sábado, 17 de outubro de 2026

17 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Lula e Flávio fazem promessas que não terão como cumprir

Até o próximo domingo, há tempo para os candidatos que disputam o segundo turno acenarem com cadeiras numeradas no céu, se forem eleitos - se é que isso já não está sendo oferecido em algum templo deste Brasil continental.

Além dos pacotes de bondades lançados nas últimas semanas, o presidente Lula apresentou projeto para a passagem gratuita nos ônibus urbanos, aos sábados e domingos, para que os trabalhadores possam passear com a família aos fins de semana, aproveitando a folga dupla assegurada na Constituição com o fim da escala 6x1. De onde viria o dinheiro? Das emendas parlamentares, essa aberração que consome R$ 60 bilhões do orçamento anual e que os deputados e senadores usam para se perpetuar nos mandatos.

Lula não disse como estender o benefício aos que folgarão durante a semana, porque a emenda só garante dois dias de descanso, que não precisam ser em dias consecutivos. Faltou dizer que para dar esse destino a parte do valor das emendas será preciso a aprovação do Congresso, o que dificilmente os deputados e senadores farão.

Lula foi além. Disse que o sistema de transporte coletivo está falido e que, se for reeleito, vai buscar uma fonte de financiamento para a gratuidade do transporte coletivo em todo o Brasil. São palavras ao vento diante da situação fiscal do Brasil, cuja gravidade Lula insiste em negar. Defende a ampliação dos programas sociais e o aumento do consumo, sem reconhecer que quando se gasta mais do que se arrecada é preciso tomar dinheiro no mercado, e isso provoca inflação e impede a redução do juro.

Flávio Bolsonaro promete "SUS com padrão Einstein", coisa que talvez a maioria dos brasileiros não imagina o que seja, porque só conhece o SUS dos postos de saúde e dos hospitais filantrópicos, que salvam vidas, mas estão a anos-luz de distância do Albert Einstein, um dos hospitais mais renomados do Brasil. 

O Einstein está para São Paulo como Moinhos de Vento para Porto Alegre - só que inacessível a quem não tem dinheiro ou um bom plano de saúde. Como pagar? Flávio não explica. Acha que basta informar ao público que o seu ministro da Saúde será o médico Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein.

Flávio faz um discurso contraditório. Fala em tesouraço de R$ 250 bilhões nos gastos e nos impostos, sem qualquer conexão com a realidade fiscal. Promete corrigir as aposentadorias acima da inflação, diz que vai manter e aumentar o Bolsa Família (classificou como "merreca" o reajuste de R$ 90 dado por Lula e considerado eleitoreiro), que o programa Minha Casa, Minha Vida vai continuar. As duas coisas são incompatíveis. Não há como cortar R$ 250 bilhões em despesas sem passar a tesoura em investimentos e gastos sociais.

Esses são alguns dos exemplos do que se vê nos discursos de palanque e na propaganda eleitoral. Seja quem for o vencedor, boa parte das promessas irá para o armário dos esquecimentos, simplesmente porque não cabe no orçamento. 

Como será a atuação da futura primeira-dama do RS

Futura primeira-dama do RS, a advogada Joyce Zucco ainda não sabe se vai se instalar no Centro Administrativo Fernando Ferrari ou no Palácio Piratini, mas já escolheu as causas que vai defender na área social.

Nos primeiros meses, a ideia é trabalhar com uma estrutura enxuta, com o secretário ou secretária da área e com prefeituras, na proteção às mulheres, às crianças e às famílias atípicas.

Aos 43 anos, mãe da Antônia, de nove, Joyce trabalhava no Ministério Público, mas se afastou quando o marido, Luciano Zucco, assumiu a candidatura a governador. Na campanha, percorreu o Estado ao lado do marido. Acompanhou Zucco em entrevistas, debates, comícios e carreatas, sempre esbanjando energia.

Está decidido que Joyce não ocupará secretaria. Ela planeja ajudar na implementação de políticas públicas. Uma de suas maiores preocupações é com os feminicídios. _

Quebra de protocolo para homenagear Paim

Prestes a encerrar a carreira política, depois de três mandatos no Senado, o gaúcho Paulo Paim (PT) recebeu uma merecida homenagem na sessão solene de promulgação da emenda constitucional que acaba com a jornada de 6x1. Ao saudar as autoridades presentes, já com o presidente Lula e o deputado Hugo Motta acomodados a seu lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avisou que quebraria o protocolo para homenagear um homem que está há mais de quatro décadas no Congresso e que muito trabalhou pela aprovação da proposta.

Alcolumbre pediu ao cerimonial que providenciasse uma cadeira extra para que o gaúcho pudesse ocupar um lugar à mesa principal. Paim foi aplaudido de pé. Desde que anunciou sua despedida da vida pública, Paim vem sendo homenageado por colegas que passam por cima das diferenças ideológicas para saudar sua coerência. 

Presidente vem a Porto Alegre

Na segunda-feira, o presidente Lula fará campanha em Porto Alegre. O roteiro foi definido na manhã de sexta-feira, em reunião com a participação de líderes do PT gaúcho.

A concentração se iniciará às 16h no Largo dos Açorianos, entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa. Lula deve chegar em um carro de som por volta das 17h, onde fará discursos. Após as falas, seguirá com a militância em caminhada pela Avenida Borges de Medeiros até o Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público, no Centro Histórico.

A primeira-dama Janja deve acompanhar o presidente.

No primeiro turno, Lula venceu a eleição em Porto Alegre com 377.252 votos (48,57% dos votos válidos), contra 325.139 (41,86%) de Flávio Bolsonaro. _

Impacto da 6x1 para prefeituras

Uma estimativa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) prevê um impacto de R$ 6,6 bilhões nos cofres das prefeituras do Brasil com o fim da escala 6x1. A estimativa foi elaborada pela entidade a partir de uma pesquisa feita com prefeitos e gestores locais.

De acordo com os cálculos, R$ 1,49 bilhão terão de ser despendidos com contratações diretas. Mas o maior volume de gasto se dará com os custos com funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços aos municípios, estimado em R$ 5,14 bilhões por ano.

Na avaliação do presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, as administrações municipais terão de gastar mais se quiserem manter o mesmo nível de prestação dos serviços públicos:

- Sem uma previsão orçamentária devida, muitos serviços podem ser afetados, prejudicando a população - avalia, lembrando que o fim da 6x1 é válido também para servidores públicos. _

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