sexta-feira, 31 de julho de 2026

31 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Cabeça de porongo

Existe uma expressão muito nossa: "me virei o mate!". É o equivalente ervateiro ao "me caiu os butiás do bolso". Trata-se de raiva, mortificação e espanto.

Não há quem não tenha exclamado a frase diante de uma trapalhada generalizada com a bebida típica. Você está chimarreando na maior tranquilidade e, de repente, tropica na cuia cheia, perturbando o seu momento de paz.

Pode se queimar. Pode emporcalhar seriamente o ambiente.

Quem nunca fez lambança? Quem nunca se desequilibrou? Maculou o sofá, que assumiu uma coloração vintage esverdeada? Entupiu o teclado, espalhou os grãos pelo estofado do carro, sujou o uniforme no meio do serviço sem a possibilidade de trocá-lo imediatamente, transformou cachorros e gatos em miniaturas do Incrível Hulk?

Derrubar um chimarrão é um pequeno luto. Perde-se o rumo da conversa, do trabalho, das ideias. É como interromper um devaneio ou um raciocínio que jamais será recuperado. Nem tanto pelo desperdício do material, ou do tempo de preparo, mas por ferir o orgulho. Você se irrita consigo mesmo, xinga a sua patetice, porque sempre acontece em câmera lenta, parecendo que teria como evitar o acidente. Você termina nocauteando a sua serenidade. É uma apneia que antecede o ronco final.

Difícil explicar o constrangimento para os que não são daqui. Atinge a nossa condição de gaúcho, o nosso sentimento perfeccionista com os rituais.

É mais ofensivo ao nosso espírito do que espatifar um prato de comida recém-servido no chão, do que derramar a xícara de café em cima de documentos, do que quebrar um copo, do que ver o sorvete despencar do cone na primeira lambida, do que fechar a aba de um texto longo sem salvá-lo.

Enquanto a térmica é silenciosa, segura e discreta, o porongo, que depende de um suporte para se firmar na mesa, costuma ser bagunceiro e anárquico. Uma página nas redes sociais, @matesderrubados, administrada por um casal da região metropolitana de Porto Alegre, aproveitou o nosso peculiar pânico e vem obtendo acolhida calorosa com as videocassetadas de seus seguidores.

Os criadores, que preferem manter o anonimato, contam que a iniciativa surgiu com um objetivo simples: rir dos tradicionais desastres domésticos. Inclusive, os vizinhos argentinos e uruguaios se sentiram entusiasmados em participar da gincana.

Eu coleciono livros manchados de erva. Receberam um banho da minha afoiteza.

Além do histórico de vexames na cama, estragos no tapete persa da mãe e no computador, minha grande façanha foi no Grêmio Náutico União. Inventei de dar uns goles no chimarrão na borda da piscina, jurando que era um drinque, mas ele escorregou de minhas mãos absolutamente molhadas, interditando o lugar e acabando com a calmaria etérea dos banhistas. Observou-se uma cena cinematográfica: o mate boiando, aprendendo a nadar.

Talvez seja por isso que ninguém goste de lavar a cuia, retirar o montinho antes de empedrar, cavoucar o recipiente com extrema atenção. Bate o medo de errar a pontaria do lixo e conspurcar a cozinha. Pior não é morrer com a cuia na mão, mas deixar a cuia morta para algum familiar limpar. É o cúmulo do descaramento e do egoísmo. 

CARPINEJAR

31 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Não é normal

Numa única semana: tornado, enchentes em vários rios, temporais com granizo. Tudo isso ainda no começo de um El Niño que, segundo as projeções, poderá estar entre os mais intensos já registrados.

Depois de uma sequência de dias assim, o que esperar? E nem estou falando do "futuro", de algo distante, reservado para as próximas gerações. As mudanças climáticas deixaram de ser um alerta para se tornar uma realidade que já provoca transformações profundas e impactos cada vez mais graves no planeta. A questão agora não é mais discutir se elas existem. A questão é como vamos nos adaptar a elas e a essa nova configuração do clima, mais instável, mais imprevisível e mais propensa a eventos extremos.

Logo após a enchente de 2024, um termo muito usado no período pós-pandemia voltou a circular com força: o novo normal. A expressão passou a ser repetida quase como um sinônimo de resignação, como uma forma de dizer que, daqui para a frente, as coisas serão assim mesmo.

Mas é preciso separar algumas coisas.

As mudanças no clima são reais. Seus efeitos já estão entre nós e dificilmente poderão ser revertidos completamente. Também é possível que os próximos meses tragam novos episódios de chuva intensa, vendavais e inundações. Ignorar essa realidade seria um erro.

Outra coisa, porém, é a sensação de insegurança, de despreparo, de desamparo e de impotência que muitos gaúchos ainda carregam desde a tragédia do ano passado. Isso não pode ser tratado como parte inevitável do novo cenário climático. Isso não pode ser o novo normal.

Há alguns dias estive em um colégio do bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, participando de um painel sobre o pós-enchente promovido por um grupo de pesquisadores. Durante minha participação, fiz uma pergunta ao auditório. Questionei o que fariam se, naquele exato momento, surgisse um alerta informando que o bairro voltaria a inundar. Para onde iriam? Quem procurariam? Onde buscariam abrigo ou ajuda?

O silêncio foi a resposta.

Ninguém soube dizer exatamente o que faria.

As obras estruturais de proteção são complexas, exigem recursos, planejamento e tempo. Todos conhecemos o ritmo estranho da burocracia e sabemos que soluções desse porte não aparecem da noite para o dia. Mas os planos de contingência, aqueles que orientam a população sobre como agir diante de uma emergência, já deveriam ser amplamente conhecidos pelas comunidades mais vulneráveis.

Não temos controle sobre a chuva, sobre os rios ou sobre a intensidade do próximo temporal. Mas temos responsabilidade sobre a forma como nos preparamos para eles. Se os eventos extremos tendem a fazer parte da rotina, a falta de informação e a ausência de respostas não podem fazer. Talvez o novo normal seja conviver com um clima mais difícil. O que não pode ser normal é ainda não saber o que fazer quando o próximo alerta tocar. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

31 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Ajuste fiscal é tema incontornável

Com a dívida pública do país no maior nível dos últimos cinco anos e subindo, é inadiável implementar um ajuste fiscal robusto a partir de 2027 para conter a trajetória insustentável dos gastos. Será inescapável para o futuro governo, seja ele de Luiz Inácio Lula da Silva, em um novo mandato, seja de qualquer outro nome da oposição.

Causa preocupação que o tema, até agora, tenha sido abordado somente de forma superficial, mesmo pelos candidatos que querem desalojar o petista do Planalto. Aguarda-se que, nas próximas semanas, com o início oficial da campanha, as propostas para o controle das contas surjam e sejam consistentes e críveis. Caso contrário, as empresas e as famílias brasileiras continuarão a padecer com um juro sufocante que só produz endividamento e inadimplência. O Banco Central (BC) acabará forçado a manter a Selic em patamar elevado para segurar a inflação.

Os números atestam a situação delicada. Em junho, a dívida pública federal cresceu 2,6% ante maio, em torno de R$ 240 bilhões, e chegou a R$ 9,27 trilhões. O indicador demonstra o endividamento do Tesouro para financiar o déficit do governo. Em maio, conforme o BC, a dívida bruta do governo geral - que também inclui Estados e municípios - avançou para 81,1% do PIB, nível elevado para um emergente e avanço de 0,9 ponto percentual sobre o mês anterior. Em janeiro, estava em 78,7%. O Tesouro projeta que a trajetória de alta seguirá até 2029, quando atingiria 87,9%.

O arcabouço fiscal adotado pelo governo Lula carece de credibilidade. Para respeitá-lo formalmente, o Planalto optou por excluir uma série de gastos do cálculo. Um autoengano. Na vida real, os gastos seguem em alta. Apenas o pacote de bondades eleitorais prevê R$ 190 bilhões. Desse total, R$ 118 bilhões ficaram fora do teto da regra, conforme cálculos do economista Marcos Mendes, um dos maiores especialistas em contas públicas do país.

Noticia-se que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou interlocutores de grandes bancos para sinalizar que, em um eventual novo governo, o limite de crescimento dos gastos da inflação não seria mais de 2,5%, mas entre 1,5% e 2%. É insuficiente para o tamanho do desafio, potencializado pelo crescimento das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e programas sociais, indexados ao aumento do salário mínimo, e em meio a um orçamento cada ano mais engessado. E nem sequer é um compromisso de campanha.

Na oposição, o candidato mais bem posicionado nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, fala em "tesouraço" nos gastos, mas até aqui é bastante genérico em suas ideias. A economista Daniella Marques, coordenadora de propostas do senador do PL para a área, cita redução de despesas e controle da dívida, porém tampouco exibe detalhes. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) também vão na linha da responsabilidade fiscal, mas têm propostas ainda abstratas ou politicamente de difícil implementação.

Não se espera que, pela pouca popularidade do tema, os candidatos propagandeiem como cortarão gastos, em especial os sociais. Mas a sustentabilidade das contas públicas é um tema incontornável e os postulantes à Presidência têm o dever de ser transparentes com os eleitores. _

Opinião do leitor

leitor@zerohora.com.br - Instagram e X @gzhdigital - facebook.com/gzhdigital - Opiniões, fotos ou histórias de leitores devem ser endereçadas à seção Leitor com nome, profissão, endereço e telefone. Os textos devem ter, no máximo, 700 caracteres. ZH reserva-se o direito de selecioná-los e resumi-los para publicação.

Almanaque Gaúcho

Com "Memórias do Renner" (ZH, 28/7), voltei ao passado. E como amei fazer parte desta emoção. Trabalhar no Renner foi muito gratificante. O Sr. A. J. Renner foi uma pessoa boníssima. Grêmio Esportivo Renner, foi sensacional acompanhar tudo de perto. Muito obrigada, Leandro Staudt, por esta lembrança encantadora. _

Maria Lurdes Derenji - Aposentada - Imbé

Alagamentos

Li a matéria do dia 28/7 em GZH em que o diretor-presidente do Dmae diz que os alagamentos em Porto Alegre serão resolvidos até 2031. Sr. diretor, estamos em 2026. É uma vergonha ver esse prazo. Estamos na era da maior tecnologia até então vivida. Aos moradores de Porto Alegre e visitantes, sugiro comprar botas novas, pois serão muito necessárias. _

Luiz Anselmo Colling - Consultor de empresas - Porto Alegre

Erros em série

A trama de Eduardo contra o Brasil nos EUA: primeiro tarifaço sobre nossas exportações. O encontro do pré-candidato Flávio com Trump na Casa Branca: segundo tarifaço. A "Carta aos brasileiros", escrita por Jair e divulgada nas redes sociais: Flávio alvo de investigação por propaganda antecipada. O dinheiro sujo tomado por Flávio de Daniel Vorcaro (Master): R$ 61 milhões, supostamente para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente. O "fogo amigo" de Michelle. As suspeitas levantadas por Flávio (a exemplo do pai, declarado inelegível), em fala a embaixadores estrangeiros, sobre o processo eleitoral. A série de erros e tiros no pé dos Bolsonaro só facilita a reeleição de Lula! _

Clovis José Formolo - Aposentado - Porto Alegre

Fundo do poço

Quando o advogado de uma agremiação usa áudio falso (conversa de site que faz paródia entre a comunicação do árbitro e a equipe do VAR) para defesa de um jogador, como fez o advogado do Internacional no caso do jogador Victor Gabriel, não é só no campo que as coisas estão ruins. Fora do campo está pior ainda. _

Vital Romaneli Penha - Aposentado - Jacareí (SP)

Feminicídios

A imprensa divulga que o Rio Grande do Sul tem 46 feminicídios neste ano até agora. A Lei Maria da Penha parecia ser uma luz no fim do túnel, mas até o momento o que se vê é a complacência de alguns delegados e juízes, que ainda não compreenderam a gravidade desses crimes. As vidas das mulheres parecem valer pouco. Muito triste isso. _

Lauro Becker

Empresário - Porto Alegre

OPINIÃO RBS

31 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Pesquisa para o governo do RS mostra Juliana com 24% e Zucco com 22%

Eleições 2026

Novo levantamento da Quaest reforça um cenário de indefinição no Estado. Além do equilíbrio entre os dois primeiros colocados na consulta estimulada, a versão espontânea revela que 83% dos entrevistados ainda não citaram um nome. O índice sugere que a disputa permanece amplamente aberta

Pesquisa Quaest divulgada ontem mostra Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) tecnicamente empatados na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul nas eleições de outubro, já que a margem de erro é de três pontos percentuais.

Esta é a segunda pesquisa da Quaest com os postulantes ao Palácio Piratini em 2026. O levantamento anterior foi divulgado em abril e também apontava para empate técnico.

Na sondagem estimulada, Juliana Brizola aparece com 24%, seguida de Luciano Zucco, com 22%. Mais atrás estão Gabriel Souza (MDB), com 6%, Marcelo Maranata (PSDB), com 3%, e Cesar Pontes (PCO) e Rejane Oliveira (PSTU), ambos com 1%. Afirmam estar indecisas 31% das pessoas ouvidas, enquanto 12% dizem que vão votar em branco ou nulo ou não votar.

Já na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Zucco está à frente, seguido de Juliana Brizola e Gabriel Souza. A grande maioria (83%) revelou estar indecisa.

Mudança

Quando questionados se a escolha de voto para governador é definitiva, 34% dos entrevistados afirmaram que sim, enquanto 62% disseram que podem mudar a escolha caso algo aconteça. Outros 4% não souberam ou não responderam.

Também foram realizadas três simulações de segundo turno. Em duas, Juliana Brizola vence Zucco e Gabriel Souza, enquanto em outra, Zucco derrota Gabriel Souza.

Presidência

A pesquisa também mostra como está a disputa para presidente entre os gaúchos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 32%, contra 30% de Lula (PT) - ambos tecnicamente empatados, na margem de erro de três pontos percentuais.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de julho. O nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é RS-04790/2026. _

Segundo turno para o Piratini

A Quaest fez também três simulações da segunda etapa do pleito para o governo do Estado.

Cenário 1

Juliana x Zucco

Juliana Brizola: 35%

Luciano Zucco: 31%

Indecisos: 21%

Branco/nulo/não vai votar: 13%

Cenário 2

Juliana x Gabriel

Juliana Brizola: 35%

Gabriel Souza: 20%

Indecisos: 26%

Branco/nulo/não vai votar: 19%

Cenário 3

Zucco x Gabriel

Luciano Zucco: 32%

Gabriel Souza: 20%

Indecisos: 28%

Branco/nulo/não vai votar: 20%

Segundo turno para o Planalto

Quatro simulações feitas entre os eleitores gaúchos

Cenário 1

Lula x Flávio

Flávio Bolsonaro (PL): 40%

Lula (PT): 35%

Indecisos: 11%

Branco/nulo/não vai votar: 14%

Cenário 2

Lula x Caiado

Lula (PT): 33%

Ronaldo Caiado (PSD): 32%

Indecisos: 13%

Branco/nulo/não vai votar: 22%

Cenário 3

Lula x Renan

Lula (PT): 34%

Renan Santos (Missão): 25%

Indecisos: 14%

Branco/nulo/não vai votar: 27%

Cenário 4

Lula x Zema

Lula (PT): 35%

Romeu Zema (Novo): 29%

Indecisos: 13%

Branco/nulo/não vai votar: 23%

31 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Juliana e Zucco arrancam em vantagem na campanha

Os números da pesquisa Quaest divulgada ontem trazem boas e más notícias para os candidatos Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), que estão à frente, tecnicamente empatados, com 24% e 22%, respectivamente, no primeiro turno. No segundo, Juliana tem 35% e Zucco, 31%. Essas são as boas notícias. As más: os dois são também os mais rejeitados e 62% dos entrevistados dizem que sua opção não é definitiva.

Candidato do governo, Gabriel Souza (MDB) tem somente 6% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com Marcelo Maranata (PSDB), que tem 3%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Uma das tabelas que os candidatos precisam prestar atenção é a que mostra conhecimento, potencial de voto e rejeição. Na resposta a essa pergunta, 33% disseram que conhecem Juliana e votariam nela, 34% não conhecem e 33% a rejeitam. Em relação a Zucco, 25% responderam que conhecem e votariam ele, 55% não conhecem e 20% o rejeitam.

O que mais impressiona é que 73% disseram não conhecer Gabriel Souza, mesmo ele sendo vice-governador desde 2023. Por ser menos conhecido, sua rejeição também é menor - apenas 15% disseram que conhecem Gabriel e não votariam nele. Maranata é desconhecido de 86% dos eleitores e rejeitado por 10%.

Além do baixo índice de intenção de voto, Gabriel tem outro problema: 51% acham que Eduardo Leite não merece eleger o sucessor, contra 38% que responderam sim. A favor do vice-governador há outro número que é o da aprovação do governo Leite, que é de 48%, o que poderá favorecê-lo se Leite se engajar na campanha e deixar claro que ele é o candidato que representa o governo. Os que reprovam o governo Leite somam 42%.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de julho. O nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é RS-04790/2026. _

Cenário de disputa acirrada no Senado

Com duas cadeiras em disputa, a eleição para o Senado é sempre um desafio para os institutos de pesquisa. Na pesquisa da Genial/Quaest divulgada ontem, Manuela D?Ávila (PSOL) mantém o primeiro lugar do levantamento anterior, liderando tanto no primeiro quanto no segundo voto. Manuela é a primeira opção de 15% dos eleitores e a segunda de 9%. Se dividir por dois para chegar a 100%, a candidata do PSOL tem 12%, mas esse número não é o mais relevante.

O ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) têm números semelhantes entre si. Rigotto é o primeiro de 11% dos eleitores e o segundo de 7%. Pimenta é o primeiro de 10% e o segundo de 7%. Marcel van Hattem (Novo) tem 12% na primeira opção, mas só 3% na segunda. Por isso, numericamente, está atrás dos demais concorrentes. Seu companheiro de chapa, Ubiratan Sanderson (PL), tem 6% na primeira opção e 7% na segunda. Os demais ficam entre zero e 1%.

O que torna o cenário para o Senado ainda mais incerto é o fato de que 62% dos entrevistados responderam que sua opção não é definitiva. Van Hattem e Sanderson têm um eleitorado mais firme: 64% disseram que sua opção é definitiva. O terceiro com voto mais consolidado é Pimenta, com 56% dos seus eleitores dizendo que sua opção é definitiva. Depois, Manuela, com 47%, e Rigotto, com 35%. _

Conhecidos (ou não)

rosane.oliveira@zerohora.com.br

No quesito conhecimento, potencial de voto e rejeição, vários dados chamam a atenção.

Manuela é a primeira em tudo: líder no quesito "conhece e votaria" (28%), menor índice de desconhecimento (28%), mas também a maior rejeição (42%).

Mesmo tendo sido governador de 2003 a 2006, Rigotto é desconhecido de 39% dos eleitores e rejeitado por 35%.

Deputado federal e ex-ministro, Pimenta é desconhecido de 41% e rejeitado por 38%.

Também deputado federal, Van Hattem é desconhecido de 67% e rejeitado por 14%.

Ainda mais desconhecido é Sanderson (71%).

Rigotto e Frederico definem suplentes

Às vésperas das convenções, Germano Rigotto (MDB) definiu que o ex-vice-governador José Paulo Cairoli e o jornalista Antonio Hohlfeldt, ex-presidente da Fundação Theatro São Pedro, serão seus suplentes na disputa pelo Senado.

Frederico Antunes (PSD) também definiu sua primeira suplente, a ex-vice-prefeita de Caxias do Sul, Paula Ioris. _

Agenda adocicada de Zucco e Gabriel na Fenadoce

Foi uma tarde adocicada para Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL), adversários na disputa pelo Palácio Piratini. Os dois estiveram em Pelotas ontem para prestigiar os últimos dias da Fenadoce, cuja programação encerra no domingo.

Pela manhã, Gabriel palestrou em reunião-almoço promovida pela Câmara de Comércio de Rio Grande. Aos empresários, o vice-governador falou sobre o presente e o futuro do Estado, e apresentou ações para desenvolver a Metade Sul, com destaque para matriz energética, ensino técnico e soluções para enfrentar a crise climática.

No caminho de volta à Capital, aproveitou para uma parada em Pelotas, onde visitou os estandes da Fenadoce, acompanhado de Frederico Antunes e Paula Mascarenhas. Fã de quindim, Gabriel não resistiu a um desafio feito pela dupla e provou três unidades do doce que é símbolo da feira.

Zucco foi mais cedo à feira, e por isso os adversários não se encontraram no centro de eventos. Acompanhado da vice, Silvana Covatti (PP), da esposa Joyce e políticos aliados, o candidato a governador do PL visitou os expositores e conversou com a população. Após receber relatos de abandono da Metade Sul, Zucco defendeu a criação do fundo constitucional para os Estados do Sul para ampliar os investimentos na região. Além disso, colocou entre suas prioridades garantir a conclusão das duplicações da BR-116 e da BR-392.

Nos estandes, Zucco provou um picolé de butiá e acompanhou o processo de fermentação para preparação de figo cristalizado. Aproveitou também para comprar doces para a filha Antônia, de oito anos. _

Valdemar intervém para apagar incêndio no PL

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, entrou em cena para tentar acalmar os ânimos nos bastidores da direita gaúcha e frear o racha que estava sendo ensaiado. Em carta endereçada ao diretório estadual, Valdemar comunica que os candidatos do partido estão "autorizados a realizar dobradas com candidatos dos partidos aliados".

Nos últimos dias, aviso do presidente estadual, Giovani Cherini, em tom de ameaça aos filiados do PL e candidatos que fizerem campanha para concorrentes de outros partidos não foi bem recebido por aliados de outras legendas. O alerta de Cherini aos filiados segue uma resolução do PL, de abril de 2026, assinada pelo próprio Valdemar. No documento, o presidente nacional proíbe a participação do partido em coligações com partidos de esquerda nas eleições deste ano.

Luciano Zucco, candidato do PL a governador, fez questão de espalhar o documento de Valdemar, em razão do temor de que os atritos poderiam impactar sua campanha. 

POLÍTICA E PODER

31 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

Guia para enfrentar o El Niño

Com o Brasil e o mundo à beira de enfrentar mais um fenômeno climático, a Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos. A publicação reúne orientações para que prefeituras, secretarias e equipes técnicas organizem a prevenção, a resposta emergencial e a recuperação dos territórios atingidos.

Elaborado pela entidade, o guia apresenta procedimentos para diferentes setores da administração pública e ações que devem ser coordenadas pelos órgãos públicos em casos de episódios climáticos.

- O objetivo é preparar os municípios para a gestão dos desastres, colaborando com sugestões como o papel do gabinete de crise, da procuradoria do município, os marcos legais que precisam ser formulados, recomendações de saúde diante de desastres, assistência social, política de educação, mobilidade urbana, meio ambiente e sustentabilidade - explicou o vice-presidente de Cidades Resilientes da ABM e prefeito de São Lourenço do Sul, Zelmute Marten.

O guia organiza a atuação municipal em todas as etapas de um evento extremo: prevenção e preparação, enfrentamento e pós-desastre.

A primeira etapa - de prevenção - envolve atividades antecipadas para evitar danos, como diretrizes de adaptação, mitigação climática, elaboração de planos de contingência e realização de diagnóstico situacional das áreas e populações vulneráveis.

O enfrentamento foca na resposta emergencial imediata (primeiras 24h a 72h). Inclui a ativação do Gabinete de Crise, declaração de calamidade pública, resgates e fornecimento de assistência humanitária para proteger vidas.

A última etapa é o pós-desastre, que contempla medidas emergenciais e de longo prazo para restabelecer a normalidade. Abrange a avaliação de danos, solicitação de recursos financeiros, limpeza urbana e a reconstrução de infraestruturas de forma mais segura e resiliente.

- São checklists de iniciativas práticas que estamos sugerindo aos prefeitos a ponto de não retorno da crise climática, para que possam desenhar estratégias com as suas comunidades e gestão diante do El Niño e de outros eventos - ressaltou Marten. _

Migração em massa e a nado

Entre os fatores apontados para a alta do fluxo está a postura do governo da Espanha, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, vista como favorável à imigração. No início deste ano, o executivo lançou um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes sem documentos, o que gerou um aumento na procura e nas expectativas de regularização.

Além disso, uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha proibiu a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam nadar até as cidades autônomas de Ceuta e Melilla. Dados locais apontam que, na última semana, mais de 1,5 mil imigrantes já haviam chegado a Ceuta.

Cidade autônoma da Espanha, Ceuta fica situada no continente africano, na margem sul do Estreito de Gibraltar. Juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. _

Retorno às origens

Após mais de 30 anos vivendo no Brasil, o ativista social Januário Gonçalves se prepara para reencontrar suas raízes. Radicado na Capital, o angolano foi presenteado com uma viagem ao seu país de origem, promovida pela agência gaúcha TripTravel.

A relação entre o líder comunitário e a empresa começou em 2020, durante a pandemia de coronavírus. Na época, o CEO da TripTravel, Beto Conte, e um grupo de parceiros atuavam no apoio a imigrantes haitianos e angolanos em Porto Alegre.

Com um dos destinos da agência definido para a África, a equipe decidiu presentear o ativista com a experiência. No dia 5 de agosto, Gonçalves embarca ao lado de Conte e de um grupo de passageiros para o Grand Tour Angola.

A viagem permitirá o reencontro de Gonçalves com a mãe, de 84 anos, que vive em Luanda:

- Hoje me considero um "angoúcho". Sobre a expectativa de voltar para Angola, estou sem palavras. A principal emoção é reencontrar minha mãe depois de tanto tempo - afirma. _

Entrevista

Gustavo Feliciano

Ministro do Turismo

"O RS já possui atividade consolidada. O desafio é tornar competitiva"

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, esteve no Vale do Taquari nesta semana para coordenar uma ação de atendimento técnico sobre o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). Confira trechos da entrevista.

O turismo brasileiro vive recordes. Como o RS pode aproveitar esse cenário?

Em 2025, o Brasil alcançou o patamar de 9,2 milhões de turistas estrangeiros, o maior da história. De janeiro a junho deste ano, o país já recebeu 5,2 milhões. E o RS tem todas as condições de ampliar sua participação nesse cenário. O Estado reúne uma oferta turística diversificada. O Ministério do Turismo publicou recentemente um edital para contratação de empresa especializada na elaboração de diagnósticos e planos de ação voltados ao turismo em regiões de fronteira, e o RS foi um dos contemplados.

Vila Flores, na Serra, está entre os destinos brasileiros finalistas da edição 2026 do prêmio "Melhores Vilas Turísticas", da ONU Turismo. Qual é a importância desse reconhecimento?

Extremamente importante. Primeiro, porque coloca Vila Flores entre os sete destinos brasileiros selecionados pelo Ministério para representar o país nesta iniciativa da ONU Turismo. Agora, o município concorre com 261 localidades de todo o mundo, mostrando que o turismo brasileiro vai muito além dos grandes centros.

No RS, o Fungetur destinou mais de R$ 737 milhões. Quanto e para quais regiões esse recurso foi destinado?

Esse crédito chegou a diferentes regiões do Estado e aos mais diversos segmentos do turismo. Foram destinados a restaurantes, cafeterias, bares e similares, com R$ 151,6 milhões, seguido de meios de hospedagem, com R$ 135,6 milhões. Outro dado importante é que o crédito chegou principalmente às empresas que movimentam economias locais. A maior parte foi para pequenas e médias empresas. Cerca de 80% desse valor foi destinado para capital de giro, dando fôlego financeiro aos empreendedores.

Atualmente, o ministério mantém 156 obras ativas no RS. Quais os principais gargalos?

O RS já possui uma atividade turística muito consolidada. O desafio agora é tornar essa estrutura cada vez mais competitiva, melhorando a infraestrutura, qualificando os destinos e ampliando a permanência dos visitantes. Esses investimentos contemplam obras de urbanização, revitalização de espaços públicos, parques, orlas, centros de eventos, acessibilidade, sinalização turística e equipamentos de apoio aos visitantes.

Como o ministério pode atuar na assistência aos afetados pelas novas chuvas no RS?

O governo federal acompanha a situação. Equipes da Defesa Civil Nacional permanecem mobilizadas, monitorando as condições meteorológicas e hidrológicas, analisando os pedidos de reconhecimento federal de situação de emergência e apoiando os municípios na elaboração dos planos de trabalho para solicitar recursos da União. 

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 30 de julho de 2026

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30 de Julho de 2026
ROGER LERINA

A odisseia perpétua

Entre muitas outras coisas, a Odisseia é uma reflexão sobre movimento e inércia. O retorno de Odisseu - ou Ulisses, na versão em latim -, jornada que durou 10 anos, é precedido pela Guerra de Troia, que também consumiu uma década. Vinte anos de epopeias em que o mar é testemunha, algoz e poucas vezes protetor dos heróis gregos. Durante uma dezena de anos, nos quais cerca de 50 dos últimos dias são narrados por Homero na Ilíada, os guerreiros da Grécia permaneceram ancorados na praia defronte a Troia, combatendo de dia e retornando aos acampamentos junto aos barcos ao final das refregas. 

Conquistada a cidade oriental e recuperada Helena, é hora de voltar para casa pelo oceano, mas os deuses - e particularmente Poseidon, senhor dos mares - não facilitam a vida dos viajantes, obrigando Ulisses a navegar e naufragar por mais 10 anos antes de enfim dar nas costas de sua Ítaca natal, em uma viagem alternada entre deslocamentos e pausas.

Partir e regressar é um dos motes não apenas dos poemas homéricos - e da superprodução dirigida por Christopher Nolan em cartaz -, mas também do curso da civilização através dos tempos. Apostamos nosso destino na alternância pendular entre ação e repouso, ora lançando velas rumo ao ignoto, ora fincando raízes no familiar - em uma ou outra situação, sempre especulando se não seria melhor termos abraçado a opção relegada. O mar une e afasta, acolhe e castiga na Ilíada e na Odisseia, representando tanto a permanência quanto a instabilidade.

Essa ambiguidade fascinante está na essência também de André Severo - A onda de Gustave Courbet, exposição em exibição no MARGS. O artista visual gaúcho identificou quase uma centena de telas com ondas realizadas pelo pintor francês entre as décadas de 1860 e 1870 e recriou-as em grandes dimensões. Colocadas lado a lado, essas enormes pinturas congelam paradoxalmente o que é fluxo incessante. As vagas que se agigantam e quebram indômitas no mar tempestuoso envolvem o espectador em sua hipnótica enxurrada imóvel, atraindo e afastando como a maré que pode seduzir com promessas de além-mar ou matar na praia os ímpetos à aventura.

No canto 26 do Inferno da Divina Comédia, Dante escreve que, mesmo depois de 20 anos de errâncias, Ulisses não sossegou em casa e desafiou mais uma vez os deuses, navegando para além das Colunas de Hércules - o Estreito de Gibraltar - rumo ao oceano desconhecido e proibido. É essa onda de perpétua inquietação que a humanidade surfa desde que desceu das árvores. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

ROGER LERINA

30 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Grupo RBS reúne líderes para debater desenvolvimento do Rio Grande do Sul

Ouvidoria

Com foco em educação e inovação, encontro foi promovido pelo Conselho Editorial e reuniu 10 representantes da academia, do mercado e da inovação para discutir entraves e soluções para o Estado. A mediação da conversa foi realizada pelo comunicador Rodrigo Lopes

Cada representante presente foi convidado a compartilhar uma questão que, em seu entendimento, tem impedido avanços no desenvolvimento do Estado e uma possível solução ao problema. A mediação da conversa foi realizada pelo comunicador Rodrigo Lopes.

A inovação e a educação foram temas centrais nas discussões. Os líderes apontaram ainda a necessidade de fortalecer a articulação entre poder público, iniciativa privada e academia. Também foi citada a necessidade de avançar em áreas como infraestrutura logística, competitividade, governança, atração de talentos, planejamento a longo prazo e enfrentamento dos desafios climáticos.

Esses e outros temas reunidos a partir das ouvidorias realizadas pelo Conselho Editorial vão compor um documento com pautas prioritárias que será entregue pela RBS aos candidatos ao governo do Estado, em agosto. Os assuntos também serão tratados em reportagens dos veículos da RBS.

Na abertura do encontro, o publisher e presidente do Conselho de Gestão do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, destacou o objetivo da iniciativa de qualificar o debate público:

- Queremos reunir contribuições e, assim, ajudar a colocar em evidência os temas essenciais para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Temos a responsabilidade de levar essas discussões à sociedade por meio do jornalismo, estimulando a reflexão e acompanhando, com independência, os compromissos assumidos pelos futuros governantes.

CEO da RBS e membro do Conselho Editorial, Patrícia Fraga reforçou que a ideia do encontro está conectada ao propósito da empresa de impactar positivamente a vida dos gaúchos:

- Na RBS, acreditamos na força do diálogo e da escuta qualificada. Temos acompanhado com atenção os desafios e as transformações do RS e entendemos que reunir diferentes perspectivas é fundamental na construção de caminhos para o futuro. Nosso papel é conectar pessoas e ideias, dar visibilidade a iniciativas relevantes e engajar a sociedade nos debates que contribuem para soluções concretas aos desafios do Estado.

Participaram da ouvidoria Marcia Barbosa, reitora da UFRGS; Manuir Mentges, reitor da PUCRS; Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc; Martha Adaime, reitora da UFSM; Gustavo Borba, pró-reitor acadêmico e de Relações Internacionais da Unisinos; José Renato Hopf, presidente do South Summit Brazil; Claudio Gastal, diretor-presidente do Sesi-RS e do Senai-RS e integrante da plataforma Coalizão; Pedro Valério, diretor-executivo do Instituto Caldeira; Rafael Castello Costa, presidente do Conselho de Turismo da Região das Hortênsias e secretário de Turismo de São Francisco de Paula; e o empresário e membro do Conselho Editorial do Grupo RBS José Galló.

Também prestigiaram o encontro o vice-presidente do Conselho de Gestão do Grupo RBS, Fernando Tornaim, além da diretora-executiva de Marketing e Negócios Entretenimento e TV, Caroline Torma, líderes da redação e comunicadores. _

As prioridades apontadas - Projetos devem ultrapassar governos

Segundo os participantes, um avanço real em áreas decisivas como educação e inovação no Rio Grande do Sul depende da criação de um plano "de Estado", que seja mantido independentemente da mudança de governos. A educação de qualidade foi apontada como o pilar central para aumentar a produtividade e a competitividade diante do envelhecimento da população gaúcha. A falta de continuidade foi apontada como um dos entraves para avançar em temas fundamentais que devem passar a ser considerados prioridades permanentes do RS.

Inovação é vetor de desenvolvimento

Muito além de tecnologia, a inovação deve ser entendida como o motor para o progresso econômico e social. É essencial estreitar a ligação entre a ciência básica produzida nas universidades e a sua aplicação prática no mercado e, assim, impulsionar o desenvolvimento regional. É preciso valorizar, nos esforços para inovação, as fortalezas e a vocação econômica do RS - por exemplo, setores como o agronegócio, a saúde e o turismo. Um dos consensos entre os convidados: neste século, ciência e tecnologia são indissociáveis do processo de desenvolvimento.

Ambiente de confiança e conexão

Transformar a economia do Rio Grande do Sul exige esforços conjuntos do poder público, da iniciativa privada e do meio acadêmico. Para isso, é preciso reverter uma cultura histórica no Estado de iniciativas criadas isoladamente, seja no setor público ou na iniciativa privada. E construir um ambiente de confiança e colaboração reais, que pode inclusive atrair talentos de fora para o RS. Universidades e centros de inovação, pela qualidade do conhecimento produzido e credibilidade construída, podem atuar como pontes entre diferentes setores da sociedade.

Governança clara

Evitar que o Estado funcione como um "arquipélago" de iniciativas isoladas foi um dos desafios citados. Para isso, as lideranças defendem a criação de uma governança clara para as políticas de desenvolvimento e investimento em educação e inovação, que garanta o acompanhamento da sociedade e mantenha o ritmo das ações. Entre os desafios apontados pelos participantes, estão a dificuldade do Estado em definir prioridades, executar com rigor e realizar entregas transformadoras.

Confira o que eles disseram

Claudio Gastal - Diretor-presidente do Sesi-RS e do Senai-RS

A grande palavra que sai dessas discussões para todas as áreas, porque elas são interdependentes e complementares, é a necessidade de o Rio Grande do Sul, por meio de suas entidades, de suas representações e de suas lideranças, buscar convergência.

Gustavo Borba - Pró-reitor acadêmico e de Relações Internacionais da Unisinos

A iniciativa privada, o setor público e as instituições de ensino devem estar articulados. E as universidades, por terem um papel um pouco mais horizontal, poderiam ser aquelas que articulam o movimento para a construção de um Estado melhor.

Jorge Audy - Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc

O mais importante para nós não é impedir a saída de talentos, mas nos preocuparmos em atrair talentos. Em atrair pessoas qualificadas de outras regiões do mundo e do Brasil, além de atrair os próprios gaúchos que saem para aprender, se desenvolver no Exterior e voltar para contribuir.

José Galló - Empresário e membro do Conselho Editorial do Grupo RBS

Você tem o conhecimento, você tem inovação, mas isso precisa ser aplicado. Até que ponto isso está acontecendo? A forma de criarmos desenvolvimento para o Estado é conseguirmos fazer com que haja a aplicação da inovação no setor privado, o que gera crescimento.

José Renato Hopf

Presidente do South Summit Brazil

Se a gente quer algo que seja transformador da sociedade, precisa trazer todos os agentes que fazem parte desse processo. E a inovação tem aquela coisa mágica: ela representa os movimentos que fazemos em prol do desenvolvimento.

Manuir Mentges, - Reitor da PUCRS

O Brasil é a 10ª economia do mundo. Somos o 14º em produção científica, mas, quando olhamos para a inovação, ocupamos a 52ª posição. Ou seja, precisamos também aproximar a universidade do mercado, do governo e das organizações.

Marcia Barbosa - Reitora da UFRGS

É necessário criar, institucionalmente, na estrutura do Estado, um comitê de assessoramento estratégico para o desenvolvimento do Estado. Esse comitê não precisa ser formado apenas pelas universidades, mas imagine todas elas interligadas para alavancar a educação, trazer novas tecnologias e assessorar as empresas.

Martha Adaime  - Reitora da UFSM

A universidade está desenvolvendo esse projeto, que chamamos de hub logístico, e que é um bom exemplo disso: inovação é a universidade colocar aquele conhecimento, aquela ciência, em prática para o desenvolvimento do seu entorno.

Pedro Valério - Diretor-executivo do Instituto Caldeira

No século 21, não há outro caminho a não ser uma obsessão pela educação e, obviamente, a inovação é o cerne, o epicentro de qualquer desenvolvimento econômico e social.

Rafael Castello Costa

Presidente do Conselho de Turismo da Região das Hortênsias e secretário de Turismo de São Francisco de Paula

O turismo, como eu sempre digo, acontece de dentro para fora e precisa ser tratado dessa forma. E não há melhor maneira do que construir, coletivamente, entre o poder público e a iniciativa privada, as instâncias de governança. Nossa região compreende muito isso.

Brasil cria 145,1 mil novas vagas com carteira

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho brasileiro abriu mais de 145 mil novos empregos em junho, segundo dados do Novo Caged divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado decorreu de 2.220.131 admissões e de 2.074.970 desligamentos.

Todos os cinco grandes agrupamentos apresentaram resultado positivo em junho. O setor de serviços fechou o mês com 74.514 postos e a agropecuária registrou saldo de 22.898 vagas. O comércio terminou o mês com avanço de 19.177, a indústria, com 4.438, e a construção civil, com 14.136.

No mês passado, a região Sudeste veio na frente na geração de empregos com 70.383 postos, incremento de 0,29% em relação a maio. Em seguida, o Nordeste, com 34.433 postos (0,43%) e o Centro-Oeste, com 19.617 postos (0,46%). Daí o Sul, com 10.453 postos (0,12%), e o Norte, com 9.633 postos (0,40%).

Entre os Estados, 25 tiveram saldo positivo. Em números absolutos, o destaque ficou com São Paulo, com 34.981 postos, seguido de Minas Gerais, com 20.805, e Rio de Janeiro, com 16.856. No Rio Grande do Sul, foram 1.162 vagas. O único com resultado negativo foi o Espírito Santo, 2.259 postos de trabalho a menos. Proporcionalmente, os destaques positivos ficaram para o Amapá, o Acre e Mato Grosso.

Além disso, o salário médio real de admissão em junho no país foi de R$ 2.404,34. Comparado ao mês anterior, houve aumento real de R$ 16,90.

Os dados divulgados vão ser observados de perto pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic. No último encontro, em junho, o colegiado diminuiu o juro básico de 14,50% para 14,25%, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho como um fator de pressão sobre a inflação, especialmente no setor de serviços. _

30 de Julho de 2026
EM FOCO

Temporais afetam dezenas de cidades e elevam rios no RS

O episódio reforça como fenômenos severos podem ocorrer simultaneamente no Estado. Enquanto comunidades acompanham a subida das águas, municípios contabilizam prejuízos causados por vento forte e chuva de pedra

Após uma sequência de temporais que provocou estragos em pelo menos 128 municípios, a elevação dos rios agravou a situação em diversas regiões do Estado e mantém a preocupação para os próximos dias. Pelo menos seis estão acima da cota de inundação em nove trechos monitorados, já provocando a retirada de moradores em áreas sujeitas a alagamentos. Segundo a Defesa Civil, 297 pessoas estavam desalojadas e 779 em abrigos até a noite de ontem. Além disso, um tornado na Região Noroeste deixou feridos e causou danos materiais, enquanto episódios de granizo foram registrados em mais de 10 municípios.

Às 19h, cerca de 17 mil clientes estavam sem energia elétrica no Estado. Na área da RGE, eram 8.786 afetados. Já na região da CEEE Equatorial, há 8.250 clientes sem luz. Segundo as concessionárias, dezenas de equipes estavam nas ruas atendendo aos casos de interrupção.

Avanço

Um aviso de alto risco de inundação para o Rio Paranhana, no trecho de Taquara, foi divulgado ao final da tarde pela Defesa Civil do Estado. Em Rolante, Três Coroas, Igrejinha e Taquara, na mesma região, os alagamentos fizeram com que mais de uma centena de pessoas precisassem deixar suas casas. Abrigos foram montados para receber as famílias. O Rio dos Sinos, em Taquara, segue em alerta máximo e pode superar a cota de inundação. 

Já o Guaíba, no centro de Porto Alegre, atingiu ontem a cota de atenção (2m) e pode superar a de inundação (2m50cm) até sábado, segundo boletim hidrológico de ontem do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Defesa Civil de Porto Alegre informou que já reforçou a atuação na região das Ilhas.

No Rio Caí, em São Sebastião de Caí, onde a cota de inundação é de 10m, a medida foi superada em três metros - era de 13m10cm às 19h30min. No início da tarde, famílias já retiravam móveis do primeiro andar das casas, após a água invadir trechos de ruas como Oderich, Aquidaban e São Lourenço. Em alguns pontos, o nível chegava à altura da coxa de quem atravessava o alagamento.

Em busca de abrigo

Em Eldorado do Sul, com a elevação do Rio Jacuí, a Defesa Civil da cidade orientou que moradores de áreas próximas a arroios e rios iniciassem ações preventivas e procurassem abrigo com familiares em locais seguros. A prefeitura classificou como prioridade de monitoramento as áreas dos arroios Conde e dos Ratos, que abrangem o distrito de Bom Retiro e o bairro Rincão. Também são monitorados o assentamento Irga e os bairros Chácara, Cidade Verde, Vila da Paz, Picada, Itaí, Sol Nascente e Sans Souci.

Após o Rio Gravataí atingir a cota de inundação, que é de 4m75cm, em Gravataí, no bairro Vila Rica, sete pessoas saíram de casa na terça-feira à noite e foram abrigadas por parentes.

Morador da região, o montador mecânico Everton Flores Soares, 32 anos, acompanhava o nível da água na rua. Ele descreve o alagamento não como um evento, mas como um hábito do bairro: a cada chuva mais volumosa, a água empoça e não escoa.

- Aqui é com frequência. Toda chuva que dá acontece esse transtorno do alagamento. A água não tem para onde escoar e fica na rua - explica Soares.

Estabilidade

Para hoje, a previsão é de tempo estável. A frente fria começa a se afastar do Estado e dá lugar a uma massa de ar seco.

O dia começa com temperaturas baixas na maioria das cidades. O sol retorna entre muitas nuvens, mas a chuva não está totalmente descartada - especialmente na Serra e na Metade Norte.

SP e RJ

O Sudeste também registrou impactos em razão do tempo ontem. Três pessoas morreram em São Paulo em decorrência dos fortes ventos, que chegaram a 124,9 km/h. De acordo com a Defesa Civil estadual, os óbitos foram em Santo, São Sebastião e Cesário Lange. No Rio de Janeiro, a ventania causou apagão, paralisou transportes e resultou na morte de duas pessoas atingidas pela queda de um muro em Santa Teresa. A máxima do vento chegou a 105,5 km/h no Aeroporto do Galeão, na Zona Norte, entre 16h e 17h.

Aporte

Em reunião ministerial ontem no Palácio do Planalto para falar sobre o El Niño, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, anunciou o reforço orçamentário de R$ 1,335 bilhão para mitigar as consequências do fenômeno climático, como excesso de chuvas no Sul, seca e incêndios no Norte e Nordeste e atraso de chuvas no Centro-Oeste. _

Participaram Caroline Batista, Diego Nuñez, Eduarda Wenzel, Isadora Garcia, Júlia Ozorio, Leonardo Martins, Kathlyin Moreira, Kassiane Michel, Madu Brito e Maria Fernanda Freire

Tornado deixou sete feridos em três cidades

No noroeste do RS, sete pessoas ficaram feridas após um tornado atingir três cidades: Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. As rajadas causaram estragos como destelhamentos e queda de árvores e postes. Duas residências ficaram totalmente destruídas em Sete de Setembro. A prefeitura de Giruá afirmou ontem que irá protocolar o pedido de Declaração de Situação de Emergência.

O que parecia ficção aconteceu diante dos olhos de Renan Bayer, morador de Giruá, nesta terça-feira. No interior do município, o agricultor conseguiu registrar o fenômeno:

- Parecia coisa de filme, que a gente nunca ia ver na vida.

Bayer registrou o surgimento do tornado e acompanhou o avanço do fenômeno até precisar deixar o local às pressas:

- Fiz umas quantas gravações, até que tive que fugir - relata.

O tornado ocorreu por volta das 18h25min, associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória. O Brasil não costuma ser associado a tornados, mas há registros com mais frequência do que se imagina.

A Região Sul do país, sobretudo o Rio Grande do Sul, é apontada como a segunda área mais propensa à ocorrência desses fenômenos no mundo. O território fica atrás apenas da porção central dos Estados Unidos. 

Granizo provoca danos em centenas de casas

Fortes chuvas de granizo também atingiram diferentes municípios do Estado durante a noite de terça-feira e a madrugada de ontem. Na Serra, houve registro do fenômeno em cidades como Caxias do Sul, Canela e Gramado. Apesar do volume de gelo em alguns pontos, até o momento não há registro de feridos.

Já na Região Central, houve danos em mais de 200 residências nos municípios de Quevedos e Capão do Cipó. Em Capão do Cipó, mais de cem casas foram atingidas, principalmente no centro da cidade e na localidade de Carovi.

Em Quevedos, ao menos cem residências registraram danos e cinco famílias precisaram deixar suas casas, sendo acolhidas por parentes. Nas duas cidades, as prefeituras seguem contabilizando os prejuízos e distribuindo lonas para as famílias afetadas.

Mais de 10 municípios do norte e do noroeste do Rio Grande do Sul registraram o fenômeno. Entre as localidades mais afetadas está a cidade de Ubiretama, no Noroeste, onde pelo menos 350 casas foram danificadas pela chuva de pedra, assim como duas escolas e um prédio público.

- Temos 2,1 mil pessoas aproximadamente que foram atingidas. E essas pessoas, nesse momento, estão sendo transferidas para um abrigo - afirmou em entrevista ao programa Estúdio Gaúcha, da Rádio Gaúcha, na noite de terça, a comandante da 2ª Companhia de Bombeiro Militar em Santa Rosa, Lisiane Cassol dos Santos. 

30 de Julho de 2026
CAMPO E LAVOURA

Farsul apresentará propostas a ministro

As seis propostas desenhadas pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) para ampliar o alcance da renegociação das dívidas rurais devem ser discutidas em conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. E também serão avaliadas em reunião entre técnicos da pasta e da entidade que pode sair em meio à agenda dele no Estado, na próxima semana.

Por meio das proposições, o objetivo é ampliar o escopo dos produtores aptos a buscar as linhas viabilizadas pela medida provisória (MP) 1.376. O texto foi apresentado como uma alternativa ao projeto de lei 5.122, que tramita no Congresso Nacional e é considerado o ideal na busca pela solução do passivo acumulado ao longo dos anos em razão de problemas climáticos.

Como publicado pela coluna, o entendimento da necessidade de complementação aos critérios da MP veio a partir de um levantamento feito pela Farsul. A partir da amostra avaliada, de R$ 93 milhões, identificou-se que 88,3% do saldo devedor não se encaixava nos critérios estabelecidos. Apenas R$ 10,83 milhões, ou 11,7%, se enquadrariam.

Em razão da privacidade dos dados, informações como "de onde, quais e quantos" são os contratos analisados não foram divulgadas, mas o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, garante:

- É uma amostragem representativa.

Publicada no último dia 15, a MP trouxe a possibilidade da renegociação, e foi seguida de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). As operações ainda não estão sendo realizadas, porque bancos estão ajustando seus sistemas. 

Onde estão as restrições

Alguns pontos de restrição de acesso às linhas mapeados: De forma geral, entram no escopo da renegociação: linhas de custeio, comercialização e industrialização.

Para o crédito de investimento, a medida é possível apenas para financiamentos em inadimplência.

Um dos pontos considerados mais importantes é o que se refere à Cédula de Produto Rural (CPR). No texto presente, é passível de renegociação somente o título emitido por instituições financeiras.

Nas CPRs, apenas os títulos em inadimplência entram no escopo da renegociação.

A Farsul propõe que entre também a CPR emitida em favor de cooperativas e fornecedores de insumo, e que se reconheça a CPR usada para pagar qualquer dívida contraída para manter a adimplência.

NO RADAR

O crédito rural ganha espaço, amanhã, às 10h, no Encontro de Estudos promovido pelo Instituto de Estudos Jurídico-Econômicos (IEJE). O evento é gratuito e será transmitido pelo Zoom. Para falar sobre o tema Securitização Rural: Desafios e Soluções, foi escalado o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. A mesa de debates terá participação do advogado William Longhi, com abertura e coordenação a cargo do presidente do IEJE, Luís Fernando Barufaldi.

0,48%

foi a queda do Índice de Insumos para Produção de Leite, calculado pela Farsul, em junho. A deflação contrariou a expectativa do setor, que previa alta dos custos devido ao encarecimento de insumos como milho, soja, sal mineral e energia elétrica. O alívio veio principalmente do mercado internacional de fertilizantes, após a China retomar as exportações de ureia no fim de maio, ampliando a oferta global e reduzindo a pressão sobre os preços.

Gisele Loeblein

quarta-feira, 29 de julho de 2026

29 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Esta coluna contém informação e opinião

Os nomes divertidos de cachorros

Os pais não esperam o bebê nascer para dar um nome. Não conhecem o filho ainda para nomeá-lo. É um batismo feito no escuro. Na genealogia humana, somos treinados a definir a graça da pessoa durante a gestação.

Já no mundo canino, existe o costume de olhar primeiro o animalzinho para então criar o apelido, levando em conta a aparência, os hábitos, os trejeitos. O que explica por que os cachorros exibem a cara e a fuça do seu nome. Você não consegue concebê-los de maneira diferente.

Meu amigo Nilson Vargas, ex-colega da RBS, cuida do Cookie. É realmente Cookie: um Shih Tzu com orelhas grandes, olhinhos cobertos de pelo, cauda de almofada e fofura extrema.

Se, no IBGE, os bíblicos Maria e José seguem reinando, os cães recebem requintes de pluralidade, representando o melhor da confeitaria, da padaria, da galeria de super-heróis. Em 2025, a PetLove fez uma pesquisa com 1,8 milhão de bichinhos e catalogou os nomes mais comuns.

Os mais populares para fêmeas são Mel, Luna, Amora, Nina e Maia. Entre os machos, lideram Thor, Luke, Theo, Bob e Apolo. Nem dependem de um sobrenome para pertencer à nossa família.

Quem teve um parceiro de estimação entende a mágica, que se estende da infância aos marmanjos mais coroas. O nome vem dos ecos dos recreios da escola, de uma comparação jocosa, de uma experiência positiva com a cultura. Isso aumenta o apego com seu xodó. Você passa a gostar mais dele porque ele é parte de seu desejo, surgiu de sua imaginação, de sua observação espirituosa.

Pela cor, pode ser Chocolate, Cacau, Brownie, Nutella, Jujuba. Pelo tamanho, pode ser Pingo, Miúdo, Farelo, Toquinho, Pitoco, Nina, Bolinha. Pela força, pode ser Titã, Gigante, Colosso, Hulk, Sansão, Zeus e Everest.

Pela simpatia, pode ser Lili, Lolô, Lulu, Fifi, Didi, Kiki, Bibi, aquela duplicação de sílabas que parece se originar da fala de uma criança pequena. Pela comicidade de amar atrapalhadamente, pode ser Mingau, Bolacha, Paçoca, Pipoca, Polenta, Pudim, Amendoim, Xis, Chanel.

A raça é secundária; o que prevalece é como se chama. Nas praças, nos parques, torna-se um chamariz para atrair a atenção e roubar afagos de estranhos. Não é apenas uma designação, mas um destino.

A intimidade desponta antiga na memória. A partir de uma risada. De um paralelo lírico que antecipa os dotes e o comportamento da fera do lar. Vale todo o cardápio, da entrada à sobremesa. Na maioria dos casos, ocorre a transferência de um apetite, de uma gula preferida.

Alguns recorrem aos clássicos Rex e Totó. Outros homenageiam cachorros famosos de filmes e desenhos, como Bidu, Lassie, Floquinho e Marley. Há quem se sinta livre para mencionar baluartes, referências enciclopédicas como Freud, Lacan e Frida. Cantores e cantoras como Amy, Mick, Lennon, Ozzy ou Madonna ganham o microfone dos latidos.

Nunca é só um cusco. O amor não deixa ninguém renguear de frio. _

CARPINEJAR