quarta-feira, 4 de dezembro de 2013


04 de dezembro de 2013 | N° 17634
ARTIGOS - Gabriel Wedy*

Um governo simples

O cenário da gestão pública é desalentador no Brasil. Esta referência pode ser feita independentemente do partido que está comandando o Palácio do Planalto. Basta olhar para trás, dos tempos do Império até os dias atuais.

Observa-se, no caso do governo Dilma, que os 39 ministérios instalados na Esplanada custam aos cofres públicos R$ 58,4 bilhões por ano. Este valor supera de longe o Bolsa Família, que tem um custo total anual de R$ 24,9 bilhões.

A carga tributária elevada e a burocracia, que dificultam a abertura de negócios privados, acabam por afetar negativamente a economia e o nível de emprego. Possuímos serviços essenciais com resultados pífios na área da saúde, educação e infraestrutura. A população fica desassistida e, como resultado, o Brasil ocupa a vexatória 85ª posição no ranking mundial do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.

O então presidente norte-americano, Ronald Reagan, criou o Oira – Office of Information and Regulatory Affairs – no início dos anos 1980. O Oira é um gabinete vinculado à presidência da República dos Estados Unidos que visa estimular uma regulação inteligente, ora regulamentando, ora desregulamentando os serviços e políticas públicas.

O presidente Obama, no seu primeiro mandato, nomeou o professor da Harvard Law School Cass Sunstein, especialista em análise do custo-benefício de medidas, para dirigir e revitalizar esse pequeno e importante gabinete. Sunstein relata sua experiência de quatro anos comandando o Oira na recentíssima obra Simpler: the Future of Government. Os resultados alcançados foram positivos e de baixo custo.

Entre esses benefícios, observa-se já a diminuição de acidentes nas rodovias, redução na obesidade da população, desburocratização para abrir negócios e para o acesso aos serviços públicos, redução do tabagismo, facilitação do crédito para o ensino universitário, melhor atendimento dos passageiros nos aeroportos e diminuição da poluição, entre outros. O pequenino gabinete também foi importante para a consolidação do Obama Care.

O futuro dos governos passa, sem dúvida alguma, pela qualificação da gestão, desburocratização e pela maior preocupação com o desenvolvimento humano no seu aspecto essencial: saúde, educação e acesso à justiça.

Os candidatos a presidente da República no próximo ano poderiam qualificar o debate com propostas consistentes de gestão da coisa pública e desenvolvimento humano. Até agora não observei nem um arremedo disso...




*JUIZ FEDERAL, EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES FEDERAIS DO BRASIL (AJUFE)

04 de dezembro de 2013 | N° 17634
ARTIGOS - Décio Franzen*

Bases sólidas na educação

O Rio Grande do Sul, que já alcançou os mais elevados patamares, apresenta hoje índices educacionais assustadores segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Entretanto, são visíveis os sintomas de um consenso em nosso dia a dia de que a sociedade precisa se empenhar e comprometer mais com a educação e com um ensino de qualidade, essenciais para fazer o Estado e o Brasil avançarem.

Melhorar o quanto antes o sistema educacional é condição indispensável e, ainda assim, os resultados levarão anos e anos para aparecer. Vejo com particular atenção a preocupação dos prefeitos, em especial os do PDT, que seguem o ideário de Leonel Brizola, e acompanho os diversos movimentos visando à implantação da educação integral.

Nesse particular, há avanços expressivos com a aprovação, por este parlamento, da emenda constitucional determinando que o Estado implante de forma progressiva a Escola de Tempo Integral. Registro também o trabalho da Comissão Especial para tratar da Escola de Tempo Integral no Rio Grande do Sul, presidida pela deputada Juliana Brizola.

A educação integral será o principal instrumento a contribuir para melhorar a sociedade, a qualidade de vida e a produtividade no trabalho. O jovem – e por que não o adulto? – necessita urgentemente ser preparado para suas atividades profissionais e para o domínio e o desenvolvimento de habilidades necessárias para profissões tradicionais e, ao mesmo tempo, para conviver com um cotidiano inovador, no qual não só vai executar o trabalho, como será cobrado continuamente a pensar, a planejar e a reformular o exercício de sua atividade.


*DEPUTADO ESTADUAL (PDT)

04 de dezembro de 2013 | N° 17634
CARLOS GERBASE

A moral do Tio Jack

Muito se falou e escreveu sobre a trajetória moral de Walter White, personagem principal da série Breaking Bad, mas, mesmo assim, faço o resumo da ópera: respeitável professor de química, casado, com um filho adolescente e outro na barriga da mulher, descobre que tem câncer e vai deixar a família em má situação financeira. Com a ajuda de um jovem ex-aluno, transforma-se num bem-sucedido fabricante de metanfetamina e, à medida que as temporadas passam, num criminoso.

Pouco se falou, porém, sobre a trajetória moral, bem mais curta, do Tio Jack, personagem secundário da quinta temporada. Tio Jack é um bandido clássico, sem qualquer nuance psicológica: cara feia, dentes sujos, suástica tatuada no pescoço e escrúpulos perdidos aos cinco anos de idade, quando quebrou a cara do primeiro guri que não lhe entregou um troco pra comprar cigarro (isso não está na série: personagens secundários não têm direito a flash-back).

Tio Jack, contudo, tem um código moral. Ao descobrir US$ 8 milhões enterrados por Walter White, manda que seus comparsas reservem um milhão para o ex-professor. O resto da gangue não gosta da decisão de Tio Jack, mas este responde: “Nós já temos sete. Por que vocês têm que ser tão ambiciosos?”. O bandido com a suástica mostra que é capaz de um gesto altruísta.

Os governos e a mídia tentaram dividir os participantes das manifestações de junho em dois grupos bem distintos: os ordeiros, pacíficos e democráticos cidadãos de bem (a maioria); e os desordeiros, violentos e mal-intencionados vândalos do outro (a minoria). Para os primeiros, pregou-se o direito à livre expressão. Para os segundos, bala de borracha e cassetete no lombo. Até aí, tudo bem. Repressão ao vandalismo faz parte do estado de direito.

No entanto, segundo o testemunho de várias pessoas que estavam nas manifestações, essa tentativa de traçar uma linha bem clara entre os dois grupos, na prática, não funciona. De vez em quando, um “cidadão de bem”, que carregava um cartaz pedindo paz, pegava uma pedra e jogava na direção dos brigadianos.


E, logo depois, um “vândalo violento” estava protegendo uma mulher caída, ameaçada pelas patas de um cavalo democrático. A natureza humana é um misto de Walter White e Tio Jack. E, quando quebra o pau, às vezes é a volátil reserva moral do Tio Jack que decide a nossa sorte.

04 de dezembro de 2013 | N° 17634
PAULO SANT’ANA

A repescagem

Ando atirando pedras nas pombas do Tulio Milman. Explico: uma tática que uso muito para aproximar-me de mulheres interessantes é seguir a trilha de um jovem bonitão: sempre surgem no caminho mulheres lindas atrás do galã e alguma coisa sobra para mim.

É uma tática que posso denominar de repescagem.

O Tulio fica entretido entre dezenas de fãs, não pode dar conta de todas elas. Nesse entrevero todo, sobra sempre alguma coisa aqui pro proprietário da Granja do Torto.

É impressionante, mas é admirável a fidelidade conjugal do Tulio. Ele nunca risca fora da caixinha.

Verdade que não tenho nem a juventude, nem a beleza física do Tulio Milman. Mas compenso com a minha inteligência e sensibilidade. O importante é conseguir os alvos. Depois de conseguidos, então entra a lábia aqui do misto de romântico e asceta.

O Tulio se define nesse caso como o contrário de um espantalho desses que se fincam numa lavoura para afastar os pássaros.

O Tulio passa a ser nesse meu estratagema o meu pega-ratão.

E a minha escolhida, que foi obviamente preterida pela demanda do Tulio, depois de algum tempo de afinidade comigo, considera então que valeu a pena ser abordada e escolhida por mim. E eu, ao ser retribuído em atenções por ela, considero-me assim como seu eu tivesse me classificado para a Libertadores.

Interessante é que todo idoso que avisto em qualquer parte traz consigo uma sacola de produtos da Panvel.

Idoso precavido é aquele que traz consigo, numa bolsa ou nos seus bolsos, os remédios todos prescritos pela velhice.

No meu caso, além dos remédios para a diabetes, porto medicamentos para prevenir infarto.

Por sinal, noto entre quatro amigos meus que usam Viagra que concomitantemente trazem consigo remédios que previnem infarto: sabem como é, se a exigência for demasiada para o velhinho, o coração dele pode fraquejar.

Embora, nesses casos em que os idosos são chamados para atender desempenhos sexuais, esforço bem maior que o deles é o de suas parceiras para desembaraçá-los, convém então que nesse caso de conúbio estejam de prontidão medicamentos para os casais.

Mudando de assunto, aconteceu um caso extraordinário que chegou ao meu conhecimento: um homem de Sapucaia resolveu parar de fumar substituindo os cigarros normais por cigarros de chocolate, daqueles que a Neugebauer fabricava antigamente.

Mas devorava tantos cigarros de chocolate, que tanto afastou-se do perigo de câncer no pulmão quanto se aproximou do risco de diabetes.


Esse episódio confirmou uma antiga convicção minha, de que todo prazer leva, se não à perdição, a alguma doença grave.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Bom dia Anjo!


A felicidade é feita de
pequenas pérolas
que você cultiva a cada dia
a cada hora.
Bjosss

Um Lindo Dia!

Não é difícil lutar por o que queremos,
Mas sim, desistir do que mais se ama na vida.
Eu desisti. Mas não foi por não ter coragem de lutar,
Mas sim, por não ter mais condições de sofrer!"

Frases de Bob Marley

.


Um Lindo Dia!

Em muitas ocasiões construímos sonhos
Em cima de grandes pessoas...
O tempo passa... e descobrimos que grandes
Mesmo eram os sonhos e as pessoas
Pequenas demais para torná-los reais!"
Há pessoas que amam o poder,
E outras, tem o poder de amar

Frases de Bob Marley

.


Felicidade é como a vida, curta e
inesperada.
Felicidade é como a brisa, suave e
desejada.
Felicidade é chorar, sorrir, ao ver
um amigo acenar.
É sentir-se satisfeito, agir, quando
mais um chegar.
Felicidade é sorrir com pouco sofrer;
é fazer desse pouco, todo o motivo
para viver!!!
Com Carinho pra Voce!!!




BOM DIA ANJO!!!!

A alegria que

embala meus dias

a beleza que

vejo na vida,

A melodia que dirige

os meus passos



só tem um nome:

Você!
 


Bom dia... 

É melhor abraçar os espinhos
da verdade que as rosas
da ilusão.
Linda terça-feira pra você

"O que mata um jardim
não é o abandono.
O que mata um jardim
é o olhar de quem por ele
passa indiferente."

(Mário Quintana)


03 de dezembro de 2013 | N° 17633
FABRÍCIO CARPINEJAR

Saudade a dois

A saudade tem prazo de validade.

Não pode permanecer muito tempo guardada. Não pode permanecer muito tempo não sendo correspondida.

Depois de aberta e fora do convívio, assim como o leite, a saudade azeda. E não há memória refrigerada para conservá-la.

Quando passa da hora, aquela falta ansiosa e comovente é capaz de se tornar ironia e sarcasmo.

O suspiro se transforma em ofensa – nos enxergaremos tolos e burros por confiar cegamente em alguém e esperar à toa. Reclamaremos nossa idiotice por termos feito uma vigília em vão, por termos esquecido de viver.

Já não queremos que o outro volte, já desejamos que ele nunca mais apareça em nossa frente. Violentaremos as lembranças, fecharemos a reza.

A ternura de antes será trocada pela raiva de não ser atendido. Mudaremos a personalidade de nossa conversa, de doce para ácida. Pois o segredo (a saudade é um segredo!) que nos alimentou durante meses não fora respeitado.

Infelizmente, a saudade apodrece.

Quando deixamos de pedir a presença para cobrar a ausência. É sutil o movimento. Toda a atenção dedicada ao longo de um período começa a ser vista como desperdício. Não aconteceu retorno das juras, nem o estorno das expectativas.

Você mandou centenas de mensagens, renunciou saídas com amigos e bares, teve uma vida discreta e fiel, só para honrar uma despedida, e percebeu que, no fim, sempre esteve sozinho na saudade.

Saudade é como o amor. Perece quando não é a dois.

Aliás, quando a saudade não é a dois, deixa de ser saudade para se descobrir solidão.

A saudade é o que guardamos do amor para o futuro. É o que deixamos para amar no futuro.

Nada dói tanto quanto um amor que não vingou após os cuidados do plantio.

Nada dói tanto quanto a saudade que envelhece, uma saudade que definhou pela indiferença, que não foi valorizada pela nossa companhia, que não desembocou em festa.

Nada dói tanto quanto promessas feitas gerando ressentimento.

A saudade não é eterna. Acaba quando percebemos que o amor era da boca para fora, que a urgência era interesse, que a necessidade era falsa.


A saudade é uma esperança de amor. Precisa ser consumida rapidamente, não mais que três meses. Senão, nos consome e nos estraga.

03 de dezembro de 2013 | N° 17633
LUÍS AUGUSTO FISCHER

Uma velha história

Estava lendo com meu filho uma edição adaptada da Ilíada, o clássico grego que tem em seu centro a famosa Guerra de Troia. Não faltam heróis, canalhas, oportunistas, batalhas, idílios, espertezas, vigarices, tudo enfim que a vida costuma oferecer, em doses variadas.

Trata-se de uma adaptação para jovens (um tanto acima do horizonte dos sete anos do Benjamim – mas não é exatamente assim que é legal, no magistério ou na criação dos filhos, oferecer mais horizonte do que aquele que o leitor já conhece?), feita por Bruno Berlendis de Carvalho para a editora Berlendis e Vertecchia. (Mais um pouco e vou ler com ele a excelente concepção e redação de Troia, de meu amigo Cláudio Moreno, da L&PM, que abarca a mesma guerra.) Leio aqui, explico ali, esmiúço ali adiante, e vamos indo.

(Na hora em que lembrei que a Guerra durou 10 anos, o olho do Benjamim abriu forte para dizer – “Igual à guerra dos gaúchos!”)

Numa oportuna introdução, somos informados da intriga que deu origem a tudo, antes de os gregos se deslocarem para as praias de Troia. Comemorava-se o casamento de Tétis com Peleu, bando de convidados no Olimpo, menos Éris, a Discórdia, que, para sacanear a alegria geral, lançou para dentro dos muros uma maçã de ouro maciço com a frase “Para a mais bela”. (Eis o tal “pomo da discórdia”.) Foi o que bastou para que três poderosas mulheres-deusas, Hera, Atena e Afrodite, se apresentassem, cada uma julgando-se a verdadeira destinatária do mimo.

Zeus, que sabia da bronca armada nessa disputa, tirou o corpo fora; indicou Páris, filho do rei de Troia, como alguém capaz de decidir a parada. As três foram até o pastor e botaram na mesa: Hera prometeu que, escolhida, faria dele um grande imperador; Atena o faria o melhor guerreiro entre todos; e Afrodite, a deusa do amor, prometeu a Páris o coração da mulher mais linda do mundo. O poder, a força e o amor. Eu leio a passagem e pergunto ao menino de sete anos quem ele acha que Páris escolheu. E ele, abrindo um sorriso maroto, não titubeia: o coração da mulher mais linda do mundo.


Certas coisas permanecem, de fato. Em horas como essa, me volta uma frase de certo personagem do Guimarães Rosa, não por acaso do conto A Terceira Margem do Rio, em que um filho precisa lidar com um pai que vai embora mas fica, sai da vista mas não da vida. Ao lembrar as agruras da filiação, o personagem diz que esse é um assunto que jogava para trás seus pensamentos. Bem isso.

03 de dezembro de 2013 | N° 17633
PAULO SANT’ANA

Analisando as canções

Há uma canção célebre entre nós, brasileiros, que diz assim: “Quem parte leva saudade de alguém/ que fica chorando de dor”.

Nunca entendi a letra dessa canção. Em primeiro lugar, se quem parte deixa alguém chorando de dor, então por que é que parte? Por que é que não fica?

Mas se tem de partir, então por que quem fica chorando de dor não parte junto?

Nunca entendi.

O contrário desse dilema se dá na canção célebre me parece que de Vinicius de Moraes: “Ai, vontade de ficar/ mas tendo de ir embora”.

Pior seria se tivesse vontade de partir mas fosse obrigado a ficar.

A letra de música mais idiota que conheço é de uma antiga marchinha carnavalesca: “Se a uva fosse como a melancia/ ai, ai, eu não passava por debaixo/ do cacho/ eu não passava por baixo do cacho”.

Me enganei, a letra de música mais idiota que conheço é de outra antiga marchinha carnavalesca: “O chinês Patichuli/ toca a flauta de bambu/ quando acaba de tocar/ bota flauta no baú”.

Na marcha em que ia a rima, pensei que enfiava a flauta noutro lugar.

E este outro antigo samba é sensacional: “Vagabundo que na minha cara der/ tem de fazer testamento e se despedir da mulher/ se tiver filho, deixa uma recordação/ cara que mamãe beijou vagabundo nenhum põe a mão”.

Este outro é um antigo samba de breque do Jorge Veiga: “Me convidaram pra fazer um samba/ lá no Morro da Alegria/ me apresentaram pro dono da casa/ era um tal de Malaquia/ ele me disse, em sua homenagem, eu já mandei preparar o prato./ Eu fiquei indignado/ quando me disseram que comi carne de gato./ Malandro não dá mancada/ vou pôr minhas mãos à obra/ vou convidá-lo para uma peixada, vai ser carne de cobra”.

E terminava no breque: “Surucucu, cascavel”.


E eu, que jogo sempre na Codere, sócia do Jockey Club ali na 24 de Outubro, quanto mais perco nas apostas do turfe, mais me lembro do samba também do Jorge Veiga: “Todo fim de mês o Edgar faz isso/ se mete nas corridas e lá se vai o aluguel/ chegando lá, muito contente fiz a acumulada/ o Rubem disse que era uma barbada/ cavalo Bacharel não podia perder/ a saída foi boa, um corpo na frente/ foi bem aplaudido por toda a gente/ mas a chegada é que foi de amargar/ fui ver o meu cavalo estava em último lugar”.

03 de dezembro de 2013 | N° 17633
DAVID COIMBRA

O sorriso da menina

Amenina teria uns 12 anos de idade. Talvez menos. Viria do colégio, que tinha uma mochila de corcova. Era magrinha, o rosto de traços desenhados a bico de pena, os olhos redondos de corça, os dentes muito brancos, a pele preta de um preto imaculado, um preto perfeito. E prendia o cabelo em duas tranças que lhe roçavam as alças da mochila.

Vinha de uma esquina, eu de outra. Percebi que, lá de longe, ela fixou o olhar em mim. Caminhava com desenvoltura e olhava para mim. Olhei-a, também. Fiquei curioso com o interesse dela. Estávamos a uns 10 metros um do outro, quando ela começou a sorrir. Foi um sorriso que se abriu devagarinho. Primeiro ela sorriu com os olhos, só a luz do sorriso fazendo-lhe brilhar o rosto bonito. Depois, os cantos da boca foram se erguendo lentamente.

Eu caminhava e olhava para aquele sorriso em construção, ela caminhava e, enquanto isso, não parava de construí-lo. Assim fomos nos aproximando. Oito metros, seis metros, quatro. Estávamos bem próximos, bem próximos, e o sorriso dela era um sol e não havia malícia naquele sorriso, era um sorriso que era só isso mesmo, um sorriso de alegria, e eu sorria também e, a um passo de distância, parei.

Ela parou. Olhei para baixo, para o belo rosto sorridente da menina. Ela olhou para cima, para os meus olhos. Cheguei a abrir a boca para perguntar algo. Mas perguntar o quê? Hesitei por um segundo, a boca ainda entreaberta, um pedaço de verbo preso entre os dentes. E então ela cantarolou:

– Hoje eu só quero que o seu dia termine bem...

Dito isso, seguiu caminho e levou o sorriso com ela, a mochila balançando nas omoplatas. Observei-a ainda por dois ou três segundos. Queria dizer algo. Não disse. Segui também o meu caminho, pensando naquele sorriso. E deu certo. Ela conseguiu. O meu dia terminou bem.

É fácil ser feliz quando se espera pouco da vida, não é? Um ponto para o Grêmio, um ponto para o Inter, um sorriso para mim, e estamos todos resolvidos.

Bom Senso no bolso

Bonito o movimento Bom Senso dos jogadores de futebol. Querem menos partidas, rodadas que não passem das 10 da noite, o saneamento financeiro dos clubes e tudo mais.

Mas eles se esqueceram de uma chaga do futebol brasileiro: os salários absurdos dos técnicos e dos jogadores. Alguns daqueles protestantes que se sentam na grama de braços cruzados ganham R$ 600 mil, 700 mil, 800 mil, 900 mil por mês. Não há como o futebol brasileiro se sustentar, pagando essas fortunas a cada dia 5. Que seja incluída uma pauta nas justas reivindicações: salários de, no máximo, R$ 200 mil. E sem pagamento por direito de imagem, que, tecnicamente, é o “por fora”. Tenho certeza de que os jogadores aceitarão se sacrificar um pouco em nome do Bom Senso.

Técnicos

Renato é o segundo colocado no Campeonato Brasileiro, o Grêmio está classificado para a Libertadores, e ele é criticado todos os dias, a maioria não quer sua renovação, chamam-no de mau técnico.

Dunga foi demitido, teve 46% de aproveitamento e é considerado o salvador do Inter.


Vá entender.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


.

Você me tinha em suas
mãos. E acho que o erro foi esse. Você sabia disso e por isso não cuidou. Achou
que eu sempre estaria nas suas mãos.
Mais um erro. Eu escapei, pelos teus
dedos. E pedir desculpas, pedir pra eu voltar,
não vai adiantar muita coisa.
Hoje estou nas mãos do vento.
E espero que ele me leve até alguém que cuide de
mim, dessa vez.

Querido John
By Keyla



Amor de almas e corpos há uma multiplicação das células.
Sem diminuir nada até dividir afinal o kit tem que ser completo.
A harmonia é o estampido da comemoração...
Sejamos felizes até o fim.
*
Carinhosamente por alguns segundos.
Boa Noite Universo estamos sozinhos... tadinhos.
*
Tenho uma alma apaixonada e diversificada.
Da mesma forma que amo luzes brilhantes,
amo o escuro do meu quarto.
*
Um sonho de amor.
E muitos outros...
Mas o do amor é sempre o mesmo.
*
Minhas frases meus encontros comigo mesma e o prazer de viver.
Meus caminhos crescimento força luz e alegria isso me basta.
Sol Holme..


.

Me sinto assim dançando à beira mar...


O vento faz a melodia e minh'alma acompanha feliz.
Sempre tocará uma melodia na brisa entregando em notas musicais.
A vida recebe em sopros a melodia faz um concerto e baila a vida.
Só o amor tem todas as respostas e com elas a luz da existência.
Somos seres movidos erguidos com a lei do amor.
Amar é o tudo dentro do nada é a luz que ilumina.
Que abraça ergue e faz amar e ser amada.
Viver a vida boa é sonhar acordada.
Sonho porque sou o sonho e com ele a esperança.
Que move e faz o que sou na luz preciosa da fé.
Sol Holme..


.

 Bailarina gestos leves cheios de magias.

A leveza dos movimentos com elevação do som, 
fazem uma visão romântica dando asas aos sonhos.
A vida se acalma no encontro das almas.
Em momentos de muita emoção a platéia abraça 
e saem de mãos dadas elas e a melodia.
O universo embarca e desliza com a beleza da dança.
Delicadezas são afetos e tatos nas belezas.
Concordâncias e cumplicidades físicas e almas...
Termina com aplausos eternamente belezas infinitas.

..Sol Holme..


.


Eu ainda vou acordar com você bagunçando a cama,
Rindo alto e dizendo que eu já dormi demais.
Você ainda vai me olhar nos olhos, e descobrir todos
Os meus segredos. Eu vou sentir frio,
Mas você vai estar aqui pra me esquentar.
Ainda vou te abraçar, e nunca mais vou soltar.

.


02 de dezembro de 2013 | N° 17632
ARTIGOS - Paulo Brossard*

Popularidade com vitamina e xarope

Como é sabido, a opinião pública pode sofrer alterações rápidas, quase repentinas, assim como pode manter estável período mais ou menos longo. Observadores do que se passa entre nós nos dias atuais, têm notado uma fase de certa paralisia por parte do governo quando este, pelos próprios recursos de que dispõe e das atribuições que lhe são inerentes, é o maior agente de possíveis transformações. Nesse particular, a projeção pode ser no sentido de majorar, manter ou reduzir seus fluxos, e sem falar em sua desmedida gula eleitoral, a ação governamental, em geral, parece entravada.

Os fatos do dia estão a mostrar que a maior empresa nacional está a enfrentar desconforto em razão da resistência da autoridade em suprimir as causas do fenômeno. É fato notório que os preços dos combustíveis no mercado externo têm sofrido elevações que projetam seus efeitos nos preços internos. Assim, no começo do ano, a majoração do preço do petróleo no mercado internacional importou no aumento dos custos do combustível na bomba.

A Petrobras tomou as providências no sentido de restabelecer a relação avariada; quando implantaria as medidas tidas como inevitáveis, a senhora presidente da República vetou a providência. Não faltou quem sustentasse que os preços internos seriam mantidos, e esta orientação foi anunciada como definitiva.

Ocorre que a empresa, que é uma das maiores do país, vinha sofrendo o duro impacto do congelamento oficial, de modo que o mau desempenho da Petrobras num dos trimestres do ano em curso, decorreria da decisão presidencial. A questão não é de somenos, uma vez que, também é sabido, ela não tem como conviver com a atual orientação.

Nesse quadro, a senhora presidente, cuja bravura é apregoada, guardava silêncio; até que a febre se elevou a tais alturas que se tornou inafastável refazer o exame de alguns meses tanto mais se anuncia revisão dos preços internos dos combustíveis. Até aí nada há de novo. Quando novidade existisse e ela existe, essa configura uma nova componente no problema; mas a ela foi atribuída uma prevalência absoluta, para que governo e popularidade fossem confrades obrigatórios; a popularidade passou a ser a pedra de toque do governo e sua vitamina.

Ao que consta, a descoberta é devida aos talentos mágicos do marqueteiro oficial. Vale recordar que, no início do mês que acaba de findar, grande jornal estampava com todas as letras que: “apesar de ter intensificado sua situação política nos últimos quatro meses, a presidente não concretizou a previsão do marqueteiro João Santana, de que até novembro recuperaria a popularidade perdida... a recuperação foi parcial e está parada há dois meses... diferentes segmentos da sociedade, em especial os mais jovens, nunca tiveram tantas divergências em relação à atuação da presidente”.

Com efeito, o caso é cheio de paradoxos, o ministro da Fazenda cambaleia em face dos antagonismos; a Petrobras engrossa a voz e a senhora presidente aguarda as mágicas do sumo pensador que, embora não faça parte do governo, é o detentor de seus segredos. Este não teve um voto para adquirir o título e a missão de marqueteiro, o que não impede que ele exerça o mandarinato na República, que soma esforços para assegurar a reeleição.

Do marqueteiro tudo é esperado. Duvide se quiser, mas o futuro do país pode estar nas mãos do original decifrador, criador e intérprete das intimidades da popularidade, essa é o xarope salvador dos problemas pendentes. Ainda bem que haja um mosqueteiro e um xarope, ou vice e versa, que é a mesma coisa.

Impedido de assistir à conferência de Roberto Saturnino acerca da ética, apraz-me declarar que, tendo com ele convivido frente a frente durante oito anos no Senado, posso testemunhar que ninguém possui melhores atributos para versar o tema. Sua atuação no Senado foi modelar.

Ainda bem  que haja um mosqueteiro e um xarope, ou vice e versa, que é a mesma coisa.

JURISTA, MINISTRO APOSENTADO DO STF



02 de dezembro de 2013 | N° 17632
LIBERATO VIEIRA DA CUNHA

Com Quintana em Berlim

“O tempo é a insônia da eternidade.”

Essa frase não é minha. É de Mario Quintana, e tão esplêndida em sua símplice nudez que um escocês de ascendência italiana, Giovanni Pontiero, resolveu traduzi-la para o idioma da duquesa Kate Middleton.

Quando eu estudava em Berlim e não conseguia dormir, a recitava como um acalanto: “Time is the insomnia of eternity”. E então iam me pesando os olhos e eu pensava não na duquesa Kate, que nem havia nascido, mas em todos os pequenos, grandes acontecimentos de que se construíam à época meus dias, e ia adormecendo assim como quem resvala, tímido, em um vórtice.

Mas tinha vezes em que não conseguia dormir e aí acompanhava a respiração da deusa nórdica que sonhava ao meu lado – e isso me dava uma certa sensação de culpa, como se Deus me tivesse surpreendido em pecado. Pensava por um momento em gastas fórmulas de arrependimento que tinham me ensinado quando menino, mas então dizia baixinho para mim mesmo:

A teologia é o caminho mais longo para chegar a Deus.

Era outra vez Quintana em meu pensar, era outra vez Pontiero: “Theology is the most roundabout way of reaching God”.

Explico: por uma conspiração dos arcanos, vivendo na Alemanha, tinha dias em que eu praticamente só falava inglês, com meus amigos, com meus colegas, com meus professores, com minhas amadas. Usava o alemão só para pedir um prato num restaurante de Kurfürstendamm ou de Kreuzberg, para indagar um endereço, enfim, para as coisas triviais da existência – e isso se repetiu em ocasiões diversas, pois não estudei apenas uma vez em Berlim.

Até as insônias, como entreguei no começo, eram em inglês. Eu ficava bem quieto, procurando imergir em inconsciência, ouvindo o pulsar dos segundos, e escutava Quintana:

Esse tic-tac dos relógios é a máquina de costura do Tempo a fabricar mortalhas. E vinha Pontiero: “This ticking of clocks is the sewing-machine of Time making shrouds”.

Mortalhas? Não me ligava muito nisso. Não pensava no Lado de Lá, a não ser no que ficava logo ali, transpondo o Muro, tão sombriamente fascinante. Não cogitava ir além, jamais, da tênue fronteira da vida. A vida era bela, e mesmo assim havia mais compensações:

Não sabias? – perguntava Quintana. – As nossas mortes são noticiadas como nascimentos pela imprensa do Outro Mundo. Didn’t you know? – confirmava Pontiero. – The newspapers announce deaths as births in the Other World.


Enquanto isso, ao meu lado, do lado de cá de minha segunda juventude, sonhava aquela deusa nórdica que nunca mais vi.

02 de dezembro de 2013 | N° 17632
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL

América Latina

O incêndio do Memorial da América Latina, com suas perdas culturais e artísticas, chama nossa atenção à simbologia do sinistro. Claro, a América Latina não ardeu em chamas; ela segue íntegra e forte. É América, sim, mas a que acrescentaram o adjetivo “latina”, não por sua posição geográfica, o que seria mais natural (vide “América do Norte”), mas à formação de sua cultura, de forte raiz latina, englobando-se nesse sintagma as línguas como definidoras: o espanhol e o português, ambas derivadas do Latim, mas não seus aspectos culturais.

Essa curiosidade na denominação, por genérica, encerra alguns preconceitos típicos de quando se quer incluir na mesma definição um conjunto de elementos diferentes entre si. O nosso país, por exemplo, conheceu uma profunda miscigenação de povos extracontinentais, a começar pelos enormes contingentes africanos que falavam de tudo, menos, e sabidamente, alguma língua latina; se suas línguas originais não vingaram íntegras, os elementos de suas culturas integraram-se ao modo de ser brasileiro a ponto de não sabermos onde uma cultura começa e onde termina a outra.

Da mesma forma, os povos indígenas eram portadores de formas de expressão linguística extremamente ricas, de um léxico refinado e de uma sintaxe complexa, que igualmente pereceu ante a língua dominante, mas que deixou marcas em nossas expressões cotidianas e que saborosamente reproduzimos. Se pensarmos nas vagas imigratórias europeias e asiáticas, o quadro torna-se ainda mais multicolorido e sedutor.

A assimilação dessas convergências não significou apenas uma mutação na área da expressão oral e escrita, mas também a composição étnica que, aqui, encontrou um dos maiores campos de sincretismos de toda natureza.

Sendo assim, a denominação “latina” pespegado à nossa América, é um constructo intelectual erudito que prima por ser redutor e, por redutor, injusto.

Não, não se quer propor nenhuma espécie de mudança no nome que aprendemos desde crianças, mas que tenhamos a consciência de que nem sempre somos senhores de nossos nomes, e que eles estão sujeitos às imposições de outras latitudes.


O incêndio do Memorial da América Latina reduziu a pó e escombros uma parcela importante de nossas melhores expressões artísticas, mas nossas culturas, essas que permeiam nosso sangue e músculos, essas são reafirmadas a cada dia de nossas vidas, e não são sujeitas ao fogo e ao perecimento.

02 de dezembro de 2013 | N° 17632
PAULO SANT’ANA

Zé Roberto gigantesco

Ontem me desconheci. Tirei do fundo do baú uma camiseta oficial do Grêmio. Vestia-a no início da tarde e pus por cima dela uma jaqueta bela do Grêmio. Calça, tênis, esqueci-me do radinho, mas eu estava fardado para ser gremista.

O dia era importante. Era necessário vencer o Goiás, o Grêmio se classificaria assim para a Libertadores do ano que vem, o que nos diferenciaria do tradicional adversário, o Inter, que ainda penava teórica e remotamente para não ser rebaixado.

Não sei que influência exótica do signo do zodíaco atuou sobre mim para ser gremista. Meu pai era gremista, no entanto, o meu irmão Cirilo, que tinha dois anos menos que eu, saiu colorado. Não foi, portanto, a hereditariedade que influiu para eu ser gremista.

Deve ter sido uma ultrafatalidade de ossatura e músculos, conjugada com meus neurônios, que me fez ser gremista.

Pois assim lá estava eu à tarde de ontem ridiculamente fardado de gremista e pronto para dirigir-me à Arena para o que desse e viesse.

Lá fui eu juntar-me às dezenas de milhares de gremistas que tinham os corações repletos de esperanças na vitória.

Para se chegar à vitória é preciso ter esperança. Mas esperança não nos faltava ontem no fim da tarde. Faltava-nos apenas um time. Sobre isso é que pretendo falar nas linhas seguintes.

Mas o dia seria esplendoroso para o Grêmio. Zé Roberto teve uma utilidade técnica e tática que a maioria das pessoas não enxerga e inclusive o Renato, que o substituiu erradamente.

Foram magistrais na vitória de ontem, além de Zé Roberto, Souza, Rhodolfo e Bressan.

Rhodolfo foi extraordinário, Fábio Koff tem que usar de toda a força de seu talento para manter Rhodolfo no Grêmio em 2014, isso é fundamental.

Além de tudo, aconteceu um milagre. O Santos, sem nenhum interesse mais no campeonato, ganhou do Atlético Paranaense, o Santos fora de casa. Isso é um prodígio.

Esse resultado deu ao Grêmio praticamente o título tranquilo de vice-campeão brasileiro. Que tarde/noite! Eu vivi com isso tudo o dia mais feliz do ano. Hosanas! Como é bom viver!

Meus pêsames aos que secaram o Barcos durante todo este tempo: ontem se arrebentaram, o Barcos fez o voo da classificação.


Dida e Barcos, ontem Dida foi magistral, os dois que eu indiquei para Fábio Koff deram-nos a classificação.

02 de dezembro de 2013 | N° 17632
L.F. VERISSIMO

Retratação

Tudo é vaidade.

Tem aquela do cara que invade uma delegacia de polícia e exige falar com o desenhista.

– Com quem?

– Com o desenhista. O que faz retratos falados. Quero falar com ele agora!

–Espera aí. Você não pode entrar aqui

assim e...

– Não interessa. Quero falar, imediatamente, com quem fez isto.

E o homem mostra um cartaz em que aparece o desenho de um rosto e escrito, em cima, “Procura-se”. Insiste:

– Se ele não aparecer logo, eu quebro esta joça!

– Calma, cidadão. Calma.

Tantas o homem faz que o desenhista é localizado e trazido a sua presença. O homem mostra o cartaz e pergunta:

– Isto se parece comigo?

– Isto se parece comigo?

– Bom, eu...

– Não. Me diga. Esta cara se parece vagamente com a minha?

– É que eu...

– Olha o meu nariz e olha o nariz do desenho. Desde quando eu tenho um nariz assim? E a boca?

– É que eu me guiei pela descrição da testemunha...

– Não. Não tente transferir sua culpa. O desenho é seu. É a minha cara falsificada que está por aí, colada em tudo que é poste da cidade. E eu exijo retratação. Ou, no caso, rerretratação.

Um policial de plantão interfere:

– Você está preso. – Eu sei – diz o homem. E, para o desenhista:

– Assim você terá o tempo que quiser para refazer meu retrato, usando o original como modelo. – Está bem – diz o desenhista.

– Certo, desta vez!

PAPO VOVÔ


Às vezes sou recrutado para o papel de príncipe encantado, nos brinquedos da Lucinda, nossa neta de cinco anos (“e meio”, como ela faz questão de dizer). No outro dia, cumpri minha missão e ressuscitei a princesa envenenada com um beijo. Mas não consegui levá-la para o meu castelo, ela preferiu ficar na rua. Agora essa: princesas republicanas.