quarta-feira, 28 de dezembro de 2022


A primeira noite de um homem

Homem sofre ao dormir na casa da mulher que acabou de conhecer. Não é um momento glorioso do nosso gênero, da nossa condição. Trata-se de um laboratório de coragem e desapego.

Ao acordar de ressaca, sonhando com uma aspirina, você não sabe se existe cachorro bravo solto por ali, caturrita voando, gato possessivo ou mesmo alguém de pé. Não tem ideia se a pessoa mora sozinha ou com a família. Não pode sair do quarto com uma tanga de Tarzan e correr o risco de se deparar com o pai desprevenido comendo torradas com geleia no café da manhã. Para o futuro sogro, talvez seja um desjejum impactante.

São grandes as chances de pisar em ovos mexidos alheios, adentrando-se num território nebuloso, enigmático, perigoso, soberbo, de casualidades nada agradáveis.

Não houve aquele tempo demorado de conversa, aquela intimidade de confissões para desfrutar de informações privilegiadas sobre onde se encontra e com quem. É o início da relação, marcado pela atração, pela química, pela pele.

Não pretende despertar e incomodar a sua paquera. Pulará da cama dando échappé de um bailarino, sem chamar atenção, sem fazer barulho. Rezará para que a chave esteja na porta e para não ser torturado pelo embaraço de adivinhar a senha de segurança na saída da portaria.

Não tem noção sequer de onde é o banheiro. Precisa recolher suas roupas no chão e vesti-las amassadas para ir ao trabalho. Sofrerá para encontrar as meias - uma sempre está visível e a outra num lugar absurdo.

Será obrigado a usar, inclusive, a mesma cueca da noite anterior. É um rei que virou abóbora indigente depois da meia-noite. Como homem não tem bolsa, não dispõe nem de sua escova de dente consigo. Não contará com nenhum item de primeira necessidade à mão.

Na minha primeira noite no apartamento de minha esposa, quando estávamos começando a namorar, não conhecia nada do espaço dela. Na hora do banho, suei frio com dilemas domésticos: profanar ou não a única toalha no cabideiro? Ou secar-me com a toalha de rosto? O que seria menos pior?

Para corrigir os fios nervosos da barba no pescoço, não ficaria chato empregar a sua gilete rosa? Só havia desodorante de rolo. O que depilaria o meu sovaco à força. Não encontrava nada que satisfizesse a minha higiene no seu armarinho sem produzir um choque cultural.

No box, dezenas de xampus me deixavam tonto. Cabia-me escolher algum mais neutro, menos floral. Depois de cheirar todos, optei por uma fragrância mais simples, mais masculina. Enchi a minha barba com ela, passei pelo meu peito, forcei a espuma. No fim, gostei do resultado. Até fui ver o nome no rótulo do produto para comprar um para mim: era sabonete íntimo.

CARPINEJAR 

28 DE DEZEMBRO DE 2022
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Camilo confirma Izolda como secretária-executiva

Ex-governador do Cea­rá e ministro da Educação a partir de 2023, Camilo Santana confirmou ontem que Izolda Cela será secretária-executiva, a número 2 na pasta que ele comandará.

- Falta apenas nomear - brincou Camilo, depois de uma reunião com o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Izolda, governadora do Ceará, era cotada para assumir a pasta como ministra, cargo que ficou com Camilo. Ela nunca foi filiada ao PT e deixou o PDT após racha este ano dos dois partidos, que foram aliados por décadas no Ceará. Nascida em Sobral (CE), a psicóloga e mestre em gestão esteve entre 2001 e 2006 na secretaria da cidade, que então passou a ser considerada o maior exemplo de política educacional no Brasil.

Depois, levou experiências com alfabetização de crianças para todo o Ceará, quando se tornou secretária estadual em 2007. O governo, na época do PDT, passou a dar incentivos materiais e financeiros para que municípios melhorassem a aprendizagem dos alunos.

Continuidade

A política foi continuada por Camilo, eleito governador do CE pelo PT em 2014, quando ela assumiu a cadeira de vice. Izolda se tornou governadora quando Camilo resolveu se candidatar a senador este ano, e acabou eleito. Lula acabou escolhendo Camilo para o Ministério da Educação. Apesar de ele não ter trajetória ligada à pasta, governou por quase oito anos o Ceará, referência na área no país.

Santana também confirmou que Fernanda Pacobahyba ficará com a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ela foi secretária da Fazenda do Ceará e é citada por Santana como "pessoa da minha confiança".

 


28 DE DEZEMBRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

O LOTEAMENTO DA MÁQUINA PÚBLICA

Mazela histórica da política nacional, o loteamento da administração pública por critérios fisiológicos, como a retribuição a aliados políticos, o empreguismo de correligionários e a garantia de apoio nos parlamentos, volta a predominar tanto no âmbito federal quanto na maioria dos Estados brasileiros. Basta um olhar superficial sobre a formatação do ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se constatar que as escolhas essencialmente técnicas são minoritárias. O mesmo vem ocorrendo nas administrações estaduais, com poucas exceções em que a aptidão para o cargo prevalece sobre o interesse político. São raros os eleitos que cumprem suas promessas de campanha de se guiar pela cartilha da boa governança.

Na administração federal, até por seu gigantismo, o loteamento e o aparelhamento ficam mais escancarados e não se resumem apenas ao primeiro escalão. Só para ficarmos com um exemplo: quando assumir o comando do país, em 1º de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdará de seu antecessor 9.587 cargos comissionados para distribuir na Esplanada, sem contar instituições federais de ensino e agências reguladoras. Embora 60% dessas vagas devam ser ocupadas por servidores de carreira, de acordo com a legislação, as demais podem ser destinadas a apadrinhados políticos ou a amigos dos amigos, sem qualquer critério de competência comprovada. Segundo informações do próprio Ministério da Economia, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, o total de cargos e funções no Executivo federal ultrapassa os 90 mil.

É evidente, como a história recente do país vem demonstrando, que esse empreguismo desmesurado contribui para a ineficiência e até mesmo para a corrupção. Não que os servidores concursados estejam imunes à lassidão e mesmo a desvios éticos, deformações que ficaram fartamente evidenciadas na também recente Operação Lava-Jato. Mas a eficácia e a honestidade não podem ser negligenciadas numa seleção de pessoas para a administração pública. Não se trata aqui de uma simplória defesa do Estado mínimo, mas sim da desejada busca pelo Estado necessário e coerente com as demandas dos contribuintes.

Em contraponto, ainda que a população sempre veja com desconfiança a formação de novas estruturas governamentais, é compreensível que os eleitos busquem assessores diretos comprometidos com o próprio projeto político. Ninguém seria insensato a ponto de colocar inimigo na própria trincheira. Mas o patrulhamento ideológico também pode ser danoso, como já ocorreu há poucos dias no "desconvite" a um diretor da área policial por manifestações políticas pretéritas em redes sociais.

Se quiserem atenuar o desconforto da população com o loteamento político de suas administrações, os governantes eleitos deverão adotar uma política de total transparência em relação ao funcionamento da máquina, oferecendo periódicas prestações de contas aos cidadãos, de modo que a eficácia e a lisura dos escolhidos possa ser avaliada - e que a avaliação da sociedade sirva de parâmetro para eventuais correções.

OPINIÃO DA RBS


28 DE DEZEMBRO DE 2022
+ ECONOMIA

Refap vai parar e investir R$ 400 milhões

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas, passou por muitas reviravoltas. Até a venda da ainda mais histórica Landulpho Alves, da Bahia, para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, era a única unidade da Petrobras que havia tido participação privada - por quase uma década, tinha como sócia, com 30%, a espanhola Repsol.

Estava para ser vendida ao grupo Ultra, dono da rede de postos Ipiranga em 2021, mas a negociação fracassou na reta final. Com a mudança de governo, não deve mais ser privatizada e, em janeiro de 2023, fará a maior parada de manutenção de sua história, com investimento de cerca de R$ 400 milhões, conforme resposta da estatal à consulta da coluna.

A parada estava prevista para este ano, mas foi adiada diante do risco de desabastecimento de diesel apontado pela própria Petrobras. A manutenção será feita, segundo a estatal, "para garantir a confiabilidade", além de aumentar a eficiência energética e a segurança.

Nos últimos dois anos, o recorde de produção mensal de S10 (diesel com baixo teor de enxofre) foi superado oito vezes, a mais recente em julho de 2022. A produção atual é 34% maior do que o recorde de 2020.

Isso foi possível, conforme a Petrobras, com "pequenos projetos de modificação nas unidades de hidrotratamento e na tancagem da Refap". Ainda segundo a estatal, o adiamento da manutenção "só foi possível após rigorosa avaliação dos especialistas" da empresa, engenheiros e técnicos. Também foram mantidos, assegura a companhia, "os requisitos para gestão da integridade e confiabilidade" e houve "anuência dos órgãos de controle pertinentes".

Um dos problemas crônicos da Refap, a instabilidade da monoboia (equipamento flutuante de transferência de petróleo) que recebia petróleo para o refino em Tramandaí chegou a provocar parada de produção na refinaria por atraso na chegada de matéria-prima. Segundo a Petrobras, para atenuar o problema foram adotadas "iniciativas preventivas", como o aumento de estoque de petróleo tanto em Tramandaí quanto na refinaria.

"Além do que já foi feito, a Petrobras está investindo na recuperação de tanques de petróleo, ampliando a capacidade de estocagem na refinaria", completou a estatal.

+ ECONOMIA

terça-feira, 27 de dezembro de 2022


27 DE DEZEMBRO DE 2022
CAPA

Vem aí uma temporada lírica

Companhia de Ópera do RS ganha sede no Theatro São Pedro e planeja quatro montagens em 2023

Se 2023 seguir a tendência deste ano, a recém-criada Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (Cors) pode esperar uma temporada de casa cheia. Com uma rápida escalada em menos de um ano, o lançamento da cooperativa de cantores líricos foi um sucesso, permitindo ao grupo projetar um 2023 com ainda mais comprometimento em ocupar o Theatro São Pedro e em levar a ópera para o interior do Estado.

Os planos para o próximo ano incluem récitas pelo Interior de espetáculos que já estão no repertório, como Cavalleria Rusticana e A Flauta Mágica, e quatro novas montagens. A novidade é a ocupação dos espaços do Theatro São Pedro, que se torna a casa do movimento a partir de janeiro, graças a um convênio firmado neste mês. A parceria permitirá à companhia usufruir da estrutura para ensaios, planejamento e manutenção das produções, bem como para a preparação de elenco, além de estipular um palco oficial para as estreias.

- A gente espera a consolidação dessa temporada regular de óperas, e de casa nova. Para que não tenha canto desse nosso Rio Grande do Sul que não tenha acesso a um espetáculo de ópera. Para as pessoas se apaixonarem por essa arte - declara o tenor Flávio Leite, um dos fundadores da Cors.

A agenda do grupo recomeça já no próximo dia 18, com uma apresentação no 11° Festival Internacional Sesc de Música, em Pelotas. Ao longo do primeiro semestre, duas novas montagens serão desenvolvidas pela companhia. Em março, ocorrerá a estreia de Suor Angelica, ópera em um ato de Giacomo Puccini, em comemoração ao mês da mulher, sendo totalmente produzida por mulheres - toda a programação da temporada destacará o protagonismo feminino.

No mesmo mês, haverá um espetáculo especial para a programação de inauguração do Teatro Oficina do Multipalco Eva Sopher, no Theatro São Pedro: Vissi d?Arte, Vissi d?Amore.

A segunda ópera do ano que vem, em junho, será I Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo, que não é montada na Capital há vários anos. O espetáculo traz para discussão a temática do abuso contra a mulher. A ópera contará com a participação do Grupo Tholl, de Pelotas.

- Não tem como fazer uma produção de I Pagliacci no Rio Grande do Sul, segundo a minha visão do espetáculo, sem contar com esse supergrupo, que é patrimônio do Rio Grande do Sul no que diz respeito ao circo - afirma Leite.

Formação

As outras duas montagens prometidas para 2023, além de Suor Angelica e I Pagliacci, ainda não tiveram seus títulos divulgados. Todo esse esforço visa a dar continuidade à missão proposta pela cooperativa de realizar as estreias dos espetáculos em Porto Alegre e depois apresentá-los no interior do RS. O objetivo é suprir, por meio de uma temporada regular, uma demanda até então preenchida por produções eventuais no Estado. Assim, espera-se reinserir a ópera no cotidiano da população gaúcha.

Desde sua fundação, em abril, o grupo realizou 11 apresentações pelo Estado, em quatro cidades, reunindo aproximadamente 3,5 mil pessoas. A venda de ingressos, com uma média de 95% de lotação, indica o sucesso entre os gaúchos, que constituem um público fiel de ópera, como aponta Leite.

Para o próximo ano, diversas cidades já têm espetáculos pré- agendados, sendo ao menos cinco nos primeiros seis meses de 2023. A Cors está ainda engajada em uma campanha de busca de patrocinadores, entre empresas e pessoas físicas, para a temporada.

O Theatro São Pedro e seu Multipalco serão utilizados como sede do grupo. Espaços atualmente em construção nesse complexo também estarão disponíveis à medida que forem finalizados, como o Teatro Oficina e o Teatro Italiano, este propício à ópera, previsto para ser entregue em dois anos.

- Achei a ideia de uma cooperativa de ópera muito importante. Permite que o público se aproxime dessa arte - avalia Antonio Hohlfeldt, presidente da Fundação Theatro São Pedro.

Para ele, a iniciativa permite mostrar o que é a ópera e aproximá-la da juventude, um lado pedagógico de formação de público.

Além dos espetáculos, ações de contrapartida serão desenvolvidas pela Cors, como atividades educativas, abertas à comunidade, para a capacitação de novos cantores e de mão de obra técnica para a ópera, como maquiadores, cenógrafos, costureiros, iluminadores e assistentes de direção. As ações sociais incluem ainda master classes com cantores de referência e apresentações abertas a escolas.

- Através dessa atividade, vamos formar cantores, que vão formar os elencos para fazermos as montagens, o que obviamente barateia uma produção. Então, é um plantio de longo prazo - pontua o presidente do Theatro São Pedro.

Portanto, o impacto dessa parceria é o melhor possível, como também garante Leite:

- A Fundação Theatro São Pedro e a Secretaria de Estado da Cultura estão ofertando as condições necessárias para o desenvolvimento das nossas atividades enquanto companhia. Isso é de uma relevância imensa, porque aquele é um teatro que nasceu para a ópera.

 FERNANDA POLO


27 DE DEZEMBRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

AMEAÇA REAL

A descoberta de um artefato explosivo num caminhão de combustível nas proximidades do aeroporto de Brasília acrescenta um elemento novo - e preocupante - no tenso ambiente de transição de governo no país. De acordo com o relato da Polícia Civil do Distrito Federal, o principal responsável pelo frustrado atentado é um empresário do Pará, apoiador do presidente Jair Bolsonaro, que foi preso e já teria confessado sua intenção de provocar um incidente capaz de motivar estado de sítio no país e intervenção das Forças Armadas. Embora o episódio ainda não tenha sido suficientemente investigado, principalmente para que também sejam responsabilizados eventuais cúmplices e financiadores da tresloucada ação, não há dúvida de que os limites da lei e do bom senso foram ultrapassados.

Da mesma forma como as manifestações "patrióticas" de grupos inconformados com o resultado eleitoral ainda são vistas com certo deboche por quem não as leva a sério, o incidente do último final de semana até pode passar a impressão de amadorismo. Mas não é inconsequente. Pelo contrário, escancara o risco real de violência e de ameaça à normalidade institucional.

Estimulado pela cultura do armamentismo e, segundo seu primeiro depoimento, por manifestações públicas do atual mandatário da nação, o empresário, que tem registro de CAC (colecionador, atirador e caçador), mantinha no seu endereço de Brasília um verdadeiro arsenal: pistolas, revólveres, fuzis, carabinas, munições e mais cinco emulsões para fabricar explosivos. Sua intenção - ainda de acordo com as primeiras informações da Polícia Civil - era explodir a bomba no estacionamento do aeroporto ou numa subestação de energia, para provocar o caos e a apregoada intervenção das Forças Armadas.

O ensaio de terrorismo acende um preocupante sinal de alerta que não deve resultar apenas no reforço no esquema de segurança das autoridades e do público para a cerimônia de posse do presidente eleito. Requer, paralelamente, uma investigação mais aprofundada, capaz de prevenir potenciais aventuras radicais. Talvez tenha também chegado a hora de ações efetivas das autoridades policiais e até mesmo das corporações militares no sentido de desmobilizar ajuntamentos de civis em frente aos quartéis. 

O ato criminoso abortado pela Polícia Civil de Brasília aumenta a suspeita de que tais aglomerações, compostas em muitos casos por cidadãos ingênuos e preocupados com os rumos políticos do país, estejam servindo de base para delinquentes perigosos e armados. Estimulados pela negligência das autoridades, pela cobertura involuntária de pessoas pouco comprometidas com a democracia e alimentados pela desinformação ou por interesses escusos, esses indivíduos se julgam imunes para praticar ações violentas. Têm que ser contidos.

A irresignação com o resultado eleitoral só é legítima quando praticada de acordo com o preceito mais elementar da democracia: a maioria elege o governante e a parte vencida se organiza para fiscalizar, fazer oposição e se preparar para o próximo pleito. Simples assim. Explodir coisas não faz parte do jogo democrático. É crime. 


27 DE DEZEMBRO DE 2022
CAPITAL

Churrascaria com 776 lugares será um dos atrativos de parque

As obras em execução no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho (Harmonia), em Porto Alegre, estão na primeira etapa. Uma das novidades será a Cultura Gaúcha Churrascaria, que ficará onde estava localizada a Galpão Crioulo e tem previsão de inauguração para fevereiro de 2023. A nova churrascaria terá 2,4 mil metros quadrados, com 680 lugares na parte interna e 96 no lado de fora.

- Temos muito equipamento comprado e estamos nas finalizações das obras. A ideia é começar a servir churrasco em fevereiro - antecipa Edson Carlos Oliveira do Amarante, proprietário do estabelecimento ao lado do irmão e sócio Eduardo Fernando do Amarante.

Na tarde de ontem, Edson acompanhava os trabalhos nas dependências do local. O telhado foi reformado, pintado e recebeu material antifogo. As paredes agora são de alvenaria e haverá um bar perto de onde ficam as churrasqueiras, já instaladas, assim como a grelha da parrilla.

- As mesas terão 1,80 metro de comprimento, o que permitirá que quatro pessoas sentem confortavelmente. Mas podem sentar folgadas até seis pessoas - diz Amarante, que visitou outras churrascarias para buscar diferenciais e optou por cadeiras estofadas.

Atrativos

Haverá espaço kids, área para pets, duas lojas com artigos da cultura gaúcha e um deck com outro bar, ao ar livre. O palco passou por reforma e ganhou dois banheiros.

Também está previsto um segundo deck, na parte de trás da churrascaria e com vista para a futura roda-gigante a ser instalada no Harmonia. Além disso, o estabelecimento terá mais de um acesso, inclusive com uma entrada para veículos que está sendo construída. Outra novidade do ambiente serão os aparelhos de ar condicionado.

Questionado sobre quantas pessoas deverão trabalhar na churrascaria, entre garçons, cozinheiros, atendentes e funcionários, o empresário faz estimativa.

- Serão entre cem e 120 pes­soas, somando todos os turnos de trabalho - afirma.

Por enquanto não há previsão de valores. Os cortes serão os tradicionais, como carne de ovelha, gado e porco.

- Queremos que as pessoas venham, tragam os filhos e os animais de estimação. A ideia é que tenham espaço e conforto - conclui.

 ANDRÉ MALINOSKI


27 DE DEZEMBRO DE 2022
+ ECONOMIA

Geração gaúcha na CSN Simone e o "mistério do Planejamento"

A cinco dias da posse, não se sabe o titular da última pasta da equipe econômica. Virou o "mistério do Planejamento". A definição ficou - sem conforto para quem for o escolhido - para a fase da negociação com os pastas dos partidos do centrão que apoiaram o presidente eleito, seja na disputa ou na aprovação da PEC da Transição.

E resta outro mistério de igual proporção de importância: o destino da aliada no segundo turno Simone Tebet (MDB), que foi essencial para a eleição apertada de Luiz Inácio Lula da Silva. A ex-candidata do MDB queria o Desenvolvimento Social. Foi convidada para as pastas da Agricultura, do Meio Ambiente e do Turismo. Recusou a Agricultura por estratégia, o Meio Ambiente por lealdade a Marina Silva, e o Turismo por motivos óbvios. Cidades seria uma opção, mas está na conta dos aliados.

Há sinais de que aceitaria o Planejamento, desde que com o Programa de Parcerias em Investimentos (PPI). Haddad já anunciou que concessões seriam um de seus alvos na Fazenda, mas há sinais de que o PPI iria para a Casa Civil de Rui Costa - o que faz pouco sentido.

A escolha da emedebista permitiria a Lula fazer o que gosta: arbitrar decisões cruciais entre duas visões. Se o presidente eleito não confiar a uma das aliadas mais ativas no segundo turno uma missão à sua altura, em vez da generosidade que prometeu como atitude ao assumir o cargo pela terceira vez, terá um episódio de mesquinharia no currículo.

foi a queda da bolsa ontem, dia em que o mercado operou, no Brasil, sem referências externas. Até por isso, pesou o cenário interno, com foco nos riscos fiscais. Depois de reagirem bem à aprovação da PEC da Transição por apenas um ano, investidores e especuladres começam a se inquietar com queda mais lenta no juro básico definido pelo Banco Central (BC).

Quase cinco meses depois de vencer o leilão do braço de geração da CEEE, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tornou-se a única dona da ex-estatal, que tem cinco usinas hidrelétricas, oito PCHs e duas centrais geradoras (na foto, a de Passo Real) no RS.

Negociou R$ 367 milhões com a Eletrobras para ficar com mais 32,74% da CEEE-G que pertenciam à ex-estatal federal em transferência como parte de pagamento negociado em acordo judicial que envolve correção monetária de créditos escriturais de empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Assim, sua subsidiária Companhia Florestal Brasileira (CFB) passa a ter 99% do capital social do braço de geração da antiga CEEE.

Com isso, o desembolso total da CSN com a CEEE-G alcançou R$ 2,95 bilhões: R$ 928 milhões no leilão pela fatia de 66,23% do Estado, R$ 1,66 bilhão ao governo federal pela outorga, e agora o acerto com a Eletrobras.

+ ECONOMIA

27 DE DEZEMBRO DE 2022
+ ECONOMIA

A conta da gasolina que foi "esquecida"

Depois de um silêncio de quase dois meses, o presidente Jair Bolsonaro retornou às redes sociais - não se sabe se voltou a exercer o cargo que deve cumprir até 31 de dezembro. Ontem, celebrou a quinta redução seguida no preço da gasolina e lembrou como foi obtida: "Graças à fixação nacional do ICMS cobrado nos Estados sob o valor dos combustíveis, telefonia móvel, internet e energia elétrica". Mas "esqueceu" de mencionar que não pagou a conta, que ficará espetada para seu sucessor.

A decisão de reduzir as alíquotas foi tomada pelo Congresso, com apoio do Executivo, em um tributo de competência estadual.

Vários Estados entraram com ações de inconstitucionalidade. Outros, como o Rio Grande do Sul, tentam acordo que parece distante.

A lei determina compensação da União pelas perda de arrecadação, mas esse ressarcimento segue em negociação com apoio do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme a titular de Fazenda do Ceará, Fernanda Pacobahyba, que representava as secretarias estaduais no grupo que discute o problema, a perda dos Estados de julho a dezembro é estimada em R$ 40 bilhões.

O STF já encaminhou a aprovação de acordo que mantém diesel, gás natural de gás de cozinha como produtos essenciais, portanto com alíquotas limitadas à chamada "modal" - a mais usada em cada Estado. Em vez de alíquota, será cobrado um valor fixo, igual em todo o país, que incide só uma vez - deixa de gerar créditos de ICMS -, fonte de ações judiciais.

+ ECONOMIA

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022


26 DE DEZEMBRO DE 2022
CÍNTIA MOSCOVICH

O legado de Nélida

Uma das mortes que mais se lastimaram em 2022 - e as perdas do ano que termina foram medonhas - é a da escritora e imortal Nélida Piñon, ocorrida no dia 17 de dezembro, aos 85 anos.

Nélida, cujo nome é um anagrama do nome do avô materno, Daniel, lançou-se ao percurso literário em 1961 com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, numa época em que as moças não deveriam se afastar muito do tanque e da cozinha. Junto a Maria Firmina dos Reis, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e, mais recentemente, Lya Luft (cuja obra abre-alas da carreira, As Parceiras, é de 1980), Nélida inaugurou caminho para que outras mulheres se aventurassem na literatura. Em várias entrevistas e depoimentos, a autora de O Calor das Coisas conta das dificuldades em exercer um ofício considerado masculino e, bem pior, em lidar com personagens em crise com o desejo, com a religião e com os deveres impostos pelo senso médio.

Com narradores versáteis, sempre altiva e independente, empreendendo abrangentes trabalhos de pesquisa, com léxico seguríssimo e noção narrativa experiente, Nélida abriu espaço no mundo do patriarcado e investiu na própria literatura e na autonomia de seus textos. Suas obras, que contam com contos, romances e juvenis, obras que amealharam os mais importantes prêmios em língua portuguesa (sem contar, entre outros, o Príncipe de Astúrias, na Espanha, além de distinções nos Estados Unidos, México, Colômbia e Cuba), livros que foram traduzidos e publicados em todo o mundo.

Eleita imortal da Academia Brasileira de Letras em 1989, Nélida tornou-se a primeira mulher a presidir a instituição em cem anos, pioneirismo que pode ser creditado a uma literatura povoada de figuras femininas às voltas com as imposições da própria feminilidade, esbarrando em erotismo quase sempre reprimido e em relações com a religião tão voláteis quanto a expressão do desejo.

Envolvida, depois de morta, numa polêmica ociosa e moralista acerca de seu testamento, no qual assegura que suas duas cachorrinhas serão mantidas com todo o conforto por sua assessora Karla Vasconcelos graças aos quatro apartamentos de luxo na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, Nélida não casou, não teve filhos e nem deixou herdeiros diretos. Seu legado é sua obra e o resultado de seu rechaço por tutelas e seu esforço por autonomia, que se estendeu e possibilitou o trabalho de todas as escritoras. Nélida também deixa por legado seu profundo amor por seus companheiros de quatro patas, aqueles que sempre estiveram lá.

Feliz ano-novo! Que venha a esperança.

CÍNTIA MOSCOVICH

26 DE DEZEMBRO DE 2022
ARTIGOS

A NECESSIDADE DE ÍDOLOS EMPÁTICOS

A cena de abertura do filme pode ser contraaHolanda, na comemoração da vitória nos pênaltis: o time inteiro da Argentina, eufórico, corre em direção ao gol, quando Messi vê o goleiro no chão, desvia e vai lá lhe dar um abraço. É um cara diferenciado, que merece um filme; acredito que será feito e a Copa do Mundo vai ser o clímax e o final glorioso desse filme.

Tive a felicidade de assistir ao jogo em família, com mãe, irmã, cunhado, filhos, vendo todos se emocionarem, independente de quem entendia mais ou menos de futebol. Foi muito mais do que um jogo, foi um filme épico, dramático, com o fator humano chamando tanta atenção quanto a beleza das jogadas.

O mundo precisa de bons exemplos, de ídolos que tenham empatia. Estava filosofando sobreisso com meu filho outro dia, quando ele disse que o mundo ideal não precisaria de ídolos. Ainda precisamos, basta ver como as pessoas “endeusam” os famosos, as celebridades, em todas as áreas, não só no futebol, também na música, no cinema, na política, na internet. É a pessoa ficar famosa, que passa a ser idolatrada. Está evidente que as pessoas têm necessidade de idolatrar alguém. Então, que sejam ídolos capazes de nos unir. E Messi conseguiu esse milagre, fazer milhões de brasileiros (não todos, é claro, mas provavelmente a maioria) torcerem pela Argentina, algo impensável até pouco tempo atrás.

Seu diferencial, além do talento deslumbrante, é sua humildade e capacidade de empatia, de ser simples, de se colocar no lugar do outro. Nunca vimos alguma cena sua de ostentação de sua riqueza, de arrogância,de se achar melhor que alguém, pelo contrário, há muitas cenas de simpatia.

Argentina 3 x3 França foi a final mais sensacional de todos os tempos, em todos os sentidos, da qualidade do futebol até os lances de extrema emoção. Que suspense, que imprevisibilidade. Qualquer um podia vencer a qualquer momento,várias jogadas de quase gol, além dos seis gols do jogo e de uma defesa milagrosa do goleiro da Argentina, no último minuto da prorrogação, que salvou o time da derrota. Por falar nessegoleiro, ele fez a maior baixaria (ao receber o troféu de melhor goleiro, aquela molecagem de o mostrar na frente dos genitais), mas também fez um dos gestos mais bonitos desta Copa, ao ir consolar Mbappé, que estava arrasado, sentado no gramado. Mbappé, aliás, o maior gênio pós-Messi, ainda tem muito a aprender com ele, principalmente na humildade

Médico psiquiatra - MONTSERRAT MARTINS

26 DE DEZEMBRO DE 2022
OPINIÃO DA RBS

O ORÇAMENTO E O DÉFICIT

Depois de muitas articulações políticas, intervenção do Judiciário e furos no teto, o Congresso Nacional aprovou na última quinta-feira o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, que estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro do próximo ano. Como vem ocorrendo há décadas no país, trata-se, mais uma vez, de uma peça de ficção que prevê receitas imaginárias, recursos generosos para algumas áreas e insuficientes para outras, além da cobertura dos programas sociais assumidos na campanha eleitoral. Mas aponta, também, para um déficit astronômico: R$ 231,5 bilhões. Para honrar esse valor adicional, a União terá que emitir mais dívida - num processo que historicamente entrava o desenvolvimento do país.

A proposta orçamentária original encaminhada pelo ministro Paulo Guedes previa um déficit de R$ 63,7 bilhões, mas deixava a descoberto não apenas os novos gastos com a área social (Bolsa Família de R$ 600,00, adicional de R$ 150,00 por criança de até seis anos, aumento do salário mínimo e do Auxílio Gás) como também desconsiderava despesas obrigatórias com saúde, educação e habitação. A aprovação da PEC da Transição possibilitou a recomposição orçamentária das áreas deficitárias. Sem ela, garante o relator-geral Marcelo Castro, o orçamento se tornaria inexequível, com risco de paralisação de várias ações do Estado por falta de recursos.

São números tão grandiosos que os brasileiros menos familiarizados com as finanças públicas certamente têm dificuldade para compreender. O valor total das receitas previstas pelo Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2023 é de R$ 5,345 trilhões, dos quais R$ 2,010 trilhões são destinados ao pagamento dos juros e encargos da dívida pública federal e R$ 213,9 bilhões vão para investimentos. Dos cerca de R$ 3,191 trilhões restantes, 94% estão reservados para o pagamento de despesas obrigatórias.

Para chegar a esses valores, o governo faz projeções que nem sempre se confirmam. O PLOA 2023 respalda-se na previsão de crescimento de 2% do PIB em 2022 e de 2,5% por ano até 2025. Mas a expectativa do mercado, levantada pelo Banco Central, é de crescimento de apenas 0,5% no próximo ano. Isso significa dificuldade para o cumprimento da meta fiscal estabelecida e, possivelmente, cortes nas despesas não obrigatórias.

O que ninguém cogita cortar é a fatia de recursos destinada aos interesses políticos dos próprios parlamentares. Tão logo o Supremo decidiu pela inconstitucionalidade das chamadas emendas do relator, orçamento secreto na definição popular, os recursos foram remanejados para as mesmas ações e projetos, ainda que, agora, a autorização para a sua aplicação tenha que vir do Executivo.

O Orçamento da União é sempre um quebra-cabeças, pois a manutenção da máquina pública e os gastos com obras e serviços, além dos juros da dívida, ultrapassam em muito a receita proveniente da arrecadação de impostos e das empresas públicas. Mas o crescimento do déficit só será interrompido quando os governantes tiverem coragem para implementar uma medida elementar, conhecida até por quem não domina números superlativos: gastar menos do que se recebe.


26 DE DEZEMBRO DE 2022
CLÁUDIA LAITANO

Inexplicável

Teve guerra, eleição, Copa, varíola dos macacos, fotografias de galáxias distantes e até ameaças (e pedidos) de golpe. E como se não bastasse a já instalada confusão entre realidade e pensamento mágico, notícias e fake news, ciência e charlatanismo, luzes misteriosas bailaram sobre nossas cabeças. Em 2022, Porto Alegre olhou para o céu - e as redes sociais olharam para Porto Alegre. Qualquer retrospectiva séria dos grandes acontecimentos do ano deveria incluir o episódio dos óvnis que foram sem nunca ter sido.

Com exceção dos que ficaram aflitos com o risco de uma intervenção intergaláctica iminente (sempre os há), os gaúchos encararam o enigma das luzes coloridas com curiosidade, bom humor e até certo enlevo. Estava todo mundo tão farto de eleição, polarização, radicalização, que foi reconfortante olhar para a mesma direção - ao infinito e além. Pelo menos por alguns dias.

Ao que tudo indica, os vídeos compartilhados nas redes sociais não flagravam objetos voadores não identificados, mas sim a luz do sol refletida em satélites que andavam orbitando por aí, distraídos da confusão que estavam causando aqui embaixo. O esclarecimento do mistério foi um final previsível, mas um tanto frustrante para quem esperava prorrogação ou, no mínimo, uma disputa nos pênaltis. Uma boa explicação apazigua a inteligência e sacia a curiosidade, mas só o inexplicável é capaz de nos manter em estado de excitação e maravilhamento.

Há quem não lide bem com o que não se presta a explicações simples: a origem do mundo, o sentido da vida, o destino das meias perdidas. Para preencher lacunas de conhecimento ou aplacar a angústia diante do que foge ao controle, vale encadear fatos não relacionados, estabelecer conexões descabidas entre causa e efeito, montar enredos baseados em falsas premissas. Tudo para livrar-se do incômodo da dúvida.

O podcast de ciência Unexplainable, escolhido um dos melhores de 2022 pelo New York Times, faz mais ou menos o contrário disso. Em vez de driblar o inexplicável, ou varrê-lo para baixo do tapete, coloca em evidência os mistérios que os cientistas ainda não foram capazes de solucionar - de como funciona o olfato à estrutura da matéria escura que compõe o Universo, passando por fenômenos tão belos e singulares quanto os "raios globulares".

A inteligência pode ser humilde e insaciável ao mesmo tempo, mas ninguém descobre nada de novo quando se convence de que já sabe tudo. Que a luz da curiosidade e a disposição permanente para aprender (e se maravilhar) iluminem o horizonte de todos nós em 2023.

CLÁUDIA LAITANO

26 DE DEZEMBRO DE 2022
CHAMOU ATENÇÃO

Vitória para a pequena Bella

Após mais de dois meses de angústia e mobilização pela vida de Bella Vetter Kottwitz, sete meses, a bebê tomou, na última quinta-feira, a tão aguardada dose do medicamento Zolgensma, considerado o mais caro do mundo.

O remédio é utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) do tipo 1, uma doença genética que compromete progressivamente as atividades musculares, interferindo na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, podendo causar paralisia e morte.

A doença foi diagnosticada em 13 de outubro e, desde então, a família de Bella mobilizou parentes, amigos e buscou sensibilizar o maior número possível de pessoas para ajudar na compra do medicamento, que chega a custar até R$ 7,2 milhões. A campanha de financiamento coletivo "Todos pela Bella", organizada pela publicitária Tatiana Vetter e pelo arquiteto Patrick Kottwitz, ambos de 36 anos, mãe e pai de Bella, arrecadou R$ 167,5 mil.

O pai e a mãe de Bella são naturais de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Eles moravam em Porto Alegre e, na pandemia, mudaram-se para Garopaba (SC). O nascimento da primeira filha foi na Capital e, após buscar atendimento em ambos os Estados, o diagnóstico ocorreu em Curitiba, no Paraná.

Dia Z

Em novembro, o desembargador Luiz Fernando Wowk Penteado, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, determinou que Bella recebesse o medicamento da União.

Os pais de Bella apelidaram o dia de receber a medicação como "Dia Z", devido ao nome do remédio (Zolgensma). A aplicação ocorreu às 7h da quinta-feira, no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná.

- Estamos em êxtase. Foi o melhor presente de Natal que a gente poderia ganhar. Como pais, estamos pisando em nuvens. A Bella ganhar essa medicação significa que agora podemos olhar para o futuro. Antes, a gente vivia um dia de cada vez. Imaginamos ela tendo uma vida plena e se desenvolvendo no seu ritmo certo - comenta a mãe de Bella.

Tatiana pontua que as próximas semanas serão de muita atenção à saúde de Bella, em razão de possíveis reações à medicação.

JEAN PEIXOTO

26/12/2022 - 07h03min
Babiana Mugnol - Bruno Todeschini / Agencia RBS - 
Bruno Todeschini / Agencia RBS

Conheça a vinícola que mais vende vinhos de mesa do Brasil

A marca, sediada nos Campos de Cima da Serra, está próxima de atingir 40 milhões de litros/ano

São 200 mil garrafas que vão para a expedição todos os dias

Que a Serra Gaúcha é a maior produtora de vinhos do Brasil todo mundo sabe. Que os vinhos de mesa concentram o maior volume comercializado também. O que, talvez, nem todos tenham conhecimento é que uma vinícola sozinha acumula o título, há oito anos, de ser a que mais vende vinhos de mesa no país, inclusive ultrapassando as grandes cooperativas da Serra que processam a uva de milhares de produtores da região. A vinícola em questão é a Campestre, que está próxima de atingir a marca de 40 milhões de litros/ano.

Campos de Cima da Serra em busca de uma Denominação de Origem para vinhosCampos de Cima da Serra em busca de uma Denominação de Origem para vinhos

Para se ter uma ideia do volume de vinhos que é comercializado, imagine três linhas de engarrafamento operando ao mesmo tempo nas quatro estações do ano. São 200 mil garrafas que vão para a expedição todos os dias. A quantidade de vinhos de mesa da linha Pérgola, engarrafados em um dia, equivale ao que vinícolas já consideradas de médio porte engarrafam em um ano. Inclusive, é a mesma média de vinhos finos que a Zanotto, também da vinícola Campestre, elabora em um ano.

João Zanotto é quem administra a companhia, fundada em 1968. Seu pai era associado da então cooperativa. E o filho deu continuidade aos negócios da família. A grande escalada nos negócios ocorreu a partir da década de 1990. Hoje são 800 famílias que fornecem uva. E, apesar do grande volume comercializado, a Campestre não vende um garrafão, sequer, de cinco litros. São todos de um litro. Mas não é só na garrafa que os vinhos de mesa se parecem com os finos:

— Nosso vinho de mesa é feito como o vinho fino. Se não tem uva boa, não tem vinho bom. Há 20 anos começamos um trabalho com agricultores para qualificar a produção, compramos equipamentos de vinhos finos. Se o paladar brasileiro é para esse vinho de mesa, pensamos: vamos fazer o melhor possível. E foi aí que a gente se destacou — conta Zanotto.

Inclusive, o dono da Pérgola destaca que o vinho de mesa é vendido a preço de vinho fino por conta destes investimentos. O principal mercado hoje é o da região Sudeste, com Minas Gerais liderando. Tanto que a vinícola planeja intensificar as ações voltadas para o mercado mais próximo, que é o próprio Estado, Santa Catarina e Paraná.

— O consumidor de vinhos de mesa é fiel, não muda de marca. Se mudamos uma vírgula, o cliente liga. Já o consumidor de vinho fino sempre quer conhecer novidades e tomam todas as marcas. Temos espaço para crescer,temos que ir atrás de novos potenciais consumidores — compara Zanotto.

É o que a vinícola vem fazendo... Maiores investimentos em vinhos finos e enoturismo

Com o mercado de vinhos de mesa no Brasil praticamente estável nos últimos anos, mas com os vinhos finos em crescimento, principalmente após a pandemia, a vinícola Campestre tem apostado cada vez mais em ampliar o mercado em ascensão. 

Hoje já tem cerca de 10 variedades viníferas cultivadas em sua nova área em Vacaria. O projeto de vinhos finos começou há cerca de quatro anos, com os primeiros lançamentos no mercado após a inauguração do complexo enoturístico onde, no passado, já funcionou um frigorífico. 

— Lembro de quando fui a Montevideo em um shopping. Se lá tinham transformado o que era um antigo presídio em um shopping, acreditei que poderia fazer isso aqui também — lembra.

Zanotto observa também o comportamento do “bebedor” de vinho para corroborar o planejamento estratégico que prevê 15 anos para atingir o auge da produção em vinhos finos.

E alguns produtos já estão atraindo o público que está sempre de olho em novidades. Além de castas que já se destacam na região, como Sauvignon Blanc e Pinot Noir, as italianas que gostam de altitude estão sendo buscadas. O Sangiovese da Zanotto de 2020,  medalha de ouro no Decanter World Wine Awards, já quase não se encontra mais no mercado. A Campestre já tem vinhedos de outra variedade clássica italiana, a Montelpuciano, mas elas ainda não começaram a produzir.

Estas especificidades dos Campos de Cima da Serra não são atrativas somente na garrafa. A vinícola fez um grande investimento no enoturismo nos últimos anos e está expandindo seus atrativos. São 23 mil metros quadrados de área construída, incluindo uma cave subterrânea com túnel em esculturas de pedra sobre a imigração italiana. Nos jardins da vinícola, uma igreja construída de pedras chama a atenção, assim como todo receptivo que precisa de auxílio de um veículo para percorrer a propriedade. 

domingo, 25 de dezembro de 2022


Steve Jobs, brilhante e controverso

Jaime Cimenti 

Steve Jobs (Editora Intrínseca, 640 páginas, R$ 99,90), do renomado biógrafo, professor, jornalista e escritor norte-americano Walter Isaacson, ex-editor da Time, autor dos best-sellers Leonardo da Vinci, Os inovadores e A decodificadora, agora teve nova edição revista e ampliada. Com tradução de Rogerio W. Galindo e com capítulos abordando o casamento de Steve com Laurence Powell e a vida em familia, e outro sobre os momentos finais da vida do principal nome da Apple, falecido em 2011, a obra ilumina a vida e a obra de um dos maiores representantes da inventividade e da imaginação aplicada.

A obra tomou por base mais de quarenta entrevistas realizadas com Steve Jobs ao longo de dois anos e muitas outras feitas com mais de cem familiares, amigos, adversários, concorrentes e colegas de trabalho. A biografia revela, sem reservas , a intensidade e a personalidade forte de Jobs, apaixonado pela perfeição e que viveu altos e baixos em sua trajetória vencedora. Ele revolucionou os computadores pessoais, os filmes de animação, a música, a telefonia celular, a computação em tablet e a publicação digital.

Jobs cooperou com seu biógrafo, mas não tentou controlar o conteúdo da obra, limitando-se a dar uns pitacos sobre a capa e a incentivar aqueles que conhecia a falarem sobre ele com absoluta sinceridade. Jobs, por sua vez, foi franco e até brutal ao mencionar pessoas com quem trabalhou e concorrentes. As visões sobre as paixões, obsessões, talento artístico, crueldades e compulsões de Jobs são apresentadas de maneira nua e crua, mostrando suas verdadeiras essências.

Passados dez anos de sua morte, Jobs segue um ícone e sua história de vida nos ensina diversas lições sobre inovação, caráter, prudência, liderança e valores. A Apple, mesclando criatividade com tecnologia, aliou saltos imaginativos com incríveis feitos de engenharia e mudou para sempre nossas vidas. 

Lançamentos

Sopa de cebola (Folheando, 66 páginas, R$ 36,00), do consagrado poeta, tradutor, escritor e médico José Eduardo Degrazia traz poemas sobre a infância e a juventude do autor, nos anos 1950- 60. "Nelson Gonçalves na vitrola/os pares dançam no salão/muitos são os caminhos da madrugada/vamos ao Velho Mercado/tomar uma sopa de cebola com batida de limão".

Prazer de Miragem (Ardotempo, 192 páginas), da premiada poeta e cronista paulista Mariana Ianelli, traz crônicas da autora escritas durante os dois anos da pandemia. Acompanhados das pinturas de Arcangello Ianelli e desenhos de Alfredo Aquino, os textos mostram um País trancado dentro de casa e uma visão positiva possível no período.

Cavalos ao amanhecer seguido de A Cidade Silenciosa (L&PM Editores, 182 páginas, R$ 31,90), do grande escritor uruguaio Mario Arregui, com ótima tradução de Sérgio Faraco, apresenta vinte e um contos do autor, que, como fazendeiro e homem do campo, soube criar um rico universo a partir de tais vivências, envolvendo ficção e realidade. 

Menos presentes, mais presépios

Então é Natal e a gente lembra do que fez e do que não fez, de quem está aqui e daqueles que vivem em outras dimensões. A gente recorda de árvores que eram pinheiros de verdade, velhas missas do Galo com incenso, campainhas e coroinhas, imagens nas Igrejas, tempos, alegrias e tristezas que ficam acontecendo muitas vezes na memória, nos devaneios e nos sonhos.

Árvores, cartões, presentes, comidas, bebidas, cerimônias religiosas, concertos, encontros, desencontros e não-encontros com familiares, amigos e colegas, telefonemas (ainda existe), mensagens pelas redes sociais, tudo ótimo, tudo normal depois do anormal pandêmico. Tomara que a gente sobreviva às orgias natalinas sem muito stress e doenças físicas e mentais e consiga ter bons momentos de leveza, mesmo com overdose de Nutella, e harmonia, mesmo com polarizações.

Merecemos tudo isso, depois deste ano que foi, tipo assim, escalafobético e na expectativa de um 2023 que virá certamente com muitas emoções. Se vê por aí um Natal mais básico, no bom sentido, sem grandes decorações, luzes, agitações, correrias e preocupações com mensagens, presentes, visitas e compromissos. Presentes a gente pode dar a qualquer hora, o ano inteiro, gastando menos depois de dezembro. Atenções, abraços, beijos, palavras e tudo mais, podem e devem ser dados sempre que a pessoa quiser, sem protocolos e datas marcadas.

Óbvio que é momento de lembrar nascimento, vida, amor, morte, ressurreição e vida eterna e a linda história de Jesus, que é patrimônio da humanidade. Giorgia Meloni, em interessante mensagem pela web, disse que sabe tudo de árvores de Natal, mas que esse ano será mais "presepista" do que "arvorista", ou seja, vai enfatizar a montagem do presépio e propõe o mesmo para todos, uma "revolução" do presépio, num momento em que muitos, especialmente em escolas, acham que o presépio não deve ser utilizado, pois ofenderia pessoas que acreditam em outra cultura.

Giorgia se pergunta como alguém pode ofender-se com um menino que nasce numa manjedoura e que é fruto de uma família que teve que fugir para protegê-lo. Giorgia defende Jesus, símbolo de respeito ao estado laico, à sacralidade da vida, à solidariedade e ao amor ao próximo. A primeira-ministra disse que vai lembrar à sua filha Ginevra que Natal é bem mais do que trocar presentes, comer e beber coisas gostosas e vestir roupas bonitas.

Nada contra presentes, festas, decorações, comemorações e bebemorações, Papai Noel no Shopping e tudo mais. Mas realmente tudo a favor do Natal raiz, que é momento para pensar que o amor é que tem que vencer nos finais das batalhas deste planeta cheio de disputas armadas de tanques, soldados, líderes mentirosos, tantas ideologias e palavras nem sempre verdadeiras.

Só o amor realmente constrói, e a história nos mostra como acabaram aqueles que usaram de radicalismos e violências diversas, se achando Senhores do Universo, e como terminaram os que neles acreditaram ou foram obrigados a acreditar.

A propósito...

Na vida a gente não precisa e nem deve amar todo mundo e ficar oferecendo a outra face do rosto para os malvados baterem. Se amarmos verdadeiramente a nós mesmos, os familiares e alguns amigos, já estará bom para uma vida digna e feliz. Os santos amam a humanidade toda, mas nós, humanos, somos anjos de uma asa só que precisam do outro para viver e voar. Natal é o momento de perdoar , mesmo sem esquecer, tempo de amar , escutar (não apenas ouvir) o outro e buscar, ao menos por alguns momentos, a paz que o mundo sempre precisou e precisa, em meio a tantas guerras e discórdias.

Jaime cimenti

sábado, 24 de dezembro de 2022


MARTHA MEDEIROS

Todo santo dia

Cada vez que você acompanha sua mãe na consulta ao médico, que explica de novo para seu pai como enviar fotos pelo WhatsApp, que convida seu avô para uma partida de xadrez, é Natal. Basta uma gentileza, uma atenção, e você promove o ordinário a sagrado. E você achava que um único Natal era suficiente, que jamais sobreviveria a dois. Pois você vem sobrevivendo a vários.

Já não carrego dinheiro vivo comigo, mas às vezes saco algumas notas, a fim de ajudar quem está passando necessidade na rua. Outro dia dei 20 reais para um senhor parecido com o Keith Richards, e a semelhança terminava aí. Ele me disse: obrigada, hoje vou conseguir almoçar. Era uma manhã de quarta ou quinta-feira, talvez sexta, tanto faz. Anoiteceu e o sino gemeu.

Todo santo dia, você faz alguma coisa legal. Alguma coisa Natal. Empresta o livro que mais ama para alguém que talvez não vá devolvê-lo. Vai buscar um amigo no aeroporto, mesmo ele dizendo que não precisa se incomodar, que ele pode pegar um Uber. Fica com a chave do apartamento da vizinha e entra lá para alimentar o gato, enquanto ela não volta de férias. Dá uma carona no seu guarda-chuva para alguém que saiu sem conferir a previsão do tempo. Aceita o folheto que o menino entrega no sinal, para que ele sinta que a tarefa dele tem valor.

O Natal não é um dia santo para todos. Nem todos creem, ou rezam, ou se comovem, para muitos é só peru, sarrabulho e pacotes embaixo de uma árvore artificial, forçando sorrisos igualmente artificiais. Mas todo santo dia a gente pode tentar acertar no presente.

Até mesmo sozinho em casa, isolado. Poderá ser o dia especial em que você decidirá perdoar a indiferença de alguém que nunca se importou com seu sentimento. Poderá ser o dia que você desistirá de culpar um parente por uma limitação que, afinal, é só sua. O dia que você abrirá um vinho e se despedirá serenamente de um amor que se foi, sem mais tentar retê-lo. 

O dia que você apagará a postagem ofensiva que fez contra uma pessoa que apenas discordou de você. Longe de mim causar pânico, mas nós mesmos podemos provocar uns 10 Natais por dia, todo santo dia. E aguentamos sem reclamar, nem nos damos conta, afinal, não são feriados, e sim dias úteis - dias em que nós somos úteis. Dias banais em que, com uma merreca de gesto, a gente atenua a sensação de inferno e deserto que dilacera tanta gente.

Todo santo dia é Natal, qualquer dia de janeiro, abril, agosto pode trazer o espírito deste Natal badalado de 25 de dezembro, com a vantagem de não serem datas dispendiosas, obrigatórias ou repetitivas - aleluia. De jeans e camiseta, com o cabelo ainda molhado, apenas trocamos alguns presentinhos com o universo, sem estresse.

MARTHA MEDEIROS

CLAUDIA TAJES

Abuela La La La

"Se minha sobrinha estivesse em casa, talvez a gente se abraçasse e eu voltasse a sentar no sofá. Mas estava sozinha, então peguei minha bandeira e saí".

Foi assim que Maria Cristina Mariscotti, 76 anos, explicou porque virou um dos símbolos da Copa dos argentinos. Ela, a Abuela La La La. Avó em espanhol, avó de toda a Argentina.

O mundo inteiro viu a senhora de cabelos brancos e máscara pulando na esquina de casa entre alguns rapazes, àquela altura não muitos, depois da vitória contra a Polônia, ainda na fase de grupos. No jogo seguinte, contra a Austrália, o número de torcedores na esquina festejando com a Abuela já era maior, até explodir nas comemorações do tri, no domingo passado.

Abuela La La La.

Maria Cristina, que nem avó é, acabou arrumando milhões de netos pelo país. Consta que argentinos de La Quiaca a El Calafate esperavam a Abuela festejar ao final dos jogos como uma espécie de prenúncio das vitórias que viriam.

E vieram.

A Abuela venceu até mesmo uma suposta maldição que pairava sobre os hermanos. Conta-se que, em 1986, o então treinador da seleção deles, Carlos Bilardo, prometeu à Virgem de Tilcara que todo o elenco voltaria ao México em peregrinação com o troféu, caso fossem campeões. A Argentina ganhou a Copa, os jogadores não voltaram para pagar a promessa e a Virgem, ao que tudo indica, cobrou o preço. Foram 36 anos de seca até o fim da urucubaca com o pênalti de Montiel.

Juntar uma santa com urucubaca é mais que ecumenismo, é uma tradução de fé.

A Abuela chegou a passar mal no dia seguinte à conquista. Enquanto Messi y sus niños comemoravam feito loucos, e os borrachos tomavam as ruas da Argentina, a pressão da abuelita foi nas alturas, quase nos índices da felicidade dela. Só por isso Maria Cristina não foi vista agitando a bandeira no alto de um semáforo, como alguns de seus compatriotas. Ficou quietinha para esperar a festa marcada para continuar na terça, com a chegada da seleção e da taça ao Obelisco.

Por aqui, torço para que a Abuela La La La seja convocada a desfilar no caminhão com os jogadores - sem esquecer do remedinho embaixo da língua, para garantir. E desde já me candidato a ser a Vovó Ó Ó Ó da próxima Copa, caso o Brasil faça o favor de nos dar a alegria que a Argentina deu a seus torcedores.

Ao apagar das luzes, mais dois lançamentos para presente. Jorge Furtado, especialista em cinema e em Shakespeare, misturou ficção e história em As Aventuras de Lucas Camacho Fernandez, o primeiro tradutor do bardo para o português. Da Companhia das Letras. Ana Fonseca e Mauren Veras apresentam Direitos de Toda Leitora, em que conversam com as meninas sobre diversidade e representatividade. Da Libretos.

O Natal mais feliz do mundo, nesse 2022 que vai chegando ao fim, é o da Argentina. Que o nosso, embora sem taça, seja cheio de esperança em dias melhores para o país inteiro. Feliz Natal.

CLAUDIA TAJES