SILÊNCIO PRODUTIVO
Não somos nórdicos, não somos
gélidos,
não somos contidos. Ótimo.
Mas,
em contrapartida, também não
somos muito educados.
Temos o péssimo hábito de
forçar
intimidade com quem mal
conhecemos
e acreditamos que simpatia
substitui elegância. Não
substitui.
Há momentos (raros) em que se
pode
ser um pouco folgado,
dependendo
do ambiente em que se está,
e outros (vários) que
requerem
uma postura sem excessos.
Vale o bom uso do humor,
mas nunca a extravagância.
O Brasil sempre foi um país
alegre,
irreverente, alto-astral, e
só temos
a nos orgulhar disso.
Mas, de uns tempos para cá,
a vulgaridade se expandiu e a
superexposição tornou-se
obrigatória.
A privacidade deixou de ser
um bem valioso:
passamos a viver aos gritos,
fazendo poses, citando frases
bombásticas.
Excedemos no tom, e barulho
demais cansa.
Dilma Rousseff é uma
presidente
que só fala o necessário, só
aparece
se for fundamental e, quando
está invisível
e inaudível, trabalha.
Uma novidade maisque bem-vinda
numa época em queo silêncio
produtivo anda perdendo
Uma novidade maisque bem-vinda
numa época em queo silêncio
produtivo anda perdendo
posições para um inútil
blá-blá-blá.
Martha Medeiros