terça-feira, 7 de julho de 2026

07 de Julho de 2026
RESSACA DA ELIMINAÇÃO

Ressaca da eliminação

E agora? Procura-se um protagonista

Ao cair nas oitavas de final e entrar no maior período sem título mundial desde que foi campeã pela primeira vez, a Seleção busca novas referências para o ciclo da Copa de 2030. O artilheiro do time em 2026 surge como principal candidato a esse papel, mas a torcida brasileira espera que outros nomes encorpem essa lista

Rafael Diverio

Já foi o Brasil do Romário, o Brasil do Ronaldo, o do Pelé. Foi também o Brasil do Zico e, até, por que não?, o Brasil do Neymar. A Seleção que sempre teve uma referência busca um protagonista para sair da fila que completará 28 anos em 2030. O país espera que seja Vinícius Júnior.

Artilheiro do time na edição de 2026, com quatro gols, ele estará em sua terceira Copa, já consolidado no Real Madrid e com o título de melhor do mundo, entregue pela Fifa em 2024. Pode ser que consiga, até lá, arrebatar mais algum prêmio individual. No próximo Mundial, o atacante terá 29 anos e deverá seguir como principal nome da Seleção.

O próprio camisa 7, na última entrevista nos EUA, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega que eliminou o Brasil nas oitavas de final, se candidatou a ser o líder. Perguntado sobre seu papel no próximo ciclo, respondeu de uma forma tão genérica que mostra que a liderança, ao menos por ora, não é uma de suas maiores virtudes:

- Meu papel é o de sempre, estar pronto para representar meu país.

A declaração refletiu o tom da sexta eliminação seguida da Seleção para europeus em Mundiais. Que não foi nem surpresa, sem aquele clima de terra arrasada de 2018 e 2022 (sem contar, óbvio, o 7 a 1 de 2014).

Além de Vini Jr., o Brasil também apostou em Raphinha. Mas o craque do Barcelona não repete com a camisa da Seleção o sucesso que faz na Catalunha. E na próxima Copa terá 33 anos. Os demais jogadores da safra não chegam a ser referências.

- Temos bons jogadores jovens e alguns veteranos que podem ajudar no ciclo - disse Ancelotti.

Assim, a aposta de protagonismo recai sobre Estevão. Terá 23 anos na próxima Copa. Só não foi titular nessa edição porque teve lesão muscular que impossibilitou sua convocação. Figura importante no Chelsea, pode crescer e se consolidar no ciclo de Ancelotti. O guri revelado pelo Palmeiras fechou 2025 com cinco gols com a Seleção - foi o artilheiro no início do trabalho do treinador italiano.

Os demais jovens são Rayan, João Pedro e Endrick. Eles têm quatro anos para se consolidar. E enfrentar a França de Mbappé, a Espanha de Lamine Yamal. Os dois serão as grandes referências após o fim da Argentina de Messi e Portugal de Cristiano Ronaldo.

Tranquilidade x pressão

O novo ciclo de Copa começa, de fato, nas datas-Fifa de 25 e 29 de setembro, quando a Seleção fará dois jogos contra a Austrália, um em Townsville, outro em Brisbane. Ancelotti, enfim, poderá iniciar e encaminhar um projeto seu com a calma que tanto marca sua personalidade.

- Uma derrota pode ser o começo de uma nova aventura, de uma nova temporada. Temos de seguir trabalhando, melhorando e encontrando novas ideias. Não é o fim. É o princípio de um novo ciclo - disse o técnico italiano.

O treinador não perdeu a serenidade após a eliminação no MetLife Stadium, no domingo. A Seleção aposta nesse jeito dele para ter a clareza que faltou desde a queda para a Croácia em 2022, com quatro treinadores se revezando no comando após a saída de Tite.

- Precisamos ter um ciclo dentro de uma normalidade, com mais calma. O trabalho vai seguir até a Copa de 2030 e com os ajustes necessários. Espero que tenhamos o mínimo de tranquilidade para preparar a próxima Copa - disse um abatido Rodrigo Caetano, diretor de seleções masculinas da CBF.

Mas tranquilidade, sabemos, não é garantia alguma no futebol brasileiro. A pressão é enorme. É tempo demais sem ser campeão. _

Quem perde e quem ganha espaço no ciclo da Copa de 2030

Rodrigo Oliveira

Após a eliminação do Brasil nas oitavas de final, o técnico Carlo Ancelotti já projeta o ciclo da Copa do Mundo de 2030. Parte do grupo de 2026, por conta da idade, se despedirá da Seleção, como o goleiro Alisson, o zagueiro Marquinhos, os laterais Danilo e Douglas Santos, o volante Casemiro e o atacante Neymar. Outros atletas saíram fortalecidos, apesar da derrota para a Noruega, e devem liderar o processo de transição.

São os casos, por exemplo, do zagueiro Gabriel Magalhães e do volante Bruno Guimarães, que terão 32 anos no próximo Mundial, e principalmente, Vinícius Júnior (leia na página 18).

Já os meia-atacantes Matheus Cunha e Raphinha terão, respectivamente, 31 e 33 anos em 2030 e dependerão do desempenho ao longo do ciclo para seguirem na Seleção. Vale o mesmo para os atacantes Gabriel Martinelli e Igor Thiago, que têm hoje 25 anos e não são titulares afirmados da equipe de Ancelotti.

O italiano terá no próximo ciclo cinco atletas que disputariam a titularidade em 2026, mas ficaram fora da Copa por lesão: o zagueiro Eder Militão, 28 anos, os laterais Wesley, 22, e Vanderson, 25, e os atacantes Estêvão, 19, e Rodrygo, 25. Já o volante Danilo Santos, que foi coadjuvante nesta Copa, tem 25 anos e potencial para virar protagonista do meio-campo na próxima.

Alternativas

Credenciam-se ainda o volante Andrey Santos, 22 anos, e o centroavante João Pedro, 24 anos, ambos do Chelsea, que estavam cotados para o Mundial 2026, mas foram deixados fora da lista de convocados na última hora pelo italiano.

Por fim, há ainda jogadores que foram chamados por Ancelotti na reta final do ciclo e têm idade para jogar a próxima Copa, como o zagueiro Vitor Reis, 20 anos, do Girona - mas que pertence ao Manchester City -, e os atacantes Savinho, 22, do Manchester City, e Vitor Roque, 21, do Palmeiras, entre outros.

E, claro, os novos talentos que ainda não foram chamados por Ancelotti ou que ainda não despontaram. Talentos que o futebol brasileiro precisa (mais do que nunca) formar. _

Despedem-se da Seleção

Alisson, 33 anos (goleiro do Liverpool)

Ederson, 32 anos (goleiro do Fenerbahçe)

Weverton, 38 anos (goleiro do Grêmio)

Marquinhos, 32 anos (zagueiro do Paris Saint-Germain)

Leo Pereira, 30 anos (zagueiro do Flamengo)

Danilo, 34 anos (lateral-direito/zagueiro do Flamengo)

Douglas Santos, 32 anos (lateral do Zenit)

Alex Sandro, 35 anos (lateral-esquerdo do Flamengo)

Casemiro, 34 anos (volante do Inter Miami)

Fabinho, 32 anos (volante do Al-Ittihad)

Neymar, 34 anos (atacante do Santos)

Líderes para o próximo ciclo

Gabriel Magalhães, 28 anos (zagueiro do Arsenal)

Bruno Guimarães, 28 anos (volante do Newcastle)

Vinícius Júnior, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Saem em alta e podem ganhar protagonismo

Danilo Santos, 25 anos (volante do Botafogo)

Endrick, 19 anos (atacante do Real Madrid)

Rayan, 19 anos (atacante do Bournemouth)

Têm idade para jogar mais uma Copa, mas dependerão do rendimento no ciclo

Bremer, 29 anos (zagueiro da Juventus)

Ibañez, 27 anos (zagueiro do Al-Ahli)

Éderson, 27 anos (volante da Atalanta)

Lucas Paquetá, 28 anos (meia do Flamengo)

Luiz Henrique, 25 anos (atacante do Zenit)

Raphinha, 29 anos (meia-atacante do Barcelona)

Matheus Cunha, 27 anos (meia-atacante do Manchester United)

Gabriel Martinelli, 25 anos (atacante do Arsenal)

Igor Thiago, 25 anos (atacante do Brentford)

Ficaram de fora da Copa de 2026 por lesão e estarão no próximo ciclo

Eder Militão, 28 anos (zagueiro do Real Madrid)

Wesley, 22 anos (lateral da Roma)

Vanderson, 25 anos (lateral do Monaco)

Rodrygo, 25 anos (atacante do Real Madrid)

Estêvão, 19 anos (atacante do Chelsea)

Preteridos de 2026 que podem ganhar novas chances

Andrey Santos, 22 anos (volante do Chelsea)

João Pedro, 24 anos (atacante do Chelsea)

Vitor Reis, 20 anos (zagueiro do Girona)

Beraldo, 22 (zagueiro do PSG)

Murillo, 24 anos (zagueiro do Nottingham Forest)

Kaiki Bruno, 23 anos (lateral do Como)

André, 24 anos (volante do Wolverhampton)

João Gomes, 25 anos (volante do Wolverhampton)

Savinho, 22 anos (atacante do Manchester City)

Vitor Roque, 21 anos (atacante do Palmeiras)

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