quinta-feira, 16 de abril de 2026

 Proprietário da Olivas do Sul aponta logística como desafio do Jacuí Centro

Aued foi um dos painelistas do evento que debateu o desenvolvimento econômico da Macrorregião Central do Estado

Aued foi um dos painelistas do evento que debateu o desenvolvimento econômico da Macrorregião Central do Estado

Tânia Meinerz/JC
Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterA Ponte do Fandango, principal via de acesso à cidade de Cachoeira do Sul, está em obras. Uma balsa tem feito a travessia, mas passageiros relatam espera de até quatro horas para realizar o trajeto em horários de pico. É possível, ainda, acessar o município via Rio Pardo. Mas, para isso, é preciso percorrer um trecho em estrada de chão. Nesse contexto, o proprietário e administrador da Olivas do Sul, José Alberto Aued, aponta a logística como um grande entrave regional.

O tema foi abordado por ele durante a realização do segundo encontro do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira, 15 de abril, na Sociedade Rio Branco. Aued foi um dos painelistas do evento que debateu o desenvolvimento econômico da Macrorregião Central do Estado.

“Não tivemos três anos de livre acesso à Ponte do Fandango. Surgiu alguém e disse que tinha que aumentar a ponte em três metros. O prejuízo que está trazendo ao nosso povo é impressionante. Acho uma obra absurda, não tem justificativa”, criticou Aued.

estrutura foi afetada pelas enchentes de maio de 2024 e está passando por obras realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit). A previsão é de que a construção seja concluída em junho de 2026, com uma altura ampliada em 3,3 metros. A expectativa é de que, com a restauração, a capacidade de carga suportada pela ponte seja quase triplicada.
O problema precede a própria enchente. Outra revitalização já havia sido conduzida em 2018. Mas, em outubro de 2021, a ponte foi interditada por problemas estruturais, levando à realização de intervenções a partir de 2023.

O grande gargalo é a relevância da estrutura para conectar a BR-290/RS e a RS-287, rodovias que cruzam o Estado de leste a oeste. E, por isso, cruciais para o escoamento agrícola da região – principalmente, ao considerar que, em Cachoeira do Sul, há uma forte relevância do setor primário na economia, com destaque a produtos como arroz, milho, soja, noz pecã e azeite de oliva.

“Os municípios não são ilhas. Mas nós (em Cachoeira do Sul), somos quase uma ilha”, descreveu Aued.

Por outro lado, ele também reconheceu oportunidades de desenvolvimento econômico. Entre elas, a diversificação da produção agropecuária. “Já temos produtos diversificados, mas ainda há muito a crescer”, pontuou o olivicultor, considerando ser necessário criar incentivos para o cultivo de novas variedades agrícolas.

A própria olivicultura é recente no Estado. Na Itália, conforme o painelista, há oliveiras milenares utilizadas na produção de azeite. No Rio Grande do Sul, a produção iniciou nas últimas décadas. E o teste de novos cultivares depende, sobretudo, de tempo e paciência.

Mas há espaço, tanto para explorar novos cultivares de olivais, quanto para outros produtos. Entre eles, Aued cita o pistache e a maçã como produtos que poderiam ser testados para produção no Jacuí Centro.

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