CONTAS PÚBLICAS
Alta da dívida decorre dos juros elevados, diz Durigan
Dados mais recentes mostram que passivo federal chegou a R$ 9,2 trilhões. Ministro afirma que aumento se dá em razão da rolagem de débitos antigos. Para os adversários de Lula, a gestão petista não tem compromisso com a responsabilidade fiscal e com o corte de despesas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o aumento da dívida brasileira não se deve ao crescimento de gastos, e sim aos juros altos que são cobrados no país. Segundo ele, isso ocorre por conta da necessidade de o governo federal pagar dívidas antigas com títulos novos, o que implica em mais pagamento de juros.
A declaração do ministro foi dada ontem em entrevista à GloboNews. Ele explicou que, de fato, há relação entre a questão fiscal e os juros, mas que há também outros fatores decisivos que acabam por influenciar as altas taxas cobradas no Brasil.
O aumento da dívida pública é um dos pontos explorados pela oposição à atual gestão. Candidatos à Presidência levantam o tema para atacar a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Para os críticos, o governo petista não tem compromisso com a responsabilidade fiscal, gastando mais do que arrecada em vez de adotar medidas para equilibrar as contas. Os adversários do atual presidente pregam o corte de despesas como alternativa para enfrentar o débito e a alta de juros.
A equipe de Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, defende o enxugamento da máquina pública e a venda de ativos da União como formas de recuperar a confiança na condução das contas públicas.
Perguntado se os gastos favorecem o cenário de juros altos, Durigan disse que "o governo não está gastando mais do que arrecada".
- O que acontece é que estamos pagando dívidas antigas com títulos novos. É, portanto, na gestão da dívida que estamos aumentando a dívida. É na rolagem da dívida, e não nos gastos - complementou.
Dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que a emissão forte de títulos vinculados à taxa Selic, o juro básico da economia, fez a dívida pública federal subir em junho, superando os R$ 9,2 trilhões. Durigan reiterou que os juros elevados são o principal fator por trás do aumento.
- Estamos com um problema na economia brasileira que é a taxa de juros e quanto isso afeta o endividamento, seja público, seja privado. O compromisso do governo é fazer todo o possível dentro do ponto de vista fiscal, que é o que está mais próximo, para endereçar essa questão dos juros no próximo mandato. O juro machuca muito a economia brasileira como um todo, não só o governo - acrescentou.
Ele destacou que, do ponto de vista econômico, o país está muito bem, "com o melhor resultado de inflação da história" e as agências internacionais de risco melhorando cada vez mais as avaliações sobre o país.
Os comentários ocorrem um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Esse foi o quarto corte consecutivo da taxa. Antes do início do ciclo de calibração, o juro estava em 15%.
Incerteza elevada
Questionado se haveria uma má vontade do mercado financeiro ao estabelecer a taxa de juros futura, Durigan disse que não atribui o cenário atual a uma má vontade, mas sim ao grau de incerteza elevado e a uma certa ansiedade com a eleição:
- Estamos falando de o mercado comprar títulos de longo prazo, estamos falando de títulos de três, cinco e 10 anos e essa projeção de futuro que hoje está em jogo.
Segundo Durigan, o governo Lula melhorou as contas públicas, o que resultou em um ajuste de dois pontos percentuais (pp) do Produto Interno Bruto (PIB) no déficit primário (que exclui juros e correção da dívida). _
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