08 de Setembro de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes
Um desfile de 7 de Setembro para Trump ver
O 7 de Setembro deste ano teve como foco um espectador a quase 7 mil quilômetros da Esplanada dos Ministérios, em Brasília: Donald Trump, sentado em sua Resolute Desk, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Sob o lema "Soberania - A força que une o Brasil", o presidente Lula transformou o tradicional Desfile da Independência em uma demonstração calculada de força política, institucional e militar.
Em meio às disputas com os Estados Unidos - da crise tarifária às falas políticas que o Planalto entende como interferência externa -, a mensagem foi de que o Brasil quer mostrar que decide seu próprio destino.
As duas horas de duração estavam previstas na programação, e a passagem de tropas, blindados e aeronaves faz parte da tradição da cerimônia. Mas houve nuances: durante anos, a esquerda brasileira manteve uma relação mais distante com a simbologia militar, enquanto o bolsonarismo apropriou-se politicamente das Forças Armadas, da bandeira e das cores nacionais. Lula agora tenta recuperar esses símbolos e associá-los à defesa do país diante de pressões externas.
Há dinheiro acompanhando o discurso. No projeto de Orçamento de 2027, o governo abriu espaço extraordinário para projetos estratégicos da Defesa. Destinou R$ 12,7 bilhões para investimentos, superando a área da Saúde, que recebeu R$ 11,4 bilhões.
O valor também é maior do que os destinados à Educação (R$ 6,8 bilhões), à Segurança Pública (R$ 3 bilhões) e ao Saneamento Básico (R$ 1,3 bilhão). Em primeiro lugar, aparece Transporte, com R$ 13,8 bilhões, e envolve investimentos em rodovias e ferrovias, por exemplo. Duas semanas atrás, Lula acenou aos militares, ao dizer que "Defesa não é para quando sobrar dinheiro":
- Temos de preparar o país não para a guerra, mas para a paz, e defender nosso território, nossas riquezas e nosso povo.
Míssil tático
Vem mais por aí: recentemente, a Avibras, indústria bélica brasileira com sede em Jacareí (SP), avançou na certificação de um míssil capaz de atingir 300 quilômetros de distância. O MTC (míssil tático de cruzeiro) foi testado pelo Exército e pela empresa na Restinga de Marambaia, no Rio. O armamento integra o sistema de artilharia Astros.
Para o público interno, ontem, entretanto, a imagem mais importante estava na tribuna. Lula trabalhou pessoalmente para ter ao seu lado Edson Fachin, Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Em meio à grave crise que atinge o STF, o presidente conseguiu reunir os chefes dos três poderes, algo que não ocorreu no desfile do ano passado, e tentou projetar uma imagem de normalidade e coesão institucional.
A fotografia de união ocorre justamente quando as instituições estão fraturadas. Os ministros do Supremo Alexandre de Moraes e André Mendonça, protagonistas do escândalo da vez, não compareceram. Fachin foi o único magistrado do STF presente.
Outros elementos do desfile ajudaram a ampliar essa narrativa. O governo colocou entre os três eixos oficiais o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, incorporando à celebração militar uma agenda social e feminina. A primeira turma feminina do Exército inaugurou os trabalhos em março de 2026.
No fim, o 7 de Setembro serviu a Lula em três frentes ao mesmo tempo. Para dentro, tentou recuperar símbolos nacionais. Diante da crise institucional, exibiu os chefes dos poderes lado a lado. E, para fora, colocou soldados, equipamentos e autoridades sob uma única palavra: soberania. _
Canal 156 vai ter auxílio de IA
A partir deste mês, de forma escalonada, o canal 156, da prefeitura de Porto Alegre, vai adotar inteligência artificial (IA) para atendimento aos cidadãos.
Todas as demandas que dizem respeito ao município devem ser feitas por meio desse número, tanto por telefone tradicional quanto por WhatsApp: água e esgoto (falta de água ou vazamentos), limpeza urbana e recolhimento de lixo, zeladoria urbana (tapa-buracos e poda de árvores), denúncias de poluição sonora e fiscalizações, informações sobre transporte, saúde e impostos.
A ideia é automatizar atendimentos mais simples, agilizar respostas e auxiliar os funcionários em consultas e encaminhamentos.
Importante: o serviço não vai substituir o atendimento humano, que segue responsável pelos casos que exigem análise ou decisão especializada.
Na prática, o cidadão poderá, por exemplo, explicar pelo telefone o que precisa em linguagem natural, sem necessariamente seguir uma sequência de opções (em números).
No WhatsApp, a IA responderá dúvidas, consultará protocolos, realizará agendamentos e executará outros serviços que possam ser automatizados.
Quando for necessária análise especializada, o atendimento será encaminhado para um atendente humano.
Outro avanço: a solução também terá um Copiloto de Atendimento, que auxiliará os profissionais do 156 na busca de informações e na elaboração de respostas, utilizando a base oficial de conhecimento da prefeitura e indicando as fontes consultadas. A expectativa é de que seja reduzido o tempo de consulta dos atendentes e ampliada a padronização das respostas dadas ao cidadão.
Segundo ponto de vantagem: a previsão de um Mapa Inteligente da Cidade, que utilizará os dados dos atendimentos para identificar padrões, recorrências e concentrações das demandas por região, produzindo informações que poderão apoiar a gestão municipal. A ferramenta permitirá transformar reclamações individuais em um retrato mais amplo das necessidades da cidade.
A iniciativa acompanha o crescimento da Central, que já registrou mais de 6 milhões de interações em pouco mais de dois anos e meio, com aproximadamente 77% realizadas pelos canais digitais. O investimento é de R$ 1,9 milhão. _
Facilito, o mascote
No momento em que celebra o novo serviço 156, com uso de IA, a secretária de Transparência e Controladoria de Porto Alegre, Mônica Leal, apresenta o Facilito, o mascote oficial da Central do Cidadão da Capital.
- É um orgulho entregar mais um projeto à frente da secretaria e de uma equipe comprometida com quem vive em Porto Alegre - celebra Mônica. _
A Alemanha se arma
Em meio às tensões com a Rússia e ao distanciamento americano, países europeus correm para adquirir armas de longo alcance. A Alemanha, por exemplo, não dispõe, em seu arsenal, de mísseis balísticos, que voam a velocidades muito superiores às dos mísseis de cruzeiro. Entretanto, nos últimos dias, testou com sucesso um Lora, fabricado pela Israel Aerospace Industries, no Atlântico Norte. _
Recursos para educação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou operação de R$ 54,8 milhões, com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para investimentos em iniciativas para expansão e melhoria da qualidade das redes e dos serviços de telecomunicações em cerca de 60 municípios gaúchos. Uma das iniciativas deve beneficiar cerca de 30 mil alunos de 105 escolas de 34 municípios. Os recursos serão usados para instalar redes internas nesses estabelecimentos.
Outra iniciativa deve conectar oito dessas escolas ainda não atendidas, segundo o Painel Anatel. Localizada em oito municípios, a conexão será possível pela construção de rede de fibra óptica com 184,4 quilômetros. Está prevista, ainda, a manutenção da conectividade por, no mínimo, 24 meses. _

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