segunda-feira, 19 de outubro de 2026



19 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER -  Rosane de Oliveira

Na reta final, Lula e Flávio põem os blocos na rua

No derradeiro domingo da campanha eleitoral, os exércitos do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro deram demonstrações de força nas ruas, na tentativa de conquistar os poucos eleitores indecisos e de incentivar o voto no dia 25. As coordenações das duas campanhas sabem que dificilmente um tirará votos do outro, mas querem garantir que quem votou em 4 de outubro volte às urnas no próximo domingo e que quem se absteve ou votou nulo ou em branco compareça e influencie o resultado.

Lula optou por passar o dia se preparando para o debate na Band, enquanto seus apoiadores realizavam manifestações pela democracia nas principais capitais brasileiras, com a presença de artistas, líderes políticos e eleitores anônimos que vestiram a camiseta vermelha, desenrolaram as bandeiras e foram às ruas pedir voto no 13.

Flávio Bolsonaro optou por uma concentração na Avenida Paulista, batizada de Bloco do 22, reunindo governadores, senadores e deputados eleitos no primeiro turno. Entre os governadores, estavam Luciano Zucco (RS), Tarcísio Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC). A representação gaúcha incluiu os senadores eleitos Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL). No sábado, Van Hattem participou de uma motociata em Florianópolis e de uma manifestação em Curitiba.

Usando camiseta verde, Flávio discursou para a multidão de cima de um trio elétrico, ao lado do governador de São Paulo e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), campeão de votos em todo o Brasil e autor da ideia dos blocos do 22. O candidato do PL disse que receberá a faixa presidencial do pai, Jair Bolsonaro, que hoje está em prisão domiciliar, impedido de fazer manifestações políticas. Flávio já disse que, se eleito, vai anistiar o pai e outros condenados pela trama golpista e pelos atos violentos de 8 de janeiro de 2023.

Atos pela democracia

Em Porto Alegre, milhares de simpatizantes se concentraram no Parque da Redenção, com bandeiras e cartazes, e acompanharam shows de artistas locais. Entre os políticos presentes, estiveram integrantes da chapa da esquerda nas eleições deste ano, como Edegar Pretto, candidato a vice-governador, e Manuela d?Ávila, candidata ao Senado. O ex-governador Olívio Dutra também circulou pelo local durante a tarde.

Em Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo foram realizados atos semelhantes, que a campanha de Flávio tentou barrar, alegando que os showmícios são proibidos pela Legislação eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral liberou as manifestações por não contarem com a presença do candidato. _

aliás

Nesta segunda-feira, o presidente Lula virá a Porto Alegre para o segundo ato de campanha no Rio Grande do Sul.No primeiro turno, o presidente participou de comício no Largo Glênio Peres. Hoje, está prevista uma concentração no Largo dos Açorianos, de onde partirá a caminhada até o Glênio Peres, com a presença de Lula e da primeira-dama, Janja Lula da Silva, do governador reeleito do Piauí, Rafael Fontelles, e do senador Rui Costa, da Bahia.

Viralizou

Foi do deputado federal André Janones (Rede-MG) a ideia de "driblar o algoritmo da Meta com fotos de eleitores do presidente Lula vestindo a camiseta da Seleção e fazendo o "L" com o polegar e o indicador.

Ao longo do fim de semana, em uma ação coordenada, famosos e anônimos postaram fotos de verde e amarelo. Quem não tinha a camisa da Seleção apelou para montagem feita por inteligência artificial.

Até Lula postou foto vestindo a amarelinha. 

Hohlfeldt deixa o MDB por discordar de apoio a Flávio

Social-democrata por definição, embora tenha estreado na política como o primeiro vereador pelo recém-criado PT, o ex-vice-governador Antônio Hohlfeldt anunciou no fim de semana sua desfiliação do MDB. Inconformado com o apoio do partido ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno da eleição, Hohlfeldt divulgou manifesto no qual afirma que deixa o partido para não trair a si mesmo.

Depois de fazer um histórico da sua trajetória, Hohlfeldt critica a adesão de líderes do partido à candidatura de Flávio.

"A atual direção nacional e diferentes direções regionais rasgaram os documentos fundadores do MDB, viraram as costas para os seus compromissos com a democracia e aliaram-se a um conjunto de forças que se preparam para destruir os pilares básicos de nossa autonomia internacional, e as nossas bases de identidade democrática. O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país. Não quero e não posso calar ou me omitir", escreveu Hohlfeldt. _

mirante

O prefeito Sebastião Melo intensificou no fim de semana a mobilização em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em Porto Alegre. Melo circulou em carro de som por bairros das zonas Norte, Sul e Central.

Não será surpresa se na eleição para prefeito de Porto Alegre, em 2028, o PL lançar o ex-prefeito de Esteio Leonardo Pascoal, coordenador da transição e homem de confiança tanto do governador eleito Luciano Zucco quanto do prefeito Sebastião Melo, de quem é secretário da Educação.

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