Especialistas discutem conjuntura brasileira no Fórum Econômico

É necessário αbrir os olhos e perceber que αs coisαs boαs estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisαm de motivos nem os desejos de rαzão. O importαnte é αproveitαr o momento, pois α vidα estα nos olhos de quem sαbe ver. Tento me lembrαr, de tudo que vivi, o que tem por dentro, ninguém pode roubαr. Pois os diαs ruins, todo mundo tem já jurei prα mim, não desαnimαr, não ter mαis pressα , eu sei que o mundo vαi girar . . .Eu espero α minhα vez.
Especialistas discutem conjuntura brasileira no Fórum Econômico


02/12
Novo modelo de financiamento deve garantir mais 50 mil unidades habitacionais em 2026, diz Cbic
Câmara da Indústria da Construção prevê avanço no crédito habitacional em 2026
Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
O presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil), Renato Correia, projeta à reportagem um crescimento de 10% dos recursos destinados à construção da casa própria com o lançamento do novo modelo de financiamento habitacional pelo governo, o equivalente a R$ 37 bilhões de crédito injetado a mais no setor em 2026. Pelos cálculos da entidade, serão mais 50 mil novas unidades.
Para Correia, o novo modelo funcionará como um contraponto para evitar uma desaceleração do financiamento imobiliário no cenário atual de juros altos e manutenção da taxa Selic no patamar de 15% ao ano pelo Banco Central.
"Acaba sendo um contraciclo, porque o BC põe o juro para diminuir a velocidade do mercado e poder baixar a inflação, e o setor da construção continua trabalhando com muita força por conta dos instrumentos do FGTS, da caderneta de poupança e da demanda. É bom que seja assim, porque senão o cidadão ficaria sem habitação", diz.
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A projeção de crescimento da Cbic está associada à liberação imediata no pacote de uma parcela de 5% dos recursos da poupança, hoje parada em depósitos compulsórios no Banco Central. "O modelo transforma a poupança em dinheiro para o mercado imobiliário poder financiar o imóvel da classe média."
Segundo ele, a liberação de 5% do compulsório funcionará com um teste de validação do novo modelo de crédito habitacional em 2026. No ano seguinte, a expectativa do setor é que o crédito habitacional esteja a pleno vapor.
"Durante 2026, vamos ver como é que os bancos se comportam, se a oferta de crédito vai acontecer mesmo. Se as empresas vão ter projeto para isso e se o cliente vai querer. Dando tudo certo, em 2027 o novo modelo é colocado a pleno vapor", prevê. Por enquanto, admitiu, há ainda a incerteza de como é que isso vai funcionar. O governo Lula estima um aumento maior, de 80 mil unidades habitacionais.
"O governo tem falado em 80 mil unidades. Mas a gente avalia que umas 50 mil unidades em 2026 é possível acrescentar. É muito difícil fazer projeção do crescimento do mercado, porque leva em conta a renda das pessoas", ressalta.
A liberação dos recursos será escalonada, mas com um impacto imediato dos 5% do compulsório. A partir de 2027, está prevista uma liberação anual adicional de 1,5 ponto percentual, até que a fatia total dos 20% compulsórios esteja disponível ao setor em dez anos.
O novo modelo de financiamento para a casa própria foi desenhado para enfrentar o esgotamento da caderneta de poupança como principal fonte de crédito imobiliário no país. "O saldo da poupança está com dificuldade de subir e isso vai implicar numa dificuldade de financiamento da classe média", diz o presidente da Cbic. "Ela não vai acabar, mas terá dificuldade de manter ou de subir os valores ali depositados."
Correia avalia o cenário atual como positivo para o setor, após um primeiro semestre de crescimento de 6,8% de lançamentos imobiliários, de 9,6% das vendas e de um decréscimo de 4,1% dos estoques. Pesquisa da Cbic, feita em 221 cidades, mostrou que 414.375 unidades foram lançadas e 423.241 unidades vendidas no período de um ano.
Na avaliação do dirigente, as políticas públicas têm surtido efeito para reduzir o déficit habitacional no país. Ele cita os dados divulgados neste ano pela Fundação João Pinheiro, que mostram que a quantidade de famílias sem imóvel próprio para morar frente ao total de moradias existentes no Brasil caiu para o menor patamar da história em 2023, enquanto o déficit habitacional absoluto diminuiu para 5,97 milhões.
Ele diz que a tendência é melhorar o indicador com o apoio dos estados e municípios para subsidiar a parcela de entrada, de 20%, no financiamento da casa própria por famílias de baixa renda. Segundo ele, os estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e alguns municípios concedem subsídios complementares para ajudar na entrada do valor do imóvel.
A Cbic defende uma uniformização nas normas de códigos de obra e de planos diretores das cidades em todo o país. De acordo com a entidade, cada município tem suas próprias normas, o que dificulta o que chama de industrialização dos projetos para aumentar a produtividade nas construções das habitações.
"Cada município definindo qual que é o tamanho do quarto, qual que é o tamanho da sala, o pé direito, nós temos uma enormidade de opções que vão em desencontro com a industrialização. Se não aplicado a mesma planta, eu tenho dificuldade de escala para industrializar."
02/12/2025
BNDES aprova R$ 2 bi para ampliar tratamento de esgoto em 60 cidades gaúchas
Iniciativa contempla os investimentos necessários para o avanço na cobertura de água e esgoto até 2028
Iniciativa contempla os investimentos necessários para o avanço na cobertura de água e esgoto até 2028
Corsan/Divulgação/JC
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor total de R$ 2,015 bilhões para a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) ampliar o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto em 60 municípios do Rio Grande do Sul, que irá afetar quase 3 milhões de habitantes.
A operação é realizada com recursos do Ecoinvest, com volume alocado de R$ 220 milhões, em combinação com debêntures incentivadas no valor de R$ 1,1 bilhão, totalizando R$ 1,32 bilhão. Além disso, o projeto contou com outra série de debêntures incentivadas no valor de R$ 695 milhões, ambas com emissão coordenada pelo BNDES. Durante a implementação do projeto, estima-se a geração de 9.816 empregos diretos e indiretos.
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A iniciativa contempla os investimentos necessários para o avanço na cobertura de água e esgoto até 2028, com realização de obras civis relacionadas à expansão de redes e melhorias em estações de tratamento de esgoto. Atualmente, nesses 60 municípios, a média de Índice de Atendimento de Esgoto (IAE) é de 22%. A meta é elevar esse percentual para 52% até 2028. Com isso, 900 mil pessoas, que até então não são atendidas, serão adicionadas à rede de coleta e tratamento de esgoto.
“Investir em saneamento básico nos municípios do Rio Grande do Sul é investir diretamente na saúde das pessoas e na preservação do ambiente, prioridades do governo do presidente Lula. Cada real aplicado nesse setor se traduz em qualidade de vida, geração de empregos e em desenvolvimento sustentável para as próximas gerações”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A Corsan é responsável pelos serviços de saneamento em 317 dos 497 municípios do Estado, atendendo 6,5 milhões de pessoas, o que corresponde a 60% da população. Atende 3 milhões de domicílios com abastecimento de água e 700 mil domicílios com serviços de esgotamento sanitário.

Pluribus
Imagine passar o resto da vida cercado por pessoas insuportavelmente felizes, sorridentes e com respostas prontas para todas as perguntas. Esse apocalipse da positividade tóxica é o ponto de partida de Pluribus (Apple TV, cinco episódios), nova série de Vince Gilligan - criador de Breaking Bad e Better Call Saul - que, como os gringos dizem por aqui, "dá comida para o pensamento".
No primeiro episódio, ficamos sabendo que a paz universal contaminou a Terra como uma pandemia de origem extraterrestre. Não há mais guerras, e o estado de felicidade permanente é o novo normal. O conhecimento é compartilhado por todos - ricos e pobres, crianças e adultos - e qualquer um é capaz de pilotar aviões, operar cérebros e falar mandarim. (O título da série foi extraído do lema E pluribus unum, gravado na moeda norte-americana, que significa "de muitos, um".)
O problema é que nem todos sentem-se confortáveis nessa Disney de zumbis camaradas onde não existe invenção ou vontade própria. Uma dúzia de pessoas em todo o planeta, entre elas a escritora Carol Sturka (Rhea Seehorn), ficou imune à catástrofe benfazeja. Por mais que a maioria alto-astral se esforce para atender suas vontades, a personagem principal continua determinada a descobrir como reverter o processo, trazendo de volta não apenas a desconfiança e o pessimismo, sem os quais nossa espécie provavelmente não teria chegado até aqui, mas a imperfeição que nos caracteriza. O paradoxal objetivo da protagonista passa a ser salvar a humanidade da felicidade que desabou sobre nós.
Pluribus não é uma daquelas séries quadradinhas, previsíveis, que dá para acompanhar enquanto se rola uma segunda tela pensando em outra coisa - tendência que parece ter se espalhado pelas plataformas de streaming nos últimos tempos. Um dos subtextos mais evidentes é o do impacto da inteligência artificial e do algoritmo sobre a nossa subjetividade. Alguns personagens, quando conversam, soam exatamente como o ChatGPT: bem-intencionados, sem personalidade e muitas vezes inclinados a inventar o que eles acreditam que o interlocutor gostaria de ouvir.
Mas a série talvez vá um pouco além, ultrapassando a questão imediata da tecnologia para cutucar um dos dilemas mais antigos da humanidade: a escolha entre liberdade e segurança (ou satisfação garantida). E se o preço da realização imediata de todas as nossas necessidades for o embotamento da vontade? Entre ser feliz o tempo todo e livre para errar e acertar o que você escolheria? _
ZERO HORA

01 de Dezembro de 2025
OPINIÃO DA RBS
Alvo de diferentes projetos de revitalização há nada menos do que três décadas e meia, uma das áreas públicas mais promissoras de Porto Alegre, em vez de se converter em ponto de lazer, convívio e geração de renda, exibe um cenário preocupante. Desde 1991, quando o então prefeito Olívio Dutra lançou o projeto Caminho do Porto, destinado a transformar cinco armazéns em restaurantes, museu e outras atrações no centro da Capital, o Cais Mauá aguarda pela prometida reforma. Uma reportagem de Jonas Campos exibida pela RBS TV na semana passada revela o oposto: boa parte desse patrimônio histórico segue se deteriorando em ritmo acelerado sob as intempéries e a inércia privada e estatal.
Quem circula no entorno dos armazéns e pelo seu interior depara com um ambiente de abandono. Pedaços dos telhados foram arrancados pela ação do vento e da chuva, vigas e pilares de metal se encontram corroídos. É um ambiente muito diferente do que se esperava desde que o mais recente projeto de recuperação ganhou forma, em fevereiro do ano passado.
O consórcio Pulsa RS, integrado por empresas do Rio Grande do Sul e de São Paulo, arrematou a concessão do cais por um período de 30 anos mediante compromisso firmado com o governo estadual, responsável pela área, de investir R$ 353 milhões. O plano prevê a revitalização de um trecho de três quilômetros de extensão, com permissão para construção de edificações comerciais e residenciais na área das docas próximo à Rodoviária. Parte do Muro da Mauá seria derrubada e substituída por um sistema mais moderno de contenção - parte fixo, parte móvel.
Até agora, a assinatura do contrato e o início das obras estão pendentes. É mais uma frustração depois de tantas esperanças naufragadas no Guaíba. A tentativa anterior de concessão, iniciada ainda durante a gestão de Yeda Crusius no Piratini (2007-2010), resultou no rompimento do acordo no governo de Eduardo Leite sob alegação de descumprimento contratual da antiga concessionária. Com razão: os gaúchos esperaram durante nove anos por obras que jamais se tornaram realidade.
Devido a esse histórico conturbado e à longa lista de insucessos, é inquietante que o projeto do cais aparente estar mais uma vez à deriva. A Secretaria da Reconstrução Gaúcha sustenta que os danos provocados pela enchente de 2024 levaram à suspensão da assinatura do contrato com o consórcio vencedor, sem prazo para ocorrer. Já a concessionária informa que segue trabalhando no projeto e à espera de definições por parte do governo estadual. Diante do cenário de deterioração progressiva de um valioso patrimônio público, tombado em nível municipal e federal, é imperioso que o Estado e o parceiro privado se mobilizem para conter os danos em curso e, finalmente, destravar o início das melhorias na região.
A realização anual do South Summit em parte dos armazéns confirma, a cada ano, o potencial turístico e econômico do cais. Embora seja forçoso reconhecer os transtornos causados pela cheia do ano passado no andamento do processo de revitalização, a tragédia que afetou os gaúchos não pode servir como desculpa para o continuado descaso com um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Sul.

"Estrangeiros apostam em dólar porque estão convencidos de que a direita vai ganhar"
Respostas capitais
Fabio Kanczuk
Diretor de macroeconomia do ASA, banco de Alberto Safra, foi diretor de Política Econômica do Banco Central e secretário da área na Fazenda
Fabio Kanczuk é autor de modelo para definição do juro neutro - nível que não inibe nem estimula a economia. Avalia que o padrão foi deixado de lado depois que ele saiu do BC e que hoje a instituição não considera a situação fiscal, o que resulta em sucessivos "erros de política monetária". E vê investidores ganhando dinheiro com aposta eleitoral no Brasil.
Vai ter corte no juro?
Nos EUA, deve ter mais um corte, depois que reduziram por precaução. Como os BCs adotam uma estratégia e não saem em seguida, é provável mais um em dezembro, depois pare. Não se vê risco de recessão. No Brasil, uma coisa é o que o BC deveria fazer e, outra, o que acho que vai fazer. A atividade está forte, com mercado de trabalho apertado e desemprego baixo, não vejo por que cortar juro. Mas vão cortar, talvez 0,5 ponto percentual em março. Estão dando sinais. Não o presidente, Gabriel Galípolo, mas os diretores, ao dizer que estão ?vencendo a batalha?. É verdade que a inflação está caindo, mas está bem longe da meta.
Inflação no limite de tolerância não é suficiente?
Sempre tomamos cuidado, no BC, com textos sobre inflação, porque não existe essa banda. A margem é só para escrever ou não a carta (de explicações do presidente do BC quando o resultado passa do limite máximo). A meta é 3% ao ano e pronto. Está sempre acima nos últimos anos, sinal de que o BC está errando.
Com o real atual, faz diferença Selic de 15% ou de 12%?
Faz, sim. O problema é a conta do juro neutro. O BC diz que seria 5% reais (descontada a inflação). Com inflação de 4%, dá cerca de 9% de juro nominal neutro. Parece que 12% basta. O meu juro neutro real é 8%. Com inflação, dá 12%. E precisamos de juro acima do neutro para controlar a inflação. Quando foi a 15%, ficou finalmente acima. Por isso a inflação começou a ceder.
Por que sua conta é de 8%?
Uso o modelo do BC que coloquei lá, em 2019 e 2020. Pararam de usar o modelo e passaram a usar a intuição. O mercado vê mais ou menos 6%. Mas se o juro real está acima de 5% nos últimos três anos, como não deu certo? Então, o neutro de 5% está errado.
O cálculo inclui o fiscal?
Sim, o juro neutro é 8% por culpa do fiscal. Quando pergunto por que a inflação não desacelera há tanto tempo, a resposta é ?porque tem o fiscal?. Aí respondo que, se deixar o fiscal fora do juro neutro, não serve para nada. É preciso incluir para ter a informação de qual é o juro necessário.
Vê sentido na conta do ministro da Fazenda de que os dois governos anteriores deixaram déficits de R$ 200 bilhões?
A conta não é correta. Em vários anos teve números bem melhores. É verdade que o último ano do Bolsonaro foi horrível. Se está se referindo a isso, é verdade. Mas foi no ano de eleição. Os anteriores foram melhores do que os de (Fernando) Haddad.
É um problema crônico?
Tem de resolver o déficit, pelo bem, cortar gastos ou até aumentar a arrecadação. Não sei como aumentaria, mas resolveria de forma organizada. Ou pelo mal, via inflação e dólar muito alto. Também resolve o problema da dívida, porque a inflação engole parte. Mas prejudica muito a população menos favorecida, que não pode se proteger da inflação.
Vai ao debate eleitoral?
Não entra, de novo. É muito custoso eleitoralmente. O lado do Tarcísio de Freitas sabe que vai ter de resolver. Conversando, ele fala. Mas não vai levar ao debate eleitoral. É complicado dizer ?vão cortar seu salário?. O lado do Lula, não tenho certeza se sabe que precisa resolver, por isso desconfio que, se Lula ganhar, tem chance alta de solução via inflação.
Qual é a saída organizada?
Todo mundo sabe: mexer na regra de salário mínimo (aumento acima da inflação), reformar de novo a previdência, cortar salários de servidores, reduzir as distorções chamadas de gasto tributário, atividades que deveriam ter imposto e não têm, como a Zona Franca de Manaus e crédito subsidiado de BNDES, Sudene, Sudam. Cheguei ao Ministério da Fazenda achando que ia dar ideias. Está tudo pronto lá. O problema é político.
É uma situação sem saída?
Como não entra no debate eleitoral, fica difícil. O Milei, na Argentina, avisou. Quando é eleito, consegue fazer. Aqui, ninguém vai falar, então será difícil fazer algo para qualquer governante.
O dólar sobe em dezembro?
Tem o fluxo de fim de ano, mas o BC tem isso mapeado. O que causa perigo é a eleição, se o governo gastar muito. Mas quando falo com investidores estrangeiros, dizem ?quero ficar posicionado no Brasil na eleição porque acho que a direita vai ganhar?. Estão convencidos de que a direita vai ganhar, vai conquistar a América Latina. Então, atuam para não deixar o dólar subir muito. Vendem a descoberto no mercado futuro. Se o real ficar parado nos R$ 5,30, 5,40, ganha mais de 10% acima do CDI só com o diferencial de juro.

MDB se une em torno de Gabriel Souza para o Piratini
Quem acompanhou a convenção do MDB em 2022, quando o partido saiu rachado e uma ala preferiu Onyx Lorenzoni (PL), tem dificuldade para acreditar que os protagonistas sejam os mesmos que no sábado se uniram em torno da candidatura de Gabriel Souza a governador em 2026. Aos 2 mil militantes que lotaram as dependências do Clube Farrapos, em Porto Alegre, juntaram-se os principais líderes do partido, mais o governador Eduardo Leite, que fez um discurso para não deixar dúvida de que seu candidato é Gabriel.
O prefeito Sebastião Melo, que apoiou Onyx desde o primeiro turno em 2022, participou do congresso ao lado de Gabriel e de outros líderes do MDB que naquele ano não quiseram nem discursar na convenção, como o ex-governador José Ivo Sartori. A unidade foi costurada por mãos hábeis como a do presidente estadual, Vilmar Zanchin, e pelo próprio Gabriel, que em vez de ficar remoendo mágoas contra os que lideraram o boicote a sua candidatura a vice de Leite adotou uma postura conciliadora.
As fotos, de fato, são poderosas como imagem. Gabriel foi aclamado candidato a governador sem que ninguém tenha cogitado outro nome. No palco, estavam, além de Leite, dois ex-governadores, José Ivo Sartori e Germano Rigotto, deputados estaduais e federais, e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, que fez um apelo à unidade. Leite declara apoio ao vice
Leite colocou um ponto final nas especulações de que poderia apoiar outro candidato da base aliada, um gesto importante para consolidar a candidatura de Gabriel como a que representa o governo dos dois.
- Onde estará Eduardo Leite em 2026? Estarei ao lado de Gabriel, percorrendo o Rio Grande, para falar daquilo que se fez, do que se avançou, e para lembrar que queremos continuar essa mudança - disse Leite.
Na sua vez de falar, Gabriel disse "sim" aos militantes que gritavam "MDB, já decidi, vamos voltar ao Piratini":
- Chego até aqui para dizer com serenidade, responsabilidade e convicção: eu quero ser o próximo governador do Rio Grande do Sul. _
Rigotto se dispõe a disputar o Senado
Sem mandato desde que deixou o Palácio Piratini, em janeiro de 2007, o ex-governador Germano Rigotto colocou seu nome à disposição do MDB para concorrer ao Senado.
À coluna, Rigotto disse que sabe o quanto é difícil a disputa de 2026, mas está disposto a ajudar a coligação e sente-se pronto para atuar no Senado. O ex-governador afirmou em discurso no congresso do MDB que o número 1 para concorrer ao Senado é o governador Eduardo Leite e que a vaga poderá ser necessária para acomodar os partidos aliados.
- Tenho uma história - justificou. _
PT supera divergências e lança Edegar e Pimenta
Para não dizer que a chapa majoritária de 2026 estava completa no 24º Encontro Estadual do PT, faltou o vice de Edegar Pretto, candidato de consenso a governador, depois de ter chegado muito próximo do segundo turno em 2022.
A vaga de senador, que no início da tarde de sexta-feira era dúvida, também foi resolvida no diálogo. O senador Paulo Paim formalizou a decisão de não concorrer, declarou apoio ao deputado federal Paulo Pimenta e o encontro deste domingo foi só de aclamação dos pré-candidatos que disputarão a eleição de 2026.
A ex-deputada Manuela D?Ávila, que no dia 9 de dezembro assinará ficha de filiação ao PSOL, fará a dobradinha com Pimenta, numa estratégia de evitar que o segundo voto de um e de outro seja dado a concorrentes de outros partidos. _
Manuela assina com o PSOL no dia 9
"Vamos celebrar com samba e muita alegria! Vamos dar largada à construção de uma vitória histórica na eleição do Senado", convidou Manuela em seu perfil no Instagram, em texto que explica a opção pelo PSOL.
aliás
A presença do deputado federal Alceu Moreira no congresso do MDB foi uma demonstração de grandeza rara na política. A relação entre os dois estava estremecida desde 2022, quando Alceu, que queria concorrer ao Piratini, se sentiu traído por Gabriel Souza.
Justificativa de Alceu para a participação no congresso:
- Estou passando por um período de muita paz. Tenho um relacionamento maravilhoso com a base partidária.

As enchentes e a saúde mental
As enchentes que assolaram o RS foram um dos principais assuntos abordados em uma publicação recente feita pelo Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pela revista britânica The Lancet, um dos mais importantes periódicos científicos da área médica no mundo. O material tratou dos impactos das mudanças climáticas na saúde.
Em seu artigo, o MSF abordou a pauta da saúde mental, principal foco da organização nos atendimentos no Estado. Segundo Anderson Beltrame, psicólogo do MSF, a entidade compartilhou as experiências vividas no Estado, tanto durante as enchentes no Vale do Taquari em 2023 quanto nas de 2024, destacando a relação entre a exposição repetida a eventos climáticos extremos e a necessidade de atenção às populações mais vulnerabilizadas.
- Os impactos da mudança climática atingem de forma desigual diferentes regiões e recaem repetidamente sobre as mesmas áreas. A mesma população acaba ficando exposta continuamente a essas incidências e não tem tempo para se recuperar. Essa dimensão do tempo para lidar com o que aconteceu e reencontrar a resiliência necessária para reconstruir tem sido algo muito difícil. Consequentemente, o impacto em termos de saúde mental é muito grande - disse.
O psicólogo também relatou que, embora as autoridades já tivessem adquirido um pouco de experiência após o primeiro evento, a população se viu mais afetada devido à falta de tempo para recuperação, o que pode trazer reflexos significativos à saúde mental:
- Algumas reações são esperadas e normais, mas não podemos diagnosticá-las como transtornos, pois são respostas naturais. O que é importante, e sempre frisávamos, é a intervenção no tempo oportuno, garantindo que as pessoas afetadas encontrem o apoio necessário no período pós-resposta. Caso esse apoio não ocorra, essas reações podem se cronificar e se transformar em um problema de saúde mental - afirmou à coluna.
Beltrame, que atuou como gerente de saúde mental do projeto do MSF, reforça a importância de pautar o tema:
Qualquer resposta em saúde, especialmente em contextos de emergências climáticas, precisa levar em consideração o cuidado em saúde mental, principalmente com foco comunitário. _
Declaração de Trump esvazia espaço aéreo na Venezuela
A declaração de Donald Trump de que companhias deveriam considerar o espaço aéreo da Venezuela "fechado" ocasionou um esvaziamento do tráfego de aviões sobre o território venezuelano. Imagens de ontem do FlightRadar24 mostravam poucos aviões sobrevoando o país.
No sábado, Trump disse: "A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado". O governo venezuelano classificou como uma "ameaça colonialista".
Na prática, os EUA não têm autoridade legal para fechar o espaço aéreo de outro país. Contudo, a declaração aumenta a tensão entre os EUA e a Venezuela. _
Entrevista - Nathalie Gil - Presidente da Sea Shepherd Brasil
"O oceano, nosso aliado no combate às mudanças climáticas, está sofrendo desafios cada vez maiores"
Um dos assuntos tratados na COP30 foi a atenção aos oceanos. Contudo, na avaliação da presidente da Sea Shepherd Brasil, Nathalie Gil, o tema ainda está aquém do esperado. Ela conversou, durante a conferência de Belém, com a coluna.
Por que colocar os oceanos no centro da pauta climática?
É algo que, sem dúvida, teve uma evolução. Ainda é insatisfatório, pelo nível que o oceano deve ter na mesa da COP. Estamos aprendendo cada vez mais o quanto são essenciais todos os serviços ecossistêmicos do oceano para enfrentarmos a mudança climática. O oceano é responsável por mais de um quarto da absorção de dióxido de carbono da atmosfera. Isso ele faz por causa de toda a sua biodiversidade, que, de maneira interdependente, sequestra carbono. O oceano também é vital para todo o controle térmico, hídrico e até da própria biodiversidade da Terra.
Tem essa função de regular correntes, o clima em várias partes do mundo. A própria Amazônia é do jeito que é e os nossos biomas e padrões térmicos são do jeito que são, porque o oceano tem essa função vital de controle climático. Enquanto estamos falando sobre encontrar soluções de sequestro ou de menor emissão de carbono, fala-se pouco sobre manter equilíbrio climático. E é isso que pedimos: como podemos tomar medidas ambiciosas para o oceano continuar operando com essas grandes funções ecossistêmicas para o equilíbrio climático?
Por que ainda é insatisfatório?
Vou começar pelas NDCs: ainda não há menções a soluções de adaptação ou de mitigação focada no oceano. E isso é o que pedimos, não só os países costeiros, mas os não costeiros também. Por exemplo, soluções de como estamos resolvendo os nossos resíduos, a nossa cadeia de produção de uma maneira que também não tenhamos o uso excessivo de animais marinhos na nossa cadeia alimentar ou para produção de cosméticos. Isso diretamente afeta o oceano, porque é como se estivéssemos tirando partes de uma grande máquina da qual dependemos para sobreviver. Estamos em um momento em que o oceano está enfrentando outros desafios enormes, como o aquecimento das suas águas.
Temos o problema da desaceleração de correntes, e isso afeta o controle climático da região. Também temos o fator da acidificação do oceano, que está afetando os corais. Estamos num cenário em que o oceano, nosso maior aliado no combate às mudanças climáticas, está sofrendo desafios cada vez maiores, mais intensos e despejamos no oceano quantidades cada vez mais avassaladoras de químicos, tóxicos e também plásticos. Estamos, na verdade, com o oceano começando a ser debatido na COP, quando ele deveria ser o assunto principal, se não um dos mais importantes, para realmente reverter o desastre climático.
Foi lançado um plano para acelerar soluções baseadas no oceano que pode ajudar a reduzir emissões de gases de efeito estufa. Como avalia esse plano?
Vamos ver na prática, porque o Brasil tende a ter muitas ambições no papel, mas na aplicação, falhamos. Temos de nos inspirar em países como a Costa Rica, como o Reino Unido, que fecharam suas águas para a exploração de petróleo, que é algo que mostra que estão realmente comprometidos com o carbono zero, comprometidos em criar uma jornada para um mundo sem combustíveis fósseis.
Não deveríamos estar discutindo explorar novas áreas para combustíveis, nem que seja para pesquisa. Não temos mais tempo de ficar discutindo exploração de combustíveis fósseis offshore, não só pelo perigo do vazamento, o que tem impacto direto no oceano, mas também um impacto indireto, já que sabemos que mais emissões de carbono significam mais estresse para o oceano, que já está a caminho do colapso.
INFORME ESPECIAL
Produção jurisdicional em motel
GERSON KAUER/DIVULGAÇÃO/JC
Esta história tomou conta de rodas advocatícias e judiciais brasileiras, nos últimos dias. O enredo teria acontecido em tribunal de certa capital brasileira banhada por águas marítimas e... pelo pecado. E o que era segredo teve alguns detalhes (sem os nomes, claro!) revelados pelo site da revista Veja, durante o recente feriadão espichado.
Aos fatos! Era uma tarde rotineira de expediente, quando um desembargador recebeu - em um motel - uma assessora para “despachos”. Estavam no meio da confabulação processual, quando chegou ao celular da excelência uma mensagem enviada pela chefe do gabinete. Ela estava no batente burocrático na Corte e informou: “O advogado ´Doutor Fulano´ está aqui e precisa despachar uma liminar urgente. O que faço?”
A resposta do desembargador foi imediata: “Explique ao advogado, com toda a cortesia, que estou fazendo algo mais importante”. (E fez sua mensagem de texto chegar acompanhada de um nude - mesmo!).
A chefe de gabinete - que outrora também tivera intimidades com o desembargador – teria resolvido se vingar. Por isso, a íntima imagem do nude foi compartilhada com um grupo seleto da corte.
A revelação chegou também ao celular da esposa do desembargador. Esta decidiu ir protestar no... gabinete. Ali, além do concerto verbal em altas vozes, teriam sido quebradas várias coisas. Confusão feita, caso abafado, o embrulho está agora no Conselho da Magistratura, sob sigilo naturalmente. Surgiu até um meme (imagem estática) dos personagens envolvidos.
A reveladora publicação da Veja arremata evocando saudade de Nelson Rodrigues (* 23.08.1912; + 21.12.1980). Trata-se do escritor, jornalista, romancista, teatrólogo e cronista de costumes e do futebol brasileiro, cuja criatividade lançou as inovações estéticas de modernização do teatro brasileiro. A consagração seguiu com outros êxitos, que o transformaram no maior dramaturgo brasileiro do século, apesar de suas obras terem sido, quando lançadas, tachadas por críticos como "obscenas", "imorais" e "vulgares".
No tribunal estadual não se fala em outras coisas.
Fila de 2,9 milhões de pessoas
A fila de pedidos de aposentadoria, pensão e demais benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) chegou a 2,862 milhões em outubro. Foi montado um comitê para acompanhar a crise e buscar soluções para diminuir, em especial, as solicitações iniciais.
Houve aumento de 10% nos novos pedidos mensais de benefício desde maio deste ano. Essa alta preocupa a chefia do órgão, em especial depois da interrupção do PGB (Programa de Gerenciamento de Benefícios), que paga bônus a servidores para diminuir a fila e fazer revisões. O programa foi interrompido em 15 de outubro por... falta de verba!
O INSS já gastou todos os recursos financeiros e pediu mais dinheiro - que foi liberado. Mas o governo alega que não há como liberar ainda mais valores para a retomada do PGB neste ano. O programa deve ser retomado só em 2026.
O combustível ´cropped & legging´
O uso de roupas sensuais, como calça tipolegginge blusa estilocropped,incorporadas ao uniforme das empregadas de um posto de combustíveis deve ser cessado por "sexualizá-las e deixá-las vulneráveis ao assédio de clientes". Sob pena de multa diária de R$ 500 por colaboradora, a empresa deverá, em até cinco dias, fornecer "novas vestes adequadas à função".
As determinações são da juíza Ana Isabel Guerra Barbosa Koury, da 10ª Vara do Trabalho de Recife (PE), ao deferir tutela de urgência, a pedido do sindicato que representa empregados/as em postos, lojas de conveniência e lava jatos de Pernambuco. Para a magistrada, "as vestimentas questionadas em um ambiente de trabalho de ampla circulação pública e majoritariamente masculino - expõem desnecessariamente, o corpo das trabalhadoras, desviando a finalidade protetiva do uniforme para uma objetificação que as torna vulneráveis ao assédio moral e sexual".
Continuou a decisão: "O perigo de dano é evidente. O uso do uniforme inadequado prolonga, a cada dia, a situação de constrangimento, vulnerabilidade e potencial assédio a que as trabalhadoras estão submetidas. E o dano à integridade psíquica e moral delas é contínuo e de difícil reparação, o que justifica a urgência da medida para fazer cessar a lesão" - continuou a juíza.
Revistas da voga e dos costumes referem que "cropped é uma blusa de comprimento curto que termina acima da cintura, deixando parte do abdômen à mostra. E "o legging é uma calça justa que vai da cintura ao tornozelo". Ambas as peças são populares na moda casual e fitness. (Processo nº 0001149-37.2025.5.06.0010).
´Regras de ouro´ no trabalho
A divulgação de informações que prejudiquem a imagem de um ex-empregado e dificultem sua recolocação no mercado de trabalho ultrapassa o poder patronal e configura abuso de direito. O entendimento é da 3ª Turma do TRT de Santa Catarina, em ação na qual um eletricista pediu indenização depois que informações sobre sua dispensa foram compartilhadas pela empregadora, com outras empresas do mesmo ramo. O episódio ocorreu após a dispensa do trabalhador, que atuava em obra no município de Palhoça, durante contrato de experiência com uma empresa terceirizada.
Segundo a empregadora - "o trabalhador descumpriu as regras de ouro de segurança, adotadas no empreendimento". Esta informação chegou à ré a partir de registros feitos em um vínculo anterior, quando o eletricista trabalhava para outra prestadora de serviços que atuava na mesma obra. As duas empresas ficaram solidariamente responsáveis pelo pagamento de R$ 15 mil ao trabalhador. Ambas estão recorrendo ao TST. (O número do processo não é divulgado por envolver a intimidade do reclamante).
Predadores favorecidos
Um ano após o presidente da República sancionar a lei que criou o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, a medida não saiu do papel. E não tem previsão para ser cumprida... A gestão petista e o Poder Judiciário nem sequer cumpriram outra medida anterior e estão há cinco anos atrasados para implementar a etapa inicial do banco de dados, determinada por lei em 2020.
Procurado, o Ministério da Justiça disse ser responsável por financiar o cadastro nacional por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública. Acrescentou que a consolidação dos dados é atribuição do Conselho Nacional de Justiça. Em junho, contudo, a pasta havia informado estar em "estudos técnicos" para cumprir a legislação. O CNJ disse também que montou um grupo de trabalho em maio deste ano para criar o cadastro. E nada mais...
Vasectomia obrigatória
A Justiça do Trabalho estabeleceu indenização de R$ 95 mil, por danos morais, a ser paga pela Igreja Universal do Reino de Deus em Belo Horizonte, a um ex-pastor que foi obrigado a realizar uma vasectomia. Foi reconhecido também o vínculo de emprego entre as partes, com a obrigação de pagamento das parcelas rescisórias devidas.
O pastor fez a prova de que foi coagido a se submeter ao procedimento cirúrgico, quando tinha menos de 30 anos de idade. Ou fazia, ou seria punido por indisciplina, sem avançar na carreira. ''Isso revela a intervenção da igreja na vida privada e caracteriza a ocorrência de dano moral indenizável, especialmente por violação ao artigo 226, §7º, da CF'', alegou a petição inicial na ação trabalhista. (Processo nº 0010689-35.2021.5.03.0010).
Vendas a jato
Duas semanas antes de sua prisão, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, se desfez a jato de alguns bens milionários. Quando foi "recolhido", ele já havia vendido pelo menos três mega-apartamentos em São Paulo e um dos dois jatos Falcon 2000 que possuía.
A investigação agora é saber onde ele depositou (em nome de terceiros?) ou escondeu o dinheiro.
Abandono afetivo
Por ter sofrido “constante abandono afetivo”, filho é autorizado a retirar os sobrenomes do pai. A decisão é da Justiça do Paraná. Para o juiz Sérgio Laurindo Filho, da Vara dos Registros Públicos de Toledo (PR), “os sobrenomes - que são a extensão da personalidade e o elemento de identificação - não correspondem a uma identidade familiar concreta, mas a um vínculo meramente formal, vazio de significado, quando configurado o abandono afetivo”.
O autor da ação alegou nos autos ter sido vítima de “completo abandono afetivo e material” pelo pai biológico, desde o nascimento. Por isso, pediu para manter apenas o sobrenome materno, núcleo familiar que efetivamente o criou e com o qual se identifica. O pai foi citado no processo, mas não se manifestou.
O julgador reconheceu a inexistência de laços e a negligência, até mesmo porque o genitor não contestou a ação. Embora o sobrenome pertença ao grupo familiar e seja, em regra, insuscetível de alteração, a sentença reconheceu que “o princípio da imutabilidade do patronímico pode ser flexibilizado”. (Processo nº 0003556-27.2024.8.16.0170).

O amor constrói, o divórcio destrói
A guerra dos Roses ( Editora Intrínseca, 288 páginas, R$ 59,90, tradução de André Czarnobai) romance consagrado de Warren Adler, aclamado autor, dramaturgo e poeta norte-americano, foi publicado pela primeira vez em 1981 . Em 1989 a narrativa foi levada ao cinema, com direção de Dany DeVito e estrelado por ela, Kathleen Turner e Michael Douglas.
O livro trata do divórcio de Jonathan , advogado bem sucedido e Barbara, dona de casa e mãe de filhos maravilhosos. Eles levavam a vida dos sonhos, morando em lindo casarão com os filhos adolescentes , animais de estimação , uma enorme coleção de antiguidades e uma bela Ferrari na garagem. Após um repentino (e suposto) ataque cardíaco , que desperta em Barbara profundas reflexões sobre o casamento, inicia o divórcio e uma grande disputa em torno do casarão. Ela não se importa mais com o marido, quer liberdade, passa a trabalhar com um novo negócio, um buffê promissor, mas não quer abrir mão da casa de maneira alguma . Ele , como ela, é apaixonado pela casa e não quer ficar sem a propriedade.
Os dois se envolvem em ferrenha disputa, um querendo expulsar o outro de casa, custe o que custar, mesmo colocando em risco a própria casa e os ricos objetos de decoração. Só o amor constrói e apenas o divórcio destrói na mesma intensidade, é o que acontece por lá. Alta disfunção conjugal rola, mas com risadas garantidas.
A guerra dos Roses ganhou este ano um remake para o telão, um sucesso dirigido por Jay Roach e estrelado por Olivia Colman e Benedict Cumberbach , que convida a ler o livro, que com seu humor ácido , cruel e arrepiante é considerado ainda mais perturbador do que o filme. A nova adaptação honra a memória dos fãs da primeira versão e propõe uma releitura moderna da trama. Jay Roach dirigiu Austin Powers – Um Agente Nada Discreto; Trumbo e O Escândalo.
lançamentos
Uma história de resultados (Critério, 280 páginas), de Nedimar Frattini, criador e CEO da consagrada Frattini Consultores Associados, editado por Mateus Colombo Mendes, traz os 25 anos da Frattini, contados através de cases inspiradores. A obra é um prático e útil manual com os princípios da Frattini, tratando de empreendedorismo, administração, fusões e incorporações e outros temas relevantes.
Café com Sócrates (Editora Planeta, 288 pág, R$ 58,00), best-seller internacional da holandesa Elke Wiss, palestrante, escritora e roteirista , num tempo de polarização, com base em Sócrates e outros pensadores, ensina a dialogar e não só debater, ouvir, saber perguntar, observar e criar novos modos de comunicação.
150 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul (Oikos Editora, 392 pág), organizado pelos professores Antonio de Ruggiero e Vania Beatriz Merlotti Herédia, traz textos deles e de colaboradores como Leonor Baptista Schwartsmann e Vicente M. Dalla Chiesa sobre o legado histórico-cultural e novas perspectivas de pesquisa, com vistas a colaborar para o avanço historiográfico sobre tão relevante tema.
A revolução digital no mundo editorial
Nestas últimas décadas, o mundo passou por uma revolução tecnológica sem precedentes na história humana. Essa revolução está transformando o ambiente da informação e da comunicação e destruiu muitos setores que tiveram papel decisivo na configuração desse ambiente, antes e durante a maior parte do século XX.
Jornais, rádio, televisão, música e cinema foram lançados nas muitas e rápidas mudanças que trocaram as antigas tecnologias analógicas por novas tecnologias baseadas na codificação digital e na transmissão de conteúdo simbólico. Jornais impressos desapareceram ou diminuíram suas tiragens. Nosso mundo de mídias, informações e conteúdos é profundamente diferente daquele de cinquenta anos atrás.
A indústria do livro não foi exceção e foi tremendamente atingida pelas turbulências. A revolução digital no mundo editorial, mundo este que existe há quase quinhentos anos, colocou editores e varejistas diante de desafios, novos players, produtos e serviços. Os gigantes da tecnologia entraram com tudo nas "guerras do livro", objeto que resiste aos séculos.
As guerras do livro - A revolução digital no mundo editorial (Editora Unesp, 568 páginas, R$ 106,00), do experiente e consagrado sociólogo e professor John B. Thompson, mostra como é notório que a indústria e o mercado editorial enfrentam seu maior desafio desde Gutenberg. Thompson escreveu o alentado e bem fundamentado volume em meio ao calor dos acontecimentos.
Thompson é especialista no estudo da influência da mídia e da ideologia na formação das sociedades modernas. Entre outras obras, publicou Ideology and Mass Culture, A mídia e a Modernidade: Uma Teoria Social da Mídia e Mercadores da Cultura: O Mercado Editorial no Século XX.
Há quem pense que o livro impresso está com seus dias contados, mas a realidade aponta para a continuidade de uma das maiores invenções da humanidade, e que segue encantando milhões de pessoas pelo mundo afora. A verdade é que os livros, muito mais do que apenas objetos de consumo e fruição, ocupam um espaço central nas lógicas democrática e civilizacional.
O livro mostra como a digitalização tornou os processos de logística e gestão editorial mais céleres e baratos, os textos digitados e guardados em arquivos editáveis facilitaram etapas cruciais como a de revisão, e a impressão tornou-se mais acessível. O impacto maior, entretanto, se deu no varejo, sobretudo com o surgimento de livrarias virtuais, sendo a Amazon o maior dos exemplos.
Com base em pesquisas e anos de trabalho, o autor fala do avanço do livro digital, da reinvenção do livro, das guerras pelos fundos de catálogo, a questão do Google, a ascensão da Amazon, explosão da autopublicaçao, publicação por financiamento coletivo, nova oralidade, bookflix, contação de histórias nas mídias sociais, velhas e novas mídias, mundos instáveis, vendas de uma grande editora americana de interesse geral e, nas páginas finais, há nota sobre os métodos de pesquisa, referências bibliográfica e índice remissivo.
a propósito...
Ao final, conclui o autor que, apesar do potencial disruptivo da revolução digital e da turbulência que tem caracterizado a indústria editorial desde o começo do terceiro milênio, ela tem se saído muito bem e muito melhor do que diversos setores da mídia e das indústrias criativas. As vendas de livros não despencaram, os livros impressos não desapareceram e até mesmo as livrarias físicas ensaiaram um tímido retorno, ao contrário das previsões de muitos profetas da desgraça. Apesar dos fascínios dos sons e das imagens dos meios eletrônicos, a leitura do livro impresso segue como experiência única para nossas inteligência, imaginação, informação, educação e diversão.
Jaime Cimenti

Há mais de três décadas à espera de reformas, Cais Mauá segue à deriva
Boa parte desse patrimônio histórico segue se deteriorando em ritmo acelerado sob as intempéries e a inércia privada e estatal
Alvo de diferentes projetos de revitalização há nada menos do que três décadas e meia, uma das áreas públicas mais promissoras de Porto Alegre, em vez de se converter em ponto de lazer, convívio e geração de renda, exibe um cenário preocupante. Desde 1991, quando o então prefeito Olívio Dutra lançou o projeto Caminho do Porto, destinado a transformar cinco armazéns em restaurantes, museu e outras atrações no centro da Capital, o Cais Mauá aguarda pela prometida reforma. Uma reportagem de Jonas Campos exibida pela RBS TV na semana passada revela o oposto: boa parte desse patrimônio histórico segue se deteriorando em ritmo acelerado sob as intempéries e a inércia privada e estatal.
Pedaços dos telhados foram arrancados pela ação do vento e da chuva, vigas e pilares de metal se encontram corroídos
Quem circula no entorno dos armazéns e pelo seu interior depara com um ambiente de abandono. Pedaços dos telhados foram arrancados pela ação do vento e da chuva, vigas e pilares de metal se encontram corroídos. É um ambiente muito diferente do que se esperava desde que o mais recente projeto de recuperação ganhou forma, em fevereiro do ano passado. O consórcio Pulsa RS, integrado por empresas do Rio Grande do Sul e de São Paulo, arrematou a concessão do cais por um período de 30 anos mediante compromisso firmado com o governo estadual, responsável pela área, de investir R$ 353 milhões. O plano prevê a revitalização de um trecho de três quilômetros de extensão, com permissão para construção de edificações comerciais e residenciais na área das docas próximo à Rodoviária. Parte do Muro da Mauá seria derrubada e substituída por um sistema mais moderno de contenção — parte fixo, parte móvel.
Até agora, a assinatura do contrato e o início das obras estão pendentes. É mais uma frustração depois de tantas esperanças naufragadas no Guaíba. A tentativa anterior de concessão, iniciada ainda durante a gestão de Yeda Crusius no Piratini (2007-2010), resultou no rompimento do acordo no governo de Eduardo Leite sob alegação de descumprimento contratual da antiga concessionária. Com razão: os gaúchos esperaram durante nove anos por obras que jamais se tornaram realidade.
Devido a esse histórico conturbado e à longa lista de insucessos, é inquietante que o projeto do cais aparente estar mais uma vez à deriva. A Secretaria da Reconstrução Gaúcha sustenta que os danos provocados pela enchente de 2024 levaram à suspensão da assinatura do contrato com o consórcio vencedor, sem prazo para ocorrer. Já a concessionária informa que segue trabalhando no projeto e à espera de definições por parte do governo estadual. Diante do cenário de deterioração progressiva de um valioso patrimônio público, tombado em nível municipal e federal, é imperioso que o Estado e o parceiro privado se mobilizem para conter os danos em curso e, finalmente, destravar o início das melhorias na região.
A realização anual do South Summit em parte dos armazéns confirma, a cada ano, o potencial turístico e econômico do cais. Embora seja forçoso reconhecer os transtornos causados pela cheia do ano passado no andamento do processo de revitalização, a tragédia que afetou os gaúchos não pode servir como desculpa para o continuado descaso com um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Sul.

30/11/2025 - 12h00min
Marta Sfredo
Estrangeiros compram dólar porque
estão convencidos de que a direita vai ganhar", diz ex-diretor do BC
Fabio Kanczuk diz que a situação
fiscal do Brasil tem peso no juro. Mesmo com toda a discussão no governo Lula,
saídas não serão debatidas na eleição porque é "custoso" dizer que
salários serão cortados
Atual diretor de macroeconomia do
ASA, Fabio Kanczuk foi secretário de política econômica do Ministério da
Fazenda na gestão de Henrique Meirelles e diretor de política econômica do
Banco Central (BC) na de Roberto Campos Neto. No BC, foi autor de um modelo
para definição do famoso "juro neutro" – nível que não inibe nem
estimula a economia – que, na sua avaliação, foi deixado de lado depois que
saiu da instituição. O ASA é a instituição financeira de Alberto Safra,
integrante da família que atua em finanças desde 1840, com origem em Aleppo, na
Síria.
Nos EUA, deve ter mais um corte,
depois que reduziram por precaução, medo de que a economia entrasse em
recessão. Como os BCS adotam uma estratégia e não saem em seguida, é provável
que ocorra mais um em dezembro e pare. A economia está superforte lá, não se vê
risco de recessão.
E no Brasil?
Aqui, uma coisa é o que acho que
o BC deveria fazer e outra é o que acho que vai fazer. A atividade está forte,
com mercado de trabalho apertado e desemprego baixo. A única clareza é que a
eleição se aproxima, então os gastos públicos vão vir com tudo. É um governo
que está todo direcionado para reeleição. Fica difícil a economia desacelerar,
e o risco para a inflação fica alto. Nesse cenário, não vejo por que cortar
juro. Mas minha leitura é de que vão cortar, talvez em janeiro, talvez 0,5
ponto percentual em março. Estão dando sinais. Não o presidente, Gabriel
Galípolo, mas os diretores, ao dizer que estão 'vencendo a batalha'. É verdade
que a inflação está caindo, mas está bem longe da meta. Um sinal, em dezembro,
seria tirar o "bastante" no "bastante prolongado" (do
comunicado do BC). Em janeiro, tira o "prolongado". E corta em março,
para terminar o ano com juro abaixo de 12%.
A meta é 3% ao ano e pronto. Está
sempre acima nos últimos anos, sinal de que o BC está errando.
A inflação parece entrar no
limite de tolerância, não é suficiente?
Sempre tomamos cuidado, no BC,
com textos sobre inflação, porque não existe essa banda. A margem é só para
escrever ou não a carta (de explicações do presidente do BC quando o resultado
passa do limite máximo). A meta é 3% ao ano e pronto. Está sempre acima nos
últimos anos, sinal de que o BC está errando. E o corte que projeto é mais um
erro de política monetária.
Com o juro real atual, faz
diferença Selic de 15% ou de 12%?
Faz, sim. O problema é a conta do
juro neutro. O BC diz que seria 5% reais (descontada a inflação). Então, se a
inflação está em 4%, dá cerca de 9% de juro nominal neutro. Parece que 12%
basta. Mas o meu juro neutro real é de 8%. Se somar à inflação de 4%, dá 12%. E
precisamos de juro acima do neutro para controlar a inflação. Quando foi a 15%,
ficou finalmente acima. Por isso a
inflação começou a ceder.
Por que sua conta é de 8%?
Uso é o modelo do BC que coloquei
lá, em 2019 e 2020. O atual está dando margem para o BC escolher o que quer de
juro neutro. Pararam de usar o modelo e passaram a usar a intuição. Não é que esteja certo e eles
errados. Cada um tem sua metodologia. A minha vem de modelagem. A deles, mais
de intuição de falar 8% é muito, vamos colocar 5%. O mercado vê mais ou menos
6%. Mas se o juro real está acima de 5% nos últimos três anos, como não deu
certo? Então, o neutro de 5% está errado.
O juro neutro é de 8% por culpa
do fiscal. Quando pergunto por que a inflação não desacelera, a resposta é
'porque tem o fiscal'. Se deixar o fiscal fora do juro neutro, não serve para
nada.
Seu cálculo embute a questão
fiscal?
Sim, o juro neutro é de 8% por
culpa do fiscal. Quando pergunto por que a inflação não desacelera há tanto
tempo, a resposta é 'porque tem o fiscal'. Aí respondo que, se deixar o fiscal
fora do juro neutro, não serve para nada. É preciso incluir para ter a
informação de qual é o juro necessário.
O ministro da Fazenda disse que
os dois governos anteriores, no final, deixaram déficits que, atualizados,
seriam ao redor de R$ 200 bilhões. Essa conta faz sentido?
A conta não é correta, é só olhar
os dados, não é isso. No governo Bolsonaro, em vários anos teve números bem
melhores do que o que ele vai deixar agora. É verdade que o último ano do Bolsonaro foi horrível. Se ele
está se referindo a isso, é verdade. Mas foi aquele ano de eleição. Os
anteriores foram melhores do que os anos que Haddad está entregando.
Não tem jeito. Tem de resolver o
déficit, pelo bem ou pelo mal. Essa é a dúvida para o próximo governo, se vai
resolver pelo bem ou pelo mal. Isso significa um problema crônico a ser
resolvido?
Não tem jeito. Tem de resolver o
déficit, pelo bem ou pelo mal. Essa é a dúvida para o próximo governo, se vai
resolver pelo bem ou pelo mal. Pelo bem é cortar gastos ou até, se quiser,
aumenta a arrecadação. Não sei como
aumentaria, mas resolveria de forma organizada. A desorganizada é via
inflação e dólar muito mais alto. Isso também resolve o problema da dívida,
porque a inflação engole parte. Mas prejudica muito a parte menos favorecida da
população, que não pode se proteger da inflação.
Com tanto debate sobre a questão
fiscal, há expectativa de que entre no debate eleitoral. Considera possível?
Não, não vai entrar no debate de
novo. É muito custoso eleitoralmente. Acho que ao menos o lado do Tarcísio sabe
que vai ter de resolver a questão fiscal. Conversando, ele fala. Mas não vai
levar ao debate eleitoral. É muito complicado dizer 'vão cortar seu salário'. O
lado do Lula, não tenho certeza se sabe que precisa resolver a questão fiscal.
Por isso desconfio que se Lula ganhar, tem chance alta da solução ser via
inflação.
Como seria uma saída organizada?
No Brasil, todo mundo sabe, passa
por mexer na regra de salário mínimo (aumento acima da inflação), reformar de
novo a previdência, cortar salários de servidores públicos. Outra medida muito
boa para a economia seria reduzir as distorções chamadas de gasto tributário,
atividades que deveriam ter imposto e não têm, como a Zona Franca de Manaus,
muito ineficiente, e crédito subsidiado de BNDES, Sudene, Sudam. Há vários
estudos acadêmicos mostrando que isso piora a economia. Agora, quero ver
aprovar no Congresso. Lembro de que cheguei ao Ministério da Fazenda achando
que ia dar ideias. Está tudo pronto lá. O problema é político.
É uma situação sem saída?
Como o assunto não entra na
eleição, fica difícil. O (Javier) Milei, na Argentina, avisou 'vou fechar
ministérios, vou acabar com tudo'. Daí, quando é eleito, ele consegue fazer.
Aqui, ninguém vai falar. E daí, na hora, vai ser difícil fazer alguma coisa,
qualquer que seja o governante.
É bom negócio vender dólar,
porque não precisa ter no bolso. Vende a descoberto no mercado futuro.
Teme alta do dólar no final de
ano?
Não, estou calmo também com o
dólar até a eleição. Tem o fluxo de fim de ano, mas o BC tem isso mapeado.
Quando ocorrem esses fluxos imensos sem relação com fundamentos econômicos, o
mercado compra, você vende. O que causa perigo é a eleição, se o governo gastar
muito. Mas quando falo com investidores estrangeiros, dizem 'quero ficar
posicionado no Brasil para eleição porque acho que a direita vai ganhar'. Os
estrangeiros estão convencidos de que a direita vai ganhar, de que vai
conquistar a América Latina. Então, atuam para não deixar o dólar subir muito.
É bom negócio vender dólar, porque não precisa ter no bolso. Vende a descoberto
no mercado futuro. Se o real ficar parado nos R$ 5,30, 5,40, ganha mais de 10% acima do CDI só com o
diferencial de juro.

A polarização incurável
Sempre escutei a expressão terceira via, inclusive antes dos livros do italiano Norberto Bobbio. Mas nunca foi uma realidade no país. Em qualquer eleição que se aproxima, ela é mencionada por diferentes candidatos, que terminam atropelados pelos favoritos reincidentes.
Ciro Gomes, por exemplo, naufragou em quatro eleições presidenciais defendendo esse discurso. Nem seu plano de governo de renda mínima ou de anistia do SPC conseguiu mitigar a sua rejeição, que aumentou de pleito a pleito. Seu desespero para emplacar como alternativa pode ser verificado pela troca de siglas: já foram oito partidos até o momento, procurando um lugar em que fosse declarado candidato oficial - PDS (1982-1983), PMDB (1983-1990), PSDB (1990-1997), PPS (1997-2005), PSB (2005-2013), PROS (2013-2015), PDT (2015-2025) e novamente PSDB (2025). Há 27 anos busca a rampa do Planalto, mas parece subir uma escada rolante no sentido contrário. De 2011 em diante, não se habilitou a nenhum segundo cargo eletivo. Seu intento eterno vem apresentando uma nova carreira: presidenciável.
É a encarnação do fracasso da terceira via, uma rodovia de projetos em que se joga piche no chão e jamais se conclui a duplicação.
Sob esse viés, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva talvez seja o único governante brasileiro a permanecer no mesmo partido, a contar o início de sua trajetória como metalúrgico. Nunca virou a casaca. Ele é o PT, o PT é ele. Tanto que sofre com a dificuldade de indicar sucessores, numa antropofagia identitária.
Não sei de quanto tempo precisaremos para nos curar da polarização. Minha convicção é que não será agora, não será cedo.
É efeito colateral do nosso saber acadêmico recente. As primeiras universidades brasileiras foram criadas apenas no século 20: em 1912, surgiu a Fundação da Universidade Federal do Paraná (UFPR); em 1920, a Universidade do Rio de Janeiro; em 1934, a Universidade de São Paulo (USP). Ou seja, o conhecimento sistêmico acabou formalizado quatro séculos depois da chegada dos portugueses. Pagamos os juros da formação retardatária. Não saímos da creche da depuração teórica se nos compararmos ao México e sua Real y Pontificia Universidad de México, de 1551, ou ao Peru e sua Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM), também de 1551, em Lima.
Como esperar que nos aprofundemos em um debate se nossas pioneiras academias estão recém completando cem anos?
A radicalização está presente desde a Primeira República. Não é um movimento acirrado da atualidade entre petistas e bolsonaristas. Vive-se mais um capítulo da obsessão entre mocinhos e bandidos, do messianismo populista, do nosso atávico extremismo, que não permite enxergar o que vai além dos duelos caricaturais.
O Brasil jamais desfrutou de uma fuga de rota, de uma colisão entre duas frentes. A tensão se mostra intermitente, mudando os nomes das causas, dos culpados, dos salvadores da pátria:
Café com Leite (SP/MG) versus Dissidências regionais
Civilistas versus Hermistas
Tenentismo versus Oligarquias
Getulistas versus Antigetulistas
PTB versus PSD
UDN versus PTB/PSD
Arena versus MDB
Colloristas versus Caras-Pintadas
Reformistas neoliberais versus Desenvolvimentistas
PT versus PSDB
Petistas versus Bolsonaristas
O fogo cruzado somente faz vítimas. É um querendo derrotar o outro mais do que governar para todos.
Reduzimo-nos ao antagonismo de Sísifo, a uma guerra simbólica entre esquerda e direita. Somos passionais na política. Levamos tudo para o lado pessoal, inviabilizando a discussão de ideias de forma abstrata e evoluída. Somos igualmente personalistas, desmerecendo partidos e favorecendo nomes. Vota-se ainda "em alguém", não no que ele representa.
Necessitamos de mais princípios e menos torcidas. Enquanto isso prosperar, políticas públicas essenciais - economia, saúde, segurança, educação - continuarão secundárias. _