quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Matheus Schuch

Mais desgaste para o governo

Já faz um bom tempo que o presidente Lula se afastou de Alexandre de Moraes para tentar evitar o desgaste da crise do Master. Agora, o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sob suspeita de produzir relatórios de inteligência e monitorar o relator do caso Master, André Mendonça, aproxima o governo da crise e pode ampliar os danos ao presidente a menos de um mês das eleições.

Na semana passada, o pedido de investigação de Moraes contra Mendonça foi encaminhado a partir de relatórios apócrifos, que provocaram desconfiança sobre origem e até mesmo sobre legitimidade. Agora, a decisão de Mendonça afirma que o material foi construído a partir de um acompanhamento ilegal de suas ações.

O curioso é que o advogado-geral da União, Jorge Messias, outra pessoa da confiança de Lula, também seria alvo de monitoramento. Nos bastidores, Messias já era considerado próximo a Mendonça e isso foi apontado como um dos motivos de seu nome ter sido rejeitado para uma vaga no STF. Na ocasião, ministros da Corte e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalharam fortemente pela derrota.

Mendonça descreveu como "surreal" e "abjeta" a conclusão de relatórios da PF de que a sua conduta e a do advogado-geral da União, de não acatar solicitações da PF, poderia ser explicada pelo fato de possuírem "matriz religiosa comum" e terem tido apoio de igrejas evangélicas em suas candidaturas ao STF.

Ao afastar Andrei, Mendonça também deixa claro que não pretende recuar de sua ofensiva contra Moraes. O caso só aumenta a pressão para que o presidente do STF, Edson Fachin, defina se vai submeter logo ao plenário a possibilidade de autorizar investigação formal contra Moraes - algo que seria inédito na história da Corte. 

CONEXÃO BRASÍLIA 

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