Varejo da Fronteira Oeste precisa inovar para se manter competitivo, diz Sindilojas

Gabrieli SilvaRepórterO Mapa Econômico do Rio Grande do Sul reuniu lideranças regionais para discutir os rumos do desenvolvimento da Região Fronteira Oeste. Durante painel realizado no Sest/Senat em Santana do Livramento, nesta terça-feira 12 de maio, o presidente do Sindilojas de Santana do Livramento, Sérgio Oliveira, destacou a região reúne oportunidades relevantes para avançar. São diversos vetores econômicos que concorrem para estimular o varejo, como usinas eólicas e o agronegócio.
Entretanto, o comércio enfrenta dificuldades para transformar seu potencial em crescimento econômico sustentável. Segundo Oliveira, um dos principais problemas está na forma como o território enxerga a si mesmo. "Nós damos mais importância aos desafios do que às oportunidades. Mas, se bem trabalhadas, as oportunidades sobrepõem os fatores negativos", avalia.
A produção agropecuária aparece como diferencial da região, especialmente pelo avanço em genética e processos, o que pode ampliar a competitividade e abrir novos mercados.
No entanto, o varejo vive transformações na região, como a instalação de free shops no lado brasileiro. A concorrência com free shops do lado uruguaio, entretanto, ainda é desafiadora. Produtos como ar-condicionado, por exemplo, deixaram de ser vendidos em Livramento devido à diferença de preços, que pode chegar a R$ 1 mil em relação a Rivera, no lado uruguaio.
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Outro fator de pressão é o crescimento do comércio eletrônico. O volume de entregas diárias na cidade, impulsionado por grandes plataformas digitais internacionais, representa uma saída significativa de recursos da economia local. "Ou nós nos adaptamos e inovamos dentro do nosso próprio negócio, ou a reversão vai ser difícil."
Diante desse cenário, o presidente do Sindilojas de Livramento defende a inovação como condição de sobrevivência. Para ele, o varejo precisa investir em tecnologia e na qualificação da experiência do consumidor, desde o primeiro contato no digital até o pós-venda. "A experiência começa no WhatsApp, no Instagram, na vitrine, mas se consolida quando o cliente chega em casa satisfeito."
O painelista ressalta o poder da Inteligência Artificial como ferramenta que pode aumentar a produtividade e melhorar o atendimento, contrariando a percepção de que representa apenas riscos a postos de trabalho. Oliveira também enfatiza que o enfrentamento desses desafios depende de uma mudança de postura.
"Se não fizermos a nossa parte, vamos apenas assistir as oportunidades passarem." Para o representante do Sindilojas na região, o desenvolvimento da Fronteira Sul passa por inovação, adaptação e maior protagonismo local diante das transformações econômicas em curso.

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