sexta-feira, 29 de março de 2013




Não sei ser contida, discreta.
Brigo em voz alta, rio em voz alta,
sinto em voz alta.
Sou feita de barulho e de verdade.
Murmúrio não faz parte de mim
e quem não gostar, que tape os ouvidos.

Renata Fagundes


Boa Tarde Anjo!!
A luz que surge no princípio de uma vida humana,
Nasce do calor materno que recebemos
Durante nove meses de muito amor e carinho
Fernando Lapolli


Boa Tarde Anjo!!
Não somente os seus olhos determinam
A gravidade de uma situação, mas também,
Acima de tudo, o seu estado de espírito.
Fernando Lapolli



CLÓVIS ROSSI - COLUNISTA DA FOLHA

Dilma só disse na África o que sempre pensou e até já disse

O que a presidente Dilma Rousseff disse na África do Sul sobre inflação e crescimento é rigorosamente o que ela pensa -e faz tempo, pelo menos desde que assumiu, há dois anos e três meses.

Não há, portanto, nenhuma razão nem para polêmica, nem para surpresa, nem para "manipulação", a não ser que a presidente tenha usado essa última palavra para se referir à especulação nos mercados. O lado cassino dos mercados, aliás, é suficientemente forte, para dispensar frases da presidente -felizes ou infelizes- nas apostas.

A primeira mais firme manifestação de Dilma em favor do crescimento se deu, curiosamente, às margens de outra cúpula dos Brics, a de abril de 2011 na China.

O governo mal completara cem dias, mas já estava em dúvida o empenho do Banco Central em trazer a inflação para o centro da meta, 4,5% então como agora.

No Fórum de Boao, considerado "Davos" da Ásia, Dilma reafirmou que são fundamentais "o controle da inflação e a estabilidade fiscal", para depois deixar claro que ambos não são um fim em si mesmo nem valor absoluto.

"Tem quer ter como objetivo criar condições para o crescimento e a inclusão social", disse. Nesse ponto, a presidente afirmou, com outras palavras, o que repetiria em Durban, ao criticar "políticas restritivas tanto nos países emergentes para conter a inflação como nos países avançados para promover a consolidação fiscal".

A presidente fez questão de se dizer favorável "ao controle da inflação e à estabilidade fiscal", desde que o objetivo seja crescimento com inclusão social, que é "questão-chave para todos nós".

Também na China Dilma deu por sepultados "os consensos que se criaram na história recente. Sob a égide do mercado ou do Estado, mostraram-se frágeis como castelos de cartas".

Não receitou, no entanto, um novo consenso, até porque afirmou não buscar "modelos únicos nem tampouco unanimidades". A única receita é fácil de dizer, difícil de descobrir: "O mundo do século 21 requer criatividade".

Vê-se agora que nem Dilma nem o mundo tiveram criatividade suficiente para pôr de pé outro modelo, se está superada, como ela crê, a política de "matar o doente [com juros altos] em vez de curar a doença [a inflação]".

Na vida real, a queda dos juros, praticada por seu governo, foi incapaz até agora de acelerar o crescimento. Pior: a "doença" da inflação parece mais viva e forte.

Mas é injusto dizer que a presidente é leniente com a inflação. Nenhum governante o é, desde que se tornaram famosos dois gráficos que Getúlio Bittencourt, então assessor de imprensa do presidente José Sarney, exibia a todos: a popularidade do presidente apontava para baixo sempre que a inflação embicava para cima e vice-versa.

Como não há político que não adore a popularidade, todos querem a inflação domesticada. Dilma também quer, desde que o crescimento não seja afetado no percurso. Como perpetrar a mágica é a matéria em que o governo está ficando em segunda época.

ROBERTO RODRIGUES

Meu porto, minha vida

A medida provisória dos portos tem boa chance de obter avanços. Espera-se que logo as filas de caminhões sejam coisa do passado

Chega a ser espantosa a reação geral quanto ao recorrente fenômeno do congestionamento de caminhões no porto de Santos. Afinal, todo ano isso acontece, e não só em Santos, mas também em Paranaguá.

Há anos, os mais diversos especialistas comentam que o principal gargalo do agronegócio brasileiro é infraestrutura e logística. E vêm pedindo rapidez na implementação das obras do PAC ligadas ao tema.

E neste ano, com uma safra recorde de grãos (especialmente da soja, uma vez que colheremos 85 milhões de toneladas, superando pela primeira vez a safra americana), era superevidente que teríamos esse triste espetáculo das filas quilométricas para descarregar nos portos.

Além disso, ao largo do porto, dezenas de navios ancorados esperam para carregar os grãos oriundos das competitivas zonas produtoras, ou para descarregar os fertilizantes que os mesmos caminhões levarão de volta àquelas regiões, para que seus agricultores já se preparem para a safra do ano que vem.

Com isso, os produtores perdem duas vezes: como os caminhões demoram para descarregar a soja -ou o milho-, acabam servindo de armazém. Mas um armazém caríssimo, evidentemente, sem falar na irritação que toma os motoristas que perdem tempo, dinheiro e ficam mais dias longe de casa.

Mas também perdem pela demora do descarregamento de fertilizantes dos navios, pois cada dia parado ao largo tem um custo, chamado "demurrage", que vai a dezenas de milhares de reais por dia. Ora, quem paga isso? O produtor, é lógico, uma vez que esse custo adicional lhe é repassado no preço do fertilizante.

É claríssima, então, a perda dos agricultores em geral, representada pelos custos inflados e em função de um problema sobre o qual eles não têm nenhuma responsabilidade. Os mais prejudicados são os produtores de regiões distantes, uma vez que as cargas vêm por caminhão, muito mais caro do que trem, que também não há suficientemente.

Pelo menos parte do custo também é repassada aos consumidores, de modo que todo mundo perde.

Mas há algo ainda mais grave. No ano passado, o agronegócio brasileiro teve um saldo de US$ 79 bilhões em sua balança comercial externa: essa é a diferença positiva entre o que o setor exportou e importou. E o saldo comercial total do Brasil foi de US$ 19 bilhões, incluído o agronegócio. Ou seja, o desempenho do agro salvou o saldo do país e, de quebra, garantiu as reservas cambiais.

Portanto, quanto mais o agronegócio exportar, melhor será para o país. Não apenas para o agricultor, mas para todos os brasileiros, que se beneficiam do fato.

Outro dado: há dez anos, em 2002, o agronegócio exportou US$ 24,8 bilhões. No ano passado, US$ 95,8 bilhões, quase quatro vezes mais. Ora, de novo todo o país e seus cidadãos ganham com esse crescimento, que cria riquezas, renda e empregos diretos e indiretos.

E, se deixarmos de exportar, sofrem todos os brasileiros.

As dificuldades de logística já fizeram a China cancelar dez navios de soja encomendadas ao Brasil, ameaçando fazer o mesmo com outros tantos ou mais. E se a moda pega?

Bem, depois de anos de incisivas reclamações de técnicos e exportadores, o governo finalmente tomou decisões importantes quanto às concessões na área de rodovias e ferrovias, abrindo ao setor privado uma oportunidade de investir com lucro. Isso vai acontecer, mas demora, não só pelo fato em si (projeto e execução), mas também pela burocracia, especialmente das licenças ambientais.

E, por último, o governo e o Congresso estão trabalhando vigorosamente em uma medida provisória que busca equacionar o problema dos portos, com boa chance de obter avanços notáveis. Aliás, nos últimos dias as filas até melhoraram com essa perspectiva.

Esperamos que, em três ou quatro anos, as filas intermináveis sejam coisa do passado. E todos os brasileiros possam se beneficiar do aumento das exportações e, com orgulho, dizer: "Meu porto, minha vida"...

ROBERTO RODRIGUES, 70, engenheiro agrônomo, é coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas.

LIANE CANTANHÊDE

Vão partir para a ignorância?

BRASÍLIA - O deputado e pastor Feliciano não é mole. Além da cara de pau de assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, ele resiste a todas as pressões e ponderações para sair de onde nunca deveria ter entrado e, agora, parte para o ataque.

Autor de frases racistas e homofóbicas, alvo de processos no Supremo Tribunal Federal (um deles por estelionato) e flagrado dando uma bronca numa ovelha do seu rebanho que lhe passou o cartão de crédito, mas não a senha, Feliciano se coloca como vítima e joga a polícia parlamentar em cima de manifestantes.

Um foi detido por chamá-lo de "racista" e o outro (até devidamente, cá entre nós), por tentar invadir o seu gabinete. Pior: enquanto chama a polícia, Feliciano aciona os militantes do outro lado: os irmãos de fé.

Aliás, a convocação é do seu partido, o PSC. Ao comunicar, desassombradamente, que o pastor seria mantido na presidência da comissão, o vice-presidente nacional do partido, o também pastor Everaldo Pereira, disse que o camarada é "ficha limpa" e ameaçou: "Não fazemos ameaças, mas, se for preciso convocar centenas de militantes que pensam como nós, também vamos convocar". Que medo!

O risco é o Congresso virar um palco de guerra entre manifestantes anti-Feliciano e pró-Feliciano, com tudo o que isso significa em termos de direitos humanos, de minorias, de avanços, de atraso. Se ficasse só nas ideias, ótimo. Continuando no grito, já é preocupante. E se partirem para a ignorância, para as vias de fato?

No meio da desordem, pergunta-se: cadê o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que é o parlamentar mais experiente e tem a política no sangue? Ele não só disse que a situação era "insustentável" como se comprometeu a resolvê-la rapidamente. Daí? Daí, nada.

Políticos resolvem as coisas parlamentando, negociando, ajustando contrários. Mas é a velha história: "Em casa de ferreiro, espeto de pau".

PUBLICIDADE FÁBIO MAZZITELLI DE SÃO PAULO -PRISCILA JORDÃO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

"Musa" do juro baixo, Camila Pitanga desaparece das campanhas da Caixa

Com o aumento da pressão inflacionária, o posto da "musa" dos juros baixos da Caixa Econômica Federal, Camila Pitanga, pode estar ameaçado. A Folha apurou que gerentes de agências do banco receberam ordens de recolher folhetos publicitários em que a atriz aparece como garota-propaganda. Uma gerente afirmou que a imagem de Pitanga poderá ser usada apenas até domingo.

Reprodução

Folheto da Caixa com Camila Pitanga e seu substituto mais genérico (à dir)
A presença da atriz nas campanhas está associada às condições de juros mais baixos após um corte feito no ano passado. As peças publicitárias, porém, estariam sendo substituídas por outras de conteúdo mais genérico.

TAXA DE JUROS

Funcionários do banco, questionados sobre se as condições de financiamento divulgadas nos folhetos ainda valem, responderam que sim, mas disseram não saber até quando as taxas valeriam.

Com a escalada dos preços, ganhou força a hipótese de que a taxa básica do juro pode ser usada para conter a inflação, o que poderia influenciar as taxas e outras condições oferecidas pelos bancos, dentre eles a própria Caixa.

O banco afirmou que o recolhimento das peças publicitárias nas agências está relacionado ao prazo de validade das campanhas e não significa que o contrato da atriz será rescindido.
FELIZ PÁSCOA PRA VOCÊ...


Páscoa, Papa Francisco e o carisma de todos nós

Páscoa é momento de pensar em renascimento, em Jesus Cristo e em carisma, palavra que tem origem cristã e que depois passou a ser usada por todos. O Papa Francisco está encantando o mundo com sua simplicidade, seu sorriso e seu carisma. É legítimo esperar muito dele e do seu carisma, especialmente nós, latino-americanos, habitantes do fim do mundo, como ele mesmo disse, brincando, depois de ser escolhido Papa.

É bom que a gente o abençoe e passe carisma também como ele pediu. Semana passada, a revista Voto, dirigida pela jornalista Karim Miskulin que trata de política, cultura e negócios e tem como editora a Rosane Frigeri, promoveu um encontro com Germano Rigotto e Sérgio Zambiasi para falar sobre carisma.

Durante mais de duas horas, Rigotto, Zambiasi e os convidados conversaram, animada e profundamente, sobre o tema. Antigamente, carisma era considerado dom divino e graça concedida pelo Espírito Santo, depois passou a ser o conjunto de qualidades inerentes a um certo  tipo de líder e, finalmente, carisma hoje é aquela luz na testa, aquele brilho nos olhos e outros sinais que fazem qualquer pessoa se destacar e iluminar o ambiente.

São Francisco de Assis, considerado o homem do segundo milênio pela revista Time, Napoleão Bonaparte e Madre Teresa de Calcutá são considerados carismáticos do bem, enquanto que Hitler, por exemplo, seria carismático do mal. O fundamental é o uso do carisma para coisas boas, seja em casa, na política, no trabalho, onde for.

Mais importante é se dar conta de que todos nós temos a capacidade de, ao menos por alguns momentos e em alguns lugares, de sermos carismáticos. Carisma tem de ser democrático, universal e todo mundo deve ter direito a alguns minutos dele. Só os tais quinze minutos atuais de fama para cada um não bastam. Sempre é bom lembrar o que disse Madre Teresa: se te aproximas de alguém, é melhor sair do encontro melhor do que quando chegaste.

É isso. Bom aproveitar a Semana Santa para fazer reviver coisas, pessoas, ações, emoções e pensamentos. Bom pensar que todas as pessoas e formas de vida merecem respeito e carregam algum carisma, ainda que escondido, aguardando o momento para se revelar. O carisma do Papa Francisco vai ajudar o mundo, mas temos que fazer a nossa parte. Não pergunte o que o carisma pode fazer por ti, pergunte o que tu podes fazer por ele. Por aí. Feliz Páscoa!
Jaime Cimenti



Não podemos nos dispersar

A Via - para o futuro da humanidade, obra mais recente do parisiense Edgar Morin, nascido em 1921, um dos maiores pensadores contemporâneos, em síntese enfoca o caminho para a reestruturação de práticas e pensamentos coletivos na sociedade. Ao fim e ao cabo, Morin, autor de Cabeça bem-feita e A religação dos saberes, entre outras obras fundamentais, responde à seguinte pergunta: estamos caminhando para uma cadeia de desastres?

Para dar conta da questão, o autor dividiu o volume em quatro partes. A regeneração das relações sociais e a busca de alternativas para reduzir a pobreza e a desigualdade; as bases da democracia cognitiva, da reforma e da educação, da formação de intelectuais policompetentes e multidimensionais; os problemas cotidianos e as reformas morais necessárias, no campo da medicina e relações familiares, por exemplo.

Conflitos étnicos, religiosos, políticos, instabilidade econômica, degradação da biosfera, derrocada das sociedades tradicionais e, ao mesmo tempo, da modernidade, eis o cenário de nosso tempo. Mesmo com melancolia, mesmo sentindo que não estará presente num futuro breve, o velho mestre não desiste da esperança de um mundo melhor.

Mesmo com as inúmeras crises e os vários conflitos, cujos responsáveis diretos são a mundialização, a ocidentalização e o desenvolvimento, Morin vê dois caminhos para a humanidade: o abismo ou a metamorfose. Para ir rumo ao primeiro, não é necessário muito esforço, pois nossas carências e incompreensões nos levam fácil para lá.

Para ir na direção do segundo, é preciso muito cuidado na busca da direção certa. Para um futuro melhor, é preciso reestruturar práticas e pensamentos coletivos em nossa sociedade, algo que somente será viável quando se toma a metamorfose como meta prioritária, utopia realizável, sonho possível.

“Boas ideias são raras, demoram muito tempo para se concretizar. É preciso, portanto, engajar-se com ardor, paciência e revolta nas vias reformadoras para que a Via se estabeleça e se concretize na contramão das desigualdades, das intolerâncias, dos tecnoprofetismos que se espalharam sobre a face da Terra-Pátria”, escreve Edgard de Assis Carvalho na apresentação.

É isso, não podemos nos dispersar. “Eu reúno o disperso” é o mote de Morin, que pode ser o mote de todos.  O autor pensa num segundo volume. Bertrand Brasil, 392 páginas, tradução de Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco, mdireto@record.com.br.



29 de março de 2013 | N° 17386
CINEMA NA TV POR ASSINATURA | por Daniel Feix

SPARTACUS De Stanley Kubrick. Com Kirk Douglas e Laurence Olivier. Uma revolta de escravos à época do Império Romano, um dos maiores épicos históricos que o cinema já produziu.

Diz a lenda que Kubrick pegou o projeto já iniciado, em substituição a Anthony Mann, repetindo a parceria com Kirk Douglas de Glória Feita de Sangue (1957). E que, devido às dificuldades de cortar o moralismo excessivo da trama, jamais, nos anos seguintes, admitiria assumir a direção de um filme sem ter o controle absoluto de tudo o que o envolvesse. Drama, EUA, 1960, 184min. TCM, 14h.

O SONHO DE CASSANDRA (Cassandras Dream) De Woody Allen. Com Colin Farrell e Ewan McGregor. Não é tão bom quanto Crimes e Pecados (1989), nem quanto Match Point (2005), mas é mais um bom drama da leva crime e castigo de Woody Allen, desta vez rodado em meio ao fog de Londres, muito bem aproveitado como cenário da obscura trama de assassinato seguido de culpa. Drama, Grã-Bretanha/EUA, 2007, 108min. Telecine Touch, 15h30min.

A PRAIA (The Beach) De Danny Boyle. Com Leonardo DiCaprio e Tilda Swinton. É um tanto inocente esta aventura do britânico Danny Boyle (Trainspotting, Quem Quer Ser um Milionário?) pelos paraísos naturais da Tailândia. A história fantástica do mochileiro norte-americano em busca de uma ilha secreta é baseada na obra de Alex Garland. Tem visual muito bonito e entretém se você entrar no clima de sonho juvenil que perpassa a história. Aventura, EUA/Grã-Bretanha, 2000, 117min. FX, 15h50min.

OS MONSTROS De e com Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti. Um dos mais radicais, e interessantes, longas-metragens brasileiros dos últimos anos, serve de cartão de visitas do trabalho da produtora cearense Alumbramento, marcado, em grande parte dos projetos, pela criação coletiva todos os autores escrevem, atuam e dirigem juntos.

Aqui, o quarteto de realizadores se traveste de banda de música contemporânea para falar das angústias dos jovens artistas. Drama, Brasil, 2011, 81min. Canal Brasil, 17h30min.

AS CONFISSÕES DE HENRY FOOL (Henry Fool) De Hal Hartley. Com Thomas Jay Ryan e James Urbaniak. Um dos filmes mais inventivos e inspirados de Hal Hartley, expoente do cinema alternativo norte-americano dos anos 1990, ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes. Narra a história de um escritor que se muda para a casa de um gari para, assim, escrever um livro e acaba transformando a vida dele ao incentivá-lo a fazer poesia. Comédia dramática, EUA, 1997, 135min. Futura, 22h.

LARANJA MECÂNICA (A Clockwork Orange) De Stanley Kubrick. Com Malcolm McDowell. Adaptação de uma fábula de ficção científica do britânico Anthony Burgess, narra, num futuro indeterminado, o desajuste de um amante de Beethoven que comete atos de ultraviolência e passa por um processo de reinserção social. Supere um eventual mal-estar diante das sequências mais incômodas (são várias): trata-se de um filme fundamental. Drama/ficção científica, Grã-Bretanha, 1971, 137min. Max, 0h05min.

Não perca

WALL-E De Andrew Stanton. Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. A imagem de homens e mulheres obesos e isolados é chocante. Antes de vê-los, no entanto, ficamos ainda mais impressionados com Wall-E, o último robô deixado para limpar nosso planeta, que só se mantém em funcionamento graças à sua capacidade de se autoconsertar.

Vamos nos encantar com ele e, veja só, sentir junto a sua paixão por Eva (atenção a este nome), uma robô do sexo feminino enviada em uma nave em missão à Terra. Tem gente, como este escriba, que já se deixa tocar lendo a sinopse. Imagina vendo o filme. Trata-se de um programão para crianças dos oito aos 80 anos de idade, tão tocante quanto as mais imaginativas fábulas infantis, tão profundo quanto os mais existencialistas dramas adultos do cinema. Animação, EUA, 2010, 98min. Disney Channel, 9h e 20h, e TNT, 16h.


29 de março de 2013 | N° 17386
DAVID COIMBRA

Meu câncer

Numa sexta-feira como hoje, os competentes médicos da Santa Casa descobriram que havia um tumor devorando um dos meus rins.

Um câncer.

É estranho você dizer que está com câncer. É como se dissesse: estou morrendo. Foi o que pensei naquela sexta-feira. Naquela sexta-feira, eu morri um pouco.

No sábado, meu rim foi removido. A cirurgia, comandada pelo doutor Ernani Rhoden, do Hospital São Francisco, foi um sucesso, mas, para mim, eu que nunca havia sido internado em hospital, nunca quebrara nada, nunca ficara doente, para mim foi uma dor inédita, um sofrimento que nem sabia ser capaz de suportar.

Agora estou sendo bem cuidado pelo oncologista Jefferson Vinholes e tudo envereda pelo bom caminho, mas ainda não processei totalmente o que aconteceu. O que posso concluir desse episódio? Alguns dizem que essas experiências radicais nos levam a iluminações.

Você compreende a vida de outra forma, vê as coisas de outro ângulo. Talvez no futuro, mas, até agora, o sofrimento não me abriu as portas da percepção. Até agora o sofrimento só foi isso mesmo, sofrimento. Que desperdício de dor.

Mas houve algo, um sentimento que se consolidou na minha mente, com essa experiência. O que posso dizer é que, se não houve sofisticação da minha, digamos, vida espiritual, houve aumento da minha fé nas pessoas.

A preocupação sincera e a ajuda incondicional dos meus amigos e dos meus familiares; as orações e promessas de pessoas que nem conheço, de todas as religiões; o apoio tranquilizador da minha empresa, a RBS, e o carinho dos meus colegas, desde a atendente do bar até o mais alto diretor; a competência dos médicos e o requinte da ciência; tudo isso me ergueu e me ergue, e tudo isso é humano. Não há nada transcendental aí; o que há são as pessoas.

Os homens. O homem que inventa a bomba atômica, mas que também desenvolve a medicina nuclear, o homem é, sim, o lobo do homem, mas também o seu consolo e a sua salvação. Depois de olhar na cara da morte, vi que a vida está na relação com as outras pessoas. As pessoas, as pessoas. Os outros seres humanos é que nos tornam humanos.

quinta-feira, 28 de março de 2013


Bom Feriado Anjo!!
Não condene-se por ter pensamentos ruins,
Crie novas oportunidades e evite
Que estes pensamentos negativos retornem
Fernando Lapolli





É Páscoa, Ressurreição de Jesus


O maior motivo de comemoração
para os cristãos é o dia em que
seus pecados foram perdoados,
o dia em que o homem foi comprado
por um preço muito alto
e esse preço foi
a vida do próprio filho de Deus,
que morreu para que todos
pudessem ter vida eterna através d'Ele


Ele morreu, mas também ressuscitou,
e esse é o nosso maior motivo de orgulho.
A Páscoa, o feriado onde todos nós
deveríamos celebrar com júbilo
e regozijo a Graça do Senhor Jesus, 


Comemore com Deus
Essa data Santa


Páscoa de Paz


Na Páscoa,
limpe a poeira que por ventura
estiver impedindo
que você enxergue
que viver é um ato de amor


Somar, dividir, multiplicar...
doar-se!!!
Renove tudo. renasça!!!


Tenha uma Páscoa
Muito feliz com seus familiares...


Um maravilhoso Feriado!!
As palavras que forem escolhidas
Para representarem você,
Ainda nada serão perto do que todo
O seu amor de mãe é capaz de oferecer.
Fernando Lapolli




Boa Tarde Anjo!!
A luz que surge no princípio de uma vida humana,
Nasce do calor materno que recebemos
Durante nove meses de muito amor e carinho
Fernando Lapolli




28 de março de 2013 | N° 17385
EDITORIAIS ZH

O fim de um abuso

Um mês depois de a Câmara Federal ter tomado a iniciativa, a Assembleia Legislativa gaúcha decidiu acabar com o 14º e o 15º salários para deputados estaduais, determinando o fim de um privilégio inadmissível e propiciando uma economia considerável de recursos públicos.

Ainda que a agilidade da Assembleia deva ser reconhecida no caso, é preciso colocar a medida no seu devido contexto. Trata-se, muito mais, do fim de um abuso escancarado do que de uma ação propositiva do parlamento. O correto, mesmo, seria a devolução de tudo o que os parlamentares receberam além do que recomenda o bom senso.

É importante deixar claro que, na decisão dos deputados estaduais, pesou o fato de que os seus ganhos devem equivaler a 75% dos percebidos pelos parlamentares federais.

Se continuassem a perceber um 14º e um 15º salários num valor superior a R$ 20 mil, os legisladores gaúchos acabariam superando o teto máximo remuneratório previsto em lei. Com a decisão de se adequar logo à mudança, os integrantes da Assembleia abrem caminho para uma economia total de R$ 6,6 milhões a cada legislatura, verba que poderá ser aplicada agora em outras áreas.

Economias tão expressivas só se mostram possíveis devido às pressões por mais transparência no Legislativo. Pioneira no esforço de facilitar o acesso a seus gastos por parte da sociedade, a Assembleia gaúcha vem se defrontando muitas vezes com desperdícios inadmissíveis.

Incluem-se nesse caso desde os resultantes do chamado escândalo dos selos, por meio do qual eram desviados montantes elevados, até o pagamento de servidores fantasmas. Mais recentemente, foi descoberto que uma funcionária com salário superior a R$ 24 mil sequer cumpria expediente.

O aspecto surpreendente é que, quando se imagina que já não haja qualquer outro privilégio a ser enfrentado, acaba surgindo mais um. Sinal de que a sociedade precisa se mostrar permanentemente atenta aos excessos e aos responsáveis pela sua perpetuação.


28 de março de 2013 | N° 17385
PAULO SANT’ANA

Empregadas domésticas

Sempre tive empregada doméstica, desde meus 30 anos de idade.

Nunca paguei fundo de garantia para elas, a lei não me obrigava.

Devo confessar que sempre paguei somente o seguinte para minhas empregadas domésticas através do tempo: 13 salários anuais, férias, INSS. E só.

Mas agora estará sendo promulgada pelo Senado uma norma que me obrigará a pagar fundo de garantia, horas extras, creche para os filhos da empregada, seguro contra acidentes no trabalho, seguro-família e muitos outros penduricalhos assustadores.

Não sei como poderei pagar todas essas obrigações. Devo achar um jeito.

No entanto, declaro que são justos esses avanços sociais para as empregadas domésticas.

Vou mais longe, essa nova lei talvez signifique a redenção dos últimos vestígios da escravidão que nos assombram desde séculos.

Se eu, aqui no emprego que tenho como jornalista, tenho direito a uma plêiade de direitos trabalhistas que usufruo na medida de minhas necessidades, por que as empregadas domésticas não teriam os mesmos direitos? Por quê? Afinal, elas são iguais a mim. E, nesses séculos todos, não foram iguais a mim.

Tenho de me envergonhar de que fingia desconhecer essa violenta desigualdade: tenho vergonha de não ter tido vergonha dessa vergonha.

Num ponto, o ex-presidente do Grêmio Paulo Odone tem razão: a imagem da Arena do Grêmio vem sendo desgastada com certas atitudes e opiniões que são lançadas no debate.

Eu também não gosto desse maniqueísmo instalado entre nós: de um lado, os que dizem que a Arena foi um péssimo negócio para o Grêmio; do outro, os que dizem que foi um ótimo negócio.

Mau ou bom negócio, o negócio é levá-lo em frente porque já está feito, realizado, definitivo.

Isso no entanto não impede que Grêmio, Arena e OAS não corrijam as arestas deixadas pelo contrato e as façam desaparecer com negociações e diplomacia.


28 de março de 2013 | N° 17385
L. F. VERISSIMO

Anna

Emma Bovary e Anna Karenina são as adúlteras mais famosas da literatura, e as duas tiveram o mesmo fim. Foram vítimas da sua época, da hipocrisia das sociedades em que viviam – mas também do moralismo disfarçado dos seus autores, que as criaram para se destruírem.

Flaubert e Tolstoi condenaram a hipocrisia, mas não deixaram de castigar as suas duas transgressoras, ou de permitir que elas se castigassem. Enfim, foram homens, com sua misoginia à mostra, antes de serem artistas defendendo a transgressão.

Ainda não fizeram, que eu saiba, um bom filme de Madame Bovary (o último que tentou sem sucesso foi o falecido Claude Chabrol), mas o filme definitivo de Anna Karenina está nas telas, deslumbrando todo o mundo.

A explicação talvez seja que Flaubert nunca encontrou um colaborador a sua altura para fazer o roteiro, enquanto Tolstoi encontrou o Tom Stoppard. E os dois contaram com um diretor aventureiro como Joe Wright, que conseguiu fazer um filme altamente estilizado, na sua redução dos cenários – até o de uma corrida de cavalos – a um teatro e seus bastidores, sem que isto parecesse preciosismo vazio ou atrapalhasse o drama.

O filme é teatro sem ser teatral, como escreveu o Xexéo. E se tivesse sido filmado de forma convencional não teria a metade do impacto visual que tem. Com pouquíssimas tomadas externas, sem sair dos confins de um teatro, o filme mostra a Rússia imperial em todo o seu esplendor e miséria. O vasto exterior só aparece como contraponto para o claustrofóbico pequeno mundo da corte.

Joe Wright, para quem não se lembra, é o diretor de, entre outros, o filme Atonement (Desejo e Reparação, se não me engano), baseado num romance de Ian McEwan. O filme contém o que é provavelmente o mais longo “travelling” ininterrupto da história do cinema, toda a confusão na praia de Dunquerque onde tropas inglesas, fugindo dos alemães no começo da guerra, esperavam para serem retiradas, captada numa única e interminável tomada de tirar o fôlego. Podia ser exibicionismo técnico gratuito, mas mostrava a audácia de um diretor, que agora se confirma com este entusiasmante Anna Karenina. Olho nele.

Mesmo para quem acha que nunca haverá outra Anna como a Greta Garbo, ou faz restrições a um ou outro incisivo da Keira Knightley, o filme é uma experiência imperdível. Ganhou só um Oscar, o que também o recomenda.

quarta-feira, 27 de março de 2013



BOA TARDE!

Queria dizer várias coisas...
mas descobri que milhares de frases
jamais alcançariam o grande carinho
que tenho por você!


Tenha Um Lindo finzinho de tarde






"Ei! Levante-se!
É que a vida precisa de você...
agora...‎"
_Sirlei Passolongo_

-Com Carinho- 



Meus pensamentos são vagarosos
e andarilhos como água que desce
nas pedras da montanha,
nada sabem do meu coração
que tem a leveza do vento,
frescor da aurora.
E escondo dele o amor que inflama
dentro do peito machucando a alma,
tenta destruir a calma como animal raivoso.
Preciso ter cuidado, sim,
a qualquer momento aparecem teias
e pouco a pouco se desfiam,
em silêncio me guardo,
espero que se cale e aquiete...
[Marta Peres]



MARCELO COELHO

Keep calm and carry on

Antigo slogan britânico, criado pelo governo em 1939, volta à moda num mundo de mortos-vivos

A MODA pegou, com mais de 70 anos de atraso. Camisetas, mensagens no Facebook, capas de caderno, não há lugar onde não esteja reproduzido o velho cartaz britânico: "Keep calm and carry on".

Ou seja, "fique calmo e vá em frente". O slogan, pelo que vejo na Wikipédia, foi criado pelo governo inglês em 1939, para ser divulgado na eventualidade de uma invasão nazista. A versão clássica traz a coroa do império encimando as palavras, que se destacam sobre o fundo da bandeira do Reino Unido.

O cartaz não foi muito usado na época, e ficou nos arquivos governamentais. Uma rara cópia foi encontrada num sebo em 2000, e só nos últimos anos a frase virou febre. O mais comum é encontrá-la com letras brancas, sobre um fundo monocromático.

A graça da coisa está em modificar o slogan para todo tipo de situações. "Keep calm e faça um boletim de ocorrência." "Keep calm and call Batman." "Keep calm e aguarde o feriadão." "Keep calm e coma chocolate." A lista é infinita.

Existem também as modalidades inversas, que começam com "Get excited", e com "Freak out": "Dê a louca e quebre tudo", por exemplo.

Manter a calma eu acho melhor. Qualquer pessoa pode apreciar a sugestão, mas não é casual que a moda tenha começado na Inglaterra.

Teoricamente, o slogan deveria servir como incentivo à resistência. Poderia ter sido utilizado durante o bombardeio alemão sobre a Inglaterra, num momento em que o país estava sozinho contra Hitler.

Talvez não tenha sido sequer necessário difundir os tais cartazes. Enquanto choviam sobre Londres as bombas da blitz, a pianista Myra Hess apresentava, imperturbável, seus recitais de Beethoven; há um filme em que ela aparece, com um bombeiro ao seu lado para qualquer emergência.

Teríamos aí um bom motivo para a frase entrar na moda. Manter as mesmas atividades, num clima de ameaça, equivale a dar um sentido novo, e mais alto, à própria rotina.

O slogan traz também o sabor nostálgico de uma época em que governo e população poderiam, por vezes, parecer uma coisa só. As bombas caem sobre todos.

A liderança de Churchill naqueles anos de guerra -que também volta a ser reverenciada atualmente- colocava em cena algumas funções do Estado democrático que, talvez, estejam em desuso.

Coordenação, organização, motivação, por exemplo. Uma coisa são as reações individuais que possamos ter diante de um problema; outra, a atitude que sabemos ser melhor adotar coletivamente. Uma terceira coisa é um governo que, ouvida a vontade da maioria, torna-se legítimo ao apontar o rumo a ser seguido.

Depois de décadas de individualismo e desregulamentação, entretanto, o "keep calm and carry on", parece adquirir o sentido oposto. Em primeiro lugar, imagino que a força da crise econômica europeia tenha tido seu peso na ressurreição do cartaz.

Mantenha-se calmo, aguente, que um dia passa. A frase naturalmente se aplica a tudo o que não tem solução, ou cuja solução está entregue a um governo fraco, incompetente e corrupto: o trânsito nas cidades brasileiras, a criminalidade, o desemprego, os aeroportos, tudo o que quisermos.

Ao mesmo tempo, o slogan foi "privatizado", por assim dizer. Torna-se um convite ao conforto (fique calmo e coma chocolate), ao aperfeiçoamento pessoal (keep calm and play volleyball), ao consumo (fique calmo e use jeans da nossa marca).

As adaptações deixam de lado a segunda parte da frase -"carry on", "siga em frente". Seguir em frente não é tão fácil. Embora não tenha tanto destaque, essa recomendação me parece a mais significativa para o momento atual.

Trata-se do slogan de todo zumbi. Como se sabe, esses monstros também voltaram à moda. Depois dos filmes de vampiro, no estilo de Anne Rice, dos filmes de catástrofe e dos filmes de história em quadrinho, recorre-se ao velho depósito do terror "trash" para manter em movimento a indústria cinematográfica.

Vem aí uma superprodução de zumbis com Brad Pitt. Na época em que o capitalismo financeiro era mais charmoso, Brad Pitt era um dos belos atores de "Entrevista com o Vampiro". Os zumbis são um pouco como essas instituições financeiras que quebraram em 2008 mas seguem vivas até agora, arrastando seus pedaços e "seguindo em frente". Pedem calma, naturalmente, ao distinto público.

JOSÉ SIMÃO

Seleção Playboy! Só joga pelada!

E o gramado aquecido do estádio de Londres? O Neymar não resistiu: "Vou me jogar nesse quentinho"

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Socorro! Me mate um bode! "Feliciano irá à Bolívia para acompanhar caso de corintianos presos."

Então solta os manos, e prende ele! Vai dar merda! Ele vai chegar, vai falar uma merda e os manos vão pegar perpétua! E desde quando corintiano é minoria? Rarará!

E uma amiga disse que ele vai comprar chapinha em Cochabamba porque é mais barato! Rarará! Neste ano não vou comprar ovo de Páscoa. Vou comprar duas dúzias de ovos de galinha pra jogar no Feliciano!

Tormento Econômico: a Europa tá levando um Chipre na testa! Zona do euro se chama zona do euro porque o euro tá uma zona! O euro é um erro! O euro devia mudar de nome pra EURRO!

E a Selecinha? E Brasil X Rússia? Nem vi! Como disse o outro: "pelada por pelada, eu prefiro a minha nega!". Seleção Playboy! Só joga pelada! E o Felipão ainda vai jogar a seleção pra segunda divisão!

E aquele gramado aquecido do estádio de Londres? Gramado aquecido, perfeito pro Neymar! O Neymar não resistiu: "Uuhnn, vou me jogar nesse quentinho e não vou sair mais". Noventa minutos no quentinho!

E como disse o tuiteiro Jorge Miranda: "Seleção do Felipão ficou devendo tanto futebol que vai parar no SPC". SPC da Bola! Selecinha sem vícios: não fuma, não bebe e não joga!

E o imposto de renda? Vou entregar o imposto de renda fantasiado de Bozo! E o Lula? O que o Lula declarou? O Lula declarou que não sabia de nada! Rarará!

E sabe como o Adriano Imperador declarou o quesito dependente? "Dependente da marvada." Rarará! E o Edir Macedo é dependente do dízimo! E eu sou dependente do iPad! E adoro aquele quesito: "modelo a seguir". Posso seguir a Gisele Bündchen? Pelo menos pago bonito! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados! Direto de Porto Alegre: o cirurgião plástico LINDO CRISTALDO. Clínica de cirurgia plástica doutor Lindo Cristaldo. Eu queria ficar lindo, mas não cristaldo! Rarará! E o gerente de contas da Embratel se chama Marcus Vinicius Violento. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

Após prejuízo bilionário, só a água será gratuita nos voos da Gol
RICARDO GALLO - DE SÃO PAULO

A fim de reduzir custo e obter mais receita, a Gol acabará até maio com o serviço de bordo gratuito em todos os seus voos domésticos. De graça, só um copo de água será oferecido -ainda assim, a quem pedir.

A medida é tomada no momento em que a Gol anuncia prejuízo de R$ 1,5 bilhão no ano passado, o dobro das perdas registradas em 2011.

No quarto trimestre de 2012, a empresa registrou perdas de R$ 447,1 milhões em meio a alta nos custos de combustível e gastos adicionais com o fim da Webjet.


A companhia aérea Gol acabará até o mês de maio com o serviço de bordo gratuito em todos os voos domésticos

O resultado negativo anunciado ontem ocorreu apesar do avanço de 7,5% nas receitas no ano passado, para mais de R$ 8 bilhões.

A informação sobre o fim do serviço de bordo gratuito está em comunicado distribuído a pilotos e comissários, a que a Folha teve acesso.

Os voos nacionais correspondem a 95% da operação da companhia, que é a única a oferecer venda a bordo no Brasil. O processo começou em 2009 e hoje abrange metade dos voos nacionais. Na TAM, na Avianca e na Azul, o serviço é grátis.

Desde segunda-feira, o cardápio pago foi estendido para os voos da ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont. Isso significa que, neles, a opção grátis se restringe a água.

Até a semana passada, os passageiros da ponte aérea recebiam, de graça, amendoim, suco e refrigerante.

Também anteontem a Gol estreou quatro novos kits de cardápio: café da manhã e lanche nas versões "saudável" e "tradicional". Cada kit custa R$ 10 e só é aceito pagamento em dinheiro.

Um café da manhã saudável, por exemplo, traz suco de caixinha, queijo processado light, pãozinho, barra de cereal e geleia light. Não há sanduíches entre as opções.

Por enquanto, cada voo terá apenas 26 kits -para uma média de 150 passageiros.

No mundo, a venda a bordo é prática comum; companhias de baixo custo, como Ryanair e Easyjet, foram as precursoras do modelo.

Nos últimos anos, mesmo as companhias aéreas que oferecem serviço gratuito passaram a reduzi-lo.

"Acreditar no sucesso deste serviço é o início de tudo. Tenham certeza de que estamos disponibilizando um produto de qualidade. Sejam multiplicadores dessa ideia", disse a Gol no texto destinado aos funcionários.

O combustível, que subiu 18% anuais em dois anos, é um dos motivos para o prejuízo. Outros fatores citados pela Gol são a alta do dólar e o aumento acima de 30% nas tarifas aeroportuárias.