sexta-feira, 6 de novembro de 2026

06 de Novembro de 202614
MARCO MATOS

Ainda parece que foi ontem

Faz muito tempo que não sou fã de carteirinha de nenhum cantor. Gosto de música, vou a shows, acompanho algumas carreiras, mas aquela coisa de esperar um lançamento, assistir a entrevistas, ler tudo sobre a pessoa e até viajar para ficar frente a frente com o artista já não faz parte da minha rotina há bastante tempo.

Minha última grande paixão musical foi Marília Mendonça.

Ontem, fez cinco anos que ela partiu naquele trágico acidente de avião em Minas Gerais. Cinco anos. O tempo realmente passa rápido demais. Em alguns momentos parece que aconteceu em outra vida. Em outros, parece que foi ontem.

Lembro bem daquele dia. Lembro de acompanhar pela televisão as primeiras informações sobre a queda da aeronave, a expectativa pelas notícias que chegavam aos poucos e até o falso alívio que durou apenas alguns minutos, quando anunciaram que ela teria sido socorrida com vida. Pouco depois veio a confirmação que ninguém queria ouvir. Nem houve tempo para o resgate chegar.

Talvez por isso a memória daquele dia permaneça tão viva. Não foi apenas a morte de uma cantora famosa. Foi a interrupção brusca de uma trajetória que parecia ainda estar no começo.

As músicas de Marília estão em praticamente todos os encontros da minha família. Estão nas minhas playlists, nas faxinas do apartamento e em tantos momentos comuns do cotidiano. São canções que acabam aparecendo sem esforço, como se já fizessem parte da decoração da vida. E eu gosto disso. Gosto de ouvir, de cantar junto e até de redescobrir algumas letras que conheço há anos.

Muitas das músicas lançadas depois da morte dela também viraram sucessos e foram parar nas listas das mais tocadas do Brasil. A impressão é que a conexão que ela criou com o público não desapareceu com sua partida. Em alguns momentos, parece até ter ficado mais evidente.

Invariavelmente penso que ela partiu cedo demais. Quantas outras músicas poderia ter lançado? Quanto sucesso ainda teria feito? Ela, que tão jovem já havia conquistado o país inteiro, arrastado multidões e protagonizado uma das lives mais assistidas da história do YouTube.

Mas talvez a maior medida do talento de alguém seja aquilo que permanece quando a pessoa já não está mais aqui. Cinco anos depois, Marília continua presente. Continua tocando em festas, churrascos, viagens e rodas de amigos. Continua emocionando quem acompanhou sua carreira desde o início e também quem a descobriu depois.

Algumas vozes conseguem atravessar o tempo. Viram memória afetiva. Viram trilha sonora. Viram companhia. Marília Mendonça conseguiu tudo isso muito cedo. Talvez por essa razão, mesmo passados cinco anos, ainda pareça estranho falar dela no passado. _

MARCO MATOS

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