12 de Setembro de 2026
EDITORIAL
O peso da eleição para o Senado
Diz-se que grande parte do eleitorado define o voto para o Senado às vésperas de comparecer na urna. Essa constatação revela a importância secundária que a população parece dar para essa escolha diante das disputas que despertam mais as paixões políticas, como para governador e para a Presidência da República. Trata-se de um costume que deveria ser revisado.
O Senado tem características e atribuições específicas que conferem à Casa grande responsabilidade. Assim, é uma competição que mereceria maior atenção e uma análise mais profunda de triagem dos nomes a partir de suas ideias, propostas e trajetórias. No pleito deste ano, 54 das 81 cadeiras estarão em jogo. Com isso, em cada Estado e no Distrito Federal serão dois eleitos e os cidadãos aptos poderão votar em dois postulantes.
Com o propósito de contribuir para uma escolha consciente, a Rádio Gaúcha promoveu na sexta-feira um debate com os candidatos de partidos, federações e coligações com pelo menos cinco representantes no Congresso. Foram convidados Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d?Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL).
O encontro, em tom às vezes duro mas civilizado, como requer a democracia, teve a apresentação de esboços de propostas e o confronto de visões sobre temas como Supremo Tribunal Federal (STF), apostas esportivas, renegociação da dívida do Estado com a União, feminicídios e proteção de fronteiras, entre outros. Debates são oportunidade singular por proporcionarem o embate direto.
A eleição para o Senado ganhou foco adicional neste ano pelo fato de a Casa ter a atribuição de analisar o impeachment de membros do STF. A descoberta, desde o final do ano passado, de comportamentos incompatíveis com o cargo de alguns ministros, enredados no escândalo do Banco Master, tornou o tema mais palpitante. É possível que um processo de impedimento tenha de ser enfrentado. Mas cumpre lembrar que o papel do Senado é bem mais amplo. Há outros fatores que o eleitor deve considerar para enriquecer a construção da sua escolha.
A Constituição define que os senadores são representantes de seus Estados. Isso determina que sejam apenas três vagas por unidade da federação. É de extrema importância ter uma representação qualificada e atuante, à altura do desafio de defender os interesses do Rio Grande do Sul em Brasília.
O Senado é a Casa revisora da República pois, em regra os projetos de lei do Executivo tramitam primeiro na Câmara. Assim, é de onde se espera maior maturidade e sabedoria. Até por isso a idade mínima para exercer o cargo é maior, de 35 anos, ante 21 para a função de deputado federal e de 30 para ser governador. Outras competências exclusivas são aprovar ou rejeitar indicações para posições relevantes como diretores do Banco Central, procurador-geral da República e ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e do próprio STF.
Com o intuito de auxiliar o eleitor, Zero Hora publicou uma série apresentando os oito candidatos, escolhidos pelos mesmos critérios do debate. O Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, apresenta a partir de segunda-feira entrevistas individuais com postulantes. No dia 25, a RBS TV promoverá um novo debate. Vale lembrar que o mandato de senador é de oito anos. Uma escolha equivocada tem um custo maior para o Estado.

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