quarta-feira, 27 de novembro de 2024


27 de Novembro de 2024
CARPINEJAR

Brutalidade enrustida

Se não fosse a insistência da família em obter as filmagens de segurança, um homicídio talvez tivesse sido sempre tratado como suicídio.

Se não fosse a cobrança pública dos familiares que criaram um perfil nas redes sociais com o nome "Justiça por Carol", jamais a verdade viria à tona.

A advogada Carolina Magalhães morreu em 2022. Considerou-se a versão de que ela havia pulado do oitavo andar de seu prédio em Belo Horizonte (MG), mas novas investigações agora apontam que ela foi derrubada pelo namorado, também advogado.

Mais de dois anos após o crime, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais e converteu o namorado em réu.

De acordo com a hipótese da Polícia Civil, na noite do crime, em 8 de junho, por volta das 23h, ele teria sedado ou agido com força para tirar a consciência de Carolina, limpado e organizado o local, colocado roupas de cama na máquina de lavar e recolhido pertences.

Em seguida, teria cortado a tela da varanda, descartado a tela na lixeira da cozinha, guardado a tesoura e jogado o corpo dela pelo buraco na tela - a polícia não conseguiu descobrir se a vítima já estava morta quando caiu.

Segundo depoimento na época, ele se encontrava no elevador quando ouviu um estrondo, que seria da queda, o que não deixa de ser um tanto inverossímil.

A ex-mulher do suspeito tinha entrado com uma medida protetiva porque ele havia dito que iria matá-la. Ele também apresentava um histórico de agressões psicológicas e físicas contra Carolina, frequentemente a desqualificando e desmoralizando. Dizia que ela era deprimida, louca, ciumenta, que passava o tempo todo atrás dele. Na realidade, ela tentou terminar a relação várias vezes, pois sabia que corria riscos.

Não fazia sentido a narrativa de solitário desespero, já que Carolina sempre foi vista como uma pessoa otimista, alegre e uma profissional excepcional, braço direito do pai no escritório de advocacia.

Penso que essa tragédia é a ponta do iceberg de falsos boletins de ocorrência no país. O que deve existir de mortes simuladas em episódios de violência contra a mulher? O que deve existir de suicídios que nunca foram investigados, e ficou-se com a história do agressor, o último a ver a pessoa com vida? Nem sempre há câmeras. Nem sempre há testemunhas. Nem sempre há a reivindicação dos parentes, até porque predomina um preconceito com atentado à própria existência, uma discriminação constrangida que leva o círculo íntimo de afetos a esconder o fato e negar maiores detalhamentos.

E muitos assassinos estão circulando livremente, casando de novo, repetindo padrões de comportamento, destruindo reputações até que ninguém mais acredite nas vítimas. Até que ninguém desconfie da frieza das tramas e emboscadas.

No Brasil, a cada seis horas, é registrado um feminicídio. Creio que aconteçam secretamente muito mais nesse intervalo de seis horas. Nossos minutos sangram. _

CARPINEJAR


27 DE NOVEMBRO DE 2024
NOTÍCIAS

Acordo comercial

Carrefour pede desculpas após impasse sobre carne do Brasil. Em carta enviada ao ministro da Agricultura, CEO do grupo francês reconheceu qualidade da proteína. No dia 20, ele havia informado que a empresa deixaria de comprar o produto do Mercosul, em apoio a agricultores franceses que protestam contra negociações com o bloco

O executivo havia informado, na semana passada, que a rede deixaria de comprar carne do Mercosul, em apoio aos agricultores franceses que protestam contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano.

"Sabemos que a agricultura brasileira fornece carne de alta qualidade, respeito às normas e sabor. Se a comunicação do Carrefour França gerou confusão e pode ter sido interpretada como questionamento de nossa parceria com a agricultura brasileira e como uma crítica a ela, pedimos desculpas", disse Bompard, no documento entregue pela Embaixada da França ao Ministério da Agricultura. A pasta confirmou ter recebido a manifestação.

A carta de Bompard é uma tentativa de estancar a crise entre o Grupo Carrefour e o agronegócio brasileiro, em especial a indústria das carnes nacional, iniciada no último dia 20, quando Bompard comunicou a decisão da varejista alegando que as carnes do Mercosul não respeitam os requisitos e normas do mercado francês.

Fornecimento

Na carta, Bompard se diz um "amigo de longa data do País". "O Carrefour é um grupo descentralizado e enraizado em cada país onde está presente, francês na França e brasileiro no Brasil", afirmou.

Bompard destaca que na França o Carrefour compra quase toda a carne utilizada nas suas atividades dos produtores franceses. No Brasil, segundo ele, também o Grupo Carrefour compra quase toda a totalidade de carne necessária para as atividades dos produtores locais. "E seguiremos fazendo assim", afirmou.

Ainda ontem, o Carrefour Brasil informou que o cronograma de entregas de produtos de carnes bovinas foi retomado. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia diz que espera a normalização do reabastecimento de tais produtos no decorrer dos próximos dias.

"A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre novos desdobramentos relevantes relacionados ao assunto", diz a empresa.

Repercussão

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) informou que espera "que as operações da rede francesa sejam restabelecidas". _

Reação no Congresso

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a carta "foi muito fraca dado o estrago de imagem que o CEO do Carrefour produziu". O parlamentar afirmou que vai pautar na Casa a discussão de medidas de "reciprocidade econômica" com a França, mesmo após a retratação.

A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) também fez críticas à carta.

- É uma desculpa protocolar e não responde de fato aos danos causados aos produtos brasileiros lá fora, apesar da importância pífia da França - disse em reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária.


 
27 de Novembro de 2024
INFORME ESPECIAL - 27 de Novembro de 2024
Vitor Netto

informe especial

Cresce número de países da América do Sul liderados pela esquerda. A eleição de Yamandú Orsi, novo presidente do Uruguai, amplia o número de países da América do Sul comandados por líderes de esquerda. A partir de 2025, serão oito, ante quatro líderes de direita.

Os de direita são: Javier Milei, na Argentina; Santiago Peña, no Paraguai; Dina Boluarte, no Peru; e Daniel Noboa, no Equador.

Já na ala dos países ligados à esquerda estão: o presidente Lula, no Brasil; Yamandú Orsi, no Uruguai, Gabriel Boric, no Chile; Luis Arce, na Bolívia; Gustavo Petro, na Colômbia; Irfaan Ali, na Guiana; Chan Santokhi, no Suriname; e Nicolás Maduro, na Venezuela.

Diferentes tipos

Para o professor Relações Internacionais da ESPM de São Paulo Roberto Uebel, há um fortalecimento da esquerda nas américas do Sul e Latina, mas, nas palavras dele, "até a segunda página".

- Há três tipos de esquerda hoje governando na América Latina: uma esquerda progressista, como no Chile, como no Uruguai agora, o México com a Claudia Sheinbaum. Tem uma centro-esquerda mais tradicional, como no Brasil com Lula, na Colômbia com Gustavo Petro. E tem essa esquerda radical autoritária, como na Venezuela, de Maduro, de Daniel Ortega na Nicarágua. Então, são esquerdas diferentes - afirmou à coluna.

Conforme Uebel, o fortalecimento dos líderes se concentra na "esquerda mais progressista":

- Uma esquerda mais pés no chão, que olha para as questões sociais, mas não ignora as questões econômicas do século 21, que é justamente a proposta do Yamandú no Uruguai, do Boric no Chile e da Sheinbaum no México.

Para o professor, há um novo cenário no horizonte no espectro político do continente:

- A direita talvez esteja entrando num outro ciclo aqui na América Latina, mas não podemos ignorar que essa esquerda não é igual em cada país, cada um tem as suas peculiaridades. _

Jorge Gerdau lança amanhã o livro "A Busca"

Amanhã, Jorge Gerdau, um dos maiores líderes do setor industrial no Brasil, lançará o livro A Busca - Os aprendizados de uma jornada de inquietações e realizações (Editora Citadel).

Ao longo de 174 páginas, a obra não pode ser definida como uma autobiografia. Pode ser lida assim, obviamente, afinal ali está boa parte da vida, das definições filosóficas e propósitos de um dos grandes empresários brasileiros.

Mas é muito mais: pode ser um manual para um empreendedor iniciante, um convite à reflexão sobre o mundo corporativo, a liberdade e a sociedade atual, ou simplesmente uma dose de inspiração.

Suas palavras, antes de tudo, são um bálsamo para dias tão conturbados. Quem espera, por trás do texto, encontrar uma mente racional, objetiva e estratégica, vai se surpreender: Gerdau começa o livro falando de gratidão, e o encerra referindo-se ao amor.

Ao final, ele seleciona 23 palavras que o definem. A coluna escolheu sete e seus significados, nas palavras do próprio autor.

1 RESPEITO

O respeito se expressa nas menores e maiores coisas: na família, na relação com colegas de trabalho, com os meus concorrentes, no trânsito e até mesmo com os adversários mais ferrenhos.

2 EXCELÊNCIA

É uma profunda motivação para buscar o que há de melhor, mas não pode ser alcançada sem uma noção de equilíbrio e sustentabilidade. Ela é que nos move.

3 FUTURO

É impossível enxergar o que está na frente sem olhar para trás e buscar, nas raízes e nas origens, a base sólida que dá segurança para a caminhada.

4 HUMILDADE

Quem se acha gênio ou superior perde a capacidade de aprender.



27 de Novembro de 2024
MÁRIO CORSO

Subestimando os antepassados

As pirâmides do Vale do Nilo, pela sua imensidão, deixam qualquer um atônito. O curioso é que em alguns suscita não uma prova do engenho humano, mas a dúvida de que a humanidade as tenha criado. Como se os egípcios fossem desqualificados para tanto. E já se torna prova de que os ETs nos visitaram.

Um pouco de conhecimento histórico ajudaria. As inscrições do Osso de Ishango - do paleolítico africano, circa 20 mil anos - são uma calculadora rudimentar, mas demonstram raciocínio matemático já em caçadores-coletores.

Encontraram num navio grego afundado, primeiro século a.C., a depois chamada Máquina de Anticítera. Feita em bronze, era um complexo mecanismo de engrenagens, como um relógio cósmico, que previa a posição dos astros.

Quem é alienado da condição laboral perde a noção da criatividade, da capacidade de inventar novas formas, que reduzam o tempo e aumentem a eficácia de um produto, ou novas ferramentas para fazê-lo. Sem a noção do vir-a-ser de algo, certas coisas parecem impossíveis. Quando mãos inábeis enxergam a justaposição perfeita das pedras, nas edificações incaicas, não pensam numa tecnologia perdida, projetam sua incapacidade de imaginação fabril na raça humana. _

MÁRIO CORSO
#2b00fe;">5 PESSOAS

O ser humano sempre foi e sempre será o centro de tudo. Não de forma egoísta, mas trabalhando pela compreensão de que felicidade e bem-estar têm dimensões individuais e coletivas, inseparáveis e necessárias para o desenvolvimento social e econômico.

6 SUSTENTABILIDADE

Buscar o resultado hoje sem comprometer o amanhã. (...) Ao mover uma peça, todas se movimentam. Mas, se uma estiver trancada, nada se mexe.

7 AMOR

O amor é, acima de tudo, o que se faz a partir dele. Sem amor não se chega lá. É a chave de ouro para todas as palavras definidas anteriormente. _

Serviço

O quê

Lançamento do livro A Busca - Os aprendizados de uma jornada de inquietações e realizações (Citadel Grupo Editorial)

Quando

Amanhã, das 17h30min às 21h

Onde

Fundação Iberê Camargo (Avenida Padre Cacique, 2.000, Porto Alegre)


terça-feira, 26 de novembro de 2024



26 de Novembro de 2024
CARPINEJAR

A torcida no jejum de títulos

Sou um devoto das torcidas do futebol. O clube se faz pela sua massa febril, passional, incansável. Eu me segurei para não chorar assistindo ao reencontro do Racing com um título internacional depois de 36 anos, apesar de abater um time brasileiro com que simpatizo.

No sábado, venceu o Cruzeiro por 3 a 1 na final da Copa Sul-Americana, em Assunção, no Paraguai.

Parecia que aquela torcida argentina iria engasgar de felicidade, parecia que iria tombar de ataque cardíaco, parecia que não aguentaria a celebração, parecia que jogaria para o alto os radinhos, os celulares, os fones de ouvido.

Foi um triunfo cheio de coincidências. Gustavo Costas, de 61 anos, comandou o Racing em sua quarta passagem pela casamata. Era ele que tinha ganhado o último certame fora do país, a Supercopa de 1988 contra o próprio Cruzeiro.

A história é cíclica, e garantiu ao veterano treinador o papel de predestinado. A taça deveria mesmo retornar pelas suas mãos. Testemunhando a folia das bandeiras brancas e azuis, entendi melhor o quanto a paixão é uma triagem dos torcedores.

Racing é um time que superou longas abstinências, como a de um título nacional por 45 anos - curiosamente o mesmo hiato que amarga o Internacional.

Isso dá lugar exclusivamente a admiradores incondicionais, soldados da linha de frente. Quem acompanha o milagre do Inter no Brasileirão, com a invencibilidade de 16 jogos, tem se encantado com o movimento fervoroso das arquibancadas. Nunca vi antes tamanho barulho, nunca vi antes tamanha adesão, nunca vi antes igual frenesi.

Trata-se de um povo sofrido, e absolutamente leal. Justamente porque se manteve leal durante o sofrimento. Cada partida lota como se fosse uma decisão. O jejum de títulos do Inter por oito anos, em vez de enfraquecer sua horda de fiéis seguidores, apenas a fortaleceu.

Só ficou quem é colorado raiz. Só ficou quem é colorado de alma. Só ficou quem tem um amor gigante, irreversível, inexplicável. Quem está no Beira-Rio é fanático. Quem está no Beira-Rio é doido de pedra. Quem está no Beira-Rio jamais desistirá de exibir sua filiação. É pai, filho ou neto do manto vermelho.

Que venha chuva ou sol na cabeça, estaremos lá, sentinelas de um escudo, cantando os hinos de guerra e de louvor.

Os simpatizantes, os passivos, os influenciados, os pouco praticantes debandaram no período sem nenhum caneco. Não suportaram a estiagem. Não resistiram à flauta. Sucumbiram à rotina, pois se mostravam presentes por capricho, devido a circunstâncias felizes e casualidades da glória.

Os torcedores de modinha surgem com as faixas no peito, para filmar as Ruas de Fogo. Os torcedores de verdade são os que apoiam nos piores momentos e tormentas, são os que engolem as cinzas frias do asfalto.

As derrotas têm o poder de eliminar a claquete de ocasião, de ostentação, de orgulho emprestado. Pois é muito fácil torcer quando a maré é boa, quando há conquistas com frequência. Não existe como determinar a pureza do sentimento. Difícil é torcer com entusiasmo diante dos revezes do esporte.

É improvável o tetra do Inter, dependente de resultados paralelos e de três complexas vitórias em cima de adversários diretos (Flamengo, Botafogo e Fortaleza), mas não é impossível. Nada é impossível para quem esperou tanto.

Talvez não seja neste ano, talvez seja no ano que vem, talvez no outro ano ainda: o que eu sei é que nada mudará a exuberância da torcida colorada. Ali só tem gente de garra. O que eu sei é que a nossa torcida merece a volta olímpica. Ali só tem gente de fé. _

CARPINEJAR


26 de Novembro de 2024
NÍLSON SOUZA

Parênteses

Oba! A Feira do Livro de Porto Alegre, encerrada na semana passada, registrou um aumento de 14% nas vendas de livros em relação ao ano anterior. (Sinal de que os impressos continuam resistindo à desproporcional concorrência dos meios digitais.)

Opa! Na véspera do encerramento da Feira, foi divulgada a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, mostrando que o país perdeu 7 milhões de leitores nos últimos quatro anos. (Não, essas pessoas não morreram! Apenas deixaram de ler livros.)

O paradoxo é desconcertante (se me permitem a redundância). Por que tantas pessoas compram livros se cada vez mais se lê menos? E não me venham com exceções (menos quem, cara-pálida?). Eu mesmo, confesso, tenho lido bem menos em relação ao que lia antes de carregar a telinha hipnotizadora no bolso.

A verdade verdadeira é que nossa atenção não dá conta de tantos atrativos. O Relatório Digital 2024, também divulgado recentemente, mostra que o brasileiro passa uma média de nove horas e 13 minutos por dia nas redes sociais. (O Brasil é o segundo país do mundo entre os que ficam mais tempo online.)

Mas o desinteresse pela leitura tem também um outro componente preocupante. O Censo Demográfico do IBGE (feito em 2022) revelou que 11 milhões de brasileiros acima de 15 anos não sabem ler nem escrever um simples bilhete. E o próprio Ministério da Educação, baseado em pesquisas de avaliação, admite que mais de 50% dos estudantes chegam ao 4º ano do Ensino Fundamental sem dominar as habilidades básicas da leitura (e sem entender o sentido de um texto elementar, incluídas aí legendas de filmes e placas de rua).

A falta de hábito de leitura das pessoas que convivem com as crianças é uma das razões do desapreço dos jovens por livros. Mas a causa maior, de acordo com especialistas, é o contato excessivo com as telas, sempre mais atraente do que o folhear de páginas impressas. O fenômeno tem nome: Parêntese de Gutenberg (teoria desenvolvida pelo professor dinamarquês Thomas Pettit para caracterizar o período entre a invenção da imprensa no século 15 e a atual era digital).

Apesar do sucesso da Feira do Livro, parece que ele está mesmo se fechando sobre nós. _

NÍLSON SOUZA

26 de Novembro de 2024
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

Deterioração prisional

O governo gaúcho está obrigado a dar uma resposta contundente ao caso do assassinato a tiros de um líder de uma facção por um bandido de um grupo rival na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), no sábado. Está desafiado ainda a tomar todas as medidas duras que forem necessárias para reverter o processo de domínio do complexo prisional pelas principais organizações criminosas do Estado e, de outro lado, a reforçar ações para evitar que o homicídio deflagre uma nova guerra sangrenta entre bandos inimigos nas ruas.

É imperioso esclarecer como a pistola usada no crime foi introduzida na Pecan e chegou às mãos do executor. Deve ser elucidado se informações privilegiadas facilitaram a ação e explicadas as falhas que levaram dois presos perigosos de facções contrárias a estarem na mesma ala da penitenciária. Essas são apenas algumas das questões em aberto que precisam ser aclaradas pelas investigações abertas, uma pela Polícia Civil e outra de cunho administrativo, pela Polícia Penal, por determinação da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo. Ontem, quatro servidores e um diretor foram afastados de suas atividades na unidade.

O caso também trouxe à tona o grau de degradação da Pecan, projetada para ser modelar no sistema penitenciário gaúcho, sem a presença de faccionados e onde uma significativa parcela da população carcerária exerceria algum tipo de trabalho prisional, facilitando a ressocialização. Informa-se agora que sobrevoos de drones são constantes, que três dos quatro módulos têm grande presença de membros de facções, que há policiais penais insuficientes para a quantidade de detentos e os scanners, que poderiam flagrar a tentativa de entrada de armas, não estariam funcionando. Ao que parece, a penitenciária planejada para ser exemplar sucumbiu aos mesmos vícios da maioria das casas prisionais do país. Torna-se dever do Estado retomar o controle e a disciplina e restabelecer a proposta original da Pecan.

Espanta a informação de que o grande número de faccionados na Pecan seria porque a penitenciária seria a única no Estado onde bloqueadores de celular funcionam. Assim, não conseguiriam se comunicar com comparsas. Ocorre que, em junho de 2022, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo prometeu que, até novembro daquele ano, 15 unidades prisionais, com cerca de 7 mil encarcerados, teriam o sistema instalado. O sobrevoo de drones também seria impedido. Em maio do ano passado, a promessa foi refeita e o prazo passou a ser 2024. Ao menos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) se aguarda que a tecnologia comece a ser empregada até o final do mês.

Espera-se da Secretaria de Segurança Pública ações ostensivas e de inteligência para impedir que o episódio seja o estopim de uma nova guerra entre facções. Não são apenas bandidos que morrem quando a violência explode. Pelo contrário. Não são poucos os casos de confrontos, vinganças e acertos de contas entre grupos rivais que acabam com vítimas inocentes. Foi o caso de Camila Lopes Fruck, 25 anos, que no fim de semana retrasado, na Restinga, na Capital, ficou entre o fogo cruzado de dois bandos. Chega a hora de o Estado agir com determinação. 



26 de Novembro de 2024
SISTEMA JUDICIÁRIO

Como práticas

restaurativas podem ajudar a mudar vidas

Sistema judiciário - primeira pauta rbs

Método de resolução de conflitos por meio do diálogo pode ser aplicado tanto na esfera criminal quanto em outros contextos. Estado recebeu estrutura pioneira em 2004

Quando Amarildo Moreira, 61 anos, relata sua experiência com a Justiça Restaurativa, fala também de acolhimento. Fruto de um contexto familiar marcado por violência e vulnerabilidade socioeconômica, ele foi detido pela primeira vez aos 14 anos e encaminhado para a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase).

Ao atingir a maioridade e ser solto sem passar por reabilitação, Amarildo seguiu cometendo crimes. Foi responsável por assaltos a bancos e chegou a figurar na lista dos 10 homens mais procurados do Estado. Preso, passou 32 anos em regime fechado antes de progredir para o semiaberto, no qual permanece até hoje.

Foi por meio da Justiça Restaurativa que enxergou a verdadeira possibilidade de um novo futuro. Ele e outros detentos passaram a participar de Círculos de Construção de Paz - rodas de conversa mediadas por psicólogos, advogados ou assistentes sociais que passam por uma formação específica.

- Foi justamente o farol onde consegui achar uma luz. Encontrei pessoas que não estavam ali pra questionar o que eu tinha feito, e sim me acolher e me ajudar a me posicionar e permitir que eu encontrasse os meus valores - conta.

Nova visão

Leoberto Brancher, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado, que participou em 2004 da criação do Núcleo de Justiça Restaurativa da Escola da Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), iniciativa pioneira no Brasil, define a Justiça Restaurativa como uma nova visão sobre o crime e o conflito que subverte a noção de punição e culpa.

- Ao invés de ter um foco na lei, no culpado e no castigo, você tem o foco no dano, na pessoa atingida e na reparação desse dano - explica. 

Saiba mais

A Justiça Restaurativa pode ser definida como um método de resolução de conflitos, e aplicada tanto na esfera criminal quanto em outros contextos, como em casos de bullying escolar ou de tensões entre familiares. A psicóloga e facilitadora de práticas restaurativas Rafaela Duso explica que a Justiça Restaurativa pode ser utilizada também como uma ferramenta de caráter preventivo.

Casos criminais podem chegar às mãos dos facilitadores de Justiça Restaurativa de diversas formas. Os próprios envolvidos nos casos podem requisitar a mediação por meio de práticas restaurativas para um juiz, que então avalia o caso. Além disso, o artigo 319 do Código Penal fundamenta a possibilidade de um juiz analisar a viabilidade da implementação da Justiça Restaurativa nos casos pelos quais é responsável, o que pode ocorrer em qualquer uma das fases do processo criminal.

Isso foi o que ocorreu no caso da advogada Daiane Vidor, 41 anos. Em 2002, ela, sua mãe e seu filho, que tinha oito meses, foram rendidos dentro de casa e assaltados por três infratores armados. No mesmo dia, os três foram detidos, e Daiane e sua família descobriram que eles eram seus vizinhos de bairro e dois deles eram menores.

Por sugestão do juiz Leoberto Brancher, Daiane e sua mãe aceitaram participar de uma série de diálogos com os dois menores, que haviam sido encaminhados para a Fase, e suas famílias. Na época, as práticas restaurativas ainda davam seus primeiros passos no Brasil, por isso o caso de Daiane é considerado pioneiro.

Para a vítima, o método foi um meio de processar o trauma e enxergar o lado humano dos infratores, até então vistos por ela apenas como ameaça. - Nos deu a tranquilidade de que, com eles, a gente não precisava mais se importar, porque não iam mais fazer aquilo - conta.

Esta reportagem foi produzida por Ana Claudia Gonzalez, aluna de Jornalismo na UFRGS e uma das cinco vencedoras da edição 2024 do projeto Primeira Pauta RBS



26 de Novembro de 2024
ENTREVISTA - Rodrigo Lopes

Recados de Baku para Belém

Encerro aqui, em Baku, a minha quinta cobertura de Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, as COPs. Antes, foram Buenos Aires (COP10, 2004), Montreal (COP11, 2005), Bali (COP13, 2007) e Dubai (COP28, 2023).

Comecei na 10ª edição, mas, no total, lá se vão 29 conferências do clima. O Protocolo de Kyoto venceu, as pessoas ainda não separam o lixo de forma adequada e muita gente ainda nega o impacto humano nas alterações do clima. Mas há avanços: as NDCs (em português, Contribuição Nacionalmente Determinada), o mercado de carbono, o engajamento do agronegócio nos debates a partir do Grupo de Koronívia, a inclusão da sustentabilidade na governança das empresas.

O quase fracasso de Baku não pode ensombrecer a trajetória até aqui. Se a ONU não consegue evitar guerras, como a da Ucrânia ou do Oriente Médio, ao menos o concerto do clima caminha - a passos lentos, é verdade, mas avança. Pode-se discutir o formato das COPs, sua frequência e efetividade, mas questionar sua existência é entregar o mundo à ganância do cada um por si - e, de alguma forma, todos perderão.

O Brasil em geral e Belém em particular têm desafios hercúleos de infraestrutura para sediar a COP30. Muito se fala da rede hoteleira da capital paraense, mas em Baku também faltaram cômodos - e muitos eram de péssima qualidade. O acesso funcionou graças ao transporte público eficiente, com ônibus reservados para os participantes - de graça - e faixas exclusivas nas vias, que permitiam fugir dos congestionamentos.

A segurança também foi ponto positivo - mas estamos falando de um país autoritário, com ecos soviéticos, então, é comum o militarismo nas ruas. Intramuros, o exército de voluntários foi o que fez a diferença: centenas de jovens compensavam o inglês precário com o sorriso. A gentileza, a simpatia de um povo, é, sem dúvida, o maior ativo do soft power de uma nação. Nisso, os azeris deram de goleada.

Ouvi, dias atrás, que, passadas as COPs, ninguém lembra se o hotel era bom ou ruim, se havia filas intermináveis e se o preço da comida era cara (aqui em Baku, era muito cara). O que fica de legado é a agenda. Depois de três COPs em países autoritários, a da Amazônia tem a oportunidade de ser a mais democrática, a mais conectada com o tema de que todos falam e poucos conhecem - a floresta - e, por que não, a mais efetiva. _

Entrevista

Roberto Ardenghy

Presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP)

"Preocupação é como limpar essa matriz energética"

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o gaúcho Roberto Ardenghy, conversou sobre o futuro dos combustíveis fósseis.

? Como vocês se posicionam em uma COP, em que petróleo e gás são, em geral, vilanizados?

Os combustíveis fósseis foram importantes e, realmente, criaram essa condição de aumento de temperatura do planeta pela emissão do gás de efeito estufa. Mas, ao mesmo tempo, geraram um modelo de civilização desde a Revolução Industrial, em 1750, a partir do carvão, depois com petróleo e hoje cada vez mais com o gás natural. Nossa preocupação é como podemos limpar essa matriz energética, como ela pode ser mais sustentável e mais descarbonizada. O Brasil já está bem porque 43% da nossa energia já é renovável: hidrelétrica, solar, eólica. Ao mesmo tempo, somos capazes de produzir petróleo com baixa emissão de CO2.

Como fazer a transição, sendo que o setor do petróleo no Brasil é esteio da nossa estrutura energética?

O petróleo e seus derivados são produtos altamente confiáveis, carga energética muito importante. Vai continuar sendo importante ainda, talvez não mais como mero gerador de energia, mas com uso industrial. Nossa preocupação é com a redução das emissões de CO2 a partir do petróleo. O mundo hoje consome 100 milhões de barris por dia de petróleo, vamos reduzir para cerca de 60 milhões em 2050.

Como isso vai ocorrer?

Alguns países vão produzir petróleo e exportar, outros, não. O diferencial será a descarbonização, a emissão de CO2 por barril produzido.

O fato de o Brasil estar descarbonizando o processo, na frente de outros, abrirá mercado para o petróleo nacional?

Abre mercado, porque, no futuro, a demanda será pelo produto descarbonizado. Terão um valor intrínseco.

E o gás natural como combustível da transição?

O gás natural tem essa importância grande porque é o combustível da transição energética. E temos no Rio Grande do Sul uma perspectiva positiva de produção de petróleo e gás natural na chamada bacia de Pelotas. Do lado de lá (do Oceano Atlântico), na África, já foi descoberta uma reserva importante na Namíbia de 6 bilhões de barris de petróleo. 

Os geólogos dizem que há boa perspectiva de descobertas ali. A Agência Nacional do Petróleo fez um leilão de áreas. Cerca de 22 blocos foram adquiridos pela Petrobras e por outras empresas internacionais e, nesse momento, está sendo feito o estudo geológico da região para ver se são identificados realmente depósitos relevantes de hidrocarbonetos. Pode ser a redenção do Estado. _

ENTREVISTA 

segunda-feira, 25 de novembro de 2024


25 DE NOVEMBRO DE 2024
CARPINEJAR

A sucessão

Muitas mulheres não querem ser mãe para não repetir a mãe que tiveram, muitos homens não querem ser pai para não repetir o pai que tiveram. Ou a inibição vem de um parâmetro negativo, para não reprisar traumas, ou de uma criação inspiradora, pelo medo de não chegar aos pés da figura tutelar. O bom e o ruim são igualmente limitantes.

O ponto salutar é que você pode optar por ter ou não ter filhos, não existe mais a tirania da procriação como etapa fundamental para a realização pessoal.

Avançamos nesse aspecto. Antes, mulher sem filhos era vista como incompleta, pela metade. Ser pai representava um sinônimo de virilidade. Casal que não conseguia engravidar virava proscrito, excluído da família, fracassado em seu propósito de multiplicação e preservação do sobrenome. Por décadas, a palavra estéril produziu calafrios.

Acabou a obrigação de deixar um herdeiro. A exclusividade do lar perdeu seu domínio para as múltiplas fontes de felicidade. Verifica-se a possibilidade soberana de decidir o futuro. Não há mais aquele constrangimento social para garantir uma aceitação dos seus pares, condicionando-o a seguir o rebanho. Não há mais um único caminho coletivo, mas vias individuais de acordo com um estilo de vida.

Porém, cabe ajuizar a respeito da fobia de uma prole por paralelos de experiência.

A comparação se revela totalmente ineficaz. Recusar a paternidade ou a maternidade por não se parecer com o seu pai ou com a sua mãe é desconsiderar os tempos distintos de criação.

É impossível ser mãe hoje como no ideário dos anos 1970. É impossível ser pai como na estrutura dos anos 1970. O contexto modificou as funções.

Você não tem como se espelhar em quem estava inteiramente em casa (já que, diferentemente de você, a pessoa não trabalhava fora). Ou em quem se mostrava ausente e vivia viajando (já que, diferentemente de você, terceirizava a criação para o cônjuge).

Tanto a presença feminina quanto a ausência masculina decorrem de tipos comportamentais de um período específico, de um moralismo datado, com convenções de um casamento que não vigora mais.

São falsos dilemas.

É preciso ser pai e mãe na contemporaneidade, diante do excesso tecnológico e do fluxo de divisão de responsabilidades e tarefas. Você irá enlouquecer se pretende conciliar uma carreira e dedicação total aos filhos.

A culpa por não dar o que recebeu não deve reinar. Será impraticável cozinhar para os filhos, faxinar, lavar e passar as roupas tendo um serviço fixo. É pedir demais. Não se sinta menos em relação às gerações anteriores.

Experimentamos a era das babás, das escolinhas e creches, do revezamento. E não há nenhum pesar em distribuir os cuidados para alcançar o sucesso profissional e afetivo. Minha mãe me amamentou até os dois anos. Não deseje amamentar um filho até essa idade.

Como aspirar a se tornar um avô ou avó à moda antiga, por exemplo, se com 60 anos você ainda será profundamente ativo? A aposentadoria é cada vez mais rara e tardia.

Da mesma forma, se os seus pais foram prejudiciais, com brigas e discussões intermináveis, com um ambiente tóxico de desamor, entenda que o divórcio e a saúde mental constituíam tabus. Não se frequentava terapia preventivamente, semanalmente. Varriam-se os problemas para baixo do tapete ou para o coração das crianças. Não havia conhecimento sobre narcisismo, bipolaridade, borderline. Compreendíamos os surtos como manifestações de desprezo e rejeição.

Então, você tampouco corre o risco de se equiparar nos maus-tratos, pois desfruta de instrumentos para a auto-observação e melhoria da convivência. Escolha não ter filhos por você, e nunca por receio de adotar os modelos extintos de seus antecessores. 

CARPINEJAR 

25 de Novembro de 2024
OPINIÃO RBS

OPINIÃO RBS

A recuperação em curso

Trouxe novo alívio a informação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que o desemprego caiu no Rio Grande do Sul no terceiro trimestre em relação aos três meses imediatamente anteriores, depois de duas altas consecutivas. É mais um dado alentador a confirmar que a economia gaúcha vem conseguindo se reerguer após a enchente de maio, em uma velocidade acima do que se projetava nas semanas seguintes à tragédia climática. A taxa de desocupação entre julho e setembro no Estado recuou para 5,1%, após marcar 5,9% no segundo trimestre, período da cheia. É o menor percentual para o período desde 2013.

Nos próximos dias, deve ser conhecido o resultado de outubro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que acompanha a dinâmica das vagas com carteira assinada. Entre maio e junho, 30,5 mil postos de trabalho formais acabaram destruídos. Os três meses posteriores foram positivos, com uma abertura acumulada de 27,3 mil ocupações. É bastante possível que o Caged mostre que o Rio Grande do Sul conseguiu compensar os desligamentos do período mais crítico após a inundação.

Outros indicadores apontam para a reação da atividade. Os impulsos vêm do consumo, da agricultura e da produção industrial. A arrecadação de ICMS, principal tributo recolhido pelo Estado, foi nos meses de julho, agosto e setembro 16% superior ao mesmo período de 2023. O desempenho do setor manufatureiro, medido pela Fiergs, mostrou que, nos quatro meses após a cheia, houve crescimento em três e as fábricas já estão no patamar de abril, antes do evento extremo.

O comércio gaúcho também mostra números fortes. Conforme o IBGE, o volume de vendas subiu 0,9% em setembro sobre agosto, atingindo o maior patamar da série histórica. O crescimento acumulado no ano chegou a 7,5%. Deve-se atentar, porém, que existiu um impulso de consumo gerado pela transferência governamental de renda às famílias para recomposição de bens de primeira necessidade perdidos ou danificados devido à enchente. 

Assim, não se descarta uma desaceleração à frente. Os serviços, segmento de maior peso no PIB, demonstram vigor e perspectivas animadoras. Registraram alta nos últimos três meses e os números a partir de outubro tendem a melhorar devido à reabertura do Salgado Filho. O retorno dos pousos e decolagens na Capital tem impacto positivo para uma ampla gama de negócios, como os ligados ao turismo e a eventos. Do campo, da mesma forma, vêm projeções otimistas de aumento da safra de grãos em relação ao ciclo anterior de 12%, de acordo com o IBGE, e de 3,3%, pelas projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A economia como um todo se levanta, mas ainda é uma reação heterogênea entre os setores e não se pode esquecer que muitas empresas atingidas pela enchente ainda lutam para sobreviver. O próprio mercado de trabalho traz um alerta. A desocupação caiu, mas bastante influenciada pela informalidade. Isso demonstra falta de confiança ou dificuldade de parte dos empregadores. A conjuntura nacional também traz os desafios do ciclo da alta do juro e da ameaça de uma inflação acima da meta. São fatores que podem comprometer a velocidade da recuperação. 


Respostas capitais

"Trump pode colocar gente muito radical no governo, com impactos graves"

Welber Barral - Ex-secretário de Comércio Exterior e sócio-fundador da consultoria BMJ

Depois de uma semana em que o papel do Brasil no Exterior foi testado à exaustão, é bom avaliar os resultados e os desafios que nos esperam. Barral ainda vê chance de fechar o acordo Mercosul-União Europeia, mas é cético. O que mais teme são os efeitos de uma guerra comercial declarada por Donald Trump.

Há certo consenso de que a reunião de cúpula do G20 no Brasil foi um sucesso, mas qual é seu efeito prático?

O G20 é um grupo político. A ideia é juntar as maiores economias do mundo e buscar consensos sobre alguns problemas urgentes. Como já houve situações em que não se conseguiu sequer chegar a uma declaração final, é de fato uma vitória da diplomacia brasileira só por sua obtenção. E ainda incluiu temas importantes para o Brasil, como o combate à pobreza e a reforma dos organismos multilaterais.

Qual foi o resultado da visita do presidente da China, Xi Jinping?

Teve várias questões relevantes. A primeira é que foi uma visita de Estado do presidente chinês, uma das figuras mais importantes da diplomacia mundial graças ao poder que a China vem ganhando. Depois, foram assinados acordos de cooperação tecnológica, nas áreas de educação e cultura. Alguns são mais genéricos, outros com impacto efetivo, como a certificação de mais frigoríficos brasileiros para exportar para a China.

Qual é o interesse do Brasil em assinar com a Skysail, concorrente da Starlink?

O Brasil quer fazer acordos nessa área para desenvolver a indústria espacial. Os satélites da Skysail são de baixa órbita, que servem para vigilância, comunicação. E tem uma oportunidade de cooperação. O Brasil tem um programa importante no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), então um desenvolvimento conjunto é estratégico para o Brasil.

O Brasil acertou ao fazer acordos com a China mas ficar fora da nova rota da seda?

A avaliação da diplomacia brasileira foi correta. Neste momento, não vamos ter grandes ganhos com a entrada. Em termos comerciais, o Brasil já tem a China como principal parceiro, vendendo muitas commodities (matérias-primas básicas, sem elaboração). A tarefa do Brasil é diversificar as exportações, e isso não depende da China. Em investimentos, o Brasil também já é bastante aberto, a adesão não mudaria muita coisa. Não havia motivo para entrar agora na rota.

? Mas não jamais?

A tendência é de que a relevância chinesa cresça.

Havia expectativa da China de que o Brasil entrasse?

Sim, a embaixada chinesa se mobilizou muito para um anúncio durante a visita de Xi. Mas o Brasil avisou com antecedência que não aconteceria desta vez.

Com forte resisstência ao acordo Mercosul-União Europeia, há possibilidade de acerto neste ano?

Possibilidade existe. O que está pendente é a negociação sobre a side letter, uma carta de compromisso na área ambiental. O texto proposto pelos europeus é muito duro, o que o Mercosul quer é mais vago. Além disso, há uma pendência sobre compras governamentais. Se houver vontade política, nada disso é impeditivo. Não é a França que resolve, é a Comissão Europeia (órgão executivo do bloco europeu, como se fosse o gabinete de governo de um país com regime de governo parlamentarista).

Não precisa consenso?

São duas coisas diferentes. O acordo econômico precisa ser aprovado pela comissão e pelo parlamento. O acordo global, com a parte política, de cooperação e investimentos tem de passar por todos os parlamentos. Esse não passaria.

Existe risco de guerra comercial com Trump?

Ele prometeu aumentar as tarifas contra países que exportam para os EUA, principalmente a China, poderia chegar a 60%. Isso pode gerar um efeito de retaliação cruzada. Existe de fato risco de guerra comercial. Isso aconteceu nos anos 1930 e foi uma tragédia. Trump falou principalmente nos países que tem muito superávit com os EUA, o que não é o caso do Brasil. Temos déficit. Esse tipo de decisão não passa pelo Congresso americano, é do presidente, do Departamento de Comércio. Mas existe a expectativa de que o Congresso possa fazer alguma pressão para moderar.

A indicação da equipe não sugere qualquer tipo de moderação, não?

Sim, ao contrário do primeiro mandato, quando ele indicou congressistas, gente experiente, que eram chamados de ?adultos na sala?, agora está escolhendo os que têm fidelidade a ele. Isso é consenso entre os analistas. Trump pode colocar gente muito radical no governo, com impacto grave no comércio internacional. 

GPS DA ECONOMIA 


VITÓRIA DA ESQUERDA

Em pleito apertado, Yamandú Orsi é eleito presidente do Uruguai

Vitória da esquerda

Candidato da opositora Frente Ampla enfrentou Álvaro Delgado, do Partido Nacional. O eleito tomará posse em 1º de março e substituirá Lacalle Pou

O professor de história Yamandú Orsi, de centro-esquerda, venceu o segundo turno das eleições presidenciais uruguaias ontem e será o próximo presidente do país. Por volta das 22h de ontem, com 92% das urnas apuradas, Orsi tinha 49,56% dos votos, enquanto Álvaro Delgado estava com 46,17%. A apuração não havia encerrado totalmente até o fechamento desta edição.

O herdeiro político do ex-presidente e militante de esquerda, José "Pepe" Mujica, derrotou o adversário de centro-direita, Delgado, apoiado pelo presidente, Luis Lacalle Pou, que tem um nível de aprovação acima de 50%, mas está impedido constitucionalmente de disputar a reeleição.

Em sua conta no X, Lacalle Pou felicitou Orsi: "Liguei para felicitá-lo como presidente eleito do nosso país e colocar-me às suas ordens e iniciar a transição assim que entender pertinente".

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também publicou no X: "Quero congratular o povo uruguaio pela realização de eleições democráticas e pacíficas. Essa é uma vitória de toda a América Latina e do Caribe. Brasil e Uruguai seguirão trabalhando juntos no Mercosul e em outros fóruns pelo desenvolvimento justo e sustentável, pela paz e em prol da integração regional."

O novo presidente deverá assumir no dia 1º de março e irá receber uma economia forte que deverá crescer 3,2% este ano, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A inflação também diminuiu nos últimos meses.

Embora prometa forjar uma "nova esquerda" no Uruguai, Orsi não planeja mudanças drásticas. Diferentemente do atual presidente e do adversário Delgado, ele prefere negociar qualquer acordo com a China por meio do Mercosul.

Orsi propõe incentivos fiscais para atrair investimentos e reformas da previdência social que reduziriam a idade de aposentadoria, mas não chegam a uma reforma radical buscada pelos sindicatos do Uruguai.

Perfil

Em 1991, Orsi formou-se professor de história e lecionou em escolas de Ensino Médio até 2005, quando iniciou sua carreira no governo de Canelones, primeiro como secretário-geral por quase 10 anos e depois como prefeito por dois mandatos.

Ele renunciou ao cargo para disputar as internas partidárias da Frente Ampla em junho, que venceu com mais de 60% dos votos, superando a ex-prefeita de Montevidéu Carolina Cosse.

Orsi aderiu, em 1989, ao Movimento de Participação Popular fundado por Mujica, hoje principal partido da coalizão. _


25 de Novembro de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Aquém do esperado

Ao longo das quase 30 horas de prorrogação da COP29, até que se alcançasse a assinatura do documento final, negociadores, observadores, ambientalistas e jornalistas, aqui em Baku, chegaram a acreditar na frase "no deal is better than a bad deal" (em português, "nenhum acordo é melhor do que um acordo ruim").

A expressão norteou, em alguns momentos, a estratégia de negociação intramuros de algumas delegações. Por exemplo, os países-ilhas, aqueles que sofrem primeiro os efeitos mais dramáticos das mudanças climáticas e que correm risco de desaparecer, chegaram a deixar a sala de negociação para demonstrar sua insatisfação. Foram seguidos por 45 nações menos desenvolvidas entre o heterodoxo grupo chamado "em desenvolvimento". Àquela altura, a meta de financiamento climático (NCQG) expressa no rascunho era de US$ 250 bilhões anuais concedidos pelos países desenvolvidos às nações em desenvolvimento.

O espectro do fracasso pairou sobre Baku nessas 30 horas. Não que adiamentos sejam incomuns - não é fácil alcançar consenso entre interesses tão díspares entre mais de 190 países. Em Madri, na COP25, o texto final só saiu depois de 44 horas além do tempo normal.

O que mais preocupa em Baku é a sensação de que o racha no sistema internacional nunca antes foi tão profundo. Três anos de discussões e duas semanas a portas fechadas, para quê?

Ao final, houve um acordo ruim. Os US$ 300 bilhões anuais estão muito aquém do necessário, segundo a própria ONU, para medidas de adaptação e transição energética. Pior do que isso: não há garantia alguma de que as nações desenvolvidas irão desembolsar esse valor. Já não o fazem desde 2009.

O cenário é ainda mais tenebroso diante da geopolítica atual: a volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, e o recrudescimento das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O fracasso não é total em Baku (porque, apesar dos altos e baixos, um acordo foi ruim, mas é ainda melhor do que não tê-lo). Mas o caminho até a COP de Belém será suado. A COP da Amazônia colocará à prova a capacidade da diplomacia brasileira de evitar o colapso do diálogo para o clima. Em Baku, isso não ocorreu por muito pouco. _

01

Entrevista

Igor Normando

Prefeito eleito de Belém

"A COP das COPs vai acontecer na Amazônia"

Igor Normando (MDB) foi eleito prefeito de Belém (PA) no pleito de outubro e terá a missão de sediar a próxima COP30, em novembro de 2025. Apoiado pelo primo, o governador Helder Barbalho (MDB), Normando assumirá em janeiro. Ele conversou com a coluna sobre os desafios de preparar a cidade para receber o evento global.

O senhor se sente preparado?

Olha, é um grande desafio, mas também uma grande oportunidade para que a gente possa mostrar Belém para o Brasil e para o mundo. Belém, depois da COP30, vai ser a capital da Amazônia, e a gente precisa fazer com que se possa ser não só um atrativo para a discussão climática, do ambiente, mas também para o turismo. Vai ser uma oportunidade para que a gente possa desenvolver a nossa cidade para as pessoas que vivem nela e para aquelas que, porventura, irão nos visitar.

É a primeira vez que o senhor vem a uma COP?

É a primeira vez e saio daqui com a certeza de que temos não só a condição de sediar o evento, como de mostrar para todo mundo que a COP das COPs vai acontecer na Amazônia e em Belém do Pará.

Há alguma coisa que o senhor viu nesses dias que já pensa que não pode faltar em Belém?

Enquanto muitos discutiam que não teríamos condições de realizar a COP, saio daqui com a certeza de que vamos fazer uma das melhores COPs que já existiram. Vamos estar fazendo a discussão sobre o clima e o meio ambiente na capital da Amazônia. Só por esse fator já é algo extraordinário. E as pessoas precisam conhecer de fato aquilo do que elas estão falando. Muita gente que participa das COPs, que se interessa pelo tema, contribui para o desenvolvimento sustentável, mas não conhece aquilo que mais discutem, as florestas. Quem vai para a COP em Belém vai ter a certeza de que vai conhecer os rios da Amazônia, a floresta amazônica e a capital do pulmão do mundo. Com todas as suas problemáticas, mas também com as suas soluções.

O senhor acha que a cidade está preparada?

Posso garantir que vamos ter todas as condições para receber as pessoas. Não vamos ser a Dubai, Paris. Vamos ser a capital da floresta. Quem vai atrás de grandes prédios, hotéis, de obras suntuosas, não vai encontrar. Vai encontrar floresta, gente acolhedora, uma cultura diversa, culinária indescritível e vai fazer a discussão de meio ambiente e do clima onde realmente acontece a preservação.

O senhor é oposição ao governo atual. Tem alguma coisa que vai refazer?

Se fosse mudar algo, prejudicaríamos o andamento da COP. As obras prioritárias, talvez eu pudesse ter escolhido outras. Porém, como já foram escolhidas, já tem aporte garantido, já com licitação, mesmo com lentidão, tenho a obrigação de concluir. Meu papel é garantir que a gente tenha manutenção da cidade para receber bem os turistas, garantir à nossa população mais qualidade de vida e que as obras que foram prometidas sejam entregues. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 23 de novembro de 2024


23 de Novembro de 2024
COMPORTAMENTO

COMPORTAMENTO

Em ouro e veludo roxo, a coroa por si só já é uma homenagem à cidade: seu formato é inspirado no diadema que encima o brasão de Porto Alegre, com cinco torres que lembram uma muralha medieval. A peça foi encomendada pela prefeitura em 1970 e confeccionada pelo joalheiro de Caxias do Sul Júlio Andreazza, com o custo de 5 mil cruzeiros e pesando quase um quilo. As informações constam em documentos que também estavam mantidos no cofre.

Em valores atuais, calculando conforme o Índice Geral de Preços, o número equivaleria a R$ 60 mil, estima o ex-superintendente do Tesouro Municipal, Paulo Roberto Fontoura, local que abrigou a coroa há alguns anos. Mas ele faz a ressalva de que, por seu componente histórico, o valor do item é inestimável.

Até a década de 1970, o concurso que escolhia a miss da Capital dava faixa à vencedora, mas não tinha coroa. Isso mudou quando a prefeitura se envolveu mais com a seletiva de beleza, como registrado no Diário de Notícias de 19 de abril de 1970, na qual foi anunciado: "O reinado de ?Miss Porto Alegre? terá a partir dêste ano uma coroa de ouro para significá-lo plenamente".

Quem estreou

Quando a recebi, fiquei encantada. Achei que miss levava a coroa para casa, né? Mas aquela não. Cada vez que terminava algum compromisso como Miss Porto Alegre, sempre a entregava para alguém - relembra Jane.

Já Denise Cezimbra, escolhida como Miss Porto Alegre em 1973, se recorda bem do peso da coroa, que não era das mais confortáveis de usar. Durante o seu ano de reinado, ela lembra que foi autorizada a deixar a coroa guardada em um cofre, no banco.

Sem paradeiro

O adereço foi motivo de polêmica, conforme veiculado na Zero Hora de 12 de agosto de 1981. Na nota dizia-se que a joia, dada como desaparecida, se encontrava em poder dos Diários e Emissoras Associados do Rio Grande do Sul, que realizavam o concurso à época, e que teria sido doada ao grupo pela prefeitura.

Já na coluna Informe Especial de ZH, datada de 5 de setembro de 1999, uma nota intitulada "Mistério" afirmava: "O vereador João Dib (PPB) resolveu dar uma de Sherlock Holmes. Quer descobrir onde foi parar uma coroa de ouro que pertence ao município e que era utilizada anualmente na coroação da Miss Porto Alegre". O vereador tinha a informação de que, até 1985, a peça havia estado sob a guarda da Secretaria Municipal da Fazenda e queria saber se continuava lá ou se teria tomado outros rumos.

Dois dias depois, uma nova nota foi publicada na coluna, desta vez com o título "Mistério resolvido", na qual o então secretário da Fazenda, Odir Tonollier, informava que a peça continuava "muito bem guardada, naquela secretaria".

Em 21 de outubro de 2003, novamente o assunto do sumiço veio à tona, desta vez pelo jornalista Fernando Albrecht, no Jornal do Comércio. Na nota "Procura-se uma coroa", diz que desde 1972 não se teria notícia do item.

Reencontro

- Recebemos uma ligação do Tesouro Municipal dizendo que tinha uma coroa lá, que é um patrimônio histórico e que a Cultura deveria ficar com ela para o seu acervo - conta Renato.

A mando do então secretário da Cultura, Luciano Alabarse, Renato buscou a coroa, que foi então oferecida ao Museu de Porto Alegre e ao Arquivo Histórico. O assistente administrativo relata que, por falta de um expositor adequado, esses órgãos recusaram a oportunidade de tê-la em suas coleções.

- Já que esse cofre da secretaria não estava sendo utilizado, pensamos: "Vamos guardar. Em algum momento, essa coroa vai voltar à vida" - recorda Renato.

O momento talvez tenha chegado. De acordo com Juliana Wagner, arquiteta que atua na Diretoria de Patrimônio e Memória do município, será feita uma pesquisa para confirmar informações e, então, tentar colocar a coroa em exibição. _

Letícia Paludo


23 de Novembro de 2024
SARA BODOWSKY

Moda e música - Festival e feiras na Cidade Baixa

Domingo tem Festival de Blues na Rua João Alfredo, entre a Joaquim Nabuco e a Lopo Gonçalves, em um evento que rola das 11h às 22h reunindo bandas aqui de Porto Alegre. São elas: Mimi Poa Blues, Juçara Blues, Banda Gata Maria, Eletroacordes, Amigos da Pinel, Cezar Santos e Love the Psycho. Os shows começam a partir das 14h.

Junto com o Festival vão rolar as feiras Brick de Desapegos e Coletivo de Rua, reunindo mais de 40 expositores entre moda, arte, design, decoração e variedades. Na gastronomia, comidinhas de rua e cervejas artesanais.

Para acompanhar a programação e as marcas que estarão por lá é só acessar os perfis no Instagram @caospoa, @brickdedesapegos_ e @coletivoderua.cc. _

No último fim de semana experimentei um jantar como há muito tempo não vivia. Fui conhecer o novo restaurante de Canela, o Vivamo Enogastronomia, com a promessa de um menu de passos capitaneado pela chef Glau Zoldan, formada pelo Le Cordon Bleu e especialista em cozinha autoral com influência francesa.

Pois o que encontrei foi essa profusão de sabores em alta gastronomia e também muita alma e emoção. Tanto na criação dos pratos por toda a brigada de cozinha, quanto na paixão da equipe de salão e da gerente Gabi Zoldon pela proposta, mas também na escolha dos vinhos pelo sommelier Rafa Magalhães e seus parceiros de adega. A chef Glau coloca amor e muita vida na sua cozinha - já que é tamanha a paixão que trocou a vida de executiva pela culinária.

São dois menus oferecidos pelo restaurante - um com 11 passos, que precisa ser reservado até as 13h do dia escolhido, e um com cinco etapas, que não precisa ser reservado. Todos têm opção vegetariana.

Preciso falar mais para vocês sobre a adega do Vivamo. Além de vinhos ícones de todo o mundo, Rafa me mostrou um carinho especial na escolha de rótulos gaúchos de alta qualidade, usualmente de vinícolas boutiques não tão conhecidas do grande público.

Que grande noite. Longa vida ao Vivamo e a essa equipe.

O restaurante fica na Rua Jacob Adamy, 77, Vila Suíça, e abre nas quintas, sextas e nos sábados das 19h às 23h. Reservas e informações no site vivamo.com.br ou pelo telefone (54) 2137-5208. O perfil do espaço no Instagram é o: @vivamogastro. _

Canela - Alta gastronomia com muita alma

Artesanal - Dez anos de Cerveja Veterana

SARA BODOWSKY