terça-feira, 20 de março de 2012




SILÊNCIO PRODUTIVO

Não somos nórdicos, não somos gélidos,
não somos contidos. Ótimo. Mas,
em contrapartida, também não
somos muito educados.

Temos o péssimo hábito de forçar
intimidade com quem mal conhecemos
e acreditamos que simpatia
substitui elegância. Não substitui.

Há momentos (raros) em que se pode
ser um pouco folgado, dependendo
do ambiente em que se está,
e outros (vários) que requerem
uma postura sem excessos.
Vale o bom uso do humor,
mas nunca a extravagância.

O Brasil sempre foi um país alegre,
irreverente, alto-astral, e só temos
a nos orgulhar disso.

Mas, de uns tempos para cá,
a vulgaridade se expandiu e a
superexposição tornou-se obrigatória.
A privacidade deixou de ser um bem valioso:
 passamos a viver aos gritos,
fazendo poses, citando frases bombásticas.

Excedemos no tom, e barulho demais cansa.
Dilma Rousseff é uma presidente
que só fala o necessário, só aparece
se for fundamental e, quando está invisível
e inaudível, trabalha. 

Uma novidade maisque bem-vinda 
numa época em queo silêncio 
produtivo anda perdendo
posições para um inútil blá-blá-blá.

Martha Medeiros