segunda-feira, 9 de março de 2026

Feira reúne novas tecnologias e debates sobre gargalos do agronegócio

Mostra de Não-Me-Toque começa nesta segunda-feira (9) e vai até o dia 13 de março

Mostra de Não-Me-Toque começa nesta segunda-feira (9) e vai até o dia 13 de março

Expodireto/divulgação/jc
JC
JCAna Esteves, especial para o JC
O que há de mais moderno, e também de mais polêmico, estará em pauta durante a 26ª Expodireto Cotrijal, que inicia nesta segunda-feira (9) e se estende até o dia 13 de março, no município de Não-Me-Toque, na região Norte do Rio Grande do Sul. As novas tecnologias, as opções diferenciadas de crédito, as delegações internacionais, a pujança das agroindústrias familiares dividirão espaço com debates acalorados sobre o momento tenso vivido pelo agronegócio gaúcho, devido à estiagem, juros altos e o endividamento dos produtores rurais, que ainda seguem sem solução. “O produtor virá à Expodireto para buscar conhecimento e informação e fazer bons negócios. É lógico que não é um ano de euforia, mas, com certeza, teremos grandes oportunidades de comercialização”, afirma o presidente da Cotrijal, Nei César Manica.
A mostra se consolidou como espaço para amadurecer esses debates reunindo produtores, entidades, agentes financeiros e poder público, mas também se afirmou como local de oportunidades para fazer negócios e buscar por linhas de crédito diferenciadas. O setor de máquinas agrícolas costuma ser um dos mais visitados, em função dos lançamentos que, ano após ano, trazem, cada vez mais, inovação e tecnologia embarcada. “Mesmo diante de um cenário desafiador, a feira funcionará como um ponto de retomada de confiança e de negócios, pelo papel central em estimular intenções de compra diante da oferta tecnológica, consolidar parcerias e sinalizar ao mercado uma retomada resiliente, mesmo em um ciclo de margens apertadas”, aposta o presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas do Rio Grande do Sul (Simers/RS) e da Federação da Indústria do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier.
E por falar em novas tecnologias, a Arena Agrodigital também é um dos espaços mais procurados da Expodireto, justamente pela possibilidade de acessar ideias que podem refletir em ganho de produtividade e sustentabilidade das lavouras e criações: agricultura de precisão, inteligência artificial, softwares de última geração, os temas são diversos e a Arena já virou referência para acessar essas tecnologias e entender mais sobre elas. “A Arena traz novidades que já são realidade a campo, como é o caso dos drones, que apesar de ainda termos alguns questionamentos e desafios sobre essa tecnologia, ela já é realidade”, afirma o superintendente administrativo financeiro da Cotrijal, Marcelo Schwalbert.
Mas, muitas vezes, para acessar essas novas tecnologias e atualizar o maquinário agrícola é preciso crédito. No entanto, em função do cenário desafiador do setor, no Estado, o momento deve ser de cautela. O vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirma que o momento exige análise cuidadosa e foco em investimentos que melhorem eficiência, reduzam riscos e viabilizam sustentabilidade financeira. “Em 2026, observamos uma demanda mais seletiva e criteriosa. Em linha com a estratégia defendida pelo Banco do Brasil, o produtor está investindo com mais foco em projetos que realmente tragam eficiência e retorno, o que é absolutamente saudável e denota uma maior preocupação, não apenas com maior produção no campo, mas também na gestão, perenidade e sustentabilidade dos negócios”, analisa. Para o diretor-executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste, Leandro Gindri de Lima, o ano de 2026 será desafiador, mas também de muitas oportunidades e cautela. “O momento exige estratégia e não impulso na hora da compra”, pondera.
Apesar dos desafios que o setor enfrenta, a cadeia do agronegócio é a que mais demanda crédito junto ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Em 2025, o banco registrou R$ 956,7 milhões em novos financiamentos, média que se mantém nos últimos três anos. “Diante da importância do agro para a economia gaúcha, é fundamental apoiarmos as cooperativas e produtores rurais nessa retomada”, destaca o diretor de Operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior. O presidente do Banrisul, Fernando Lemos, afirma que a Expodireto será pautada pela concessão de crédito com responsabilidade e foco na sustentabilidade financeira dos negócios. “Vamos oferecer soluções adequadas para garantir a manutenção das operações dos produtores, assegurando que a atividade produtiva continue em andamento com segurança".
 Agroindústrias buscam visibilidade para alavancar negócios
De olho na visibilidade que a Expodireto dá e com foco na prospecção e ampliação de negócios, dentro e fora dela, 224 agroindústrias familiares, das quais 48 são estreantes, participarão da mostra deste ano. Há 15 anos participando da feira, a biscoitaria Garbin sempre procura inovar e levar produtos peculiares. “Não gostamos de ficar na mesmice, por isso sempre levamos algum lançamento, pois os clientes gostam do que é diferente”, afirma a proprietária da agroindústria de Passo Fundo, Marizete de Fátima Garbin. A produtora rural aposta no sucesso das vendas do Pavilhão, mesmo com o cenário de crise no agronegócio. “No ano passado também tinha crise e foi o segundo melhor ano em vendas, comercializamos tudo.
Quando se trata de comida, as pessoas não economizam”, afirma. Para a coordenadora do Pavilhão da Agricultura Familiar da Expodireto pela Emater/RS-Ascar, Marcia Faccin, as feiras têm como propósito e tradição prospectar novas vendas e novos canais de comercialização, fruto das parceiras que muitas vezes são formatadas e construídas durante os eventos. “A Expodireto é tradicional, com um expressivo número de visitantes de diferentes lugares do País e do mundo, atraindo assim, ainda mais empreendedores, agroindústrias, artesãos e produtores de flores a inscreverem-se para conseguir participar do Pavilhão da Agricultura Familiar”.
Acordo entre Mercosul e União Europeia estará no centro dos debates
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve estar no centro dos debates de lideranças do agronegócio e comitivas internacionais que vão se reunir, entre os dias 9 e 13 de março, no Pavilhão Internacional da Expodireto Cotrijal. Isso porque há uma preocupação por parte de setores europeus quanto aos possíveis impactos sobre o agronegócio no bloco. “Já a visão brasileira é de que o acordo irá estimular investimento estrangeiro e formação de joint ventures com empresas gaúchas”, afirma Evaldo Silva Júnior, conselheiro da área internacional da feira.
Dentre os países com delegações confirmadas na feira está a Alemanha, Itália e Polônia. Além disso, em 2026, Índia e China ampliarão sua participação na Expodireto Cotrijal. A Índia virá pela segunda vez à feira, buscando aproximação com o setor privado gaúcho, através do Governo do Estado de Maharashtra. Já a China participará com expositores, importadores e investidores que permanecerão após a feira para avaliar possíveis locais de investimento. A África virá com forte interesse em tecnologia agropecuária. Há grande interesse desses países em adquirir conhecimento e tecnologia em diversos segmentos do agronegócio, incluindo produção e genética bovina, suína e de frango, plantio de arroz, soja e milho, aquisição de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, transferência tecnológica e intercâmbio com universidades gaúchas de agronomia e veterinária.

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