terça-feira, 25 de agosto de 2026

25 de Agosto de 2026
INFORME ESPECIAL

A era dos debates eleitorais está no fim?

Agora, chegou a vez dos debates eleitorais. A imagem do primeiro encontro dos presidenciáveis de 2026 sugere o fim de uma era. Dos seis candidatos convidados pela Band para o duelo de domingo, três compareceram. Outros três deixaram seus púlpitos vazios.

O esvaziamento se deve, em primeiro lugar, à tática dos fujões. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois líderes nas pesquisas, concluíram que tinham mais a perder do que a ganhar com o confronto. Lula decidiu não ir para não se tornar o alvo preferencial. Flávio disse que não participaria sem Lula. E Romeu Zema (Novo), diante da ausência dos dois, também desistiu. O resultado foi um debate sem os candidatos que, juntos, concentram mais de dois terços das intenções de voto.

Durante décadas, os políticos precisavam do debate para chegar ao eleitor. Hoje, podem contorná-lo com postagens no Instagram, TikTok e YouTube, podcasts, lives e grupos de WhatsApp. Nas redes sociais, eles podem falar durante horas sem o contraditório, escolher o assunto, o cenário, o enquadramento e definir até as perguntas que pretendem responder. Por que, então, aceitar ficar duas ou três horas diante de adversários preparados justamente para explorar suas vulnerabilidades?

Há um segundo ponto. O próprio debate deixou de ser produzido apenas para quem está diante da televisão. Cada frase é pensada também no corte que circulará no dia seguinte. Uma provocação de 10 segundos pode valer mais do que uma resposta de três minutos. O evento passou a ser simultaneamente programa de televisão, picadeiro e fábrica de conteúdo para as redes.

Também existe um problema logístico. Em uma campanha curta, multiplicam-se os convites. Emissoras, entidades empresariais, associações e sindicatos querem promover seus próprios encontros. É compreensível: cada setor deseja abordar, a fundo, seus próprios dilemas. No RS, isso é particularmente visível. No entanto, para uma campanha, cada participação significa deslocamento, preparação, estudo dos adversários e horas retiradas da agenda de rua. Pelo cálculo eleitoral, vale mais participar de mais um debate ou passar aquelas horas em contato direto com eleitores?

Foco nas redes

O debate coloca todos no mesmo palco, diante das mesmas câmeras e, potencialmente, do mesmo público. Obriga um candidato a ouvir o outro, quem governa a prestar contas e quem critica a apresentar alternativas. O formato também merece revisão. Na guerra por atenção, diante de uma audiência cada vez mais acostumada a conteúdos curtos, eventos longos se tornam cansativos. É necessário reduzir a duração, aumentar o confronto sobre temas concretos, diminuir as regras e devolver ao encontro aquilo que deveria ser sua essência: colocar candidatos diante das mesmas perguntas.

Os debates estão prestes a desaparecer porque há uma maneira mais confortável de falar apenas com quem os candidatos querem. Mas essa tática não converte votos, especialmente diante de um cenário de descrença na política e de um exército de indecisos. 

Rodrigo Lopes

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