Cooperativa quadruplica capacidade de processamento de arroz no Centro do RS
Eduardo TorresRepórterA Cooperativa Agrícola Mista Nova Palma (Camnpal) inaugurou no final de fevereiro sua nova indústria de beneficiamento de arroz em Dona Francisca, na Região Central do Estado, garantindo a quadruplicação da capacidade produtiva das suas marcas Bella Dica e Dona Chica.
Com a nova planta industrial, a Camnpal passa a ter capacidade para produção de 300 mil fardos mensais de arroz, até então, essa capacidade era de 70 mil fardos. Ao todo, a cooperativa investiu R$ 100 milhões nas novas instalações, com projeto beneficiado pelo Fundopem, dos quais somente R$ 2 milhões foram desembolsados neste ano para ajustes finais. Em 2026, a cooperativa projeta investir pelo menos R$ 30 milhões em suas estruturas na Região Central.
Diante do cenário desafiador para a produção de arroz no Rio Grande do Sul, especialmente no Centro do Estado, onde é estimada uma quebra de 15% na produção deste ano, a fábrica mais moderna representa um passo decisivo da cooperativa para agregar valor ao produto dos seus 8,1 mil associados.
"O momento do mercado de arroz é muito difícil para o produtor em relação ao custo de produção maior do que o que eles tá conseguindo vender ao mercado. Está faltando renda para o produtor e, consequentemente, esta desestimulando toda a cadeia produtiva do arroz. Por outro lado, mesmo com a redução da área plantada, o início da colheita tem mostrado um produto com uma qualidade ótima para a indústria, e é nisso que estamos investindo", aponta o presidente da Cannpal, Claudimir Piccin.
De acordo com Piccin, a nova indústria não apenas substitui a anterior, na mesma localidade, mas representa um salto tecnológico. Os novos equipamentos, destaca o presidente, garantem maior aproveitamento da matéria-prima, melhor padronização do grão e elevação do padrão final do arroz. Não à toa, a Camnpal lançou recentemente sua linha de arroz gourmet, com as variedades arbóreo, campeiro, oriental e seleto.
"Estamos ampliando eficiência, rendimento e qualidade. O processo de classificação na nova indústria conta com uma linha completa de equipamentos para aspiração, separação e selecionadoras ópticas avançadas, capazes de refinar o grão com alta pureza. Além doo aumento do rendimento de grãos inteiros, esse sistema nos possibilita reduzir a quase zero o descarte de resíduos na produção. Temos também a pelletização robótica, com dois robôs em operação. Isso resulta em aumento da produtividade e de precisão na linha de produção", detalha o dirigente.
Investimentos na agroindústria
As marcas de arroz da cooperativa chegam hoje, além do Rio Grande do Sul, a mercados como o Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Além da nova indústria em Dona Francisca, a cooperativa tem uma agroindústria em Faxinal do Soturno e uma fábrica de rações em Nova Palma.
Inaugurada a indústria de arroz, são nessas outras unidades que a Camnpal concentrará seus investimentos a partir de 2026. De acordo com Piccin, haverá a ampliação da agroindústria em Faxinal do Soturno, com o projeto para a obra já definido e a compra de novos silos e construção de um novo pavilhão programados pela cooperativa.
"Em Nova Palma, adquirimos um novo terreno na entrada do município para uma futura unidade de recebimento. Já concluímos o acesso ao local e pretendemos iniciar a construção em breve", comenta o presidente.
Em 2025, a cooperativa investiu R$ 34 milhões, e neste ano, mantendo a constância, projeta aportes semelhantes. Além do arroz, que tem a maior parte oriunda dos seus associados, a Camnpal processa ainda, em sua agroindústria, o feijão, que tem 80% da sua origem fora do grupo de cooperados, de produtores de toda a Região Sul do Brasil, especialmente do Paraná, a lentilha, importada do Canadá, e o amendoim, vindo de São Paulo.


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