Flávio, Lulinha e os esqueletos no armário
Aos eleitores convictos do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro pouco importam as revelações de delitos pretéritos. O mesmo não se pode dizer dos indecisos, ainda mais quando os dois candidatos estão tecnicamente empatados e precisando conquistar eleitores a qualquer custo. Por isso, os esqueletos que saltaram dos armários de Flávio e do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ontem, não podem ser tratados como simples futrica.
Quem abriu a porta do armário de Flávio foi Alexandre Santini, ex-sócio na franquia de chocolates Kopenhagen, aquela usada para explicar as montanhas de dinheiro vivo para a compra de imóveis e no pagamento de boletos. De acordo com o portal Platô.br, o ex-sócio e agora inimigo de Flávio expôs mensagens que indicam participação em orgias com prostitutas e pedido de perdão à esposa Fernanda, que tomou conhecimento das traições.
Pela lei brasileira, traição não é crime. As revelações atingem o candidato no aspecto moral, já que se apresenta como defensor da família tradicional. O problema maior das revelações do ex-sócio é outro: o recebimento de dinheiro de origem suspeita e de um relógio da marca Rolex e o lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal.
Lobista
Já o esqueleto que assombra a campanha de Lula saiu do armário pelo celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e suspeita de pagar propina a funcionários públicos. No telefone apreendido pela Polícia Federal, foi encontrado o orçamento de uma viagem de luxo para a Europa, em janeiro de 2025, com passagens por Suíça, Suécia e Finlândia. No programa, uma semana de esqui nos Alpes suíços e a observação da aurora boreal na Finlândia, com direito a chef de cozinha e mordomo. No telefone, foram encontradas fotos dos amigos na Suíça. Custo do passeio: R$ 1,8 milhão, mais R$ 220 mil pelo fretamento de um jatinho para ir da Suíça para a Suécia.
Lulinha se defende dizendo que as informações foram tiradas de contexto e que não cometeu crime algum. Pode ser, mas pega muito mal viajar à custa de uma lobista que usava a proximidade com o filho do presidente para fazer tráfico de influência e tinha negócios com o Careca do INSS, aquele personagem investigado por lesar aposentados e pensionistas. _
Lula reúne multidões no Nordeste, mas se atrapalha ao falar do exame de próstata
Lula (PT) dedicou sua agenda para fortalecer a base eleitoral no Norte e também no Nordeste, de onde historicamente ganha boa parte dos votos. Na segunda-feira, em Belém, se atrapalhou ao falar sobre exames de câncer de próstata:
- O homem é covarde, ele não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas. Segundo o PT, Lula falava sobre exames ginecológicos, mas a frase repercutiu em perfis de direita. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos que deram conotação sexual à fala. Ontem, na Bahia, Lula explicou sua declaração, dividindo a fala com a primeira-dama, Janja. Também chamou Nikolas de "canalha". _
Só as promessas de Juliana custariam mais de R$ 4 bi
Se for eleita governadora do Estado, Juliana Brizola (PDT) terá de correr atrás de cerca de R$ 9,5 bilhões para cumprir com suas promessas. O valor é o resultado da soma do déficit de R$ 4,8 bilhões previsto na proposta de orçamento de 2027 com as renúncias fiscais anunciadas pela candidata e o aumento de gastos em saúde e educação.
Na sabatina da Rádio Gaúcha, Juliana prometeu acabar com o desconto previdenciário dos servidores aposentados no primeiro ano de mandato, abrindo mão de R$ 1,1 bilhão de receita. A candidata anuncia o fim das filas do SUS e aponta como fontes de financiamento o aumento das verbas para a saúde e o programa Pró-Hospitais, que permite às empresas aplicar até 5% do ICMS devido nas santas casas e hospitais filantrópicos. Pelos cálculos dela, seria possível arrecadar até R$ 1 bilhão com o Pró-Hospitais, o que significa abrir mão dessa receita no orçamento. E, se a candidata elevar no primeiro ano as verbas para a saúde e a educação, até chegar a 12% e 25% respectivamente, serão R$ 692 milhões a mais para a saúde e R$ 1,9 bilhão para a educação. _
Maranata atrela reajustes salariais a aumento da receita
O candidato Marcelo Maranata (PSDB) se comprometeu a, se for eleito governador, cortar 30% das despesas do Estado, incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, para conseguir bancar a conta de promessas feitas para a saúde e a infraestrutura. Na sabatina da Rádio Gaúcha, o tucano não detalhou como faria a redução dos gastos.
Ele planeja obter recursos para financiar suas propostas a partir do enxugamento da máquina pública, da atração de empreendimentos privados, com foco na geração de energia renovável e na renegociação da dívida com a União. Do governo federal, inclusive, é de onde Maranata planeja atrair mais recursos, negociando a criação de um fundo constitucional do Sul.
Na saúde, o tucano evitou prometer zerar a fila do SUS, como fizeram os adversários Gabriel Souza (MDB) e Juliana Brizola (PDT), classificando a ideia como "irresponsabilidade". Maranata pretende enfrentar o problema sendo ele próprio o secretário da Saúde nos primeiros seis meses de mandato, período em que planeja dividir o Estado em sete polos descentralizados para organizar os atendimentos e reajustar a tabela SUS Gaúcho.
No funcionalismo, acenou com reajustes para professores e policiais, mas deixou claro que a concessão de aumentos está condicionada ao incremento real da arrecadação. Também garantiu que extinguirá o salário mínimo regional, apontando a medida como entrave burocrático que afasta investimentos privados. _
RS-118 duplicada e sem pedágio
Quem se eleger para governar o Estado vai herdar o anteprojeto do Lote 1 da obra de ampliação da RS-118, um trecho de 5,1 quilômetros entre Gravataí, Alvorada e Viamão.
A duplicação, com recursos públicos, era promessa do governador Eduardo Leite, que não terá tempo de realizar a obra, mas incluiu a RS-118 entre os projetos que terão recursos do Fundo Rio Grande (Funrigs). O investimento será superior a R$ 224 milhões. _
Comissão de Ética deve investigar Byl
A bancada do PSOL na Câmara de Vereadores da Capital protocolou representação na Comissão de Ética contra o vereador Giovane Byl (Podemos), preso neste mês por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de emendas para a saúde. Os parlamentares requerem a apuração dos fatos para identificar se houve quebra de decoro parlamentar, corrupção ou improbidade administrativa, para embasar eventual perda de mandato.

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