Wilson Sons confirma investimento bilionário no Tecon Rio Grande

JCA Wilson Sons, operador de logística portuária e marítima e controlador do Terminal de Contêineres (Tecon) Rio Grande, prevê a expansão do complexo situado na Metade Sul gaúcha por meio de um investimento superior a R$ 1,1 bilhão em infraestrutura até 2030. A iniciativa, conforme nota da empresa, tem como objetivo ampliar a capacidade operacional do terminal e atender à crescente demanda de logística do Rio Grande do Sul e do Cone Sul, reforçando a competitividade regional e a infraestrutura da economia brasileira.
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Em março, o Jornal do Comércio já havia adiantado a intenção do Tecon Rio Grande de aumentar a sua capacidade. Naquela ocasião, foi informado que a perspectiva de investimento era de R$ 1,4 bilhão, até 2029. Ainda segundo comunicado da Wilson Sons, a necessidade de ampliação acompanha um movimento já em curso, impulsionado pelo crescimento da produção dos exportadores e pelo aumento do transbordo de contêineres provenientes de países como Uruguai, Argentina e Paraguai.
“Nesse contexto, os investimentos tornam-se essenciais para evitar gargalos logísticos e garantir a continuidade da alta performance operacional do terminal e o atendimento a navios cada vez maiores”, frisa o comunicado. Entre as principais iniciativas está a ampliação do cais, que passará dos atuais 900 metros para 1,2 mil metros. A expansão permitirá a operação simultânea de até três navios de grande porte, especialmente da classe New Panamax, com 366 metros de comprimento e predominantes nas rotas internacionais. O objetivo é assegurar a manutenção do porto como hub de cargas na região do Cone Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai), operando os navios de maior porte que atracam na costa brasileira.
“A ampliação responde diretamente à necessidade de garantir o escoamento da produção de exportadores gaúchos e do Cone Sul, além de atender a importadores, que dependem da eficiência do porto para manter a competitividade do Rio Grande do Sul no mercado nacional e internacional. Se esses investimentos fossem postergados, haveria risco de restrições operacionais relevantes, como filas de navios, omissões de escala e desvio de cargas para outros portos, com impacto direto sobre o custo logístico do Estado”, afirma o diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti.
Eficiência logística e geração de empregos
O projeto inclui ainda a ampliação da retroárea, a pavimentação de mais de 180 mil metros quadrados e a aquisição de novos equipamentos, como três guindastes de cais (STS), 14 guindastes de pátio (RTGs) e 26 tratores. Todos são elétricos, com automação embarcada e operação remota, além de sistemas de telemetria de última geração para monitoramento dos ativos.
O investimento também deve impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região, com a geração estimada de cerca de 220 empregos diretos, além de 500 durante as obras e mais de 5 mil postos indiretos ao longo da cadeia logística. “Investimentos dessa magnitude tendem a gerar novas oportunidades ao longo das diferentes etapas do projeto e das operações, contribuindo para o fortalecimento da economia local”, complementa Bertinetti.
Atualmente, o Tecon Rio Grande funciona como a principal porta de entrada e saída de insumos e produtos da economia gaúcha e de todo o Cone Sul. Entre as cargas de origem brasileira, destacam-se, nas exportações, frango congelado, carne suína, tabaco, arroz, resinas, celulose e móveis; e, nas importações, partes e peças, máquinas, produtos químicos e artigos de aço. Já no fluxo proveniente dos países vizinhos, o terminal agrega cargas em transbordo que incluem carne bovina, partes e peças, madeira, produtos químicos, máquinas, resinas, equipamentos eletrônicos e sementes.
Com o projeto, destaca a Wilson Sons, o terminal reforça seu papel como infraestrutura estratégica para o escoamento da produção do Sul do País e para a integração logística do Cone Sul. Em um cenário de transformação acelerada do transporte marítimo, a adequação da capacidade portuária deixa de ser diferencial e passa a ser condição para a competitividade do Brasil no comércio internacional.

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