segunda-feira, 3 de agosto de 2026


Alerta para a resposta ao HIV

Embora as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à AIDS tenham atingido os menores níveis dos últimos 30 anos no mundo, a resposta global à epidemia está fragilizada e corre o risco de retroceder. O alerta está no relatório anual divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids).

O documento aponta que, apesar da tendência de queda, o cenário não é homogêneo entre as diferentes regiões do mundo. Segundo o oficial de Igualdade e Direitos do Unaids Brasil, Gustavo Passos, outro ponto de atenção é a desaceleração do progresso rumo às metas globais de enfrentamento ao HIV - a estratégia do Unaids tem como objetivo acabar com a epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, com foco na ampliação do diagnóstico, do tratamento, da supressão viral e na redução das desigualdades.

- Se você olhar os gráficos, você percebe que, de fato, está caindo, mas a queda não está chegando próximo à meta que gostaríamos. Então, pode ser que alcancemos essa meta, mas vai demorar mais. E, nesse meio tempo, novas infecções por HIV serão registradas e casos de mortalidade relacionados à AIDS também.

Outro ponto de atenção é a redução do financiamento internacional e os cortes em programas de prevenção e serviços. Embora alguns países consigam sustentar seus programas com recursos próprios, outros dependem de organismos externos.

Brasil combina avanços e desafios

Apesar de estar entre os países que registraram crescimento de novas infecções, o Brasil é apontado como uma referência em diversos aspectos da resposta ao HIV. O SUS financia integralmente ações de prevenção, diagnóstico e tratamento.

- O Brasil alcançou duas das metas: a de diagnóstico e a de supressão viral. O tratamento ainda é um desafio, porque fala muito sobre a vinculação dessas pessoas ao serviço. Essa parte é fortemente atravessada por questões de estigma e discriminação.

O relatório também mostra avanços. O Brasil registrou um aumento de 41% no número de pessoas que utilizaram a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV pelo menos uma vez no último ano. O medicamento é distribuído pelo SUS, atuando na prevenção. Passos destaca que o país já ultrapassou um dos indicadores considerados favoráveis para reduzir a transmissão do vírus. _

Monumento de líder farroupilha será restaurado

O Monumento Bento Gonçalves, obra do escultor Antonio Caringi localizada entre as avenidas João Pessoa e Azenha, em Porto Alegre, será revitalizado. O restauro será de responsabilidade do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do RS (Sinduscon-RS), da Associação Sul-Riograndense da Construção Civil, da Secretaria da Cultura do RS e da prefeitura de Porto Alegre.

A iniciativa integra o Projeto Construção Cultural - Resgate do Patrimônio Histórico. O lançamento oficial do projeto ocorre hoje no Paço Municipal. _

Entrevista - Marcio Pimenta - 
Explorador

"Darwin hoje ficaria maravilhado com as descobertas"

Depois de fotografar a Patagônia, em um trabalho que percorreu a rota feita por Charles Darwin, entre 1831 e 1836, o explorador Marcio Pimenta lançou o livro Encontrando Darwin - Uma expedição pelos confins do mundo (Solisluna). A obra trata da viagem, feita em 2023 em uma expedição para a National Geographic Society.

Por que decidiu escrever este livro agora, depois da série de fotografias?

Percebi que as fotografias não eram suficientes para narrar a história. A foto tem uma limitação na contação de histórias, e somente a escrita poderia se sobrepor. O que me encorajou foi que, em maio de 2025, perdi meu pai. Ele dizia que eu escrevia melhor do que fotografava. Eu me senti na obrigação de escrevê-lo.

No início do projeto não era uma ideia?

Não. Fiz as anotações de viagem, como estou fazendo aqui, na Patagônia. Reuni todas essas notas para, finalmente, desenvolver o livro. Também precisei de um período de amadurecimento em relação ao que eu, de fato, tinha vivido na viagem.

Por que a Patagônia e a história do Darwin na região?

Sempre gostei muito de ler sobre os exploradores, e, no Brasil, sempre existiu uma carência muito grande de livros desse gênero, com narrativas de viagens. Durante a pandemia, fui buscando o que existia, e encontrei os diários de Darwin. Comecei a ler de forma despretensiosa e me dei conta de que grande parte de sua volta ao mundo, de cinco anos, ele passou na Patagônia. Escrevi para o maior biógrafo de Darwin, e ele me disse que, sem dúvidas, as maiores descobertas de Darwin haviam sido lá. Ela foi a escola de Darwin.

Como foi planejar a viagem? Era possível conectar os diários com o roteiro atual? Dava para visitar todos os locais. Eu fui colocando no Google Maps e destacando os pontos principais da narrativa. Percebi que todos eram visitáveis, fui percorrendo e percebendo que, entre um ponto e outro, existiam histórias, inclusive que Darwin adoraria ter conhecido, e que não teve oportunidade.

Por exemplo?

O dinossauro de Trelew (Patagotitan mayorum), o maior dinossauro já descoberto na Terra. Atualmente, os maiores dinossauros descobertos estão no RS e na Patagônia. Nem passava pela cabeça dele que existiam esses dinossauros. O Mylodon darwinii, em Punta Alta, a sudeste de Buenos Aires, foi a maior descoberta do Darwin, porque esse fóssil tinha 11 mil anos. E a Igreja dizia que a Terra tinha sido criada há 6 mil anos. Foi o primeiro choque dele.

Você dá um upgrade a Darwin, apontando coisas que ele não descobriu na época e que hoje a ciência permitiu que conhecêssemos. Darwin hoje ficaria maravilhado com as descobertas, que seguimos em frente. Ele abriu os caminhos, e, hoje, o que fazemos não é nada mais do que seguir os caminhos que ele trilhou.

No livro, você adota um tom contemplativo, de calma e reflexão. Fazer essa expedição exige reduzir a marcha? O olhar do explorador precisa de calma e, principalmente, de tempo, senão ele se torna um turista. Essa é a diferença entre o explorador e o turista. Um turista passa pelo caminho. No caso do explorador, o caminho passa por ele.

Quais os aprendizados ao fechar um ciclo de cinco anos estudando a Patagônia?

É sobre a nossa relação com o tempo e sobre como nos desenvolvemos como sociedade. Conheci os grupos étnicos da Patagônia, que tem todos os direitos garantidos, mas também tenho visto muito autoritarismo, que não provoca um diálogo. Hoje, temos criado barreiras. Graças ao tempo que Darwin viveu, ele teve mais tempo para desenvolver suas ideias. Ele leva 20 anos para escrever a teoria. Para isso, teve de superar diversos preconceitos que ele próprio tinha. O maior aprendizado é que só evoluímos com o benefício da dúvida, do tempo, ao permitir às pessoas que alcancem sua própria evolução no tempo de que elas precisam. _

INFORME ESPECIAL 

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