sexta-feira, 13 de março de 2026

Especialista diz que corte da Selic pode ser abaixo do esperado por conta da guerra no Irã

Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes da Selic em reunião do Copom na semana que vem

Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes da Selic em reunião do Copom na semana que vem

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Divulgação/JC
Cássio Fonseca
Cássio FonsecaRepórterO Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá entre terça (17) e quarta-feira (18) para discutir a situação econômica do País e, ao que tudo indica, iniciar o ciclo de cortes da taxa Selic, que está em 15% desde junho de 2025. Entretanto, o conflito no Oriente Médio pode significar uma queda dos juros abaixo do esperado, por conta das incertezas que a guerra traz, principalmente no preço do petróleo. 
Para a economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Patrícia Palermo, pode haver uma queda de 0,25% na taxa, ao invés dos 0,50% previstos.
Com o temor de que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã se estenda e afete o preço do combustível no Brasil, o Banco Central pode ser cauteloso no corte, prevendo um aumento na inflação. Patrícia destaca, no entanto, que há uma série de filtros que acabam retardando os processos de transferência de aumento de preço do petróleo para o preço da gasolina. 
Isso porque a Petrobras, a maior definidora do preço básico da mercadoria, é uma empresa mista com controle do governo, e está sujeita a vontades políticas, principalmente em ano de eleição, conforme a economista. Além disso, há um amortecedor vindo de impostos. Na quinta, o governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. “Mas a gente tem toda a camada ainda do ICMS, que também pode ser questionada”, acrescenta.
Ela também aponta que, economicamente, essa guerra é insustentável inclusive para os Estados Unidos, que são a maior potência envolvida. “Nos EUA, se aumenta o preço do petróleo isso se transfere diretamente para a gasolina, que é um item de muito peso na inflação americana. E isso impõe um custo político absurdo para Trump.” 
A economista relata que o debate na Fecomércio é se a guerra vai até seu limite, de pouco mais de um mês, e o quanto ela acaba destruindo a capacidade produtiva dos países envolvidos. “Mas uma extensão maior que isso eu acho muito improvável”, frisa. E além dos impactos aos países diretamente envolvidos, outras potências também estão sendo prejudicadas.
China, por exemplo, está perdendo muito, já que o Irã é um fornecedor de petróleo mais barato que o preço de mercado para o país. O Estreito de Ormuz é onde passa 20% do petróleo mundial, que abastece a Ásia. “Não existe economia no mundo mais dependente de petróleo que a economia chinesa. O braço chinês que poderia estar do lado do Irã, não estará”, aponta Patrícia.
De volta para o Brasil, a análise é que, para o aumento de preço chegar às refinarias, três fatores são decisivos. “Depende da intensidade do conflito, do espalhamento e da duração do conflito. Quanto maiores esses três, maior é a chance disso acontecer.”
Por esses motivos e com a crença de que a guerra no Oriente Médio não se estenderá ao longo do ano, a economista mantém o otimismo para que a Selic feche dezembro em 12%, conforme as previsões do mercado. O que pode acontecer é uma lentidão no processo, ficando mais tempo em patamares mais altos, com efeito negativo sobre a atividade econômica.
No Rio Grande do Sul, Patrícia afirma que além do impacto nos postos de combustível, mais visível para a população, as exportações também são afetadas, já que toda a parte de fretes encarece e começa a impossibilitar círculos de carga. Além da dependência de fertilizantes do Brasil e do Estado, que, em parte, vem do Irã. E, dependendo da alta nos combustíveis, e com a questão das safras, dependendo da dinâmica de abastecimento, também pode ter efeitos negativos.

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