domingo, 12 de julho de 2026

Indefinições podem atrasar concessão da Malha Sul ferroviária

Aditamento do contrato da atual concessionária (Rumo) é uma possibilidade

Aditamento do contrato da atual concessionária (Rumo) é uma possibilidade

TÂNIA MEINERZ/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterApesar das projeções iniciais do Ministério dos Transportes de que o edital da nova concessão da Malha Sul ferroviária seja publicado em setembro, para o leilão ocorrer em dezembro deste ano, a perspectiva é que, devido às discussões que ainda envolvem a iniciativa, o cronograma seja postergado. Já se levanta a possibilidade, inclusive, de ser realizado um aditamento para que a atual concessionária Rumo mantenha a gestão da estrutura férrea dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná por pelo menos mais dois anos. A previsão de término do contrato seria em fevereiro de 2027.
As incertezas sobre a nova concessão da Malha Sul ficaram evidentes na última reunião-almoço Tá na Mesa, promovida na quarta-feira (8) pela Federasul, que contou com a presença do secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro. Na ocasião, além de questionamentos sobre se o melhor seria a realização da concessão de um bloco único ou dividido em três lotes (corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul, somando 4.248,45 quilômetros de trilhos, que é a proposta atual do governo federal para a licitação), houve cobranças por uma maior participação das lideranças regionais na modelagem do processo.
O presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura, Paulo Menzel, enfatiza que várias associações sociais, empresariais e políticas não estão sendo ouvidas quanto à questão da definição da nova concessão da Malha Sul. “O governo federal não está dando voz aos gaúchos”, critica o dirigente.
Porém, Menzel acrescenta que até este momento os líderes do Rio Grande do Sul não apresentaram uma proposta de projeto ferroviário ao poder concedente. “A culpa é nossa, se é para responsabilizar alguém. O poder concedente está tomando as rédeas do processo, porque os estados não apresentaram um projeto do que queriam”, aponta o representante da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura.
Menzel considera que dificilmente a licitação ocorrerá no cronograma previsto inicialmente. “Nós estamos praticamente a seis meses do vencimento do contrato e em um ano de eleições”, frisa o dirigente. Ele revela que o secretário nacional de Transporte Ferroviário, em uma das suas passagens pelo Rio Grande do Sul, levantou a possibilidade de aditar o contrato da Rumo por dois anos até que se possa fazer mais estudos para elaborar um novo edital de licitação da Malha Sul.
Mesmo com várias críticas ao histórico da gestão da ferrovia da atual concessionária, Menzel argumenta que essa seria uma decisão melhor do que a malha ficar sem administração. “É preferível aditar dois anos até que se encontre uma solução e se construa um novo projeto para a licitação”, assinala.
Sobre o fatiamento da malha, o presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura destaca que, há décadas, a ferrovia integrada já apresenta dificuldades de se manter economicamente viável. Assim, ele questiona como o empreendimento poderia funcionar sendo fracionado em três lotes. Já o vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antonio Carlos Bacchieri Duarte, teme que a divisão da concessão possa fazer com que a licitação de algum dos segmentos acabe deserta.
O dirigente também defende que os documentos da proposta da concessão precisam ser apresentados de forma transparente para a sociedade. Essa condição, segundo ele, é fundamental para analisar se a melhor ideia para a concessão da ferrovia é ser fatiada em lotes ou feita em bloco único. Contudo, independentemente do que for feito da estrutura antiga, o integrante da Federasul frisa que é essencial ampliar a malha ferroviária.
Para Bacchieri, é preciso comprometer os candidatos à presidência da República a prever investimentos no modal ferroviário. Ele cita particularmente o projeto de ampliação da Ferrovia Norte-Sul, entre Chapecó, em Santa Catarina, e o porto gaúcho de Rio Grande.
O vice-presidente de Infraestrutura da Federasul confirma que está sendo avaliada a hipótese que, por cerca de dois anos, seja feita uma extensão da gestão da atual concessionária quanto à Malha Sul. “Isso não está oficializado, mas existe um rumor que poderá acontecer”, diz Bacchieri.

Procurada pela reportagem do Jornal do Comércio e indagada sobre a possibilidade de um aditivo contratual, por meio de nota a Rumo informou que “mantém diálogo com o Ministério dos Transportes, poder concedente, para avaliar alternativas para o futuro da Malha Sul. As definições sobre eventuais encaminhamentos estão no âmbito do governo federal. A empresa permanece comprometida com o cumprimento das obrigações previstas em seu contrato de concessão e segue operando os trechos abrangidos por contratos comerciais vigentes. Eventuais discussões sobre aditivos contratuais serão conduzidas oportunamente, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo poder concedente”. 

Seremos o melhor hospital do Brasil', diz CEO do Moinhos de Vento

Início das atividades no novo campus é previsto para este segundo semestre

Início das atividades no novo campus é previsto para este segundo semestre

HOSPITAL MOINHOS DE VENTO/Divulgação/JC

Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterAo anunciar a criação do Campus II da Faculdade Moinhos de Vento, em um prédio do bairro Floresta, em Porto Alegre, o CEO do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini, deixa claro quais são os objetivos próximos do grupo hospitalar:"Queremos nos tornar a maior instituição de saúde do Sul do Brasil e seremos o melhor hospital do Brasil. E isso exige investimentos constantes". 
Neste ano, a instituição desembolsa R$ 230 milhões em investimentos, depois de outros R$ 220 milhões em 2025. Segundo Parrini, nos últimos quatro anos, foram aproximadamente R$ 1 bilhão desembolsados em melhorias nas instalações do hospital, que completa 100 anos em 2027, e na estruturação da sua área de ensino entre as principais do Rio Grande do Sul.
No Campus II, que demandou R$ 8,3 milhões na aquisição de um prédio que já servia à área da saúde, na Rua General Neto, a prioridade será dada aos cursos técnicos e à pós-graduação. Dessa forma, as instalações do campus principal, junto ao Shopping Total, ficarão mais dedicadas à Medicina e outras áreas de graduação.
"Entre os nossos objetivos no Campus II está garantir 100% dos nossos técnicos e auxiliares em enfermagem no Hospital Moinhos de Vento e no Hospital da Restinga provenientes de nossa escola. Hoje, temos dez turmas, e todos os alunos são absorvidos, mas não garantem a totalidade da nossa demanda. Com o novo campus, devemos chegar a 25 turmas", explica.
O início das atividades no novo campus é previsto para este segundo semestre, com capacidade para 792 estudantes distribuídos em três turnos entre oito salas de aula equipadas, biblioteca e espaços de estudo, dois laboratórios de práticas básicas e especializadas, serviço-escola para vivências práticas, além de salas de treinamento, apoio acadêmico e áreas de convivência estudantil que estimulam a integração entre alunos e professores. Há potencial, inclusive, para oferecer serviços à comunidade na própria unidade de ensino.
De acordo com Parrini, a faculdade já entregou ao mercado de trabalho mais de três mil ex-alunos. Atualmente, a Faculdade Moinhos de Vento reúne 1.670 alunos ativos, distribuídos em um portfólio de mais de 80 cursos em diferentes níveis. A instituição oferece formação técnica, graduação em Medicina, Psicologia, Enfermagem, Biomedicina e Gestão Hospitalar, pós-graduação, programas de residência médica, fellowship e cursos de extensão, contemplando diferentes etapas da formação e do aperfeiçoamento profissional. 
Neste ano, a instituição desembolsa R$ 230 milhões em investimentos | HOSPITAL MOINHOS DE VENTO/DIVULGAÇÃO/JC
Neste ano, a instituição desembolsa R$ 230 milhões em investimentosHOSPITAL MOINHOS DE VENTO/DIVULGAÇÃO/JC

Terceiro campus é projetado

"Fomos pioneiros, ainda em 1924, na formação em Enfermagem, por exemplo. É uma tradição da nossa instituição integrar o ensino e o serviço de qualidade à comunidade. Hoje, temos 22 programas de residência médica, com 130 residentes. Os cinco melhores ganham a oportunidade de um período de experiência em instituições parceiras nos Estados Unidos. No Campus II, teremos uma atenção especial às instalações ao mestrado e doutorado. Faz parte da evolução que estamos concretizando", aponta o executivo.
No horizonte próximo do Moinhos de Vento está receber o reconhecimento do MEC como um Centro Universitário dedicado à saúde. Para isso, são necessários pelo menos três campi. E o terceiro já está projetado para ser erguido na chamada área do bosque, dentro do terreno do próprio Hospital Moinhos de Vento. São previstos R$ 300 milhões em investimentos, ainda em fase de viabilização, em uma estrutura que garantirá espaço para educação, pesquisa e ampliação de leitos hospitalares. O plano, de acordo com Mohamed Parrini, é conseguir iniciar as obras no início de 2028.

Mais tecnologia e conforto

Conforme o World's Best Hospitals 2026, o Moinhos de Vento já é considerado o melhor do Sul do Brasil e o quarto em todo o País. No mundo, o Moinhos de Vento é classificado pelo ranking como o 111º lugar.
"Temos esse objetivo de nos tornarmos o melhor do Brasil, mas somos uma instituição quase centenária. Então, hoje temos quartos que parecem da Nasa e outros que parecem um retorno a 1950. Nosso investimento é para garantirmos uma experiência cada vez melhor ao paciente em todas as etapas do seu tratamento dentro da instituição", comenta o CEO.
Depois de, em 2025, entregar o Hospital do Coração, neste ano, um dos principais focos do investimento do Moinhos é dedicado ao andar responsável pelo atendimento em cardiologia, entre laboratórios de diagnóstico, com aquisição de equipamentos que servirão de apoio à estrutura do Hospital do Coração, e ampliação de consultórios médicos.
"É toda uma estrutura de bem-estar ao paciente, voltada especialmente à garantia de diagnóstico e medicina preventiva que, inclusive, evite boa parte dos atendimentos que hoje chegam ao Hospital do Coração", detalha Parrini.
No pacote de R$ 230 milhões há a previsão de aquisição de uma nova geração de tecnologias, a ser anunciada em breve. Mohamed Parrini antecipa apenas que se tratam de equipamentos relacionados aos tratamentos e diagnósticos de próstata, neurologia e Alzheimer.
"É algo que vai revolucionar a medicina aqui no sul do Brasil", resume. Os equipamentos são importados de Israel, França e China.

FICHA TÉCNICA

Investimento: R$ 230 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Hospital Moinhos de Vento
Cidade: Porto Alegre
Área: Varejo/Serviços
Investimento em 2025: R$ 220 milhões