terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Como o mercado de sorvetes no RS enfrenta o desafio da sazonalidade

Dados do Sebrae RS apontam que mais de 56% dos empresários consideram a variação sazonal o principal entrave do negócio

Dados do Sebrae RS apontam que mais de 56% dos empresários consideram a variação sazonal o principal entrave do negócio

NÍCOLAS CHIDEM/JC
Jamil Aiquel
Jamil AiquelO verão no Rio Grande do Sul traz mais do que apenas temperaturas elevadas; ele aquece um dos setores mais dinâmicos da economia local: o de sorvetes. Segundo pesquisa da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis, o Estado já se consolidou como uma potência no segmento, sendo o segundo com o maior número de empresas no Brasil, concentrando 15,8% do total nacional, atrás apenas de São Paulo.
Contudo, por trás dos números positivos impulsionados pelo calor, existe um desafio constante para os 392 fabricantes gaúchos: a gestão da sazonalidade. Dados do Sebrae RS apontam que mais de 56% dos empresários consideram a variação sazonal o principal entrave do negócio.
Para o especialista em Alimentos e Bebidas do Sebrae RS, Roger Klafke, o período quente é vital, mas não sustenta o negócio sozinho sem planejamento. “O calor impulsiona o consumo, mas o crescimento sustentável vem do preparo do empreendedor. Quem investe em gestão, inovação, leitura de mercado e organização financeira consegue aproveitar melhor o pico do verão e reduzir os efeitos da sazonalidade ao longo do ano”, destaca Klafke.
Essa realidade de "aproveitar o pico" e gerir a queda é sentida na pele por quem está no balcão. Na sorveteria Santino, localizada na rua Hilário Ribeiro, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, a oscilação de clientes entre as estações é perceptível.
Jeferson Abreu, gerente responsável pelas operações do empreendimento, confirma que a mudança climática dita o ritmo da clientela. “A entrada ali do verão até a saída do inverno aumenta bastante o fluxo, quase 80% a mais. No inverno cai muito, o pessoal não tem o hábito de consumir sorvete nesse período”, pondera.
Para mitigar esse impacto, o setor aposta na diversificação. Segundo os dados do Sebrae, a maioria das empresas foca em sorvetes de massa (84,7%), mas diversifica o portfólio com picolés, açaí e sorvetes soft em busca de inovações. Pensando nisso, a Santino investe em combos estratégicos e numa linha de confeitaria para atrair o cliente que não sairia de casa apenas por um sorvete. “A gente oferece um combo com um cookie, um café... daí já fica mais atrativo para o cliente”, explica o gerente.
Outro ponto destacado na pesquisa do Sebrae é a atenção aos nichos. O levantamento setorial indica que quase 29% das empresas veem oportunidades em produtos veganos, vegetarianos e zero lactose.

Na Santino, essa demanda faz parte do dia a dia. O empreendimento mantém opções fixas na vitrine para atender clientes com restrições alimentares ou escolhas éticas, como o veganismo. Abreu admite que há um desafio de custo, mas que a presença desses itens é inegociável para a fidelização.
“Apesar de ser um sorvete um pouco mais custoso, pois prezamos pela qualidade e fazemos de tudo para não ficar com aquele gosto de adoçantes, a gente sempre tem a opção zero açúcar e zero lactose, justamente para poder atender esse público”, afirma Abreu.
Assim, a pesquisa do Sebrae mostra que o mercado gaúcho de sorvetes está amadurecendo. E, mesmo com os desafios da sazonalidade, as centenas de microempresas gaúchas do setor mostram que, com a gestão afiada sugerida por especialistas e a criatividade na ponta do balcão, é possível se manter forte, mesmo no inverno.

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