quarta-feira, 4 de março de 2026

Conflito no Oriente Médio aumenta risco de alta no preço da gasolina no RS, aponta especialista 

Embora ainda não haja indicativo de desabastecimento, reajuste do preço dos combustíveis é uma possibilidade

Embora ainda não haja indicativo de desabastecimento, reajuste do preço dos combustíveis é uma possibilidade

TÂNIA MEINERZ/JC
Marina Mugnol
Marina MugnolO fechamento do Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo comercializado no mundo, decorrente da escalada do conflito no Oriente Médio, tem provocado forte instabilidade no mercado internacional de petróleo, o que acende um sinal de alerta para o consumidor gaúcho. Embora não haja risco imediato de desabastecimento, o cenário pode resultar no aumento do preço da gasolina no País e no Rio Grande do Sul, avalia o economista e professor doutor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs)Gustavo Inacio de Moraes.
Segundo ele, a combinação entre a alta nas cotações do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar afeta diretamente o mercado de combustíveis no Brasil, uma vez que os preços internacionais ditam a política adotada pela Petrobras
De acordo com o especialista, refinarias brasileiras atuam com estoques suficientes para operar por mais algum tempo, em caso de a guerra entre os Estados Unidos e o Irã ultrapassar a média de 4 a 5 semanas sinalizada pelo presidente norte-americano Donald Trump. “De imediato, não se pode falar em risco de desabastecimento. Mas tudo depende da extensão do conflito. Se ele se prolongar por meses, aí sim poderemos ter um cenário mais delicado”, explica Moraes.
Ele ainda destaca que a Petrobras pode ou não repassar o aumento do preço para os varejistas, mas que isso, inevitavelmente, reflete no bolso da população. “Se a Petrobras repassar os preços, o povo paga por uma gasolina mais cara, se não repassar, isso diminui o lucro da empresa, que por ser uma sociedade de economia mista de capital, está diretamente ligada à economia geral do País.”
No caso do Rio Grande do Sul, o impacto pode ser ainda mais perceptível. Historicamente, o Estado registra aumentos mais intensos em momentos de alta, embora também se beneficie quando há recuos nos preços.
Entre os fatores que explicam essa dinâmica estão a estrutura de concorrência entre postos, a alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e, principalmente, os custos logísticos. “O transporte até as refinarias e a distribuição interna no Estado têm custo maior. Esse componente logístico acaba encarecendo a gasolina para o consumidor gaúcho”, conclui o economista.
Segundo o Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), neste momento, não há indicativos de falta de combustível no Estado. A reportagem do Jornal do Comércio também tentou contato com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e do Estado do Rio Grande do Sul (Sindisul), mas não obteve resposta até o momento.
 

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