terça-feira, 25 de agosto de 2026

 

25 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

Um freio na violência no trânsito

Não pode ser tratado como algo meramente circunstancial o elevado número de mortes em acidentes de trânsito no fim de semana no Rio Grande do Sul. Ao menos 19 pessoas perderam a vida em estradas e vias urbanas do Estado entre o meio-dia de sexta-feira e a manhã de ontem, conforme levantamento da Rádio Gaúcha. O período considerado compreende os turnos em que normalmente ocorrem os deslocamentos de saída e volta para casa de quem viaja. Tratou-se de um final de semana comum, sem motivação aparente para uma circulação maior de veículos.

Os acidentes ocorreram em diferentes contextos, mas os comportamentos de risco que normalmente aparecem associados a tragédias no trânsito estiveram presentes. O caso com o maior número de mortes ocorreu no sábado à noite, em Arvorezinha, no Vale do Taquari. Uma colisão deixou três vítimas fatais, e o condutor de uma Saveiro, com sintomas de embriaguez, conforme o Comando Rodoviário da Brigada Militar, se feriu. No domingo, em Pelotas, dois motociclistas que participavam de um racha também perderam a vida e um terceiro até ontem estava hospitalizado em estado considerado grave. A imprudência e a mistura de álcool e direção costumam ser mortais.

Convém registrar que o RS vem de dois anos seguidos de aumento da quantidade de mortes em acidentes de trânsito, a despeito de um pequeno recuo no primeiro semestre, de 2,5% ante igual período do ano passado. Em 2025, foram 1.683 fatalidades, conforme as estatísticas do Detran-RS, ante 1.652 em 2024 e 1.576 em 2023. Em Porto Alegre, a tendência observada é a mesma nos últimos dois anos.

Torna-se necessário compreender as razões do recrudescimento da quantidade de acidentes fatais e agir para frear a carnificina nas estradas e nas ruas. Autoridades e especialistas observam que o trânsito voltou a ficar mais violento no país após a pandemia, depois de um período de redução nos anos anteriores. No Estado, policiais rodoviários também relataram que os condutores parecem ter ficado mais ansiosos após a enchente de maio de 2024. Comportamentos irresponsáveis ficaram mais comuns.

É verdade que o RS tem problemas com estradas mal conservadas e muitas de pista simples, apesar do grande movimento. Mas boa parte dos sinistros fatais está relacionada a fatores humanos, como excesso de velocidade, ultrapassagens em local proibido, desleixo com o uso do cinto de segurança e embriaguez. A utilização do celular enquanto se dirige também passou a preocupar mais. Ainda chama atenção o fato de que, no ano passado, morreram no Estado 515 motociclistas e caronas de motos, ante 450 em 2024.

Uma boa novidade recente é a atualização da Lei Seca pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Entre as principais novidades está a adoção do "drogômetro", para detectar o uso de substâncias psicoativas como cocaína, maconha, ecstasy e heroína. Nenhuma multa foi criada nem teve seu valor aumentado. A revisão das normas vai ao encontro da necessidade de aperfeiçoar mecanismos que contribuam para maior segurança no trânsito, mas ainda há muito a evoluir em educação e fiscalização para fazer com que as leis sejam cumpridas, tanto pela consciência dos condutores quanto pela percepção de que o mau comportamento será punido. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário