quarta-feira, 15 de julho de 2026

15 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Feridas abertas na relação entre argentinos e ingleses

Falar sobre Argentina e Inglaterra não significa tecer comentários só sobre futebol. É falar de história, reabrir feridas geopolíticas e mexer com os brios especialmente dos hermanos por conta da Guerra das Malvinas, o arquipélago que os britânicos chamam de Falkland Islands e que até hoje mobiliza a opinião pública ao sul do Rio da Prata.

Aquele foi o último suspiro da ditadura argentina. Em 1982, em um arroubo nacionalista, o general Leopoldo Galtieri desembarcou tropas nas ilhas e assumiu o controle da capital, Stanley, batizada de Puerto Argentino pelos rivais.

O governo britânico, na época sob o comando de Margaret Thatcher, a dama de ferro, enviou uma força-tarefa descomunal para o Atlântico sul.

A verdade é que os argentinos levaram uma surra. A guerra durou 74 dias, e o Reino Unido venceu.

Tão interessante quanto é como as Malvinas mobilizam tanto a direita quanto a esquerda. Aliás, esse é um dos poucos assuntos que, para os hermanos, é consenso. Para a esquerda, representa o combate ao neocolonialismo e ao imperialismo britânico na América Latina. Para a direita e os militares, trata-se da defesa da integridade territorial e da honra nacional. Essa reivindicação está, inclusive, consagrada na Constituição, logo é uma política de Estado que nenhum governo - seja peronista ou neoliberal - ousa abandonar. Inclusive o governo atual de Javier Milei mobiliza essa paixão.

Outra curiosidade é que na atual guerra do Irã, como Donald Trump estava magoado com a Otan, que o deixou sozinho no conflito, avaliou suspender ou revisar o apoio diplomático ao Reino Unido na disputa histórica pelas Ilhas.

Ok, mas, afinal, de quem são as Malvinas (ou as Falkland?). Oficialmente, as Nações Unidas reconhecem a disputa. As Ilhas estão na lista de Territórios Não Autônomos desde 1946, e o Reino Unido aparece como potência administradora. Em 1965, a ONU aprovou a Resolução 2065, reconhecendo formalmente o conflito de soberania e pedindo que os dois países buscassem uma solução pacífica.

A Argentina diz que herdou os direitos da Espanha depois de declarar sua independência, em 1816. Também garante que os britânicos expulsaram as autoridades argentinas em 1833 e passaram a ocupar ilegalmente o território. Já o Reino Unido diz que administra continuamente as ilhas desde 1833, com exceção da ocupação argentina durante a guerra de 1982. E apresenta outro argumento: o direito dos próprios moradores de decidir o futuro do arquipélago. Em 2013, foi realizado um referendo. O resultado foi esmagador: 99,8% dos votos válidos foram favoráveis à manutenção do vínculo com o Reino Unido. Para os britânicos, esse resultado comprova o direito à autodeterminação. A Argentina contesta esse argumento. Considera os moradores uma população implantada pelo processo de ocupação britânica e afirma que a questão principal não é autodeterminação, mas integridade territorial. O jogo de hoje vai terminar, um dos dois lados irá para a final e a rusga histórica vai sobreviver à Copa. _

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Como foi a disputa pelas Ilhas em 1982

As Ilhas Malvinas eram administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas a Argentina sempre reivindicou a soberania sobre o território, alegando proximidade geográfica e herança da colonização espanhola.

Em 1982, mesmo com o país enfrentando uma grave crise econômica, inflação recorde e protestos sociais contra os abusos de direitos humanos, a ditadura argentina enviou tropas ao arquipélago. A junta militar viu na invasão uma oportunidade de apelo nacionalista para unificar a população e desviar a atenção de problemas internos.

No dia 2 de abril daquele ano, soldados argentinos desembarcaram em Port Stanley, rendendo a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos sem causar mortes, em uma tentativa de evitar uma reação armada imediata de Londres.

A superioridade tecnológica, a inteligência de combate e o treinamento das tropas britânicas rapidamente superaram as forças armadas argentinas, formadas em grande parte por recrutas conscritos que sofriam com a falta de suprimentos e de agasalhos adequados para o frio extremo.

No dia 14 de junho de 1982, o comando argentino nas ilhas assinou a rendição.

Um dos marcos do conflito foi o afundamento do navio General Belgrano, joia da marinha argentina. O ditador Leopoldo Galtieri renunciou quatro dias depois do final da guerra. Os argentinos perderam 649 militares em combate. Os britânicos sofreram 255 baixas militares (além de três civis). O conflito durou de 2 de abril a 14 de junho de 1982.

Dias atuais

Atualmente, o arquipélago continua sob administração britânica, com o status de Território Ultramarino. Aliás, um referendo realizado em 2013 apontou que a população local votou esmagadoramente (99,8%) a favor de continuar sendo um território do Reino Unido. No entanto, o governo argentino não reconheceu a votação, argumentando que a população local foi implantada pelos ingleses. _

Tramontina doa 1,7 tonelada de utensílios para a Venezuela

A empresa gaúcha Tramontina, por meio de sua unidade na Colômbia, realizou a doação de um amplo conjunto de produtos para apoiar as comunidades afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho. As remessas reúnem cerca de 2 mil itens, entre ferramentas e utensílios essenciais para as atividades de reconstrução e para o dia a dia das famílias. O lote inclui carrinhos de mão, pás, picaretas, enxadas, martelos, marretas, cavadeiras, facas, talheres, panelas, frigideiras e cadeiras, totalizando cerca de 1,7 tonelada de donativos. _

Gaúcho em MSF debate HIV

O epidemiologista gaúcho Antonio Flores, de Médicos Sem Fronteiras (MSF), participa no dia 30 de julho de uma das mesas da 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS, o maior evento global dedicado ao tema, realizado no Rio de Janeiro no final deste mês. Em pauta, o acesso ao lenacapavir, tecnologia médica apontada como uma das maiores inovações na prevenção ao HIV nas últimas décadas. Antonio trabalha atualmente para MSF na África do Sul.

Embora tenha potencial para transformar a resposta à epidemia, a tecnologia permanece fora do alcance de milhões de pessoas devido a preços elevados, acordos restritivos de licenciamento e limitações na oferta. O debate propõe uma reflexão sobre quem tem acesso às inovações em saúde e quais barreiras ainda impedem que avanços científicos cheguem a quem mais precisa. _

correção

Uma das empresas americanas que pedem exclusão de itens brasileiros do tarifaço de Donald Trump é a Siemens Energy e não o Grupo Siemens como informado no texto principal da coluna de ontem. _

INFORME ESPECIAL

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