Como o caso Moraes-Vorcaro ajuda Flávio
Flávio Bolsonaro (PL), Cláudio Castro (PL), Ciro Nogueira (PP), Jaques Wagner (PT) e todos os demais investigados no caso Master respiram um pouco mais aliviados eleitoralmente desde que vieram à tona as mensagens escandalosas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A revelação dos tentáculos do Banco Master no Poder Judiciário, a um mês das eleições, muda de direção, ao menos temporariamente, os holofotes e ajuda eleitoralmente os políticos de partidos que também têm contra si suspeitas graves envolvendo Vorcaro.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, visitou Vorcaro em sua casa após a prisão do banqueiro, trocou mensagens de visualização única com o pivô do escândalo bilionário e aparece em diálogos cobrando repasses de dinheiro.
Nada disso impede Flávio, neste momento, de apontar o dedo para o escândalo envolvendo Moraes e fazer eco aos pedidos de afastamento do ministro. Este movimento de deslocamento do foco do escândalo é precisamente o que pode aliviar o peso do caso Master sobre os ombros de Flávio e gerar danos eleitorais para Lula (PT).
Moraes não foi indicado pelo petista nem tem relações diretas com o governo Lula. Contudo, como foi o relator do processo que culminou na prisão de Jair Bolsonaro, Moraes foi taxado de aliado da esquerda na narrativa bolsonarista.
Claramente, até o momento, o escândalo Moraes-Vorcaro favorece Flávio e a demanda de outros candidatos bolsonaristas que pregam uma limpeza no STF. O tamanho do benefício eleitoral para esse grupo, contudo, ainda é incerto e dependerá das próximas cenas de um escândalo que atravessa a República e abraça diariamente novos agentes públicos.
*Participou Gabriel Jacobsen

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