terça-feira, 8 de setembro de 2026

08 de Setembro de 2026
OPINIÃO DA RBS

O futuro governo e o desafio climático

O próximo governo a se instalar no Palácio Piratini será o primeiro a ter de se dedicar de maneira prioritária, desde o dia inaugural da gestão, à pauta climática e ambiental. A enchente de 2024, devastadora e mortal, fez o Estado despertar de forma definitiva, do pior modo possível, para a nova realidade. O desenvolvimento do Rio Grande do Sul e o bem-estar dos gaúchos dependerão cada vez mais da prevenção e da adaptação a eventos extremos, na forma de chuvas violentas e excessivas ou de estiagens.

É por essa razão que o tema abre, nesta terça-feira, a série de reportagens (leia mais nas páginas 4, 5 e 6 desta edição), que será veiculada até as vésperas da eleição nas diferentes plataformas do Grupo RBS, sobre os desafios que pedem maior atenção do governo a ser ungido pelas urnas em outubro. As matérias analisam questões cruciais para o futuro do Estado. Os temas foram apontados como primordiais por contribuições de diversos setores da sociedade ao longo de ouvidorias organizadas pelo Conselho Editorial da RBS neste ano.

Não há mais dúvida sobre a gravidade das mudanças climáticas e seus efeitos. O alerta da ciência sobre a tendência de esses fenômenos da natureza se tornarem mais intensos e frequentes faz com que o Estado precise conciliar agilidade e planejamento robusto para enfrentar toda sorte de intempéries. Há ações que pedem celeridade. E projetos que exigem estruturação criteriosa pela complexidade e pelo alto investimento, como os sistemas anticheias da Região Metropolitana.

Para os gaúchos, as consequências do clima hostil não são uma cogitação abstrata. Os custos em vidas e em perdas materiais apenas do passado recente falam por si. Na última década, foram 281 mortes e R$ 116,8 bilhões em prejuízos, conforme a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Em outro levantamento, com metodologia diversa, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) estima R$ 126,3 bilhões em danos entre 2020 e 2025 nas lavouras. Como reflexo, o PIB gaúcho perdeu R$ 319 bilhões. Omitir-se agora é correr o risco de ver descalabros semelhantes se repetirem.

Espera-se do futuro governo compromisso e perseverança para tornar o Rio Grande do Sul resiliente aos reflexos do aquecimento global. O Plano Rio Grande, transformado em lei, indica o caminho e tem projetos de grande relevância em diversos estágios. É importante tê-lo como norte.

Não é aceitável que os gaúchos sofram novamente indefesos com a invasão da água pelas cidades, que a infraestrutura seja outra vez destruída e que milhares de cidadãos, sempre os mais humildes, sigam perdendo casas e pertences. Também não é concebível que secas e estiagens recorrentes continuem indefinidamente a impingir perdas econômicas severas, legando crescimento abaixo do potencial e endividamento no campo. Uma das grandes questões sem resposta adequada diz respeito a uma política capaz de elevar de maneira significativa a área irrigada.

Apesar das muitas tarefas árduas à frente, a maior parte do mapa de ação para o RS harmonizar proteção ambiental e progresso está traçada. Resta o desafio de implementar os projetos destinados a forjar um Estado mais adaptado ao novo contexto. Cabe ao próximo governo liderar os gaúchos nessa jornada. 


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