quarta-feira, 5 de agosto de 2026

05 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O avanço silencioso do extremismo político

Enquanto a direita e a esquerda perdem tempo debatendo se PCC ou CV são grupos terroristas, o extremismo político-ideológico cresce, silenciosamente, no Brasil, a despeito de designações como a feita recentemente pelo governo dos Estados Unidos. Ontem, uma operação integrada de polícias civis de vários Estados desarticulou um grupo que planejava explodir um prédio onde ocorrerá o debate de candidatos presidenciais antes do segundo turno das eleições deste ano. Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido em Canoas.

Facções criminosas podem se utilizar de métodos terroristas, mas o que as diferencia de organizações extremistas é o fundamento ideológico por trás das ações: causar medo, estupor, pânico é, para essas organizações, meramente uma ferramenta para alcançar fins políticos. Tão grave quanto a desinformação e a tentativa de deslegitimar o processo eleitoral é a ameaça de violência política. As últimas campanhas eleitorais na América Latina já mostraram essa deterioração.

No ano passado, na Colômbia, o então pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay foi baleado durante um ato de campanha em Bogotá. Ele foi atingido por disparos enquanto discursava e morreu semanas depois em decorrência dos ferimentos. O recente eleito, Abelardo de la Espriella, passou a fazer comícios atrás de um escudo de vidro à prova de balas, além de usar colete balístico em eventos públicos.

Em 2023, no Equador, o candidato à presidência Fernando Villavicencio, conhecido pelas denúncias contra corrupção e crime organizado, foi assassinado ao deixar um comício em Quito, poucos dias antes da eleição. Após o assassinato, os candidatos passaram a fazer campanha cercados por um esquema de segurança inédito. O hoje presidente Daniel Noboa passou a aparecer em eventos usando colete à prova de balas, cercado por militares e agentes fortemente armados, e, em alguns atos, discursando atrás de barreiras de proteção. Em 2024, no México, dezenas de candidatos - sobretudo a prefeituras e governos locais - foram assassinados.

O Brasil tem seu histórico recente, com o assassinato da vereadora Marielle Franco e a facada ao então candidato Jair Bolsonaro, ambos em 2018, e os ataques aos prédios da República, em 8 de janeiro de 2023.

O histórico brasileiro é marcado por episódios graves, mas mais esporádicos e concentrados em períodos específicos, sem que se consolide um ciclo prolongado de terrorismo político-ideológico como ocorreu em outros países. Por isso, merece o reconhecimento a ação policial, com uso de inteligência, sobretudo, para agir antes da concretização dos atos.

É fundamental que policiais, Justiça e outras autoridades estejam atentos ao menor indício de planejamento de ações, nas redes sociais e na vida real. E, sobretudo, que candidatos não insuflem discursos de ódio a alimentar seguidores extremistas. _

MP pode punir donos de cães abandonados

O Ministério Público do RS deve buscar a responsabilização dos tutores dos cachorros microchipados que estavam abandonados na região da Vila Dique pelo crime de maus-tratos aos animais. É o que informou a promotora de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre, Annelise Steigleder, após uma reunião na segunda-feira com a prefeitura da Capital. Já os animais que não tiverem família e não puderem ser acolhidos serão encaminhados para abrigos públicos.

A coluna levantou o assunto na semana passada, quando foi informada da existência de cerca de 40 animais na região que foi evacuada para obras de recuperação do sistema de proteção contra as cheias. Nesta segunda-feira, restavam poucas famílias.

- Todos os animais de lá foram microchipados, então são cães com tutores. A ideia é que as pessoas levem os animais consigo. As famílias que não tiverem condições, os cachorros ficarão acolhidos na USAV (Unidade de Saúde Animal Victoria) até que eles possam ser buscados. E nos casos de abandono, como temos o endereço dessas famílias, o Ministério Público vai buscar a responsabilização dessas pessoas pelo crime de maus-tratos, porque o abandono dos animais constitui crime - disse Annelise.

A prefeitura também informou na segunda-feira que restavam 10 cães e que todos estavam acompanhados por seus responsáveis. _

Gaúcho em conselho do Vaticano

O arcebispo de Santa Maria, dom Leomar Antônio Brustollin, foi nomeado como membro do Conselho Internacional para a Catequese da Santa Sé. O cargo tem o período de cinco anos.

O conselho é um órgão consultivo do Vaticano que reúne bispos e especialistas para estudar temas de transmissão da fé, iniciar a vida cristã e auxiliar o Dicastério para a Evangelização.

Natural de Caxias do Sul, dom Leomar Brustollin teve passagens pela Arquidiocese de Porto Alegre antes de ir para Santa Maria. Na Capital, foi professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Teologia da PUCRS.

Na CNBB, foi membro da Comissão Pastoral para a Doutrina da Fé, bispo referencial para Educação e Cultura no Regional Sul 3, e presidiu a Regional Sul 3 e a Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequética. _

Um avião russo pousa em Brasília

Um avião Ilyushin II-96-300PU, quadrimotor responsável pelo transporte do presidente e de outras altas autoridades do governo da Rússia, está pousado no aeroporto de Brasília.

A aeronave, de matrícula RA-960233, chegou à capital federal no domingo, conforme o site Flight Radar. O avião saiu de Moscou (Rússia), fez escala em Argel (Argélia) e chegou a Brasília no mesmo dia em razão do fuso horário.

O Ilyushin II é operado pelo Esquadrão Especial de Voo Rossiya, nome que aparece em russo na fuselagem.

Embora seja uma das aeronaves utilizadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, e por autoridades como o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, essa aeronave não transportava nenhum dos dois. Quem veio foi o conselheiro presidencial e chefe do Colégio Marítimo Nacional, Nikolai Patrushev, que está em visita ao Brasil para reuniões de cooperação naval e segurança oceânica.

Patrushev se reuniu com o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, com o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Zerbone Loureiro, com o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e com a número 2 do Itamaraty, Maria Laura da Rocha. 

Quem é o amigo de Putin

Nikolai Platonovich Patrushev, autoridade russa que está no Brasil, é conselheiro presidencial de Vladimir Putin e chefe do Colégio Marítimo Nacional da Rússia. Patrushev é um dos oficiais de inteligência mais próximos de Putin, considerado um dos candidatos mais prováveis a sua sucessão.

Serviu como secretário do Conselho de Segurança da Rússia entre 2008 e 2024, quando teve papel fundamental nas decisões de anexação da Crimeia, em 2014, e na invasão da Ucrânia, em 2022. Devido à operação na península ucraniana, foi incluído na lista da União Europeia de indivíduos sancionados. Em 2018, os EUA impuseram sanções a ele. Um inquérito público do Reino Unido apontou que Patrushev esteve envolvido diretamente na ordem sobre o envenenamento do dissidente russo Alexander Litvinenko, em 2006, em Londres.

Sua amizade com Putin é antiga. Remonta ao período em que trabalharam juntos na KGB (o serviço de inteligência soviético) e no seu herdeiro, o atual FSB (Serviço Federal de Segurança). Patrushev, aliás, sucedeu a Putin como diretor do FSB em agosto de 1999. Ele comandou a agência até 2008. _

INFORME ESPECIAL

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