sexta-feira, 6 de outubro de 2023


06 DE OUTUBRO DE 2023
POLÍTICA +

Recados de um diretor demissionário

O professor Paulo Burmann, diretor-geral da Secretaria de Educação, pediu demissão do cargo. Em uma carta de 12 itens, explicando as razões da saída, o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) aponta incompatibilidades entre o pensamento trabalhista e a política do governo Eduardo Leite para a educação.

Depois de reclamar do esvaziamento de sua diretoria, que "não conta com qualquer assessoria para o desenvolvimento da atividade", Burmann diz que a Seduc não permitiu "discussão e implementação dos princípios compreendidos como basilares para uma educação trabalhista frente ao liberalismo e as necessidades reais da população que depende da educação pública".

"Incompatibilidade nas políticas adotadas frente a ideia de uma educação verdadeiramente emancipadora e cidadã a partir do modelo dos Cieps com retomada da educação integral para o ensino fundamental, além da discordância com projeto das escolas cívico-militares", detalha no item 2 da nota, datada de 28 de setembro e que veio a público ontem.

A carta de Burmann é uma espécie de roteiro para o governador fazer correções de rota. Na condição de diretor-geral, ele aponta gargalos que impedem o avanço de obras em escolas e cita passivos que deveriam ser resolvidos imediatamente.

Diz, por exemplo, que "há um passivo de infraestrutura que se acumula há mais de oito anos, agravado por entraves técnicos e burocráticos". Outro passivo é o de PPCI dos prédios escolares que, segundo Burmann, não vem recebendo a devida atenção.

Alguns dos pontos citados não chegam a ser novidade: quase 2 mil escolas sem quadra esportiva e/ou salão de eventos/área de recreação na forma de pavilhão coberto/fechado; programa Escola Aberta suspenso e sem definição de futuro; e programa Escola Melhor, Sociedade Melhor que não deslanchou por falta de articulação política e incentivo à comunidade.

Burmann diz ainda que "há um grande volume de emendas parlamentares disponíveis, inclusive de exercícios anteriores, ainda aguardando execução".

Outro ponto destacado pelo professor está diretamente ligado às consultorias contratadas na gestão da secretária Raquel Teixeira. Diz Burmann no item 11 da carta: "Preocupa o elevado volume de recursos empenhados em consultorias que poderiam ser realizadas, quando necessárias, junto às instituições gaúchas capacitadas e que conhecem a realidade gaúcha".

A secretária da Educação, Raquel Teixeira, diz que foi informada pelo diretor Paulo Burmann de sua saída na terça-feira, dia 3 de outubro. Raquel lamenta o fato, "tendo em vista o perfil qualificado do professor Paulo Burmann", e informa que não há definição sobre o substituto.

ROSANE DE OLIVEIRA


06 DE OUTUBRO DE 2023
DANIEL SCOLA

O RS no centro da pesquisa médica

Porto Alegre sediou na última semana um evento inédito e internacional de medicina. O simpósio de Neuro-oncologia Pediátrica (1st International Symposium on Pediatric Neuro-oncology) reuniu os maiores especialistas em câncer cerebral em crianças. A plateia era formada por estudantes e médicos. O simpósio foi organizado pelo professor e pesquisador, doutor em bioquímica Rafael Roesler, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Também incluiu o importante depoimento do presidente do Instituto do Câncer Infantil (ICI), médico Algemir Brunetto. O instituto cuida de crianças brasileiras. Por trás do simpósio esteve o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia do Câncer Infantil e Oncologia Pediátrica -INCT (BioOncoPed), uma rede internacional de pesquisa em câncer infantil sediada em Porto Alegre.

Na abertura do evento, palestrou o médico Michel Taylor, do hospital de câncer de Houston, no Texas, Estados Unidos. Taylor falou sobre suas pesquisas do meduloblastoma, um tipo de câncer em que ele é especialista. O médico canadense Vijay Ramaswamy também participou do evento. Ele opera e conduz pesquisas no hospital infantil de Toronto. Junto com o doutor Taylor, eles buscam um medicamento capaz de curar o câncer cerebral.

As pesquisas são financiadas a partir da Medulloblastoma Initiative (MBI), uma entidade fundada pelo empresário gaúcho Fernando Goldsztein. O objetivo da filantropia é financiar grupos de pesquisadores nos Estados Unidos, no Canadá e na Alemanha. O Children?s National Hospital possui uma fundação que, a partir de agora, contará com Fernando como conselheiro. O Children?s é sediado na cidade de Washington, capital dos Estados Unidos, e está na lista dos cinco melhores hospitais infantis americanos.

Os testes financiados pela Meduloblastoma Initiative começam em janeiro, e as perspectivas de se chegar à cura são muito boas para salvar a vida de crianças. O tratamento atual é muito pesado e retarda o desenvolvimento dos órgãos. Que bom seria se tivéssemos um remédio que pudesse reduzir o desgaste do longo tratamento que envolve radioterapia e quimioterapia!

Este tipo de câncer é raro em adultos. Eu mesmo sou um destes casos incomuns. Neste evento, contribuí dando meu depoimento como sobrevivente. Se a pesquisa da MBI tiver sucesso, o medicamento poderá ser usado inclusive em Porto Alegre.

DANIEL SCOLA

quinta-feira, 5 de outubro de 2023


05 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

"Tempus fugit"

Amadurecer é trocar de lugar, mudar de ponto de vista. Já começa no ônibus ou no avião. Quem é jovem prefere sentar-se perto da janela para olhar a paisagem e admirar o contexto da estrada. Cobiça a moldura arredondada de aquário do avião ou os esquadros de cortinas marrons do ônibus.

Depois dos 40 anos, você troca a aventura e a contemplação pela segurança e pela praticidade, e busca o assento no corredor. Não tem mais aquele arrebatamento das primeiras viagens. Não tem mais aquela curiosidade por tudo que nos cerca. Já sofreu na vida o suficiente para deixar de fotografar ou filmar as nuvens avermelhadas do crepúsculo ou a cidade formiguinha de cima. É precavido do seu destino, preocupado com o despojamento. Carrega uma mala cada vez menor para caber no bagageiro.

Quer ser o primeiro a sair com desembaraço, desprovido de obstáculos e barreiras. Odeia estar engaiolado, emparedado pelas pernas dos passageiros ao lado. Deseja ir ao banheiro com liberdade, sem acordar ninguém e pedir licença. A bexiga já manda no coração.

Há várias réguas de observação para se descobrir envelhecido. Por exemplo, sou escritor e vivo posando para selfies ou mandando áudios para os meus seguidores masculinos. Envergonhados, jamais assumem que gostam dos meus escritos. Sempre fazem o favor para alguém. É uma idolatria emprestada.

Antes, para justificar a aproximação, eles diziam que a sua esposa ou namorada me adoravam. Depois passaram a falar que a mãe não perdia uma de minhas crônicas. Agora já sou lembrado pelas avós que são fãs de meu trabalho.

Nem mais consulto obituários, pelo medo de perder leitores. Há lembranças em mim que estão se despedindo de seus interlocutores. Até o Google encontra dificuldades de localizá-las. A pesquisa volta em branco, deserta de referências.

Minha memória realiza os trabalhos escolares sozinha. Vem ficando fora de qualquer grupinho ou panela de modas e tendências. Tenho me tornado vintage. Utilizo caneta-tinteiro, espátula para abrir correspondência, despertador analógico, calculadora de mesa, radinho de pilha, lanterna e agenda de papel. Consulto ainda o calhamaço do dicionário, virando suas páginas fininhas de seda com receio de rasgá-las.

Sou um dos poucos que ainda mantêm ativo o espanador em casa, essa vassourinha do céu, esse penacho imprescindível das frinchas. Na hora de tirar o pó das estantes de livros, não encontro melhor aspirador. Minha esposa vive rindo de mim. Como se eu fosse de outro planeta. Como se eu fosse um objeto retrô de que as crianças chegam perto e perguntam "como funciona?".

CARPINEJAR

05 DE OUTUBRO DE 2023
EM DIA

ESG É CAMINHO, NÃO LINHA DE CHEGADA

Eis que surge mais uma sigla na sopa de letrinhas do mundo corporativo. O ESG está em quase todas as publicações que tratam de temas de gestão de empresas e começa a aparecer no dia a dia da mídia em geral. ESG é uma sigla em inglês, em português seria ASG, que representa as estratégias e as práticas das empresas no que diz respeito ao ambiente, às pessoas e à governança. Mais do que isso, a ideia é promover as boas práticas nessas áreas de forma a tornar as empresas sustentáveis no longo prazo.

Mas vamos por partes. O conceito é do âmbito da sustentabilidade, entendida nas suas três dimensões: econômica, social e ambiental. O ESG foi o termo adotado pelo mercado financeiro para se referir à sustentabilidade corporativa, e surgiu em 2004 na publicação Who Cares Wins, do Pacto Global da ONU. Hoje o ESG é um tema crítico para investidores e empresas, e quem se destaca nessas três dimensões tem mais chances de atrair investimentos.

E é talvez por isso que exista uma espécie de urgência em querer mostrar indicadores positivos e, assim, conquistar clientes. Uma pesquisa realizada pela Harris Poll para o Google Cloud, em 2022, revelou que algumas empresas estão mais preocupadas em parecer sustentáveis do que em adotar medidas efetivas. Cerca de 66% dos líderes empresariais questionam a sinceridade dos esforços das empresas em relação à sustentabilidade, enquanto 58% admitem que praticam o chamado greenwashing, ou seja, promovem uma imagem de sustentabilidade enganosa.

Pesquisa Amcham em 2023 mostra que, enquanto 30% das empresas reportam avanços significativos em relação às metas de sustentabilidade do Pacto Global, 47% se declaram uma referência em ESG. A mesma pesquisa mostra que a motivação de 61% das empresas em adotar práticas ESG é melhorar sua reputação, enquanto apenas 40% querem reduzir riscos sociais, ambientais e de governança.

Ou seja, além de haver uma desconexão entre o discurso e a ação, o ESG está sendo visto somente como um objetivo para conquistar mercado, e não como uma parte da cultura empresarial, como deveria.

É preciso entender que o ESG é uma jornada de conhecimento e evolução das empresas em direção a sua sobrevivência, sim, mas que passa pela sobrevivência das pessoas e do ambiente natural. É urgente assimilar que ESG é uma cultura de sustentabilidade, e não uma meta a ser atingida. Sem esses elementos, o ESG permanece no campo das promessas vazias e, na melhor hipótese, das boas intenções. E pior: sem resultados efetivos para ninguém.


05 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

PARA NÃO CAIR NO ESQUECIMENTO

As cicatrizes emocionais e a angústia com as perdas materiais ainda são flagrantes no Vale do Taquari. Ontem completaram-se 30 dias da tragédia climática que arrasou cidades e tirou a vida de ao menos 50 pessoas, e as reportagens produzidas pelos veículos da RBS mostram que, em meio ao esforço pela reconstrução, pairam dúvidas e aflições sobre a chegada de toda a ajuda prometida, em especial a financeira.

Os anúncios dos governos estadual e federal feitos nos primeiros dias após a enxurrada situam-se na casa dos bilhões de reais. O compromisso de que não faltaria dinheiro, em forma de auxílios e financiamentos, foi reiterado. Mas um olhar detalhado sobre cada item mostra que boa parte até agora tem andamento tímido ou sequer começou a chegar na ponta.

Um exemplo gritante é o do crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) direcionado para o reerguimento econômico dos municípios atingidos. Informou-se que seriam R$ 1 bilhão disponíveis, mas nenhuma operação ocorreu até agora devido a pendências na regulamentação do empréstimo pelos ministérios envolvidos. Por parte do Piratini, criou-se a iniciativa batizada de Volta por Cima, com a previsão de transferir R$ 25 milhões para famílias afetadas. Mas, por enquanto, somente R$ 2,7 milhões chegaram às mãos de beneficiários. É apenas uma amostra. Há outras iniciativas mais adiantadas, é verdade, cada uma com particularidades e dificuldades próprias para entregar o prometido.

Compreende-se que há uma burocracia necessária e incontornável. Trata-se, afinal, de dinheiro público, e os repasses exigem mecanismos de controle. Mesmo assim, a magnitude e a extensão da tragédia que levou famílias a perder grande parte do patrimônio construído anos a fio, além da destruição da infraestrutura, fazem por merecer uma dedicação especial das autoridades e dos operadores dos trâmites necessários à efetivação da ajuda. A impossibilidade de concretizar com rapidez todas as iniciativas anunciadas, por óbvio, também aflige os gestores públicos.

É natural que, com o passar das semanas e dos meses, mesmo eventos mais dramáticos acabem recebendo uma atenção menor. No caso da calamidade do Vale do Taquari, o reerguimento das cidades mais castigadas pela enxurrada recém começou. Neste primeiro momento, somando-se aos esforços do poder público, foi comovente o engajamento de milhares de voluntários, assim como o imenso número de doações para a população local. 

Mas reconstruir moradias e recolocar de pé negócios, serviços básicos, propriedades rurais, comércios e indústrias, assim como reaver da forma possível as rotinas anteriores à tragédia, ainda levará um longo tempo. Para quem perdeu tudo e viu seus sonhos serem arrastados pela correnteza, o sentido de urgência é muito maior. O transcorrer dos dias, portanto, não deve arrefecer a pressão e a cobrança para que os compromissos firmados com a região sejam cumpridos.



05 DE OUTUBRO DE 2023
+ ECONOMIA

Rivera de avião

De passagem por Porto Alegre, o ministro de Transportes e Obras Públicas do Uruguai, José Luis Falero, avisou que o Aeroporto Internacional de Rivera, resultado de investimento de US$ 12,8 milhões, deve começar a operar em novembro.

Uma das intenções do terminal, que terá uso compartilhado com o Brasil, a poucos quilômetros de Santana do Livramento, é reduzir o custo do comércio com o Brasil e outros países, avançando no "processo de competitividade regional" - quando há colaboração para ganhar terceiros mercados.

Rede de farmácias socorre hospitais

A tragédia no Vale do Taquari completou um mês ontem, mas toda a ajuda recebida ainda não é suficiente, e a que falta demora a chegar. É preciso manter a corrente de solidariedade sem quebras por muitos meses. Entre as muitas mãos que se estenderam, está a do Troco Amigo da rede de farmácias Panvel. Em parceria com o Rotary Integração Lajeado, a Panvel entregou equipamentos ao hospital de Roca Sales, como lavadora e secadora de roupas, poltrona que se converte em leito, nebulizadores, botas ortopédicas e notebooks. O Hospital Beneficente Nossa Senhora Aparecida, de Muçum, vai receber um gerador.

O Troco Amigo SOS Vale do Taquari arrecadou cerca de R$ 930 mil. E, para alento da coluna, segue ativo. A rede de farmácias ainda atua para restabelecer farmácias populares de Muçum e Roca Sales, e doou remédios. Entregou ainda 16.878 fraldas, medicamentos e produtos de higiene para Lajeado, Encantado e Arroio do Meio.

Seca na Amazônia traz riscos para comércio e energia

A água que sobra no Rio Grande do Sul - sem previsão de se normalizar, o que acentua a necessidade de prevenção urgente - falta na Amazônia. E embute riscos econômicos, como a distribuição de produtos para o final de ano e o abastecimento de energia.

O baixo nível dos rios da Amazônia dificulta a navegação. E a região concentra, na Zona Franca de Manaus, grande produção de eletrônicos, que costumam ter vendas elevadas no Natal. A situação já encarece o frete e aumenta o prazo de entrega, justo quando são formados os estoques.

Se não for possível transportar com custo e prazo regulares a produção da Zona Franca, há risco de escassez, atraso ou alta de preços. E há outra ameaça: a hidrelétrica Santo Antônio já foi desligada por baixa vazão no Rio Madeira. E também foi preciso desligar a linha de transmissão que conecta essa usina e a de Jirau ao Sudeste. Conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), O "o abastecimento de energia em todo país está garantido". Oremos.

foi o fechamento da cotação do petróleo, ontem, depois de uma queda de 5% em um só dia. O barril do tipo brent havia escalado dessa faixa de preço, no final de agosto, para US$ 95 ao longo de setembro. Agora, voltou para onde estava, com alívio para quem já temia um reajuste nos combustíveis por aqui.

MARTA SFREDO


05 DE OUTUBRO DE 2023
TULIO MILMAN

Próxima parada

Quando ainda assinava uma coluna diária em Zero Hora, fiz uma previsão que não se confirmou: a de que um eventual leilão da Carris não teria interessados. A Carris faz parte da memória afetiva de Porto Alegre. Dos bondes que circulavam pelos trilhos arrancados nos anos 1970 aos ônibus adesivados que ainda atravessam os bairros da Capital, a empresa se confunde com a evolução da cidade. Mesmo assim, minha sensação, alguns anos atrás, era sombria.

Alguns fatores objetivos alicerçaram a minha análise. O primeiro é a mudança da matriz de transporte nos grandes centros urbanos, com a proliferação de aplicativos carregados de vantagens, como conforto e preço competitivo, especialmente nas viagens mais curtas, que, no caso dos ônibus, são também as mais lucrativas em um ambiente com tarifas uniformizadas. Em segundo lugar, minha projeção pessimista se baseava nas dificuldades da própria companhia, vítima de gestões muito influenciadas pela má política e pouco pelo imperativo da eficiência operacional.

Fiquei feliz com o meu erro. A Carris foi vendida. Minha alegria, porém, ainda é condicional, pelo tamanho do desafio dos novos controladores. Reestruturar uma empresa não envolve apenas a implementação de decisões racionais e a busca de resultados concretos. Há saltos tecnológicos no horizonte, como a adoção de combustíveis limpos. Há resistências internas e consumidores desconfiados.

É preciso mexer com pessoas e com a cultura empresarial, traduzida como "o jeito que as coisas são feitas". Isso exige tempo, investimentos pesados e uma visão mais ampla do que uma empresa de ônibus realmente significa e para que ela existe.

Em muitas das grandes cidades do mundo, o transporte urbano é subsidiado, porque dele depende a saúde de todo o ecossistema econômico de uma região. Passagem barata significa mais circulação, e mais circulação significa mais vida, mais vendas, mais impostos, mais empregos. No caso da Carris, não bastam gestores competentes e cálculos precisos.

Os caminhos são bem mais sinuosos e os atalhos, sutis. Desejo sorte à nova Carris, aos seus novos donos e a todos aqueles que construíram a ainda constroem a história de uma empresa querida, mas que precisa mudar para continuar sendo o que sempre foi.

TULIO MILMAN

quarta-feira, 4 de outubro de 2023


04 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

O mais longo dos dias

Ninguém esperava que o Inter fosse tão longe. Ninguém acreditava que, de todas as competições disputadas, estaríamos perto da decisão mais cobiçada da América. São 90 minutos de uma final que não saboreávamos há 13 anos.

Nenhum comentarista esportivo apostou no nosso time na fase de grupos. Nenhum profeta. A equipe foi crescendo nas horas fatais, foi se azeitando, foi incorporando garra e foco. Não se viu uma transformação igual na nossa história. Trata-se de uma metamorfose sem precedentes.

Mudou-se o técnico. Escolheu-se alguém cardíaco e intenso, feito para tirar o impossível de cada atleta, gritando na beira do gramado como um louco, dando voltas no cachecol a ponto de se enforcar. El Chacho, Coudet, é um estrategista da paixão.

Veio um goleiro líder, Rochet, uruguaio da seleção, cumprindo as defesas mais difíceis com simplicidade, na coreografia da eficiência. Salvou a campanha incontáveis vezes, não tem como não colocá-lo ao lado de Clemer.

Veio Enner Valencia, um artilheiro destinado à Libertadores, fadado a grandes jogos, de sangue quente de Copa, de arrancadas febris e furiosas, como se todos atrás dele estivessem em câmera lenta.

Não podemos dizer que já fomos longe. Não podemos ter ataques de modéstia. Não podemos antecipar fracasso. Não podemos temer a secação. Não podemos nos apequenar no final do sonho. Não podemos nos desculpar por antecedência. Não podemos nos permitir duvidar por um instante sequer de nosso propósito.

Times favoritos nada são perto de um time unido. O que existe no Beira-Rio é uma liga indestrutível de gana, que só quem foi subestimado, desprezado, zombado é capaz de entender.

Inter saiu do inferno da descrença. Não é milionário como Palmeiras, não é poderoso como Flamengo, não tem uma constelação de estrelas como Fluminense, é uma academia latino-americana do povo. Por isso, acreditamos tanto: porque ele parece a nossa vida comum alcançando um momento extraordinário. É como se fôssemos justiçados pelo esforço.

Todo colorado está sem dormir, fingindo demência, fingindo trabalhar, fingindo cuidar de suas responsabilidades. É um nervosismo alegre, uma tensão estranha, uma véspera de memória, uma saudade antes da hora.

Que cada colorado abrace outro colorado. Que cada colorado seja gentil com outro colorado. Que cada colorado adote outro colorado. Não há mais diferenças entre nós. Não há mais classe social. Não há mais cadeiras para nos sentarmos - estaremos incansavelmente de pé.

Não há mais nada a não ser uma vitória. Uma vitória como nunca antes. Uma vitória de quem espera ansiosamente pela glória inesperada. Hoje não sou poeta, não sou jornalista, não sou marido, não sou pai, não sou filho, sou só torcedor. Minha família é o Inter.

Não nos belisque!

CARPINEJAR

04 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

REAÇÃO AO CRIME

Cobrado para produzir e implementar uma política consistente voltada a frear a ação de organizações criminosas em todo o país, o Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou na segunda-feira um plano com a previsão de investir R$ 900 milhões até 2026. A pasta estava pressionada especialmente devido à escalada recente de violência na Bahia e no Rio de Janeiro, mas a atuação desses grupos se tornou um problema de escala nacional. O surto de homicídios observado em cidades gaúchas como Rio Grande e na própria Capital, no primeiro semestre, exemplifica o quadro de brutalidade disseminada.

A iniciativa ganhou o pomposo nome de Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Enfoc). Os recursos prometidos também são significativos. Será preciso cobrar, a partir de agora, a execução dos eixos anunciados. Caso em breve não comecem a aparecer resultados práticos, notadamente nos Estados onde o panorama é mais grave, se cristalizará a percepção de que foi apresentação empacotada às pressas para dar alguma satisfação à sociedade e responder aos questionamentos políticos voltados contra o ministro Flávio Dino. O próprio ministério explicou que, em 60 dias, será apresentado o detalhamento do plano. É uma informação que reforça a suspeita de improviso.

Alguns dos eixos do programa são pontos reclamados há bastante tempo. Um deles é o que pretende diminuir a vulnerabilidade das fronteiras do país. Outro é melhorar a integração entre diferentes órgãos de segurança dos entes federados, para que compartilhem informações. São linhas acertadas. Resta saber se serão bem implementadas e em prazos razoáveis.

A segurança pública é essencialmente responsabilidade dos Estados. Mas é papel do governo federal auxiliar com recursos financeiros, humanos, materiais e de inteligência. Além de uma coordenação capaz de contribuir para uma visão mais abrangente no combate às facções criminosas. Afinal, como dito antes, passaram a ser uma preocupação nacional, com conexões que ultrapassam as divisas estaduais e as fronteiras do país. No caso do Rio, o governo local receberá o apoio da Força Nacional. Na Bahia, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) se somará à força-tarefa.

A todo momento, no Rio Grande do Sul e em outras unidades da federação, são noticiadas operações policiais contra facções criminosas. Esses grupos, no entanto, demonstram grande capacidade de reorganização. Mesmo que o principal negócio seja o tráfico de drogas, utilizam uma série de outras atividades, inclusive com fachada legal, para obter, esconder e lavar recursos. Esse fato comprova que, além da repressão voltada a conter as explosões de violência, é necessário um meticuloso trabalho de inteligência voltado a descapitalizá-los. Isso vem sendo feito, é preciso reconhecer, mas há dúvidas consideráveis se tem sido suficiente.

O inequívoco é que o simples uso da força apresenta resultados desastrosos, como o aumento da letalidade policial, vitimando também inocentes. A política carcerária também deve ser rediscutida. A principal facção do país, por exemplo, nasceu dentro de penitenciárias.

Não são poucos os questionamentos acerca da aparência genérica do programa agora lançado pelo governo federal. Caberá ao próprio ministério, em articulação com as secretarias estaduais de segurança, mostrar que as desconfianças são infundadas.


04 DE OUTUBRO DE 2023
MÁRIO CORSO

Oficinas do diabo

Existe muita desinformação quanto ao diabo. Começando que são muitos, e abrangem várias áreas do sofrimento humano. Hoje apresento a Divisão das Pequenas Desventuras.

Na visita às oficinas do inferno, pude ver a dedicação, o empenho e a motivação com que as equipes trabalham. Abriram minha visita no setor da engenharia que bolou e executou o pingo gelado, aquele que cai durante o banho quente. Tecnologia de ponta para desenhar a estratégia mecânica do aparelho. Enfim, um orgulho da empresa.

A filosofia da divisão baseia-se em que microtragédias têm um impacto poderoso no nosso humor. Apostam nas maldades miúdas, em um cotidiano infeliz por pequenos tropeços. O diabo está nos detalhes, lembram?

Eles sabem que o sabor do carro novo dura até o primeiro arranhão, por isso desenvolveram produtos especializados para causar essa infausta ocasião. Sabe a sensação depois da segunda meia-calça furada na mesma manhã? Eles creem que não há pior forma de uma mulher começar o dia. Elas sentem-se perseguidas pelo universo e além.

Quando um pássaro deixar cair um "presente" na sua roupa, considere-se sortudo. Descobri que o alvo mesmo é o cabelo. A imprecisão, segundo eles, seria pela dificuldade em treinar aves.

Quanto ao setor sanitário, trabalham nas duas pontas. Dois clássicos: a patente entupida quando chega visita e a descarga jorrando, sem que ninguém consiga parar, antes de dormir. Sobre a espinha no nariz em dias decisivos e sobre o peido molhado em festas, não tenho conhecimento de medicina para entender a explicação que me deram.

Como eles conseguem nos cegar para dejetos de cães nas calçadas é como um segredo de Estado, não comentam. Mas percebi que a cegueira para o momento da fervura do leite é feita com a mesma hipnose. Visitei até uma oficina deficitária fechando. Era a que, no passado, inventou a caneta programada para vazar em roupas caras. O celular aposentou a caneta no bolso.

Nem tudo é fácil para os demônios. Queixaram-se que a invenção do pneu sem câmara os privou de um acesso fácil ao nosso mau humor. Suspiraram lembrando da nossa irritação ao termos um pneu furado na hora certa - certa para eles, é claro.

Só não entendi um ponto: o empenho deles pela eficiência, as frases motivacionais, a empresa acima de tudo, o funcionário do mês, a jornada exaustiva e horas extras não pagas; eles aprenderam conosco? Ou nós aprendemos com eles?

MÁRIO CORSO


04 DE OUTUBRO DE 2023
INFORME ESPECIAL

Vera Holtz traz "Ficções" à Capital

Uma das mais aclamadas atrizes brasileiras volta a Porto Alegre para uma temporada no Theatro São Pedro. De 10 a 19 de novembro, Vera Holtz traz ao palco a peça Ficções (foto), sucesso de público e crítica.

Idealizado pelo produtor Felipe Heráclito Lima e escrito e encenado por Rodrigo Portella, o espetáculo parte de um best-seller do nosso tempo: o livro Sapiens - Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari, que vendeu mais de 20 milhões de exemplares desde o lançamento, em 2014. O enredo trata da história da humanidade, percorrendo temas como deuses, dinheiro e nações, e convida o público a refletir sobre a própria existência.

Na peça, Vera encarna diferentes personagens, canta, improvisa, "conversa" com Harari, brinca, instiga a plateia e interage com o músico Federico Puppi. Mais de 37 mil pessoas já assistiram à apresentação, que acumula prêmios desde a estréia, em setembro de 2022. Ingressos no site theatrosaopedro.rs.gov.br.

Super superávit

O governo gaúcho fechou agosto com o que se pode chamar de "super superávit" (R$ 6,3 bilhões no azul). É o maior saldo no período em 10 anos, mas é bom ter cautela. Parte disso resulta da venda da Corsan (R$ 4,15 bilhões). É dinheiro que não vai se repetir e que não pode ser usado para qualquer fim.

JULIANA BUBLITZ

03 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

Escrevendo em cédulas

Estamos num sistema monetário controlado por Pix e cartões de crédito. Só os mais velhos recordam que, nos anos 1980, com o predomínio da moeda de papel, uma forma contundente de dar um recado era escrevendo nas cédulas.

Elas eram passadas adiante com uma declaração de amor, ou um insulto ao governo militar, ou um protesto a favor de eleições diretas, ou um agradecimento a um santo que atendeu a uma causa impossível, ou um apelo desesperado por reconciliação, ou uma propaganda rudimentar de uma cartomante.

Na falta de um papel para anotar um telefone de urgência, valíamo-nos do espaço em branco e da efígie de alguma cédula na carteira. Escrevíamos na cara de Carlos Drummond de Andrade, de Juscelino Kubitschek, de Machado de Assis, de Cândido Portinari, de Carlos Chagas, de Rui Barbosa, de Oswaldo Cruz, de Heitor Villa-Lobos, da Princesa Isabel.

Tinha um quê de insubordinação, de desabafo, de molecagem no bem mais valioso da época, o equivalente a uma pichação em miniatura. Até porque é crime de dano qualificado rasurar ou destruir dinheiro, patrimônio da União.

Como não se podia jogar fora a nota, ou simplesmente apagar os dizeres, representava uma maneira gratuita de expor a sua opinião. O cobrador de ônibus tinha um verdadeiro livro em seu maço de notas. Lia-se a grana.

Ela envelhecia de mão em mão, diferentemente da atualidade, em que mal circula. Existia, inclusive, um pronto-socorro doméstico, quando a nota puída, desmanchando-se em pedaços pelo uso constante, acabava sendo colada com durex ou esparadrapo.

Lembro que uma vez morri de vergonha. Fui ao açougue a pedido de minha mãe. Ela controlava rigorosamente a devolução do troco para que as crianças do lar não gastassem à toa com balas e chicletes. Quando eu retornei, ela me perguntou, como de praxe:

- Teve troco?

Não dava para mentir. Dei, então, a nota de 50 cruzeiros que havia sobrado (o equivalente a seis reais hoje). E nela estava anotado aquele conhecido palavrão "filho da?". Ela me questionou: - Como vou carregar essa nota na carteira? Se precisar comprar algo no trabalho?

Eu respondi: - Não tem problema, eu não me importo, dá para mim! Minha mãe me ofereceu a quantia para se livrar de futuros constrangimentos. Foi uma bendita gorjeta suja.

A partir daquele momento, meus irmãos e eu realizamos um plano maquiavélico: começamos a escrever os desaforos mais cabeludos nas notas que ela tinha em sua bolsa. Tudo para garantir novas doações. Não chegamos ao ponto de falsificar dinheiro, mas estragamos grande parte dele para o incremento da mesada.

CARPINEJAR

REPIQUE DA INADIMPLÊNCIA

Os níveis elevados de endividamento e inadimplência no país permanecem como um limitador para o crescimento da economia via mercado interno. Quando uma parcela significativa da população tem dificuldade para honrar compromissos ou mesmo não consegue quitá-los, a consequência é que terá pouco ou nenhum recurso sobrando para consumir além do essencial à sobrevivência. O quadro se mostra ainda mais delicado quando sequer as contas básicas são pagas. É necessário seguir atento à evolução do cenário nos próximos meses.

Reportagem de Anderson Aires publicada ontem em Zero Hora ilustra essa situação. É um recorte para o Rio Grande do Sul, mas por certo o panorama nacional não é muito diverso. Dados da Serasa apontam que, em agosto no Estado, a participação de dívidas oriundas de despesas comuns a qualquer residência, como energia, água, gás e serviços de telecomunicação, chegou a 26,4% do total de débitos em aberto. Ou seja, ampliou a fatia na comparação com as demais classes de contas. É o maior percentual já observado pela série histórica da empresa, iniciada em 2019.

As estatísticas mais amplas também preocupam. O número total de gaúchos inadimplentes voltou a subir em agosto, após dois meses de queda. São 3,547 milhões de pessoas com dívidas atrasadas. O mesmo aconteceu no restante do país. Após queda no indicador em junho e julho, mais 320 mil brasileiros entraram para a massa de devedores com compromissos vencidos em aberto. São 71,74 milhões de cidadãos inadimplentes, mais de um terço da população do Brasil.

O panorama atual é reflexo de uma conjunção de fatores. Começa com as dificuldades econômicas criadas pela pandemia e passa pela escalada da inflação e da taxa de juro. O quadro conjuntural, no entanto, já é outro. A atividade vem apresentando surpresas positivas, o desemprego está em queda, a renda vem subindo, os índices de preços estão acomodados após um recuo significativo e o Banco Central começou um ciclo de corte de juro. São fatores que deveriam contribuir para o arrefecimento da inadimplência. Os números mais recentes, porém, mostram um alarmante repique da incapacidade de honrar as contas.

Em paralelo, o governo federal também implementou o programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas e para limpar o nome de pessoas físicas. A iniciativa entrou na semana passada na segunda fase. Foram realizados leilões de dívidas, em que os credores ofereceram descontos. Faturas básicas, como energia e água, também foram incluídas no certame, direcionado para solucionar pendências de cidadãos com renda de até dois salários mínimos ou inscritos no Cadastro Único. Conforme o Ministério da Fazenda, graças aos descontos concedidos, dívidas de R$ 151 bilhões se transformaram em R$ 25 bilhões a serem pagos pelos beneficiados.

Será importante, agora, avaliar os próximos meses para compreender qual deve ser a trajetória dos números de inadimplência. Um dos pontos a ser observado é se novas dívidas com risco de virar inadimplência estão sendo criadas. A saúde financeira das famílias também depende, em parte, de uma melhor educação financeira. De outro lado, é preciso que o governo tenha extremo cuidado para manter a economia crescendo, com reflexos no emprego e na renda, mas com atenção especial para a responsabilidade fiscal, que ao fim dita a dinâmica de fatores como inflação e taxas de juros praticadas no mercado.

OPINIÃO DA RBS 


03 DE OUTUBRO DE 2023
NÍLSON SOUZA

Lendas e sustos

Aconteceu na primeira tarde ensolarada depois do dilúvio que se abateu sobre nós. Após percorrer o circuito das lendas urbanas de Porto Alegre no Museu Joaquim Felizardo, eu me dirigia para a saída do Solar Lopo Gonçalves - casarão de quase 200 anos construído na antiga Rua da Margem, atual João Alfredo - quando uma mulher apareceu de repente, saindo de uma das paredes. Foi um susto. Se a visita tivesse ocorrido à noite, acho que eu estaria correndo até agora.

Conduzido amavelmente pela museóloga Luciana Oliveira de Brito, recém havia cruzado com os personagens reais das histórias escabrosas pesquisadas pela professora Marli Rejane d?Ávila Pereira e ilustradas pela arquiteta Mari Froner. Na mesma sala estão Maria Degolada, o escravo que amaldiçoou a Igreja das Dores, os criminosos da Rua do Arvoredo, a prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze e a índia Obirici - se é que não me esqueci de ninguém.

Todos e todas me dizem mais do que suas controversas lendas. Em uma de minhas primeiras reportagens como jornalista profissional, estive na Vila Maria da Conceição e no local onde a moça alemã teve o pescoço cortado pelo namorado em 1899, crime de tanta repercussão que a degolada virou santa por obra e graça da crendice popular. Do negro Josino sei pouco além das versões desencontradas de sua injusta execução, mas sempre que passo pela Igreja das Dores lembro que aquela escadaria e aquelas torres testemunharam muitas atrocidades nos tristes tempos da escravidão.

A prisioneira do Castelinho, falecida dois anos atrás, foi entrevistada por meu ex-colega Juremir Machado da Silva, para um livro que tive a honra de prefaciar. Como nasci no bairro Cristo Redentor no tempo em que ainda se chamava Passo da Areia, passei a infância ouvindo a história de Obirici, que chorou um riacho de areia por ter perdido o duelo de flechas pelo namorado.

Já li, reli e treli sobre o açougueiro da Rua do Arvoredo, tanto em jornais da época quanto nos livros de escritores amigos. Desses, destaco O Maior Crime da Terra, do historiador Décio Freitas, que frequentava minha sala de trabalho e que também me deu um susto depois da sua própria morte. Saí do jornal pela madrugada para me despedir dele no velório realizado no Solar dos Câmara. Em determinado momento, saíram todas as pessoas da sala e me vi sozinho com o finado naquele palacete histórico e fantasmagórico. Logo, porém, os familiares retornaram do café e pude então me retirar.

Ah, a mulher da parede era uma funcionária do museu, que simplesmente atravessou uma porta que eu não havia percebido.

NÍLSON SOUZA

03 DE OUTUBRO DE 2023
CHAMOU ATENÇÃO

Guri de Tapejara é campeão brasileiro

O piloto Pietro Pirolli conquistou o título do Campeonato Brasileiro de Motocross, na categoria MXJR. O piloto de 15 anos representou a cidade de Tapejara na competição nacional e obteve o título de forma antecipada.

Ele venceu a sexta etapa, em Limeira (SP), no dia 17. Foi a quarta vitória seguida do jovem piloto, o que o fez conquistar o título de forma antecipada. A coroação estava prevista para o domingo, dia 1º, quando ocorreu a última etapa, em Canelinha (SC). Apesar de ter vencido as últimas quatro etapas do campeonato nacional, Pietro revela que o processo não foi fácil. Para conquistar o título, precisou ser resiliente, pois passou por lesão no início da temporada 2023.

- Essa conquista foi emotiva. Não tive um bom começo de temporada, tive vários problemas. Iria andar em duas categorias, mas machuquei em uma das etapas. Vinha de recuperação boa, mas depois peguei uma gripe forte e fiquei mal novamente. Mas não baixei a cabeça, treinei bastante - disse o jovem piloto.

Pietro segue os passos do pai, Elder Pirolli, que era piloto de velocross. Com cinco anos, ganhou sua primeira moto e a paixão por duas rodas teve início.

- A gente começou porque fiz algumas etapas de motocross, mas o meu forte foi no velocross. As crianças nasceram e, quando Pietro tinha cinco anos, dei uma motinho para ele nos acompanhar e brincar. Ele foi tomando gosto e agora está há 10 anos no esporte - disse o pai.

Apoio

Para conseguir todas essas conquistas, o apoio da família foi fundamental. Silvia Dalla Nora, mãe de Pietro, admite aflição na hora das corridas, mas não deixa de incentivar:

- O coração de mãe fica apertado, mas ele escolheu ser atleta desde pequeno. Então, a gente resolveu acompanhar. Deixamos as coisas fluírem dentro do seu tempo e hoje que ele optou por esse caminho.

A família acompanha Pietro em todas as etapas pelo Brasil. Isso inclui o irmão mais novo, Antony Pirolli, 11 anos, que também ganhou uma moto e já pilota nas pistas.

- É um esporte que o pai sempre incentivou, o mano incentiva, a mãe incentivou também e eu me divirto. Eu gosto de andar - afirmou Pietro.

ULISSES CASTRO


03 DE OUTUBRO DE 2023
INFORME ESPECIAL

Nobel contra o negacionismo

Anunciados ontem, na Suécia, os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina em 2023 são os criadores da tecnologia por trás de algumas das principais vacinas contra a covid-19. A decisão não deixa de ser uma resposta ao negacionismo de quem virou as costas para ciência no auge da crise sanitária.

A bioquímica húngara Katalin Karikó e o imunologista norte-americano Drew Weissman foram os responsáveis por detalhar a técnica do RNA mensageiro - material genético sintetizado em laboratório cuja função é "levar instruções" para as células e fazer com que elas trabalhem pelo organismo.

As descobertas da dupla foram fundamentais para o desenvolvimento em tempo recorde dos imunizantes. Até então, não havia vacinas registradas com mRNA, que, aliás, devem servir, também, para outras doenças (como o câncer e o HIV).

Muita gente, por conta das fake news (que espalharam mentiras e suposições infundadas), negou-se a receber essas doses - entre elas, os imunizantes da Pfizer e da Moderna, para citar os dois mais conhecidos.

Felizmente, a maioria da população se vacinou. Hoje, sabemos o quanto isso foi vital para conter o vírus, evitar mais mortes e superar as dificuldades.

Pelo alcance e pela importância, o trabalho de Katalin e Weissman merece, sim, uma condecoração do porte do Nobel.

O "pouco" que já faz toda a diferença

O grupo de voluntários que já transformou um beco, uma delegacia, uma escola pública, a sede de uma orquestra, um asilo e outros 10 espaços em Porto Alegre "atacou" de novo. São Pedro ajudou, e a turma do projeto social DU99 - que leva a arquitetura até onde ela não chega - revitalizou, no último sábado, o prédio do Instituto Misturaí (foto), na Capital.

Fundado em 2018, o Misturaí atua na Vila Planetário, onde distribui marmitas e cestas básicas, atende crianças no turno inverso ao da escola, oferece oficinas e mantém uma horta comunitária. É um baita trabalho de inclusão social.

- A gente precisava muito dessa ajuda. Caiu do céu. É uma coisa tipo o programa do Luciano Huck, sabe? Tudo em um dia - diz Mara Luisa Freitas Nunes, a tia Mara, presidente da instituição, feliz da vida.

Cinquenta pessoas participaram da ação, que, a partir de doações de parceiros e apoiadores, renovou a fachada e os ambientes internos. Como diz o lema da DU99, fazer uma pequena parte já é mudar o mundo. Se cada um ajudar com o que tem, todos ganham.

JULIANA BUBLITZ

segunda-feira, 2 de outubro de 2023


Leilão da Carris está marcado para hoje

O leilão de venda da Companhia Carris Porto-Alegrense será realizado hoje. A sessão pública para recebimento e abertura das propostas dos interessados está agendada para as 13h30min, em Porto Alegre. A prefeitura não cogita a possibilidade de o certame restar deserto.

- Temos a expectativa de quatro a cinco interessados, o que já seria ótimo - afirma a secretária municipal de Parcerias, Ana Pellini.

Segundo a titular da pasta, durante os 45 dias úteis que o edital esteve à disposição do público, a prefeitura recebeu muitas perguntas de possíveis interessados, especialmente no último mês. Além da compra de ônibus, terrenos e ações, o vencedor precisará adquirir as linhas da companhia. O valor mínimo é de R$ 109,85 milhões.

A Carris opera 20 linhas de ônibus na cidade, o que representa 22% do sistema de transporte público da Capital. A concessão das linhas da empresa à iniciativa privada será pelo período de 20 anos.

A tarifa de ônibus, que atualmente custa R$ 4,80, não deverá sofrer reajuste. Os aumentos seguirão a data-base, que permanece sendo o mês de fevereiro de cada ano. Entre as maiores razões do Executivo para a venda da companhia estão o alto custo de operação da Carris e a necessidade de investimentos para melhorar o serviço, como a aquisição de novos ônibus para a frota.

A previsão é de que os contratos sejam assinados até o primeiro trimestre do ano que vem, após a realização de todas as etapas previstas no edital de venda.

Greve e linhas sem operar

Em razão da paralisação de parte dos rodoviários de Porto Alegre a partir de hoje, a prefeitura informou que 11 das 21 linhas da Carris não vão operar durante todo o dia: T2A, T3, T9, T10, T11.1, T13, C1, C3, C5, 343 e 353. De acordo com a prefeitura, as linhas T4, T6, T11, T12, T1, T5, T7, T8 terão suas tabelas normais. A linha C2 será atendida com um ônibus e a linha T2 cumprirá suas tabelas a partir das 15 horas. A mobilização dos trabalhadores ocorre em protesto contra a venda da empresa.

A organização feita pelos técnicos da Secretaria de Mobilidade Urbana, Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e Carris considera a definição ocorrida durante mediação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, determinando a manutenção de, no mínimo, 60% dos ônibus da empresa.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Porto Alegre (Stetpoa) confirmou que a categoria começa a concentração às 4h em frente à garagem da Carris. Nova audiência está marcada para hoje no TRT.

ANDRÉ MALINOSKI 

02 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

Renovação do luto

Você somente descobre que sua carteira de motorista venceu porque alguém notou, nunca é por sua memória e iniciativa. É sempre informado por um terceiro quando já expirou a data e tem que contornar o prejuízo.

Foi o que aconteceu comigo. Apresentei o meu documento com foto numa loja de roupa e o vendedor apontou para a validade que havia caducado. Depois de pagar o boleto errado do Detran, ir atrás do estorno, quitar o certo - porque o simples para mim costuma ser complicado -, apareci para o exame médico numa clínica conveniada.

O médico se mostrou loquaz, apesar de seus óculos de aros finos e a barba grisalha indicando sisudez. Disse que me conhecia de algum lugar. Deveria ser da TV, mas ele imaginou que fosse de uma consulta anterior. Não desmenti.

Perguntou qual a minha ocupação. Respondi que era escritor. Em seguida, questionou qual tipo de livro eu escrevia. Avisei que era de comportamento e que o mais recente trazia reflexões a respeito da perda. Ele parou de revisar o meu questionário com dados pessoais e concluiu:

- As pessoas sofrem mais do que deveriam. Precisam virar a página. Morreu, morreu. É para chorar por alguns dias e erguer o rosto sem arrependimento.

Eu não concordava com ele. No meu entendimento, o luto é para a vida inteira. Você ajeita a dor, não há como mandá-la embora. Aliás, considero um completo desrespeito ao enlutado apressá-lo a se recompor imediatamente, coagi-lo a seguir em frente enquanto seu coração ainda anda para trás.

Mas não estava em posição de contrariar o médico. Dependia dele para a renovação da CNH. Eu me censurei em pensamento: "não compre briga, não discuta, apenas escute e siga para casa!".

Respirei fundo, e ele emendou: - Quando meu pai morreu, eu tinha 21 anos. Lamentei: - Meus pêsames. Ele não deixaria o assunto parado no ar. Prosseguiu:

- Tranquilo, não tenho nenhum problema com a morte. Ao voltar do velório e do enterro, tranquei-me no quarto para escutar música. Minha mãe me censurou porque não me encontrava triste, não chorava, e lhe expliquei que eu estava fazendo algo de que gostava. Entendi que tinha chegado ao fim o tempo do meu pai, e procurei me cercar de alegrias. O luto é um momento, não pode ser estendido para sempre. Vira chatice.

Eu não me aguentei, juro. Pedi desculpa mentalmente para Beatriz, minha esposa, que me aconselha a ficar calado nessas horas tensas. Assumi a bronca emocional e indaguei ao médico:

- De que seu pai morreu? Ele recordou: - De acidente de carro. Então acabei falando:

- Você não acha estranho que tenha vindo trabalhar justamente em admissão de motoristas? Seu luto não acabou, realiza sua função pela saudade de seu pai. Para salvá-lo todo dia a partir de outros condutores. Nem sempre as lágrimas escorrem, existem as lágrimas secas. Escolheu um jeito diferente e silencioso de prantear a sua dor.

Ele me encarou profundamente. Permanecemos em silêncio constrangedor. Já não sabia se eu renovava a minha CNH ou ele renovava o seu luto. Pensei que seria reprovado e me despedi.

CARPINEJAR


02 DE OUTUBRO DE 2023
ARTIGOS

DESAFIOS DA DOLARIZAÇÃO DA ARGENTINA

A Argentina vive um caos econômico, e esse será o principal desafio a ser enfrentado pelo próximo presidente. Em agosto, a inflação anualizada foi de 124,4%, a população abaixo da linha da pobreza está em 40% e o governo acumula déficits nas contas públicas há mais de 10 anos. Mas o que é mais perceptível, sobretudo aos turistas, é a trágica gestão da política cambial.

Quem visita a Argentina hoje encontra inúmeros doleiros trocando peso por dólar com cotações muito mais atrativas do que o câmbio oficial, chamado de dólar blue. O candidato que lidera as pesquisas, Javier Milei, propõe o fim dessa anomalia com a dolarização formal do país.

De fato, a economia argentina já é informalmente dolarizada. Sua população possui o maior número de notas de dólar fora dos EUA, entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões, estoque muito superior ao de pesos nos bancos, com US$ 50 bilhões. Ou seja, a população já fez sua escolha.

O motivo pode ser a saudosa década de 1990, quando a inflação caiu de 1.000% para 0% entre 1996 e 2001 devido a duas medidas: zero déficit público e paridade cambial do peso com o dólar por meio de um sistema conhecido como currency board. Nele, a taxa de câmbio é fixa, e a base monetária varia conforme as reservas internacionais. Isto é, o banco central não podia imprimir dinheiro, o que o impedia de desvalorizar a moeda. É esse princípio que Milei tenta resgatar agora

Os economistas que compõem a chapa La Libertad Avanza entendem que a Argentina não tem maturidade para ter um banco central, pois serve apenas para imprimir dinheiro que financia a máquina pública.

A implementação da dolarização não é trivial. Segundo Emilio Ocampo, economista por trás do plano, será necessária uma transição para ganhar confiança do mercado e da população para se obter volume suficiente de dólares. Hoje, a Argentina possui meros US$ 24 bilhões, que advêm de um swap com a China, além de um passivo de US$ 30 bilhões.

O desafio é grande e passará pelo fim das políticas peronistas que dominaram o país nos últimos 50 anos.


02 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

GESTO PARA A PACIFICAÇÃO

O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, assumiu o cargo na quinta-feira com um discurso em que, em um dos principais trechos, pregou a pacificação no país. À frente de um dos três poderes da República, o ministro terá de fato colocada à prova a sua capacidade de construir uma relação harmônica, em especial com o Legislativo. Há, afinal, uma crise em curso entre o Supremo e o Congresso.

Deputados e senadores reclamam que o STF tem usurpado funções do parlamento. Os ministros se debruçaram nas últimas semanas sobre temas controversos e chegaram a decisões, em regra, contrárias ao pensamento da maioria do Congresso, de perfil conservador. Entre eles, aborto e descriminalização da posse de pequena quantidade de maconha. A gota d´água foi a Corte ter avaliado como inconstitucional a tese do marco temporal para a demarcação de terras agrícolas, o que desagradou à bancada ruralista. A consequência foi o anúncio de uma obstrução da pauta no Legislativo e a aceleração de um projeto de lei para se sobrepor à decisão do Supremo. A ofensiva prosseguiu, com a apresentação de uma PEC para o Congresso ter o poder de derrubar deliberações da Corte. A tensão acaba por respingar no governo federal, que vê a sua agenda no Congresso ter o andamento atrapalhado.

O país atravessou recentemente anos de sobressaltos constantes de crises institucionais, em especial envolvendo Executivo e Judiciário. A beligerância não fez bem para o país. É preciso confiar que as lideranças de cada lado da Praça dos Três Poderes terão discernimento para retomar o diálogo e solucionar o impasse de forma negociada e civilizada. Barroso concedeu entrevista coletiva na sexta-feira e voltou a se manifestar no sentido de buscar o entendimento com o Congresso. Admitiu que, no Brasil, há algumas "sobreposições" entre competências do Supremo e do Congresso, mas ressaltou ser possível dissolver eventuais conflitos de maneira respeitosa e institucional.

Na posse, Barroso também ressaltou que o STF deve continuar enfrentando temas ligados à pauta de costumes. É possível, portanto, que surjam novas fricções. Devem ser resolvidas, no entanto, sem que o país volte a ter refregas constantes entre poderes. Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, sabem as suas responsabilidades. Espera-se que saibam defender as suas Casas sem alimentar novas crises.

O Congresso tem reiteradas queixas do STF, sobre alegadas invasões de atribuições de deputados e senadores. Deve ser lembrado, no entanto, que o parlamento, em vários, casos, tem se omitido de legislar. Temas semelhantes acabam chegando à Corte. Provocado, cedo ou tarde, o Supremo acaba se posicionando. É um problema que se origina também do excesso de judicialização de temas políticos. Mas, se cada um fizer a sua parte e o respeito mútuo for respeitado, é possível o país ter na prática três poderes independentes e harmônicos. É hora de baixar a fervura.

OPINIÃO DA RBS


02 DE OUTUBRO DE 2023
INFORME ESPECIAL

O abraço do Carpi

Fabrício Carpinejar (foto), meu amigo e colega de ZH, tem um hábito, digamos, inusitado: abraçar todo mundo que vê pela frente. E não é qualquer abraço, não. Ele "imobiliza" a "vítima" e fica lá, uns cinco minutos com os braços em volta dela.

Certo dia, em uma cobertura difícil sobre a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, ele me viu, caminhou resoluto em minha direção e tascou um desses. E foram bem mais do que cinco minutos.

Antes que alguém saia gritando "assédio!", já vou logo dizendo: nada disso. Carpinejar abraça todo mundo mesmo. Cachorro, gato, homem, mulher, crianças, senhoras recatadas, velhotes ranzinzas e até policiais militares - que, em maio, retribuíram o gesto e ainda receberam rosas do escritor. Um gentleman.

Carpi tem a teoria de que abraçar salva. "Faz bem à alma", diz ele. Não pude deixar de pensar nessa máxima quando conversamos sobre seu novo livro - que já está entre os mais vendidos do Brasil, antes mesmo de chegar às livrarias (sim, o homem é um fenômeno!), e agora tem data de lançamento marcada (abaixo).

Manual do Luto é isso: um abraço longo e apertado.

- Só quem já perdeu alguém sabe o que é isso. Existem muitas mentiras sobre o luto. As pessoas acham que em um mês você tem de estar bem, que vai passar. Existe até um preconceito, um cansaço contra quem não aceita isso, mas cada um tem o seu tempo - reflete Carpinejar, que já escreveu sobre o tema em Depois é Nunca, com 60 mil exemplares vendidos.

Na escrita do poeta, os braços ganham a forma de palavras de afeto. Talvez por isso ele faça tanto sucesso.

Na periferia

Último conferencista do Fronteiras do Pensamento 2023, o britânico David Wengrow (foto) fará uma visita à periferia da Capital na próxima quinta-feira. O arqueólogo participará de uma roda de conversa do 2º Congresso Popular de Educação para a Cidadania. Será às 9h30min, na Escola Municipal Marcirio Goulart Loureiro, no bairro Partenon. O badalado intelectual vai ouvir participantes do evento, que ficou conhecido por promover debates voltados a uma cidade mais inclusiva, criativa e sustentável.

Do Fantaspoa para o mundo

O diretor do Fantaspoa, João Pedro Fleck (foto), foi convidado a compor o júri oficial de dois grandes festivais internacionais. Ele acaba de participar da Fantastic Fest, em Austin, maior encontro de cinema fantástico dos EUA e, em novembro, estará no 38º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, na Argentina. A ideia é aproveitar para buscar filmes para a edição de 20 anos - em 2024 - do festival porto-alegrense, um dos principais do gênero na América Latina.

JULIANA BUBLITZ