MEDOS
Quando estou só no meu mundo sem limites invade-me o
temor constante. A inquietude de pressentimentos estranhos..De coisas obscuras.
Esvaio-me nas sombras sem delíneos, nas estradas sem perspectivas, no espaço
sem ar.
- Não sou nada e no entanto tenho em mim - não sei onde – se é no coração ou no nada que
se me aloja na alma todas as adversidades deste mundo.
Tenho desejos inquietantes, absurdos e trago no gesto
a covardia pretendendo encobrir meu verdadeiro anseio. Tenho em minha mente
questionadas as perguntas mais chocantes e mais ridículas Sem contudo perceber
uma resposta no vazio de minhas horas.
Não compreendo, porque tenho a sensação de não ser
nada e me evaporo no infinito atemorizante..No vácuo sem tempo adquirindo a
imensidão inexplicável de eternidades de segredos.
Tenho medo das coisas que não defino quando estou só.
Tenho desejes que não compreendo... Que não conheço... Que não existem porque não
lhes sei.
Tenho medo de mim mesmo quando estou só na minha solidão
implacável. Medo do que sou e não revelo..Medo do que revelo e não sou porque não
desvendo os meus temores.