quarta-feira, 15 de julho de 2026

15 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Os alicerces do plano de governo de Zucco

Disposto a liderar um novo ciclo na gestão do governo estadual, o pré-candidato do PL a governador, Luciano Zucco, trabalha em um plano de governo focado no crescimento econômico. Há mais de uma semana, Zucco concilia as agendas com leituras das propostas apresentadas, ao mesmo tempo em que o documento passa por fase de redação e revisão antes da apresentação final, prevista para o início de agosto.

Sob coordenação do secretário de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal, a equipe responsável pelo plano de governo avalia que o Estado atualmente trabalha seu desenvolvimento a partir da agenda fiscal, sem pensar em um programa de crescimento. Para isso, uma eventual gestão de Zucco no Palácio Piratini deverá trabalhar avanços na infraestrutura, no ambiente de negócios e no capital humano.

O plano de governo do PL vai propor uma revisão no modelo de concessões adotado pelo governo Eduardo Leite, do qual os liberais são críticos por prever dezenas de pórticos de pedágio pelas rodovias incluídas nas negociações. A estratégia será optar por formatos que possam transformar o Rio Grande do Sul em um corredor logístico do Cone Sul, a partir de melhores condições nos modais de transporte.

Para aprimorar o ambiente de negócios, o programa apresentará propostas de desburocratização de processos e em políticas de apoio aos produtores rurais gaúchos. No que diz respeito às pessoas, o plano terá foco em recuperar a qualidade da educação básica, além de expandir a oferta de formação profissional e tecnológica agregada ao Ensino Médio.

Desde o início do ano, o plano tem sido trabalhado a partir das demandas recebidas em reuniões do movimento Força Gaúcha, a partir do qual Zucco percorreu o Interior ao lado da vice, Silvana Covatti (PP). O documento agrega ainda contribuições de entidades, líderes setoriais e especialistas, e demandas feitas pelo próprio pré-candidato em reuniões internas.

Imersão nas propostas

Enquanto Zucco está imerso nas propostas, conferindo-as área a área, a redação final está sendo trabalhada pela equipe responsável pelo plano de governo. Embora a convenção do PL esteja marcada para a noite de 22 de julho, o plano de governo deverá ser finalizado até o final do mês, e apresentado publicamente em um ato no início de agosto.

Os planos de governo têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral como pré-requisito para que as candidaturas sejam validadas. O documento funciona como a primeira oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas e prioridades ao eleitor. A coluna já apresentou detalhes dos planos de governo de Gabriel Souza (MDB) e Juliana Brizola (PDT). O próximo será Marcelo Maranata (PSDB). 

Adversários na corrida pelo Senado têm encontro inesperado

Adversários na corrida pelo Senado, Manuela D?Ávila (PSOL) e Germano Rigotto (MDB) tiveram ontem um encontro inusitado. Os dois passaram pelo Mercado Público de Porto Alegre e, por coincidência, se cruzaram no segundo piso do prédio histórico da Capital

Manuela foi ao Mercado para almoçar, acompanhada de Edegar Pretto (PT), após o ato que oficializou a indicação do vereador de Caxias do Sul, Lucas Caregnato, como o segundo suplente da pré-candidata. Na chegada, enquanto se encaminhavam ao restaurante, avistaram o emedebista, com quem tiveram um diálogo cordial. Entre os cumprimentos e as poucas palavras trocadas, os três comentaram sobre a indicação de Caregnato, conterrâneo de Rigotto.

Já Rigotto aguardava pela chegada do amigo e correligionário Sebastião Melo, para uma conversa sobre os desafios do municipalismo. Ao final deste encontro, o prefeito de Porto Alegre enfatizou seu apoio ao ex-governador na corrida pelo Senado, destacando o preparo e a experiência de Rigotto para o cargo. _

Debates às vésperas da campanha

Prestes a ingressarem no período oficial da campanha eleitoral, Rigotto e Manuela se preparam para dois debates na próxima semana: da Fecomércio, marcado para segunda-feira, e da Federasul, no dia 22.

Manuela será confirmada como candidata do PSOL ao Senado na convenção do partido, no dia 25. Ela dividirá a chapa com Paulo Pimenta (PT) e apoiará a candidatura de Juliana Brizola (PDT) a governadora, que tem Edegar como vice.

Uma semana mais tarde, em 1º de agosto, será a vez do MDB oficializar Rigotto na corrida pelo Senado. O partido também lançará Gabriel Souza para concorrer ao governo do RS. A chapa será formada ainda por Ernani Polo como vice e Frederico Antunes ao Senado, ambos do PSD. _

Selo para acertos nas eleições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, propôs ontem a criação de um "selo de acurácia" para institutos de pesquisa, que seria destinado às empresas com maior taxa de acerto dos resultados nas eleições. A proposta foi feita em reunião com diretores de 19 institutos.

O selo seria entregue após o segundo turno das eleições, em data a ser definida. A avaliação vai considerar somente pesquisas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito e no dia das eleições (boca de urna), que forem efetivamente divulgadas.

O texto também afirma que estarão excluídas da premiação empresas que tiverem sido condenadas por irregularidades graves. Segundo participantes do encontro, os institutos levaram preocupações sobre o recorte temporal para a avaliação.

Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e ressaltou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas e não são "previsões nem promessas de resultado". _

Orçamento com previsão de déficit de R$ 4,8 bilhões é aprovado

A Assembleia Legislativa aprovou ontem o projeto que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Estado para 2027. O texto prevê déficit de R$ 4,8 bilhões no orçamento gaúcho e teve 39 votos favoráveis e 13 contrários.

O texto chegou a plenário com parecer favorável da Comissão de Finanças, com nove emendas acolhidas. Todas foram aceitas ontem. Entre elas, uma prevê recursos para duplicação da RS-118 entre Gravataí e Viamão, outra a aplicação de 0,5% da receita líquida de impostos no desenvolvimento do Ensino Superior público e mais outra estabelece a preferência na destinação de R$ 3 bilhões do Funrigs para obras em rodovias dos blocos 1 e 2 do programa de concessões rodoviárias.

O resultado frustrou a oposição, que buscava garantir no orçamento de 2027 a aplicação mínima de 12% dos recursos arrecadados na saúde. Por acordo firmado com o Ministério Público no ano passado, o governo estabeleceu aporte de 11,01%, em cumprimento a uma tabela crescente que prevê chegar aos 12% apenas em 2030.

Colaborou Paulo Rocha

mirante

Apesar das críticas da pré-candidata do PDT, Juliana Brizola, e da frente de partidos de esquerda à previsão de déficit na LDO, a bancada do PDT foi unânime em aprovar o texto encaminhado pelo governador Eduardo Leite.

Ainda sem ser votada na CCJ da Assembleia Legislativa, a PEC da data-base sofreu uma reformulação para retirar do texto a previsão de reajuste baseado na inflação. A nova versão apenas garante que a revisão salarial do funcionalismo estadual ocorra anualmente em 1º de março.

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