domingo, 8 de dezembro de 2013


08 de dezembro de 2013 | N° 17638
O CÓDIGO DAVID | DAVID COIMBRA

MORRER ENVENENADO DE AMOR

Vi que o Antônio Fagundes está sendo envenenado paulatinamente por sua jovem e faiscante esposa na novela das 9. Se entendi bem, ele é um médico rico de uns 65 ou 70 anos, e ela uma bela arrivista de vinte e poucos. Clássico.

Imagino que, quando o Antônio Fagundes descobrir a trama, preferirá a morte por envenenamento à desilusão – a menina vive repetindo que o ama, que quer cuidar dele para sempre e bibibi.

Nós homens somos muito frágeis emocionalmente. As mulheres, umas rochas.

Eu, será que me deixaria engambelar a ponto de ser envenenado até a morte pela mulher que amo? Suponho que sim. Já fiz papel de trouxa com mulheres. Agora, nunca, nunca, NUNCA uma mulher, ou um homem, me dominou a ponto de me convencer a fazer algo que achasse errado fazer. Na novela, o Antônio Fagundes brigou com a filha por causa da mulher.

Comigo isso jamais ocorreria. Ficaria sem a mulher, sofreria, talvez rastejasse feito o verme que sou, mas não brigaria com meu filho. Se eu fosse um médico rico de 70 anos e uma coisinha de 25 se chegasse, o Bernardo não correria nenhum risco, portanto. É um orgulho mínimo, sei, mas, bem, cada qual com suas valências.

Lívia

Isso de envenenar um homem lentamente, isso é muito feminino. Há historiadores que dizem que Lívia arrastou seu filho Tibério ao trono do Império Romano lavando o caminho com veneno. Foi matando os postulantes, até chegar ao próprio marido, o grande César Augusto.

Augusto não era bobo como eu e o Fagundes, desconfiou que a mulher estava mal-intencionada e passou a alimentar-se apenas com os figos que cresciam nas figueiras dos jardins do palácio. Então, Lívia, à sorrelfa, borrifava os figos com veneno de madrugada. Augusto os comeu. E morreu.

Lucrécia

Uma envenenadora famosa que gostaria de ter conhecido era Lucrécia Borgia, tão linda quanto pérfida. O veneno que mais apreciava era a Cantarella, um pozinho branco que guardava no compartimento secreto de um de seus anéis. Quando ia servir vinho a um conviva especial, ela, disfarçadamente, acionava o mecanismo que abria o tampo do anel e despejava Cantarella na taça. Alguns goles depois, a vítima estava espumando pela boca e se debatendo em dores abissais no piso do palácio papal, que Lucrécia era filha do papa, por isso podia matar sem medo de ir para o inferno.

Toffana

Um veneno célebre foi a Acqua-Toffana, inventado na Renascença por uma italiana chamada, exatamente, Toffana. Stendhal era fascinado por essa poção. Escreveu a respeito. Tratava-se de um líquido incolor, insípido e inodoro. Uma aguinha. Que matava. Uma gota por semana liquidava a pessoa em dois anos, sem erro. Se alguma doença sobreviesse à vítima nesse período, ela morreria.

Os pios padres da Inquisição tentaram de todas as maneiras descobrir a fórmula da Acqua-Toffana. Para tanto, valeram-se dos seus tradicionais métodos de investigação: prenderam quatro mulheres chamadas Toffana, uma delas uma senhora de 80 anos que estava confinada em um convento. Torturaram-nas. Executaram-nas. Nenhuma confessou coisa alguma. A Acqua-Toffana permanece um mistério. Seria o veneno ideal para ser usado em mim ou no Fagundes.

As venenosas

Mas o meu veneno predileto, imbatível, sen-sa-cio-nal é um relatado por uma antiquíssima lenda egípcia. O seguinte: os faraós selecionavam algumas das meninas mais lindas de seu reino e as criavam administrando-lhes doses diárias de veneno. Começavam com um tantinho e iam aumentando a porção.

Até que, ao chegar à flor exuberante da juventude, essas mulheres estavam tão resistentes quanto tóxicas. Então, o faraó enviava uma dessas beldades de presente a um desafeto qualquer, para que a tomasse como concubina. O homem, vendo toda aquela beleza, não suspeitava do presente de grego do faraó egípcio. Deitava-se com a mulher. E morria envenenado de amor.

Não deve ser verdade, mas é belo. E também é cheio de significações. lado a lado num banheiro? Me imaginei de pijama amarrotado, e você de camisola de flanela.

Quando você entrou no bar, tive uma visão: você de camisola de flanela.

— Mas tudo isso só vem depois de muitos anos de casados.


— Claro.  — E de sexo. — Bom, se você quiser pensar assim...Mas o sexo seria apenas uma etapa.

08 de dezembro de 2013 | N° 17638 VERISSIMO
As aventuras da família Brasil

A cantada

— Quero ir para a cama com você.

— O quê?! — No momento em que vi você entrando no bar, pensei: quero ir para a cama com essa mulher.

— Olha aqui, não sei quem você pensa que eu sou, mas...

— Por favor, não se ofenda. Talvez não aconteça de nós irmos juntos para a cama. Provavelmente não vai acontecer. Mas achei que você deveria saber o sentimento que despertou em mim, no momento em que a vi. Eu sei, você deve estar pensando: “quem é esse maluco que sai da mesa dele e vem até a minha me dizer que quer ir para a cama comigo?

Que nem sabe o meu nome ou qualquer outra coisa a meu respeito, que nem liga para o homem que está comigo e daqui a pouco vai se levantar e pedir satisfações”. Mas acredite, eu não sou um louco. Minhas intenções são as mais puras, eu...

— Puras? Você vem aqui dizer na minha cara e na cara do meu namorado que quer fazer sexo comigo e...— Espera aí. Quem falou em sexo? Eu não falei em sexo.

— Como? — Cama não é só para sexo.

— Não entendi...— Eu disse que queria ir para a cama com você. Não fazer sexo.

— Você quer dormir comigo, é isso? Dormir mesmo. Só dormir.

— Não. Só dormir, não. Tudo que vem antes, durante e depois de dormir. Tudo que um casal faz junto, quando estão casados há tempo. Os velhos hábitos. Quem dorme de que lado, quem fica lendo até tarde e o outro reclama.

Quem tem pés frios e faz questão de encostá-los nos pés do outro. As conversas de cama: “como foi o seu dia? Como está a sua lombalgia? Quando será que os netos vêm nos visitar?”. Nos imaginei acordando na mesma cama, os dois meio emburrados pelo sono.

A decisão de todos os dias: quem vai ao banheiro primeiro? O que os dois fazem no banheiro. As escovas de dente dos dois lado a lado. Existe coisa mais comovente do que duas escovas de dente.


sábado, 7 de dezembro de 2013



BOM DIA!




07 de dezembro de 2013 | N° 17637
NELSON MANDELA

Longa marcha para o adeus

Nos próximos 10 dias, a África do Sul será local de peregrinação para estadistas, artistas e personalidades do mundo inteiro. A despedida ao ex-presidente Nelson Mandela, ícone da luta contra o racismo e a opressão, que morreu na noite de quinta-feira, constituirá uma das mais concorridas cerimônias públicas da história

Passado o impacto da morte de Nelson Mandela, o líder e ex-presidente sul-africano que se tornou ícone mundial contra o racismo será motivo de homenagens e muita reflexão nos próximos dias. Ele será sepultado em 15 de dezembro, disse o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma. O líder negro morreu na noite de quinta-feira, aos 95 anos.

Os eventos públicos e o velório do ex-presidente começarão na terça-feira, com uma missa solene no Estádio Soccer City, em Joanesburgo. O local é o mesmo onde Mandela apareceu publicamente pela última vez, em 11 de julho de 2010, na final da mais recente Copa do Mundo.

No mesmo dia 10, o corpo seguirá para Pretória, onde deverá ser velado por três dias no Union Buildings, residência oficial da presidência da República. A cerimônia deverá começar na quarta e terminar na sexta-feira, com a passagem de chefes de Estado, líderes políticos nacionais e a população. Dois dias depois, o corpo de Mandela será enterrado em Qunu, aldeia onde nasceu em 1918 e onde fica o mausoléu de sua família. E no dia 16 deve ser erguida uma estátua do líder em frente ao Union Buildings.

Zuma convocou para amanhã um dia nacional de orações e reflexões nos templos religiosos de todo o país para “refletir sobre a vida de Madiba (apelido tribal de Mandela) e sua contribuição para o país e o mundo”. Ao fazer o anúncio, afirmou que o amor demonstrado pelos sul-africanos e por outros países é “sem precedentes”.

– Isso demonstra a importância que Madiba tinha como líder. Devemos trabalhar juntos para organizar o melhor funeral possível para esse filho tão destacado do país e o pai da nossa nação – disse.

O sepultamento de Mandela será um dos maiores já realizados em todo o mundo. Deverá contar com a presença de dezenas de chefes de Estado e de governo, além de personalidades esportivas, da música e do cinema e de milhares de sul-africanos.

A expectativa é de que o número de estadistas e governantes seja próximo ao do velório de João Paulo II, em 2005, que teve a presença de cinco reis, seis rainhas e 70 presidentes.

A presidente brasileira Dilma Rousseff já informou que deverá ir à cerimônia. Além dela, são esperados o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o príncipe Charles, o premier britânico David Cameron, o presidente cubano Raúl Castro e o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe.

Entre as celebridades, deverão comparecer a ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton, a apresentadora Oprah Winfrey, o ex-capitão da seleção de rúgbi sul-africana François Piennar, campeão do mundo em 1995, e o vocalista da banda U2, Bono Vox.

Libertado em 1990 após ter passado 27 anos atrás das grades do apartheid, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul quatro anos depois. Caracterizou-se como um grande reconciliador, conquistando a admiração de ex-inimigos com os quais soube dialogar.

Mandela, enfim, entra para a história, em especial, por ter negociado com o governo do apartheid uma transição pacífica para uma democracia multirracial. Também por ter evitado a guerra civil que parecia praticamente inevitável nos anos 1990.

O ícone antirracista, que completara 95 anos em 18 de julho, havia sido hospitalizado em quatro ocasiões desde dezembro de 2012, sempre por infecções pulmonares. Os problemas se relacionavam com as sequelas de uma tuberculose contraída durante o longo período em que passou na ilha-prisão de Robben Island, na costa de Cabo, onde passou 18 anos dos 27 de detenção nas prisões do regime racista.

CLÉBER GRABAUSKA | PRETÓRIA

07 de dezembro de 2013 | N° 17637
CLÁUDIA LAITANO

Ubuntu

Experiências inesquecíveis em viagens podem ser divididas basicamente em dois tipos: as de reconhecimento e as de espanto. As primeiras costumam acontecer nos destinos turísticos mais tradicionais. Você cruza uma esquina e pá!, lá está o Coliseu, onde sempre esteve nos últimos 2 mil anos, e na hora o cenário real se sobrepõe ao Coliseu tantas vezes imaginado, provocando a deliciosa vertigem do reconhecimento. Conhecer (ou reconhecer) é o que leva muitas pessoas a pegar um avião e cruzar o planeta, mas se espantar, ou seja, topar com algo totalmente inesperado, faz com que a gente volte de uma viagem com a sensação de que o mundo ficou maior e mais complicado – no bom sentido.

Estive na África do Sul duas vezes, em 2007 e 2011, e desde então não parei de recomendar o país como destino ideal para quem gosta de se surpreender em viagens. Não faltam motivos para se espantar por lá, mas há também uma certa proximidade com o Brasil – e essa combinação de estranhamento e familiaridade dá um tempero especial ao país.

Em uma visita a uma comunidade zulu, na província de KwaZulu-Natal, por exemplo, tive uma das experiências mais intensas em viagens de que consigo me lembrar: um espetáculo de crianças dançando da forma mais alegre e contagiante possível – como se fossem as primeiras crianças da Terra a descobrir o prazer de dançar, e eu a primeira espectadora a descobrir o prazer de assistir.

Durante essa primeira viagem, chamou minha atenção a canonização em vida de Nelson Mandela. Bonecos nas lojas de souvenires, toalhas de mesa, bandeiras, todo um catálogo de quinquilharias pareciam transformar Mandela em uma espécie de produto de exportação do país.

Nas conversas com sul-africanos, não era muito diferente: “Madiba” aparecia como uma mistura de pai, soberano, libertador, guia espiritual. Para um observador latino-americano, ressabiado com líderes que se aproveitam da adoração popular para construir não um projeto de país, mas um culto pessoal, bonequinhos de pano com a figura de Mandela, a 10 rands cada, acendiam um alerta vermelho.

Foi preciso que eu descobrisse o sentido da palavra “ubuntu” para começar a entender por que Mandela jamais seria reduzido ao papel de líder messiânico ou de objeto de consumo. Ubuntu é uma palavra dos povos bantos da África do Sul, de difícil tradução, que significa algo como “eu sou porque nós somos”. É uma filosofia que existe em vários países africanos e que se baseia nas alianças e no sentido de comunidade, cuidado mútuo e compartilhamento.

Mandela dizia que ubuntu, na vida cotidiana, é oferecer um copo de água para um viajante que chega cansado antes mesmo que ele precise pedir. Essa sabedoria solidária de matriz africana foi decisiva na sua formação e está na base da sua luta pelo fim do apartheid e nas políticas que adotou para unir um país dividido. Nada menos compatível com o culto da personalidade.

As capas de jornais e revistas do mundo inteiro no dia de ontem, honrando em uníssono a memória de um homem que lutou contra o sectarismo, o individualismo e a intolerância, são a prova de que momentos “ubuntu” não apenas são possíveis no cínico mundo em que vivemos, mas são um desejo que milhões de pessoas compartilham.

07 de dezembro de 2013 | N° 17637
PAULO SANT’ANA

O mártir Mandela

São justas as homenagens que estão prestando no mundo inteiro a Nelson Mandela.

Ele foi um mártir da liberdade, da democracia, da igualdade. O seu martírio consistiu em ver-se privado da liberdade por 27 anos, atirado ao cárcere, no período em que sua existência tinha tudo para ser a mais apetecida.

Um grande homem. Um enorme estadista.

Se eu tivesse por acaso passado 27 anos na prisão, teria me alquebrado e não serviria para mais nada útil.

Pois Mandela conseguiu a façanha de perder 27 anos de sua vida atrás das grades e ainda assim voltar à liberdade para se tornar presidente da República da África do Sul e fazer desaparecer o apartheid da geografia política de sua pátria.

Um extraordinário exemplo de quanto pode sair da escuridão da sua vida um homem e vir a se tornar ainda um marco de sofrimento, martírio, revolução sem as armas, prodígio no lançamento de novos e brilhantes tempos.

Procuro, vasculho entre os grandes homens de todos os séculos um nome que possa ombrear-se a Mandela e não consigo achá-lo.

Uma majestade.

Mandela teve, posso estar enganado, três esposas durante toda a sua vida.

Pois nunca ouvi uma só palavra de qualquer uma delas contra seu marido, o que quer dizer que Mandela soube administrar de forma exemplar tanto a sua vida conjugal quanto sua trajetória política.

Além disso, ontem se pôde ver em todas as televisões do mundo o sorriso amplo e encantador de Mandela.

Quem possuía aquele sorriso só podia ter sido o campeão mundial de maestria política.

Foram 27 anos abandonado na prisão, retirado abruptamente da sua profissão de advogado e da liderança política.

Mais de um quarto de século no degredo prisional é algo que produz num ser humano um sofrimento indizível.

Não é por acaso que o castigo mais usado pelos humanos contra seus semelhantes é a pena privativa de liberdade. Ela é aplicada desde que a humanidade se conhece como gente.

E a pena que foi aplicada a Mandela foi a de prisão perpétua. Só comutada 27 anos depois, a tempo de tornar Mandela um homem ainda maior do que aquele que foi atirado à prisão.

É uma vergonha para a humanidade que ela tenha decidido condenar à prisão perpétua um homem que mereceria a consagração perpétua por suas ações.

A humanidade, sem dúvida, é muito pérfida.

07 de dezembro de 2013 | N° 17637
NÍLSON SOUZA

A protagonista

Sem ela, não haveria Copa do Mundo. Sem ela, nem futebol haveria. Sem ela, milhões de crianças, de muitas gerações, teriam sido menos felizes. Falo, evidentemente, da bola de futebol, que nesta semana mostrou sua nova cara em todos os veículos de comunicação. Multicolorida como um punhado de fitas do Senhor do Bonfim, composta por seis painéis em formato de bumerangue, pesando 437 gramas e com 69 centímetros de circunferência, ela agora se chama Brazuca e passa a ser a principal embaixadora do nosso país até o Mundial de 2014.

Apesar da roupagem moderna, é ainda aquele brinquedo mágico da minha e de muitas infâncias, que aparecia somente pela época do Natal. A meninada de hoje pode não acreditar, mas as bolas eram tão raras antigamente, que o proprietário de uma delas virava celebridade no bairro. Eram feitas de couro natural e tinham a cor marrom. As novas só eram usadas em ocasiões especiais.

E recebiam mais cuidados do que um animalzinho de estimação. Aliás, teve um tempo em que a gente ensebava a bola para que ela durasse mais. Este “ensebar” não tem o sentido de matar tempo, como fazem os gandulas do time da casa, mas, sim, o de passar sebo, especialmente nas costuras, para que a gordura protegesse do desgaste dos campos de terra e das calçadas.

Hoje, as bolas de futebol são verdadeiros objetos de arte. Desenhadas por engenheiros e artistas plásticos, confeccionadas com material sintético, não deformam nem perdem o rumo quando são chutadas com certa habilidade. Dizem que a tal Jabulani, utilizada no último Mundial, tinha vida própria e nem sempre cumpria a trajetória desejada. Chegou a ser apelidada de “bola de supermercado” por alguns atletas mais indignados.

Mas ainda desconfio que essa maledicência foi criada por jogadores que apanhavam dela. Como não dava para culpar os gramados, que são cada vez mais perfeitos, sobrou para a bola. E havia ainda a suspeita de que alguns dos críticos eram contratados pela marca esportiva concorrente. Vá saber.

Agora chegou a vez da Brazuca, cheia de tecnologia e de simbologia. Pelas primeiras aparições, não há dúvida de que ela é bonita como um brinquedo de Natal. Tem tudo para fazer sucesso nesta competição que reúne os maiores craques do futebol e todos os campeões do mundo.


Resta torcer para que seja bem tratada, como merece ser a principal protagonista do maior espetáculo da Terra.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Bom Dia!

"Você não entra na
vida das pessoas apenas
para ser mais um, e sim para
deixar algo de bom ...
para marcar, para somar
para ajudar... "
É por isso que estou
passando aqui
no seu cantinho,Quero lhe dizer
q eu ñ esqueço de vc!!


Beijus!!










olá meu anjo..

Saudade....agente...mata..
Lembrança.. agente...guarda,..
Tristeza ..agente...supera,.
Amigos ..agente...descobre,.
E pessoas... como vc..
agente..nunca ..esquece!

Existe uma Força que nos l
eva a viver,
que nos faz recomeçar
Que nos faz sorrir.
BJSS!!!

há emoções que as
palavras
não sabem traduzir.


Jaime Cimenti

O timaço do Luís Augusto Fischer

Coruja, Qorpo-Santo & Jacaré - 30 perfis heterodoxos (L&PM, 192 páginas) é o título do livro mais recente de Luís Augusto Fischer, ensaísta, escritor, doutor em Literatura, professor da Ufrgs, colunista do jornal Zero Hora e colaborador de jornais como a Folha de S. Paulo. A obra nasceu para marcar a circunstância de Fischer ter sido o patrono da 59ª Feira do Livro de Porto Alegre. Para o autor, o título, bolado há muitos anos, tem uma agradável cara de escalação de um meio de campo de qualidade.

Os apelidos de três escritores gaúchos da predileção de Fischer motivaram a concepção da obra, que se inicia com o perfil de Antônio Álvares Pereira Coruja, o professor e cronista autor do clássico Antigualhas, primeiro depositante da Caixa Econômica Federal e primeiro brasileiro a escrever uma gramática para ensino e termina com o emocionado e agradecido texto sobre o lendário Jerome David Salinger, autor do imortal romance O apanhador no campo de centeio.

Os 30 componentes do time de Fischer são falecidos, mas a tarefa do biógrafo ou do autor de perfis é essa mesma: colocar os desaparecidos na rua, para circular entre nós e mostrar que as pessoas só morrem quando ninguém mais lembra delas. O autor nos faz lembrar Luiz Sérgio Metz, o Jacaré, precocemente falecido e autor de Assim na terra, reeditado há poucos dias.

Augusto Meyer, Caio Fernando Abreu, Barbosa Lessa, Erico Verissimo, Dyonélio Machado, Joaquim Felizardo, João Cabral de Melo Neto, Gilberto Freyre, Nelson Rodrigues, Lima Barreto, Roberto Arlt, Jorge Luís Borges, Edgar Allan Poe, Qorpo Santo, Aníbal Damasceno Ferreira, Moacyr Scliar, Décio Freitas, Carlos Reverbel, Paulo Hecker Filho, Raymundo Faoro, Theodemiro Tostes, Celso Pedro Luft, Oliveira Silveira, Vianna Moog, Jaime Caetano Braun, Aparício Silva Rillo e Guilhermino César são os outros integrantes da seleção só de craques, que parece a de Felipão. Com linguagem coloquial, como quem proseia, Fischer mescla bem erudição com leveza e aspectos curiosos das vidas e obras dos seus autores de cabeceira.

São aulas bem-humoradas de literatura, dando oportunidade de relembrar o humor de Carlos Reverbel, visões novas sobre Dyonélio Machado, os mais de 200 anos de Edgar Allan Poe, a inteligência, a eficácia, a cordialidade e a criatividade de Moacyr Scliar, o tamanhão de Raymundo Faoro e sua obra, as mil viagens coloridas de Caio Fernando Abreu e muito, muito mais, desses mundos de ideias, palavras, pessoas, histórias e espaços infinitos.


Jaime Cimenti

Sexo, mistério, morte e História

O livro dos prazeres proibidos está sendo considerado a incursão mais audaz do consagrado escritor e psicanalista argentino Federico Andahazi pelo relato erótico. Ele é autor do romance O anatomista, best-seller mundial traduzido em mais de 30 idiomas, e de romances como As piedosas, envolvendo temas históricos, mistérios e erotismo.

O protagonista de O livro dos prazeres proibidos é ninguém menos do que Johannes Gutenberg, conhecido como o inventor da prensa. O autor reconstrói impecavelmente cenários medievais e transporta os leitores para diversas cidades europeias do século XV, como Mainz, onde as ações começam. Gutenberg está sendo acusado de comercializar livros clandestinos, de roubar e praticar bruxaria e satanismo juntamente com seus parceiros comerciais, Johann Fust e Petrus Schöffer.

Encarregado das acusações, Sigfrido de Mogúncia, considerado o maior copista de seu tempo, tem um interesse especial no caso, já que a Bíblia que os réus copiaram, prova irrefutável do caso, é fruto de seu trabalho. Ao mesmo tempo em que se desenrola o processo contra Gutenberg, o terror se espalha pela cidade, em especial no Mosteiro da Sagrada Canastra, um bordel de luxo às margens do rio Reno cujas prostitutas são adeptas das práticas dos “prazeres proibidos”.

Um assassino anda à solta e suas vítimas são sempre as prostitutas do bordel, que são mortas com brutalidade e têm as peles meticulosamente arrancadas. O burburinho comum do local dá lugar ao silêncio e os homens da cidade, acostumados a visitar as “adoradoras da Sagrada Canastra” e a praticar rituais bem peculiares, estão bem quietinhos, trancafiados em suas casas, assim como as meninas de programa.

Que relação haveria entre os crimes horríveis e o inventor da prensa? Um documento guardado por Ulva, a mais antiga das profissionais do Mosteiro, parece conter a resposta. O thriller histórico de Andahazi mistura com perfeição intriga, suspense, erotismo, sensualidade e História. O caráter complexo e fascinante do protagonista, revelado desde a infância, a reinvenção da história da prensa e as alegações de que os livros de Gutenberg eram fruto de um pacto com o demônio, além de fatos nunca antes relatados, dão ao romance intensidade e interesse especiais à narrativa. Gutenberg foi um grande falsificador de livros, um vigarista perspicaz?


Quem era o assassino? Bertrand Brasil, 294 páginas, R$ 30,00, tradução de Luís Carlos Cabral, mdireto@record.com.br

06 de dezembro de 2013 | N° 17636
FIBRA ÓPTICA

Tarso tenta atrair indústria chinesa

Durante a visita da comitiva gaúcha a Yangtze, empresa revelou intenção de investir no Brasil

Ao apresentar a empresa Yangtze Optical Fiber and Cable Company a uma parte da delegação gaúcha que está em Wuhan, na China, o diretor de marketing, Mike Zhang, mostrou os países onde o grupo tem fábricas e comentou: – Queremos investir na América Latina. Ainda não tivemos oportunidade de ir para o Brasil, mas talvez agora nossa empresa possa estudar a instalação de uma fábrica no Rio Grande do Sul, nossa província irmã.

O secretário da Ciência e Inovação, Cleber Prodanov, e o presidente do Badesul, Marcelo Lopes, se entusiasmaram. Abrir negociação com empresas da área de fibra ótica é um dos objetivos estratégicos da missão gaúcha na China.

O governador Tarso Genro dedicou a maior parte do dia de ontem para conhecer o Parque Tecnológico do Lago Leste, que reúne na mesma área empresas de alta tecnologia e sete universidades.

Guiados pela vice-diretora do parque, Wu Shiying, os gaúchos conheceram um pouco do que faz esse centro de inovação tecnológica criado em 1988 – de equipamentos médicos a filmes de desenho animado. Nas 20 mil empresas instaladas no parque trabalham 500 mil pessoas.

Na visita à Yangtze, a delegação teve uma aula sobre o processo de fabricação de cabos de fibra ótica. O governador lembrou que o Brasil não tem nenhuma empresa que fabrique o produto e que a demanda é crescente com a necessidade de expandir a oferta de serviços de transmissão de dados.

Os chineses mostraram estar bem informados sobre a localização do Estado no Mercosul. A conversa seguiu no almoço e deve continuar hoje, em novo contato entre Marcelo Lopes e a direção.


ROSANE DE OLIVEIRA | ENVIADA ESPECIAL/WUHAN

06 de dezembro de 2013 | N° 17636
PAULO SANT’ANA

Pode uma festa ser triste?

Vêm se aproximando as festas de fim de ano e com isso me preparo já para momentos constrangedores.

Mas não são festas? Então por que é que contêm tristezas?

Canso de ver as pessoas se reunirem para um festa de Natal e, no meio das cerimônias, alguém explode em um pranto convulso.

O mesmo não se dá, por exemplo, no Carnaval. Nunca vi alguém explodir em choro convulso no Carnaval.

Sempre que se vai festejar o Natal ou o Ano-Novo, entristecemo-nos em face de que nossa lembrança se volta para pessoas queridas que morreram.

Já eu, nessas festas, lembro as pessoas queridas que ainda não morreram mas por algum motivo ou outro se afastaram para sempre de mim.

Ou seja, choramos nas festas de fim de ano tanto os ausentes que morreram quanto os ausentes que continuam bem vivos.

Sem falar que alguém deve por acaso ficar triste porque algumas pessoas continuam vivas, quereria que já tivessem morrido. Isso é que é finalmente o ódio.

Adeus ano velho, feliz ano novo, é uma saudação que se ouve na passagem de ano.

Alguns maldizem o ano que passou, que não lhes trouxe nenhuma alegria ou até, pelo contrário, foi um ano cheio de frustrações e tristezas.

Mas acredito que todos nutrem esperanças para o ano que vem surgindo. A esperança, dizem, é a última que morre. Mas, no caso do ano novo que se aproxima, a esperança dever ser a primeira que nasce.

Nunca passei sequer um Natal feliz. Sempre à noite de Natal, fico tomado de tristeza. No mínimo, de nostalgia.

“Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel” é um verso de célebre canção natalina. Mas a gente fica a pensar que bilhões de pessoas pobres ou miseráveis não são o que se pode chamar de filhos de Noel, cruzam a vida inteira sem profissão, sem pão, sem teto e sem família. E pior: no próprio dia de Natal, ninguém lhes alcança pelo menos um presente mitigador.

O próprio verso da canção já define que não são todos que são filhos de Noel. Será, então, que todos são filhos de Deus?

Pois é, estamos a 20 dias das festas de fim de ano. Para mim, elas são uma ameaça de tristeza e de más lembranças. Nisso, eu sou um idiota, na verdade eu tinha de ter sensibilidade e inteligência para fazer dessas festas uma ocasião de alegria.

Natal? O que é o Natal? Consta que é aquele dia e momento em que Jesus, o Salvador, veio à terra para salvar os homens.

E, para salvar os homens, é bom que se medite, Jesus acabou nem ele próprio se salvando da cruz.

Mas ressuscitou e espero que um dia eu vá repousar eternamente à sua mão direita.


Até a sua mão esquerda me serviria.

06 de dezembro de 2013 | N° 17636
DAVID COIMBRA

Tudo ficou diferente

As manifestações de junho ocorreram para que tudo se tornasse diferente. Lembro de um cartaz que uma menina carregava com orgulho sorridente:

“Desculpem o transtorno, estamos mudando o Brasil”.

Como se viu, o Brasil mudou. Tudo é diferente agora. Como tudo ficou diferente depois que Collor foi derrubado, depois que um intelectual de esquerda foi eleito presidente e, depois dele, um operário da indústria e, depois dele, uma mulher.

Está tudo diferente, não é? Depois de junho, criaram-se aí uns grupos que tocam fogo no McDonald’s. Eles preferem xis galinha.

Eu, que não sou muito de xis nem de McDonald’s, fico pensando em todos esses movimentos que fizeram o Brasil estremecer de civismo e suspirar de esperança. O que mudou mesmo? Há mais liberdades individuais e a democracia está consolidada. Importante. Mas... o que mudou no dia a dia, na vida real das pessoas?

Sempre estudei em colégios públicos. Ótimos colégios públicos. Minha faculdade, quitei-a de uma única vez, um ano e meio após a formatura. Era o antigo Crédito Educativo. Foi o governo militar quem instituiu aquele crédito educativo, mas não foi o governo militar quem financiou meus estudos; foi o Estado brasileiro.

Por coincidência, o Estado brasileiro, hoje, é gerido de forma muito parecida com a gestão do governo militar: é um Estado desenvolvimentista, que usa programas para atenuar os problemas sociais. Eu ganhei uma bolsa, as pessoas hoje ganham bolsas. Mas o programa que me beneficiou não existe mais. Aquele modelo de crédito educativo foi extinto. Essa é a fragilidade dos programas: com a facilidade com que são criados, são eliminados. Já o modelo desenvolvimentista serve para a prosperidade econômica, não exatamente para o bem-estar das pessoas. Se servisse, não haveria protestos, e os McDonald’s estariam a salvo com seus sanduíches.

O que dá uma pista a respeito das razões de o Brasil nunca se tornar, realmente, diferente: as mudanças não são estruturais. Aquelas escolas em que estudei, as escolas públicas de um passado nem tão remoto, hoje são nada mais do que uma porcaria. As instalações são precárias, os professores são semianalfabetos, os alunos são candidatos às sombras da ignorância eterna. Porque é mais fácil investir na Academia do que nos ensinos básico e fundamental.

A Academia você resolve com dinheiro, tudo o que a Academia quer é dinheiro. Mas e as crianças? Como dar uma educação verdadeiramente sólida, plural e universal às crianças do Brasil? Como cuidar delas, dando-lhes atenção, prevenção, saúde, segurança? Educação básica e fundamental igualitária resolve quase tudo, até o problema da inclusão racial. Mas para isso é preciso projeto, inteligência e consciência. Para isso é preciso esforço. Busca de soluções, não de culpas. Para isso não basta distribuição de dinheiro.

O Brasil teve bons presidentes nos últimos vinte e tantos anos. Pessoas dignas e bem-intencionadas. Mas ter um bom presidente não é o suficiente para mudar. A política não é o suficiente para mudar. É preciso saber para onde se quer ir. Ou o Brasil vai continuar bramindo e rugindo sem jamais sair do lugar.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


05 de dezembro de 2013 | N° 17635
 L.F. VERISSIMO

Sabedoria revisada

Pode-se chamar de “sabedoria pronta” as opiniões, conclusões e certezas que passam por verdades só porque ninguém se lembra de contestá-las, ou pelo menos atualizá-las. Exemplo: há algum tempo, quando se dizia que a III Guerra Mundial seria entre comunistas e homossexuais, era uma piada, mas não exatamente um exagero. A evidência era incontestável. Hoje, depois da morte do Niemeyer, ficou difícil encontrar um comunista autêntico. Homossexuais não faltam (nada contra, cada um gerencie o seu corpo como quiser), mas, se eles tiverem que brigar com alguém pelo domínio do mundo, não encontrarão inimigos, fora, talvez, seitas evangélicas e baratas. A guerra contra os comunistas, eles a ganharam por WO.

Não sei quem seriam os adversários numa hipotética guerra final, hoje, mas meu palpite é que o conflito teria alguma coisa a ver com celulares e similares. Cresce no mundo o número de pessoas que não podem viver sem seus “phones” e “tabletes” e não se importam com o incômodo que provocam nos outros. E os “outros” são cada vez menos, mas cada vez mais ressentidos. Não demora se organizarão e irão para a luta. Prevejo que surgirão bolsões de anticelulares dispostos a resistir à proliferação das malditas maquininhas. Haverá confronto, talvez mortes, e estaremos a um passo da guerra. Ou da guerrilha, pois se nossas forças forem insuficientes para resistir, partiremos para as montanhas.

Outra sabedoria pronta que precisa ser revisada diz respeito ao futebol. Convencionou-se que o futebol paulista, por ser mais rico, sério e organizado do que o dos outros Estados, fatalmente dominaria todos os campeonatos nacionais, colocando sempre no mínimo dois clubes entre os quatro melhores. Basta olhar a tabela do atual campeonato brasileiro para ver que esta convenção acabou, ou está em suspenso. O time paulista melhor colocado este ano é o Santos – que está lá embaixo. Assim passam as glórias do mundo.

05 de dezembro de 2013 | N° 17635
PAULO SANT’ANA

Pérolas noturnas e diurnas

Um dos trechos do final da palestra muito apreciada que Nelson Sirotsky pronunciou no Tá na Mesa de ontem na Federasul: “Nunca tive medo de correr riscos”.

E eu silenciosamente na plateia acrescentei: “Assim como se deve sempre correr o risco de vir a ter medo”.

Frase minha a um dos participantes do Sala de Redação, terminado um dos programas, quando ele perguntava se eu poderia dar-lhe uma carona até o Centro: “Impossível. Eu sou o centro”.

A melhor autodefinição que consegui obter: “Sou unívoco e, ao mesmo tempo que concomitantemente plurívoco, também me considero inequívoco”.

Mas a melhor definição que achei para mim foi de um sexteto do inimitável Augusto dos Anjos: “Sou uma sombra/ venho de outras eras/ do cosmopolitismo das moneras/ pólipo de recônditas reentrâncias/ larva do caos telúrico procedo/ da escuridão do cósmico segredo/ da substância de todas as substâncias”.

Não havia jeito de encontrar a palavra moneras em vários dicionários. Mas o Clóvis Malta é um diligente esquadrinhador de glossários e achou finalmente: “Reino biológico que incluía todos os organismos vivos (termo já obsoleto)”.

No samba Nervos de Aço, Lupicinio Rodrigues traça o pior martírio para quem ama uma mulher, o de encontrá-la a passear na rua aos namoricos com outro homem: “Você sabe o que é ter um amor/ meu senhor/ ter loucuras por uma mulher/ e depois encontrar este amor/ meu senhor/ ao lado de um tipo qualquer/ você sabe o que é ter um amor/ meu senhor/ e por ele quase morrer/ e depois encontrá-lo em um braço/ que nem um pedaço do seu pode ser”.

Por mais que seja belo um outro homem com quem se encontra a nossa mulher na rua, sempre vamos considerá-lo um horrendo farrapo.

E a mais bela definição que já ouvi sobre a aparência de uma mulher amada é também traçada pelo mesmo Lupicinio no antológico samba Quem Há de Dizer, quando ele avista sua deusa numa boate: “Quem há de dizer/ que quem vocês estão vendo/ naquela mesa bebendo/ é o meu querido amor/ repare bem que toda vez que ela fala/ ilumina mais a sala do que luz do refletor”.

Baaahhhhhh!

05 de dezembro de 2013 | N° 17635
ARTIGOS - Ronald Krummenauer*

De quem é a culpa?

Nas faculdades de Administração de Empresas, existe uma brincadeira que diz que o importante é encontrar o culpado e não necessariamente resolver o problema. Fora da universidade, a piada ficou séria e, pior, virou hábito. Há muito tempo que a preocupação no Brasil é descobrir o culpado e deixar de lado a solução. Como sair dessa armadilha? A culpa não é só do poder público. É nossa também. As pequenas e grandes infrações diárias que cometemos ajudam a piorar a vida dos brasileiros. Como admitir que água para ser consumida por pessoas seja transportada em tanques que já receberam combustível?

Problema de fiscalização pública? Com certeza, mas e o dono da empresa e o motorista do caminhão, que sabiam da irregularidade, como conseguem dormir à noite? Como uma criança que bebe água contaminada vai aprender na escola ou, pior, como não passar mais tempo no posto de saúde do que na escola? Como aceitar essa irresponsabilidade? Lembro de uma gravação da fraude do leite contaminado do Rio Grande do Sul na qual um dos transportadores pedia para que o leite dos seus filhos não fosse batizado. Isto é só um problema do poder público?

O incêndio do Memorial da América Latina em São Paulo foi mais grave do que o inicialmente esperado e a reação das autoridades foi colocar a culpa na “outra instância”. Faz diferença para a população se a “instância” correta é municipal, estadual ou federal? Claro que não. O problema será resolvido para que não se repita no futuro? Também claro que não!

É um problema cultural, de comportamento, de caráter e esse tipo de atitude só resolvemos com educação básica e com bons exemplos. Qual o modelo e que tipo de educação estamos deixando para a geração seguinte? É digno o que estamos fazendo?

Precisamos refletir se o que estamos construindo irá se sustentar no futuro. Não se trata da solidez de estádios e estradas, mas a qualidade e a firmeza de caráter das pessoas que estamos construindo.

*DIRETOR EXECUTIVO DA POLO RS – AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO E DA AGENDA 2020

05 de dezembro de 2013 | N° 17635
EDITORIAIS ZH

UM DILEMA NACIONAL

Poucas vezes um estudo deu uma ideia tão realista da dimensão dos dramas provocados pelas drogas no país, como o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado esta semana. Um dos diferenciais do estudo é o de não se restringir a quantificar a tragédia constituída pelo elevado número de usuários e a violência que costuma estar associada ao narcotráfico. O que chama particularmente a atenção é o elevado número de pessoas com seu cotidiano prejudicado de alguma forma por dependentes químicos. A situação indica que, além de não ter conseguido atender satisfatoriamente quem já se escravizou às drogas, o país segue devendo algum tipo de ajuda mais eficiente para seus familiares e pessoas próximas.

Divulgado dois anos depois do lançamento do programa federal Crack, é Possível Vencer, que se comprometia, entre outros aspectos, a garantir assistência para dependentes, o estudo mostra um quadro ao mesmo tempo desolador e desafiador. Nada menos de 28 milhões de brasileiros, por exemplo – quase o equivalente a toda a população de um país das dimensões do Peru –, convive com algum usuário.

Em muitos casos, essas pessoas são submetidas constantemente a agressões verbais e até físicas, têm seu patrimônio pessoal dilapidado e sofrem pressão psicológica constante, a ponto de muitas se abalarem emocionalmente com gravidade. São situações das quais dificilmente alguém consegue sair sozinho, o que demanda mais atenção por parte da sociedade e do poder público.

Alguns dados apontados pela pesquisa não deixam dúvida sobre o grau de desestruturação familiar em consequência do problema: nada menos de 58% dos entrevistados com algum usuário de drogas na família, por exemplo, têm afetada a habilidade de trabalhar ou estudar. E, o que é igualmente preocupante, 29% dos que foram consultados estão pessimistas quanto ao seu futuro imediato. Esses percentuais poderiam ser menores se o país tivesse se preocupado mais em investir em prevenção.

Chama a atenção na pesquisa que metade dos entrevistados sequer sabe o que são os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs) – unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) criadas para prestar atendimento aos dependentes químicos. E, o que é mais grave, mesmo quem tem conhecimento dessa alternativa não a utiliza como deveria. O país continua devendo assistência efetiva não apenas aos usuários de drogas, mas também a seus familiares, além de informações mais precisas sobre a quem podem recorrer em situações de crise.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013






Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes
Que você me enxergou melhor do que eu sou.
Pela sua capacidade de me olhar devagar ...
Já que nessa vida ...
Muita gente já me olhou depressa demais.


[ Pe. Fábio de Melo ]
_By Keyla_







Quando tua alma
Parecer pequena,
Mesmo quando achar
Que amar não mais vale a pena,
Abra teu coração!
E quando a noite chegar
E a solidão te alcançar,
Ainda assim, eu peço,
Abra teu coração!
=Letícia Thompson=
=ad=

_By Keyla_







Quando nossos caminhos se encontraram,
Foi AMIZADE à primeira vista.
Depois daquele encontro...
Meu mundo ficou mais bonito!"

¬ Pe. Fábio de Melo¬


_By Keyla_





Estava nua me vesti de amor.

Coloquei uma coroa de flores.
Todas com cores dos madrigais.
Seria um jeito de colocar o que sinto,
para que todos sintam o brilho do amor.
Quando chega não sentimos nem uma diferença.
O tempo vai passando ele vai criando formas...
Começa as transformações de céticos nos tornamos crentes.
De orgulhosos humildes sem pretensões alguma.
De egoístas abrimos um portal de doações.
Do brilho transferimos a todos os opacos.
Dos sábios amigos sinceros porque ouvimos sons sonoros.
Fazemos que a luz ilumine a todos, que sonhos se realizem.
Vestimos os nus e cobrimos abundância onde a miséria impera .
Fazemos o trajeto do mestres dos mestres.
JESUS CRISTO nosso amor e luz regidos por DEUS nosso pai.
AMEM...
..Sol Holme..

_♥sensuais Keyla♥
.

04 de dezembro de 2013 | N° 17634
MARTHA MEDEIROS

Histórias verdadeiras

Quando me convidaram para assistir a uma nova modalidade de stand-up que está sendo implantada no Brasil (e que já funciona com sucesso nos Estados Unidos), fiquei curiosa. A ideia é levar pessoas comuns para compartilharem, no palco de um bar, a sua trajetória de vida. Em 12 minutos, a pessoa, sem ajuda de anotações, espontaneamente, conta sua história real, que pode ter a ver com superação, sorte, risco ou qualquer coisa que não seja trivial. Cômica ou trágica, pouco importa.

Na noite do projeto-piloto, eu estava na plateia. Foram cinco convidados a falar. Um diretor de teatro contou o que ele e seu companheiro passaram para adotar duas crianças. Um músico contou sobre o momento em que descobriu que tinha um câncer no estômago e do acidente de carro que sofreu um dia antes da cirurgia. Uma garota contou sua experiência vivendo num país estrangeiro, quando fez uma besteira e acabou presa. Um personal trainer contou sobre como deixou de ser um adolescente obeso, perdendo cerca de 40 quilos e tornando-se um amante dos esportes. E, por fim, uma mulher viciada em limpeza e arrumação contou como controla o TOC – transtorno obsessivo-compulsivo.

Nós cruzamos por eles todos os dias nas ruas. São exatamente como você e eu. Comem pizza, vão ao cinema, namoram, correm no parque. Olhando assim, nem diríamos que já viveram um roteiro pronto para um filme. A questão é: quem, com pelo menos uns 30 anos de idade, não teria algo significativo para contar? Todos, ou quase todos nós, já passamos por um turning point, uma perda, uma dificuldade, uma experiência surreal. Não há vida que seja irrelevante.

Em 12 minutos, uma pessoa comum, ao vivo, pode oferecer um reality show muito mais interessante do que três meses de episódios diários de Big Brother, pois ela está ali, na frente de estranhos, meio nervosa, constrangida, relembrando algo muito particular, como se estivesse numa sessão de terapia em grupo. Não há figurino, nem texto decorado, nem direção de cena. É simplesmente alguém falando algo que nunca postará no Facebook.

Para que serve isso?

Para quem fala, sinceramente, não sei. Se quiser, você pode se inscrever (www.historiasverdadeiras.com.br) e descobrir como é a sensação, caso seja escolhido – haverá uma apresentação por mês em Porto Alegre, a partir de janeiro.

Para quem ouve, é uma oportunidade de cair na real neste mundo onde tudo nos é apresentado com alguma maquiagem. É a chance de dar uma colher de chá ao que é estritamente humano. É uma possibilidade de se emocionar sem uma tela separando você de quem conta a história. É ser plateia de um striptease inusitado: ver alguém despindo a alma. É perceber que nem sempre a arte e o talento são necessários para uma narrativa – a realidade crua também tem seus encantos. É sentir-se lisonjeado pela confiança de quem não teme ser julgado. É testemunhar o humor, o jogo de cintura, a capacidade de relativizar e as saídas encontradas por desconhecidos.

Numa época em que muitos se exibem, mas poucos se revelam, está aí uma novidade.