sábado, 22 de novembro de 2025


22 de Novembro de 2025
DRAUZIO VARELLA

O STF e os aditivos saborizantes no cigarro

Misturar ao fumo produtos químicos com gosto de chocolate, sorvete de creme, framboesa e outros sabores ao gosto da criançada é perversidade inominável. Lidar com vendedores de drogas ilícitas é tarefa complexa, como demonstraram os acontecimentos recentes no Rio de Janeiro. Enquanto houver dependentes químicos dispostos a qualquer sacrifício para comprá-las, existirão traficantes decididos a correr riscos para vendê-las.

O mesmo acontece no comércio das drogas lícitas. O caso dos vendedores de nicotina, droga causadora de uma das dependências mais avassaladoras, é semelhante. A diferença é que os primeiros ficam sujeitos à repressão policial e às masmorras que chamamos de presídios, em nosso país, enquanto os outros podem andar de terno e gravata e fazer propaganda com liberalidade, para viciar nossas crianças e adolescentes.

Quando fiz 17 anos, acendi o primeiro cigarro e cai nas garras dos fornecedores, dependência química que me subjugou por 19 anos, no ritmo de um maço por dia.

Por ridículo que possa parecer, naquele tempo começávamos a fumar sem saber sequer que fazia mal. Éramos estúpidos? Talvez, mas a indústria tabaqueira é quem dava as cartas nos meios de comunicação de massa. Pobre do jornal, da revista, da estação de rádio ou de TV que ousasse publicar ou levar ao ar uma notícia ou entrevista que explicasse a relação causal entre fumo, câncer, ataques cardíacos, AVCs e outras doenças graves. A insubordinação era punida com o corte imediato das verbas publicitárias.

A peso de ouro, as propagandas exibiam mulheres encantadoras em poses sensuais, jovens praticando esportes e homens na maturidade em iates ou cavalgando corcéis fogosos. As marcas eram associadas ao sucesso, à liberdade, à força física e à saúde. Graças a essa estratégia perversa, viciaram em nicotina milhões de crianças e adolescentes em nosso país. Cerca de 90% dos usuários tinham menos de 18 anos (proporção que se mantém até hoje). Não é à toa que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como doença pediátrica.

Em combinação com essas armadilhas, os fabricantes implantaram a estratégia de acrescentar aditivos ao fumo, para disfarçar o sabor aversivo da fumaça. Misturar ao fumo produtos químicos com gosto de chocolate, sorvete de creme, framboesa e outros sabores ao gosto da criançada - além do mentol para trazer sensação de frescor à garganta irritada pela fumaça - é perversidade inominável.

As quantidades desses aditivos em cada cigarro são altas. Faltam estudos para avaliar os subprodutos resultantes de sua combustão. Alguns deles têm atividade carcinogênica documentada em sistemas experimentais. Certamente, fumar cigarros com aditivos é ainda mais perigoso.

Em 2012, com base numa infinidade de evidências científicas, a Anvisa proibiu o uso de saborizantes nos produtos de tabaco. Desde então, a aplicação dessa norma da agência tem sido adiada por conta de ações judiciais movidas pela indústria do fumo e seus asseclas. Atualmente, mais de 40 delas tramitam na Justiça, numa demonstração clara da participação dos fabricantes. A consequência do esforço para impedir que a norma da Anvisa seja obedecida foi o registro de mais de 1,1 mil produtos de tabaco com aditivos para serem comercializados no mercado brasileiro.

Esse absurdo foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), instância em que o ministro Cristiano Zanin pediu vistas do processo, há alguns meses. Como o prazo para a devolução está para se esgotar, o julgamento será retomado.

Duvido que haja uma só leitora ou leitor da coluna de hoje que aprove um crime desses, cometido contra nossas crianças e nossos adolescentes com a única finalidade de torná-los dependentes químicos de uma droga legalizada que lhes trará sofrimentos pelo resto da vida e morte precoce. Os estudos mostram que o cigarro encurta em média 10 anos a vida de uma mulher, e 12 anos a de um homem.

Em 37 anos de convívio com usuários de crack nas cadeias de São Paulo, aprendi que é mais difícil largar do cigarro do que do crack. Em 50 anos tratando de pacientes com câncer, cansei de ver gente esclarecida morrer sem conseguir se livrar dessa praga. Como ex-fumante, experimentei na pele o desespero que a abstinência de nicotina provoca no dependente.

A indústria do fumo comete crimes continuados contra a saúde pública há pelo menos um século. Caberá aos ministros do Supremo decidir se vão dar cobertura a mais este. 

DRAUZIO VARELLA

22 de Novembro de 2025
J.J. CAMARGO

A figura do cuidador

Um dos pilares no trabalho de um médico é o acolhimento explícito, que gera a certeza da permanência como derradeira retaguarda. "Às vezes, o maior ato médico é simplesmente não ir embora." (Luke Fildes)

A futilidade das relações pessoais pode se expressar de várias maneiras. Em nenhuma situação ela é tão danosa como quando um dos envolvidos está fragilizado. A Maria Amélia provou um modelo cruel porque, além do descaso, ainda viveu uma terrível reversão de expectativa. E a mim sobrou a má sorte de ter indicado o algoz do seu ingênuo entusiasmo.

- Na semana passada, com uma crise de dor que não passava, estive no consultório três vezes, e ele foi um amor. Até que chegou a sexta-feira! - disse ela. - Depois de uma pausa para recompor fôlego e ânimo, ela completou: - Insegura pela demora em superar a crise, e assustada pela proximidade do fim de semana, perguntei: o senhor poderia fazer o favor de me dar o número do seu celular para alguma emergência? Ele mudou o tom de voz e, irritado, me disse: "Crises fora de hora se tratam em emergências. Que aliás, existem para isso!".

Dei um tempo em silêncio e esperei que ela anunciasse que tinha terminado o desabafo. Não tinha. Ela ainda estava com a indignação a meio pescoço:

- Enquanto aparentemente escrevia o endereço da tal emergência, ele conseguiu ser mais cruel quando disse com ar de deboche: "Quem sabe a senhora trata de melhorar para não precisar mais de nenhuma consulta?". Levantei, girei nos calcanhares e fui embora, furiosa.

O comentário final mostrou que ao menos o senso de humor estava de volta, intacto: - Caminhando a passos largos a caminho de casa, descobri que a raiva aumenta muito a força das minhas pernas.

Não tendo justificativa possível, me limitei a ouvir, esta que é última atitude solidária diante do absurdo. Tudo mais que se dissesse perdera o sentido, porque aquele olhar afiado de "esse tipo nunca mais" estava sacramentado pela violação de um dos pilares do cuidado do outro, que só completa se for incondicional: o acolhimento explícito, que gera a certeza da permanência como derradeira retaguarda.

E o cotidiano está repleto desses exemplos didáticos, em que a presença do cuidador é essencial e inadiável. Com mais ou menos glamour, mas com o mesmo significado para os envolvidos, isso ocorreu no naufrágio do Titanic com o comandante priorizando a saída dos passageiros, ou no pouso do avião avariado no Rio Hudson em Nova York, ou, bem recentemente, no incêndio bizarro em Porto Alegre de um ônibus lotado de estudantes de Vacaria, em que todos sobreviveram ilesos, porque a fuga foi orientada por um dos meninos com treinamento de bombeiro mirim. E no final da fila estava ela, a guardiã natural dos nossos filhotes, e última a sair: a professora, anônima, indefectível e silenciosa.

Sem crachá, muitas vezes fica difícil identificar esses invisíveis que circulam por aí, sem alarde, saciados pelo fascínio de cuidar do outro. 

J.J. CAMARGO

Foco

Parece coreografia de piscina de resort. Todos para a direita, todos para a esquerda. Mãos para o alto, balança a cintura, dobra a perna. O Congresso tem vivido dias de dançar conforme a música tocada nas redes sociais. Na tentativa de responder a tudo, apressa debates e, muitas vezes, os abandona com a mesma rapidez com que um story desaparece do Instagram.

Quando o youtuber Felca escancarou o que muitos se recusavam a enxergar, o holofote ficou por semanas sobre a adultização de crianças e adolescentes. O tema, antes empurrado na fila, virou pauta urgente. Projeto votado, aprovado e transformado em lei para proteger menores no ambiente digital. É positivo tirar assuntos relevantes da gaveta, mas também revela que foi preciso um maestro externo para que a priorização acontecesse.

A operação da Polícia Federal que expôs a roubalheira comandada de dentro do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nos últimos anos exigiu que governo e Congresso corressem atrás de informações e até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Neste mesmo ano, a fila do INSS chegou ao maior patamar. O esforço para conter a corrupção acabou travando ainda mais a razão de existir do órgão, que há tempos não atende a população como deveria.

O vento também soprou forte sobre outro assunto urgente. Só depois de uma megaoperação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, com mais de uma centena de mortos e outra de presos, o Congresso voltou a olhar para o endurecimento de penas contra facções criminosas. Foi preciso o choque das imagens e dos números para que o projeto, parado havia meses, voltasse a andar. Por outro lado, as fraudes do Banco Master e do BRB, mostradas nessa semana, ainda não geraram essa reação dos parlamentares brasileiros.

Mesmo assim, prefiro olhar o lado bom. Talvez Brasília esteja finalmente ouvindo e enxergando o que acontece fora do mundo mágico dos privilégios próprios. O Brasil precisa de uma agenda estratégica, que mire o que é prioridade agora e também o que será fundamental nos próximos anos. É necessário escutar o que a população quer e precisa, e não apenas o que viraliza no calor do momento. Não são debates de três minutos nem vídeos com milhões de visualizações que vão fazer o futuro do nosso país.

Sabemos que 2026 terá pauta única. A eleição para Câmara, Senado, Presidência, Assembleias e governos estaduais vai tomar conta de todo o debate nacional. Até lá, o desafio é que os passos dessa dança não sigam apenas o ritmo da internet, mas o ritmo real do país. _

ANDRESSA XAVIER 


22 de Novembro de 2025
EUGÊNIO ESBER

Washington, temos um problema

O relator do projeto de lei antifacção, aprovado nesta semana por ampla margem de votos na Câmara dos Deputados, não ousou enquadrar multinacionais do crime, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, como "organizações terroristas". Não foi por falta de convicção do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), e sim porque o consórcio STF-PT é terminantemente contra, alegando - acredite se quiser - risco à soberania brasileira. A Argentina e o Paraguai, em exemplo que deve ser seguido por outras nações vizinhas, não tiveram esse receio. 

Logo que a polícia do Rio travou um confronto armado com o Comando Vermelho, que eliminou 117 e prendeu outros 121 bandidos que depuseram seus fuzis de guerra, os presidentes Santiago Peña e Javier Milei anunciaram medidas que consideram o PCC e o CV aquilo que de fato são - organizações terroristas. Com isso, reforçam medidas de controle na fronteira com o Brasil e dizem ao mundo livre que têm real interesse em contar com a cooperação internacional para não se tornarem narcoestados como a Venezuela, hoje cercada por uma impressionante força militar que recebeu de Donald Trump a missão de desalojar do poder "El Súper Bigote" Nicolás Maduro, presidente ilegítimo do país e apontado por Washington como chefe do Cartel de los Soles.

O projeto de Derrite traz avanços inegáveis para o combate aos faccionados e, principalmente, aos seus líderes, imputando-lhes um novo tipo de crime, o "domínio social estruturado". É quando a facção controla um território e impõe suas próprias regras à população local. Um quarto da população brasileira já vive sob a lei do crime e do seu bárbaro tribunal, e surpreende que só agora, meio século depois da tomada dos morros do Rio pelo tráfico e a expansão deste Estado paralelo para outros Estados e países, a lei brasileira trate objetivamente deste câncer. 

O projeto antifacção barra as saidinhas e a progressão para o regime semiaberto, isola os líderes, impõe penas de até 66 anos, monitora conversas dos presos com seus advogados, acaba com visitas íntimas e extingue o pagamento de auxílio-reclusão.

O texto deve ser desidratado no Senado, submisso a Lula. Ele próprio, no momento da sanção, poderá mutilar mais algumas partes do projeto; e, mesmo que o Congresso derrube seus vetos, restará o STF, hoje uma espécie de petismo de toga. Alguma esperança? Sim. Da Justiça dos EUA, que neste momento ouve a confissão de traficantes dos cartéis venezuelano e mexicano sobre suas conexões. Washington, que já registra a presença do CV e do PCC em boa parte do território norte-americano, virá atrás dos narcoterroristas e dos seus poderosos patrocinadores, onde quer que se abriguem.

Lá, o crime não compensa. _

EUGÊNIO ESBER

22 de Novembro de 2025
MARCELO RECH

Master escândalo no ar

Prepara a pipoca que a nova novela do Brasil real já começou. Será difícil bater uma campeã de audiência como a Lava-Jato, mas o fuzuê no Banco Master tem todos os ingredientes para despertar uma torrente de emoções capaz de reviver alguns dos melhores momentos do mar de lama que volta e meia sacode a política nacional.

Primeiro, o flagra no Master tem como personagem central um vilão clássico de Hollywood: Daniel Vorcaro, o herdeiro ganancioso que não mede atitudes para a escalada social. De jogada em jogada, ele se torna, aos 42 anos, protagonista do disputado teatro de escândalos nacionais. No passado, o papel já foi desempenhado por Marcelo Odebrecht e Eike Batista, ambos com larga experiência em celas da Polícia Federal e que hoje levam vidas discretas.

Vorcaro, não. Sua rotina de exuberâncias pode ser reconstituída aqui e ali pelas redes sociais. Em 2023, no auge da ostentação novo-riquista, ele consumiu R$ 15 milhões na festa de 15 anos da filha, em Nova Lima, perto de Belo Horizonte. Segundo jornais locais, Vorcaro pavimentou um quilômetro de rua até a mansão onde se esbaldaram 500 convidados. Para não se incomodar com os vizinhos, o nosso filantropo reservou para eles suítes em hotéis cinco estrelas de BH durante o fim de semana.

A vida pessoal de Vorcaro preencheria muitos capítulos. Suas festas, como a de um camarote na Marquês de Sapucaí neste ano, e os investimentos particulares, como o prédio do Hotel Fasano Itaim, em São Paulo, e um pedação do Atlético Mineiro, renderiam boas cenas, mas o lado pessoa física não é o eixo do script. Embora o deslumbramento de Daniel com a súbita fortuna produza narizes torcidos em banqueiros que sabem o valor do recato, a pimenta que interessa ao país é como as conexões políticas de Vorcaro postergaram a manutenção do castelo de cartas que ele havia construído.

À esquerda, à direita e ao centro, personagens políticos se revezam na proximidade com Vorcaro e seus interesses econômicos. Nesta sinopse, não cabem os nomes e as circunstâncias em que desfilarão nomes estrelados do mundo jurídico, político e empresarial ao longo do roteiro que se desenha. Alguns terão de dar muitas explicações, como o BRB e o governo do Distrito Federal, que o controla, bem como o fundo de pensão dos servidores do Rio, o RioPrevidência, e o governador Claudio Castro.

Um queria porque queria meter o pé na jaca do Master e foi barrado pelo Banco Central. O outro enfiou ali R$ 2,6 bilhões do dinheirinho dos servidores, dos quais um terço quando o banco já resfolegava. Ah, e a cena de Daniel Vorcaro sendo preso em Guarulhos prestes a embarcar em um dos seus três jatinhos terá de ser cortada. É plágio do final de Vale Tudo. Nem tudo vale. _

MARCELO RECH

22 de Novembro de 2025
PANORAMA NO RS

PANORAMA NO RS

Informalidade no Estado já atinge 1,8 milhão de trabalhadores

No Rio Grande do Sul, o desemprego atingiu o menor patamar dos últimos 13 anos. Por outro lado, atuação sem registro permanece no mesmo nível há quase uma década, cerca de 31,2% da população. Especialista aponta falta de orientação sobre processo de formalização

Em meio às movimentadas ruas de Porto Alegre, o motorista de aplicativos André Luis Silva do Nascimento, 33 anos, enfrentou um acidente de trânsito. Foi esse fato que o fez refletir sobre o desamparo da informalidade.

Há dois anos sem carteira assinada, ele encontrou nas entregas uma forma de manter as contas em dia. Entretanto, o trabalho sem registro não lhe garante acesso a benefícios sociais nem à aposentadoria por tempo de contribuição. A realidade vivida por André reflete o que enfrentam 1,8 milhão de gaúchos que atuam na informalidade.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no segundo trimestre de 2025, o desemprego no Rio Grande do Sul atingiu a menor taxa dos últimos 13 anos. Por outro lado, a taxa de informalidade permanece estável há quase uma década, cerca de 31,2% da população.

De acordo com Walter Rodrigues, coordenador da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) no Rio Grande do Sul, o número de pessoas sendo contratadas vem aumentando, o que ajuda a reduzir o desemprego. Porém, esse crescimento não acontece de forma similar em todos os setores da economia.

- Nós temos ramos da economia, como a indústria, por exemplo, onde há uma maior formalidade, mas cresce menos do que outros ramos. Já comércio e serviços têm um crescimento maior de emprego, porém a formalização é menor, enquanto a informalidade é maior. Então, os setores da economia que mais crescem são justamente aqueles onde há maior informalidade - pontua o pesquisador do IBGE.

Por isso, mesmo com a queda do desemprego, a informalidade diminui lentamente. No RS, por exemplo, 266 mil pessoas seguem desempregadas.

Reflexos

Logo após ser demitido, André começou a trabalhar 12 horas por dia como motoboy, atuando com aplicativos de entrega para sustentar a família. Sua esposa também estava desempregada.

A partir do acidente de moto, ele não teve apenas um choque físico, também sofreu um impacto psicológico. Então, reparou que deveria regularizar sua situação profissional:

- Quando sofri o acidente, me deu um estalo. Se eu me acidentar, eu não vou ter ali um recurso, algum valor, até eu poder voltar a trabalhar. Nosso serviço é perigoso, o risco de não voltar para casa é diário.

Na sua visão, parte dos trabalhadores informais não conhece ou não tem acesso a informações que os auxiliem a sair da informalidade.

O mesmo pensa a professora de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Wendy Carraro:

- Microempreendedor Individual (MEI), por exemplo, veio como uma forma de se apoiar um empreendedor, uma pessoa que trabalha de forma informal, mas tem uma "formalização". A gente pode ter mais orientações sobre isso. Precisamos educar melhor as pessoas. A informalidade acaba causando uma certa insegurança. Ao formalizar, mesmo como MEI, a pessoa tem pelo menos uma segurança.

André afirma que só conseguiu entender como se organizar financeiramente após alguns meses, já que sua renda não era mais mensal, e sim, diária.

- Essa é uma das maiores barreiras iniciais, porque tu acaba pegando dinheiro todos os dias. Tu tens que saber administrar aquele dinheiro, saber juntar, guardar, para poder pagar uma conta, uma conta maior. Foi um desafio bem grande pra mim e só agora eu estou conseguindo me organizar melhor - reflete. _

Esta reportagem foi produzida por Madu Ferreira, aluna de Jornalismo na PUCRS, que está entre os 5 vencedores da edição 2025 do projeto Primeira Pauta RBS

Economia para equilibrar as contas

Cleyton Oliveira dos Santos, 36 anos, encontrou nas sinaleiras uma forma de sustento, após ser demitido de um emprego na área da saúde. Já são mais de seis anos trabalhando como vendedor ambulante em um cruzamento da Capital.

Seu primeiro produto foi a paçoquinha. Hoje, as opções aumentaram e vão desde água mineral até aromatizantes de carro. Ele chega ao semáforo das avenidas Borges de Medeiros e Ipiranga às 6h30min e, às 10h, segue para a segunda jornada: entregador de delivery.

Nesta área, atua há um ano, quando ampliou sua jornada buscando investir no sonho de montar o próprio negócio em um ponto comercial. Técnico em Administração, Cleyton afirma que sempre soube controlar suas despesas e que, para tirar férias, o segredo é saber equilibrar:

- Eu tiro um mês. O segredo do empreendedorismo é você saber controlar o salário. Eu tenho uma logística em cima disso, sou um cara super econômico. Procuro sempre me equilibrar - conclui, enquanto espera o sinal fechar para seguir com as vendas.

Apesar da flexibilidade, da renda mais alta do que o salário mínimo e de um paralelo com o empreendedorismo, a informalidade nem sempre gera benefícios para o indivíduo e para o Estado.

Segundo a economista Wendy Carraro, o governo deixa de arrecadar impostos e contribuições previdenciárias que garantiriam direitos básicos e investimentos públicos. Por outro lado, o trabalhador perde a proteção garantida pela CLT, a contribuição ao INSS e o acesso a benefícios que só existem na formalidade.

Ela explica que, muitas vezes, a própria situação econômica leva trabalhadores e empregadores a optarem por esse tipo de vínculo, já que a formalização pode representar custos mais altos. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025


21 de Novembro de 2025
CARPINEJAR

PT Saudade

Ainda existe o telegrama no Brasil, adotado para aviso oficial, para notificação extrajudicial, como uma formalidade para reforçar o recebimento.

Mas é um fantasma. Já morreu no Reino Unido (1982) e nos Estados Unidos (2006), e aqui caiu em desuso completo. No ano passado, houve a remessa de 8 mil deles, um volume simbólico perto de 15 milhões em 1980.

O telegrama foi um meio de comunicação fundamental, imprescindível, consagrado por dois séculos.

Você recorria a ele em casos de urgência - o recado deveria chegar no mesmo dia. Uma maneira de superar distâncias num período em que telefone fixo era raridade, exclusivo das famílias mais abastadas.

O jornalista Alberto Villas diz que se tratava de uma exceção inadiável: quando aquela mensagem que andava de ônibus precisava pagar um táxi. Custava mais caro: um Sedex de palavras. Calculava-se o valor do serviço pelo número de caracteres.

Costumava ser enviado em datas especiais, a partir de mensagens ditadas na agência dos Correios e impressas como frases pequenas, mínimas, muitas sem sujeito, sem preposições, sem conjunções, buscando economia e concisão - o equivalente hoje a um adolescente escrevendo de modo cifrado no WhatsApp.

A pontuação vinha expressa em letras abreviadas. O telegrama terminava, na maioria das vezes, com "PT Saudações". "PT" significava "ponto". O carteiro surgia fora de seu horário tradicional de entrega da correspondência.

Sem nenhuma comemoração acontecendo no lar, sua batida na porta acabava sendo vista como agouro. Imaginava-se o pior: anúncio de falecimento ou internação de parente.

Também podia trazer boas notícias: convocação em concurso público, congratulação por casamento ou nascimento de filho. O governador mineiro Tancredo Neves, nosso quase presidente, destacou-se como um adorador dessa missiva. Utilizava-a inclusive para agradecer aos eleitores.

Meu avô Leonida Carpi, imigrante italiano, para evitar confusões babélicas entre a sua língua natal e a de adoção, tirava proveito dos comunicados curtos e solenes. Às vezes, cutucava seus desafetos políticos.

Quando um correligionário do PTB traiu Getúlio Vargas, o vô passou este telegrama mordaz: "Até tu Brutus Interrogação".

Eu juntei o maior número de telegramas após a minha formatura na Fabico, proveniente da parentada do interior. Ou depois das minhas primeiras sessões de autógrafos, de quem não conseguiu ir. Ou quando ganhei um prêmio literário nacional. Ou quando a minha filha, Mariana, veio ao mundo.

Popularizou-se como um documento das vitórias e celebrações, com direito a ser exposto na geladeira. Por mais que eu tente guardar a minha coleção para a posteridade, seu alfabeto segue desaparecendo com o tempo, como antigos recibos fiscais.

Na época da emissão, a tipologia já era um pouco apagada, cinzenta, irregular, como se estivesse sempre no fim da fita, própria dos martelinhos tac-tac-tac-tac do Telex. Só a saudade para reconstituir sua emoção. 

CARPINEJAR


21 de Novembro de 2025
MARCO MATOS

Bastidores de viagem

Há quatro anos, o Jornal do Almoço caiu na estrada para mostrar o Rio Grande do Sul de perto. A ideia nasceu em 2022, durante as comemorações dos 50 anos do telejornal mais tradicional do Estado. Na época, eu ainda apresentava a previsão do tempo quando embarquei nessa aventura.

O sucesso foi tanto que as visitas a festas, feiras e comunidades viraram parte do nosso calendário. Todo ano surge a mesma pergunta: quais cidades o JA vai visitar desta vez?

Hoje, partimos para a última viagem de 2025. O destino é Canela, na serra gaúcha, que vive o clima mágico do Sonho de Natal. Confesso: é uma coincidência feliz. Não só porque nasci na Serra, mas porque amo suas paisagens, atrações, o clima e tudo que envolve essa região.

Nosso ano começou em Campo Novo, quase na fronteira com a Argentina. Foi um programa cheio de histórias sobre a vida no campo e o agronegócio - e com direito a um calorão daqueles, que só passou depois que tomei um banho de "leite" com os vencedores do concurso leiteiro.

Essas viagens sempre rendem bastidores divertidos - alguns impublicáveis. Com o programa deste sábado, chegaremos a 20 edições especiais em 2025. Ou seja: 20 viagens! Em uma delas, esqueci todos os itens de higiene pessoal; em outra, a colega Shirlei Paravisi ficou sem figurino; e, em Santa Cruz do Sul, deixamos a Cristina Ranzolin na recepção do hotel porque ela estava distraída tirando fotos!

Muita gente pergunta como conseguimos aparecer tão rápido em praças pelo Estado. Avião? Nada disso! Nosso parceiro é o Gustavo, motorista do ônibus que nos leva para todos os cantos.

E que ônibus especial! Não tem camas nem adesivos como os das bandas, mas tem mate, bolachinhas e boas conversas que viram histórias.

Outra curiosidade: em todas as cidades ganhamos presentes. Eu e a Cristina adoramos os mimos: cuias personalizadas, canecas com nossos rostos, biscoitos com nossas imagens... Sem falar nas geleias, cremes e cartinhas. Mas, sinceramente, o que mais nos toca são os abraços e os sorrisos que nos recebem em cada rincão.

Na TV, a gente se vê pela tela. Mas, olho no olho... Ah, isso é especial demais. É bem para ti - e para nós também. 

MARCO MATOS


21 de Novembro de 2025
GPS DA ECONOMIA - com João Pedro Cecchini

Alta do emprego nos EUA pressiona o Fed

Se a ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, já mostrava um comitê dividido sobre novo corte do juro em dezembro, os dados mais recentes do emprego nos Estados Unidos não contribuem para mudar esse cenário.

Divulgado ontem, o payroll, relatório de emprego dos Estados Unidos, mostrou a criação de 119 mil postos de trabalho no país em setembro. O dado vem acima da previsão de analistas, que estimavam pouco mais de 50 mil vagas no mês. Além disso, a taxa de desemprego ficou em 4,4%, pouco acima dos 4,3% registrados em agosto.

Os dados de emprego mostram um mercado de trabalho ainda aquecido e com potencial para seguir pressionando a inflação. Isso coloca a autoridade monetária americana em um impasse. Em um cenário com demanda ainda aquecida, cortar juro nunca é algo confortável para bancos centrais. Além disso, o fato de os dados saírem com mais de seis semanas de atraso devido ao shutdown do governo deixa o Fed ainda mais desancorado.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, avalia que o payroll mostra que mercado de trabalho nos EUA ainda não chegou no nível de desaceleração esperado pelo Fed na busca pelo controle da inflação:

- O mercado de trabalho continua aquecido. Com isso, as apostas para a decisão do juro em dezembro, que eram de corte, já estão mudando. Com inflação ainda em alta e emprego ainda forte, não há um motivo para pensar na queda de juros. O mercado já começa a achar que não vai ter a queda em dezembro.

Efeitos no Brasil

No Brasil, os efeitos de eventual manutenção no juro nos EUA tendem a ser pequenos, segundo Agostini. Pode ter algum reflexo no câmbio, mas nada que afete a economia brasileira do ponto de vista macro, diz:

- O dólar segue um pouco mais forte, mas nada que mude a trajetória macroeconômica, com inflação, juros. O câmbio vai sofrer algum ajuste, a bolsa pode abrir um pouco pressionada, mas não deve ter muitos efeitos práticos aqui no Brasil. _

A retirada do tarifaço de 40% de parte dos produtos brasileiros importados pelos EUA, confirmada ontem pelo governo Trump, confirma o otimismo do setor produtivo com o avanço do diálogo nas últimas semanas.?

Prédio de R$ 51 milhões em Gramado

Será lançado amanhã, em Gramado, o empreendimento residencial Casa Cipó, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 51 milhões.

O projeto é da Urbinc, comandada pelo empresário Jeferson Braga, que também é sócio da incorporadora Ownerinc, que prevê construir prédio com serviço hoteleiro na mesma cidade, avaliado em R$ 650 milhões.

A análise de novos empreendimentos está suspensa no município, com limites a novas opções de hospedagens, bares e restaurantes. Como a Casa Cipó tem foco residencial, a proposta não é afetada pela medida.

De qualquer forma, o prédio teve seu projeto aprovado em setembro de 2024, conforme a Urbinc. Sobre um terreno de esquina com 2 mil metros quadrados, na Rua Nações Unidas, 260, no bairro Bavária, a Casa Cipó terá 20 apartamentos, com unidades de 100 e de 170 metros quadrados.

As obras devem iniciar em janeiro de 2026 e a entrega está prevista para março de 2028.

Nono projeto da Urbinc, o empreendimento pretende reaproveitar a água da chuva para sanitários, irrigação de jardins e manutenção de áreas comuns. O prédio ainda prevê floreiras integradas às sacadas. 

Inflação da Black Friday abaixo da média

Pesquisa recém-lançada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA) aponta que a inflação da Black Friday na Região Metropolitana está abaixo da alta geral de preços.

Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresenta alta de 4,68% no acumulado de 12 meses no país, a inflação da cesta de itens da Black Friday avançou 1,04% na Grande Porto Alegre.

O levantamento leva em conta os grupos mais citados pelos consumidores no âmbito da intenção de compra: eletrodomésticos, eletrônicos, moda e acessórios e casa e decoração. Os principais destaques de alta em termos absolutos foram joias, sandálias e chinelos e sapato masculinos.

Na outra ponta, itens como roupa de cama, artigos de iluminação, ar-condicionado, televisores, fogões, computadores pessoais e aparelhos telefônicos apresentaram as maiores quedas.

O economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, afirma que a importância dos eletrônicos na cesta da Black Friday ajuda a explicar variações, via de regra, abaixo da inflação geral. _

Faça orçamento e mantenha-se fiel à lista de compras. Evite compras por impulso. Verifique reputação da loja, prazos, entrega e pós-venda.

Compare os valores com semanas anteriores usando plataformas de consulta. Lembre que trocas por simples insatisfação não são obrigatórias por lei.

Retomada

O Fundo Estímulo Retomada RS, parceria entre o Estímulo e a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), chegou aos R$ 5 milhões em crédito facilitado a micro e pequenos empreendedores do Estado afetados pelas enchentes. Os valores são emprestados a juros abaixo do mercado e sem exigência de garantias.

Além disso, foram mais de R$ 52 milhões em pedidos, com R$ 20 milhões com status pré-aprovados.

O fundo busca levar a oferta de crédito com condições especiais e sem burocracia ao maior número possível de micro e pequenos empreendedores gaúchos. _

Caixa de Pandora

A decisão de ontem da Justiça Federal que conservou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantém a apreensão sobre os novos desdobramentos da fraude bilionária com emissão de títulos falsos de crédito. Como a coluna já adiantou, a crise tem potencial para impactos não apenas na economia, mas também na política. _

GPS DA ECONOMIA

21 de Novembro de 2025
SISTEMA FINANCEIRO

SISTEMA FINANCEIRO

Magistrada nega pedido de habeas corpus. Banqueiro foi detido na segunda-feira por suspeita de fraude bilionária, com carteiras de crédito falsas

A magistrada do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região negou pedido de habeas corpus feito pela defesa de Vorcaro, que foi preso na última segunda-feira pela Polícia Federal (PF) enquanto tentava embarcar para o Exterior em seu jatinho particular no aeroporto de Guarulhos (SP).

O banqueiro e outros sócios do Master foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo banco, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), estatal ligada ao governo do Distrito Federal.

Ao deflagrar a operação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas ligadas a outros alvos da operação. Além de Vorcaro, sócios e diretores do banco foram detidos.

Na decisão de quinta-feira, a desembargadora entendeu que a prisão do banqueiro deve ser mantida para preservar a ordem pública e desarticular a organização criminosa.

Prática de delitos

"O contexto retrata um grupo com notável estrutura, estabilidade e poderio econômico, cuja atividade perdurou por anos, voltada à prática reiterada de delitos financeiros, com envolvimento dos gestores do Banco Master em esquemas complexos e de altíssimo padrão, utilizando-se de manobras para fraudar o sistema financeiro", afirmou Solange na decisão.

A desembargadora também acrescentou que as fraudes podem comprometer a liquidez do BRB e causar prejuízo estimado em R$ 17 bilhões.

"A investigação revelou um esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília, envolvendo a quantia vultosa de aproximadamente R$ 17 bilhões. Há indícios de manipulação de ativos, criação de falsas narrativas para órgãos reguladores e utilização de empresas de prateleira para simular a origem de créditos inexistentes ou podres."

Plano de voo

Após a prisão, os advogados de Vorcaro negaram que o banqueiro tenha tentado sair do país e sustentaram que ele sempre se colocou à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.

O BRB informou que vai contratar uma auditoria externa para apurar os fatos e que vai apurar possíveis falhas de governança ou dos controles internos da instituição. 



21 de Novembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Incêndio joga COP30 em cenário de indefinições

O incêndio que atingiu a área de decisões da conferência do clima, em Belém, jogou a COP30 em um cenário de grandes indefinições. O fogo teve início próximo ao pavilhão da East African Community, em uma das extremidades da área reservada às nações. A origem, segundo as primeiras avaliações, teria sido um curto-circuito em instalações elétricas.

O fogo foi controlado em seis minutos, segundo o governo, mas o choque e a desolação entre os participantes duraram bem mais. A energia elétrica foi cortada, e as labaredas provocaram um rombo na lona que cobre o pavilhão. O serviço médico da COP30 atendeu 21 pessoas, sendo 19 por inalação de fumaça. Na correria para abandonar o local, muitas pessoas deixaram no interior da Blue Zone itens pessoais como passaportes, muletas e computadores.

As cenas correram o mundo imediatamente, prejudicando a imagem do evento, menos de uma semana depois de a ONU ter alertado o Brasil sobre riscos à exposição elétrica nos pavilhões, no documento em que reclamara da falta de segurança, após a tentativa de invasão de manifestantes indígenas.

Diplomacia do vaivém

Às 15h28min, a ONU anunciou a devolução da Blue Zone às autoridades brasileiras. Na prática, a área deixou de ser uma zona internacional, para que bombeiros fizessem o rescaldo, e a perícia buscasse as causas do incêndio.

O fogo não atrapalha a negociação política em si, mas não ajuda. O diálogo foi paralisado e só deve ser retomado hoje.

O incêndio ocorreu no meio de um dia em que o mundo esperava um novo rascunho de documento final. As delegações já estavam frustradas com a demora e os impasses, em especial sobre a inclusão do mapa do caminho para o fim gradual do uso de combustíveis fósseis. A chamada "decisão de mutirão" não vinga, e a cena de ministros de Meio Ambiente indo e voltando de salas em busca de flexibilidade e possíveis pontos de convergência ganhou até um apelido entre ambientalistas: "shuttle diplomacy" (a diplomacia do vaivém). A poucas horas do fim, ainda é difícil entender como a COP30 pode ser encerrada. _

Em tempo

A responsável por erguer a estrutura é a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). O contrato, sem licitação, custou R$ 480 milhões e já foram gastos R$ 324,6 milhões. A OEI, por sua vez, contratou a empresa DMDL, por R$ 182,6 milhões, para a construção da Blue Zone. A DMDL já recebeu R$ 112,9 milhões pelos serviços.

Depoimento, feito à coluna, pela designer gaúcha Sarah Ramos de Ávila, de Porto Alegre, que estava ao lado do local onde o fogo começou:

"Estava sentada no pavilhão de Cultura e Entretenimento, que é colado no pavilhão da Índia. Do nada, começou a piscar as luzes. Só que isso já tinha acontecido ontem (quarta-feira), e ninguém se preocupou muito. Daqui a pouco, começou a subir uma fumacinha. Começou a ficar mais forte e começaram a gritar para todo mundo sair. Demorei um pouco para processar. Começou a subir aquela labareda enorme, e eu saí. Fui correndo e falando que era fogo para as pessoas. Mas deu para ver que foi bem rápida a contenção por parte dos bombeiros."

Demanda por artesanato

Está difícil encontrar, na COP30, os produtos feitos por artesãos gaúchos. Isso porque estão entre os mais procurados no Brasil Biomarket, no pavilhão do Sebrae, a Green Zone. É o que atestam os vendedores.

Dois modelos de bolsas feitas a partir da arte da dressa (espécie de trança feita com palha de trigo) pelo Ateliê Mãos de Palha, de Pinto Bandeira, estão expostas no evento.

Foram selecionados pelo projeto Artesanato de Fibra RS para representar o Estado na COP ao lado dos colares de mesa em fibra de bananeira da artesã Manuela Rosa e um composto de parede decorativo em fibra de vime da Vimes Saccaro. Sucesso por aqui! _

A Jaguar Parade pelas ruas de Belém

Lembra da Cow Parade, as esculturas de vacas decoradas por artistas locais e distribuídas pelas cidades? Pois aqui em Belém você encontra a Jaguar Parade: plataforma que conecta arte, cultura e preservação de onças-pintadas. A Amazônia é o principal refúgio da espécie, abrigando cerca de 60% dos indivíduos estimados no país. Nas ruas e praças, você encontra dezenas de estátuas como esta da foto, registrada na Estação das Docas. Lindas!

Dom Jaime na conferência

O arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, está em Belém participando de eventos na COP30.

- A conferência tem relação com a criação, que é uma obra divina. Como cristãos, temos de cuidar e preservar o que nos foi confiado na criação. Os seres humanos precisam cuidar da vida - disse à coluna.

De Belém, segue para Bogotá, onde cumpre agendas de trabalho do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho. _

Greta não está no Brasil

Há alguns dias circula nas redes sociais que a ativista ambiental Greta Thunberg estaria em Belém para a COP30. Não é verdade. A notícia foi desmentida pela organização Fridays for Future.

Greta se tornou crítica das COPs, ao afirmar que as conferências se tornaram "festival de greenwashing do Norte Global" (que vende uma imagem verde que não corresponde às suas práticas reais). E que têm poucos compromissos concretos e que não se efetivam. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 20 de novembro de 2025


20 de Novembro de 2025
CARPINEJAR

Ladaia?

Não tem quem não fique estarrecido de angústia ao assistir a um rapaz de 29 anos, em surto, ser morto com quatro tiros por soldados da Brigada Militar, na frente de sua família atônita, no bairro Parque Santa Fé, na zona norte de Porto Alegre, em 15 de setembro.

As imagens da câmera corporal de um policial militar são conflitantes com a tese de legítima defesa. Mesmo cumprindo o protocolo de uso diferenciado e progressivo da força, feito da tentativa de diálogo e da aplicação do choque, nada sugere ameaça real para os disparos de arma de fogo.

A vítima, desarmada e vulnerável, tinha esquizofrenia e estava sob efeito de entorpecentes quando enfrentou mais uma de suas crises. Ela se mostrava mais disposta a ser agressiva contra si do que contra os outros. Inclusive provocava, num ato extremo de se ver livre do sofrimento:  Atira em mim, atira em mim. A mãe, Evolmara, não entendeu a truculência, a inversão absoluta do cuidado:

- Eu chamei vocês para ajudar! Ainda mais porque pedir ajuda para a corporação era uma situação recorrente. A mãe relatou que já havia solicitado o auxílio da BM para conter o filho e que não houve qualquer anomalia ou agressão nas ocorrências anteriores.

Técnica de enfermagem, recém acalmara o filho no quarto quando os agentes chegaram gritando e apontando o taser para o abdômen do homem, numa abordagem que não condiz com a frágil saúde mental do envolvido.

Eu ouvi seu depoimento completamente marejado no programa Gaúcha Entrevista:

- Eles dois envergonham a corporação e o Estado do Rio Grande do Sul. Respeito todos os demais profissionais, mas esses dois são assassinos do meu filho. No fatídico dia, a família realizou 21 chamadas para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sem ambulância disponível no momento, e para a Brigada, que apareceu primeiro.

O contexto indicava a necessidade de acompanhamento por um psiquiatra ou por um médico, não de confronto com força física e imposição imediata para o suspeito se entregar.

O jovem não contava com noção do entorno, não dispunha de discernimento para captar e acatar as ordens, numa realidade paralela de distorção. Nem todas as abordagens são de combate à violência. Ninguém na cena estava em perigo, a não ser aquele ser adoecido, carente de amparo e acolhimento.

Ele queria abrigo, paz, normalidade. Seus parentes confiaram na segurança pública. Mas a equipe parecia precisar tanto de internação quanto a vítima. A grandeza da Brigada Militar não pode ser reduzida a essa intervenção.

A conversa final entre os agentes, rindo de volta ao batente, torna tudo mais chocante, com a banalização de um óbito incompreensível, injusto. - Não tinha o que fazer. - A gente só atende ocorrência ladaia, eu sou para-raio de ladaia.

Tinha o que fazer, e o mínimo não foi feito. 

CARPINEJAR

20 de Novembro de 2025
OPINIÃO RBS

Justiça não é desforra

Aproxima-se um momento que exigirá maturidade das instituições, dos indivíduos que as constituem e da sociedade brasileira. O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou na terça-feira o acórdão da decisão que negou os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a condenação a 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe para reverter o resultado da eleição para o Planalto em 2022. Desta forma, está aberto o prazo para que seus advogados lancem mão dos derradeiros instrumentos de defesa possíveis junto à Corte. 

A expectativa no mundo jurídico, no entanto, é a de que os novos pedidos de esclarecimentos da decisão ou de reanálise do mérito sejam rapidamente analisados e negados pelo ministro Alexandre de Moraes, por considerá-los mera manobra protelatória. Assim, é provável que, nos próximos dias, Moraes determine que Bolsonaro comece a cumprir a sua pena. Conforme a decisão da 1ª Turma do Supremo, em regime fechado.

Compete ao próprio ministro, espécie de inimigo número 1 do bolsonarismo, definir onde o ex-presidente ficará recluso. Espera-se que Moraes decida amparado pela lei e pela sensatez. Isso inclui observar particularidades igualmente previstas nas normas penais, como a condição de saúde, e também a isonomia em relação a outros ex-presidentes condenados e presos. Bolsonaro, hoje em prisão preventiva domiciliar, necessita de cuidados médicos e hospitalares recorrentes.

De qualquer forma, entre as opções especuladas como primeiro destino do ex-presidente estão uma cela em uma ala reservada na Penitenciária da Papuda, a carceragem da PM do Distrito Federal conhecida como Papudinha, um recinto especial na Polícia Federal (PF) ou em um quartel do Exército. Seus defensores vão tentar manter o regime domiciliar.

É dever reforçar que, a despeito de aspectos criticáveis na condução do processo pelo STF, o julgamento teve ampla legitimidade. Provas materiais, testemunhos e a sequência de atos cometidos à luz do dia por Bolsonaro e seus colaboradores por longo período não deixam dúvidas: o país beirou uma ruptura institucional. Com a condenação de Bolsonaro e cúmplices, rompeu-se com o passado de leniência com golpes. Ficou o recado de que o destino do Brasil é a manutenção do Estado democrático de direito. Quem atenta contra a soberania do voto deve ser punido. Mas justiça não é desforra.

Deve-se lembrar o tratamento a outros ex-presidentes. Em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva ficou em uma "sala especial" na Superintendência da PF em Curitiba, sem nunca formalizar pedido de domiciliar. Em maio deste ano, após uma semana em uma ala reservada de um presídio em Maceió, Fernando Collor de Mello foi autorizado por Alexandre de Moraes a cumprir pena em prisão domiciliar por sofrer de doenças graves e pela idade avançada (75 anos), razões que asseguraram o benefício em caráter humanitário. 

Na Argentina, a ex-presidente Cristina Kirchner, sentenciada por corrupção, por ter mais de 70 anos obteve o direito de cumprir pena em casa. Bolsonaro, debilitado por problemas crônicos de saúde decorrentes da facada que levou em 2018, cirurgias e outras intervenções, preenche requisito para a prisão domiciliar. Ainda que em sua residência, não deixaria de estar submetido à privação da liberdade. 



20 de Novembro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Master já deflagrou mudanças no FGC

A quantidade de compradores de CDBs superfaturados do banco Master levou o aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao topo do ranking de aplicativos mais baixados por brasileiros na terça-feira. Nas contas do próprio fundo, até 1,6 milhão de aplicadores terão direito a compensação de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

Isso significa que o fundo terá de desembolsar R$ 41 bilhões de seu total de patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões são de recursos líquidos em caixa - todos dados oficiais do FGC. Por isso, o caso Master não é um evento, digamos, regular. Vai consumir 33,6% do volume de dinheiro disponível no instrumento que ajuda a garantir a confiança no sistema financeiro nacional. Esse terço gasto terá de ser recuperado, o que significa um custo a mais no sistema.

Os bancos vão depositar, mas não precisa muito exercício mental para saber para onde vai a conta final: os consumidores de produtos financeiros mais cautelosos vão pagar pela aventura de Daniel Vorcaro como banqueiro. E de seus clientes que apostaram em seus CDBs que pagavam muito acima da média de mercado, mesmo os que foram alertados sobre os riscos envolvidos.

Se é verdade que boa parte dos clientes não tinha a mínima ideia de como o banco pretendia pagar um rendimento tão acima da média, outros tinham consciência de que isso não se sustentaria no tempo. Logo depois do anúncio da venda do Master, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ajustou as regras do FGC. As mudanças deveriam valer a partir de 1º de junho de 2026. Com o tranco da movimentação bilionária, podem ser antecipadas.

Risco maior, contribuição maior

O principal objetivo das mudanças é desencorajar práticas agressivas na captação de recursos, caso da promessa de retorno mais alto do que a média do mercado. Na prática, instituições com alta alavancagem - empréstimos acima de 10 vezes o valor de seu patrimônio líquido ajustado - terão de aumentar sua contribuição para o FGC. Hoje, os bancos pagam 0,01% ao mês do total dos depósitos que podem ser protegidos pelo fundo. Quem quiser ter perfil mais arriscado teria taxa duplicada, chamada de "contribuição adicional". _

Compliance zero

A operação da Polícia Federal que envolveu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão é chamada Compliance Zero. A expressão vem do termo em inglês usado no universo empresarial, não só no financeiro, para designar o conjunto de práticas que garantem o cumprimento de leis, regulamentos, normas éticas e políticas internas. Ao definir os dois alvos - Master e BRB - como zero, a PF indica que era inexistente nos dois bancos.

Em dia de cautela no mercado, o dólar avançou 0,38%, a R$ 5,338. Investidores esperam com ansiedade dados da economia dos EUA que serão liberados hoje, em pleno feriado. Vão fazer preço no Brasil na sexta-feira.

13 produtos exportados do RS aos EUA têm redução de tarifa

A decisão de Donald Trump de suspender a "tarifa recíproca" de 10% só se aplica a 13 produtos exportados do RS para os EUA. Considerando os envios do Brasil todo ao mercado americano, a medida afeta 65 bens. O levantamento é do núcleo de Competitividade, Economia Regional e Internacional da Unisinos, com base em análise preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em 2024, as exportações gaúchas desses 13 produtos somaram US$ 43,7 milhões, 2,4% do total enviado pelo Estado para os EUA no ano passado.

Um desses 13 itens, o suco de laranja, ficou livre de qualquer taxa de importação, porque já estava isento do tarifaço aplicado sobre o Brasil. Os outros 12 passaram a ter alíquota total reduzida, mas ainda vão enfrentar taxação de 40%.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), nos três primeiros meses de tarifaço, as exportações do RS para os EUA caíram 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda representa perda de US$ 155,6 milhões. _

produto US$ milhões

Carne bovina cong. 22,1

Processados de bovino 17,1

Extratos de café 1,9

Sucos de laranja cong. 1,1

Mate 0,6

Sucos de outros cítricos 0,6

Bebidas não-alcoólicas 0,2

Sementes 0,02

Geleias de frutas 0,01

Chá verde 0,01

Frutas de casca rija 0,005

Chá preto 0,0005

Fécula de mandioca 0,0005

Por que demorou a intervenção do BC?

Depois da liquidação do Master e da prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, Banco Central (BC) e Polícia Federal (PF) passaram a expor os motivos das duas medidas. Mesmo em um país tristemente habituado a fraudes, essas surpreendem. Uma das mais espantosas é a do "esquema" da fraude que permitiu injeção de R$ 16,5 bilhões de um banco público, o Banco de Brasília (BRB), dos quais R$ 12,2 bilhões foram totalmente sem lastro, conforme a PF.

Nesse caso, segundo a investigação, "sem lastro" significa uma planilha, sem qualquer base real, de operações de crédito consignado inexistentes que o Master teria "vendido" ao BRB em troca dos repasses feitos para dar sobrevida ao banco privado. Essa foi a causa do afastamento, por decisão judicial, do presidente, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro do banco público, Dario Oswaldo Garcia Júnior. Para deixar claro: os R$ 12 bilhões em operações de crédito não existiam, foram "fabricados" no papel.

A fraude é tão grosseira que fez muitos brasileiros perguntarem por que o BC não tomou antes a decisão de liquidar o Master. Uma das explicações é que, depois de descoberto, o esquema parece tosco, mas estava embrulhado em vários fundos com participação em outros fundos, em cascata. Só começou a ser desvendado quando foi feita a inusitada proposta de compra de um bancão por um banquinho. O BC pediu documentação para justificar a transação e, depois de remover muitas camadas, chegou a essa peça reveladora.

Nos cinco meses que separam o anúncio de venda, em 31 de março, ao veto definitivo do BC para a operação, em 3 de setembro, não houve só abertura técnica de fundos.

- A pressão política foi gigantesca no Banco Central - explicitou ainda na terça-feira o presidente da Associação de Auditores do BC, Thiago Cavalcanti.

Até agora, só se sabe que houve um projeto de lei apresentado em regime de urgência para permitir que diretores do BC fossem demitidos pelo Congresso, como a coluna relatou.

Se o Brasil conhecerá todas as conexões políticas do Master que levaram a esse absurdo legislativo, vai depender muito do liquidante do banco privado. Até agora, não foram quebrados sigilos, nem bancários nem os chamados "telemáticos" - aplicativos de mensagens, telefones. Caso a investigação avance o suficiente, 2026 será um ano eleitoral movimentado. _

GPS DA ECONOMIA

 20 de Novembro de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Conexões de Vorcaro precisam ser esmiuçadas

O feriadão do Dia da Consciência Negra será de desassossego para os políticos que negociaram com Daniel Vorcaro, o dono do falecido Banco Master, ou que trabalharam para aprovar leis que favorecessem a continuidade das falcatruas. O primeiro com motivos de sobra para perder o sono é o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele não tem como dizer que não sabia das tramoias feitas pelo Banco Regional de Brasília, o BRB, que só não comprou o Master porque o Banco Central foi responsável e impediu o negócio.

Quando a Polícia Federal (PF) juntar todas as partes do quebra-cabeças se conseguirá entender que interesses levaram a direção do BRB a tentar comprar um banco quebrado, fazendo uma operação fictícia de R$ 12 bilhões. O presidente do banco estadual foi afastado pela Justiça, mas a responsabilidade do governador ainda está sendo apurada.

Outro político que tem motivos para perder o sono é o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e os gestores do fundo de previdência dos servidores estaduais que resolveram investir no Master um valor superior aos R$ 250 mil garantidos em caso de quebra. Quem arcará com o prejuízo? Não podem ser os servidores do Rio de Janeiro.

A PF ainda terá de dissecar as relações do dono do Master com políticos de diferentes partidos no Congresso. Em agosto do ano passado, o presidente do PP, Ciro Nogueira, defendeu os interesses do Master propondo um aumento na cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por conta. Seria o cúmulo da ingenuidade imaginar que quem fez esse movimento agiu por inspiração divina ou pressentimento de que bancos quebrariam e deixariam clientes endinheirados na mão.

No podcast O Assunto, o jornalista Estevão Taiar, do Valor Econômico, deu as pistas da teia de relações políticas que Vorcaro construiu em Brasília com "amigos" à esquerda e à direita. Na lista de poderosos de quem Vorcaro se aproximou está o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, um dos homens mais poderosos do governo Lula. 

Assembleia reconhece atuação em favor da comunidade negra

Durante sessão solene alusiva ao Dia da Consciência Negra, a Assembleia Legislativa realizou ontem a entrega do Troféu Deputado Carlos Santos e do Prêmio Zumbi dos Palmares a personalidades ou entidades com atuação em favor da comunidade negra em diversas áreas.

Na sequência, deputados de diversas bancadas se revezaram na tribuna para falar sobre a importância da data e os desafios da população negra - que, pela primeira vez, conta com uma bancada no Parlamento gaúcho. 

Racha na direita faz Progressistas voltar atenção aos Estados

Ciro está em pé de guerra com a direita desde que travou embate com Eduardo Bolsonaro há algumas semanas.

Apesar de indicar um afastamento do PL, do Republicanos e do Novo, o presidente do PP no RS e pré-candidato a governador, Covatti Filho, está confiante de que o movimento não vai afetar as negociações locais. 

Leite manda revogar sigilo em relação a voos com aeronaves

Filha de Lilian Celiberti terá exposição em Porto Alegre

Atropelo a lei estadual

O projeto aprovado pela Câmara de Porto Alegre que libera as bebidas alcoólicas nos estádios agrada a torcedores, e clubes, mas não tem aval das forças de segurança. Foi por isso que diversas tentativas de revogação da lei estadual não prosperaram. A Assembleia chegou a aprovar um projeto, mas foi vetado. O prefeito Sebastião Melo deveria fazer o mesmo, já que uma lei municipal não pode se sobrepor a uma norma estadual. 

POLÍTICA E PODER

 20 de Novembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Pessimismo paira sobre a COP30

O clima mudou. E não falo das mudanças climáticas nem das condições do tempo em Belém, onde há chuvas e trovoadas a cada final de tarde. Refiro-me ao ambiente interno da Blue Zone, a área de decisões da COP30.

Os negociadores foram dormir tarde, nas primeiras horas de ontem, depois que os debates entraram madrugada adentro. Havia otimismo no ar a partir do primeiro rascunho de texto final, no qual estava incluída a redução gradual do uso de combustíveis fósseis, exatamente como desejam ambientalistas e parte do governo Lula, em especial o grupo ligado à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. O texto também recebeu o apoio de mais de 80 países.

O problema é que o grupo dos oposicionistas, liderado pela Arábia Saudita (sempre ela), entrou em campo - e considera inegociável a questão. É do jogo da negociação, mas todos baixaram as expectativas por aqui.

O termo "redução gradual de uso" de fósseis é diferente de "transição para longe", presente no documento da COP28. Seria mais ambicioso.

Risco de golpe de morte

Nos bastidores, surgiu a ideia de se separar o tema para debate em outro fórum, um encontro político a ser realizado no futuro, fora do ambiente da COP. O risco é que isso desidrataria o texto final da conferência de Belém, cujo documento não faria referência a combustíveis fósseis ("a COP flopou", cheguei a ouvir de uma parte). E, pior, poderia representar o golpe de morte nas COPs e no sistema multilateral.

A ONU, que já não consegue evitar guerras e foi questionada diante da pandemia, provaria, para os críticos, sua ineficiência ao não conseguir consenso sobre mudanças climáticas. Para o Brasil, a COP30 não seria nem a "COP da implementação" (como desejava o governo), porque não implementaria nada. Nem seria a COP do multilateralismo.

Em outro movimento, a Austrália jogou a toalha. A Turquia irá sediar a COP31, no ano que vem. O país de Recep Tayyip Erdogan vinha apostando muito mais suas fichas para sediar a conferência do que a nação da Oceania. A sede deve ser em Antalya, um balneário do Mediterrâneo, que o governo pretende alavancar como ponto turístico, a exemplo do que o Egito fez ao realizar a COP27 em Sharm el-Sheikh.

A Turquia vem crescendo em demonstração de força geopolítica, principalmente depois do papel de mediadora que exerceu no acordo de cessar-fogo entre o grupo terrorista Hamas e Israel. A chefia das negociações ficará com os australianos, enquanto a presidência, hoje exercida pelo Brasil, será passada aos turcos. _

Temos mais com que nos preocuparmos

Sabe qual foi a repercussão das falas grotescas do chanceler alemão na COP30? Nenhuma. Obviamente, Friedrich Merz foi infeliz, mal- educado e descortês em relação a Belém. Mas isso não teve efeito algum nas negociações ou no ambiente da COP. Nem os belenenses ficaram irados, preocupados ou sequer chateados. Sabe por quê? Porque eles têm mais o que fazer - trabalhar, receber bem os visitantes e lidar com as agruras de uma cidade que tem, sim, seus problemas estruturais, como todas as metrópoles brasileiras.

O debate sobre se foi ou não uma agressão ao Brasil pulula ou nas redes sociais, o tribunal preferido da opinião pública, ou entre a elite política - que, aliás, adora capitalizar uma polêmica a fim de ganhar alguns pontos de popularidade. Mas daí o plenário do Senado aprovar um requerimento de voto de censura a Merz, me parece demais. Como se os nobres parlamentares não tivessem mais com o que se preocupar.

De toda a falsa polêmica, talvez a declaração mais sensata tenha vindo do embaixador André Corrêa do Lago, o presidente da COP30 - que, aliás, só se manifestou sobre o assunto porque foi perguntado por um jornalista.

- Tem tanta coisa boa sendo dita sobre Belém. Tem tanta coisa boa sendo dita sobre a COP. Não temos que ouvir as pessoas que não sabem apreciar. Não temos que ligar para o que as pessoas estão falando, estamos acima disso - disse. _

Viaturas elétricas para a BM

Enquanto em Belém ocorre a COP30, em Porto Alegre a Brigada Militar (BM) entregou ontem duas viaturas 100% elétricas ao 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM).

Os veículos, modelo BYD Yuan Pro, passam a reforçar a frota operacional da unidade e simbolizam o avanço da corporação na adoção de tecnologias sustentáveis.

As aquisições foram viabilizadas por meio de projetos técnicos desenvolvidos pelo setor de Projetos do 9º BPM e financiadas com recursos destinados pela Central de Execuções Penais de Porto Alegre, da Justiça Federal, e pela Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas, da Justiça Estadual. _

Santos Dumont e a reitora da UFRGS

A Casa da Ciência, sede do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na COP30, abriga a exposição "A Ciência Brasileira e seus Personagens". Nela são apresentadas 81 personalidades que fizeram e fazem a história da ciência e da tecnologia no país, como a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa.

Entre os homenageados, ao lado de Márcia Barbosa, estão: a médica Margareth Dalcolmo, que teve forte atuação na pandemia; a atual ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos; a filósofa e escritora Marilena Chauí; a economista Maria da Conceição Tavares; a presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader; o cientista e médico Carlos Chagas; o ex-ministro Celso Pansera; o físico e ex-ministro Sérgio Rezende; o aeronauta e inventor Santos Dumont, entre outras personalidades. _

Cientistas criticam o rascunho

Um grupo com alguns dos principais cientistas climáticos do mundo lançou ontem um documento criticando, de forma enfática, a primeira versão do rascunho das negociações que define o que seria o "mapa do caminho" na COP30.

Na carta, os pesquisadores chamaram as propostas apresentadas, até o momento, de "provocação".

"Na forma como se apresentam, ambas as propostas para os planos de ação para eliminar os combustíveis fósseis e para acabar com o desmatamento são uma provocação. Os delegados parecem não entender o que é um plano de ação. Um plano de ação não é um workshop ou uma reunião ministerial. Um plano de ação é um plano de trabalho real que precisa nos mostrar o caminho de onde estamos para onde precisamos estar, e como chegar lá", escreveram no documento. 

INFORME ESPECIAL