sábado, 26 de fevereiro de 2022


26 DE FEVEREIRO DE 2022
J.R.GUZZO

Búzios dos bancos preveem o desastre

Um dos grandes bancos brasileiros chegou à conclusão, já em fevereiro, de que o Brasil vai fechar este ano com recessão - mais exatamente, a economia vai recuar 0,5% até o mês de dezembro. Como é que eles sabem isso, se o ano nem começou? É o tipo de pergunta que não adianta nada fazer, porque nunca dão uma resposta coerente para ela; são previsões da ciência econômica, diriam os autores da profecia, coisa que é privativa dos economistas de grandes bancos e a respeito da qual não cabe ao leigo se manifestar.

Tudo bem, mas o que realmente interessa saber, nessa espécie de adivinhações, é o seguinte: elas são feitas sem nenhuma responsabilidade, sem nenhum compromisso e, sobretudo, sem nenhuma consequência para quem as coloca em circulação junto ao público pagante. Têm de ser recebidas, assim, com o grau de confiança que se reserva para os búzios do Pai João e as cartas de tarô da Mãe Joana.

É simples: se der tudo errado, e a realidade mostrar-se o contrário da previsão, não acontece nada para o economista-previsor. Não perde o emprego. Não é nem chamado para uma pequena conversa na sala do chefe. Na verdade, ninguém vai se lembrar em dezembro o que ele disse em fevereiro - com um pouco de jeito, o cidadão pode até ir dizendo, aqui e ali, que previu outra coisa, ou mesmo o contrário. Em seguida, parte para a próxima previsão.

Vinda de onde vem, a estimativa de 0,5% de recessão não deveria, pensando um pouco, surpreender ninguém. Curiosamente, no Brasil de hoje, temos bancos de esquerda - e faz parte de seu compromisso social, sobretudo num ano de eleições, dizer que a economia nacional está em ruínas e dar a entender que o "campo progressista" vai devolver ao sistema econômico a felicidade que ele perdeu com o governo de direita. São bancos assim que fazem previsões como essa. Ou, então, pagam campanhas de publicidade contra a pecuária brasileira. Ou têm, na voz de gente que está em suas vizinhanças, candidatos à Presidência da República.

A saída possível, para o cidadão comum, é olhar para a realidade do dia a dia e acreditar naquilo que vê, e não naquilo que lhe dizem os economistas dos grandes bancos. Pode anotar, por exemplo, que justamente em janeiro de 2022, junto com a previsão de recessão, o investimento estrangeiro direto no Brasil foi de US$ 5 bilhões, o maior desde 2018; as contas mostram que podem ser US$ 10 bilhões em fevereiro. Se o país está morto, por que gente de fora está investindo tanto dinheiro aqui? Não dá para entender - mas leigo não tem mesmo que entender essas coisas, certo? Esperemos, então, pelos fatos.

J.R. GUZZO

26 DE FEVEREIRO DE 2022
NFORME ESPECIAL

O caçador de cogumelos

Quando o biólogo Jeferson Müller Timm começou a estudar cogumelos, em 2005, na Faculdade de Biologia da Feevale, em Novo Hamburgo, aquele ramo de pesquisas era alvo de preconceito fora do ambiente acadêmico. Ainda menino, Timm ouvia os mais velhos definirem os cogumelos como "chapéus de cobra". "Melhor nem chegar perto", repetiam, receosos.

- Ou era veneno, ou era droga. E sempre vinha alguém com alguma piada quando comecei minhas pesquisas. Ainda estamos tentando mudar isso, mas o cenário já evoluiu bastante - conta o especialista, que tem 40 anos e também atua como técnico na área de gestão ambiental na prefeitura de Campo Bom.

A mudança andou a passos rápidos, de braços dados com chefs de cozinha brasileiros, que passaram a utilizar cada vez mais o ingrediente em seus pratos - dos suculentos porcini, espalhados pelas florestas de pinus na Serra gaúcha, aos champignon e shimeji silvestres.

Nessa caminhada para difundir conhecimento e desmistificar o mundo dos fungos selvagens, Timm passou a liderar "caçadas de cogumelos" no interior do RS. As expedições - já são mais de 20 - envolvem coletas na mata e aliam informação, diversão e boa gastronomia. Atraem a curiosidade de adultos e crianças.

Em 2018, com farto material e conhecimento acumulado, o biólogo fez um financiamento coletivo para produzir o livro Primavera Fungi - Guia de Fungos do Sul do Brasil, com 154 espécies catalogadas. Agora, Timm acaba de autografar, no Parador Hampel, em São Francisco de Paula, a segunda edição da obra (foto ao lado), revisada e ampliada com 172 variedades (saiba mais em primaverafungi.com). O livro traz novas e saborosas receitas culinárias, valorizando os cogumelos locais, encontrados em terras gaúchas.

Há um documentário sobre esse tema na Netflix chamado Fungos Fantásticos, que vale a pena assistir. Dirigido por Louie Schwartzberg, o filme mergulha no mundo misterioso dos fungos e mostra a capacidade regenerativa dos cogumelos (eles ajudam até mesmo a limpar derramamentos de óleo) e as redes invisíveis formadas sob a terra, conectando as árvores.

Quem tentar interferir, ou ainda mais, criar ameaças para o nosso país e nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências nunca antes experimentadas na História.

VLADIMIR PUTIN

Presidente da Rússia, que ao invadir a Ucrânia ameaçou outras nações que se intrometerem no conflito militar.

Nos deixaram sozinhos para defender nosso Estado.

VOLODIMIR ZELENSKY

Presidente da Ucrânia, lamentando a falta de engajamento militar de outros países.

Putin é o agressor. Putin escolheu essa guerra. E agora ele e seu país vão sofrer as consequências.

JOE BIDEN

Presidente dos EUA, sobre as sanções aplicadas ao líder russo e à própria Rússia.

São 69 universidades federais, todas elas pedindo recursos, e eu cada vez com o recurso menor.

MILTON RIBEIRO

Ministro da Educação, em passagem por Porto Alegre, sustentando não ter verbas para atender todas as instituições de ensino superior.

Eu não tenho medo nenhum de falar contra o Raul Seixas

ED MOTTA

Cantor, atacou o baiano considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, morto em 1989.

Nós somos a próxima revolução.

FAFÁ DE BELÉM

Cantora e técnica do The Voice +, engajada contra o chamado etarismo, preconceito que afeta pessoas acima de determinada idade.

Vou até o fim do Mundial. Não tenho porque mentir aqui.

TITE

Técnico da Seleção, revelando que vai deixar o cargo após a Copa do Catar.

Com a chegada do Carnaval, nada mais justo do que destacar a obra de um artista que foi cantor, compositor e pintor do samba por excelência: Heitor dos Prazeres, um carioca cheio de ginga que viveu entre 1898 e 1966 e participou da fundação de grandes escolas cariocas, como Portela e Mangueira. Uma de suas pinturas - Dança, de 1965 - segue exposta no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que, aliás, merece uma visita. A obra foi doada à instituição por outra pintora, Iracema Arditi, e chama atenção pelas cores e pela alegria dos dançarinos.

JULIANA BUBLITZ

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022


A ordem liberal e as economias socialistas por Hayek
Os clássicos ensaios de A Ordem Econômica e a Livre Iniciativa - As contradições das Teorias Socialistas (Avis Rara- Faro, 272 pág, R$ 59,90, tradução de Carlos Szlak) do grande pensador e professor austríaco F.A. Hayek (1899-1992), Prêmio Nobel de Economia em 1974 ,são reeditados em boa hora, justamente no momento em que políticos em todo o mundo estão preocupados com o movimento contínuo em direção a mais controle governamental.
F.S. Hayek escreveu mais de quinze livros, entre eles The Constitution of Liberty and Law e Legislation and Liberty, que serão lançados pela Avis Rara. A editora tem no catálogo Os erros fatais do socialismo e O renascimento do liberalismo. Hayek esteve no Brasil três vezes, entre 1977-1981 e tanto os governantes da época quanto os intelectuais não lhe deram atenção.
Hayek faz forte crítica à falta de programas verdadeiros de quem combate a intervenção estatal exagerada. Nestes ensaios, publicados nas décadas de 1930 e 1940, o autor discute tópicos de filosofia moral e das ciências sociais aplicados à teoria econômica como diferentes aspectos de uma questão central: mercados livres versus economias socialistas.
Esta edição inclui as análises do autor sobre a ordem econômica liberal, os problemas enfrentados por economias socialistas, bem como suas derivações surgidas nas últimas décadas mas que se estruturam pelos mesmos pilares: governos interventores, coletivismo, burocracia estatal, assistencialismo e sustentabilidade global.
Como se constata, as idéias originais e instigantes de Hayek, seguem contribuindo para iluminar questões que ainda nos afligem, em nível global, e para pensar em novos rumos, especialmente depois dos efeitos mundiais que a pandemia provou na economia e na política. Segundo o pensamento defendido por Hayek, as propostas de intervenção estatal continuam a ser oferecidas, embora com novas embalagens.

Lançamentos

Cabala e a arte de apreciação do afeto (Editora Rocco, 144 pág, R$ 44,90) é o novo livro do consagrado rabino e escritor Nilton Bonder, e aponta as diferenças entre existir e viver a partir dos ensinamentos sapienciais da Cabala. Questões sobre afetos e como os apreciamos estão na obra.
O Almanaque de Naval Ravikant (Editora Intrínseca, 240 pág, R$ 44,90) de Eric Jorgenson, prefácio de Tim Ferriss e ilustrações de Jack Butcher, é um guia para a riqueza e a felicidade e parte da idéia de que ficar rico não é questão de sorte e que felicidade não vem de berço.
Quando deixamos de entender o mundo (Todavia, 176 pág, R$ 59,90) de Benjamín Labatut, traz ficção envolvendo gigantes como Einstein e Schrödinger e outras figuras menos conhecidas que atingiram o "ponto de não retorno" do pensamento e nos revelaram o "núcleo escuro do centro das coisas".

Mas é Carnaval!

Escrevo estas linhas nesta terça-feira, 22 de fevereiro, quatro dias antes do Carnaval 2022. Esperava que acontecesse mais ou menos o que acabei de ler na Wikipédia sobre a festa: "O Carnaval normalmente envolve uma festa pública e/ou desfile combinando alguns elementos circences, máscaras e uma festa de rua pública. As pessoas usam trajes, permitindo-lhes perder a sua individualidade cotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social."

Ainda sentindo os efeitos da pandemia, a festa não será como de costume. Ano que vem, quem sabe, vamos experimentar "um sentido elevado de unidade social" e pensar no Brasil como um todo, com os bons interesses públicos pairando sobre nossos interesses individuais. Como sempre, alguns mais comedidos e quietos vão aproveitar os dias de Momo para ouvir o silêncio e contemplar as águas de algum rio em alguma pousada no interior ou em algum sítio. Alguns vão, como sempre, buscar um retiro espiritual e curtir o silêncio, a solidão, as orações, água e comidinhas leves para não precisar de remédios depois das refeições.

O mundo sempre se dividiu em Pierrots palhaços tristes, Arlequins alegres e brincahões e lindas Colombinas embolando o meio de campo. Nós, brasileiros, vivemos bastante esta dualidade Pierrot-Arlequim. "Um nasce para sofrer, enquanto o outro ri", como dizem os versos de Azul da Cor do Mar, imortalizados por Tim Maia. "Mas quem sofre sempre tem que procurar / pelo menos vir achar/ razão para viver/ ver na vida algum motivo pra sonhar/ Ter um sonho todo azul/ Azul da cor do mar" são os outros versos da canção.

Conta uma antiga lenda veneziana que, em tempos antigos, durante os dias de carnaval, não se aplicava a lei que punia o adultério, que naquele tempo ainda era crime e tal. As festanças e os amores devem ter sido grandes, e aí um costume ou lei posterior mandou que a punição ao adultério não fosse aplicada durante o carnaval desde que os envolvidos estivessem usando máscaras...

Hoje em dia estamos lidando com as máscaras chatas e necessárias da pandemia e vamos curtir um carnaval com essas cautelas, receios e descuidos que andam marcando nosso convívio nestes últimos tempos. Tomara que no ano que vem o Carná volte ao "normal" , se é que este adjetivo pode ser aplicado à festa pré-quaresma. Bem que a gente precisaria de uns dias com excessos, umas loucurinhas e um oxigênio para depois enfrentar o "ano eleitoral" que já está aí, desafiando os nervos da galera.

É bom lembrar que lá pelo ano de 325 da era cristã a Igreja Católica tentou dar uma cancelada nas "festas e rituais pagãos" e aí mais adiante vieram algumas "adaptações". O carnaval moderno, com seus desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX e Paris foi o principal modelo exportador da festa. Nice, Santa Cruz de Tenente, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no carnaval parisiense. O que é o estudo, não é? Obrigado Wikipédia e pacientes foliões e ermitões leitores.

A propósito...

Pois pensando bem, nesse nosso Carná 2022, pré-eleitoral, teremos uns bons dias para pensar com calma sobre a "marcha dos acontecimentos", sobre as máscaras da pandemia e outras máscaras que muitos usam antes, durante e depois do carnaval. Muita coisa está por acontecer, e a gente sabe que, mais do que nunca, é preciso evitar precipitações, observar as várias "verdades" que andam pelas redes sociais e mídias e buscar o melhor caminho. Nesse Carnaval contido pelas circunstâncias da pandemia, a hora é de pensar em sonhos, fantasias e realidades futuros, quem sabe com mais Arlequins do que Pierrots e, claro, com saudáveis e lindas Colombinas. Bom Carnaval a todos!

25 DE FEVEREIRO DE 2022
DAVID COIMBRA

Todas as galinhas do mundo

Existem 25 bilhões de galinhas no mundo. Como sei desse número assombroso? Cito a fonte: o ótimo livro Sapiens, de Yuval Noah Harari.

É muita galinha. Em geral, as galinhas fazem um filho por dia. O que significa que, se não comêssemos frango, coraçãozinho, omelete, gemada e ovo frito, em dois dias haveria 50 bilhões de galinhas, em três, 100 bilhões, e, em uma semana, mais de 1 trilhão de galinhas estariam cacarejando pelo planeta.

É assustador.

Não sei como ninguém jamais pensou em fazer um filme de terror: GALINHA! Porque, pense: com essa quantidade de galinhas no mundo, é óbvio que os mecanismos da evolução seriam postos em funcionamento - não há pé de milho suficiente na Terra para alimentar tanta galinha. Elas, então, buscariam fontes de alimentação mais nutritivas, como proteínas. Ou seja: carne. Ou seja: nós. Sim! Galinhas carnívoras e ferozes passariam a atacar os seres humanos e logo tomariam conta do planeta.

O que quero dizer com isso é que o abate de galinhas não é algo ruim. Ao contrário: pode ser preventivo. Portanto, não sou contra o sacrifício de galinhas, sobretudo as pretas, nos rituais das igrejas de matriz africana, desde que elas não sofram no processo.

Isso, a morte de uma galinha sem sofrimento, isso é possível. Sou testemunha. Minha avó matava galinha com destreza e frieza de assassina profissional. O que, de certa forma, ela era. Escolhia uma galinha mais gorda e de aparência tenra, caçava-a pelo pátio da sua casa nos Navegantes, colocava-a debaixo do braço direito e, com o esquerdo, ela que era canhota, torcia o pescoço do bicho. Era uma torção só, crec!, e a galinha morria sem um único có. Um fim misericordioso.

Um domingo, ela queria fazer a tradicional galinha com arroz, chamou meu pai, apontou para uma que ciscava perto das hortênsias e pediu:

- Tu podes matar aquela lá, para eu preparar agora?

Meu pai se chamava Gaudêncio. Era do Alegrete. Usava bigode. Ou seja: macho. Não ia hesitar em matar uma mísera galinha.

Minha avó trouxe a penosa e a depositou em seus braços. Era uma galinha branca, muito calma, diria até doce. Meu pai ficou olhando em seus pequenos olhos de ave. Ela piscou. Fez com a garganta aquele som rouco e preguiçoso que as galinhas fazem. Meu pai estremeceu. Houve algo, naquela insignificante galinha, que lhe tocou o coração. Terá ele pensado nos pintinhos que ficariam órfãos? Terá ele pensado no galo que ficaria viúvo? Terá ele cogitado a possibilidade de a galinha também acalentar sonhos e projetos, como acalentam os humanos? Não sei. Só sei que seus braços poderosos, que na estância do tio pegavam touros pelas guampas e os submetiam no solo, só sei que aqueles braços tremeram.

Todos olhavam para o meu pai. Minha mãe, minha avó, minha madrinha, meu avô, todos, e ele não podia falhar.

Fechou a mão em torno do pescoço da galinha. Preparou-se para quebrá-lo. Encheu os pulmões de ar. Mas a galinha, então, o encarou com tanta ternura aviária, que ele deixou cair os ombros, suspirou e apertou os lábios. Não conseguia. Simplesmente não conseguia! Ao que minha avó, tomando-lhe a galinha das mãos, resmungou:

- Mas é um fresco mesmo! E, crec!, partiu-lhe o pescoço de um golpe.

No almoço, a galinha com arroz estava ótima, mas meu pai comeu em silêncio.

Texto originalmente publicado em 8 de abril de 2015

DAVID COIMBRA

25 DE FEVEREIRO DE 2022
CAPA

O fenômeno boa-praça

Sucesso na música e nas redes sociais, Zé Felipe é uma das atrações do final de semana no Baila Maori Carnaval, no Litoral

Sucesso nas plataformas de streaming, nas redes sociais e nas páginas de fofoca: aos 23 anos, o goiano José Felipe Rocha Costa é a sensação do sertanejo no momento. Mais conhecido como Zé Felipe, é filho do cantor Leonardo, de quem puxou o gosto pela música, além do jeito despojado e bem-humorado. Ele é uma das atrações da segunda noite do Baila Maori Carnaval, no domingo, no Maori Beach Club, em Xangri-lá.

A carreira como cantor teve início em 2014, mas o boom veio em 2021, emplacando hits como Revoada no Colchão, Toma Toma Vapo Vapo e Senta Danada. No momento, seu nome aparece em cinco das 50 músicas mais ouvidas pelos brasileiros no Spotify.

Seu single mais recente, Malvada, lançado no dia 28 de janeiro, foi o quarto vídeo no YouTube mais visto no mundo em 24 horas, conquistando 5 milhões de visualizações em um dia.

- Sinto que me encontrei musicalmente. Sabe aquela história de fazer algo que te encha os olhos de alegria? É isso! Não é porque sou filho do Leonardo que tenho de cantar o mesmo estilo - explica Zé Felipe.

Em suas músicas, há um amplo leque de sonoridades: bachata, reggaeton, brega funk, pisadinha, entre outros. Segundo o jornalista especializado em sertanejo André Piunti, um dos principais trunfos do cantor é manter a cabeça aberta para ritmos novos que viram tendência:

- Zé Felipe está buscando achar um perfil para si. Testou muito e gravou de tudo. Tanto procurou que achou. Quase todos os artistas se atrasam nesse quesito, porque é um lance "não, não faço tal coisa". Acho que a idade o ajuda bastante.

Influenciador

Mas não é só a música: o lado celebridade e influenciador de Zé Felipe também o impulsiona. Constantemente é notícia em sites e páginas de fofoca das redes sociais. O cantor costuma ser bastante aberto sobre sua intimidade, mas vale frisar que não só a dele - seu lado fofoqueiro lhe rendeu o apelido de "Maria Fifi".

- É um cara engraçado, que faz dancinha e participa de podcasts. Está sempre expondo a vida dele e as situações dos bastidores dos famosos. Todo mundo vê o Zé Felipe como aquele amigo fofoqueirinho, só que ele se veste bem e tem um apelo enorme com a internet. Hoje é certamente um dos shows mais procurados no Brasil - avalia Hans Ancina, comunicador da rádio 92 e DJ, que tocará nas duas noites de Baila Maori.

Essa dinâmica começou a ganhar força para Zé Felipe a partir de seu relacionamento com Virgínia Fonseca, uma das maiores influenciadoras do país, hoje com 34 milhões de seguidores no Instagram. Eles começaram a namorar na metade de 2020, casaram-se em março de 2021 e têm uma filha, Maria Alice. Pelo lado do pai, Zé Felipe costuma absorver conselhos. Segundo o cantor, Leonardo lhe ensinou lições sobre respeito ao público e gratidão.

- Estar no palco é uma bênção, e não um fardo.

O Baila Maori Carnaval trará ao Litoral Norte muito pagode e sertanejo. Na noite pagodeira de sábado, sobem ao palco Alexandre Pires, Atitude 67 e Eu Sei que Tu Dança. Além de Zé Felipe, a noite de domingo contará com os sertanejos Zé Neto & Cristiano e Munhoz & Mariano, acrescentando ainda a apresentação de Eme DJ.

 WILLIAM MANSQUE


25 DE FEVEREIRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

AGRESSÃO INJUSTIFICÁVEL

Merece veemente condenação a invasão militar da Rússia à Ucrânia. Trata-se de um ato de agressão indefensável. Fere o direito internacional em prerrogativas como a autodeterminação de uma nação e sua integridade territorial, além de ameaçar tragar o mundo para um período de tensões poucas vezes visto desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao violar o acordo de Minsk, que tentou colocar fim às hostilidades na região em 2014, o autocrata russo Vladimir Putin produz, a partir do conflito com epicentro no Leste Europeu, um momento sombrio que pode ter implicações seriíssimas.

As consequências incluem a perda injustificável de vidas humanas, já ontem na casa das dezenas, uma crise humanitária pela possibilidade de criar-se uma nova onda de refugiados, a desestabilização de relações internacionais e reflexos econômicos ainda difíceis de projetar, mas que tendem a alimentar a inflação global e afetar a recuperação após o auge da pandemia. Seja qual for a magnitude das repercussões, é certo, como mostra a História, que gerarão mais sofrimento.

Apesar do ato drástico do Kremlin, ainda é preciso ter esperanças de que será possível voltar à mesa de negociações e, por meio da diplomacia, solucionar impasses e garantir um cessar-fogo definitivo. Esta posição foi, inclusive, manifestada pelo Itamaraty ontem, que em nota pediu "a suspensão imediata das hostilidades" e o retorno ao diálogo para que se encontre uma solução pacífica. O tom tenta ser coerente com a tradição da Casa de Rio Branco e do histórico de equilíbrio e neutralidade do país, mas faltou, é preciso ressaltar, uma condenação mais dura da atitude da Rússia. Uma postura mais adequada à gravidade da questão expressou o vice-presidente Hamilton Mourão, ao reprovar a ofensiva de Putin.

Pode se estar diante de um cenário de reconfiguração geopolítica em que líderes autoritários estão testando a capacidade de reação das democracias liberais. O Brasil, portanto, precisa estar atento às suas responsabilidades e fazer prevalecer posições de Estado compromissadas com o mundo livre, sem deixar o país ficar preso a eventuais simpatias pessoais.

Líderes democráticos e instâncias internacionais, agora, encaram o desafio de calibrar as respostas à invasão para dissuadir Putin. Até o momento, no entanto, mostram-se insuficientes. Por enquanto, limitam-se a sanções econômicas, embora exista certa preocupação de evitar que as medidas que tentam penalizar a Rússia levem também a sérias sequelas para o crescimento mundial. Ao mesmo tempo, reforça-se o posicionamento de tropas nos países vizinhos que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar que a Ucrânia deseja integrar, o que gerou a crise. Nesta frente, em que os EUA igualmente são o principal ator, também é necessário modular movimentos, para que se evite um conflito que envolva mais nações e se torne ainda mais explosivo para a humanidade.

Mas espera-se, sobretudo, que os governos e órgãos multilaterais consigam reatar interlocuções produtivas que convirjam para a conciliação. É preciso persistir na busca pelo restabelecimento da estabilidade, a partir dos princípios da Carta das Nações Unidas, guiada pelo compromisso de busca pela paz. 


25 DE FEVEREIRO DE 2022
EDUARDO BUENO

Karl May e meu pai

Meu pai nunca me ensinou a jogar tênis - nem pingue- pongue. Mas me ensinou a jogar pôquer - e até que me dei bem, desafiando os amigos na adolescência, "a dinheiro", é claro. Meu pai também nunca me ensinou a jogar bola, até porque odiava futebol. Bom, mas se bola de sinuca conta, então ele até que tentou. Eu que não aprendi, e quase rasguei o feltro. Meu pai não foi, portanto, como o pai de Venus e Serena Williams - suposto herói do filme que vai levar Oscar. Meu pai também não foi como o pai de Neymar, que aparece mais do que o próprio num doc que também anda rolando por aí. Até porque, mesmo a contragosto, meu pai sempre pagou seus impostos.

Mas o fato é que num inesquecível sábado de outono, em 1970, meu pai me levou até a Livraria Aurora, de Sétimo e Eduardo Luizelle, no centro de Porto Alegre. Lá, me comprou a caixa com 10 volumes das obras de Karl May. E mudou minha vida, mesmo sem ter me tornado um ás da bola ou da bolinha. Tenho a caixa até hoje, os livros com meu nome na folha de rosto e todos com as datas em que foram lidos: de 7 de março a 11 de março o primeiro volume de Winnetou; de 12 a 14 de março o segundo; de 15 a 16 de março o terceiro, sinal de que, capturado pelas aventuras do nobre cacique apache e de seu companheiro, o caubói alemão Old Shatterhand, fui acelerando o ritmo. Devorei a caixa em cerca de um mês. Depois, li a segunda série e, na sequência, a terceira, menos emocionante.

Li aqueles 30 livros, como mais de 100 mil brasileiros que também leram as três séries (as únicas que saíram no Brasil) antes de mim. As obras de Karl May, gigantesco sucesso editorial na Alemanha (mais de 70 milhões de exemplares vendidos), tornaram-se também sucesso gigantesco no Brasil. Graças a isso, a Editora Globo, de Porto Alegre, pôde publicar autores imensamente superiores a Karl May, que aliás nunca foi grande escritor - e ainda carregou a pecha de ser o favorito do medíocre Hitler. Só que certa vez entrevistei 10 grandes editores brasileiros, perguntando-lhes quem eram seus personagens literários favoritos, e Winnetou recebeu três votos. Nada mal.

Quinto de 14 irmãos, filho de um tecelão falido, Karl May cresceu na miséria e logo aprendeu a mentir e a roubar. Acabou preso e escreveu boa parte de seus livros na cadeia. Nunca saiu da Alemanha, a não ser em sua prodigiosa imaginação. Morreu rico e deixou tudo para a Fundação Karl May, que até hoje concede bolsas a escritores e jornalistas pobres (já houve momentos em que pensei em me candidatar). Karl May nasceu em 25 de fevereiro de 1842, há exatos 180 anos. Devo muito a ele.

Dentre outras coisas, devo a gratidão eterna a meu pai. Já que, ao contrário do próprio, sempre fui um fracasso em esportes nobres como pôquer e sinuca. E também nos mais baixos, como tênis e futebol.

EDUARDO BUENO

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022


24 DE FEVEREIRO DE 2022
DAVID COIMBRA

Repartir o pão

Ainda existe pão semolina? No meio da tarde, minha mãe mandava: "David, vai lá na tendinha e traz meio quilo de pão semolina e um litro de leite".

A tendinha ficava numa espécie de rua de areão que se esticava entre dois blocos de edifícios, o da Coorigha e o da Guasepe, em frente aos prédios amarelos do IAPI. A gente chamava aquele lugar de, obviamente, Rua da Tendinha. Gostávamos de jogar bola lá. Então, quando ia buscar pão e leite, se tinha algum joguinho, eu sempre parava para dar uma olhada e, de repente, arrumava um furo e entrava no jogo e me distraía e deixava o pão e o leite ao lado da goleirinha de chinelo de dedo e a minha mãe, em casa, dava pulos de raiva.

Mas é claro que, depois de aplicar alguns dos meus desconcertantes dribles da levantadinha, acabava voltando para casa com o pão e o leite. Aí a mãe me xingava e ia fazer o café da tarde. Cortava o pão em fatias da espessura de um dedo polegar, passava manteiga e chimia e botava na minha frente, sobre um pires. Ao lado, o café com leite fumegante.

Aí é que está. Desisti do café com leite. Sabe por quê? Porque não consigo mais estabelecer o equilíbrio, aquele tom exato de marrom que a minha mãe alcançava ao derramar café na xícara de leite. Eu adoçava com uma colher e meia de açúcar, precisamente uma colher e meia e... ah... o café com leite perfeito! Agora, quando vou tomar café com leite acontece como na política brasileira, ou fica muito claro ou muito escuro. Então, aborrecido com os extremos, desisti do café com leite e da política brasileira.

Mas o que realmente importa, filosoficamente falando, é o pão semolina de meio quilo. Era um pão grande, alimentava a família toda por um dia inteiro. E, agora, o que é feito do pão semolina de meio quilo? Ninguém sabe, ninguém viu. Agora, o que vige é o cacetinho, como chamamos no Rio Grande amado, um pãozinho pequeno, do tamanho do punho do Paulo Miranda, do Grêmio, que atende a um único comensal.

Mas não é só isso. Não. Temos também a garrafinha de cerveja long neck, enquanto antes o que havia era o casco de cerveja de 660ml, uma cerveja que o garçom botava na mesa com orgulho e certo estrondo, e você partilhava com os amigos sorrindo. E quem não bebia cerveja, quem preferia Minuano Limão, o que tinha? Tinha o tamanho família, com um litro e pouco, que servia todas as crianças da casa. E não fica por aí! Ah, não. Porque o sorvete mais excitante que havia era o tijolo da Kibon, um sorvete que era, bem, um tijolo. Quando a mãe comprava um tijolo, meu Deus, que luxo. Uma época eles lançaram o Napolitano, com não um, nem dois, mas TRÊS sabores. Quanta fartura. Quanta alegria.

Você entende o que quero dizer? Quero dizer que nós compartilhávamos o alimento e a bebida. As porções generosas vinham à mesa e as dividíamos entre nós. O que se tornava parte de nós tornava-se também parte dos outros que estavam à mesa conosco. Nós comungávamos a cada almoço, a cada jantar, a cada café da tarde. Hoje, não. Hoje é cada qual com seu pãozinho, com sua cervejinha, com seu sorvetinho. Individualistas! Foi no que nos transformamos. Não é à toa que não existe mais união no Brasil. Nos esquecemos do grande ensinamento da civilização cristã. Nos esquecemos que temos de repartir o pão.

Texto originalmente publicado em 4 de junho de 2020

DAVID COIMBRA

24 DE FEVEREIRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

GANHO COLETIVO

Um sistema penal eficiente tem de ir muito adiante da simples supressão da liberdade de quem cometeu crime e foi condenado. São maiores as chances de um indivíduo retornar ao convívio social sem voltar a delinquir se, enquanto cumpre o período ao qual foi condenado, executar algum tipo de trabalho, remunerado ou não, ou mesmo passar por capacitação para vir a exercer uma atividade profissional no futuro. Sem ter à disposição um processo de ressocialização e entregue ao ócio, aumentam as possibilidades de presidiários serem cooptados por facções nas casas de detenção ou retornarem à criminalidade assim que regressarem às ruas.

Merecem ser reconhecidas e apoiadas, portanto, todas as iniciativas voltadas à abertura de vagas para o trabalho prisional. Uma ação relevante neste sentido foi oficializada ontem, com a assinatura de 42 convênios entre o governo do Estado, prefeituras e empresas. A intenção é criar mais de 1,5 mil postos para detentos. Hoje, no Rio Grande do Sul, são cerca de 12,7 mil com alguma ocupação, quase um terço da massa carcerária gaúcha, segundo o Departamento de Tratamento Penal da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). São atividades exercidas nos próprios presídios, em companhias privadas ou administrações municipais, muitas vezes auxiliando em serviços urbanos. É algo que depende do regime e do perfil do preso.

Mas já há, no Rio Grande do Sul, inúmeros exemplos positivos. Na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, apenados do semiaberto auxiliaram, neste início de ano, em reparos e reformas em uma escola, à espera da volta às aulas, e em um asilo. Condenados também integram um projeto de reciclagem de lixo que, além de contribuir com a limpeza da casa prisional, gera recursos com a venda dos resíduos que são divididos entre eles e a PEJ, que usa o dinheiro também na manutenção do local. Nos primeiros meses da pandemia, mais de uma centena de apenados, espalhados pelo Estado, se dedicou à confecção de máscaras. 

O projeto Sementes do Bem, da prefeitura de Porto Alegre, contribui para ampliar a inclusão de condenados, que trabalham na conservação de praças e canteiros da cidade. Em outra ideia um pouco distinta, pequena mas inspiradora, um acordo firmado entre o governo gaúcho e a Universidade do Vale do Taquari (Univates) no final do ano passado vai viabilizar cinco bolsas de graduação para presos, na modalidade de ensino a distância.

O trabalho de pessoas privadas de liberdade, nas penitenciárias ou fora delas, é amplamente vantajoso para elas próprias, para o poder público, para a sociedade e para as empresas. Os condenados, enquanto cumprem pena, resultam em custo para o Estado, ao fim lastreado pelos impostos recolhidos junto aos contribuintes. Ao exercerem funções internas, em áreas de limpeza ou preparação de refeições, por exemplo, reduzem em parte o ônus ao erário, diminuindo a necessidade de contratação de serviços terceirizados. 

Para o preso, pode significar redução de pena, ganho financeiro e perspectiva de uma vida digna após recuperar a liberdade. A coletividade, como dito antes, é beneficiada pela maior chance da conversão de um potencial reincidente em um cidadão. O empregador, por sua vez, não tem os mesmos encargos que incidem sobre a contratação dos demais trabalhadores. Mas o mais relevante, sem dúvida, é a nova chance para milhares de pessoas resgatarem a esperança de serem úteis a suas comunidades e viverem do trabalho honesto.

OPINIÃO DA RBS

24 DE FEVEREIRO DE 2022
+ ECONOMIA

Aos 120 anos, R$ 13,9 bilhões de lucro só em 12 meses

Depois do festival de bilhões ao longo de 2021, o fechamento não poderia ser diferente: o lucro da Gerdau de R$ 3,4 bilhões no quarto trimestre confirmou o melhor resultado da história no período em que completou 120 anos. Em 2021, fechou com recorde de Ebitda (geração de caixa) ajustado de R$ 23,2 bilhões e maior lucro líquido ajustado de sua a história, de R$ 13,9 bilhões. Isso permitiu distribuir dividendos de R$ 5,4 bilhões - mais do que a soma dos últimos 10 anos - e elevar os investimentos previstos para este ano a R$ 4,5 bilhões, 50% acima de 2021.

- A Gerdau registrou, em 2021, o melhor resultado de sua história centenária. Se somados os três anos anteriores, de 2018, 2019 e 2020, não alcançamos o Ebitda de 2021 - afirmou o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck.

Conforme o executivo, os resultados da América do Norte seguirão permitindo bom desempenho neste ano. - O consumo de aços especiais (mais usados na indústria automobilística) foi sustentado por fabricantes de autopeças que destinaram ao mercado de exportação - detalhou.

Outra expectativa de demanda vem do que Werneck chamou de "investimentos em infraestrutura destravados", com R$ 165 bilhões em aplicações em projetos estimados pelo Ministério da Infraestrutura.

- O aço não vai contribuir neste ano para o aumento da inflação no Brasil. Não teremos um ano como 2021, com números históricos, mas ficaremos distantes dos anos anteriores, que tiveram margens mais baixas - afirmou, projetando estabilidade para os preços, que dispararam ao longo dos dois últimos anos.

O plano de investimentos, afirmou o executivo, ainda reflete uma "postura austera", com iniciativas focadas em melhoria da competitividade, modernização tecnológica e crescimento dos negócios.

- O investimento não vai crescer de forma a impactar o balanço. A maior parte é destinada à atualização dos equipamentos da nossa maior usina, de Ouro Branco (na cidade de mesmo nome em Minas Gerais), que é a única integrada. Os equipamentos têm vida útil de 20 a 25 anos que precisam ser substituídos ou modernizados. A austeridade tem sido marca dessa gestão, mas também é momento de olhar com bastante atenção o crescimento de outras áreas no Brasil. Investir em expansão no Brasil agora é até difícil, por problemas de mão de obra e fornecedor.

Entre os "novos negócios", Werneck mencionou a possibilidade de um laminador para produção de trilhos ferroviários, mas disse que a demanda anual mínima seria de 400 mil toneladas, enquanto o consumo no Brasil hoje está ao redor de 250 mil toneladas/ano.

+ ECONOMIA

24 DE FEVEREIRO DE 2022
DESEMPENHO EM 2021

Petrobras tem lucro recorde de R$ 106,7 bi

A disparada do preço do petróleo, que pesou no bolso dos consumidores em 2021, turbinou o resultado da Petrobras. A estatal fechou o ano com lucro recorde de R$ 106,7 bilhões. O desempenho vai beneficiar os acionistas da companhia, que irão receber o volume histórico de R$ 101 bilhões em dividendos.

Com o ganho, a companhia anunciou a distribuição de mais R$ 37,3 bilhões em dividendos aos acionistas, que já haviam recebido R$ 63,4 bilhões em 2021 como retorno pelo lucro dos três primeiros trimestres. No fim do ano passado, o presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou a reclamar do lucro "muito alto" da estatal e afirmou que a empresa deveria ter "viés social".

Desde então, o presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, vem repetindo que a contribuição da petrolífera será via remuneração ao governo federal e pagamento de tributos, e não segurando preços dos combustíveis. A Petrobras não reajusta a gasolina e o diesel desde 12 de janeiro.

"Nada disso (o lucro) seria possível para uma empresa endividada sem capacidade de gerar valor. Estes resultados demonstram que a qualidade do nosso trabalho se traduz de maneira inequívoca em riqueza para a sociedade", disse Luna, em texto sobre balanço.

Além da alta no preço do petróleo e do câmbio, a produção no pré-sal ajudou a engordar o caixa da companhia. A região possui alta produtividade e custo de extração do petróleo do fundo do mar mais baixo do que nos demais campos da estatal. E o volume de combustível vendido aumentou, assim como a margem de lucro da empresa com a gasolina e o óleo diesel.

Senado

Em outra iniciativa na área de energia, o Senado, sem obter consenso, adiou para 8 de março a votação de dois projetos que visam a reduzir a tributação sobre preços dos combustíveis. Uma das propostas estabelece cobrança monofásica para combustíveis e tributo com alíquota única para cada produto em todo o país. A outra cria a Conta de Estabilização de Preços a ser gerida pelo Executivo.


24 DE FEVEREIRO DE 2022
CHAMOU ATENÇÃO

Marcha lenta até a"oficina"

O maior dos dois veículos do aeromóvel do Trensurb começará a ser consertado. Por volta das 8h de ontem, se iniciaram os trabalhos para remoção do A-200, que transporta até 300 passageiros e seria levado para São Leopoldo, onde será reparado pela Aeromóvel do Brasil - empresa que construiu o sistema de transporte entre o Trensurb e o Salgado Filho.

O veículo passará por conserto pelos próximos seis meses. Receberá manutenção completa, além de pintura e revitalização da fibra externa. O policarbonato usado para as janelas, por exemplo, será trocado. O reparo custará R$ 2,29 milhões, valor que supera em 20% o montante investido na sua construção - de R$ 1,92 milhão. O gasto é elevado porque, segundo a Trensurb, também estão sendo adquiridos os projetos de construção dos veículos, que antes eram de propriedade da Aeromóvel do Brasil.

O A-200 estava estacionado ao lado da estação Aeroporto desde julho de 2017, parado por conta de falhas nas portas e na comunicação com a estação.

Enquanto isso, o A-100 segue transportando até 150 passageiros. O veículo menor custou R$ 1,06 milhão à Trensurb. O investimento total com o sistema do aeromóvel para ligar a estação do Trensurb ao aeroporto foi de R$ 38 milhões, quase R$ 10 milhões a mais do que o previsto.

O contrato com as empresas vencedoras da licitação foi assinado em setembro de 2010. Na ocasião, a Trensurb tinha expectativa de que os veículos entrassem em operação no segundo semestre do ano seguinte. Porém, a obra só começou em junho de 2011. O transporte de passageiros começou a ocorrer a partir de novembro de 2013.

 JOCIMAR FARINA

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022


23 DE FEVEREIRO DE 2022
+ ECONOMIA

Qual será o custo da guerra que Putin ensaia começar

A movimentação de tropas e de palavras do presidente da Rússia, Vladimir Putin, impactou preços que vão dos energéticos - petróleo e gás - a ouro, passando pelas bolsas de valores. Esses são apenas os efeitos mais visíveis do custo que Putin pode impor ao mundo com a guerra que prepara como se fosse um jogo de xadrez, com avanços e recuos, na medida para evitar retaliações drásticas.

Apesar de, na prática, já ter começado uma invasão, Putin o faz de forma cirúrgica. Ao reconhecer a independência de duas províncias da Ucrânia - Donetsk e Luhansk -, o presidente russo acrescentou palavras bélicas à movimentação de tropas, horas depois de ter concordado com uma reunião de cúpula com os Estados Unidos mediada por França e Alemanha.

Além do risco ao fornecimento de gás para a Europa, em um momento em que os custos da energia já estão elevados, eventuais sanções de países à Rússia podem comprometer outros mercados. As exportações russas se concentram em commodities, ou seja, em matérias-primas básicas.

Além de responder por 17% da oferta global de gás natural e 12% de petróleo nas trocas internacionais, a Rússia ainda representa entre 4% e 6% da produção global de cobre, níquel e alumínio, metais diretamente relacionados à infraestrutura elétrica e de máquinas e equipamentos, todos altamente inflacionados pela pandemia. A Rússia ainda fornece metais como platina (14% da oferta global) e paládio (44%). As exportações russas e ucranianas de trigo representam ao redor de 14% do total global. Pelo risco de uma guerra ampliada, preços de commodities de energia, metalurgia e alimentação dispararam ontem.

As reações já começaram: a Alemanha suspendeu a certificação do gasoduto Nord Stream 2, construído para levar gás natural da Rússia. O Reino Unido congelou ativos de bancos e oligarcas russos, e os Estados Unidos barraram negociação de títulos. Embora seja cedo para saber todos os custos da guerra de Putin, uma coisa é certa: o preço será muito alto, especialmente para países que vivem crise energética, como o Brasil.

Agência turística

No ano em que completa 120 - foi constituída em dezembro de 1902 -, a Sicredi Pioneira terá casa nova na cidade onde nasceu, Nova Petrópolis. A primeira instituição financeira cooperativa da América Latina e a mais antiga instituição financeira privada em funcionamento no Brasil terá uma nova casa na Avenida 15 de Novembro, a principal da cidade.

Depois de desacelerar a obra, agora a previsão de conclusão é para julho. A nova sede terá cerca de 2,1 mil m2 distribuídos em três pavimentos. Pela fachada e pelas funcionalidades, vai se tornar atração turística: no térreo, além das estações de trabalho dos colaboradores, estão disponíveis ambientes de relacionamento, mesas para utilização da comunidade, espaço para coworking, salas de reuniões, internet e uma cafeteria, que funcionará mesmo quando a agência estiver fechada.

O projeto combina traços da arquitetura germânica, com o tradicional enxaimel, aliado a características contemporâneas. Integrado à cafeteria, haverá um jardim com bancos e mesas para uso da comunidade em geral.

O presidente da FEDERASUL, Anderson Trautman Cardoso, vai coordenar o Comitê Jurídico da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) que ganhou autonomia para ampliar ações e pautas que beneficiem as micro e pequenas empresas. a CACB ainda decidiu lançar campanha para ampliar o teto do Simples Nacional.

R$ 5,05

foi o fechamento do dólar ontem, por um triz ainda acima dos R$ 5. Reflexo da alta do juro, a cotação cedeu além do esperado, com analistas divididos sobre o efeito eleitoral sobre o câmbio. A alta das commodities decorrente da crise entre Rússia e Ucrânia também ajuda na alta do real.

Demorou, mas cortou fita no 22/02/22

O "gigante da freeway" terá, enfim, inauguração oficial. A nova sede da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), que já tinha movimentação no final de 2019, teve corte solene de fita ontem, cerca de um ano e meio depois do início de sua ocupação.

Mas por que demorou tanto, afinal? A combinação da pandemia com a apertada agenda do presidente da Confederação Nacional do Comércio, José Roberto Tadros, criaram suspense sobre a data da cerimônia. Conforme o presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, a combinação de dificuldades relacionas à covid-19 e à agenda fez com que a solenidade ficasse para a famosa 22/02/22, uma data palíndromo (que pode ser lida ao inverso com o mesmo resultado).

- É só uma coincidência - garante, rindo sobre eventual escolha proposital de data.

Demorou, mas ganhou um aniversário memorável. O complexo inclui área de convivência, biblioteca, lounges, auditório, dois restaurantes, usina de energia solar e até um lago artificial. Havia dois andares desocupados, mas um deles já começou a ser povoado com a incubadora de startups, que deve ser inaugurada em seguida, em março.

- É uma grande novidade na inovação. Deveremos ter de cinco a seis startups funcionando lá, em uma área de 1,5 mil metros quadrados de área disponível.

Embora a atual direção deva ter mandato renovado na eleição prevista para 2 de maio, nem todos ficam na nova composição. Assim, a decisão foi aproveitar uma janela antes do Carnaval para cortar a fita com toda a pompa. Para o auditório com capacidade para mil pessoas, só foram feitos 500 convites, com máscara, distanciamento e álcool gel.

- Já havia até certa ansiedade de alguns diretores, porque estamos ocupando já há quase um ano e meio. Vai continuar todo mundo junto, com a mesma diretoria, mas alguns que saem não poderiam ver o fruto do trabalho antes da troca - relata Bohn.

Chegou a ser registrada uma chapa de oposição à atual, esclarece Bohn, que acabou "não vingando". O desafio dos próximos quatro anos, afirma, é dar conta dos projetos que ficaram incompletos exatamente em decorrência da pandemia.

Funcionam no "gigante da freeway" a sede da Fecomércio e as direções regionais de Sesc e Senac, vinculadas à entidade. Ocupam o edifício, atualmente, 500 funcionários. Bohn diz querer que o prédio seja conhecido como a "casa do comércio gaúcho":

- É um local que deve servir de ferramenta para empresas e sindicatos na defesa do setor terciário.

Na Alberto Bins, onde antes funcionavam esses órgãos, o prédio pertencia ao Sesc, que mantém lá escolas de ensino a distância (EaD), restaurante, atendimento odontológico, teatro.

- Vai ter alguns andares para locar no centro. E aqui na nova sede, também teremos espaço para locar, para ter receita, como faz a Fiergs - arremata o presidente da Fecomércio.

+ ECONOMIA

23 DE FEVEREIRO DE 2022
JEFERSON TENÓRIO

O escritor e o papel da crítica

Dias atrás terminei de ler o romance A Descoberta da Escrita, do autor norueguês Karl Ove Knausgård, que é comparado ao "Proust" dos nossos tempos. A obra é uma aula para aqueles que creem que o talento para escrita é inato. Karl narra sua trajetória de escritor, cheia de altos e baixos, revelando de forma sincera aquilo que os escritores jamais deveriam esquecer: escrever não é fácil.

Tornar-se escritor é sempre desconfiar daquilo que se escreve. É submeter o texto a si mesmo com honestidade. A arte não tolera a arrogância do artista. Porque fazer literatura é se colocar numa espécie de servidão diante da palavra. Não se escreve para vencer o texto. Escrevemos para sermos derrotados pela literatura. Isso significa dizer que o autor que leva o seu ofício com seriedade sabe que escrever é chegar à exaustão. Significa parar diante do texto e admitir: não consigo mais.

Knausgård também mostra com extrema sinceridade a sua dificuldade em lidar com a crítica. A falta de experiência e o ímpeto juvenil leva o personagem a situações constrangedoras e de mau-caratismo. O livro nos diz que atacar a crítica é um erro crasso para quem está começando. É claro que a crítica não é soberana. É claro que ela pode errar. No entanto, quem decide se ela acertou ou não é o tempo.

Lembro quando pedi para um amigo ler os originais do meu primeiro romance. Eu era jovem e achava que havia feito uma obra-prima. Confesso que estava à espera de elogios. No entanto, após a leitura, meu amigo fez uma crítica dura. Sem confetes. Sem condescendências. Foi difícil e pensei em desistir.

Hoje penso que por mais dura que a crítica tenha sido, ela me salvou de uma escrita medíocre. Em tempos de redes sociais, com textos rápidos, cria-se a ilusão de que elogio é crítica. Não é. O papel da crítica literária é mais profundo. A crítica ilumina o texto, o que não significa revelar apenas o que há de melhor, mas também aquilo que rebaixa ou empobrece a arte. Um autor que não desconfia da própria escrita é um autor a caminho do fracasso, diria Karl.

JEFERSON TENÓRIO

23 DE FEVEREIRO DE 2022
DAVID COIMBRA

Vadiagem

Estávamos aboletados na sacada, eu e meu filho, roendo uma maçã. O pedaço dele era menor, correspondente à distraída vontade de comer maçã que sentem os meninos de nove anos de idade. Fazia calor. Como você sabe, nesta metade de cima do mundo é verão.

O verão aqui é como o inverno aí. No inverno gaúcho, o frio resiste por três ou quatro dias, as pessoas enrolam mantas no pescoço e vão para Gramado comer fondue. Então, requenta e as pessoas arrancam as mantas e enfiam-se em camisetas.

Aqui também é assim, só que ao contrário: no verão, o calor abafa a cidade por três ou quatro dias, as mulheres se põem em shorts minúsculos e tomam banho de sol nas praças. Aí chove, a temperatura recua e ninguém mais faz churrasco na varanda.

Esse dia de que trato agora, porém, estava quente. Sentados na varanda, eu e o Bernardo sentimos o afago de uma brisa que vinha do Atlântico ali adiante. Aquilo me deu uma preguiça, um amolecimento, uma vontade de não fazer nada, e foi exatamente o que fiz. Ou melhor, não fiz. Fiquei olhando para coisa alguma, enquanto pensava em coisa nenhuma.

Cravei a última mordida na maçã. Deitei o caroço na mesinha ao lado. Meu filho também deu cabo do pedaço dele. E assim ficamos, quietos, quase sem nos mover, observando o amarelo do sol nos telhados e as folhas que balançavam ao vento. Seria essa a tal indolência típica dos trópicos?

Seria essa a causa dos nossos manés moles, da pachorra, da preguiça, do nosso subdesenvolvimento?

Mas e a Rússia? A Rússia é gelada, em Moscou é normal empedrar-se a 45 graus abaixo de zero no inverno, e a Rússia é a Rússia, acometida talvez por mais dores do que sente o brasileiro.

E a Austrália? Na Austrália há calor e surfe, mas a Austrália é quase que uma Noruega em qualidade de vida.

O sol não tem culpa, portanto. O sol nos fazia bem, naquela tarde na sacada. Permanecemos calados, lado a lado, pai e filho, como dois bichos da natureza, ou como os lírios do campo, que não tecem nem fiam, apenas existem. Apenas são.

Só depois de algum tempo como que despertei e dei-me conta daquela nossa comunhão em silêncio. Ou do que julguei ser comunhão. E foi esse meu primeiro pensamento ao retomar a, digamos, consciência prática: estaria o meu filho experimentando a mesma sensação de doce vadiagem e de doce parceria? Fiquei em dúvida, até que ele, como se tivesse me ouvido pensar, disse, sem mexer o pescoço ou tirar o olhar do vazio no horizonte:

- É bom, né, papai?  Sorri e concordei: - É bom... Texto originalmente publicado em 25 de julho de 2017

DAVID COIMBRA

23 DE FEVEREIRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

ARMADILHA DO ENDIVIDAMENTO

Uma série de indicadores divulgados nos últimos dias demonstra um quadro alarmante de aumento do endividamento das famílias gaúchas e, como reflexo direto, uma elevação da inadimplência. Em muitos lares, especialmente os mais carentes, famílias são forçadas a optar por quais faturas vão pagar, enquanto têm de deixar outras pendentes em nome das necessidades mais urgentes de sobrevivência.

Pesquisa apresentada pelo Fecomércio-RS na semana passada apontou que 92% das pessoas ouvidas em Porto Alegre tinham em janeiro alguma conta em aberto, um aumento de 20 pontos percentuais em um ano. A porcentagem de cidadãos que não pagaram os compromissos em dia era de 20,1% em maio do ano passado e, desde então, sobe mês a mês. Em janeiro, chegou 29%. Em outro levantamento, a Serasa/Experian chegou a números não muito diferentes. De acordo com a empresa, 35% dos gaúchos adultos encerraram 2021 com dívidas atrasadas. São mais de 3,1 milhões de pessoas, 200 mil a mais em relação ao final do ano anterior. Levantamento de GZH sobre o pagamento do IPTU em municípios da Região Metropolitana mostra outra sequela do mesmo sufoco. Devido ao aperto financeiro, há uma significativa dificuldade dos contribuintes em quitar o tributo referente a 2021. Em Sapucaia do Sul, a inadimplência chega a 67%. Em Guaíba, 60%.

Os dados apresentados referem-se ao Rio Grande do Sul, mas por certo o drama é parecido em todo o Brasil. É uma consequência de reação letárgica da economia após a fase mais restritiva de atividades nos primeiros meses da pandemia, do desemprego ainda alto, da queda da renda, da escalada da inflação e do juro ascendente.

Não é surpresa que parte da população, aturdida com a impossibilidade de honrar compromissos, fique propensa a esperar soluções fáceis e mágicas de governantes e acredite em promessas populistas. Especialmente em um ano em que os brasileiros vão às urnas, saídas meramente eleitoreiras apresentadas por candidatos, mas com capacidade de seduzir, tornam-se ainda mais perigosas. Irresponsabilidade fiscal e tentativas de baixar preços na marra, mostra a história, costumam ao longo do tempo acentuar os problemas que ilusoriamente resolveriam. São fadadas ao fracasso.

Uma enxurrada de balões de ensaio e propostas esdrúxulas surgiu nas últimas semanas em Brasília. Versam sobre reajustes a categorias já privilegiadas, desonerações tentadas em oportunidades anteriores, mas que pouco efeito tiveram na economia, e cortes radicais de impostos sobre combustíveis e energia que abririam rombo de dezenas de bilhões de reais nas contas públicas. Felizmente, um raio de bom senso parece ter atingido o presidente da Câmara, Arthur Lira, que ontem garantiu que as PECs que acenavam com um corte drástico da carga tributária sobre os combustíveis não prosperarão.

A solução responsável passa por atacar a raiz da conjuntura que leva à atividade econômica débil e à inflação alta. Começa por austeridade fiscal, que se reflete de maneira benigna no câmbio, na inflação e no juro. Segue com reformas como a administrativa e a tributária, para racionalizar gastos com pessoal e dar mais competitividade às empresas. E não prescinde de estabilidade política e institucional. Uma reação mais robusta da economia, com efeitos benéficos no mercado de trabalho e na renda, será possível apenas com a pacificação do país. A turbulência internacional em torno da crise da Ucrânia obriga a uma maior responsabilidade interna.

Ao lado dessas grandes linhas, é indispensável levar mais educação financeira para os cidadãos, para que evitem entrar em apuros ou consigam escapar da bola de neve do endividamento. É preciso ampliar especialmente a consciência sobre a armadilha das modalidades que cobram os juros mais escorchantes, como o rotativo do cartão de crédito. Ao fim, famílias não são muito diferentes de governos. O descontrole financeiro, nos dois casos, acaba na imposição de ter de pagar juro mais alto. Quem tem mais despesas do que receitas e deve muito, da mesma forma, deixa de ser um agente que contribui para o fortalecimento da economia.

OPINIÃO DA RBS