Debates no Guaíba Summit apontam caminhos e entraves para o crescimento econômico do RS
Gabrieli SilvaRepórterO Guaíba Regeneration Summit 2026 encerrou nesta sexta-feira (20), em Guaíba, com debates voltados a urbanismo, descarbonização, tecnologia e desenvolvimento econômico. Realizado no Mercado Público do município, o encontro reuniu especialistas, empresas e representantes de diferentes setores para discutir perspectivas de crescimento e os desafios estruturais da região.
Entre os destaques do segundo dia esteve o debate sobre a construção de uma agenda econômica para o Rio Grande do Sul, com foco no papel de Guaíba nesse cenário. Durante o painel, foram apontados fatores como a localização estratégica, o potencial hidrográfico e a qualificação da mão de obra como elementos favoráveis ao desenvolvimento. Ao mesmo tempo, entraves logísticos também foram mencionados. Representando a Aeromot, a COO Cristiane Cunha afirmou que “as rodovias federais do Rio Grande do Sul não são como as dos demais estados brasileiros, e podem requerer determinada manutenção ou ajuste”.
A discussão sobre planejamento urbano apareceu em diferentes momentos da programação. Na palestra sobre cidades como plataformas vivas, especialistas destacaram a importância de atualização de dados para orientar políticas públicas e projetos futuros. A urbanista Laura Krebs apontou a necessidade de revisão do plano diretor de Guaíba com base em informações mais recentes, enquanto o engenheiro cartógrafo Fernando Oliveira ressaltou que “uma cidade precisa de diagnóstico e raio-x”, destacando que o município iniciou em 2025 um novo processo de mapeamento, substituindo dados anteriores, de 2012.
O tema da descarbonização também esteve presente na programação, com abordagens sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa e a adaptação de empresas a novas exigências ambientais. Durante o painel, foi discutido o uso de créditos de carbono e medidas adotadas por instituições para incentivar práticas mais sustentáveis no setor produtivo.
No campo tecnológico, empresas apresentaram soluções já aplicadas ao mercado. A TK Elevator destacou o desenvolvimento de sistemas conectados e ferramentas de manutenção preditiva. Segundo o coordenador de engenharia Fábio Lisboa, “todas as tecnologias são desenvolvidas aqui e já colocadas nos nossos produtos”, acrescentando que “a manutenção preditiva já é totalmente uma realidade do nosso mercado”.
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Do ponto de vista financeiro, o acesso ao crédito foi citado como um dos fatores que influenciam a viabilidade de projetos. Representando o Sicredi Gerações, o gerente Ilo Tassinari Jr. afirmou que a procura por financiamento é ampla: “neste momento praticamente todas as pessoas estão demandando crédito”. Segundo ele, após as enchentes, houve aumento na busca por recursos voltados à recuperação de negócios.
Em relação às expectativas geradas por eventos como o Summit, ele avaliou que a tendência é de apoio à continuidade dos negócios e à regeneração econômica local. “A enchente não se resolve em um ano ou dois anos, ela vai levar um tempo muito maior”, disse.
O evento também contou com programação voltada ao empreendedorismo e ao ambiente digital, com palestras sobre estratégias de vendas, presença online e uso de dados. As discussões abordaram desde a construção de marca em redes sociais até a adoção de ferramentas para melhorar o desempenho comercial e a gestão interna das empresas.


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