Protesto de produtores marca abertura da Expodireto Cotrijal
Claudio MedagliaRepórterDe Não Me Toque
Cruzes pretas e um caixão coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul marcaram o protesto de produtores rurais no primeiro dia da Expodireto Cotrijal, iniciada nesta segunda-feira (9), em Não-Me-Toque. A manifestação percorreu o parque da feira com críticas à situação financeira no campo e reivindicações dirigidas ao governo federal, ao sistema financeiro e a empresas de biotecnologia.
Organizado pelo Movimento Luto Pelo Agro e pela Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper), o ato teve início por volta das 8h, do lado de fora do complexo da feira. Produtores caminharam por estandes de instituições financeiras e empresas do setor, onde entregaram um documento com críticas e propostas relacionadas ao crédito rural e ao endividamento das propriedades.
Ao microfone, a produtora Luciane de Lima, de Nicolau Vergueiro, relatou as dificuldades enfrentadas nas propriedades e afirmou que muitos agricultores perderam capacidade de investimento após sucessivas perdas de safra e dificuldades de acesso ao crédito. Segundo ela, produtores enfrentaram cinco quebras de safra nos últimos seis anos, o que teria provocado descapitalização em diversas regiões do Estado.
A principal reivindicação do movimento é a securitização das dívidas rurais, proposta que tramita no Congresso Nacional e que prevê a conversão de débitos do setor em títulos de longo prazo. Os produtores afirmam que a medida seria necessária para recompor o fluxo financeiro das propriedades após anos de adversidades climáticas.
Outro ponto levantado pelos manifestantes diz respeito à cobrança de royalties sobre tecnologias utilizadas na produção de soja. Produtores argumentam que parte dessas cobranças seria desproporcional ou indevida, especialmente em casos de patentes consideradas expiradas. Também criticam a chamada “multa na moega”, taxa de 7,5% aplicada sobre a produção no momento da comercialização.
Em nota, o presidente da Aper, Eugênio Zanetti, afirmou que a entidade pretende questionar judicialmente a cobrança de royalties. “Não podemos aceitar que agricultores familiares sejam penalizados por cobranças abusivas enquanto grandes empresas lucram de forma desproporcional. Nossa luta é para garantir que a inovação tecnológica sirva ao campo, e não se torne instrumento de exploração”, declarou.
Procurada pelos manifestantes durante a feira, a Bayer afirmou, em nota, que recebeu as demandas e destacou a importância da inovação tecnológica para o aumento da produtividade agrícola. A empresa ressaltou que tecnologias como a Intacta RR2 Pro contribuíram para a evolução da produção de soja no país.
Segundo a companhia, o Rio Grande do Sul produzia 12,9 milhões de toneladas de soja há cerca de 12 anos e atualmente supera 20 milhões de toneladas, conforme projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A empresa também defendeu que a proteção de patentes é um instrumento essencial para garantir segurança jurídica e estimular investimentos em pesquisa.
As reivindicações apresentadas pelos produtores também foram mencionadas durante a solenidade de abertura da feira. O presidente da Expodireto, Nei César Manica, manifestou apoio às preocupações do setor e destacou a importância de medidas que garantam sustentabilidade econômica às propriedades rurais.
Destacado para falar em nome da Câmara dos Deputados, o deputado federal Luciano Zucco (PL), pré-candidato ao governo do Estado, afirmou que pretende levar o debate sobre securitização ao Congresso Nacional e criticou o que considera desequilíbrio nas relações econômicas entre produtores e empresas de tecnologia. Segundo ele, agricultores enfrentam dificuldades para manter investimentos diante do aumento dos custos de produção.
Representando o Executivo estadual, o vice-governador e também pré-candidato Gabriel Souza defendeu a busca de alternativas para apoiar financeiramente o setor e sugeriu o uso de recursos vinculados ao fundo do pré-sal para auxiliar na recomposição das dívidas rurais. Ele também destacou a importância de diálogo entre governo federal e produtores para enfrentar a situação financeira no campo.


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