quarta-feira, 6 de maio de 2026

Isadora Jacoby
Editora do GeraçãoE


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'O mundo mudou mais rápido do que as formas que temos usado para conduzi-lo', diz Maria Homem

A psicanalista trouxe reflexões sobre liderança contemporânea para o palco principal da Gramado Summit
O papel do líder frente às transformações trazidas pela tecnologia é um eixo central quando se pensa em inovação. Com modelos de trabalho, formatos de equipe e configurações de vida pessoal em constante transformação, liderar torna-se ainda mais desafiador. A psicanalista e escritora Maria Homem levou o debate para o palco da nona edição da Gramado Summit. Lançando o livro Procura-se uma nova liderança para um novo tempo, ela refletiu sobre as mudanças do papel do líder ao longo da história e apontou os principais caminhos da liderança contemporânea. 
Para Maria, vivemos hoje a quebra de um importante paradigma construído ao longo do tempo a partir da percepção da racionalidade de um líder. "A primeira forma da gente conceber um líder é hierárquica, ele estava acima dos outros naturalmente. ‘Eu sou sol, sou superior, tenho direitos sobre a sua vida, sobre o seu corpo’. Uma lógica fálica. Mas começamos a entender que somos todos iguais perante a lei, somos seres de razão. Foi muito importante esse movimento para uma transição para uma igualdade. Porém, hoje, estamos vendo que não somos tão racionais assim, temos fantasias, delírios, a gente se engana", pondera Maria, sobre o que, segundo ela, é o real desafio da liderança contemporânea. "Saber que somos razão e emoção, e que o novo paradigma é híbrido", considera. 

Neste aspecto, é preciso entender a diversidade que compõe cada time. "Cada empresa é um microcosmos e vai ter que lidar com esse hibridismo, com o heterogêneo, como incorporar isso e abrir a mentalidade para trabalhar o tempo todo com vários registros complexos", disse a escritora em entrevista ao GeraçãoE. 
Durante a palestra, Maria traçou uma linha desde a história antiga até o presente para refletir sobre as mudanças do líder ao longo do tempo, apontando que muitas vezes as transformações acontecem antes mesmo de estarmos prontos para gerir. "O mundo mudou mais rápido do que as formas que temos usado para conduzi-lo", disse. 
Na linha do tempo, a liderança foi passando por transformações no que diz respeito à diversidade. Antes, mulheres não ocupavam papéis de comando em organizações e no próprio ambiente familiar — realidade que precisa ser encarada de outra forma agora. "No paradigma hierárquico excludente, você excluiu um monte de coisa que hoje deve contribuir para o debate, porque você tem forças, características e habilidades que estavam fora, como por exemplo o cuidado, a empatia, a escuta e o diálogo. Não são coisas femininas, mas estavam delegadas ao feminino e estavam subvalorizadas, mal pagas ou não remuneradas."

Atributos essenciais na liderança contemporânea

Para Maria, é impossível pensar em um bom líder sem colocar a honestidade em perspectiva. "É colocando a lupa no que a gente é, de bem e mal, vulnerabilidade e características. Não é só que o líder tem que ser frágil, se não seria o oposto. A gente é força e fraqueza, é potência e vulnerabilidade, acerto e erro", ressalta. 

A psicanalista destaca três características-chave para um bom líder: escuta, empatia e propósito. "Tem que ter escuta de si e do outro. É autoconhecimento. Trabalhar no real, não no imaginário. Segunda grande coisa é empatia, junto com razão. Você vai ter que receber os afetos. O paradigma racionalista, engenheirista, da planilha não está funcionando, porque a gente não é isso. Não adianta tirar a emoção, ela retorna. E terceiro é fazer com sentido, com um significado para você. Aquilo que faz sentido, deixa legado, tem propósito." 

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