terça-feira, 6 de outubro de 2026

06 de Outubro de 2026
OPINIÃO RBS

Os acenos do governador eleito

No dia seguinte à vitória consagradora no primeiro turno, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), deu novas pistas sobre a postura que pretende adotar no cargo, as agendas prioritárias e o perfil da gestão. Chama atenção a promessa reiterada de uma conduta conciliatória. A busca pelo diálogo, inclusive com forças políticas antagônicas, teria o objetivo de construir consensos sobre pautas que unem os gaúchos, como obras de infraestrutura.

Deputado federal de estilo combativo, Zucco ganhou projeção nacional como líder da oposição ao governo Lula na Câmara. Agora, indica trocar os embates pela costura de apoios para temas de interesse do Estado. Irá em uma boa direção se confirmar, na prática, um comportamento agregador, aberto a conversar inclusive com parlamentares petistas. A complexidade dos desafios postos para o RS retornar aos trilhos do desenvolvimento exige mais avenças e menos desavenças estéreis por razões ideológicas.

A sinalização de que formará um secretariado técnico, com nomes que dominem as áreas que vão comandar, também é um indício promissor. O compromisso de reduzir o número de secretarias, das atuais 30 para algo entre 15 e 20, tenta passar uma postura de austeridade em um Estado com sérias dificuldades financeiras, com um déficit orçamentário de R$ 4 bilhões previsto para 2027.

Além da vitória retumbante na corrida ao Palácio Piratini, o futuro governador larga com uma base confortável. A sua coligação elegeu 27 dos 55 deputados estaduais. É uma situação que o favorece nas negociações políticas. Estará menos sujeito à pressão para ceder cargos em troca de apoio no parlamento, embora demonstre disposição para compor com partidos de centro-direita na Assembleia.

Sobre questões federativas, Zucco demonstrou dar prioridade a temas como a renegociação da dívida do Estado com a União e a aprovação do Fundo Constitucional do Sul e do Sudeste. O desempenho do PL na eleição para o Congresso é um trunfo. O partido terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado. A vitória em primeiro turno de governadores da sigla e de legendas aliadas, no Sul e no Sudeste, é um instrumento de força adicional. 

Deve ser prioridade angariar adesões à causa de manter a suspensão do pagamento da dívida com a União, previsto para recomeçar em maio, utilizando esses recursos para apoiar projetos de irrigação. O dificultador será a necessidade de o próprio governo federal promover um ajuste fiscal duro a partir do próximo ano, o que pode levar o poder central a também ser menos condescendente.

Outro sinal de maturidade política é o compromisso de manter programas do governo Eduardo Leite com bons resultados. Ontem, Zucco citou o RS Seguro, decisivo para diminuir os índices de criminalidade, e o Devolve ICMS, que reembolsa parcela do imposto pago por famílias de baixa renda.

Os momentos que se seguem a triunfos eleitorais são de justa comemoração e impregnados de otimismo. A realidade que espera a nova gestão, no entanto, é intrincada. Aguarda-se que o governador eleito, ao assumir as suas funções, pratique de fato a conduta conciliatória prometida, forme e mantenha uma equipe pautada pela eficiência e consiga entregar resultados à população gaúcha. 

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