para remover árvores que caíram sobre a BR-470.
Em Carlos Barbosa, os bombeiros atenderam duas ocorrências: uma por queda de árvores de médio e grande porte na localidade de Desvio Machado e outra por condutores de energia caídos no bairro Triângulo. _
Tubulação se rompe no aeroporto Salgado Filho
Uma tubulação de água potável se rompeu na manhã de ontem no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, causando vazamento na área de desembarque internacional, no primeiro piso. Segundo a Fraport, que administra o aeroporto, o problema não teve relação com a chuva.
O rompimento da conexão hidráulica aconteceu por volta das 7h45min e foi totalmente contido às 8h15min. Ainda conforme a concessionária, às 9h equipes finalizaram a limpeza do local.
Apesar do vazamento de água, o aeroporto funcionou normalmente. No começo do mês, um rompimento de tubulação fez parte do forro do teto desabar no terceiro piso do aeroporto. A Fraport nega que haja relação entre os dois casos. _
Prefeitura espera acabar com alagamentos na Capital até 2031
O diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, afirmou ontem, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, que os alagamentos registrados um dia antes em Porto Alegre foram consequência de um volume extraordinário de chuva e que as casas de bombas funcionaram normalmente durante o temporal. De acordo com Perrone, os alagamentos ocorreram porque o sistema de drenagem da Capital é antigo e não dá conta de escoar volumes tão expressivos de chuva concentrados em poucos minutos.
- Ontem (segunda-feira) nós tivemos um volume extraordinário. Em algumas estações (da cidade), choveu 18 milímetros em 10 minutos - afirma Perrone.
De acordo com o representante da prefeitura de Porto Alegre, como os equipamentos de bombeamento funcionaram normalmente, a avaliação da prefeitura é de que o sistema de drenagem operou de forma satisfatória.
- A gente internamente fez uma avaliação ontem e achamos que foi satisfatória a resposta do sistema, mas a drenagem precisa de altíssimos volumes de investimento, e Porto Alegre passou décadas sem isso. Temos hoje mais de R$ 2 bilhões em (projetos de) macrodrenagem, microdrenagem e novas casas de bombas. Licitações que começam, inclusive, agora na virada do mês de agosto e vão até abril do ano que vem, licitando mais de R$ 2 bilhões - acrescenta.
Prazo
Segundo Perrone, os alagamentos registrados em dias de chuva muito forte serão solucionados em um prazo de três a quatro anos, contados a partir do primeiro semestre de 2027. Assim, a previsão da prefeitura é de que, até 2031, os alagamentos sejam resolvidos por meio de grandes obras de drenagem e da construção de novas casas de bombas.
Sobre a próxima semana, Perrone afirmou que, neste momento, não há risco hidrológico previsto para a Capital e que, mesmo com chuva constante nas próximas 24 horas, não devem ser registrados novos alagamentos em Porto Alegre.