sexta-feira, 7 de agosto de 2026

07 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Faltou profundidade aos pré-candidatos no debate

É natural que, no primeiro debate de uma campanha eleitoral, os pré-candidatos ainda estejam aquecendo os motores e mais preocupados em se tornar conhecidos dos eleitores. Mas, a menos de dois meses do primeiro turno, seria esperado que houvesse mais profundidade por parte daqueles que desejam o voto dos gaúchos.

O formato do debate promovido pela Rádio Gaúcha, ontem, na PUCRS, favorecia justamente a pluralidade de assuntos. Algumas perguntas partiram de entidades representativas do Estado e abordaram temas como cooperativismo, saúde, transparência, inteligência artificial e empreendedorismo. Mas, na maior parte das vezes, os postulantes responderam pouco às questões formuladas. Perderam oportunidades valiosas de dialogar diretamente com os setores que, além de representarem uma parcela significativa do eleitorado, impulsionam o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Nas raras ocasiões em que permaneceram nos temas propostos, faltou profundidade. Embora tenham sido estimulados, logo na abertura, a apresentar propostas concretas, poucos explicaram como pretendem colocá-las em prática, e nenhum abordou de onde virão os recursos para financiá-las. Em tempos de restrição fiscal, o "de onde virá o dinheiro" é a principal pergunta que um pré-candidato a governador precisa responder.

Educação, saúde e segurança pública foram os temas que mais apareceram, três áreas que serviram de escada nas estratégias dos debatedores para atacar o adversário, de forma individual ou em dupla, a chamada "dobradinha", que ficou muito clara, desde o início do evento, entre Juliana Brizola (PDT) e Marcelo Maranata (PSDB) contra Gabriel Souza (MDB). O vice-governador, aliás, foi o foco das críticas, enquanto o ex-prefeito de Guaíba buscou apresentar-se como terceira via. Luciano Zucco (PL) explorou a condição de ser oposição tanto no Estado quanto em nível nacional.

Em um debate, em geral, morno, Juliana e Gabriel protagonizaram o momento mais quente, próximo ao final, quando a ex-deputada desafiou o vice-governador a dizer como irá governar, caso eleito, diante da previsão de déficit orçamentário. Gabriel respondeu questionando quais programas da atual gestão ela manteria, caso chegue ao Piratini. Foi um dos poucos momentos em que a discussão tangenciou o desafio concreto de administrar as contas públicas.

Também chamou a atenção a ausência de temas estruturantes para o futuro do Estado. Praticamente não se falou sobre agronegócio, indústria, infraestrutura, cultura, sustentabilidade e mudanças climáticas.

Em um Rio Grande do Sul que viveu sua maior tragédia ambiental e enfrenta eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, adaptação e resiliência deveriam estar no topo dos planos de governo. O sistema de proteção contra cheias apareceu apenas nos minutos finais, em um confronto entre Gabriel e Maranata, e ainda assim de forma superficial.

Como estratégia, os quatro pré-candidatos administraram cuidadosamente o tempo para garantir os segundos finais dos blocos de confronto direto, tentando ficar com a última palavra. Nos próximos, espera-se que a mesma habilidade seja empregada para aprofundar as respostas e discutir, com mais objetividade, concretude e profundidade, os caminhos para o Estado. _

Marcelo Gleiser de volta ao RS

Marcelo Gleiser voltará a Porto Alegre, na próxima terça-feira, para o lançamento do filme A Dança do Universo. 

A obra entrelaça biografia, ciência e filosofia ao acompanhar a trajetória do cientista, das raízes no Rio de Janeiro à criação da chamada "Ilha do Conhecimento", seu centro de imersões e retiros para executivos, situado em uma vila do século 16, na Toscana (Itália).

O filme convida a uma reflexão sobre como o conhecimento amplia, em vez de dissipar, o mistério que envolve a vida e o universo. Professor de Física e Astronomia no Dartmouth College, nos EUA, Gleiser é reconhecido internacionalmente por centenas de artigos e ensaios e por popularizar temas científicos.

A pré-estreia será na sala 5 do GNC Cinemas, do Moinhos Shopping. Haverá palestra com Gleiser.

O cientista virá a Porto Alegre a convite do Instituto Cidadania Cabanellos e da Ajuris, com apoio institucional da PUCRS. 

Honraria a Cármen Lúcia

A Associação dos Procuradores do Estado do Rio Grande do Sul (Apergs), que representa os procuradores do Estado, entregou à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), a medalha Antônio Estevão Allgayer - 60 anos.

Uma comitiva da entidade foi recebida, em Brasília, no gabinete da magistrada ontem. A homenagem reconhece personalidades que tenham prestado relevantes contribuições à advocacia pública e às instituições brasileiras.

A comitiva gaúcha foi liderada pela presidente da Apergs, Patrícia Bernardi Dall?Acqua, acompanhada pelo vice-presidente, Telmo Lemos Filho, pelo diretor Luis Carlos Kothe Hagemann e pelo presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape), Hélder de Araújo Barros.

A medalha foi criada no contexto das comemorações pelos 60 anos da entidade, celebrados em 25 de agosto de 2026.  Direito de pergunta: ministro José Múcio, se basta abrir o portão, para que servem as Forças Armadas?

INFORME ESPECIAL

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