Visualização única
Zap para aquele ET que está chegando agora: o Corruptor-Geral da República está na cadeia e, desde a semana passada, o Brasil vem sendo passado a limpo com a exposição pública de mazelas praticadas por integrantes dos altos poderes da Nação e por outros agentes públicos e privados.
Olhando-se para o copo meio vazio, pode-se dizer que nunca se viu tanta ganância, roubalheira e corrupção. Mas, com o copo meio cheio, pode-se fazer um brinde à transparência.
O aspecto animador dessa verdadeira orgia de imoralidades é que talvez não seja preciso destruir Sodoma e Gomorra para o país sair melhor desse lamaçal. Embora ainda estejamos no olho do furacão e muitas outras tempestades paralelas possam se formar, já se pode vislumbrar com alguma nitidez quem mente, quem tenta se esconder atrás de biombos erguidos em causa própria e quem não teme mostrar a cara.
Os malfeitores da República acabaram fazendo um bem para o país: sem querer, obviamente, reativaram um princípio Constitucional frequentemente negligenciado, pelo qual fica estabelecido que a regra é a publicidade; o sigilo, a exceção. Não sei quanto tempo vai durar isso, nem mesmo se o que ficou combinado na semana passada continua valendo nesta terça, dia D para a sessão de exorcismo do Supremo Tribunal Federal.
Mas fiquei um pouco aliviado com a revelação dos mandos e desmandos apurados nas investigações da Polícia Federal. São subsídios valiosos para os cidadãos bem informados tomarem posição na hora de escolher seus representantes. E também para o país reavaliar sua governança e buscar novos mecanismos que limitem o excesso de poder.
Talvez essa exposição de feridas seja apenas um flash de visualização única, como as tais mensagens digitais que desaparecem depois de lidas, utilizadas prioritariamente por quem tem alguma coisa a esconder.
Mas, pelo menos, possibilita que os brasileiros vejam os poderes e os poderosos sem o véu da hipocrisia com que costumam se apresentar, recurso, aliás, ainda utilizado fartamente nas atuais propagandas eleitorais em que os próprios partidos políticos usam voz acelerada para esconder sua identidade e, por consequência, seus verdadeiros propósitos.

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