terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

 O Brasil pode ser produtivo e rico?

o brasil ainda pode ser um país rico

o brasil ainda pode ser um país rico

EDITORA MATRIX/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti
Neste ano de eleições, o lançamento da obra mais recente de Maílson da Nóbrega,  ex-ministro da Fazenda (1988-1990) , intitulada O Brasil ainda pode ser um país rico? ( Matrix, 373 pp., R$ 69,00) sem dúvida é oportuno. Maílson é um dos principais economistas brasileiros, sócio da Tendências Consultoria, colunista da Veja  e  professor e conselheiro de administração de várias empresas brasileiras. Aos 83 anos ele passa sua experiência na área pública, acadêmica e empresarial para que o Brasil possa reencontrar o rumo do crescimento sustentável e finalmente deixar de ser a eterna pátria da semana que vem e o eterno país do futuro.
Nas primeiras partes da obra o autor conduz os leitores para uma jornada de conhecimento , análise e reflexão,desde a Antiguidade , percorrendo a história econômica mundial, mostrando a Revolução Industrial , a ascensão da China e a estagnação latino-americana. Nos capítulos finais o autor dedicou-se a analisar o Brasil. Maílson revela que prosperaram os países que combinaram estabilidade institucional, meritocracia, inovação e eficiência.
Maílson aponta para a necessidade de  modernização do PT e de uma esquerda que esteja afinada com a realidade do século XXI. Ele entende que os juízes devem compreender melhor, com suas decisões,  a economia e os impactos sociais e defende medidas para elevar a produtividade, que constitui o principal fator de geração de riqueza de um país.
Maílson identifica as causas do baixo crescimento, examina as questões fiscais e reflete sobre a baixa eficiência de nosso país, falando de questões educacionais e apontando soluções.
Nosso país precisa encarar o desafio do declínio populacional e suas implicações para o mercado de trabalho e  devemos enfrentar a fragilidade fiscal, ensina Maílson.  Maílson entende também que o futuro brasileiro depende de uma profunda revisão de estrutura, de políticas que incentivem o investimento e a inovação e de uma infraestrutura capaz de gerar riqueza de modo duradouro.

O primeiro relógio

Hoje completo 72 anos. Às vezes acho que estou com oito, outros dias com 34, e tem momentos que visto o traje preto solene do septuagenário, que hoje em dia pode ser uma roupa moderna e colorida. Os novos velhos da atualidade presentificada podem ter novas ideias, novos planos , se "reinventar", ter curiosidade e bom humor, que é o que tornam as pessoas melhores.
Como escreveu Mario Quintana, o tempo é só um ponto de vista dos relógios. Na memória, que é onde as coisas acontecem muitas vezes, certas primeiras experiências são inesquecíveis. O primeiro beijo na boca, o primeiro orgasmo, o primeiro sutiã, o primeiro Chicabom, a primeira professora marcante, o primeiro pé na bunda, a primeira morte de um familiar, o primeiro olhar para o mar, a primeira cereja fresca e o primeiro relógio ficam na memória, especialmente na memória remota dos que, como eu, estão no modo NOLT: New Older Living Trend, ou Nova Tendência de Viver a Maturidade, para você que não fala inglês.
Quando eu tinha nove anos, queria um relógio de pulso. Meus pais me disseram que me dariam quando eu fizesse dez. Só que apesar dos apenas nove, determinaram que eu fosse crismado. Meio cedo para a confirmação como católico, eu que fui batizado bebê e fiz a Primeira Comunhão com sete. Não fugi do óleo perfumado e do tapinha na testa, praticado pelo Bispo para que eu recebesse os dons do Espírito Santo, me tornando um cristão adulto e um soldado de Cristo .
Meus pais tiveram a ótima ideia de me pedir para convidar o Dr. Elias Japur e sua jovem noiva, Rosa Maria Baldissera, para padrinhos. Contei para algumas pessoas próximas que eu queria um relógio de presente de Crisma. Sem contar para ninguém, fiz uma promessa para ganhar o relógio. Prometi ir todos os dias na Matriz de Bento Gonçalves e rezar dez Ave-Marias. Cumpri religiosamente. Não sei se alguém contou para meu padrinho o desejo do relógio.
No dia da Crisma, o padrinho foi lá em casa pilotando um flamante Aero-Willys e me levou para a Matriz. Depois do tapinha do Bispo e antes de passar na casa da minha madrinha, que surgiu linda e elegante vestindo um tailleur rosa, ele me entregou uma caixinha retangular, da lendária Joalheria Gehlen e, quando abri, estava lá o relógio Diorex, com 17 rubis. A promessa tinha dado certo ou alguém tinha contado para o padrinho que eu queria muito o relógio. Nunca quis descobrir isso. Na vida a gente não deve saber tudo. Usei o relógio por muitos anos. Ainda o guardo com carinho. O primeiro relógio, que ganhei antes da hora, resiste ao tempo e ainda vive na minha memória de idoso. Ele está parado - preciso mandar consertá-lo. O tempo dos nove anos aquela manhã de abril parece guardado ali. Não preciso dar corda no relógio para recordar. O presente vai ficar comigo para sempre.
Hoje não uso mais relógio de pulso. Consulto o horário no celular. Não uso esses cebolões caros porque tenho medo de sofrer mais um assalto, e que os fiscais da Receita pensem que eu tenha grana.  propósito
Pensando bem, nem sei se vou mandar consertar o relógio do meu padrinho - que hoje vive na minha memória. Melhor deixar seus ponteiros quietinhos, aí eles não ficam costurando o tempo e revelando que a arte e a memória são longas, mas a vida é breve. O relógio me olha fixo, como se dissesse que as coisas mais importantes da existência são os desejos e sonhos infantis, e que ele está quase que totalmente inteiro, como seu dono, ao contrário dos relógios derretidos do Salvador Dali. Meu relógio persiste, sem pressa e sem dar a mínima para a velocidade enlouquecida de nossos dias. Nele mora o tempo de sempre, despacito. ( Jaime Cimenti ) 

Lançamentos

Exaustos (Buzz Editora, 208 pp.) de Lucas Freire. O psicólogo do trabalho, professor e palestrante, autor de Playfulness: trilhas para uma vida resiliente e criativa! e do livro infantil O leão da bochecha de balão, imagina saídas para cansaço diário, hiperprodutividade, controle e vigilância emocional, e traz um olhar sobre a nossa relação com os algoritmos e as métricas que controlam o tempo e nossa atenção.
Canção de ninar (Planeta, 192 pp., R$ 56,90), da escritora franco-marroquina Leila Slimani. Romance vencedor do Prêmio Goncourt, traz Myriam, mãe de duas crianças pequenas, que decide retomar à advocacia. O marido é contra. Contratam uma babá perfeita, eficiente, discreta e disponível. Cria-se uma dependência exagerada e problemas sérios surgem. O livro será adaptado para a HBO, com Nicole Kidman.
Sabedoria é dedicação - aprenda, pratique, repita (Intrinseca, 336 pp., R$ 62,90) de Ryan Holiday, renomado escritor e palestrante, autor de O Ego é seu inimigo e Diário estóico. O livro ensina que sabedoria requer trabalho árduo, disciplina, ouvir mais e falar menos, e cita o uso de leitura, autodidatismo e experiência, além de curiosidade e prudência. No final, conquistar a sabedoria vale a pena.

Reajuste de 5,4% no piso do magistério segue para votação em março

Apesar do envio, a proposta não será votada imediatamente .A previsão é de que a votação ocorra no início de março

Apesar do envio, a proposta não será votada imediatamente .A previsão é de que a votação ocorra no início de março

TÂNIA MEINERZ/JC
Jamil Aiquel
Jamil AiquelO governo do Estado encaminhou à Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (9), o Projeto de Lei 38/2026 que prevê reajuste de 5,4% no subsídio mensal dos integrantes da carreira do magistério público estadual. A medida tem efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026 e busca atualizar a remuneração dos profissionais da educação no Rio Grande do Sul conforme percentual definido pelo governo federal.
Apesar do envio, a proposta não será votada imediatamente. Nesta terça-feira (10), durante a primeira reunião de líderes partidários sob a gestão do presidente da Casa, deputado Sergio Peres, foi definida a pauta para a próxima sessão deliberativa, marcada para o dia 24 de fevereiro. O projeto do piso não consta na Ordem do Dia para esta data. A previsão é de que a votação ocorra no início de março, visto que o projeto passa a trancar a pauta da Assembleia a partir do dia 11.
De acordo com o texto do projeto, o aumento vale para a carreira do magistério estadual e para os integrantes do Quadro Único do Magistério, criado por legislação anterior e atualmente em extinção. O reajuste incidirá sobre as referências previstas em lei, respeitando as regras específicas já estabelecidas para a composição do subsídio.
Detalhes da proposta e impacto financeiro
Conforme justificativa enviada com o projeto para apreciação do parlamento, o percentual proposto tem como objetivo garantir o piso nacional do magistério. Ainda segundo a justificativa, a atualização salarial representa o cumprimento de um compromisso assumido com a categoria e reforça a valorização dos profissionais responsáveis pela educação pública.
O impacto financeiro da medida foi estimado pelo Executivo em cerca de R$ 424 milhões ao ano | REPRODUÇÃO/GOVERNO ESTADUAL/JC
O impacto financeiro da medida foi estimado pelo Executivo em cerca de R$ 424 milhões ao anoREPRODUÇÃO/GOVERNO ESTADUAL/JC
O índice de 5,4% deverá ser aplicado de forma paritária a todos os níveis da carreira, abrangendo professores ativos, inativos e pensionistas que tenham direito à paridade. Além disso, o reajuste também será estendido aos profissionais admitidos sob regime de contratação temporária, conforme previsto na legislação vigente.
O impacto financeiro da medida foi estimado pelo Executivo em cerca de R$ 424 milhões ao ano. O valor foi considerado compatível com o planejamento orçamentário do governo para o próximo exercício. Segundo a justificativa do Executivo, o valor é compatível com o planejamento orçamentário, equilibrando a valorização da categoria com a responsabilidade fiscal exigida pelo atual cenário econômico do Estado.

Corrigido pela inflação, passivo de precatórios do RS é superior a R$ 16 bilhões há dez anos

Em 2025, o governo gaúcho pagou R$ 2,8 bilhões em precatórios

Em 2025, o governo gaúcho pagou R$ 2,8 bilhões em precatórios

Arte/JC

Bolívar Cavalar
Bolívar CavalarRepórterDesde 2015 que o passivo do Rio Grande do Sul com precatórios é superior, em valores reais – ou seja, corrigidos pela inflação acumulada no período -, a R$ 16 bilhões. Apesar disso, em 2025 o governo gaúcho conseguiu reduzir o estoque nominal pela primeira vez em quatro anos, que atualmente totaliza R$ 16,633 bilhões. 
Com a correção inflacionária, o maior montante já acumulado na última década foi em 2018, quando o Estado devia R$ 15,296 bilhões, equivalente a R$ 22,202 bilhões a custo de hoje. O último ano em que o estoque real foi inferior a R$ 16 bilhões foi em 2014, com R$ 14,67 bilhões ajustados pelo IPCA, ou R$ 8,05 bilhões em valores nominais, quando se desconsidera a inflação. 
Os precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça para cobrar de municípios, de estados ou da União, ou de autarquias e fundações, valores devidos após definida condenação judicial.  
Há duas modalidades principais de pagamento de precatórios: por ordem cronológica e acordos. No caso deste último modelo, o credor e o ente devedor chegam em um consenso formal para que o precatório seja pago com deságio - desconto aplicado a um valor nominal - de 40%. Assim, o beneficiário recebe menos do que o total do montante devido, mas antes do que receberia pela ordem cronológica. 
Em 2025, foram pagos R$ 2,8 bilhões em precatórios, sendo que, do total, R$ 1,1 bilhão foi pago na modalidade de acordos com deságio de 40% -, R$ 1,5 bilhão na modalidade de ordem cronológica, além de R$ 141 milhões que foram compensados com dívida ativa e R$ 126 milhões por meio de sub-rogações. 
estratégia do governo gaúcho para pagar estas dívidas é por meio de empréstimos bancários. No ano passado, houve o ingresso de R$ 1,4 bilhão da operação de crédito junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para pagamentos de precatórios, além de R$ 1 bilhão captado junto a bancos privados para o mesmo fim. 
Ainda em 2025, foi promulgada no Congresso Nacional uma emenda constitucional que cria regras e estabelece um pagamento escalonado aos credores, derruba o prazo para a quitação deste passivo até 2029 e muda o indexador da dívida. Pela emenda, que passa a vigorar efetivamente neste ano, quanto maior o estoque de precatórios em relação à Receita Corrente Líquida (RCL), maior o percentual que o ente deverá destinar para esta finalidade. 
No caso gaúcho, a RCL de 2025 totalizou 65,2 bilhões, após um acréscimo de R$ 5,2 bilhões em relação ao ano anterior. Se considerados os R$ 16,633 bilhões da dívida com precatórios, estoque representaria 25,4% da receita corrente líquida, o que colocaria o Estado na faixa que determina que destine, em 2026, 2% de sua RCL para o pagamento deste passivo.  
Acontece que a emenda constitucional também determina que são desconsiderados no cálculo do estoque os valores já depositados pelo Estado em uma conta específica para que o Tribunal de Justiça efetue pagamento de precatórios. Diante disso, relação dívida de precatórios com RCL fica inferior a 25%, fazendo com que o neste ano o governo gaúcho precise destinar 1,5% de sua RCL para o pagamento de precatórios, mesmo percentual que estava estabelecido antes da promulgação da emenda constitucional.