sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 Novo romance da fenomenal Carla Madeira

quando

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EDITORA RECORD/DIVULGAÇÃO/JC

Jaime Cimenti

A mineira Carla Madeira, 61 anos, autora dos romances Tudo é rio; A natureza da mordida e Véspera, fenômeno editorial, é hoje a autora mais lida do Brasil, com 1.4 milhão de exemplares vendidos. Há poucas semanas Carla lançou seu novo romance, Quando (Editora Record, 280 p., R$ 69.90), que já encabeça a lista de mais vendidos da revista VEJA.


Narrando cenas familiares e cotidianas com linguagem intensa, carregadas de imagens fortes, neste novo romance a autora traz um pano de fundo mais amplo da história e realidade brasileiras. Depois de três grandes sucessos editoriais com seus romances, Carla pretendia parar de escrever por um tempo, para viajar, ler e respirar. Atropelada por uma sequência de lutos, viu que era impossível não escrever.


Quando é a história da família de Viridiana, que ficou viúva cedo com três filhos para criar. A trama se passa no Brasil da década de 1980 e aborda temas como a ditadura, a maternidade, machismo, feminismo e homofobia. Viridiana precisou contornar valores discutíveis deixados pelo marido, Afonso. 


A filha Margarida se casou com Otávio, tão machista como o pai. Valquíria empedrou o coração depois de uma tristeza e , no intervalo dos plantões de enfermagem, cuida da mãe idosa e doente. Tito, o outro filho, sumiu há vinte anos. As irmãs e o sobrinho Francisco esperam por sua visita.


No calor de um acontecimento trágico, Viridiana será capaz de um ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, abrindo um abismo entre eles. Depois dos vinte anos de ausência , quando o tempo parecia ter dissolvido as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos.

Bem recebido pela crítica, o livro está sendo considerado o melhor de Carla, que enfrentou muito bem a circunstância de seguir trabalhando com criatividade depois do enorme sucesso de Tudo é rio.

Lançamentos

vendas movem o mundo

vendas movem o mundo

DVS EDITORA/DIVULGAÇÃO/JC

A cor que nos separa - A origem (Avec, 216 pág.), oitavo livro do advogado e escritor Daniel Tonetto, é um romance que inicia com Ndala, arrancada de Angola em 1837 e lançada num navio negreiro rumo ao Brasil. No sul do País, em meio a frio, charqueadas e sonhos de liberdade nasce o velho Becca, herdeiro de uma África imortal. Depois virão os italianos e eles conviverão com o sombrio Isidoro, ex-capitão do mato.


Banda Municipal de Porto Alegre (Libretos, 376 pág, R$ 100,00), de Álvaro Santi, músico, escritor e gestor cultural, é uma obra instrutiva e instigante para as pessoas que vivem em Porto Alegre, que amam a música e a cidade. Inícios e primeiros tempos da Banda (1912-1931), da redução à dissolução (1932-1963) e a Banda atual (1975-2025) são as três grandes partes da bela obra de Santi, que nasce referencial sobre o tema.


Vendas que movem o mundo- Como treinar equipes de vendas para transformar potencial em impacto (DVS Editora, 280 pág, R$ 84,00), de Carol Manciola, empreendedora, palestrante e escritora, questiona os modelos tradicionais de treinamento e enfatiza a capacidade de aprender. Verdadeiro guia para quem acredita no potencial humano como motor de transformação.

O Brasilino enlouqueceu

Quase não acreditei quando me disseram que o Brasilino tinha pirado e que estava internado numa clínica psiquiátrica da zona sul de Porto Alegre. Brasilino, aposentado do Banco do Brasil, sempre penteado, arrumadinho e elegante como um soneto parnasiano numa clínica? Essa tinha que conferir. Fui lá e ele estava sentado no belo jardim, olhando para os patos que nadavam no laguinho.

Por que tu veio parar aqui, meu amigo? O que houve? Brasilino tomou uns goles de chimarrão, me olhou sem pressa e disse: Nunca pensei estar num lugar desses. Vivia quieto no meu canto, com meus pensamentos de centro-direita, e aí a Dora, minha mulher, professora estadual aposentada, passou a falar do Lula e do PT desde que acordava até dormir. No início tentei ficar quieto e democraticamente aceitar a polarização conjugal, mas aí ela queria me doutrinar e fazer eu votar no cara e aí eu achei demais e saía de casa toda hora.


Um dos meus genros é PT, professor da Ufrgs e outro é empresário, bolsonarista raiz. No almoço de domingo não era servida paz alguma junto com o churrasco. Uma das filhas acha que os militares têm que voltar e botar ordem e a outra, esquerda-caviar-beluga, acha que a esquerda é o caminho, desde que se caminhe para Paris na primavera, com um monte de euros para tomar cafezinho no Flore e sorvete de cereja na ilê Saint-Louis.


Quando eu ficava quieto ou tentava apartar ou impor democracia e civilidade me chamavam carinhosamente de isentão e diziam que eu tinha que me atualizar. Aí larguei de mão, passei a desligar meu aparelho auditivo e ouvir o som do silêncio. De repente melhor deprê ou meio gagá do que ficar estonteado com aquelas confusões que não iam a lugar nenhum.


Para tentar me acalmar até arrumei uma "amiga" jornalista, que conheci no Bar do Beto. No início conversas amenas sobre comida, futebol, música e causos de pessoas, mas adiante ela, que foi diretora do CPERS, começou a me patrulhar antes, durante e depois dos jogos na hora da sesta. Não aguentei e nem ela. Um para cada lado, com sequelas tristes de amor invernal. Ela era viúva de um coronel do exército e tinha lembranças "complicadas e ambivalentes".


Fui fazer terapia e tomar uns remédios para ver se conseguia "elaborar" minhas ideias mais enroladas que namoro de cobra. O terapeuta me ouvia pacientemente, sem dizer quase nada, e um dia falou que vivemos no meio de relações líquidas, conflituadas, num mundo de conectados-desconectados, intoxicados digitalmente, narcisistas, individualistas e que o que poderíamos fazer era tentar preservar a paz interior e não se deixar levar pelas insanidades e depressões da contemporaneidade. 


Ele disse que o mel era doce, que a vida tem ganhos e perdas e que precisamos exercer a escuta interior e exterior. Acabei me desentendendo com o grupo do cafezinho no shopping. Um é bolsonarista, outra lulista , outro sonha com a terceira via utópica e outro é anarquista-romântico distópico. Eu tentava dar uma de pomba da paz, unir os impossíveis e acabei me dando mal. Disseram que eu era sem noção, que meu coração até era legal, mas minha cabeça confusa.

A propósito

Começaram a dizer que eu andava estranho, fora da casinha, que ficavam preocupados com meus silêncios e isolamentos. Pedi para meu terapeuta me internar. Ele não queria. Mas aí disse que ele podia me atender na clínica ou por vídeo e insisti na internação, inventando ideias suicidas e papos epiléticos. Disse para ele que tomava sopa com garfo, rasgava notas de dólar, dormia nos trilhos e que ia me amarrar num poste. 


Aí estou aqui. Não te assusta, que não estou tão louco. Meu negócio é ficar fora do caos, olhando os patos por algum tempo e pensando que é melhor não pensar muito. Tem duas camas no meu quarto, quer ficar aí, meu amigo? A comida até que é boa. Vais gostar. 

(Jaime Cimenti) 

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