Alta escolaridade e desigualdades de gênero e raça
O grau de instrução é um dos aspectos positivos do perfil das candidaturas nas eleições de 2026, que emerge dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quase seis em cada 10 candidatos têm ensino superior completo, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul. Quando considerados também aqueles com graduação incompleta, o índice supera 69% no país e chega a 72% entre os gaúchos. É um contingente altamente escolarizado para uma atividade que exige compreensão de leis, orçamentos e políticas públicas.
O dado não deve, porém, ser confundido com garantia de qualidade. Diploma não assegura competência política, honestidade ou capacidade de articulação, assim como sua ausência não torna alguém incapaz de representar a sociedade. Alta concentração de graduados pode, eventualmente, refletir as barreiras sociais, financeiras e partidárias que dificultam o ingresso na política de líderes comunitários com outras formas de conhecimento e experiências.
A desigualdade de gênero é o dado mais expressivo dos números. Embora as mulheres sejam maioria do eleitorado, representam apenas 35% das candidaturas nacionais e 34% das gaúchas. Os números ficam pouco acima da cota mínima de 30%, sugerindo que a regra ainda funciona mais como um piso a ser cumprido do que como instrumento de paridade. O desequilíbrio é ligeiramente maior aqui, no Estado.
Composição racial
Na composição racial, há maior aproximação com o perfil da população, mas permanecem distorções. No Brasil, pretos e pardos somam 49,82% dos candidatos, diante de 55,5% da população. Os brancos estão sobrerrepresentados, enquanto a principal diferença está entre os pardos: são 45,3% dos brasileiros, mas apenas 36,18% dos candidatos.
No RS, a predominância de candidatos brancos - 80,73% - acompanha a composição demográfica do Estado, onde 78,4% da população é branca. Os pretos aparecem proporcionalmente acima de sua presença populacional, enquanto os pardos permanecem sub-representados: são 14,7% dos gaúchos, mas 8,97% dos candidatos.
O Brasil e o Rio Grande do Sul que irão às urnas em outubro encontrarão candidatos mais escolarizados, um universo político ainda predominantemente masculino e uma composição um pouco mais branca do que a população que pretendem representar. _
Orientação sexual e identidade na eleição
O RS conta com 1.048 candidatos registrados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026. O número engloba nomes que disputam o Piratini, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
Deste total, quase metade dos postulantes não informou sua identidade de gênero e orientação sexual no momento do registro de candidatura.
Ao todo, apenas 565 informaram sua orientação sexual, o que representa 53,9% do total. A orientação sexual diz respeito à atração física, afetiva ou romântica que uma pessoa sente por outra. Entre os postulantes, 547 se declararam heterossexuais, oito bissexuais, oito gays, um pansexual (pessoa que sente atração independentemente do sexo biológico ou da identidade de gênero) e uma lésbica.
Já sobre identidade de gênero - que é como o indivíduo se reconhece e se sente, de forma independente do sexo biológico de nascimento -, 555 candidatos informaram o dado ao TSE, o equivalente a 53% do total. São 545 cisgêneros (quando a identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído no nascimento) e 10 transgêneros (quando a identidade difere do sexo de nascimento).
Quatro candidatos informaram seu "nome social", que é a forma pela qual pessoas travestis, transexuais e não binárias preferem ser chamadas no dia a dia, ao invés do nome de registro. _
Ulbra terá unidade em shopping de Porto Alegre
O Pontal Shopping terá, a partir de 2027, um campus da Ulbra. A unidade, que ocupará uma área de 1,5 mil metros quadrados no segundo piso, terá como foco inicial o curso de Medicina. A expectativa é de que a operação gere um fluxo diário de aproximadamente mil visitantes, entre alunos, professores e colaboradores.
Conforme o Pontal Shopping, toda a estrutura do curso de Medicina de Porto Alegre será transferida para o local. O espaço contará com salas de aula, laboratórios e setores administrativos de apoio aos alunos.
Conforme a Ulbra, toda a estrutura do curso de Medicina do campus Porto Alegre, que fica na Rua Coronel Joaquim Pedro Salgado, no Rio Branco, será fechada e transferida para o Pontal. _
Debate sobre racismo na Alemanha
O tema da discriminação racial voltou aos noticiários alemães após um evento em uma piscina pública temporária - instalada em frente ao teatro Volksbühne, em Berlim - ser cancelado por falta de segurança.
A atividade previa receber exclusivamente crianças e jovens negros da capital, mas, após os organizadores sofrerem ameaças, o grupo optou por cancelar a iniciativa.
A Europa enfrenta há meses um calor extremo, e a população tem recorrido a piscinas públicas espalhadas pelas cidades.
Em geral, os horários da manhã do local são reservados a clubes de natação. Na última semana, uma associação de combate ao racismo, a Each One Teach One (Eoto), reservou um horário para levar crianças e adolescentes negros.
A iniciativa gerou forte oposição de políticos locais. Aileen Weibeler, vereadora do partido CDU (conservador), fez uma publicação nas redes sociais afirmando se sentir discriminada por ser branca e não poder utilizar o local no horário reservado. Outros políticos afirmaram tratar-se de uma "divisão de pessoas com base na cor da pele".
A Eoto denunciou ter sido alvo de hostilidades desde o início da divulgação da atividade. Por temores quanto à integridade dos participantes, o teatro e a entidade cancelaram o evento. A associação estuda tomar medidas judiciais devido às intimidações. _

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