As mulheres divulgadoras que fazem a cultura acontecer no Rio Grande do Sul
Depois da pandemia em 2020/21, e da enchente em 2024, a cidade está vivendo a boa inundação dos eventos. Os palcos dos 30 teatros/salas/auditórios e das mais de 30 casas noturnas com shows têm atividade constante. As redações de jornais (físicos e digitais), rádios e emissoras de TV recebem diariamente dezenas de releases divulgando eventos atuais e futuros. Todo esse material traz as assinaturas de nossas divulgadoras. E antes que acusem este repórter de parcial, por ter escolhido sete mulheres, vale dizer que são bem raros os homens em assessoria cultural de imprensa, e que as sete são mesmo as que mandam na área.
Vamos lá, em ordem alfabética: Bebê Baumgarten (coincidentemente a que está há mais tempo em atividade, 35 anos), Bruna Paulin, Cátia Tedesco, Jéssica Barcellos, Raphaela Donaduce Flores, Roberta Amaral e Sílvia Abreu. Elas reúnem muitas histórias – na verdade, fazem junto a história. Mesmo assim, foi difícil conseguir que disponibilizassem fotos com as personalidades que promovem, sob a justificativa de que não costumam fazer fotos com os artistas. Só que, estando ao lado de um Chico Buarque ou um Milton Nascimento, ninguém resiste a pedir a alguém que registre o momento no celular. Ou nem precisa pedir...
O ano 1 de Bebê é 1990. Pois mais ou menos lá é que começa de fato em Porto Alegre o sistema de divulgação profissional e segmentada, a assessoria de imprensa para os artistas e agentes culturais. Antes, os próprios artistas faziam isso. Este repórter lembra de receber na redação, para divulgar sua arte, nomes como Carlinhos Hartlieb, Bebeto Alves, Nelson Coelho de Castro, Noel Guarany, Glória Oliveira, Edu K, o marchand Renato Rosa e por aí vai. Dos grandes nomes da música brasileira, quem fazia a promoção eram basicamente os divulgadores locais das gravadoras.
Então, tudo começou a mudar.
Sete mulheres e um destino
Esta reportagem foi feita em parceria com as sete. Vamos saber um pouquinho da intimidade de cada uma antes de vermos sua história profissional.
Bebê Baumgarten nasceu em Porto Alegre, é mãe de Gil, 42 anos, e avó de Tom e Zezé. Adora percussão. Durante dez anos integrou o grupo As Batucas. Hoje toca no Bloco da Laje, no Maracatu Truvão e integra a bateria da escola Imperadores do Samba.
Bruna Paulin, também porto-alegrense, cada vez mais se aprofunda na vocação de artista, necessitando do contato com o palco – é atriz, cantora, compositora. Desde 2018 dança flamenco, como aluna de La Negra Ana Medeiros.
Cátia Tedesco vem de Nova Bassano e é amorosa tutora de uma gata. Faz caminhadas diárias na orla do Guaíba e na Redenção. Desde a pandemia decidiu dar atenção especial à alimentação e à saúde.
Jéssica Barcellos, outra filha de Porto Alegre, é mãe de Maria Antônia, 3 anos. Apaixonada pelo jogo de tênis, em 2025 começou a competir pela Associação Leopoldina Juvenil.
Raphaela Donaduce Flores, mais uma porto-alegrense, é mãe de Joaquim, 7 anos. Pratica ciclismo, que considera “esporte, mas também posicionamento político”. Autora (com Eduardo Seidl) do livro Caminho das Águas, sobre um percurso de bicicleta de Porto Alegre a Rio Grande.
Roberta Amaral, de Porto Alegre, gerou Bruna, 28 anos, e Gabriela, 26. Fora do trabalho? “Eu e João (Maldonado, marido) gostamos de ficar em casa, escutando os ídolos dele do jazz, tomando vinho e eu cozinhando, da culinária italiana para a francesa e a árabe”.
Sílvia Abreu nasceu em Taquari. É mãe da atriz e produtora cultural Mariana Abreu Marmontel, 28 anos. Um de seus hobbies é a culinária vegana. Adora viajar, quer conhecer toda a América Latina. Em 2025 esteve no Chile e este ano na Colômbia.
Bebê Baumgarten
Em ação desde 1990, Bebê (nascida Clarissa) começou com a jornalista Dedé Ribeiro, que já tinha alguma experiência na área. Juntas, criaram naquele ano a BD Divulgação, primeira assessoria de imprensa profissional para espetáculos e eventos culturais de Porto Alegre. Na verdade, sua vocação se manifestou bem antes, em 1978, quando integrou como atriz o emergente (e revolucionário) grupo Oi Nois Aqui Traveiz. "Ali me apaixonei pelo teatro, mas era difícil, pois sou uma pessoa muito tímida", resume. "Quando Dedé me chamou para trabalhar com ela na divulgação, me achei, me apaixonei pelos bastidores. Era um espaço em que eu podia estar no meio cultural e conviver com as pessoas que admirava."
Seis anos depois, Dedé partiu para outra e Bebê seguiu na trilha. Nesse tempo, só de espetáculos de teatro divulgou mais de 500, "disparado". Atuou durante 15 anos na Opus Produções (shows nacionais e internacionais). Outro tanto no Porto Alegre Em Cena. Inaugurou o Santander Cultural (hoje Farol Santander) e o Studio Clio (hoje Casa Verso). Divulgou o Planeta Atlântida e a Feira do Livro de Porto Alegre. Todas as edições do Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, do Fantaspoa, do Morrostock, da FestiPOA Literária. Viajou com artistas de música, teatro e dança para o Festival Sud a Sul em Sanary (França); também os músicos e bandas do Porto Alegre em Buenos Aires (promovido pela prefeitura da Capital)...
Bebê divulgou Nelson Coelho de Castro, Nei Lisboa, Graforreia Xilarmônica, Cia. Stravaganza, promoveu o histórico bar Porto de Elis... E muito mais. Viveu um tempo em que ainda não havia editais com leis de incentivo. Lembra: "Vi a transformação da comunicação de analógica para digital. No início dos anos 1990, levava os releases em xerox para as redações, entregando-os pessoalmente. Visitava os veículos uma ou duas vezes por semana, uma 'via sacra'! Não havia computador nem celular. Tive muitos funcionários e colaboradores na empresa, como a Mauren Veras, que é escritora e ilustradora de livros infantis, e a Cátia Tedesco, que se tornaria também uma requisitada divulgadora cultural".
Bruna Paulin
Bruna fez o curso de Jornalismo na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pucrs (Famecos), concluído em 2006. Tinha vontade de trabalhar em rádio. No mesmo ano, atuou na assessoria de imprensa do Porto Alegre Em Cena. No ano seguinte, estava na redação do Diário Gaúcho como... Diagramadora. Nada a ver: "Eu não queria ser diagramadora. Com o trabalho no Porto Alegre Em Cena já entrei no universo que me interessava, era aquilo que eu queria fazer. Dali pra frente comecei a trabalhar muito com teatro, música... Eu já tinha essa conexão com os artistas, já conhecia as pessoas. E não parei mais". O primeiro cliente fixo, em 2011, foi a Casa de Cinema de Porto Alegre - que segue até hoje.
No portfólio da Bruna Paulin - Assessoria de Flor em Flor (CNPJ desde 2011) estão a Bienal do Mercosul, o múltiplo Festival Kino Beat, o Cine Esquema Novo, a Aliança Francesa de Porto Alegre, o Instituto Goethe, o Farol Santander, a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ). No Festival Canção da Aliança Francesa, começou a atuar como apresentadora. O mesmo no Cine Esquema Novo e no Festival de Música de Nova Prata, que em 2025 teve a quinta edição. Já divulgou Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Antônio Fagundes, Gal Costa, Grupo Galpão, Nei Lisboa, Mirna Spritzer, Denise Fraga, Silvero Pereira, a Movere Cia da Dança, o Grupo Galpão e novos nomes da música, como Jessie Jazz e Ianaê Régia.
Aos poucos, o perfil de Bruna a foi levando também para os holofotes. Nos últimos anos, segue como divulgadora também de suas próprias atuações, como cantora e atriz. "Sempre gostei de subir no palco. Em 2020, durante a pandemia, surgiu a ideia do podcast A História do Disco, em que converso com muita gente. No POA em Cena, fiz o Ponto de Encontro, programa diário e ao vivo, nas edições de 2020 e 2021. Em 2024 senti necessidade de fazer algo presencial, que é o Sarau Meus Discos e Nada Mais, que ocorreu em vários espaços. Em 2017 já tinha retomado a carreira de performer e, em 2024, estreei o show Músicas para remendar corações, que vem sendo apresentado em vários palcos, agora incluindo minhas composições."
Cátia Tedesco
Citada aqui por Bebê e outras colegas divulgadoras, Cátia chegou a Porto Alegre aos 14 anos, vinda de Nova Bassano e sonhando em ser jornalista. Logo estudava na Famecos (onde se formou em 2002) e passou a dividir o apartamento com três pessoas que atuavam em produção cultural. Premonição? Lembra: "Aquele universo meio que passou a fazer parte do meu cotidiano. Para ajudar a pagar a faculdade, nos fins de semana comecei a fazer freelancer na Opus Produções, trabalhando com a Bebê Baumgarten, que era a assessora de divulgação. Não foi nada planejado, mas aos poucos percebi que a palavra e o palco estavam se juntando. Aí me encontrei mesmo, adorava aquele trabalho".
Em 2006 Cátia foi contratada pela Opus, mergulhando sem olhar para trás no universo dos grandes espetáculos nacionais e internacionais. Foi funcionária da Opus até 2012, quando abriu sua empresa, a Agência Cigana - que segue atendendo à hoje ainda mais poderosa Opus Entretenimento, produtora e administradora de casas de espetáculos pelo Brasil, entre elas o Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.
Neste fevereiro, Cátia comemora 20 anos de atuação em assessoria de imprensa cultural, contabilizando mais de dois mil eventos no currículo. Deduz: "Fazer a ponte artista-veículo-público é uma responsabilidade grande". Seu trabalho mais recente foi há menos de 15 dias, no festival Planeta Atlântida.
Além da Opus e do Planeta Atlântida, a Agência Cigana tem atualmente outros quatro clientes fixos: a BRIO (parceira do Sport Club Internacional na gestão compartilhada do complexo Beira-Rio), o Rap in Cena (maior festival de hip-hop do Brasil), o Porto Alegre Em Cena e a MIAC - Mostra Internacional de Arte Contemporânea. A lista dos artistas com quem Cátia trabalhou é bastante longa. Em música: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Seu Jorge, Marisa Monte, Madonna, Eric Clapton, Paul McCartney e Rolling Stones. Teatro: Paulo Autran, Marília Pera, Bibi Ferreira, Antônio Fagundes, Marco Nanini, Suzana Vieira...
Jéssica Barcellos
Graduada (2010) em Jornalismo na Pucrs, Jéssica tem também MBA em Branding - Construção e Gestão de Marcas pela ESPM. Cursou paralelamente Letras na Ufrgs, desistindo ao final de dois anos. Foi Michel Flores, colega do curso de Letras, que trabalhava na produtora Opus, quem, em um dia de 2011, disse a ela haver lá uma vaga para estagiária. Fechou todas, pois Jéssica já pensava em atuar na área da cultura. Conta: "Fiquei trabalhando na Opus por dois anos, até 2013. Lá conheci a Cátia Tedesco, a Andressa Griffante e a Mauren Favero. Em 2014 saí para fazer estágio na FM Cultura. Nesse meio tempo, Cátia e Andressa abriram a Agência Cigana, e depois me convidaram para trabalhar lá".
Em 2018, recém-casada, decidiu seguir na área criando sua empresa, Jéssica Barcellos Comunicação. O primeiro cliente de peso foi logo o ativíssimo e múltiplo Instituto Ling, onde segue até hoje. Curador musical do Ling, o experiente produtor e empresário Carlos Branco (também do POA Jazz e outros sete festivais no RS e SC) abriu várias portas para ela. "Aí comecei a fazer minha própria cartela de clientes", resume. Em 2021, com a pandemia da Covid reduzindo a quase zero a movimentação cultural, Jéssica trabalhou como produtora na RBS TV, voltando a mil na retomada. Além do Ling, estão em sua cartela, entre outros, o consagrado Porto Verão Alegre e a não menos reconhecida Noite dos Museus.
Também assessora a Bell'Anima Produções Artísticas (liderada pelo compositor e violinista Vagner Cunha), o Centro Cultural 25 de Julho, a Orquestra Theatro São Pedro, a Orquestra Jovem Recanto Maestro, a Maia Entretenimento, a produtora T4F... Jéssica considera que 2025 foi o ano mais importante de sua carreira. Além dos espaços e clientes citados, divulgou, por exemplo, a inauguração do Teatro Simões Lopes Neto ("Marcou a conclusão das obras do Multipalco Eva Sopher e me marcou muito, tanto pelos desafios como pela importância"); a programação dos 35 anos da Casa de Cultura Mario Quintana; a turnê Phonica, de Marisa Monte; os festivais Chisme, Turá e Distrito Jazz...
Raphaela Donaduce Flores
Raphaela formou-se em Jornalismo na Ulbra, em 2009. Mas antes já se testava, fazendo estágio no jornal O Sul e depois prestando assessoria ao Grupo RBS e à Rede La Salle. Já pensando em trabalhar com cultura, fez cursos de gestão cultural e comunicação empresarial, e tem MBA em Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular. "Quando saí da RBS, em 2010, passei um tempo coordenando a assessoria de imprensa da Ospa e fazendo 'frilas' para grupos musicais - já tinha muitos amigos na música. Para dar notas fiscais a esses 'frilas', em 2011 abri a Dona Flor Comunicação, pois já estava decidida a trabalhar nessa área, unindo as duas coisas de que mais gosto, cultura e jornalismo."
Rapha (como todos a conhecem) trabalha junto a produtores culturais, artistas, grupos musicais e de teatro, literatura, dança e fotografia. Atualmente faz assessoria de imprensa para a Orquestra de Câmara da Ulbra, coordena a equipe de comunicação do Espaço Multicultural Grezz (que apresenta dezenas de artistas locais, nacionais e internacionais) e é diretora de comunicação do Festival Kino Beat. Também atende a SimJazz Orquestra (do maestro Edu Martins), a Del Puerto - Companhia de Flamenco, o projeto musical Brasil Interior (no Teatro Sinduscon-RS), o Instituto Cultural Remanso (artes visuais). Já divulgou o Festival de Choro da Serra Gaúcha (em São Francisco de Paula).
Ainda no foco da Dona Flor estão projetos sociais como o Ouviravida, do maestro Tiago Flores, que oferece música para crianças na Vila Pinto (bairro Bom Jesus), e o Justa Trama, de mulheres costureiras do bairro Sarandi, que utilizam resíduos têxteis na produção de roupas e são referência no Brasil em economia solidária. Entre tantas coisas, no momento Raphaela trabalha no projeto de restauro do Teatro Bruno Kiefer, da CCMQ, fechado desde fevereiro de 2025 e que deverá reabrir entre abril e maio, e se prepara para o 10º POA Jazz Festival, programado para junho/julho. Mais: é graduanda no curso de Escrita Criativa, na Escola de Humanidades da Pucrs.
Roberta Amaral
Roberta ingressou na Pucrs para cursar Letras, mas em 1994 trocou para Jornalismo. No ano seguinte estava no Gabinete de Imprensa do Palácio Piratini (governo Antônio Brito). Começou fazendo rádio-escuta, e diz que ali teve suas primeiras aulas de assessoria de imprensa. Só concluiria a faculdade em 2001, com interrupções devido ao nascimento das duas filhas. Depois trabalhou na Assembleia Legislativa de 2000 a 2009, e em 2015 chegou à Coordenadoria de Comunicação da Secretaria da Cultura, com o secretário Victor Hugo, passando em 2018 à Casa de Cultura Mario Quintana, onde ficou até 2019. Estes últimos quatro anos foram de convivência direta com o ambiente cultural da cidade.
"Na CCMQ vi que havia um nicho para a divulgação dos artistas locais, gente da dança, do circo, da música, pequenos grupos de teatro, mas muitos deles não tinham como pagar por isso", conta. "Conheci muita gente boa e comecei a ajudar na divulgação da maneira que podia. Ainda em 2018, divulguei a ópera-rock de Luiz Coronel sobre a Revolução Farroupilha, apresentada na Orla do Guaíba, e para ser paga tive que criar uma empresa, a Projeção Cultural. Isso me abriu outras portas, gostei cada vez mais da atividade e fui crescendo, conhecendo mais gente, fazendo relacionamentos. Em 2019, fui convidada para assumir a Coordenação de Comunicação da Fundação Iberê Camargo, onde estou até hoje."
Entre os grupos clássicos, Roberta divulga a Cia.de Ópera do Rio Grande do Sul e a Anima Cia. de Danças (de Eva Schul). Na música, já promoveu/promove Charles Master, Marcelo Corsetti, a volta da banda de rock TNT na comemoração dos 40 anos (um dos integrantes era/é o maridão João Maldonado, hoje também pianista de jazz). Outro de seus clientes fixos é o Espaço 373, uma das melhores casas noturnas de Porto Alegre, que tem apresentado grandes nomes da música gaúcha e atrações nacionais de Adriana Deffenti a Bianca Gismonti, de Luciano Leães a Roberto Menescal, do Trio Corrente à banda Tum Toin Foin. "Mas também gosto muito de trabalhar com artistas novos, dando a eles a oportunidade de ficarem conhecidos."
Silvia Abreu
É difícil precisar quando exatamente começa a carreira de Sílvia na área cultural. Para ela, são mais de 30 anos de atividade, reconhecida por vários prêmios. "Comecei divulgando as coisas que eu fazia, como uma série de oficinas com diretores teatrais no Museu do Trabalho. Um de meus primeiros trabalhos profissionais foi divulgar o músico Pery Souza, e aí eu já sabia como me comportar com os veículos". Mas voltemos: nascida em Taquari, a adolescência vivida em Lajeado, Sílvia chegou a Porto Alegre em 1986, para estudar. Leitora voraz, desde adolescente já sonhava ser escritora. Seus primeiros textos foram publicados no jornal O Informativo do Vale, de Lajeado, chamando a atenção do editor, que a convidou para ser repórter.
Na Unisinos, onde se formaria em Jornalismo (1997), atuou no grupo de teatro da universidade - e o palco tornou-se outra de suas paixões. Começou a ver também como se fazia produção. Mas demorou dez anos para se formar: tinha que parar de tempos em tempos, até juntar dinheiro para pagar a faculdade e retornar. O departamento comercial de Zero Hora foi seu primeiro emprego. Depois abriu um restaurante de comida natural e, já formada, trabalhou no Jornal NH e no Correio do Povo. E chegamos a 2002, quando passa a assessorar a secretária da Cultura da Capital Margarete Moraes. Findo esse último emprego, o rumo é dedicação integral a sua empresa, SM Abreu Comunicação e Gestão Cultural, criada dez anos antes.
Com sua polivalência (teatro, dança, circo, música, artes visuais, literatura), Sílvia se particulariza pelo foco em questões identitárias, como a comunidade negra. "Já lá no início eu mostrava preocupação com meu pertencimento racial. O primeiro texto era sobre um homem negro, figura conhecida na cidade, que vivia sozinho e um dia apareceu morto. Nesse segmento atuei, por exemplo, na implantação da Frente Negra Gaúcha". Entre os tantos grupos e artistas que divulgou/produziu estão Face&Carretos e Caixa Preta, os atores Lázaro Ramos e Thaís Araújo, os diretores Luciano Alabarse e Camilo de Lelis, as cantoras-compositoras Zilah Machado, Glau Barros, Pâmela Amaro e Dessa Ferreira e a escritora Eliane Marques.
* Juarez Fonseca é jornalista cultural há 50 anos. Autor dos livros Gildo de Freitas, o Rei dos Trovadores; Ora Bolas – O humor de Mario Quintana; e Aquarela Brasileira (volumes 1 e 2)







