quarta-feira, 15 de julho de 2026


15 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

Metamorfose

Gregor Samsa acordou e deu-se conta que era um dia especial. Seu corpo já não era o mesmo. Olha-se no espelho e contempla maravilhado a transformação. Agora está mais completo, tem seis patas para se apoiar no chão. Sente mais estabilidade. Sente firmeza para subir pelas paredes.

A suprema felicidade é saber que tem asas. Embaixo de um estojo, que também serve de exoesqueleto, saem duas asas transparentes e funcionais. Voar torna-se uma possibilidade.

Agora possui duas magníficas antenas exploratórias, muito melhores que seu antigo tato. Seus olhos compostos enxergam tudo de outra perspectiva. Descobre como seu olfato era primitivo, tosco. Uma nova dimensão se abre, tudo exala cheiros, apenas ele não sentia.

Seu apetite mudou. Ele, que sempre foi chato para comer, agora tudo lhe parece apetitoso, surge uma volúpia por qualquer migalha. Respirando por espiráculos, nota a gambiarra do aparelho respiratório humano, servem-se do mesmo duto que usam para alimentação.

Sente a satisfação de pertencer a uma raça cascuda quase indestrutível. Que venha o apocalipse nuclear, estou preparado, pensou com satisfação.

Gregor não quer nem saber quem envernizou as baratas. Sabe que está pleno com a carapaça lustrosa da cor de conhaque. O único senão de sua potência é não se sentir à vontade na claridade e ter uma certa paranoia com chinelos.

Desse ângulo, Gregor se dá conta da aparência repugnante dos humanos: eles são como um macaco, que um demônio sádico barbeou o corpo e amputou a cauda. Sua cor é um de um branco mortiço, rosado, sem pelos. É como se viessem sem revestimento.

Como enxerga pela fresta por debaixo da porta, vê o pé da sua irmã Grete que pede para entrar. Os pés humanos são uma massa de carne disforme, com protuberâncias na frente, como salsichas mal cortadas.

Mais batidas na porta. É Grete que segue forçando entrar. Gregor sente pena por ela estar presa naquele corpo molengo e desajeitado. Mas ele está tomado pelo horror de conviver com seres nojentos. Sente arrepios só de pensar em tocar neles.

Sem mais dúvida, ele sobe pela fresta da janela, abre as asas e ganha o quintal, depois o mundo. Não olha para trás, família é coisa de vertebrado. _

MÁRIO CORSO


 

15 de Julho de 2026
OPINIÃO  - Hugo Muller - Presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

250 anos de liberdade

Um dos acontecimentos mais marcantes da história moderna, os 250 anos da Independência dos Estados Unidos foram celebrados em 4 de julho. Mais do que a emancipação de uma nação, aquele movimento consolidou ideias que moldariam os séculos seguintes: a liberdade individual, o livre mercado e a convicção de que o governo deriva sua legitimidade do povo e de seus direitos inalienáveis.

A Revolução Americana estabeleceu princípios e institucionalizou a democracia liberal. Sob sua influência, o mundo, globalizado e livre, viveu uma expansão sem precedentes. A pobreza extrema caiu drasticamente, bilhões de pessoas melhoraram suas condições de vida e a liberdade avançou em grande parte do planeta.

Mas esses princípios continuam guiando o mundo? Nos últimos anos, assistimos ao fortalecimento de movimentos que passaram a questionar valores centrais da civilização ocidental. Em nome de diferentes causas, virtudes fundamentais do mundo livre passaram a ser enfrentadas de dentro. Ao mesmo tempo, governos que surgiram para servir ao povo ganharam proporções muito maiores do que as concebidas pelos pais fundadores.

Como ensinava Newton, toda ação provoca uma reação. Potencializada pelo aumento das disputas geopolíticas e da pressão sobre controle migratório, ela veio na forma da ascensão de movimentos nacionalistas e do enfraquecimento da globalização em busca de maior autonomia estratégica. O resultado foi a volta do protecionismo e um mundo cada vez mais fragmentado.

Não precisamos escolher entre esses extremos. O desafio é preservar os princípios que produziram os maiores avanços da história: sociedades abertas, instituições sólidas, liberdade econômica e respeito aos direitos fundamentais. A democracia liberal nunca prometeu perfeição, mas criou as condições para que pessoas livres construíssem inovação e prosperidade.

A melhor homenagem aos 250 anos da Revolução Americana não está em celebrar seu passado, mas em defender, no presente, os valores que fizeram da liberdade o maior instrumento de transformação da história humana. 

Depois da água, a escolha

Denise Dora - Advogada de direitos humanos, ativista feminista e conselheira diretora da Themis - Gênero, Justiça e Direitos Humanos

Há momentos em que uma cidade deixa de ser apenas um território e passa a representar uma pergunta para o seu tempo. Porto Alegre tornou-se um desses lugares. A enchente de 2024 colocou a capital gaúcha no centro da maior catástrofe climática da história do Brasil e evidenciou algo que o debate internacional já reconhece: a crise climática é, também, uma crise de direitos humanos.

Como advogada de direitos humanos e organizadora da 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, acompanho discussões em diferentes países sobre os caminhos para enfrentar esse desafio. A pergunta já não é se precisaremos transformar nossos modelos de desenvolvimento, mas como faremos isso e quem participará dessa transformação. A resposta define o sentido da transição justa.

Os eventos extremos revelam as desigualdades que estruturam nossas sociedades. Expõem quem está mais protegido e quem permanece mais vulnerável, quem tem condições de reconstruir a vida e quem depende da capacidade coletiva de garantir direitos. Adaptar cidades, fortalecer instituições e reduzir emissões são objetivos inseparáveis da construção de sociedades mais democráticas.

É nesse contexto que a 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre, iniciativa que reúne dezenas de atividades voltadas ao enfrentamento da crise climática, ganha relevância. Além de reunir governos, universidades, empresas, movimentos sociais e comunidades, afirma que a reconstrução também é um exercício de imaginação política. Uma cidade que enfrentou uma tragédia dessa dimensão pode contribuir para o debate global não apenas pelo que sofreu, mas pelo que é capaz de construir.

Porto Alegre não escolheu ocupar esse lugar, mas pode escolher o legado que deixará. Transformar a experiência da perda em compromisso público, cooperação e justiça talvez seja a contribuição mais importante que a cidade possa oferecer ao Brasil e ao mundo. 

Direto da Redação - Antonio Carlos Macedo

Retrocesso contra as mulheres

Durante séculos, as mulheres precisaram pedir licença para existir na vida pública. O direito de votar, que hoje parece um princípio elementar da democracia, foi conquistado à custa de muita luta. A Nova Zelândia abriu o caminho em 1893. Os Estados Unidos só garantiram o voto feminino em 1920. No Reino Unido, as sufragistas enfrentaram décadas de resistência até conquistar a prerrogativa de forma plena em 1928. No Brasil, a Constituição de 1934 consolidou a participação política das mulheres, ainda de forma facultativa. A obrigatoriedade exigida dos homens só chegaria em 1965.

Em todos os casos, foi uma vitória arrancada daqueles que insistiam em tratar metade da população como incapaz de pensar, decidir ou participar dos rumos da própria vida. Por isso, causa espanto perceber que, em pleno século 21, surgem movimentos defendendo justamente o contrário.

Nos Estados Unidos, grupos de extrema direita ligados ao nacionalismo cristão e à chamada machosfera passaram a defender a criação do chamado "voto por lar". Na prática, cada família teria apenas um voto, exercido pelo marido. No Brasil, poucos ainda defendem abertamente a revogação do direito, mas aumentam os ataques à forma de exercê-lo. Casadas seriam apenas extensões da vontade do marido. Solteiras votariam movidas pela emoção, sem a racionalidade atribuída aos homens.

É uma tentativa de desqualificar a participação feminina sem assumir explicitamente o desejo de limitá-la. O mais preocupante é que esse discurso encontra apoio até entre mulheres, embalado por uma visão romantizada de um passado em que seu papel era ficar em casa, cuidando do bem-estar do marido e da educação dos filhos. A história mostra que nenhum direito é irreversível. Basta lembrar o Afeganistão, onde o Talibã suprimiu os direitos políticos femininos pela força.

Nas democracias ocidentais, o caminho é mais sofisticado. O ataque não vem por decretos nem por armas, mas por discursos, algoritmos e campanhas digitais que procuram transformar antigos preconceitos em ideias aceitáveis e necessárias. Assim, é preciso reafirmar que o voto feminino não é concessão, nem favor, muito menos privilégio. É um direito fundamental e inegociável. Foi-se o tempo em que metade da população era obrigada a permanecer em casa e calada. _

OPINIÃO

15 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Feridas abertas na relação entre argentinos e ingleses

Falar sobre Argentina e Inglaterra não significa tecer comentários só sobre futebol. É falar de história, reabrir feridas geopolíticas e mexer com os brios especialmente dos hermanos por conta da Guerra das Malvinas, o arquipélago que os britânicos chamam de Falkland Islands e que até hoje mobiliza a opinião pública ao sul do Rio da Prata.

Aquele foi o último suspiro da ditadura argentina. Em 1982, em um arroubo nacionalista, o general Leopoldo Galtieri desembarcou tropas nas ilhas e assumiu o controle da capital, Stanley, batizada de Puerto Argentino pelos rivais.

O governo britânico, na época sob o comando de Margaret Thatcher, a dama de ferro, enviou uma força-tarefa descomunal para o Atlântico sul.

A verdade é que os argentinos levaram uma surra. A guerra durou 74 dias, e o Reino Unido venceu.

Tão interessante quanto é como as Malvinas mobilizam tanto a direita quanto a esquerda. Aliás, esse é um dos poucos assuntos que, para os hermanos, é consenso. Para a esquerda, representa o combate ao neocolonialismo e ao imperialismo britânico na América Latina. Para a direita e os militares, trata-se da defesa da integridade territorial e da honra nacional. Essa reivindicação está, inclusive, consagrada na Constituição, logo é uma política de Estado que nenhum governo - seja peronista ou neoliberal - ousa abandonar. Inclusive o governo atual de Javier Milei mobiliza essa paixão.

Outra curiosidade é que na atual guerra do Irã, como Donald Trump estava magoado com a Otan, que o deixou sozinho no conflito, avaliou suspender ou revisar o apoio diplomático ao Reino Unido na disputa histórica pelas Ilhas.

Ok, mas, afinal, de quem são as Malvinas (ou as Falkland?). Oficialmente, as Nações Unidas reconhecem a disputa. As Ilhas estão na lista de Territórios Não Autônomos desde 1946, e o Reino Unido aparece como potência administradora. Em 1965, a ONU aprovou a Resolução 2065, reconhecendo formalmente o conflito de soberania e pedindo que os dois países buscassem uma solução pacífica.

A Argentina diz que herdou os direitos da Espanha depois de declarar sua independência, em 1816. Também garante que os britânicos expulsaram as autoridades argentinas em 1833 e passaram a ocupar ilegalmente o território. Já o Reino Unido diz que administra continuamente as ilhas desde 1833, com exceção da ocupação argentina durante a guerra de 1982. E apresenta outro argumento: o direito dos próprios moradores de decidir o futuro do arquipélago. Em 2013, foi realizado um referendo. O resultado foi esmagador: 99,8% dos votos válidos foram favoráveis à manutenção do vínculo com o Reino Unido. Para os britânicos, esse resultado comprova o direito à autodeterminação. A Argentina contesta esse argumento. Considera os moradores uma população implantada pelo processo de ocupação britânica e afirma que a questão principal não é autodeterminação, mas integridade territorial. O jogo de hoje vai terminar, um dos dois lados irá para a final e a rusga histórica vai sobreviver à Copa. _

01

Como foi a disputa pelas Ilhas em 1982

As Ilhas Malvinas eram administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas a Argentina sempre reivindicou a soberania sobre o território, alegando proximidade geográfica e herança da colonização espanhola.

Em 1982, mesmo com o país enfrentando uma grave crise econômica, inflação recorde e protestos sociais contra os abusos de direitos humanos, a ditadura argentina enviou tropas ao arquipélago. A junta militar viu na invasão uma oportunidade de apelo nacionalista para unificar a população e desviar a atenção de problemas internos.

No dia 2 de abril daquele ano, soldados argentinos desembarcaram em Port Stanley, rendendo a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos sem causar mortes, em uma tentativa de evitar uma reação armada imediata de Londres.

A superioridade tecnológica, a inteligência de combate e o treinamento das tropas britânicas rapidamente superaram as forças armadas argentinas, formadas em grande parte por recrutas conscritos que sofriam com a falta de suprimentos e de agasalhos adequados para o frio extremo.

No dia 14 de junho de 1982, o comando argentino nas ilhas assinou a rendição.

Um dos marcos do conflito foi o afundamento do navio General Belgrano, joia da marinha argentina. O ditador Leopoldo Galtieri renunciou quatro dias depois do final da guerra. Os argentinos perderam 649 militares em combate. Os britânicos sofreram 255 baixas militares (além de três civis). O conflito durou de 2 de abril a 14 de junho de 1982.

Dias atuais

Atualmente, o arquipélago continua sob administração britânica, com o status de Território Ultramarino. Aliás, um referendo realizado em 2013 apontou que a população local votou esmagadoramente (99,8%) a favor de continuar sendo um território do Reino Unido. No entanto, o governo argentino não reconheceu a votação, argumentando que a população local foi implantada pelos ingleses. _

Tramontina doa 1,7 tonelada de utensílios para a Venezuela

A empresa gaúcha Tramontina, por meio de sua unidade na Colômbia, realizou a doação de um amplo conjunto de produtos para apoiar as comunidades afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho. As remessas reúnem cerca de 2 mil itens, entre ferramentas e utensílios essenciais para as atividades de reconstrução e para o dia a dia das famílias. O lote inclui carrinhos de mão, pás, picaretas, enxadas, martelos, marretas, cavadeiras, facas, talheres, panelas, frigideiras e cadeiras, totalizando cerca de 1,7 tonelada de donativos. _

Gaúcho em MSF debate HIV

O epidemiologista gaúcho Antonio Flores, de Médicos Sem Fronteiras (MSF), participa no dia 30 de julho de uma das mesas da 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS, o maior evento global dedicado ao tema, realizado no Rio de Janeiro no final deste mês. Em pauta, o acesso ao lenacapavir, tecnologia médica apontada como uma das maiores inovações na prevenção ao HIV nas últimas décadas. Antonio trabalha atualmente para MSF na África do Sul.

Embora tenha potencial para transformar a resposta à epidemia, a tecnologia permanece fora do alcance de milhões de pessoas devido a preços elevados, acordos restritivos de licenciamento e limitações na oferta. O debate propõe uma reflexão sobre quem tem acesso às inovações em saúde e quais barreiras ainda impedem que avanços científicos cheguem a quem mais precisa. _

correção

Uma das empresas americanas que pedem exclusão de itens brasileiros do tarifaço de Donald Trump é a Siemens Energy e não o Grupo Siemens como informado no texto principal da coluna de ontem. _

INFORME ESPECIAL

15 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Os alicerces do plano de governo de Zucco

Disposto a liderar um novo ciclo na gestão do governo estadual, o pré-candidato do PL a governador, Luciano Zucco, trabalha em um plano de governo focado no crescimento econômico. Há mais de uma semana, Zucco concilia as agendas com leituras das propostas apresentadas, ao mesmo tempo em que o documento passa por fase de redação e revisão antes da apresentação final, prevista para o início de agosto.

Sob coordenação do secretário de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal, a equipe responsável pelo plano de governo avalia que o Estado atualmente trabalha seu desenvolvimento a partir da agenda fiscal, sem pensar em um programa de crescimento. Para isso, uma eventual gestão de Zucco no Palácio Piratini deverá trabalhar avanços na infraestrutura, no ambiente de negócios e no capital humano.

O plano de governo do PL vai propor uma revisão no modelo de concessões adotado pelo governo Eduardo Leite, do qual os liberais são críticos por prever dezenas de pórticos de pedágio pelas rodovias incluídas nas negociações. A estratégia será optar por formatos que possam transformar o Rio Grande do Sul em um corredor logístico do Cone Sul, a partir de melhores condições nos modais de transporte.

Para aprimorar o ambiente de negócios, o programa apresentará propostas de desburocratização de processos e em políticas de apoio aos produtores rurais gaúchos. No que diz respeito às pessoas, o plano terá foco em recuperar a qualidade da educação básica, além de expandir a oferta de formação profissional e tecnológica agregada ao Ensino Médio.

Desde o início do ano, o plano tem sido trabalhado a partir das demandas recebidas em reuniões do movimento Força Gaúcha, a partir do qual Zucco percorreu o Interior ao lado da vice, Silvana Covatti (PP). O documento agrega ainda contribuições de entidades, líderes setoriais e especialistas, e demandas feitas pelo próprio pré-candidato em reuniões internas.

Imersão nas propostas

Enquanto Zucco está imerso nas propostas, conferindo-as área a área, a redação final está sendo trabalhada pela equipe responsável pelo plano de governo. Embora a convenção do PL esteja marcada para a noite de 22 de julho, o plano de governo deverá ser finalizado até o final do mês, e apresentado publicamente em um ato no início de agosto.

Os planos de governo têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral como pré-requisito para que as candidaturas sejam validadas. O documento funciona como a primeira oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas e prioridades ao eleitor. A coluna já apresentou detalhes dos planos de governo de Gabriel Souza (MDB) e Juliana Brizola (PDT). O próximo será Marcelo Maranata (PSDB). 

Adversários na corrida pelo Senado têm encontro inesperado

Adversários na corrida pelo Senado, Manuela D?Ávila (PSOL) e Germano Rigotto (MDB) tiveram ontem um encontro inusitado. Os dois passaram pelo Mercado Público de Porto Alegre e, por coincidência, se cruzaram no segundo piso do prédio histórico da Capital

Manuela foi ao Mercado para almoçar, acompanhada de Edegar Pretto (PT), após o ato que oficializou a indicação do vereador de Caxias do Sul, Lucas Caregnato, como o segundo suplente da pré-candidata. Na chegada, enquanto se encaminhavam ao restaurante, avistaram o emedebista, com quem tiveram um diálogo cordial. Entre os cumprimentos e as poucas palavras trocadas, os três comentaram sobre a indicação de Caregnato, conterrâneo de Rigotto.

Já Rigotto aguardava pela chegada do amigo e correligionário Sebastião Melo, para uma conversa sobre os desafios do municipalismo. Ao final deste encontro, o prefeito de Porto Alegre enfatizou seu apoio ao ex-governador na corrida pelo Senado, destacando o preparo e a experiência de Rigotto para o cargo. _

Debates às vésperas da campanha

Prestes a ingressarem no período oficial da campanha eleitoral, Rigotto e Manuela se preparam para dois debates na próxima semana: da Fecomércio, marcado para segunda-feira, e da Federasul, no dia 22.

Manuela será confirmada como candidata do PSOL ao Senado na convenção do partido, no dia 25. Ela dividirá a chapa com Paulo Pimenta (PT) e apoiará a candidatura de Juliana Brizola (PDT) a governadora, que tem Edegar como vice.

Uma semana mais tarde, em 1º de agosto, será a vez do MDB oficializar Rigotto na corrida pelo Senado. O partido também lançará Gabriel Souza para concorrer ao governo do RS. A chapa será formada ainda por Ernani Polo como vice e Frederico Antunes ao Senado, ambos do PSD. _

Selo para acertos nas eleições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, propôs ontem a criação de um "selo de acurácia" para institutos de pesquisa, que seria destinado às empresas com maior taxa de acerto dos resultados nas eleições. A proposta foi feita em reunião com diretores de 19 institutos.

O selo seria entregue após o segundo turno das eleições, em data a ser definida. A avaliação vai considerar somente pesquisas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito e no dia das eleições (boca de urna), que forem efetivamente divulgadas.

O texto também afirma que estarão excluídas da premiação empresas que tiverem sido condenadas por irregularidades graves. Segundo participantes do encontro, os institutos levaram preocupações sobre o recorte temporal para a avaliação.

Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e ressaltou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas e não são "previsões nem promessas de resultado". _

Orçamento com previsão de déficit de R$ 4,8 bilhões é aprovado

A Assembleia Legislativa aprovou ontem o projeto que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Estado para 2027. O texto prevê déficit de R$ 4,8 bilhões no orçamento gaúcho e teve 39 votos favoráveis e 13 contrários.

O texto chegou a plenário com parecer favorável da Comissão de Finanças, com nove emendas acolhidas. Todas foram aceitas ontem. Entre elas, uma prevê recursos para duplicação da RS-118 entre Gravataí e Viamão, outra a aplicação de 0,5% da receita líquida de impostos no desenvolvimento do Ensino Superior público e mais outra estabelece a preferência na destinação de R$ 3 bilhões do Funrigs para obras em rodovias dos blocos 1 e 2 do programa de concessões rodoviárias.

O resultado frustrou a oposição, que buscava garantir no orçamento de 2027 a aplicação mínima de 12% dos recursos arrecadados na saúde. Por acordo firmado com o Ministério Público no ano passado, o governo estabeleceu aporte de 11,01%, em cumprimento a uma tabela crescente que prevê chegar aos 12% apenas em 2030.

Colaborou Paulo Rocha

mirante

Apesar das críticas da pré-candidata do PDT, Juliana Brizola, e da frente de partidos de esquerda à previsão de déficit na LDO, a bancada do PDT foi unânime em aprovar o texto encaminhado pelo governador Eduardo Leite.

Ainda sem ser votada na CCJ da Assembleia Legislativa, a PEC da data-base sofreu uma reformulação para retirar do texto a previsão de reajuste baseado na inflação. A nova versão apenas garante que a revisão salarial do funcionalismo estadual ocorra anualmente em 1º de março.

POLÍTICA E PODER

terça-feira, 14 de julho de 2026


14 de Julho de 2026
NOTÍCIAS -´Humberto Trezzi

Suspeito de mega-assalto é preso na Bolívia

Captura

Ele seria um dos assaltantes que participaram do maior roubo da crônica policial gaúcha: o ataque a um avião-pagador em Caxias do Sul, na Serra, em 2024

A Polícia Federal comemora o que considera um gol de placa contra o crime. Foi preso pelas autoridades da Bolívia, no sábado, aquele que é considerado um dos assaltantes que atuaram na linha de frente do maior roubo da história gaúcha, ocorrido no aeroporto de Caxias do Sul.

Na ocasião, em junho de 2024, uma quadrilha com armas de guerra atacou um avião-pagador e levou R$ 30 milhões - dos quais R$ 15,6 milhões foram recuperados pela Brigada Militar após intensa troca de tiros que resultou na morte de um PM, o sargento Fabiano Oliveira, e de um dos criminosos.

Até agora, a PF prendeu 37 suspeitos de envolvimento no mega-assalto e indiciou 41, incluindo alguns que auxiliaram na logística do bando. A PF não revela nomes, mas a reportagem apurou que o preso no final de semana é o paulista Fabrício Salvador da Silva, o Teta, considerado extremamente perigoso e ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Conforme investigações da PF, ele seria um dos assaltantes que agiram diretamente na pista do aeroporto Hugo Cantergianni, na execução do roubo. Está também indiciado por ações chamadas de "domínio de cidade" - quando as quadrilhas tomam localidades para cometer assaltos. Uma delas seria o roubo de R$ 2 milhões de uma agência bancária em Guaxupé (MG), em abril de 2025, praticado por um bando que atacou bases da Polícia Militar e da Guarda Municipal e fez reféns.

Troca de informações

A prisão de Fabrício na Bolívia só foi possível após informações repassadas às autoridades bolivianas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência Regional da Polícia Federal no RS.

- É uma vitória. O contato foi intermediado pela Interpol (Polícia Internacional) e por adidos da PF na Bolívia - relata o delegado Márcio Teixeira, da DRE.

Fabrício estava escondido com nome falso na Bolívia e foi preso no Departamento de Santa Cruz de La Sierra, próximo ao Mato Grosso do Sul. Pelo crime de uso de falsa identidade, foi expulso (sem necessidade de extradição) e transferido no mesmo dia para Corumbá (MS), de onde será levado a uma penitenciária de segurança máxima.

O suspeito estava com prisão preventiva decretada pelo assalto em Caxias e teria se juntado, na Bolívia, a outros indiciados pelo ataque.

Dos 41 indiciados pelo assalto, 16 foram condenados a penas que chegam a até 64 anos de prisão, por latrocínio (roubo com morte) e associação criminosa, entre outros crimes. Outros envolvidos estão à espera de julgamento. É o caso de Fabrício.

O grupo que atacou o aeroporto de Caxias é suspeito de cometer 25 grandes roubos em uma década em vários pontos do país, segundo a PF. _

Polícia investiga assassinato de professora no norte do Estado

Constantina

Alessandra Hoppen

alessandra.hoppen@gruporbs.com.br

Uma professora foi encontrada morta após um incêndio atingir a casa onde morava sozinha, em Constantina, no norte do Estado, na noite de domingo. A perícia encontrou sinais de esganadura no corpo de Glória Werkhausen, 44 anos, e a principal linha de investigação da Polícia Civil é de homicídio.

Segundo o delegado Cristiano De Bone, a hipótese de suicídio foi descartada. Havia um cabo enrolado no pescoço da vítima, porém, foram identificados sinais de agressão. A polícia está ouvindo pessoas próximas à professora para tentar esclarecer a motivação do crime.

Por conta do luto, a prefeitura de Constantina suspendeu ontem as aulas da rede municipal, na qual Glória lecionava. _

Ex-prefeito morto na Região Central já havia recebido ameaças

Formigueiro

Tayline Manganeli

tayline.manganeli@rbstv.com.br

A Polícia Civil revelou que o ex-prefeito de Formigueiro João Natalício Siqueira da Silva, 64 anos, assassinado na manhã de domingo, já havia registrado boletim de ocorrência por ameaça contra o homem apontado como autor do crime. João Natalício estava a cavalo na estrada da localidade de Fundo do Formigueiro, no interior do município da Região Central, quando foi baleado.

Após o crime, o suspeito fugiu e não foi mais encontrado. O nome dele não foi divulgado. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dele e ontem o pedido seguia em análise junto ao Poder Judiciário.

Conforme a investigação, o suspeito é vizinho da vítima e mantinha desavenças relacionadas a posse de terras na localidade de Fundo do Formigueiro, onde os dois moravam. De acordo com o delegado Antônio Firmino Neto, o ex-prefeito adquiriu uma área por meio de uma procuração, o que teria provocado o descontentamento do suspeito. Também havia uma disputa por reintegração de posse.

Segundo a Polícia Civil, o boletim de ocorrência registrado anteriormente pelo ex- prefeito relatava ameaças feitas pelo vizinho. Após o registro, policiais foram até a residência do suspeito e apreenderam uma pistola. No entanto, a arma utilizada no homicídio foi um revólver calibre 38, que ainda não foi localizado.

Luto oficial

João Natalício comandou o Executivo de Formigueiro por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012, eleito pelo PP. Em 2024 concorreu a vice- prefeito, desta vez pelo PT, mas não foi eleito.

Em nota, a prefeitura de Formigueiro decretou luto oficial de três dias e destacou que João Natalício "dedicou parte da vida ao desenvolvimento do município". O corpo do ex-prefeito foi sepultado no fim da manhã de ontem. _

Homem detido por esfaquear adolescente na Cidade Baixa

Porto Alegre

Um homem de 23 anos foi preso pela Brigada Militar suspeito de esfaquear um adolescente de 17 na Cidade Baixa, em Porto Alegre. O crime aconteceu no início da madrugada de domingo, na Rua Lima e Silva, após uma discussão em um bar.

A vítima foi atingida por pelo menos quatro facadas, no tórax e no braço direito. O adolescente está internado no Hospital de Pronto Socorro (HPS) da Capital e não corre risco de morte.

De acordo com a Polícia Civil, a vítima relatou que a briga foi motivada por um desentendimento envolvendo uma mulher. O agressor fugiu do local após o crime, mas foi localizado e capturado por PMs na sequência. _

14 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Nas frestas do tarifaço

Diplomacia não é sobre 8 ou 80. Como é, por excelência, a arte da negociação, consiste em transitar na faixa do possível. O Planalto já trabalha com a hipótese de que a aplicação pelos Estados Unidos de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros tornou-se o cenário mais provável.

Isso não significa que as investidas do Itamaraty em Washington para demover o presidente americano tenham fracassado. Na verdade, esse jogo já estava decidido na cabeça de Donald Trump antes mesmo de começar. O presidente americano vê o Pix como uma ferramenta que prejudica interesses econômicos dos Estados Unidos e decidiu retaliar o Brasil. Nem a diplomacia profissional da Casa de Rio Branco, muito menos a ida de Flávio Bolsonaro ao USTR, seriam capazes de fazê-lo mudar de ideia. Haverá tarifaço.

Dito isso, cabe ao Brasil trabalhar na arte do possível, ou seja, nas frestas do canetaço que deve vir entre hoje e amanhã. Em outras palavras, é hora de o governo concentrar esforços nas exceções. É na dimensão da lista final de produtos atingidos que o país deverá calibrar sua resposta, que pode ir da continuidade das negociações para ampliar o número de itens poupados da sobretaxa até o eventual acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica.

O retrospecto recomenda essa estratégia. Desde o primeiro grande tarifaço de Trump, a lógica tem sido praticamente a mesma: anuncia uma medida ampla, produz forte impacto político e nos mercados e, em seguida, abre uma série de exceções para produtos considerados essenciais à economia americana. Foi assim com matérias- primas industriais, insumos estratégicos e bens para os quais os Estados Unidos não dispõem de oferta suficiente. 

No caso brasileiro, a própria proposta apresentada pelo USTR já deixou de fora uma série de produtos sensíveis, como suco de laranja, café, carne, frutas, medicamentos e partes aeronáuticas, justamente porque uma sobretaxa elevaria custos para consumidores e empresas americanas ou criaria risco de desabastecimento.

Estilo do presidente

É o modus operandi de Trump. O anúncio costuma ser muito maior do que a medida que efetivamente entra em vigor. O choque inicial produz manchetes e demonstra força política. Depois, a realidade econômica se impõe.

Não por acaso, empresas americanas que dependem de importações brasileiras passaram a pressionar Washington para retirar determinados produtos da lista de sobretaxas. O Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que pedem a exclusão de itens brasileiros sob o argumento de que não existem substitutos produzidos no mercado doméstico. Entre elas estão Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens. Até siderúrgicas americanas pediram exceções para insumos brasileiros por falta de oferta interna.

É justamente aí que está a margem de negociação. Não parece haver espaço, neste momento, para convencer Trump a desistir. Mas há espaço para reduzir seus efeitos abaixo dos cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil no alvo, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). _

Aniversário do canil dos bombeiros

O canil do Batalhão de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) completa amanhã 23 anos de criação. Ao longo desse período, o plantel saltou para 14 animais.

Foi no então Grupamento de Busca e Salvamento, em julho de 2003, que se iniciou no Estado o Serviço de Busca e Resgate com Cães, sendo, na época, o terceiro no país.

Em sua fundação, o grupo contava com três bombeiros militares e dois cães da raça labrador. Atualmente, o efetivo é composto por 14 cães das raças labrador, rastreador brasileiro, pastor-malinois, weimaraner, pastor-holandês e pastor-alemão, além de 12 bombeiros militares responsáveis por adestrar, cuidar e treinar os animais.

Em suas rotinas, os cães atuam em buscas urbanas (como em escombros), em áreas de mata e na localização de odores e de resíduos biológicos humanos. _

Depois de 12 anos, início das obras

Com investimento de R$ 13,2 milhões, a estrutura terá capacidade para atender cerca de 400 estudantes em turno integral. A escola contará com quase 5 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em 13 salas de aula, biblioteca, sala de recursos e três espaços multiuso. O prazo previsto para a conclusão da obra é de 24 meses. _

Rivalidade geopolítica

Durante 24 anos, os dois países travaram a Guerra Franco- Espanhola (1635-1659).

Na realidade, o embate começou como um desdobramento da Guerra dos Trinta Anos - série de conflitos iniciada em 1618 que tornou a Europa Central palco de rivalidades.

O que estava em jogo na Guerra Franco-Espanhola era a hegemonia europeia: a França buscava quebrar o cerco dos Habsburgo - uma das dinastias mais poderosas da Europa, que governava a Espanha e o Sacro Império Romano-Germânico -, enquanto Madri lutava para manter o status de maior império do mundo.

O desfecho desse conflito marcou o declínio do Império Espanhol como a potência dominante do continente e inaugurou o Grand Siècle (Grande Século), período de supremacia política e cultural da França sob o reinado de Luís XIV, o "Rei Sol". _

Epicentro da advocacia

Entre os nomes confirmados estão o filósofo Luiz Felipe Pondé, o jurista José Roberto de Castro Neves, o professor Pablo Stolze, o tributarista Paulo Duarte Filho, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, a especialista em tecnologias emergentes Mônica Magalhães, além dos advogados criminalistas Jader Marques e Aury Lopes Júnior. 

INFORME ESPECIAL

14 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

O que esperar do plano de governo de Juliana

Com a avaliação de que o Estado enfrenta uma "letargia", o plano de governo de Juliana Brizola, pré-candidata do PDT a governadora, aposta em um formato participativo. Formulado a partir de 35 grupos temáticos, o texto está sob revisão final antes de ser apresentado a Juliana e o vice, Edegar Pretto (PT), durante um seminário no próximo sábado.

O coordenador do plano pedetista, Paulo Burmann, explica que o principal aspecto do documento será sua estrutura, que vai tratar as diferentes áreas como um conjunto. A avaliação é de que não é possível, por exemplo, garantir melhorias na segurança pública sem que haja avanços na saúde e na educação, e vice-versa.

O plano também irá contemplar uma projeção de desenvolvimento econômico e social do Estado, para "abater a letargia" que recai sobre o Rio Grande do Sul nas últimas décadas, na avaliação de Burmann.

Mesmo que haja preocupação sobre as contas públicas, o texto deve garantir que o crescimento da arrecadação se dará a partir da produção, e não do aumento de impostos. - Não será um plano que vai se basear numa retórica como nós conhecemos. Estamos montando uma estrutura forte para que tudo seja viável, exequível, que impacte no futuro do Estado - alegou.

A construção das propostas foi feita por quase 400 pessoas, divididas nos grupos temáticos. Nos últimos três meses, essas equipes realizaram reuniões setoriais para discutir prioridades e colher sugestões, agregando as participações nas caravanas do programa Coração Gaúcho, que percorreu o Interior.

Neste momento, os relatórios produzidos pelos grupos estão sendo revisados, e depois serão integrados para constituir o plano. Depois do seminário, serão feitos os ajustes finais no texto até a entrega oficial do plano aos pré-candidatos da majoritária, em 24 de julho, véspera das convenções de PDT e PT.

- O plano terá uma estrutura bem consistente. Posso garantir que não será um plano de governo de gaveta, é um plano que de fato projeta o futuro governo do Rio Grande do Sul. É um grande desafio, é um compromisso sério - projeta Burmann.

Os planos de governo têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral como pré-requisito para que as candidaturas sejam validadas. O documento funciona como a primeira oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas e prioridades ao eleitor.

Ontem, a coluna apresentou detalhes do plano de governo de Gabriel Souza (MDB). Nos próximos dias, será a vez de Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). _

O presidente Lula sancionou a lei que insere Ayrton Senna no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Com isso, o nome do tricampeão de Fórmula 1 será registrado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

Presidente do TRE vai percorrer o Estado para incentivar o voto

Com a meta de reduzir a ausência dos eleitores gaúchos no dia da votação, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deu início a uma ação para incentivar o voto no pleito de outubro.

A iniciativa começou por Uruguaiana, na Fronteira Oeste, que registrou a maior abstenção do Estado em 2024, quando 33,8% da população, um terço, não compareceu às urnas.

A comitiva foi liderada pela presidente do TRE, desembargadora Maria de Lourdes Gonzalez, que comandou ato no Salão do Júri do Foro do município.

A magistrada garantiu que percorrerá todas as regiões do Rio Grande do Sul para reforçar a importância do ato de votar.

- Não podemos fechar os olhos para um fenômeno silencioso que cresce e enfraquece a nossa representatividade, no caso, o distanciamento do eleitor das urnas. Votar é tomar as rédeas do próprio destino. Precisamos conversar com os nossos jovens, reforçando a importância da política na cidadania e também acolher cada vez mais e facilitar o acesso das pessoas idosas e também das comunidades mais distantes, bem como de eleitores em situação de vulnerabilidade - enfatizou Maria de Lourdes.

A próxima agenda será hoje, em Alegrete, que também registrou alto índice de ausências nas urnas: 31,6% da população não votou em 2024. _

Líder do governo pede veto a emenda polêmica

Após o alvoroço entre vereadores de Porto Alegre a respeito de uma emenda ao Plano Diretor, o autor da medida, o líder do governo Idenir Cecchim (MDB), pediu ontem que o prefeito Sebastião Melo vete o trecho.

Parlamentares alegam que a redação final do plano enviada para sanção de Melo continha um trecho diferente do que foi aprovado em plenário.

A emenda 73, assinada por Cecchim e pelo presidente da Câmara, Moisés Barboza (PSDB), propôs modificar a regra para uma região da Lomba do Pinheiro, permitindo a divisão em terrenos menores.

Sem acordo com base ou com oposição, uma subemenda foi aprovada com o objetivo de garantir o texto original da prefeitura. Entretanto, segundo a diretoria legislativa da Câmara, a medida não tratava da mesma área que a emenda. Portanto, as duas redações estavam válidas e foram incluídas na redação final - causando estranheza a vereadores, que tinham entendimento diferente. 

Data-base pode ser votada na CCJ hoje

Apesar da praxe de não realizar sessão na véspera do recesso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terá reunião hoje, às 9h. Houve uma falha na distribuição de matérias, que motivou o presidente Guilherme Pasin (PP) a convocar o encontro.

Na ordem do dia, o nono item é a PEC da data-base, que será votada caso haja quórum. Sindicalistas passaram o dia na Assembleia ontem, tentando costurar um acordo favorável. _

mirante

Natural de São Borja, o ex-governador Tarso Genro (PT) recebe na quinta-feira, às 19h, o título de cidadão de Porto Alegre. A proposta é do vereador petista Jonas Reis.

Pré-candidato a governador pelo PL, Luciano Zucco receberá demandas das mulheres para o plano de governo em evento marcado para o próximo sábado, às 9h.

As contribuições são resultado do movimento Gaúchas pelo Rio Grande, liderado pela esposa de Zucco, Joyce.

POLÍTICA E PODER

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Pior Copa desde 1990

Não consigo aceitar que é a melhor Copa. É a pior para os brasileiros. A pior para a secação. Todas as seleções pelas quais passamos a torcer depois de nossa derrota caíram. Todas, sem exceção. Na largada das Eliminatórias em 2023, se alguém perguntava sobre os favoritos, qualquer um dizia: França, Espanha, Argentina e Inglaterra. Exatamente os quatro semifinalistas.

Não houve nenhuma surpresa, nenhum azarão. Transcorreram três anos e não surgiu uma potência alternativa. É a Copa de cartas marcadas, a mais previsível, a mais normal, a mais conservadora, a mais hegemônica, o sonho dos patrocinadores que odeiam sobressaltos.

Os quatro intervalos para hidratação e os descontos generosos permitiram que quem é superior acabasse por sair vitorioso. Uma hora a bola iria entrar sob tamanha pressão.

Os semifinalistas já foram campeões do mundo. Isso não acontecia desde 1990, que, a meu ver, foi a edição mais semelhante à atual (quando o Brasil também tombou nas oitavas). Noruega e Marrocos, que enfrentamos e não vencemos, não obtiveram êxito contra a Inglaterra e a França. O hexa da desclassificação demonstra que éramos realmente medianos, ao lado da Alemanha, que repetiu a eliminação precoce nos três últimos certames consecutivos.

Ainda que o torneio tenha reunido mais participantes (48), os times asiáticos não chegaram às quartas, um só time africano atingiu essa fase (Marrocos), observou-se a supremacia europeia do início ao fim. Os anfitriões México, Estados Unidos e Canadá sucumbiram. Nem o fator local garantiu a permanência no mata-mata. Nem a anulação de um cartão vermelho para o destaque dos estadunidenses, após pedido de Trump à Fifa, reverteu a desvantagem.

Não assistiremos a um novo campeão. É a Copa de sempre para os mesmos. Apenas oito nações levantaram a taça, e parece que será assim eternamente.

Não existe espaço para novidades. A lógica prevalece. Ninguém espera uma outra final que não França e Argentina, reprisando 2022. Teremos um remake das Malvinas de 1986, entre os ingleses de Harry Kane e os argentinos de Lionel Messi, e das oitavas de 2006, entre os franceses de Kylian Mbappé e os espanhóis de Lamine Yamal.

Pode-se considerar, como contraponto à minha opinião, que estamos diante da média mais vultosa de gols desde 1970 - a fase de grupos excedeu inclusive a de 1958. E que desfrutamos de uma lista abundante de atletas com escores altos: Mbappé e Messi assinalaram oito gols; Haaland, sete; Kane e Bellingham, seis.

Em 23 Copas, somente duas, além desta, apresentaram goleador e vice-goleador com sete gols ou mais: 1970 e 2022. Seria um dado inédito e impactante se não contássemos com a presença de países sem experiência, como Curaçao, Catar, Uzbequistão, Iraque e Tunísia, que viraram sacos de pancada.

A Copa incorporou seleções desprovidas de tradição e combatividade, inflacionando o número de gols. A Tunísia, por exemplo, levou 12 gols em três partidas.

Se Miroslav Klose (Alemanha), Ronaldo Fenômeno (Brasil), Gerd Müller (Alemanha), Just Fontaine (França), Pelé (Brasil) e Sándor Kocsis (Hungria), os antigos artilheiros da história da competição, atuassem no modelo implantado em 2026, com adversários tão fáceis e com mais rodadas, triplicariam os seus recordes.

Apesar da tecnologia, fazia tempo que não testemunhávamos tantos erros de arbitragem. Se Messi recebesse cartão vermelho no primeiro jogo, se Suíça, Egito e Cabo Verde não fossem prejudicados, o enredo seria diferente. Mas tudo favorece o ídolo no Inter Miami, ouro da casa, principal atração da Major League Soccer (MLS), para que seja entronizado como o rei do futebol. 

CARPINEJAR

13 de Julho de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Amor em SP

Foi uma manobra ágil e certeira. Como se alguém tivesse me arrancado do prumo sem a necessidade de qualquer contato físico, apenas agitando as moléculas do ar à minha volta. Antes de completar o primeiro pensamento a respeito, antes mesmo de conseguir reparar na motocicleta que disparava na contramão da rua movimentada, ouvi a voz de uma mulher gritando que o motoqueiro tinha levado o celular da moça. A moça, no caso, era eu.

Eu havia chegado a São Paulo na sexta-feira, um dia antes do roubo, e até ali era só amor por SP. Assistindo a um concerto da Osesp na Sala São Paulo, agradeci mentalmente a todos os pés de café que ajudaram a financiar a construção daquele prédio magnífico - e aos arquitetos (Nelson Dupré e Luizette Davini) que transformaram uma antiga estação de trens em um dos teatros mais bonitos do mundo. Mas São Paulo me pega não apenas pelos teatros, museus, livrarias, restaurantes. Gosto das ladeiras sinuosas, dos becos pichados, do sotaque anasalado e até da absoluta confusão urbana. Como não amar um lugar que é o avesso do avesso do avesso para qualquer um que não nasceu ali?

Meu idílio urbano foi interrompido abruptamente no momento em que eu chamava um Uber, despreocupada e míope, como sempre. Perto de 600 celulares são roubados todos os dias na cidade, nenhum lugar era seguro e ali onde eu tinha ido passear (a Praça Benedito Calixto) era pior ainda. Não tinham me avisado? O relatório sobre a situação da segurança pública em São Paulo não era exatamente o que eu precisava ouvir enquanto ainda tentava voltar a raciocinar. Como eu ia sair dali sem celular? Quando foi que ficamos tão dependentes de um troço que comanda nossas finanças, nosso transporte e toda a nossa comunicação com o mundo? Como eu tinha coragem de sair de casa antes dos anos 2000?

Um casal que estava acompanhando meu desamparo se prontificou a ligar para a operadora telefônica e avisar algum conhecido. Depois me acalmaram, trouxeram água, ofereceram café e só soltaram a minha mão quando um amigo de São Paulo, acionado por um amigo de Porto Alegre - de quem, exceção das exceções, eu sabia o número (anotação mental: decorar pelo menos cinco números de telefones além do meu) -, chegou ali para me resgatar.

Passado o susto, o motoqueiro fantasma, o BO e as horas de lazer perdidas vão virar anedota de viagem, como costuma acontecer nesses casos, mas o gesto de quem parou tudo que estava fazendo para acudir uma estranha em apuros, isso não se deve nem se pode esquecer. _

CLÁUDIA LAITANO

13 de Julho de 2026
OPINIÃO - Daniel Randon

Jeitinho não ganha Copa

Presidente da Randoncorp e presidente do Conselho Superior do Transforma RS

Mais uma vez fomos eliminados por uma seleção europeia. Não por falta de talento, pois o Brasil continua formando alguns dos melhores jogadores do mundo. Da mesma forma, somos uma potência em ativos estratégicos, referência em segurança alimentar, detentores de uma matriz energética limpa e ocupamos posição geopolítica privilegiada.

Por que, então, tamanho potencial nem sempre se transforma em liderança? Porque talento é condição necessária, mas não suficiente. As seleções mais vencedoras e os países mais prósperos combinam talento com estratégia, disciplina, governança, execução e visão de longo prazo.

A mesma lógica vale para a política. O problema é quando ela dá lugar à politicagem, interesses individuais se sobrepõem aos do país e a energia que deveria fortalecer a competitividade é consumida por disputas de curto prazo.

Grandes conquistas exigem liderança, planejamento, continuidade e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um propósito comum. Nenhuma seleção entra em campo pensando só na próxima partida. E nenhum país prospera pensando apenas na próxima eleição.

A derrota brasileira reforça uma verdade simples: o sucesso do passado não garante o futuro. A história inspira, mas não vence jogos, não gera prosperidade nem aumenta a competitividade. Disciplina, capacidade de execução e busca permanente pela excelência transformam potencial em resultados. O famoso "jeitinho brasileiro", frequentemente associado à criatividade e à adaptação, encontra limites em ambientes altamente competitivos.

Já temos recursos naturais, capacidade empreendedora, criatividade e posição estratégica. Falta transformar essas vantagens em competitividade, prosperidade e resultados consistentes, como fazem as economias avançadas, as empresas mais admiradas e as seleções mais vencedoras do mundo. No futebol, nas empresas ou no desenvolvimento de uma nação, vence quem atua como um verdadeiro time, com liderança, estratégia, disciplina e excelência na execução com propósito comum. Quando o interesse coletivo perde espaço para interesses pessoais e para a politicagem, o resultado raramente passa da mediocridade. _

O Guaíba mudou. Sua governança também deveria evoluir?

Adriano Skrebsky Reinheimer

Engenheiro civil, servidor público e ex-presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba (2018-2020)

As enchentes de 2024 mudaram a forma como o Rio Grande do Sul enxerga o Guaíba. Fala-se muito em diques, dragagem, casas de bombas e reconstrução, pautas indispensáveis. Mas talvez estejamos esquecendo algo crucial: a forma como planejamos e governamos o Sistema Guaíba continua adequada aos desafios das mudanças climáticas? Durante décadas, o debate limitou-se à discussão sobre se o Guaíba é um rio ou um lago. A ciência já mostrou que essa dicotomia pouco explica um sistema com dinâmicas tão distintas ao longo de sua extensão.

O Delta do Jacuí possui comportamento essencialmente fluvial; o Lago Guaíba é predominantemente lacustre; e a transição para a Laguna dos Patos apresenta hidrodinâmica própria. Se a natureza reconhece essas singularidades, por que não considerá-las na gestão?

Não proponho alterar os limites da atual Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba nem defender mudanças precipitadas na estrutura do seu comitê. O que proponho é discutir a conveniência de compartimentar o Sistema Guaíba, para fins de planejamento, monitoramento e adaptação climática, em três setores hidroambientais: Alto Guaíba (Arquipélago Delta), Médio Guaíba (Lago Guaíba) e Baixo Guaíba (Golfo Itapuã). Ambientes diferentes têm desafios específicos quanto a cheias, sedimentos, qualidade da água e ocupação do solo. Estratégias específicas para cada setor podem tornar a gestão mais eficiente, sem perder a visão integrada do todo. Essa hipótese exige estudos, modelagens e amplo debate entre universidades, órgãos gestores, municípios, o comitê e a sociedade civil.

As mudanças climáticas desafiam nossas obras e também nossos modelos de gestão. Seria oportuno que o Conselho Estadual de Recursos Hídricos constituísse um grupo de trabalho para avaliar esse conceito. O modelo concebido há três décadas continua sendo o mais adequado para o século 21? _

Direto da Redação  Matheus Schuch

Autocontenção de papel do STF

As recentes decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que a prometida autocontenção da Corte dificilmente sairá do papel. Pelo contrário. A menos de três meses das eleições, os ministros voltam a ocupar o centro do debate político com decisões controversas e de ampla repercussão.

No fim da última semana, o ministro Flávio Dino ganhou o noticiário ao determinar o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no valor de até R$ 119 milhões, no âmbito de uma investigação sobre emendas parlamentares.

A Polícia Federal (PF) identificou registros de empenho de 21 emendas que teriam sido destinadas por indicação do cacique partidário - que não possui mandato parlamentar.

O prosseguimento das investigações poderá confirmar irregularidades ou até mesmo a prática de crimes. Ainda assim, há uma distância considerável entre o uso de influência política na destinação de emendas (comum a vários partidos) e a imposição imediata de um bloqueio patrimonial dessa magnitude. A decisão, aliás, não aponta indícios de enriquecimento pessoal ou de apropriação direta dos valores.

O ministro Alexandre de Moraes também tratou de recolocar o Supremo no centro das atenções. Determinou que a Polícia Federal cumprisse mandado de busca na residência de Jair Bolsonaro em busca de armas de fogo que não foram localizadas.

Os advogados do ex-presidente já haviam informado ao ministro, por escrito, o destino de todas as armas registradas em seu nome. Diante de inconsistências que identificou na documentação, Moraes optou pela diligência - caminho que, evidentemente, amplia a repercussão pública.

Ao assumir a presidência da Corte, há quase um ano, o gaúcho Edson Fachin advertiu que um Judiciário submisso ao populismo perde credibilidade. Também defendeu que a prestação jurisdicional não deve se transformar em espetáculo e exige contenção.

No ambiente de crescente desgaste da imagem do Supremo junto à opinião pública, as palavras de Fachin parecem encontrar cada vez menos eco entre os colegas de Corte.

Se pretendem reafirmar sua autoridade institucional, talvez os ministros precisem compreender que credibilidade não decorre apenas do conteúdo das decisões, mas também da forma, do momento e da parcimônia com que exercem seus poderes. 

OPINIÃO

13 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Ponte Anita Garibaldi,

em Laguna, é interditada Santa Catarina

Pequena anomalia foi identificada em conjunto de fios de aço. A travessia foi totalmente bloqueada para reparo emergencial, que deve seguir até o dia 20

Motoristas que utilizam o trecho sul da BR-101 catarinense estão enfrentando dificuldades no deslocamento. Desde a noite de quinta-feira, a passagem na ponte Anita Garibaldi, em Laguna, foi interrompida em ambos os sentidos. Esse bloqueio entre os kms 312 e 315 da BR-101 Sul/SC ocorreu para a realização de reparos emergenciais.

Os trabalhos deverão prosseguir até o dia 20 de julho, quando está prevista a liberação parcial do tráfego. Após essa etapa, outras intervenções serão executadas na estrutura. As informações são da CCR ViaCosteira, concessionária responsável pela administração da rodovia.

Os veículos que transitam no sentido Norte (Florianópolis) devem acessar o desvio no km 315 (bairro Bananal), passando por baixo da BR-101. Para o sentido Sul (Porto Alegre), o desvio começa no km 310 da BR-101. Os veículos estão sendo direcionados para a via marginal, seguindo pela Ponte de Cabeçudas até o bairro Bananal.

A ViaCosteira identificou, durante inspeção especial, uma pequena anomalia em uma das cordoalhas. Trata-se do conjunto de fios de aço de alta resistência torcidos entre si. A estrutura conta com 90 cordoalhas. Segundo a concessionária, a travessia não apresenta riscos estruturais e a interdição foi adotada de forma preventiva.

Na sexta-feira, a concessionária deu uma coletiva de imprensa para explicar como está a situação. A estimativa é de que os trabalhos de manutenção se estendam por ao menos dez dias. E a liberação do tráfego dependerá dos resultados das avaliações técnicas.

- A cordoalha é um cabo que tem, dentro dele, diversos outros cabos de aço. Quando fomos fazer a inspeção, identificamos que alguns desses cabos de aço de uma cordoalha estavam com comportamento de rompimento - afirmou o diretor da CCR ViaCosteira, Fernando de Marchi, na entrevista.

A reportagem tentou contato com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para para obter informações sobre a ponte, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Reportagem de André Malinoski e Jocimar Farina

13 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Iniciativas do RS no Mapa da Educação Midiática

Após cinco meses do lançamento, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática já reúne 523 iniciativas desenvolvidas em diferentes regiões. Desse total, 23 são programas colocados em prática no Rio Grande do Sul.

O objetivo é identificar, reunir e dar visibilidade a experiências que contribuam para o desenvolvimento de competências relacionadas ao uso crítico, ético e responsável das mídias e das tecnologias digitais.

No Estado, as 23 iniciativas estão distribuídas em 15 municípios: Alvorada, Canoas, Caxias do Sul, Cruz Alta, Frederico Westphalen, Nova Hartz, Parobé, Pelotas, Pinhal da Serra, Porto Alegre, Restinga Sêca, Santa Maria, São Borja, São Vicente do Sul e Tapera.

Para o diretor do Departamento de Proteção de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, David Almansa, a ideia é dar visibilidade às iniciativas de educação midiática e digital desenvolvidas no país, ampliando alcance e inspirando novas experiências.

- O Mapa permitiu que iniciativas de municípios do Norte e do Nordeste, que antes não tinham visibilidade, pudessem impactar as políticas elaboradas em âmbito nacional. Também favorece a troca de experiências, fortalece relações e contribui para a criação de um ecossistema nacional de letramento midiático - contou à coluna.

A iniciativa funciona por meio de chamadas públicas. Até o momento, já foram promovidas duas, com a possibilidade de uma terceira ainda neste ano. Após a inscrição, as propostas passam por uma seleção. São avaliados critérios como o conceito de educação midiática, o impacto da iniciativa e os resultados alcançados.

Podem participar projetos voltados ao letramento digital e midiático, ao combate à desinformação, à promoção da diversidade no jornalismo, à inclusão de idosos no ambiente digital, ao trabalho com estudantes, entre outros.

Projetos gaúchos

Entre as iniciativas, destaca-se o Bê-á-bá da Segurança Digital, de Porto Alegre. Ao longo de seis anos de atuação, o projeto já atendeu idosos no RS, em Mato Grosso do Sul e na região amazônica, oferecendo oficinas de alfabetização digital com linguagem acessível, metodologia lúdica e ritmo adaptado aos participantes.

Outro exemplo é o Documento Orientador Curricular da Computação, de Santa Maria, que organiza objetivos de aprendizagem e habilidades de computação para as diferentes etapas da educação básica.

Em Restinga Sêca, a iniciativa Jovem e Tecnologia tem como foco a inclusão digital e o desenvolvimento de competências tecnológicas, críticas e criativas entre estudantes. Por meio de oficinas de informática, programação, robótica, desenvolvimento web, inteligência artificial e educação midiática, o projeto amplia o acesso, estimula o pensamento crítico e o uso ético e responsável das ferramentas digitais. _

O Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do RS está lançando um documento técnico com propostas voltadas à saúde pública para ser entregue aos candidatos ao governo do Estado nas eleições de 2026.

TV estatal da Hungria sai do ar e pede desculpas por mentir

Após 16 anos de governo de Viktor Orbán, os primeiros dias do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, já mostram mudança na condução do país.

A televisão estatal suspendeu temporariamente sua transmissão ao longo da última semana para implementar uma reformulação que promete torná-la "independente e confiável".

Diante de uma tela preta, o principal canal de TV estatal, o M1, passou a exibir o anúncio: "A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos."

O primeiro-ministro apresentou a medida como "o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas".

"É um dia histórico. O dia de hoje marca o fim das transmissões de propaganda nas plataformas da mídia pública. [...] Eles mentiam à noite, mentiam durante o dia, mentiam em todas as frequências. Isso acabou agora", escreveu Magyar em rede social. _

Semana decisiva para novas tarifas

A semana será de atenção para a diplomacia brasileira, que terá agendas importantes nos EUA. A principal delas envolve a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Na quarta-feira, o governo Donald Trump deverá anunciar se irá ou não impor as novas sanções comerciais ao Brasil. A decisão leva em conta uma investigação conduzida com base na Seção 301, que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais em relação aos americanos, entre elas o Pix.

Na última quinta-feira, Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio (USTR), disse que as negociações ainda estariam longe de um acordo.

Outra agenda é uma reunião multilateral convocada por Washington com mais de 60 países para discutir a criação de uma aliança contra movimentos antifascistas e de esquerda. O Brasil recebeu o convite, mas, segundo fontes da diplomacia brasileira ouvidas pela coluna, ainda não havia confirmação de que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participaria. _

Ranking das cidades no mundo

Copenhague, Viena e Melbourne lideram o top 3 das melhores cidades para se viver no mundo. É o que aponta o índice anual da EIU (Economist Intelligence Unit), empresa irmã do jornal britânico The Economist. O levantamento avaliou 173 municípios com base em cinco categorias: saúde, cultura e meio ambiente, educação, infraestrutura e estabilidade.

A lista das melhores mostra predominância de cidades europeias e da Oceania. O Brasil teve três cidades incluídas no ranking. O Rio de Janeiro é a melhor colocada, na 108ª posição. Logo atrás, vem São Paulo, em 115º, e Manaus ocupa a 134ª colocação.

Na lista das piores, Damasco, a capital da Síria, permanece na pior posição, posto que ocupa desde 2013. Teerã (Irã) caiu duas posições e entrou no grupo das 10 piores. _

INFORME ESPECIAL