Epílogo
Depois de todas elas, não restou explicação
alguma. E isso foi o que salvou tudo. Restou
apenas um homem um pouco mais lento, um pouco mais atento, um pouco menos
ansioso por respostas. Um homem que aprendeu - não sem tropeços - que amar
mulheres não é acumular experiências, mas ser atravessado por elas.
Cada fábula foi um encontro. Cada encontro, uma
perda necessária. Porque nada do que é vivo permanece intacto depois de ser
tocado. As mulheres destas páginas não pediram nome, nem posse, nem promessa.
Pediram presença. Pediram escuta. Pediram respeito ao que não se revela. E
ensinaram, sem discurso, que o amor verdadeiro não é feito de controle, mas de
liberdade sustentada.
Algumas foram vento. Outras, casa. Outras,
espelho, fogo, tempo, silêncio, mistério. Nenhuma coube inteira em palavras. E
ainda assim, foi preciso escrever. Não para aprisioná-las no texto - mas para
agradecer. Para registrar o espanto. Para admitir que o mundo só faz sentido
porque existe algo nele que não se deixa dominar.
Se algo ficou claro ao fim destas páginas, é
isto: as mulheres não precisam ser compreendidas para serem amadas. Precisam
ser honradas na sua complexidade, respeitadas na sua vastidão,
celebradas na sua diferença.
Amá-las é aceitar que sempre haverá algo além dos cinco sentidos. Algo que toca a alma, desloca o eixo, desorganiza o ego e, por isso mesmo, humaniza. E se depois de tudo o narrador aprendeu alguma coisa, foi apenas isto: amar uma mulher é uma experiência que se aproxima do divino - não porque ela seja deusa, mas porque exige do homem o melhor de si. Nada mais. Nada menos. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher hoje.

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