sábado, 18 de abril de 2026

 Investimento em geração distribuída no RS foi de R$ 1 bilhão em 2025

No País, desembolso foi de aproximadamente R$ 22,3 bilhões

No País, desembolso foi de aproximadamente R$ 22,3 bilhões

BLUE SOL ENERGIA SOLAR/DIVULGAÇÃO/JC
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Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
A mais recente atualização do Painel de Dados de Micro e Minigeração Distribuída (PDGD) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que esse tipo de produção de energia representou um aporte de cerca de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Sul no ano passado. A prática consiste na geração elétrica feita pelo próprio consumidor e é muito difundida no Estado e no País por meio da instalação de painéis solares fotovoltaicos.
Apesar do número expressivo, o desembolso é o menor desde o ano de 2019, quando foram aplicados nesse segmento, no Estado, R$ 754 milhões. No Brasil, o investimento nessa área, em 2025, foi na ordem de R$ 22,3 bilhões (o mais baixo desde 2021). Questões como mudanças regulatórias, barateamento da tecnologia e consolidação do setor influenciaram o desempenho.
No acumulado, enquanto o Rio Grande do Sul fechou o ano passado com 3,6 mil MW de capacidade de geração distribuída e cerca de 389 mil sistemas instalados, o País registrou 45 mil MW e quase 4 milhões de sistemas. A título de comparação, a potência instalada de energia elétrica de todas as usinas de energia gaúchas é hoje da ordem de 10 mil MW, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para o futuro, a coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e diretora da Solled Energia, Mara Schwengber, comenta que, mesmo que haja alguns obstáculos para o desenvolvimento do setor que não havia no passado, como é o caso da preocupação com a inversão de fluxo (quando há mais geração que consumo em determinada região), há fatores que devem continuar mantendo a geração distribuída competitiva. Ela cita o encarecimento do custo no ambiente de mercado livre (em que o cliente pode escolher de quem comprar a energia) como um dos motivos que está fazendo os consumidores a apostarem em uma produção própria de eletricidade.
De acordo com a integrante da Absolar, a indústria e comércios de maior porte, que até então olhavam a atratividade do mercado livre e pensavam que não valia a pena fazer o investimento em energia solar, já começam a avaliar uma resposta paralela. Outro ponto destacado por Mara é que as baterias, que podem ser aproveitadas de forma conjunta com os sistemas fotovoltaicos, estão ingressando com força no mercado.
Ela argumenta que entre as razões para isso ocorrer está o fato de as baterias tratarem “várias dores” dos consumidores. “Evita a necessidade de investimentos em infraestrutura, como um eventual aumento de uma subestação, e resolve o problema do risco de falta de energia”, comenta Mara.
Para uma residência que tem uma conta de luz de cerca de R$ 500,00 por mês, a diretora da Solled Energia calcula que a instalação de apenas um sistema de geração distribuída sairia a um custo de cerca de R$ 15 mil. Com a bateria incluída, a estimativa é de um valor final de R$ 25 mil.
CEO da SunnyHub, Guilherme Corrêa, acrescenta que o custo das baterias caiu em torno de 75%, nos últimos dez anos. Ele ressalta que os carros elétricos vêm ganhando escala de produção e isso tem reduzido o preço da tecnologia das baterias de lítio. “É um mercado crescente, inclusive no Brasil”, frisa Corrêa.
O executivo considera que o futuro da geração distribuída será ancorado nos sistemas híbridos, com painéis fotovoltaicos e baterias. No momento, ele argumenta que o principal motivo que os usuários estão investindo em soluções de armazenamento é a segurança de ter um backup, em caso de queda da energia da distribuidora.
Corrêa salienta que condomínios, quando falta energia, ficam expostos quanto à segurança devido à inoperância de dispositivos como, por exemplo, os portões eletrônicos. Outro elemento que pode impulsionar essa solução, aponta o CEO da SunnyHub, são clientes que têm a conta de luz atrelada à tarifa horo-sazonal, que varia o valor da energia conforme o horário de ponta de consumo. Esses usuários podem utilizar a bateria nos momentos em que a eletricidade proveniente da concessionária estiver mais cara.

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